Filósofo enfatiza potencial narrativo da dobradinha Lula-Alckmin como união em defesa da democracia
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O filósofo Wilson Gomes avalia que uma chapa presidencial formada pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin abriria caminho para uma boa história política. Segundo o professor de Teoria da Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Ufba), que comentou o assunto nesta segunda-feira (20), nas redes sociais, seu argumento parte do pressuposto de que apenas os votos da esquerda não bastam para garantir o terceiro mandato presidencial do petista, que, nas vitórias de 2002 e 2006, recebeu apoio significativo da centro-esquerda e centro-direita.

Wilson Gomes, professor da Ufba

Para o filósofo, numa eventual composição com Alckmin na vice nas eleições de 2022, Lula sinalizaria ao centro do espectro político que as pessoas não serão convidadas a se meter em uma briga pelo PT, mas a tomar lado em um confronto entre o bolsonarismo, de um lado, e os democratas, do outro.

“Não sei se a chapa vai se confirmar nem se Lula merece ou vai ser o presidente. Não é disso que estou tratando. Estou falando da semente de uma narrativa poderosa para a eleição de 2022: a épica de quando os democratas brasileiros puseram de lado as suas diferenças e o seu narcisismo para enfrentar as trevas do obscurantismo e da autocracia”, argumentou Wilson Gomes, que coordena pesquisas sobre comunicação e política e democracia digital.

Também enfatizou que a sua análise se volta para o potencial narrativo da parceria do líder petista com um ex-tucano, ao invés de se debruçar sobre a realidade fática. “Trabalho com comunicação política, não com fatos, e por isso sei que uma boa história, dessas que inflama imaginários, une pessoas diferentes e junta ex-inimigos, é fundamental para uma vitória da democracia em 2022. Isso se as mágoas, os ressentimentos e os purismos o permitirem, claro. Mas, lembrem-se, as histórias ganham dos fatos praticamente todas as vezes em que competem”, concluiu.