Julio Gomes recupera memórias afetivas nas vozes de Moraes, Gal e Erasmo
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“Perder cantores que ouvíamos quando éramos bem jovens – e que eram ídolos de nossos pais – é como perder um pouco mais e novamente aqueles que nos criaram”.

 

Julio Gomes

Primeiro foi Moraes Moreira. Senti o golpe ao saber que aquele que cantava Pombo Correio e que sacudia a praça, seja a Castro Alves, em Salvador, ou qualquer outra pelo Brasil afora, quando embalava Tem que dançar a dança / Balança o chão da praça, ao som de quem tanto dancei e pulei carnaval, havia partido repentinamente após um infarto. Doeu, deixou um sabor de nunca mais misturado com muitas saudades.

Há bem pouco tempo, outra perda significativa: aquela Gal que docemente cantava Baby, eu sei que é assim e que eletrizava dizendo que é preciso estar atento e forte / Não temos tempo de temer a morte também se foi muito de repente, sem aviso prévio e sem adeus, fazendo ecoar por dias seguidos em minha mente as músicas que ouvia minha mãe colocar na vitrola no tempo em que eu ainda era criança.

Perder cantores que ouvíamos quando éramos bem jovens – e que eram ídolos de nossos pais – é como perder um pouco mais e novamente aqueles que nos criaram, pais e mães que, com seu amor e seus defeitos, nos formaram como seres humanos que somos.

Agora, ainda não refeitos da ida de Gal, recebemos a notícia da partida de Erasmo Carlos, sempre mais ousado do que seu parceiro Roberto Carlos, que fez mais sucesso e vendeu mais discos, mas não tinha o charme rebelde do Tremendão, apelido de Erasmo, que tão bem encarnava a Jovem Guarda e o espírito inovador e inquieto dos anos de 1960.

Perder pessoas que nos anos 60 tinham em torno de 20 anos e que, naquela época, mudaram o mundo com a força de sua juventude e rebeldia é, sem dúvida, um duro golpe para nós que crescemos escutando suas músicas, namorando apaixonadamente ao som de seus acordes, que dançamos os seus ritmos e que sonhávamos acordados com as letras das músicas que falavam de um mundo novo, ressignificado e em busca de paz e amor, como se as revoluções e o movimento Hippie nunca mais fossem acabar, como se a nossa juventude também pudesse ser eterna.

Erasmo, Gal e Moraes Moreira se juntaram àqueles da sua geração que partiram precocemente, como Gonzaguinha e Elis Regina, e nos deixaram com esse sentimento de estarmos órfãos, de perder as referências sentimentais e culturais que nos fizeram ser quem somos, pensar como pensamos, gostar do que gostamos.

Fica a vontade de ouvir novamente suas maravilhosas canções, originais como o mundo que desejavam criar, como os sonhos que ousaram viver.

Eles se foram, mas cumpriram sua missão: enfrentaram a caretice, a repressão sexual, as ditaduras, criticaram a Guerra do Vietnã e todas as outras guerras, ousaram se vestir de forma colorida e diferente, usar cabelos longos e desprezar a sociedade de consumo que trata o dinheiro e o mercado como se fossem deuses absolutos.

Acima de tudo, penso que a geração dos jovens nos anos 60 – a geração de meus pais – tentou aprender a amar e a viver ardentemente, errando e acertando, quebrando a cara e recomeçando, criando novos estilos musicais e novas formas de convivência entre as pessoas, acreditando que toda a forma de amor vale a pena.

Que todos nós possamos ser um pouco como eles, sobretudo em seus acertos, para sermos mais ousados, mais inovadores e amarmos ainda mais intensamente do que eles conseguiram amar.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc (Universidade Estadual de Santa Cruz).

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E o Metaverso está chegando, Prepare-se para ele. Pode parecer até assustador, mas ele não será só um jogo ou um lugar, ele poderá ser a sua próxima vida. Ou não. Esperamos que seja opcional

 

Afonso Dantas

“O Metaverso vem aí”, “Empresa X acaba de entrar no Metaverso”, “O Metaverso tem futuro?”.

Já faz algum tempo que as notícias sobre o Metaverso pululam na mídia, principalmente na internet e, de modo um pouco confuso, nas redes sociais. Afinal, o que é Metaverso e qual seu impacto em nossas vidas?

Vamos lá!

Pra início de conversa, o Metaverso é ainda uma incógnita, um novo mundo, ainda em formação, do qual muitos falam, mas poucos ainda têm a real noção do que ele possa ser de fato.

Alguns o imaginam como um jogo, um local onde você vai passar um tempo, usando alguns equipamentos como um visor e fones, e logo voltará para vida real. Outros o imaginam como no filme Matrix, onde, ao você escolher a pílula vermelha ou a pílula azul, você escolherá entre esse mundo real e o mundo virtual.

Mas, afinal, quem tem razão?

A resposta pode ser surpreendente, pois todos podem ter razão e vou tentar explicar o porquê, pois eu admito que ainda tenho muitos questionamentos sobre esse novo mundo e com certeza esses questionamentos aumentarão com o tempo.

Pensemos na vida como ela é, hoje. Você acorda, olha pro espelho, vê quem você é, ou seja, um humano, e vai fazer suas coisas. Vai trabalhar, namorar, estudar, praticar esportes, fazer compras, passear, ler um livro ou ficar horas na frente de um computador ou teclando um celular. Você faz isso em um mundo real, mesmo na hora do computador e/ou celular.

