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Sempre que o pêndulo se desloca até um extremo, o movimento de resposta é para o lado oposto. O pêndulo da política no Brasil se movimentou. Já está fazendo o caminho de volta.

 

José Cássio Varjão

Alguns personagens do ambiente jornalístico no Brasil, a chamada grande mídia, militantes partidários dentro da imprensa, tanto digital quanto impressa, fazem análises manipulatórias, principalmente em época de eleição. Os principais portais e seus renomados personagens destacaram que o PSD (Partido Social Democrático), presidido por Gilberto Kassab, é o grande vencedor das eleições, com 887 prefeituras, salientando efusivamente que a centro direita sobrou nessas eleições. Seguindo, vem o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) com 856 prefeituras. O PP (Progressistas) ficou em terceiro lugar, com 747 prefeituras. Uma análise rasa, sem a profundidade real da posição desses partidos dentro do ambiente político atual.

Em 2022, a união de 10 partidos venceu as eleições, com a coligação Brasil da Esperança, que foi formada pelo PT, PC do B, PV, PSB, PSOL, Rede, Solidariedade, PROS, Avante e Agir, no primeiro turno. No segundo turno, declararam apoio à Candidatura Lula, o PDT, PCB, PSTU, PCO, Cidadania e Unidade Popular, perfazendo 16 partidos, a maior coligação que o PT (Partido dos Trabalhadores) já fez em disputas presidenciais. Nos primeiros dias após a proclamação do resultado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o presidente eleito para o quadriênio 2023/2026 e o seu partido começaram diálogos com o MDB, PSD e União Brasil, para composição da base parlamentar do novo governo. Uma ala do PP também compôs essa base.

Atualmente, no governo federal, o PSD tem três ministérios: Agricultura, Pesca e Minas e Energia. O MDB tem três ministérios: Planejamento, Cidades e Transportes. O PP tem um ministério: Esporte. Seguindo, o Republicanos, de Tarcísio de Freitas, com um ministério: Portos e Aeroportos. Até o União Brasil, do ex-prefeito de Salvador ACM Neto, tem inacreditáveis, dois ministérios: Turismo e Comunicações. Nesse período de final de eleições municipais, qual o fundamento para que se separe a realidade nacional dos resultados municipais, como se de fato houvesse vencedores e perdedores para além das disputas municipais e suas peculiaridades?

Apesar de o Presidente da República, com a chamada Frente Ampla, ter abrigado parte considerável desses partidos no seu ministério, chegamos às eleições municipais de 2024 com os núcleos dos partidos da base comportando-se autonomamente. O PSD, que é base do governo do estado de São Paulo, com Gilberto Kassab, secretário estadual de Governo, ligado a Tarcísio de Freitas, elegeu 206 prefeitos, ou 32% das prefeituras do estado.

O PSD da Bahia, presidido pelo senador Otto Alencar, ligado ao grupo do governador Jerônimo Rodrigues, elegeu 115 prefeitos, ou 27,5% das prefeituras do estado. No Paraná, o governador Ratinho Júnior (PSD), ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, elegeu 164 prefeitos, ou 41% das prefeituras do estado. Como noticiado, o PSD elegeu 887 prefeitos no Brasil. Destes, 485, ou 54,6% dos prefeitos eleitos pelo partido, que são dos estados supracitados, pertencem a três correntes políticas distintas, completamente distantes entre si.

No MDB, idem. O prefeito eleito de São Paulo, Ricardo Nunes, é umbilicalmente ligado à Tarcísio de Freitas, que é cria de Jair Bolsonaro. O MDB da Bahia tem o vice-governador do estado, Geraldo Júnior, ligado ao governador Jerônimo Rodrigues. O MDB do Pará, do Ministro das Cidades, Jáder Filho, está ligado ao Presidente Lula. Sebastião Melo, eleito e reeleito prefeito de Porto Alegre, teve o apoio de Jair Bolsonaro.

