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O jovem José Fábio Nunes da Paixão, 19 anos, uma das vítimas do ataque a um assentamento na zona rural de Una, no sul da Bahia, faleceu nesta sexta-feira (15), no Hospital Geral do Estado (HGE), em Salvador, onde estava internado desde domingo (10).

O assentamento fica na área da antiga Fazenda Unacau, a 20 quilômetros da sede de Una. O ataque foi perpetrado por homens armados, que invadiram a comunidade na quinta-feira da semana passada (8).

Além de ser atingido por três disparos, dois nas cotas e um na mão, José Fábio teve grande parte do corpo queimada. Ele recebeu os primeiros socorros em Una, depois foi levado ao Hospital Regional Costa do Cacau, em Ilhéus, e, por fim, ao HGE. Enquanto ainda lutava pela vida, o jovem teve as duas pernas e o braço esquerdo amputados.

Elton foi morto na madrugada do ataque

Na madrugada da invasão, os homens mataram o jovem tupinambá Elton Barros de Souza, de 21 anos, e feriram outras duas pessoas, além de José Fábio. O ataque teria sido motivado por conflito entre grupos que disputam terras, a mando de uma mulher que foi expulsa do assentamento. A Polícia Federal e a Polícia Civil investigam o caso. Com informações do G1.

Material apreendido com os suspeitos
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Quatro acusados de assaltos a banco morreram em confronto com policiais militares e rodoviários federais, em um acampamento na zona rural de Camacan. Outros seis suspeitos conseguiram fugir do cerco policial. O bando estaria se preparando para assaltar uma agência bancária no município do sul da Bahia.

Os suspeitos de assalto a banco mortos no confronto não tiveram os nomes divulgados. Com o bando, foram encontrados carabina, explosivos, pistolas, revólver, munições e coletes balísticos. O flagrante ocorreu, na sexta-feira (1º), numa operação que envolveu policiais militares e rodoviários federais.

No local, os policiais apreenderam uma carabina calibre 380, duas pistolas calibres 7,65 e 380, um revólver calibre 38, munições, explosivos, coletes balísticos e 390 reais. Os policiais ainda tentam localizar os seis suspeitos que fugiram. Os corpos dos acusados que morreram foram levados para o Departamento de Polícia Técnica de Itabuna (DPT).

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Os assentamentos Nova Galícia e Buri, ambos em Una, promovem um torneio de futebol neste sábado (28), a partir das 8 horas. A competição, organizada pela Associação Estrela do Sul dos Pequenos Agricultores de Una, distribuirá troféus e caixas de cerveja para os três primeiros colocados. Paralelamente ao evento, está programado um bingo beneficente, com sorteio de eletrodomésticos.
A programação tem apoio do Centro Público de Economia Solidária do Litoral Sul (Cesol), Associação Beneficente Josué de Castro e Prefeitura de Una.

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DA IMPENSADA VANTAGEM DE NASCER ADULTO

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

Volto à leitora não atendida. Afinal, quem é Ousarme Citoaian? – ela pergunta. E eu riposto: sou uma criação meio insana de jornalista desempregado, uma inutilidade que deu certo. Feito personagem de ficção, já nasci adulto, de barba na cara, o que foi um golpe de sorte, pois não sofri os achaques típicos: sarampo, catapora, acne juvenil, adolescência e outras mazelas, como bilu-bilu de senhoras ociosas. A criação não recebeu incenso e mirra (que querem?), mas ganhou tantos elogios que quase fica irremediavelmente estragada. O criador teve de puxar-lhe as orelhas (em sentido figurado, é óbvio, que a Lei da Palmada não é graça!), a fim de lhe dar uma pitada de juízo e modéstia.

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Para os realistas, a Fênix é só um mito

Você saiu de um hino… Deve ser a prova provada da doce insanidade do meu “pai”, que se gaba de umas tinturas francesas. Sou a pronúncia figurada de Aux armes, citoyens! (Às armas, cidadãos!) – grito de guerra tirado d´A Marselhesa. Quer dizer que seu criador é um guerreiro, um incendiário? Menos, menos. Ele se define como um cangaceiro domesticado, mas é, aqui pra nós, um romântico. Tanto isso é verdade que, às vezes, deseja tocar fogo no mundo, na doce ilusão de que das cinzas será possível nascer algo que preste. Eu, mais realista, sei que a Fênix é só um mito. Afinal, Ousarme Citoaian é pseudônimo ou heterônimo? Até parece que eu mergulho a profundidades tais…

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Duas escritas e uma só crítica no mundo

Mas creio que minha escrita é outra: também crítica do mundo, porém mais cuidada, mais “erudita”, mais (se posso dizê-lo) elegante. Visto assim, sou um heterônimo, pois faço uma “literatura” diferente dele. Como eu disse, sou seu “outro eu”, um tantinho metido a gato mestre, sem esconderijo de falso nome, o que, de resto, não é novidade. Vasta é a linhagem de pseudônimos/heterônimos identificados: Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto), Aloísio de Carvalho (Lulu Parola), Alberto Hoisel (Zé… ferino e outros), Alceu Amoroso Lima (Tristão de Ataíde), Aurore Dupin (George Sand) e, encerrando minhas lembranças, Fernando Pessoa (Ricardo Reis, Álvaro de Campos e vários outros).