No Metaverso, segundo alguns, a coisa já começa a mudar na forma em que você se vê – e que outros que estarão lá, o verão também. Você pode ser homem e lá ser uma mulher, ou um camelo, um coelho, um lagarto, um peixe, um dinossauro louro. Lá você pode ser o que você quiser. Pode ser, por exemplo, um elefante verde, que voa.

Mas não para por aí. Você vai fazer as coisas como você faz aqui, lá no Metaverso. Vai trabalhar – lá. Vai estudar, passear, namorar e fazer outras atividades, lá também.

Mas como? Vou colocar o visor e vou fazer essas coisas lá ao invés de fazê-las aqui? Mas a experiência será a mesma? As sensações serão as mesmas?

Aí é que a coisa começa a mudar de figura.

Com as novas tecnologias, o 5G, por exemplo, que é a internet das coisas, podemos imaginar que teremos a internet “das pessoas”. E já se fala no 6G.

E como será isso?

A primeira coisa que mudará será o fim da necessidade de se usar equipamentos para acessar o Metaverso. Nada de celular, nada de visor, nada de coisas que lembrem que você precisa “ter” alguma para acessar o Metaverso. Você terá equipamentos, mas serão implantes de chips ou nanotecnologia dentro do corpo (olhos, cérebro, músculo, pele etc.) que farão você “ser” um equipamento para acessar o Metaverso.

E aí, a evolução dos gráficos, que farão o ambiente do Metaverso parar de parecer um videogame para se parecer com a vida real com todas as suas experiências que virão do virtual para parecerem reais com seus cinco sentidos, visão, audição, olfato, tato e paladar.

Aí, se criará realmente um novo mundo.

Temos uma superfície terrestre com uma dimensão muito grande, mas pense que esse espaço poderá ser multiplicado no Metaverso, e teremos mais espaço para andar, viajar, construir e até morar. Já pensou em morar em Marte, Urano, no Sol ou no fundo do mar?

E já começaremos a ter existências plenas nesse novo mundo, e nossa consciência estará nesse espaço, tendo ou não a capacidade de distinguir se está na vida real ou no Metaverso que também acabará sendo uma vida real.

E aí já começam outras questões, muitas bastante polêmicas e delicadas.

Se a consciência poderá ser “transportada” de um ambiente real para um ambiente virtual, e a consciência de quem está morrendo?

Já se fala nisso, que, ao invés de morrer, faremos um upload de sua consciência para o Metaverso, e você, mesmo morrendo na vida real, viverá nesse novo mundo. (Já tem uma série na Netflix, UPLOAD, que é sobre isso, e existe outro, mais de aventura, juvenil, que é o “Jogador número 1”, que mostra uma alternância entre o mundo real e virtual. E ainda tem o badalado filme “AVATAR”, dentre muitos outros exemplos de filmes que exploram essas possibilidades futurísticas.).

Aí já teremos questões filosóficas, religiosas e até jurídicas, pois se a consciência está ativa e no Metaverso é preciso ter renda, a herança do corpo ficará com os herdeiros ou o “novo ser” o levará com ele? E se ele se casar nesse universo paralelo, valerá para a vida real?

E se a consciência se rebelar contra “o dono” e resolver eliminá-lo na vida real? Se ela “criar vida” independente por algum erro no sistema como um “bug” ou um vírus ou até interferência de hackers? E se a pessoa tiver algum tipo de esquizofrenia e esse ambiente for perfeito para abrigar essas novas personalidades? E se minha vida for melhor na vida virtual do que na real e eu resolver ficar “de vez”?

E pensando nas questões religiosas, a alma é uma coisa e a consciência é outra? A imortalidade será alcançada com a tecnologia? O corpo acabará e a consciência continuará?

A tecnologia – pensando no futuro, nas possibilidades que poderão existir – proporcionará que o corpo do mundo real receba alimentação, líquidos e que faça suas necessidades, sem que tenha que sair do Metaverso. Para isso existirão cabos, tubos, aparelhos etc. (Lembram de Matrix, do corpo com vários tubos conectados?). Será que isso é possível? Não sei. Mas será que isso é impossível? Tem muita coisa que era impossível até a tecnologia mostrar que não era.

Um vento (ou um carinho) que o avatar virtual receber no Metaverso será sentido pelo corpo real, físico. (Pra quem não sabe, avatar no caso do Metaverso é o seu “eu” virtual, quem você será no Metaverso).

Um tetraplégico na vida real poderá ser um triatleta no Metaverso, porque não?

E a economia? Os países ou reinos ou o que for existir no Metaverso? As configurações atuais, como União Europeia, ONU, OPEP, OTAN e outras organizações existirão dessa maneira? Quem os controlará? E as empresas como a META (antigo Facebook), Twitter e Google, terão poder de países? Poderão criar leis próprias? O “cancelamento” que existe hoje nas redes sociais, poderá ser feito no Metaverso, simplesmente deletando a pessoa virtual?

E vamos continuar? Se existe crime no mundo real, é claro que existirá no Metaverso também. E as guerras? As intolerâncias? Serão levadas junto?

Pedofilia, racismo, estelionato, tráfico de drogas virtuais (Sim, essas drogas poderão existir), sequestro de avatares, assassinato, chantagem e todo tipo de coisa ilegal que possa existir e as que ainda poderão ser criadas.

E se for criado um “deep Metaverso”, assim como já existe uma “deep web”, onde todo tipo de gente frequenta, às vezes com as piores das intenções?

Lembro aqui que no Metaverso há economia e que os recursos adquiridos em um universo, poderão ser usado para gastos no outro.

E com tudo isso, uma das perguntas que pode ser feita é: – E por que eu iria para esse tal Metaverso?

