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O secretário-geral do PP baiano, Jabes Ribeiro, parece não botar fé na concertação pretendida pelo prefeito de Ilhéus, Newton Lima (PSB). Segundo ele, o seu partido fica onde está e vai manter posição de “independência” em relação ao governo municipal, apesar dos convites do Palácio Paranaguá. “O governo já está cheio demais”, diz, numa estocada à pretensão de Newton de não ter opositores à sua administração.

O ex-prefeito vai na mesma linha de quem pensam a política ilheense. Para o governo dar certo, preceitua, o que precisa mudar é a cabeça de Newton Lima. E como política é feita de gestos, observa: “houve a lavagem da Catedral de São Sebastião (neste sábado), e Newton não apareceu. Nem ele nem ninguém do seu governo. Dizem que ele preferiu a lavagem do Senhor do Bonfim”, alfineta, aproveitando-se do fato de que o prefeito encontrava-se em Salvador na última quinta e só chegou a Ilhéus hoje.

Jabes disse que o seu partido apoiará a gestão de Newton Lima “naquilo que for bom para Ilhéus, e criticará o que for nefasto”. O PP, sustenta, está à vontade na sua posição de “independência” e “não quer cargos”. Difícil acreditar, ainda mais quando se fala em e de política ilheense. Mas Jabes diz que o seu partido está trabalhando pelo município mesmo fora do governo. “O Terminal Pesqueiro é uma luta do PP, recuperamos estradas vicinais…”.

O ex-prefeito não perde a oportunidade para cutucar antigos opositores que deixaram de ser estilingue, passando à condição de vidraça. “Queremos preservar a independência que alguns perderam”. A crítica aí tem endereço certo e atinge um de seus antigos pupilos, o vereador licenciado e hoje secretário de Planejamento, Alisson Mendonça.


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César e Jabes, em Ilhéus (Foto IlhéusAmado).
César e Jabes, em Ilhéus (Foto IlhéusAmado).

O secretário-geral do PP baiano também falou sobre a sucessão estadual. Para ele, o PT baiano compreendeu que se deve formar uma chapa forte para a disputa eleitoral deste ano. E qual seria essa chapa? A ideal, acredita, será aquela que muito se discute e encontra resistência em petistas orgânicos: Wagner candidato à reeleição, tendo Otto Alencar (PP) e César Borges (PR) como candidatos ao Senado.

A quem critica a presença de Borges na chapa do governador petista, Jabes tem defesa prontinha: “A dicotomia política acabou na Bahia. César Borges se tornou um político moderno, tranquilo e não está mais sob as ordens de ACM. Ele evoluiu e está fazendo um belíssimo mandato como senador”.

E quem seria o vice nesta chapa em que ex-carlistas dão o tom? Jabes, que curtiu um período na oposição, depois apoiou o carlismo e de lá saiu antes da morte do velho “Toinho Malvadeza”, rejeita o termo e afirma que a vice deve ir para um dos quadros do PSB ou PDT, por exemplo. “Só se ganha eleição com articulação”.

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Do Bahia Notícias

O juiz Humberto José Marçal, da 2ª Vara Cível de Itamaraju, extremo sul baiano, determinou que os cerca de 80 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) deixem a Fazenda Nova Esperança, localizada a 35 quilômetros da cidade.

O juiz já comunicou o fato à polícia nesta sexta-feira (15), e o movimento, segundo o coordenador regional do MST, Evanildo Costa, espera que a Casa Militar entre em contato com o movimento para abrir negociação. O MST quer também que o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) vistorie a terra.

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O sul da Bahia está entre as regiões no estado que mais registraram mortes causadas pelas diversas formas de Meningite em 2009. Segundo dados da Diretoria Regional de Saúde em Itabuna, foram 15 mortes em 12 meses.

Na regional de Ilhéus foram registradas 8 mortes durante o ano passado. Salvador foi o município em que a doença mais matou, com 63 óbitos. Com 15, Itabuna foi a segunda e Vitória da Conquista a terceira, com 12 mortes.

Teixeira de Freitas ficou empatada com Ilhéus, na quarta colocação, com 8 mortes. Em todo o estado foram 150 mortes provocadas pelas variações da doença. No dia 28 chega a Salvador o primeiro lote de vacinas contra Meningocócica C.

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Newton: amarrações por apoio petista.
Newton: amarrações.