Alguns partidos são chamados pejorativamente, na Ciência Política, de cacht-all, o pega-tudo, ou partidos de abrangência ampla, e procuram atrair o maior número possível de eleitores, independentemente de sua posição social, ideológica ou econômica. Em vez de se direcionarem a um grupo específico ou a uma ideologia única, esses partidos adotam uma postura flexível, adaptando suas mensagens e propostas para abranger diferentes segmentos da sociedade, o que os torna menos definidos ideologicamente. Suas principais características são a diversidade ideológica, com foco em questões pragmáticas; contam com lideranças carismáticas e com flexibilidade de alianças. No Brasil, alguns partidos possuem características catch-all, especialmente os grandes grupos que atuam em escala nacional e têm uma base eleitoral bastante heterogênea. Entre os principais, destacam-se: MDB, PSD, PP e PL. Todos eles fizeram parte do governo federal desde 2002, com Lula, Dilma, Temer e JB.

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A dicotomia criada no Brasil nos últimos tempos, que reduz o espectro político em somente dois polos, direita e esquerda, se utiliza do termo extremismo, para melhor definição, mas se exime de fazer referência ao continuum

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A dicotomia criada no Brasil nos últimos tempos, que reduz o espectro político em somente dois polos, direita e esquerda, se utiliza do termo extremismo, para melhor definição, mas se exime de fazer referência ao continuum que vai da extrema direita à extrema esquerda, passando pela direita, centro direita, centro, centro esquerda e esquerda, e são classificados pela diferenciação dos grupos sociais, por razões ideológicas, religiosas, culturais, econômicas ou étnicas, as clivagens sociais. Pode-se incluir aí até o anarquismo.

De acordo com o cientista político Sergio Abranches, essa composição feita por Lula é chamada de presidencialismo de coalizão. Em artigo publicado em 1988, com o título de Presidencialismo de Coalizão – o dilema institucional brasileiro, Abranches define esse conceito “como uma combinação do presidencialismo, do federalismo e do governo por coalizão multipartidária”. Desta forma, “o presidencialismo de coalizão é um regime político institucional que foi moldado pela história da nossa república e contextos políticos, envolvendo as características acima”.

Trinta anos após a publicação desse artigo, em 2018, Sérgio Abranches faz um balanço reciclando o texto original, quando afirma: “A coalizão multipartidária é um requisito imprescindível da governabilidade no modelo brasileiro. Nem todos os regimes presidenciais multipartidários dependem tanto de uma coalizão majoritária. No Brasil, as coalizões não são eventuais, são imperativas. Nenhum presidente governou sem o apoio e o respeito de uma coalizão. É um traço permanente de nossas versões do presidencialismo de coalizão”, finalizou.

Com a frente ampla formada por Lula, em 2022, agraciando o União Brasil, de ACM Neto e Ronaldo Caiado, o PP, de Arthur Lira e Ciro Nogueira e o Republicanos, de Tarcísio de Freitas, soaria estranho afirmar que o Governo Lula 3, é um governo de centro direita?

A dinâmica eleitoral ao redor do mundo, há alguns anos, faz o pêndulo político global se inclinar à direita, sendo esse um movimento natural na política. Sempre que o pêndulo se desloca até um extremo, o movimento de resposta é para o lado oposto. O pêndulo da política no Brasil se movimentou. Já está fazendo o caminho de volta. O espectro político nas eleições de 2018, que estava com movimento direcionado à extrema direita, mostra a convergência do eleitorado para os partidos tradicionais de centro direita, aqueles partidos oriundos da antiga Arena (Aliança Renovadora Nacional). Daí surgem nomes como Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior, Eduardo Leite e até Tarcísio de Freitas, com as bençãos da Faria Lima. Todos, com exceção de Tarcísio, já colocaram seus nomes como pré-candidatos em 2026. Até Paulo Guedes já demonstrou interesse de entrar na disputa.