As motivações são diversas, desde fazer negócios (Isso já está acontecendo e em grande velocidade, se sua empresa ainda não está lá, pense que a concorrente poderá estar), buscar diversão (imagine ir ao Rock in Rio e assistir ao show como se estivesse na plateia, ou mesmo como se estivesse na banda?) e até nas possibilidades de ser lá o único ambiente onde você possa se sentir à vontade ou que possa realizar coisas que não conseguiria no mundo real. Quer ver um exemplo?

Adolescentes e adultos que já vivem isolados em casa (Seriam os novos náufragos?) e que se sentem à vontade nos ambientes virtuais, seja por causa da timidez, ou por não se enquadrarem no “mundo real” ou por se sentirem inseguros por causa das suas aparências em um mundo que faz pressão para que se siga os padrões estéticos. No Metaverso, como já escrevi, ele ou ela pode ser o que quiser, literalmente.

Pense nas já programadas viagens espaciais que levarão anos, onde os tripulantes fiquem em hibernação, que tal viverem esse tempo em universos virtuais onde estarão (conscientemente ou não) vivendo suas vidas normalmente.

Outro motivo que pode te levar ao Metaverso será o financeiro, onde uma empresa poderá ter preços e serviços diferenciados no Metaverso, como já ocorre hoje nas lojas virtuais que têm preços mais em conta dos que nas lojas físicas, mesmo sendo da mesma empresa. (E já pensou nas experiência que seriam possíveis, como um test-drive de um carro, uma moto ou de uma lancha com sensações reais?)

Então são vários motivos para estar no Metaverso, desde conhecer um novo mundo e suas possibilidades até de mudar a forma de se viver a vida, com várias possibilidades que acontecerão ou não, de acordo com o avanço da tecnologia. Mas que o futuro chegará e o novo sempre virá junto, disso não tenho dúvida. E o Metaverso está chegando, Prepare-se para ele. Pode parecer até assustador, mas ele não será só um jogo ou um lugar, ele poderá ser a sua próxima vida. Ou não. Esperamos que seja opcional.

Afonso Dantas é publicitário, administrador de empresas, especialista em marketing e em gestão cultural, sócio e diretor de criação da Camará Comunicação Total e sócio criativo da Lá ele! Camisas e coisas.

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A sociedade moderna passou, na maioria das vezes, a olhar o livro pela capa e a alimentar uma espécie de corrida, a de quem mais rápido opina.

 

Rosivaldo Pinheiro

Sempre que posso, pinta uma inspiração ou por pura inquietação, venho aqui dividir (com aqueles que gostam), um pouco do meus olhares, vivências e curiosidades. No último texto, falei sobre amenidades, trouxe à discussão o fato de não mais fazermos escolhas nos ambientes virtuais, especialmente nas redes sociais, dado o direcionamento que recebemos através do algoritmo.

Hoje, quero falar sobre outro comportamento, que vem sendo apresentado e facilmente observamos se massificar a cada novo dia: pessoas que só leem o enunciado das notícias, o cabeçalho, e, imediatamente, já passam adiante ou, instantaneamente, pautam uma discussão no Whatsapp ou travam um diálogo presencialmente sobre determinado assunto.

Essa celeridade aponta uma espécie de ansiedade e motiva exaustivos diálogos, com uma caraterística marcante: “muita informação e pouco conhecimento”. A sociedade moderna passou, na maioria das vezes, a olhar o livro pela capa e a alimentar uma espécie de corrida, a de quem mais rápido opina.

A marca desse tipo de comportamento é uma discussão desconexa e sem fundamentação ou conexão com o texto que serviu de base ao título. Por essa razão, percebemos que a maioria das conversas se perde da linha de diálogo e segue na direção de uma disputa de egos, não ajudando na formação e evolução do conhecimento. Torna-se um debate improdutivo.

Aqui não é uma crítica direcionada, mas um chamamento, a cada um de nós, para um agir permanente e não sermos tragados por esse comportamento, nos transformando em mais um nessa multidão. Vamos precisar de todo mundo nessa direção, a de refletir sobre o texto, seu contexto e fazer uma corrente oposta ao imediatismo. Esse é um tema que vem sendo estudado em todo o mundo. A gente precisa superar, em plena era moderna, os novos “Mitos da Caverna”. Não sermos rasos, nem chatos, nem permanentemente profundos, apenas fazermos uma troca: imediatismo por algo mais fecundo.

Rosivaldo Pinheiro é economista e especialista em Planejamento de Cidades (Uesc).

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Um viva à vida. Que deixemos que as amenidades nos invadam e nos ajudem a viver com maior humanidade.

 

Rosivaldo Pinheiro

Hoje, resolvi escrever sobre amenidades, às vezes, tão necessárias para a convivência com a intensidade que a vida moderna se impõe.

Estamos numa era em que as informações nos atropelam Sim! No mundo do algoritmo, somos literalmente induzidos e conduzidos. Não selecionamos mais o que queremos nas redes sociais. As notícias, por exemplo, chegam a partir dos nossos movimentos e comportamentos captados a cada vez que visitamos o ambiente virtual.

Por isso, precisamos fazer filtros permanentes e até desligarmo-nos um pouco desse mundo em ebulição para ouvirmos a voz que ecoa do silêncio das nossas consciências. Deixar, como diz a música de Jota Quest, “ouvir a voz do próprio coração”.

Nesse mundo de hostilidades e nessa nação de culto à barbárie, faz-se necessária uma permanente vigília para não repetir atos e produzir fatos que estabeleçam vínculos com tiranos corações.