O acordo que selou o apoio do prefeito Newton Lima (PSB) ao governador Jaques Wagner e a presença do PT no governo ilheense teve algumas amarrações, que também podem ser perfeitamente entendidas como condicionantes do Palácio de Ondina.

O prefeito recebeu a missão de convencer o seu vice, Mário Alexandre (PSDB), a desembarcar da canoa do ex-governador Paulo Souto e apoiar a reeleição de Wagner. Nesse balaio de acordos (ou seria de gatos?), Marão deixaria o PSDB para embarcar em uma legenda da base aliada do governador petista.

Na mesma linha, o prefeito também abre mão do comando do PTB ilheense, hoje presidido pelo seu alterego Carlinhos Freitas, secretário de Serviços Urbanos. O PTB faz parte do arco de alianças do ministro Geddel Vieira Lima, devidamente brigado com Wagner. Então, faria bem desembarcar de projeto de terceiros…

Em resumo, a articulação política do governador Jaques Wagner quer de Newton sinais de fidelidade ao projeto ao qual se integrou. Marão está bem, obrigado!, no PSDB. A engenharia é tortuosa, dificílima, com certeza – mas nada que não possa ser superado com aquilo que sem o qual político nenhum sobrevive (cargos!). Quanto a Freitas, este faz tudo que Newton quiser.

As amarrações são estas, mas resta saber se Newton estaria disposto a tal, pois não é lá de fazer política. Ou seja, literalmente, é um desafio à principal lei do prefeito ilheense: governar sem fazer… política.

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Prédio da CNPC abrigará Justiça e Receita federais (Foto arquivo).
Prédio da CNPC abrigará Justiça e Receita federais (Foto arquivo).

O prédio ocupado pela antiga Central Nacional dos Produtores de Cacau (CNPC) estava abandonado há mais de três anos, desde quando a Advocacia Geral da União (AGU) provou que o imóvel era público e a sua posse deveria retornar para a União.

O prédio foi alvo de intensa disputa por parte dos governos federal, estadual e municipal neste período. Desejado por muitos, o imóvel será ocupado pela subseção judiciária itabunense do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. As obras de reforma do local começaram, apesar da definição ter ocorrido há seis meses. A Receita Federal também será transferida para lá.

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O diretor do Samu de Itabuna, Carlos Coelho, deu entrevista à TV Santa Cruz, e falou do trabalho do órgão. Para quem não lembra, CC é aquele diretor que dá expediente em vários locais e na quarta-feira se negou a atender o Conselho Municipal de Saúde, porque estava de plantão na Maternidade Esther Gomes.

A TV preferiu falar, em reportagem exibida no Bahia Meio Dia deste sábado, da rotina daquele serviço de urgência. Direito dela. Com a repórter Karen Póvoas sacolejando dentro de uma ambulância, a matéria falou das agruras de se fazer atendimentos de emergência em Itabuna. Mostrou o trânsito caótico, a tensão dos socorristas, a falta de educação de motoristas e motociclistas. Passou ao largo apenas pelos reais problemas do Samu.

Carlos Coelho (até na matéria) apareceu pouco. Sua fala, condenando os trotes, sugeriu que muito mais poderia ser feito. Apenas não convenceu ao aparecer todo paramentado, com jaleco e tudo o mais, na tentativa de fazer parecer que aquela é a sua rotina.

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70-mm

uma e meia

Leandro Afonso | www.ohomemsemnome.blogspot.com

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Em seus dois primeiros longas – Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1998) e Snatch – Porcos e Diamantes (2000) –, Guy Ritchie conseguiu despertar alguma curiosidade como alguém com um diferencial dentro da explosão de adeptos da geração MTV. Mais de dez anos depois, contudo, ele consegue a incrível e infeliz façanha de, reiterando e – teoricamente aprimorando – algumas de suas características como diretor, fazer provavelmente o seu pior filme: Sherlock Holmes (idem – EUA, 2008).

Em todo o tempo, Guy Ritchie dá indícios de que não acredita em ninguém. Robert Downey Jr., com um carisma sem igual para personagens excêntricos e enigmáticos (como Holmes), nunca tem tempo de tela suficiente; as gags do roteiro são tão apressadas que, se comparadas aos geralmente picotados sitcom’s da atualidade, fazem estes últimos parecerem arrastados filmes mudos; e as sacadas de Holmes, de tão explicitadas, se transformam em simples explicações, que conseguem o feito de ser didáticas (por explicar tim-tim por tim-tim) e, ao mesmo tempo, confusas – pela rapidez e pelo fato de aparecerem a todo momento.