De certa forma, eu sou cético em corroborar com opiniões sobre a definição dessa corrente ideológica chamada bolsonarismo. O movimento que teve seu auge político em 2018 é uma versão 2.0 do Integralismo de Plínio Salgado, evidentemente repaginado com o surgimento das tecnologias modernas, com robôs, algoritmos, fake news etc., é um evento efêmero, mais dia, menos dia, passará. Seu principal líder não se mostrou um político agregador, eficiente em manter as pontes que o fizeram chegar ao poder, deixando pelo caminho onze generais e outros tantos apoiadores de primeira hora, como Gustavo Bebianno. Trata-se de um personagem exaurido, que está sendo descartado a conta gotas. Outra situação que demonstra o enfraquecimento do ex-presidente foi o surgimento e o desempenho de Pablo Marçal, em São Paulo, demonstrando que o voto da extrema direita não tem dono, sem se esquecer, particularmente, de Bruno Engler em Belo Horizonte e André Fernandes em Fortaleza, com seus menos de 30 anos e muito tempo de política pela frente.

Para ser bem pragmático, eu nunca tive dúvidas de que a elite econômica e liberal do país, em breve, irá retomar o protagonismo dentro do cenário político nacional. O mesmo que tiveram atores políticos como Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Geraldo Alckmin. Logo surgirão outros representantes, um espaço que não cabe nem Lula nem Bolsonaro. Historicamente, sempre foi assim. É só lembrar a República do Café, atualmente, sem o leite. O pêndulo que se direcionou à extrema direita, pela falta de nomes palatáveis, viáveis dentro desse campo político, hoje sai muito bem-sucedida das eleições 2024.

José Cássio Varjão é cientista político.

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Não acredite que a política não interfere na sua vida. O que seria de nós sem o SUS durante a pandemia de covid, por exemplo? O SUS é fruto de uma política pública. Viver é um ato político.

 

Marcos Bandeira Júnior

Sei que a política muitas vezes desanima, que tudo tão errado, que não há sinal de que as coisas possam melhorar. Esse cenário deixa a gente descrente mesmo. Muitos jovens se perguntam: Que diferença meu voto vai fazer nas próximas eleições? Político é tudo igual, só pensa em embolsar dinheiro. O que eu ganho votando, se a política não interfere na minha vida?

Eu, Marcos Bandeira Junior, comecei a exercer minha cidadania com 16 anos e desde então venho observando o poder transformador do voto. Por todos esses anos de experiência como cidadão e advogado, posso garantir: não há outro meio de mudar o mundo que não seja através da política. Se há tantos políticos ruins no Congresso, na Câmara dos Vereadores e dos Deputados, os culpados somos nós mesmos. Fomos nós que os colocamos lá. Muitos dos corruptos eleitos estão fazendo o que querem, simplesmente porque não soubemos escolher os mais honestos, os mais comprometidos com as causas da população, os mais capacitados, os que realmente acreditam que é possível transformar este mundo, num lugar melhor para todos.

E, para esses maus políticos, quanto menos gente se interessar por política, fiscalizar suas ações e exercer pressão para que prestem contas dos seus mandatos, melhor. Quanto mais gente repetir o mantra de que “político é tudo igual”, melhor. Eles continuarão surfando na corrupção, comprando voto, desviando dinheiro da educação, da saúde, da assistência social e da segurança com a certeza da impunidade. Quando ninguém se importa com a política, esses apropriadores de verbas públicas continuam agindo livremente.

Não acredite que a política não interfere na sua vida. O que seria de nós sem o SUS durante a pandemia de covid, por exemplo? O SUS é fruto de uma política pública. Viver é um ato político. Você pode não entender muito bem o que significa apoiar a esquerda ou a direita, mas, a partir do momento em que você analisa as posturas e as falas de um candidato, você consegue definir se está ou não de acordo com ele.