A nossa nação precisa de justiça social e um sistema jurídico eficiente. A gente precisa se sentir gente, urgentemente!

Os lares precisam de pais, a consequência será um país de paz. Cada ser precisa de Deus, independentemente de religião. Busquemos, portanto, os nossos encontros, fortalecendo os pontos para construirmos uma nação, onde possamos ser indivíduos com paz no coração.

Um viva à vida. Que deixemos que as amenidades nos invadam e nos ajudem a viver com maior humanidade.

Rosivaldo Pinheiro é economista e especialista em Planejamento de Cidades (Uesc).

Câmera flagra personal espancando mendigo que transou com missionária
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A esposa de um personal trainer que foi flagrada traindo-o com um morador de rua em Planatina, no Distrito Federal, afirmou a polícia que a relação foi consensual. Em áudios, a esposa disse que viu as “imagens do marido e de Deus” no rosto do homem e por isso fez sexo.

O marido de 31 anos flagrou-a tendo relações sexuais com o homem dentro do carro. Após o flagrante, o rapaz agrediu o desconhecido.

A mulher falou ao G1 que foi abordada pelo sem-teto, que pedia dinheiro. Como ela não tinha, ele pediu para ver a bíblia que a moça havia ganhado do marido.

Logo depois, o ‘mendigo’ pediu um abraço e os dois entraram no carro e trocaram caricias. Após isso, os dois se encontraram em um local combinado e tiveram práticas sexuais. Do Correio24h e TV Globo.

 


 

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Felizes homens e mulheres novos. Não podemos atribuir ao calendário o poder de gerar novos ciclos, mas a nós, autores das ações e construções até mesmo do calendário, para aliviar o peso dos anos, fazendo zerá-lo a cada 365 dias.

 

Rosivaldo Pinheiro | rpmvida@yahoo.com.br

Está chegando ao seu final o 2021, mais um ano que parece ter seguido na direção contrária ao que pedimos e sonhamos na virada de 2020. Esse foi o segundo ano em que aprendemos a dar mais valor ao hoje, e a entender que o amanhã pode ser uma miragem, algo inatingível. Aprendemos que os abraços e afagos precisam acontecer sempre, e no presente, porque o futuro pode ser improvável.

Se voltarmos um pouco a fita do tempo, veremos que na virada de 2019 para o ano seguinte já tínhamos notícias da existência de um vírus na China, mas, como estávamos distantes e “somos brasileiros, abençoados por Deus e um país bonito por natureza”, achávamo-nos intocáveis e ignoramos o fato de que vivemos numa aldeia global, embora nem todos estejam conectados aos fluxos das riquezas geradas no planeta.

Sabemos, também, que independentemente das condições socioeconômicas, as consequências do modelo de vida moderno impõem a todos um custo de sobrevivência, e, portanto, os impactos de uma pandemia, desconsiderada até ali, com virulência para atingir os quatro cantos do mundo e, de forma mais direta, as populações mais vulneráveis.

O ano novo chegou e permanecemos em berço esplêndido, afinal, o ano era par e diz a sabedoria popular que esse fato é um diferencial para que o ano seja bom, próspero, especial. Os dias foram passando e as notícias que chegavam do exterior eram assustadoras – o vírus já provava o seu poder de propagação e mortandade, mostrava ao mundo que todos éramos suscetíveis e estávamos diante de uma crise que se ramificaria mundo afora.

O corre-corre foi geral para identificar saídas e superar as restrições trazidas nos protocolos para o enfrentamento da covid-19. Enfim, tínhamos encerrado um ano par totalmente adverso ao que indicavam os nossos prognósticos, mas teríamos uma nova oportunidade, agora, o próximo ano, 2021. Esse não teria como ser pior do que o ano que se encerrava. Estávamos mais resilientes e menos acelerados, antecipamos modus de vida desejado, o home office estava posto, os cursos à distância, o e-commerce, as lives, os lares ganharam, na sua grande maioria, cara de residências, afinal, quem já não o fazia, foi forçado a compartilhar os quatro cantos da casa e a conviver mais próximo aos seus.

Mas, o filme de terror gerado pelas mortes que assistíamos distante de nós agora era na casa ao lado, dentro da nossa casa ou da casa de alguém que amávamos. As dores desses acontecimentos estavam por todos os cantos, marcavam a nossa alma. Por dia contabilizamos a queda de vários boeings. Por um tempo, tínhamos, todos os dias, o nosso próprio 11 de setembro.

Mergulhamos num ciclo de horrores e dores, um cenário de incertezas apareceu sobre a mesa: a cada espirro, um choque; a cada gripe, um desespero; a cada tosse, um baque; a cada diagnóstico de positivação, a incerteza da evolução da doença; a cada internamento, a separação abrupta; a cada intubação, a segregação, o sentimento de falência emocional. A cada morte, uma dor sem precedente, um registro insolente, uma partida ainda mais sofrida, sem direito à despedida.

Agora, 2022 bate na porta, trazendo consigo novos sonhos. Mas já estamos menos empolgados. Os dois últimos anos se passaram e a gente quase não se deu conta. Para complicar um pouco mais a nossa vida, aqui na Bahia, em várias regiões, inclusive na nossa região Sul, fomos afetados por uma grande cheia. Muitos de nós perderam tudo materialmente falando e terão que se refazer. A solidariedade vem sendo exercida com muita intensidade, a vacinação caminha, mesmo a passos lentos, e a influenza também está entre nós. Todos esses acontecimentos estão ligados ao modo de vida moderna, exigirá de nós renascimentos.

