Agenor Gasparetto: falta de pesquisa de boca de urna expôs fragilidade das sondagens eleitorais || Foto Pimenta
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A menos de 24h do início da votação do primeiro turno, na tarde de sábado (1º), saiu a última pesquisa Datafolha/Metrópole sobre a eleição ao Governo da Bahia. O candidato do União Brasil, ACM Neto, apareceu com 51% das intenções de voto válido, e Jerônimo Rodrigues (PT), 38%. O resultado das urnas é conhecido: o petista obteve 49,45% dos votos válidos e o adversário, 40,80%.

Após a contagem dos votos, no final da noite de domingo (2), o governador Rui Costa (PT) disse que, na Bahia, os institutos de pesquisa eleitoral têm histórico de “erros graves”.

– Isso acaba, de alguma forma, tendo alguma influência na eleição, quando você anuncia na véspera, à noite, que o outro candidato é quem vai ganhar no primeiro turno e o outro candidato [ACM Neto] termina com 40% – declarou Rui.

Para lançar luz sobre as possíveis causas da diferença entre o cenário pesquisado e o resultado de uma eleição, o PIMENTA recorreu ao sociólogo Agenor Gasparetto, professor da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e diretor da Sócio Estatística Pesquisa e Consultoria.

De saída, ele ressalvou que não dispõe de pesquisa estadual e que uma resposta satisfatória exigiria o estudo de cada situação. Também enviou ao site dois comentários que escreveu sobre as eleições deste ano. No mais recente, desta segunda-feira (3), constatou que a falta de pesquisa de boca de urna expôs a vulnerabilidade característica das pesquisas eleitorais.

Da mesma maneira que é um poderoso recurso de planejamento e execução de uma campanha, escreveu Gasparetto, a pesquisa capta intenções e não votos. “A realidade é dinâmica, continua para além da pesquisa, que vai tendo sua validade corroída com o passar dos dias e semanas”. Portanto, a validade de uma sondagem eleitoral é perecível.

Com a pesquisa de boca de urna, segundo o pesquisador, os levantamentos de véspera têm sua defasagem encoberta, pois as atenções se voltam para os números da sondagem quente, feita às portas dos locais de votação.

– O que tornou visível a defasagem entre as pesquisas e as urnas reside especificamente num fato: a falta da pesquisa de boca de urna nestas eleições. A falta dessa pesquisa tornou a fragilidade de sempre exposta com mais clareza – explicou.

Sem a pesquisa de boca de urna, o resultado da eleição é comparado com as pesquisas dos dias anteriores, que perderam a proteção conferida pelo levantamento do dia da votação. Citando o sociólogo Robert Merton, Gasparetto apontou que esse escudo protetor é a “função não manifesta” da pesquisa de boca de urna. “Sua ausência explicitou a vulnerabilidade”.

Apesar dessa fragilidade, os institutos e as pesquisas continuam válidos como ferramentas de planejamento de estratégia eleitoral, conforme Gasparetto. “Minha hipótese é que as pesquisas são frágeis ainda que um poderoso instrumento”, concluiu.

Uma resposta

  1. O professor Agenor Gasparetto está certíssimo. A pesquisa tem um prazo de validade muito curto e retrata aquele momento, servindo bastante para um planejamento eleitoral.

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