Informar-se é fundamental: visitar o Instagram, o Twitter, o Facebook dele, ver o que ele posta, que projetos ele apoia, conferir se as ideias dele te convencem, dando um Google, conversar com seus amigos, avaliar se vocês têm pensamentos parecidos. Informação é poder, assim como seu voto. Tire o seu título e vote, ajudando a escolher o próximo presidente do Brasil, o governador da Bahia, assim como senadores e deputados federais e estaduais.

O Brasil tem mais de 6 milhões de jovens entre 16 e 17 anos, mas apenas 835 mil deles tinham tirado o título de eleitor até o final de fevereiro. Então, para que possamos mudar os destinos da nossa cidade, do nosso Estado, do nosso país, temos de incentivar os jovens que ainda não tiraram o título a fazer isso até 4 de maio – último dia de prazo. É fácil, rápido, online. Em 10 minutos fica pronto. O link do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é este:
www.tse.jus.br/eleitor/titulo-de-eleitor/pre-atendimento-eleitoral-titulo-net/pre-atendimento-eleitoral-titulo-net/

Vamos juntos, além do voto, depositar nossos sonhos e esperanças nas urnas. Com a certeza de que é possível transformar o Brasil num país mais justo, menos desigual, em que todos se respeitem e colaborem para o bem-estar comum, dentro de uma sociedade verdadeiramente democrática.

Marcos Bandeira Júnior é advogado.

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Ederivaldo Benedito | ederivaldo.benedito@gmail.com
 

O ambiente está claro e isso é salutar. Mostra que o Brasil – construindo verdades baseado em mensagens postadas nos aplicativos, informações manipuladas e distorcidas, em mentiras, falsas notícias, boatos – está fora do armário mostrando outra face. Tirou a máscara e não é apenas um inimigo oculto, à espreita, atrás da tela do celular.
 