Felizes homens e mulheres novos. Não podemos atribuir ao calendário o poder de gerar novos ciclos, mas a nós, autores das ações e construções até mesmo do calendário, para aliviar o peso dos anos, fazendo zerá-lo a cada 365 dias. Que sejamos seres renascidos nesse novo ano que se inicia, que valorizemos a vida e todas as suas nuances e possibilidades, que não deixemos para amanhã o bem que podemos fazer hoje. Um feliz ciclo novo, com 2022 motivos positivos para comemorarmos!

Rosivaldo Pinheiro é economista e especialista em Planejamento de Cidades (Uesc).

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Eu sou uma jovem como qualquer outra, reconheço as funções, brinco com os pesos, requebro com os problemas, mas principalmente não canso de abrigar esperança em todas as manhãs frias que as responsabilidades invadem o meu sono e me fazem acordar.

 

Juliana Soledade

Cumpro a sina de toda mulher, levantando bandeiras e edificando reinos. Não aceito as evasões que me moldam, não abrigo revoluções desnecessárias e vivo ignorando as verdades absolutas. Lido continuamente entre uma corda fina diante um penhasco pela dor, medo, alterações hormonais e a maquiagem escondendo as olheiras e o cansaço. Equilibro a fadiga entre algumas horas de sono e o trabalho em diferentes esferas ao longo do dia.

Brigo com o sapato que me machuca depois de seis, sete, dez horas de trabalho sem conseguir deixar os pés respirarem. Sou obrigada a puxar a saia rumo ao joelho quando alguma situação me deixa embaraçada. E quando envergonhadamente respondo que o pai não se importa com a filha ou não paga a pensão ainda escuto: “deveria ter escolhido um pai melhor”.

Enxergar os seios voluptuosos frente ao espelho, o corpo desenhado em um vestido e os lábios adornados de vermelho é contratar involuntariamente mudanças, inseguranças, adequações e cobranças pessoais, sobretudo sociais, que, em grande parte, não têm o menor cabimento.

Acordar todos os dias e se deparar com um mundo tão desproporcional é crer que o abrir de olhos tem uma necessidade absurda de vestir escondido a melhor armadura para sair vencedora ao repousar tarde da noite.

Em um mundo tão louco que a mulher deve cuidar da casa quando casada e dos filhos dado o divórcio, entretanto, a outra parte se aniquila da responsabilidade perante pai. E um acúmulo de funções fatigadas, porque, claro, a mulher deve se tornar invisível para prover, cuidar, manter, educar integralmente sem incomodar, exigir ou requerer aquilo que é de direito. Bem como, é sempre considerado um absurdo ao tentar se refazer na vida afetiva, equiparando muitas vezes a um crime sem possibilidades de recurso.

Digo isso depois de reiteradas vezes poder ver e sentir o quão complexo é lançar numa sociedade em que muitos papéis já estão definidos culturalmente entre as nuances do dia-a-dia e a necessidade de se impor de modo incansável para que minha filha tenha um mundo mais leve.

Eu sou uma jovem como qualquer outra, reconheço as funções, brinco com os pesos, requebro com os problemas, mas principalmente não canso de abrigar esperança em todas as manhãs frias que as responsabilidades invadem o meu sono e me fazem acordar.

Junto a isso, ainda é de extrema importância, abrir espaços para acolhimento a outras mulheres que carregam estigmas duríssimos em sua linhagem, como uma amiga que, após sofrer violência doméstica e ser quase morta pelo companheiro, precisa sobreviver nas alcovas do mundo para que o bom moço de família e com bons antecedentes criminais não consuma o seu delito e viva a sua liberdade em paz.

Ser mulher, meus caros, pode parecer bom, mas não é. Ser mulher é uma das coisas mais difíceis que Deus pôde inventar.

Juliana Soledade é advogada, escritora, empresária e teóloga, pós-graduada em Direito Processual Civil e Direito do Trabalho, além de autora dos livros Despedidas de MimDiário das Mil Faces e 40 surtos na quarentena: para quem nunca viveu uma pandemia.

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A reabilitação segue me causando inúmeros sentimentos, mas o principal deles é de profunda gratidão pelo renascimento. Senti a sua presença o tempo todo, mesmo ainda tendo um longo caminho de tratamento pela frente! Obrigada por tudo! Obrigada por TANTO! 

 

Manu Berbert

A vida por trás dos sorrisos nas redes sociais, especialmente quando trabalhamos nelas e com elas, tem perrengues que quase ninguém vê. Há exatamente um mês um acidente doméstico virou a minha vida pelo avesso, por exemplo. Uma queda, sensação de deslocamento do ombro, o braço e mão soltos, raio-x e o tão temido diagnóstico: fratura! Não muito pequena! A dias da inauguração da minha casa de eventos, o Casarão Cola Na Manu!

Um profissional sugeriu que não operasse no desespero, lembrando que estava em jogo a minha mão direita, força e principalmente escrita. “Como assim?! Eu sou escritora!”, foi a única coisa que passava na minha mente. Quando essa euforia de eventos passar, me vejo escrevendo mais livros, sonho escrever algo que vire filme ou novela, e só chorei pensando nisso. “Está sentindo muita dor?”, perguntavam. Mas o choro era da dor na alma, pensando no futuro. A dor física se fez minha amiga, quando entendi que dependia da minha mente ser forte ou não!