Como se não bastasse a mania de explicar e acelerar tudo, temos uma história que funciona bem até ligada no piloto automático sem, aqui, o que de melhor é inerente a ela – o mistério e o poder da sugestão. Guy Ritchie satisfaz aquele que quer dizer que Holmes é inteligente (mesmo que não faça ideia do que está vendo), mas não o outro que prefere perceber por si só essa inteligência.

Com 42 anos ainda incompletos, Guy Ritchie é um exemplo de cineasta jovem e já preso ao passado de sua formação – ou pelo menos a que chega na tela. Com seus recursos fáceis e os vícios cada vez mais específicos de sua época que de sua pessoa, ele consegue deixar sua marca cada vez mais forte: a de uma cineasta eternamente “jovem” – e bobo.

Ps: Terminada a cabine de imprensa, as duas pessoas com quem falei sobre o filme estavam bem felizes com o que viram. Até que tentei (embora não muito), mas não consegui entender.

Sherlock Holmes (idem – EUA, 2009)

Direção: Guy Ritchie

Elenco: Robert Downey Jr., Jude Law, Rachel McAdams

Duração: 128 minutos

Projeção: 1.85:1

8mm

LOLA

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Ainda me faltam ver coisas de Rainer Werner Fassbinder – afinal de contas, são mais de 40 filmes em 16 anos de carreira –, mas é provável que poucas voltem a deixar as marcas de Lola. Da abertura, com os cabelos da dita cuja em paralelo com um diálogo baseado em raciocínio sobre poesia e tristeza, até o sarcástico final; passando pela cena em que Lola parece dançar possuída depois de ser vista por quem não podia, num plano sequência que dá a impressão de ser filmado e atuado por seres (com talento) sem paralelo entre os terráqueos. Maravilha de filme.

Sem luz

Primeiro veio Viver a Vida, agora Tempos Modernos; antes Godard, depois Chaplin. Qual será a próxima heresia em nomes de novela da Globo? O Iluminado? Soberba? Kubrick e Orson Welles já se reviram…

Filmes da semana:

  1. Sweeney Todd: o Barbeiro Canibal (2006), de Dave Moore (**)
  2. Lola (1981), de Rainer Werner Fassbinder (****1/2)
  3. Casablanca (1942), de Michael Curtiz (****)
  4. Código Desconhecido (2000), de Michael Haneke (***)
  5. Deserto Vermelho (1964), de MichelangeloAntonioni (**1/2)
  6. Caminhos Perigosos (1973), de Martin Scorsese (***)

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Leandro Afonso é comunicólogo, blogueiro e diretor do documentário “Do goleiro ao ponta esquerda”

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Marco Wense

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O Partido dos Trabalhadores de Ilhéus, quando comparado com o de Itabuna, presidido pela diretora da Direc-7, Miralva Moutinho, ex-filiada ao Partido Comunista do Brasil, é extremamente complicado.

A indecisão da legenda diante dos fatos políticos é uma constante. Essa instabilidade gera insegurança. Surge no imaginário do eleitor-cidadão-contribuinte uma espécie de “medo do petismo”.

Na trilha desse injustificado medo, vem a seguinte pergunta: o PT de Ilhéus, caso saia vitorioso na sucessão de 2012, está preparado para assumir o comando do Centro Administrativo?

Participando da administração Newton Lima (PSB), o PT tem a oportunidade de mostrar para o povo de Ilhéus que tem condições de governar a mais bela princesa do sul da Bahia.

O PT de Ilhéus, que vai ficar na frente de duas importantes secretarias – a da Saúde e de Planejamento –, não pode falhar, sob pena de enterrar de vez o legítimo sonho da conquista do cobiçado Palácio Paranaguá.

SUCESSÃO 2012

O PT de Ilhéus justifica a composição política com o prefeito Newton Lima com o argumento de que a neo-aliança é indispensável para o governador Jaques Wagner, que busca o segundo mandato (via reeleição).

Não é bem assim. Os petistas estão com os olhos voltados para o processo sucessório municipal. E mais: só aceitaram essa aliança porque o prefeito Newton Lima está legalmente impedido de disputar mais um mandato.