A onda moralista pós-vitoriana que vem abalando o país em torno do chamado ‘kit gay’ bem que poderia alcançar todos os espaços da sociedade brasileira. Não se discute, aqui, ou questiona-se ou não a origem do ‘kit gay’ e a sua utilidade nas escolas infantis, mas os rumores que, nos últimos meses, o transformaram em debate nacional. Não se observa que a questão é a preocupação com o presente e o futuro das nossas crianças, mas que é a hipocrisia e o conservadorismo que estão se rebelando. Estão saindo do armário e se manifestando contra essa inusitada prática educacional.
Mas seria a discussão em torno do ‘kit gay’ uma excelente oportunidade para a nobre família de tradição judaico-cristã, defensora da moral e dos bons costumes, ampliar o debate além da questão de gênero e sexualidade que afeta os nossos pequenos tão ameaçados por influência de ideologias malsãs? Um momento apropriado para a discussão de temas tão ou mais graves como esse, a exemplo da violência no ambiente escolar, dos baixos salários recebidos pelos professores, da qualificação dos nossos docentes, da ausência cotidiana dos pais e responsáveis, e além, é obvio, da ocupação dos estabelecimentos de ensino por parte dos traficantes?
Seria pertinente uma discussão em torno desses temas, considerando que afeta o futuro do país, sendo nossas crianças, os futuros cidadãos, independente da orientação sexual delas? Afinal, sendo macho ou fêmea, os anjos não perdem sua essência angelical.
Ocorre que o problema é muito sério e a questão mais profunda do que se imagina, porque o ser humano é preconceituoso e, historicamente, o brasileiro sempre foi contra gay, preto, pobre, candomblezeiro, maconheiro, sindicalista, comunista, mulher, capenga, cego, favelado, prostituta, analfabeto, banguela, nordestino, anão, gordo, careca, cigano, mas estava no armário. E dentro desse armário tinha mais preconceito do que próprios gays, com ou sem kits. Mas esse preconceituoso, por variados motivos, não tinha coragem de dizer que é preconceituoso. Ocorre que, de repente, não mais que de repente, alguém despertou e empoderou esse discurso, fortalecendo o preconceito.
Ora, se o preconceituoso, com seu preconceito guardado a sete chaves, passa a ver e ouvir figuras públicas – aparentemente poderosas, acima da lei – falando que se pode fazer o que sempre quis fazer, ele entra nessa frequência vibratória. Vai até o armário e pega seu revólver, porrete ou soqueira, carregado de intolerância, ódio, rancor e sai por aí destilando tudo que estava guardado em todos que encontrar pela frente e que, teoricamente, seja diferente dele. Para a tristeza de Jesus Cristo e alegria de Adolf Hitler.
Ao fazer esses estragos, não sabe esse preconceituoso que, num país miscigenado como o Brasil, poderá ser ele também alvo dessa sua ação violenta, preconceituosa, perpetrada sob o pretexto de proteger a criança do desvirtuamento dos valores da família tradicional brasileira. Isto porque esse preconceituoso – apesar de ser parente, colega de trabalho, vizinho de um gay ou deficiente físico; de alguém com Síndrome de Down, autismo, dificuldades motoras ou anencefálicas – não gostaria de ter um filho com essas condições. Essa possibilidade lhe causa repulsa, grande mal-estar, assim como os portadores de HIV, os mendigos, os alcóolatras, os leprosos, as crianças dos orfanatos e os velhinhos dos abrigos. O preconceituoso sonha, imagina em viver numa suposta sociedade perfeita, produtiva, bonita, composta apenas por pai, mãe e filhinhos. Se eles são hipócritas, se agridem, se traem, se destroem, se matam, aí são outros quinhentos…
O fato é que a polêmica em torno do ‘kit gay’ não é totalmente inócua, muito pelo contrário. É rica, engrandece, enriquece o debate. Está nas ruas, nas escolas, nos locais de trabalho, nas Redes Sociais e as pessoas estão se manifestando. O ambiente está claro e isso é salutar. Mostra que o Brasil – construindo verdades baseado em mensagens postadas nos aplicativos, informações manipuladas e distorcidas, em mentiras, falsas notícias, boatos – está fora do armário mostrando outra face. Tirou a máscara e não é apenas um inimigo oculto, à espreita, atrás da tela do celular.
Mas o ideal seria que essa discussão – madura e coerente – fosse ampliada para outros temas, uma contribuição para a construção da nova Escola brasileira, o desenvolvimento de ações com base na Doutrina da Proteção Integral preconizada pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). O fortalecimento dos laços familiares, a luta contra a paternidade irresponsável e o acolhimento às abandonadas; o combate à pedofilia no ambiente familiar e a blindagem das nossas crianças às drogas. E mais: num país laico, heterogêneo, miscigenado, plural como o nosso – dá às nossas crianças uma formação humanista, respeitosa, cidadã para que no futuro elas possam colher bons frutos, olhar para trás e considerar que foi uma polêmica proveitosa e o ‘kit gay’, realmente, uma proposta abençoada.
Ederivaldo Benedito é jornalista, bacharel em Direito, licenciado em História e mestrando em Educação.

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Bolsonaro avalia participar de debates só no 2º turno || Foto Diário Brasil

O presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) avalia participar de debates apenas se chegar ao segundo turno da corrida eleitoral. Ao menos é o que revela a Coluna Radar, da Veja, desta semana.
“Bolsonaro avalia não participar de debates até lá”, informa a publicação.
A nota fala de um possível confronto direto entre o deputado federal e o presidenciável do PDT, Ciro Gomes. “Aos que desejam ver Jair Bolsonaro em um confronto direto com Ciro Gomes, um aviso: só se ambos chegarem ao segundo turno.”