Passei por um turbilhão e hoje nem sei como. Sei que Simon Cavalcante, fisioterapeuta, foi uma luz com todas as suas orientações. Lembro da sensação de desmaio após o diagnóstico no hospital. Lembro da minha família ao meu redor dizendo que eu precisava reagir, e foi quando liguei para Dr. Eric Júnior e escutei “Deixe que eu resolvo tudo da cirurgia e do Plansul”, meu plano de saúde, e assim aconteceu! E eu só pedia a Deus que o médico sugerido por todos, mas que eu não conhecia até então, me desse a segurança que precisava para ficar bem, porque estudei comportamento humano e reconheço gente insegura a quilômetros de distância. (Tá aí um arrependimento na vida, inclusive!) Mas Dr. Alexandre Bulhões, especialista na área, me passou total segurança, a que eu precisava. “Isso é com ele!”, pensava. E segui! Sofri o que jamais conseguirei descrever, mas inaugurei o Casarão, com apoio de Marama, e três dias depois me internei.

Oi, Deus, sou eu de novo! Chegando na vida agora, mais uma vez. Não lembro de muita coisa, apenas que foram 30 dias dormindo sentada e acordando com câimbras; que fui muitíssimo bem tratada no hospital e que todos falavam do show de Harmonia; que não consegui deitar na maca do centro cirúrgico, tamanha dor; que fiz um pequeno escândalo lá dentro pedindo que chamassem logo o meu médico e todos riam afirmando que todos eles eram médicos também, até ele entrar e aí apaguei; Mas lembro da selfie na manhã seguinte, que tirei após banho e batom, o que me rendeu muitas risadas com amigos e familiares no WhatsApp. “A mulher acabou de sair de uma cirurgia e tá toda maquiada!”. São coisas assim que distraem a mente e não nos permitem surtar com tudo o que está passando! Hoje, usando as duas mãos, escrevo este primeiro artigo emocionada. A reabilitação segue me causando inúmeros sentimentos, mas o principal deles é de profunda gratidão pelo renascimento. Senti a sua presença o tempo todo, mesmo ainda tendo um longo caminho de tratamento pela frente! Obrigada por tudo! Obrigada por TANTO!

Manu Berbert é publicitária e empresária!

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Nessa hora, a mulher tentou segurar o riso cheio de malícia e contestou o amado, porém visivelmente com outros pensamentos, afirmando: “furar você fura sim, todo dia!”.

 

Ricardo Ribeiro 

Plantão dá é coisa!

Dia desses, caminhávamos já pelas 3 horas da madrugada, dia sossegado, eu quase achando que não apareceria mais nada… Eis que, não mais que de repente, chega a PM com um casal, situação de possível violência doméstica, vítima sem lesão e aparentemente não muito satisfeita com a condução para a Delegacia.

Nem bem começo a perguntar o que tinha acontecido, quando a mulher, quase aos prantos, apela: “Doutor, não prenda meu marido não, ele é minha valença, faz tudo pra mim em casa, é ele que lava roupa, faz a comida…”, advogava a suposta vítima, esclarecendo ainda que sofria de hérnia de disco e dependia daquele sujeito pra quase tudo. Segundo ela, a confusão não passara de uma briga besta de casal, que ela não sabia como tinha começado, e que possivelmente vizinhos mal-intencionados teriam acionado a polícia só para promover a infelicidade alheia.

Estupefato, pero no mucho, olhei pra mulher, pros PMs e por fim para o cidadão que era a “valença” daquela cidadã desesperada. O sujeito, com lágrimas nos olhos (certamente emocionado com a defesa veemente de sua amada), declarou amar sua mulher, disse que jamais a agredira ou maltratara, que não sabia porque estava ali etc. No meio da argumentação, o ora conduzido afirma: “doutor, eu juro que nunca furei ela!”.

Nessa hora, a mulher tentou segurar o riso cheio de malícia e contestou o amado, porém visivelmente com outros pensamentos, afirmando: “furar você fura sim, todo dia!”.

Com essa frase, sem viés acusatório, mas sim proferida como demonstração de que aquele casamento ia muito bem obrigado, o jeito foi liberar os pombinhos para que seguissem rumo ao seu ninho.

E o plantão terminou em paz! E amor…

Ricardo Ribeiro é delegado da Polícia Civil-BA.

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Um dia, de tanto cair na área, o juiz da vida marca um pênalti, você faz o gol e vira o jogo. E aí você entende que foi a sua queda prévia que te conduziu à vitória. Acredite.

 

Juliana Soledade

Por Deus, eu sempre ouvi isso desde que me entendo por gente. E, cá entre nós, acredito piamente que somos fundamentalmente imediatistas. Somos aliados às urgências, como se a vida fosse um disponível fast food 24 horas. Não fomos educados a saber aguardar e quando atingimos a fase adulta precisamos lidar com a ansiedade e a dura angústia de viver sem saber do futuro. Aguardar significa lidar com a dúvida constante sobre se os planos darão certos e se estamos ou não no caminho desejado.

No entanto, tudo nos carece de esperas. Um resultado de exame, a consulta no médico, o décimo terceiro salário, a posse no cargo público, a fila no hospital, o nascimento de um filho… Me conta, o que não precisa esperar?

Meu ritmo é frenético, calculado semanalmente para todas as necessidades serem atendidas. Fui criada a não deixar ninguém aguardando, que horários são sempre para serem cumpridos e, em contrapartida, eu também não aprendi a esperar. É uma corrida contra o tempo, o tempo inteiro e nem sempre ele está ao nosso favor. Uma corrida quase sempre de aprendizados, saber aguardar é o maior deles.

Enfrentamos dificuldades diariamente, desesperamos quando algo não acontece como se desejava. Engolimos medos e angústias sem externar para não sermos taxados de problemáticos. Contudo, quando contamos um sonho a alguém somos surpreendidos com um será que vai dá certo? E isso dá um nó na garganta, porque o sonho poderia estar sendo realizado hoje, agora.