O prefeito Newton Lima, com a entrada do PT na administração, assume a condição de franco atirador. Se tudo ocorrer bem, parabéns para o chefe do Executivo. Do contrário, divide o ônus com os “companheiros”.

O PT tem que ser parceiro até o último minuto da administração. Não pode é usufruir das benesses inerentes ao poder e, depois, sair de fininho alegando que a tal da “herança maldita” foi um entrave. Uma treva.

O PT, agora, é governo, é situação. Sai da cômoda posição de oposição, da crítica pela crítica, sem apontar soluções, para a de co-responsável pelo sucesso ou não do governo Newton Lima.

O PT, agora, tem telhado de vidro.

JABES

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O ex-prefeito Jabes Ribeiro, candidatíssimo à Assembleia Legislativa do Estado, com a aliança do PT com o governo municipal, passa a ser a maior liderança de oposição ao prefeito Newton Lima (PSB).

Os petistas torcem para que Jabes saia derrotado na eleição para o Parlamento estadual. A contrapartida do jabismo é que o PT seja um fiasco no governo Newton Lima.

Petistas e jabistas não podem ser protagonistas da nefasta política do quanto pior, melhor. Vamos torcer para que o PT tenha um bom desempenho na administração municipal e Jabes se eleja deputado estadual.

PS – Para Cosme Araújo, ex-vereador de Ilhéus, a aliança do PT com o prefeito Newton Lima é vapt-vupt. “Não dura mais do que seis meses”, diz o advogado.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

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Acidente deixou pista interditada parcialmente (Foto Costa Filho/Pimenta)
Acidente deixou pista interditada parcialmente (Foto Costa Filho/Pimenta)

Duas ambulâncias do Samu 192 e uma viatura do Corpo de Bombeiros foram acionadas para atenção às vítimas de um acidente na rodovia Ilhéus-Itabuna (BR-415), ocorrido há cerca de 40 minutos.

Uno ficou destruído com o impacto da colisão (Foto Costa Filho/Pimenta).
Uno ficou destruído com o impacto da colisão (Foto Costa Filho/Pimenta).

Pelo menos uma pessoa morreu na colisão lateral de dois carros de passeio. O acidente ocorreu numa curva entre a Ceplac e a fazenda Primavera, no quilômetro 22 da Ilhéus-Itabuna. Mais informações em instantes.

Às 11h49min – O acidente envolveu o Fiat Uno, placas GKJ-3985, licença de Itabuna, e o VW Polo Classic, placas JPP-3360, de Ilhéus. De acordo com testemunhas, a motorista do Polo, Maria Magnólia Costa Guerra, teria perdido o controle da direção numa curva aberta entre a Ceplac e a Fazenda Primavera, quilômetro 22, e invadido a mão contrária, colhendo o Uno na lateral. Os dois veículos foram parar a cinco metros do local de frenagem.

'Bico' esquerdo do Pólo bateu firme na lateral do Uno (Foto Costa Filho).
'Bico' esquerdo do Pólo bateu firme na lateral do Uno (Foto Costa Filho).

Na colisão, morreu a motorista do Fiat Uno, a empresária Benedita de Fátima Ribeiro, que residia no bairro Castália, em Itabuna. Policiais suspeitam que ela viajava sem cinto de segurança. A motorista teve o pescoço fraturado e sofreu corte profundo na cabeça. O esposo, de prenome Jorge, chegou ao local minutos depois, em prantos.

Maria Magnólia foi levada por equipe do Samu para o Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães. Outros dois feridos, que estavam no Polo, também foram conduzidos para o hospital.

Trânsito lento – O acidente ocorreu por volta das 10h40min, mas quem trafega pela rodovia enfrenta trânsito lento. A pista está liberada parcialmente. A espera tem sido de até 30 minutos. Os veículos ainda não foram removidos do local do acidente. Com informações do repórter Costa Filho, da Rádio Jornal.

Magnólia, a sobrevivente, e Jorge, esposo de Fátima.
Magnólia, a sobrevivente, e o esposo de Fátima.

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A delegação do Itabuna segue hoje, ao meio dia, para a cidade de Alagoinhas, onde fará sua estreia pelo campeonato baiano profissional de 2010.

O time Azulino enfrenta o Atlético amanhã, às 16 horas, no estádio Antônio Carneiro. No mesmo horário, o Colo Colo recebe o Bahia, no estádio Mário Pessoa.