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Félix cobra apoio do PT e crê em adesão de Rui a Ciro

Deputado federal e presidente do PDT baiano, Félix Jr. disse esperar o apoio do PT à candidatura de Ciro Gomes à presidência da República. O parlamentar, que é da base aliada do governador Rui Costa, cita que tanto o gestor baiano como o ex-governador Jaques Wagner já tornaram público a possibilidade de apoio.
– Quando eles abrem mão de ter candidato para apoiar um nome de outro partido, mostra visão globalizada da política – disse Félix Jr.
Mais que isso, Félix cobrou o PT, caso Lula não possa ser candidato. Para ele, “após dar apoio aos petistas por tanto tempo, chegou a hora da recíproca”.
– Esperamos que o PT agora tenha capacidade de apoiar o nosso partido, da mesma forma que apoiamos ele no passado. Principalmente, pelo fato de termos Ciro Gomes como candidato, o nome mais capacitado e mais qualificado à Presidência entre os concorrentes.

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Ricardo Kotscho
 

Pontificam na cena pública tipos como Carlos Marun e Cristiane Brasil, retratos de um país que já não se dá ao respeito e, se o Judiciário serviu para tirar Lula da parada, não se mostra capaz de fabricar o candidato procurado por FHC, que joga para o eleitorado o desafio de encontrar um nome capaz de unir o país.

 
“A pátria precisa tanto de líderes como de instituições. E principalmente de um eleitorado que leve ao poder quem tenha visão de país e de mundo”.
A descoberta acima foi feita pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em seu artigo dominical publicado no Globo e no Estadão.
Até aí estamos de acordo, mas a pergunta que a maioria do eleitorado está se fazendo é: quem?
A apenas 250 dias de irmos às urnas, pela primeira vez desde a redemocratização estamos no breu absoluto, com o cenário eleitoral ainda absolutamente indefinido.
O país continua dividido ao meio após a segunda condenação e o provável impedimento pela Justiça de Lula, o pré-candidato que lidera todas as pesquisas, participar da disputa.
Seus adversários comemoraram a derrota do ex-presidente no TRF-4 ao verem o campo livre para eleger o sucessor de Temer, mas descobriram que estão sem um candidato competitivo, como fica claro no artigo de FHC.
Mais de um terço dos eleitores responderam aos pesquisadores do Datafolha que ainda não têm candidato ou não pretendem votar em ninguém.
Depois de afirmar que a eleição sem Lula “produz certo alvoroço para saber como se distribuirão seus votos”, o ex-presidente tucano constata o óbvio: “E assim será a cada nova pesquisa eleitoral que apareça. As eleições, entretanto, virão”. Não diga.
Os nomes até aqui testados pela direita governista _ Alckmin, Meirelles, Maia e Doria _ não conseguem passar de um dígito nas pesquisas, mesmo sem Lula na lista de candidatos.
É por isso que FHC voltou a falar tanto em Luciano Huck, que já havia desistido de concorrer, mas isso não pode ser levado a sério.
A Presidência da República não é um programa de auditório que distribui oferendas.
Não dá para inventar um candidato em tão curto espaço de tempo.
Quem for eleito vai herdar um país destroçado, tanto econômica como politicamente, a exigir medidas urgentes para evitar o caos social que já se desenha no horizonte com mais de 12 milhões de desempregados e o colapso nas áreas de saúde, educação e segurança pública.
A tal “ponte para o futuro” produziu em dois anos um retrocesso de décadas nas condições de vida da maioria da população e dos direitos dos trabalhadores.
O tal do ajuste fiscal só fez aumentar o rombo nas contas públicas confirmado no orçamento deste ano.
Até agora, nenhum pré-candidato ou partido foi capaz de apresentar programa mínimo de governo, muito menos um projeto de país.
Continuamos sendo um deserto de homens e de ideias, discutindo o varejo do poder, a distribuição de verbas e cargos.
Pontificam na cena pública tipos como Carlos Marun e Cristiane Brasil, retratos de um país que já não se dá ao respeito e, se o Judiciário serviu para tirar Lula da parada, não se mostra capaz de fabricar o candidato procurado por FHC, que joga para o eleitorado o desafio de encontrar um nome capaz de unir o país.
Este candidato simplesmente não existe até onde minha vista alcança. Bom domingo.
Vida que segue.
Ricardo Kotscho é editor do Balaio do Kotscho.