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TITULAR É REUNIR TERMOS INCOMPATÍVEIS

Falamos aqui há dias da “arte” de combinar palavras para obter o efeito desejado. Mas deixamos de mostrar exemplos, o que fazemos agora, lembrando alguns títulos de livros. Bons títulos parecem, na maioria das vezes, associações de termos incompatíveis à primeira vista – e talvez por isso causem belo efeito. Aqui está uma listinha modesta, a que a gentil leitora e o atento leitor (se cultivam essa já quase extinta paixão pelos livros) acrescentarão os de sua preferência. Vamos à “mistura”: Telmo Padilha denominou sua primeira publicação (1956) de Girassol do espanto; Jorge de Souza Araújo ganhou importante prêmio nacional com Floração de imaginários, Cyro de Matos é autor de O mar na rua Chile.

“As luas obscenas” de Hélio Pólvora

Titulação é arte. Euclides Neto, bom escritor, titulava mal – o que explica um romance chamado Machombongo. Marcos Santarrita fez Danação dos justos (vale citar também A solidão do cavaleiro no horizonte), Hélio Pólvora estreou em romance com Inúteis luas obscenas. O “gringo” Raduan Nassar escreveu poucos livros, mas é mestre em títulos: Lavoura arcaica e Um copo de cólera. Um estudo de Monique Le Moing sobre as deliciosas memórias de Pedro Nava chamou-se A solidão povoada, o espanhol Carlos Ruiz Zafón escreveu o best-seller A sombra do vento, e os leitores desta coluna, todos, leram Cem anos de solidão, de Garcia Márquez. Penso que estas poucas referências são suficientes para chegar ao nosso cqd.

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GUIMARÃES ROSA E SUA INFLUÊNCIA NA MPB

Descobri Luiz Cláudio, cantor, compositor e pesquisador das coisas de Minas, lá pelos anos setenta e fiquei abismado com a “parceria” dele e Guimarães Rosa:
“O galo cantou na serra/ da meia-noite pro dia/ o touro berrou na vargem/ no meio da vacaria/ coração se amanheceu/ de saudade que doía”. O galo cantou na serra só era novidade para minha ignorância. Em 2008, a historiadora Heloísa Starling (da Universidade Federal de Minas Gerais), após longa pesquisa, afirmou que o autor de Sagarana talvez seja o escritor de maior influência sobre a canção brasileira. “Há música espalhada por toda a obra de Rosa”, diz a professora.

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“O capeta tocando viola rio abaixo”

Para Heloísa Starling, essa musicalidade de JGR vem do próprio sertão, dos sons da natureza, do silêncio “e até do capeta tocando viola rio abaixo”, além do uso que ele faz da linguagem. Em Rosa, as palavras não têm apenas significado, mas sons e ritmos. Canções com influência roseana são muitas, nem sempre explícitas à primeira audição. Heloísa cita, além de O galo cantou…, Assentamento (de Chico Buarque para o MST), Travessia (Milton Nascimento-Fernando Brant), A terceira margem do rio (Caetano Veloso-Milton Nascimento), Sagarana (João de Aquino-Paulo César Pinheiro), Língua (Caetano Veloso) e Matita perê (Tom Jobim-Paulo César Pinheiro).

Um sujeito bom como cheiro de cerveja

Não encontrei menção da pesquisadora a Desenredo, a minha preferida nessa “parceria” de Rosa com a MPB. É letra do grande Paulo César Pinheiro, com melodia de Dori Caymmi, baseada no conto revolucionário, renovador do gênero, que tem este nome (está em Tutameia – Terceiras estórias). É a história de amor de Jó Joaquim, um sujeito “quieto, respeitado, bom como o cheiro de cerveja”. No vídeo, não sei o que mais me umedece os olhos: o ousado arranjo vocal (como sempre) do Boca Livre, a beleza suave, doce e dolorosamente jovem de Roberta Sá em harmonia com os “velhinhos” do grupo, os lindos versos ou a melodia compatível. Talvez, o conjunto da obra.

(O.C.)