As equipes de juniores dos quatro times também jogam amanhã, nos mesmos locais, nas preliminares das partidas principais. O Baiano de Juniores será disputado paralelamente ao profissional.

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Um homem identificado como Márcio Santos Pinto foi vítima de linchamento por populares, ontem à noite, nas proximidades do loteamento do Gegéu.

Fugindo da turba enfurecida, Pinto conseguiu alcançar o posto policial do Pedro Jerônimo. De lá, foi encaminhado pelo Samu para o Hospital de Base e, depois, para o complexo policial. Ele é acusado de ter estuprado uma menina de dois anos, há cerca de quatro dias.

A criança foi encaminhada para o hospital infantil Manoel Novaes, onde foi constatada a violação. No entanto, a médica que a atendeu afirmou que não poderia emitir laudo pericial.

Resultado: Márcio Pinto foi liberado pelo delegado plantonista Laurindo Teixeira e a família da criança aconselhada a prestar queixa na delegacia da mulher, na próxima segunda-feira.

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ESTOU DE LUTO HÁ 28 ANOS

Ousarme Citoaian

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É quase obrigação lembrar que perdemos, numa semana como esta (19 de janeiro), uma cantora chamada Elis Regina Carvalho Costa (foto). Aconteceu em 1982, portanto, há 28 anos. Elis ainda é considerada por muitos críticos e músicos, quase três décadas depois, a maior cantora brasileira de todos os tempos. Essa qualidade excepcional se deve à combinação, em porções certas, de emoção e técnica de cantar (em Betânia, emoção quase sem técnica; em Gal, técnica quase sem emoção).

Nascida em 1945 (em Porto Alegre), a artista teve sua voz imortalizada em 47 discos (em formatos diversos) durante 18 anos de carreira, a partir de 1961. Teve morte trágica e prematura, aos 36 anos, quando se encontrava em plena forma. Uma mistura de tranqüilizantes, cocaína e álcool lhe foi fatal. Eu estou de luto até hoje.

CEMITÉRIO DOS MORTOS-VIVOS

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Chamava a atenção em Elis Regina a coragem, cívica e artística. Acusada de colaborar com os militares (cantou o Hino Nacional numa solenidade, em 1972),  foi inserida no “Cemitério dos mortos-vivos”, impiedosa seção que o genial cartunista Henfil (foto) mantinha no Pasquim. (lá foram “enterrados” Carlos Drummond de Andrade, Pelé, Marília Pera, Paulo Gracindo, Clarice Lispector, Tarcísio Meira e Glória Menezes). Ficou amiga de Henfil  e se fez musa do movimento pela anistia, ao gravar O bêbado e o equilibrista (João Bosco-Aldir Blanc), em 1979. Essa música, com uma carga de emoção que o tempo não apaga, é considerada seu ingresso definitivo nas hostes intelectuais contrárias à ditadura. Antes, teria dito (o que não é confirmado) que o Brasil era governado por gorilas – e só sua popularidade lhe teria evitado a prisão (o “cemitério” era tão sectário que, no fim, Henfil também se “enterrou”…).

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LAMENTO PELOS TORTURADOS

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O texto de Aldir Blanc tem elementos nem sempre percebidos à primeira audição: o bêbado com chapéu coco é homenagem a Carlitos; o irmão do Henfil é o sociólogo Betinho, exilado; as marias e clarices são mulheres que choram pelos seus homens torturados e mortos pela ditadura – uma delas se chama mesmo Clarice (foto), mulher do jornalista Wladimir Herzog, assassinado no Doi-Codi). Uma dor assim pungente não há de ser inutilmente… A esperança dança na corda bamba, pode até se machucar, mas está viva, é a última a morrer – afinal, mesmo sob violência e iniqüidade, o show tem que continuar. Genial! Leio num site que O bêbado e o equilibrista é uma das canções mais executadas do mundo. Acho justo.

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A FORÇA DADA AOS NOVOS

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Nunca antes na história desse país houve uma estrela que tanto desse a mão (e emprestasse a voz) aos novos compositores (o ótimo Emílio Santiago, por exemplo, gosta de gravar o que já é sucesso). Elis Regina se arriscou com João Bosco e Aldir Blanc (foto), além de registrar os então desconhecidos Renato Teixeira, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Belchior, Tim Maia, Sueli Costa, Ivan Lins e outros. A maioria dessas gravações está na lista de “clássicos da MPB”. Fantástico (não o da Globo, mas o da vida real). Milton Nascimento foi o mais agradecido de todos, pois a elegeu sua musa e a ela dedicou várias composições.