Por que tanto conto de fadas para falar sobre a vida? A minha sorte começa cedinho, às vezes o dia nem acordou ainda, sigo engolindo sapos, aguento a porrada dos desacertos, caio, levanto e quase nunca aceito perder. Aprendo a ser resiliente, aguento críticas e sempre durmo tarde. A sorte acorda novamente no outro dia e continua tentando tudo dar certo. Uma sorte realista feita de muito suor e dor. Tentando todos os dias não ser tão imediatista.

A vida é cheia de surpresas, muitas não dependem das nossas ações. O máximo de controle que temos é sobre o hoje, o que posso ou não fazer agora, a pretensão por escolhas mais adequadas ou assertivas é o que podemos fazer. O amanhã é incerto e se nada der certo, tente. Tente mais uma vez, só por pirraça, por vaidade, por desencargo de consciência, por teimosia. Tente assim como eu não sofrer de angústia e ansiedade.

Um dia, de tanto cair na área, o juiz da vida marca um pênalti, você faz o gol e vira o jogo. E aí você entende que foi a sua queda prévia que te conduziu à vitória. Acredite. As palavras tem um poder imenso. Sempre tiveram. Sempre terão!

Juliana Soledade é advogada, escritora, empresária e teóloga, pós-graduada em Direito Processual Civil e Direito do Trabalho, além de autora dos livros Despedidas de Mim, Diário das Mil Faces e 40 surtos na quarentena: para quem nunca viveu uma pandemia.

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A comunicação que me escolheu e me acolheu segue abraçando vidas, dando voz a causas e pessoas por empatia e compaixão, e experimentando o correr da vida.

Manuela Berbert

A comunicação me escolheu lá atrás, quando eu liderava a equipe de um jornalzinho no colégio que, mesmo sem a força da internet, já conseguia circular por todas as principais instituições da minha cidade. E hoje eu olho para trás, penso nas articulações dessa distribuição em massa de umas folhas de papel que ditavam regras e modismos,  e entendo perfeitamente que não nasci para fazer outra coisa. Mesmo!

Mas é bem louco perceber que ela nem sempre me acolheu também. Que o mais do mesmo, o comum, ditou as regras engessadas do mundo por um tempo, e que as opiniões alheias me encolheram em vários momentos da vida. Resisti, não desisti, mas sofri. E muito. Dia desses, em conversa com uma cliente de consultoria para conexões e redes sociais, lembrei de uma passagem que me marcou bastante: no retorno da minha primeira viagem a São Paulo, escrevi na coluna que assinava no Jornal Diário Bahia o quanto teria sido acometida pela decepção. Teria achado a cidade suja, fedida e a quantidade de pessoas dormindo nas ruas teria cegado completamente o meu olhar. Recebi um retorno tãããão pesado de alguém próximo, que passei alguns dias tonta e absorvendo aquilo tudo!

No seu feedback, ela me disse que era até um tanto tabaréu da minha parte escrever aquilo em um veículo de comunicação. A potência São Paulo seria inegável, e o meu olhar era, digamos, amatutado. “Alguém que não consegue enxergar a dimensão da cidade porque tem a mente pequena”, ela definiu, em outras palavras. Uma paulada no meu juízo, que doeu forte. Não me retratei, como ela sugeriu, mas segui escrevendo cheia de dedos, justificando que talvez eu não tivesse conhecido a parte boa da cidade e que a culpa era minha por isso.

Hoje, a Manu que vos escreve jamais agiria assim. A comunicação que eu acredito me escolheu e também me acolheu. Me permitiu ser dona das minhas opiniões, ainda que eu as mude alguns dias depois, por experiência própria. A comunicação que me escolheu e me acolheu segue abraçando vidas, dando voz a causas e pessoas por empatia e compaixão, e experimentando o correr da vida. É como cantarolava o amigo Toni Garrido na canção A Estradaa vida ensina e o tempo traz o tom…”.

Manuela Berbert é publicitária.

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Sigamos sem culpa, com a certeza de que precisaremos plantar o maior jardim possível de girassóis. Sejamos cada um de nós um girassol!

Efson Lima

Quis o destino que as diversas circunstâncias impusessem desafios ao nosso tempo. Não bastava a Pandemia de Covid-19, temos as mazelas humanas da gestão no plano federal. O processo eleitoral de 2018 se mostrou turvo. Parecia que remava contra a ordem, tudo indicava para a escolha do gestor que está a (não) gerir a República Federativa do Brasil. Muito já se discutiu, inclusive a necessidade de se examiná-lo mentalmente. Deixemos de lado e sigamos, sem deixar de apurar as suas responsabilidades.

Salvo melhor juízo, não podemos tratar uma pessoa que desdenha do uso da máscara, que incentiva o uso de medicamentos sem eficácia comprovada para a Covid-19 como se fosse uma pessoa que sofra de algum transtorno mental. Estaríamos sendo coniventes. Não obstante, o não-gestor faz questão de colaborar com algumas aglomerações. Peço licença para abusar da paciência de meu leitor, pois preciso informá-lo que estou a dizer de uma pessoa comum, visto que o nosso presidente faz tudo conforme recomenda a ciência…

Com o anunciar da pandemia e o nosso recolhimento em casa, comentou-se que as artes entrariam em um processo de profundo avivamento. Melhores livros seriam produzidos, os pesquisadores responderiam nossos anseios, as músicas seriam melhores. As telas seriam pintadas como nunca. A filosofia se encarregaria de nos oferecer um alento.  Novos talentos surgiriam.