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Fernando aposta fichas em Aécio.
Fernando aposta fichas em Aécio.

O ex-prefeito Fernando Gomes anda animado com as possibilidades eleitorais do tucano Aécio Neves. Prometeu investir em 20 carros de som para fazer a campanha do candidato a presidente da República pelo PSDB em Itabuna. A ação ousada foi prometida para o início desta semana.
O grupo de Fernando é responsável pela ofensiva por Aécio em Itabuna. Pelo menos no visual, a campanha tucana ganha – disparadamente – dos petistas com Dilma Rousseff.
Não custa lembrar que, no primeiro turno, Aécio foi o segundo mais votado no maior município sul-baiano. Por aqui, Dilma obteve 45.863 votos (44,09%) contra 36.145 (34,75%). Marina (PSB) obteve 19.640 (18,88%).
 

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O publicitário goiano Marcus Vinícius Queiroz, 56 anos, foi o responsável pela mudança na campanha de Juan Manuel Santos, reeleito hoje (15) na Colômbia. Depois de começar o segundo turno em desvantagem, atrás de Óscar Zuluaga, do Centro Democrático, Santos venceu as eleições com 50,8% dos votos. Zuluaga teve a campanha planejada pelo também brasileiro Duda Mendonça. “É muito bom ganhar do Duda”, disse, em entrevista exclusiva à Agência Brasil, logo depois do anúncio do resultado.
Queiroz chegou à campanha santista na semana passada, depois de ter feito a campanha de Clara López, candidata do Polo Democrático Alternativo (esquerda), que surpreendeu no primeiro turno com mais de dois milhões de votos e terminou em quarto lugar. “O desafio, com ela, era torná-la mais conhecida”, contou.
Queiroz foi para a equipe santista após pedido do próprio presidente reeleito a Clara López, com o objetivo de mudar a estratégia da campanha – considerada por analistas como ineficiente na comunicação do processo de paz e na aproximação de Santos com as pessoas.
“Faltava emoção na campanha santista, não só na abordagem do tema da paz, mas em outros assuntos. Nós trouxemos esta carga emotiva, e funcionou” comentou. A entrada de Marcus Vinícius coincidiu com a “virada” de Santos, que começou a ser sentida na semana passada, durante um debate que ele teve com Zuluaga na TV Caracol, uma das maiores emissoras colombianas.
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Datafolha aponta reeleição de Dilma em 1º turno.
Datafolha aponta reeleição de Dilma em 1º turno.

A um ano e meio da eleição presidencial, nova pesquisa Datafolha traz a presidente Dilma Rousseff em “fase de crescimento”. A petista cresceu 4 pontos percentuais em relação à pesquisa de dezembro e bateria todos os adversários e venceria a eleição em primeiro turno com 58% das intenções de voto ante 16% de Marina Silva (Rede).
Aécio Neves (PSDB) atinge 10% e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), aparece com 6%. Feita nos dias 20 e 21 de março, a pesquisa ouviu 2.653 pessoas nos dias 20 e 21 últimos em 166 municípios. Enquanto Dilma cresceu 4 pontos, os demais oscilaram dentro da margem de erro. Marina caiu de 18% para 16%, Aécio foi de 12% a 10% e Campos passou de 4% a 6%.
A pesquisa também apontou cenário com o ex-presidente Lula, que alcança 60% das intenções de voto, contra 16% de Marina, 10% de Aécio e 4% de Eduardo Campos. Em dois cenários, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, aparece com 7%.

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EXCLUSIVO

Serra mudou de posição e agora é favorável a ZPE em Ilhéus (Foto Pimenta).