Este mês, mostraremos três vídeos de Elis Regina. Aqui, o primeiro, com o Hino da anistia, ao vivo.

O HOMEM E A BARBA DO HOMEM

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A já um tanto prateada barba do professor Jorge de Souza Araujo (foto) esconde um dos nomes mais significativos da literatura produzida no Brasil. Não por coincidência (Jung diz que não existe coincidência, existe sincronicidade), é uma barba que nos lembra o muito citado e pouco lido Karl Marx: Jorge é militante marxista e, nesta condição, arriscou-se ter as unhas arrancadas – ou ser submetido a pau-de-arara, choque elétrico, afogamento e mimos outros com que a “Gloriosa Revolução de 64” tratava seus desafetos.

Se, à época, não fosse imberbe, arriscar-se-ia a ter a barba cortada a biscó, pois estas eram as regras do jogo – e os ditadores nos queriam todos devidamente depilados, pois barba grande e cabelo idem eram sinais inequívocos da intenção de derrubar o governo. Esse sertanejo de Baixa Grande, para o bem de todos nós, passou ao largo da tortura, sem abdicar de suas convicções: se perdeu anéis, ao menos manteve intatos os dedos, as unhas e o buço emergente, de grande futuro.

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BOM OUVINTE E BOM FALANTE

Jorge Araujo é intelectual completo: escreve poesia, conto, crônica, ensaio, pesquisa, teatro e ainda encontra tempo para a sala de aula, orientar teses de mestrandos, visitar o bar e charlar com antigos ou ocasionais. Sabe administrar o tempo e dissimular intenções: quem o vê diante de uma cerveja, em papo comprido de fim de tarde, desapressado, bom ouvinte e bom falante, pensa que descobriu mais um desses boêmios sem relógio, responsabilidade ou patrão. Crasso erro. Jorge tem um entendimento quase bíblico da adequação da hora. Conhece o tempo de plantar, colher, flanar, beber, namorar, casar (atividade a que se tem dedicado com impressionante persistência) e trabalhar, que ninguém é de ferro. Quando se enfurna na biblioteca, a ler, pesquisar, anotar e produzir, esquece o mundo do lado de fora, seja em sua casa, seja em outros sítios, pois ele vai aonde a informação estiver. Coleções públicas ou particulares, no Rio, São Paulo, Oropa, França e Bahia recebem frequentes visitas suas. Sequer os alfarrábios de poeira secular escondidos na Torre do Tombo, em Lisboa, conseguiram escapar à sua perseguição, quando esteve à cata de um certo padre Antônio Vieira. Por certo, contabiliza algumas crises de alergia – mas o que não se faz pela arte?

“ELEMENTO PERIGOSO”

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Feitas as contas, de Eu nu e algumas curtas estórias, em 1969,  até Floração de imaginários, em 2008, ele publicou quase um livro por ano. A leitura em si é tema recorrente (“Ler é evitar que a alma infarte”, diz em Agenda de emoções extraviadas), mas o espectro de interesse do autor é muito amplo: vai do citado Vieira à análise literária propriamente dita (Jorge Amado, Jorge de Lima, Graciliano), do mito do conquistador D. Juan às pegadas de Anchieta na praia, com passagem pelo teatro – Auto do descobrimento: o romanceiro de vagas descobertas (foto)  – sem gastar o espaço cativo da crônica de jornal (Ainda que nos precipitem) e da poesia (Os becos do homem, com prefácio de Antônio Houais). O liame político jamais foi rompido, pois o autor não pode e não quer fazê-lo. Está lá, em “Escrevo para me manter vivo”, no livro Caderno de exercícios – algumas reflexões sobre o ato de ler: “A escrita é minha prática subversiva, sempre a minha forma de ver o outro lado do mundo, de ver não oficialmente como me convidam a ver”. Conforme se vê, Jorge Araujo não se emenda: continua, depois de grande, a ser “elemento perigoso”.