Depois de algum tempo, temos um contingente jamais visto de desempregados; nunca fizemos tantas vaquinhas. A solidariedade foi testada e colocada à prova. Estamos resistindo, ajudando… Mas por outro lado, não conseguimos contabilizar todos os nossos mortos de forma fidedigna. Não temos tempo de enfrentar o luto. Não conseguimos ver o rosto daquele que partiu. Os protocolos são rígidos.

Mesmo assim, em que pese estarmos desgovernados, à deriva, sem liderança para enfrentar o inimigo invisível, não podemos deixar de semear esperança. Colocar a máscara no rosto, usar o álcool a 70% e contar com a vacina em cada ombro. Torcendo sempre para que nenhuma dose tenha a capacidade de nos transformar em jacaré.

O tempo pode estar sombrio, mas luzes não nos colocaram nas trevas. A sociedade brasileira depois de uma caminhada tem percebido que precisa ir em outra direção. A sociedade tem percebido que falas racistas, lgbtfóbicas, o não comprometimento com o meio ambiente, o estímulo à violência por meio da defesa pessoal e do porte de arma não colaboram com a democracia, pelo contrário, sinaliza o comportamento de pessoas descompromissadas com o humano.

Falta empatia em alguns, mas temos percebido que sobra empatia na maior parte dos brasileiros. Sigamos! Amanhã haverá de ser outro dia e esperamos que pessoas comuns, como eu, sejam responsáveis. Sigamos sem culpa, com a certeza de que precisaremos plantar o maior jardim possível de girassóis. Sejamos cada um de nós um girassol!

Efson Lima é professor universitário, advogado, professor e mestre e doutor em Direito/UFBA.

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Em Resposta, Nando escreveu “ainda lembro o que eu estava lendo / só pra saber o que você achou/  dos versos que eu fiz / e ainda espero resposta”. Ele queria um perdão. Ela nunca respondeu. E sei lá, hoje eu resolvi que iria falar de AMOR…

Manuela Berbert 

Estava refletindo sobre a velocidade das redes sociais e da notícia, a quantidade de fake news gerada incessantemente e tentando, no meio dessa atribulação mental toda, esquematizar a linha de trabalho da equipe de comunicação que está me acompanhando em uma nova fase à qual estou embarcando. É que é tudo tão rasteiro que se a gente não se percebe, embarca em um efeito dominó de sentimentos dúbios e chega lá no final do dia exaurido, se perguntando. “Eu tive um dia ruim por qual razão, mesmo?”, sem se dar conta que foi lá naquele Bom Dia lotado de desaforos morais e políticos na palma das mãos.

Sei lá se estou certa ou errada, mas quero falar do que é bom! Mostrar o que vale à pena da vida e da Bahia! Perpetuar no espaço o que vale o nosso tempo de verdade! “Talvez seja a hora de tirar de cena os textos mais pessoais, que me afastam da Manu jornalista e me conectam diretamente com uma mulher mais sensível que nem sempre gosto de mostrar ao mundo”, pensei, naquela caminhadinha matinal marota no país Itabuna, ao redor do Rio Cachoeira. Mas sei lá, numa pandemia, onde nada faz muito sentido, tudo anda fazendo mais sentido ainda.

Cheguei em casa, abri as redes sociais e me deparei com uma pessoa contando que Nando Reis teria escrito a música Resposta após o termino de seu relacionamento com Marisa Monte, meio inconformado com o fim do romance e das suas ligações profissionais. Eles eram, além de namorados, parceiros musicais, e Nando enviava suas letras para que ela desse sempre uma olhadinha. Várias partes da canção fazem menção à artista e ao que viveram, como a citação de Ainda Lembro, que é um dos grandes sucessos de Marisa. Em Resposta, Nando escreveu “ainda lembro o que eu estava lendo / só pra saber o que você achou/  dos versos que eu fiz / e ainda espero resposta”. Ele queria um perdão. Ela nunca respondeu. E sei lá, hoje eu resolvi que iria falar de AMOR…

Manuela Berbert é publicitária e edita o manuelaberbert.com.br

Ellen e Manu vão comandar o "Debate Por Elass", na TVI
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A TVI estreará, no próximo dia 20, o Debate Por Elass, com Ellen Prince e Manuela Berbert. As primeiras gravações do programa semanal começam nesta quarta (11). “Estava com muita vontade de voltar às telas da TVI nesta nova fase de expansão, agora em parceria com a Band. A chegada de Manu deu o tom exato ao que tinha pensado”, disse Ellen, ativista política e diretora da TVI.

Ellen e Manu iniciam as gravações tendo como convidada a ex-secretária de Desenvolvimento Social e primeira-dama de Ilhéus, Soane Galvão, cotada para ocupar superpasta no atual mandato do marido, Mário Alexandre, Marão (PSD). Ela é pré-candidata a deputada estadual.

“Apesar da nossa personalidade forte, chegamos ao consenso de um programa leve, porém único por aqui. Não vamos apresentar fatos, vamos apresentar pessoas. Quem são elas, o que pensam, como chegaram às suas empresas ou aos cargos que ocupam. É mais sobre intimidade e menos sobre notícias”, diz a publicitária, empresária e apresentadora Manuela Berbert ao explicar o conceito do Debate Por Elass.

Apesar de estrear com uma mulher, o programa não é exclusivamente feminino. “Alguns jovens prefeitos da região já foram convidados e entram em estúdio com a gente na sequência”, explicou Manu. O Debate Por Elass irá ao ar sempre às quintas-feiras, a partir das 22h.