O presidenciável José Serra (PSDB) disse ao Pimenta que mudou a sua posição quanto às Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) mudou – principalmente no caso de Ilhéus. Apesar de deixar claro que o contexto econômico é outro, ele afirmou que os demais projetos de ZPEs têm de ser analisados caso a casa. Atualmente, são cerca de 20 projetos.
Quando ainda era deputado constituinte e logo depois senador paulista, Serra afirmou que as Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) era um estímulo à sonegação. Hoje, no sul da Bahia, mudou sua visão. O município ilheense já implantou a sua ZPE, na zona norte, e trabalha com a perspectiva de gerar 30 mil empregos até 2020. Os projetos estão focados na agroindústria e eletroeletrônicos. As ZPEs têm sua produção voltada para o mercado externo.
Se deslanchou ao falar de projetos para o sul da Bahia, mostrou-se econômico ao extremo ao falar de ZPEs.
Pimenta – O sr. ainda continua contra às ZPEs no Brasil?

Serra – O contexto brasileiro mudou. A situação mudou. Eu era contra ZPEs no final dos anos 80.Era outro contexto.
Pimenta – Hoje o sr. é favorável?
Serra – Aqui em Ilhéus, sim, não é todas [as cidades*]. Depende de cada uma. Cada caso é um caso. A ZPE é um grande fator de desenvolvimento.
—-
Antes, na entrevista ao Pimenta e ao repórter Roger Sarmento, da TV Santa Cruz, Serra atacou a lentidão do governo em projetos de infraestrutura para o sul da Bahia e, também, a municipalização da água em Itabuna.
O presidenciável tucano criticou os governos federal e estadual por apresentar “só agora” o Complexo Intermodal Porto Sul. “Por que só agora esse projeto, depois de sete anos de governo, no apagar das luzes?”, questiona. “Realmente, não dá tempo”.
Outra estocada foi no ex-prefeito Fernando Gomes, que municipalizou o serviço de abastecimento de água. “Itabuna tem um problema que me parece inacreditável no século XXI. Houve uma municipalização do saneamento que não deu certo. Essa é uma coisa que nós vamos equacionar. Não dá para [Itabuna] completar o centenário agora e faltar água”
Ele prometeu ainda levar o Bolsa-Família para pessoas pobres às quais “o programa ainda não chegou”. Casado com o Bolsa-Família, ele disse que vai investir na criação do Protec, o Prouni do ensino técnico-profissionalizante. “Temos de ajduar os jovens a ter acesso à educação profissionalizante”, disse.
Ainda no plano regional, disse ser inaceitável que o aeroporto de Ilhéus, “uma cidade turística”, não opere por instrumentos. “Podemos montar um aeroporto digno até para receber turistas”. Por conta da falta de instrumentos, observou, muitos são obrigados a viajar até seis horas para usar o aeroporto internacional de Salvador.
Enquanto Serra falava, o presidente do PSDB baiano, Antônio Imbassahy, comemorava: “Adervan, ele seguiu direitinho aquilo que a gente combinou”. Largou um sorriso ao identificar o repórter do Pimenta flagrando a “comemoração”.
Rita Lee durante show em Ilhéus || Foto Luiz Fernandes
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O show da cantora Rita Lee, no centro de convenções de Ilhéus, matou saudade de velhos e novos fãs da roqueira e também provocou muitos risos na plateia. Anarquista por natureza, a roqueira ‘fuzilou’ os presidenciáveis José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Dilma Rousseff (PT). Deu demonstrações de que votará em branco.

E explicou porque não votará em nenhum dos nomes postos. Dilma, afirmou a roqueira, parece uma boneca fabricada, importadinha da Holanda. Serra foi comparado a um tio dela, “que só ligava para dar notícias ruins”.

Marina Silva, a terceira colocada, é considerada pela cantora fraquinha (fisicamente, claro!). “Chega dá vontade de dar vitamina pra [pré-candidata à] presidência ficar mais forte”. A cantora iniciou o espetáculo lamentando a desclassificação do Corinthians e também citou Ciro Gomes. “Puxaram o tapete dele”.