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PATRIMÔNIO CULTURAL

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A última proeza literária de Jorge Araújo, abstraindo-se uma premiadíssima biografia de Graciliano Ramos, é o ensaio Floração de imaginários (foto), editado pela Via Litterarum/Itabuna). Vão pensar que minto, mas me arrisco a dizer: são 77 romancistas com suas obras analisadas num espaço de 490 páginas – o que significa dizer uns 380 livros lidos, pesquisados, resenhados, virados pelo avesso, mas todos tratados com generosidade e respeito. Se você ouviu falar de um obscuro baiano que escreveu um romance há anos tantos (desde que no século XX), ele estará em Floração, o maior acervo de conhecimento da literatura baiana que já se publicou. O livro ganhou o prêmio Braskem de ensaios, mas isso não atesta sua verdadeira dimensão. Merece muito mais, pois é o manual, o inventário, o vade-mécum, o alfa e o ômega, o “quem-é-quem” do romance neste Estado.

Esta coluna não se atribui tamanho, peso, engenho e arte suficientes para se aventurar na avaliação intelectual de Jorge Araujo, tarefa para críticos, exegetas e doutores da literatura. Mas de uma coisa temos certeza: trata-se de indivíduo pleno de generosidade, distante de arrogâncias, limpo de soberbas, que jamais se utilizou de sua forte erudição para humilhar pessoas ou elevar-se pessoalmente. Nunca quis ser “superior” a ninguém. Nem precisa.  Creio que se fôssemos uma terra dada a cultivar valores intelectuais (não sei se existe alguma assim), Jorge Araujo não poderia sair à rua sem segurança reforçada, como acontece com as grandes estrelas. No dia em que Itabuna e Ilhéus criarem juízo vão tombá-lo como patrimônio cultural da região. E eu estarei lá, batendo palmas.

TRAUMA DE JARARACA ENSABOADA

Jararaca Ensaboada leu um livro quando estava na escola elementar, por insistência da professora. A aventura causou-lhe tamanho trauma que ela foi aconselhada, em nome da saúde, a nunca, jamais, em tempo algum repetir esse tresloucado gesto. Há dias, numa súbita tentativa de ascender à erudição, procurou, com a ajuda de um psicanalista de hora regiamente paga, ler as orelhas de Dom Casmurro, e se deu mal: o esforço levou a nefanda criatura a tal estado de histeria que o psicanalista de hora regiamente paga lhe recomendou procurar o psiquiatra, com urgência urgentíssima.

O UNIVERSO DERRAPOU

Na semana passada, os leitores desta coluna foram muito bondosos, ao não reclamar de dois erros que berravam no texto: numa “intromissão” do word, saiu agüenta, quando o correto, segundo o polêmico Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, é aguenta; e, por injustificável descuido, escrevi “o Luiz Viana Filho…” – detestável forma de linguagem comum no Sudeste, mas alienígena entre nós. Nordestino que escreve “o Fulano”, em vez do simples “Fulano”, exercita um ridículo pernosticismo. Foi o que eu fiz, sem intenção (os erros foram rapidamente corrigidos, graças à diligência dos rapazes do Pimenta). Peço desculpas e agradeço a todos pela generosidade.
(O.C.)
</span><strong><span style=”color: #ffffff;”> </span></strong></div>
<h3 style=”padding: 6px; background-color: #0099ff;”><span style=”color: #ffffff;”>E FRED JORGE CRIOU CELLY CAMPELLO!</span></h3>
<div style=”padding: 6px; background-color: #0099ff;”><span style=”color: #ffffff;”>No auge do sucesso, em 1965, a música teve uma versão no Brasil, gravada por Agnaldo Timóteo. Como costuma ocorrer com as

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A Bahia Mineração (Bamin) investe também no esporte para consolidar a sua marca no sul da Bahia, sem perder o seu principal alvo, os ilheenses. Além de adquirir a cota de principal patrocinador do Colo Colo no Estadual de 2010, a Bamin joga pesado também na segunda edição da Corrida Temática da Costa do Cacau.

A empresa é a patrocinadora master da competição que pretende reunir mais de 300 atletas e será disputada neste domingo, 17. A prova começa às 8h30min, na avenida Soares Lopes. De acordo com a assessoria da empresa, atividades ligadas à preservação ambiental serão desenvolvidas durante o evento.

A Bamin está integrada ao Complexo Intermodal Porto Sul, que prevê construção de porto, aeroporto e ferrovia em Ilhéus. A mineradora construirá um armazem para estocagem de ferro extraído em Caetité, também na Bahia, e transportado para o sul do estado através da ferrovia que deve começar a sair do papel em maio. O minério será exportado pelo porto off-shore que será construído na região norte de Ilhéus.