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O candidato ao Governo da Bahia pelo PL, João Roma, declarou que deseja ser governador para reduzir a carga tributária do Estado e oferecer melhores condições de vida à população baiana.

– [Quero ser governador] para, de fato, poder diminuir os impostos na Bahia e para que cada baiano possa, de fato, ter oportunidade de melhorar de vida. O que se percebe na Bahia são ciclos, que se revezam com uma política muito atrasada, onde nós observamos uma Bahia do século 21, uma Bahia com muitas potencialidades, com território maior do que a França, com mais de 70% de sua energia renovável, com um povo valoroso que se destaca em tudo que se propõe a fazer, mas amarrado a práticas políticas do século passado, do empreguismo, do toma-lá-dá-cá, da perseguição, em pleno século 21 – disse.

Apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), João Roma avalia que o estado deve seguir o caminho político trilhado pelo país. “Eu quero ser governador da Bahia pra libertar a Bahia dessas práticas atrasadas e pra que nós possamos, de fato, ter uma Bahia de mãos dadas com o Brasil, porque dá dor no coração ver o Brasil avançando e a Bahia remando para os lados”.

Roma explicou o desejo de governar o Estado em entrevista ao G1, na manhã desta segunda-feira (22).

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Presidente de honra do MDB baiano e ex-deputado federal, Lúcio Vieira Lima afirma que o discurso acalorado do seu irmão, Geddel Vieira Lima, durante ato nesta sexta (1º), não pode ser interpretado como declaração de guerra ao pré-candidato do União Brasil ao Governo da Bahia, ACM Neto.

Com a mão esquerda apoiada numa muleta e a direita ao microfone, Geddel disse aos militantes e pré-candidatos do MDB que não terá sua atuação política cerceada para além das limitações que já o impedem de exercê-la plenamente. Na sequência, o ex-ministro subiu o tom e referiu-se a Neto e ao prefeito de Salvador, Bruno Reis (UB).

– Vamos deixar claro. Vamos, por exemplo, falar do adversário nosso tido como mais forte, o ex-prefeito e seu menino, o prefeito. Para ficar bem claro, não reconheço na Bahia e não reconheço no Brasil ninguém com autoridade política ou moral para apontar o dedo para o calvário que tenho enfrentado, e com coragem!

Nesta entrevista ao PIMENTA, além de classificar o discurso do irmão como desabafo, Lúcio Vieira Lima analisa a disputa pelo Governo do Estado e aposta no crescimento da chapa do pré-candidato do PT, Jerônimo Rodrigues, que tem o emedebista Geraldo Júnior na vice.

Também revela o cálculo de ACM Neto sobre a pré-campanha e, com uma tirada, explica o posicionamento do MDB baiano na eleição presidencial. “Como vou eleger deputado e fazer campanha contra Lula na Bahia?”. Leia.

PIMENTA- O cenário atual é de renascimento do MDB?

Lúcio Vieira Lima – Não. [Em 2020], o MDB mostrou que não estava morto. Saiu das urnas como o quinto partido em número absoluto de votos, reelegendo os prefeitos das duas maiores cidades do interior [Feira de Santana e Vitória da Conquista]. Elegeu dois vereadores e fez o presidente da Câmara de Salvador. Neste ano, foi desejado por todos os candidatos a governador. Indicamos o [pré-candidato a] vice-governador da chapa do PT na Bahia, que é o quarto colégio eleitoral do Brasil. Portanto, o MDB não morreu. Só renasce quem morre. A história da política mostrou isso.

Não falo apenas do MDB da Bahia, mas de toda a estrutura política. Há poucos anos, o mundo sofreu uma revolução de internet, onde se mudava presidente porque o povo ia às ruas. Teve partido na França que foi criado pra uma eleição e ganhou. O próprio PSL, à época [2018], se aliou a Bolsonaro, saiu com a segunda maior bancada da Câmara Federal e o presidente da República. Além disso, o MDB é a costela de Adão [do sistema partidário brasileiro]. Não foi o MDB que diminuiu, outros partidos surgiram e cresceram.

O senhor descreve uma onda de fora para dentro da política, dos chamados outsiders? Essa onda refluiu? 

Como toda onda, ela vem e vai. Se ela vem mais forte, o surfista pega, marca ponto e é campeão. Ele depende da onda. Essa onda ocorre desde o tempo de Fernando Collor. Ele foi um outsider que se aproveitou daquele momento de descontentamento do povo, em cima [da imagem] do caçador de marajás, e chegou à vitória. Bolsonaro foi outro caso. [São] como eclipses, ocorrem te tantos e tantos anos.

 

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Com a decepção com esse governo que você chama de outsider, a política tradicional, partidária, começa a ocupar novamente os espaços.

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E o que temos neste ano?

Com a decepção com esse governo que você chama de outsider, a política tradicional, partidária, começa a ocupar novamente os espaços. Na verdade, como a política está com a fama tão ruim, os partidos perdem quadros, [enquanto] quadros que poderiam entrar na política por competência terminam sem estímulo. É um terreno fértil – e mais ainda com a internet – para que candidaturas de oportunidade, esporádicas e populistas vendam um discurso fácil à população. Não há renovação do sistema político. Você vê a dificuldade de se encontrar uma terceira via [na eleição presidencial].

Quais são as expectativas para as eleições proporcionais no estado?

Vamos fazer de dois a três [deputados] federais. Os favoritos seriam, não pela ordem, Ricardo Maia, ex-prefeito de Ribeira do Pombal; Uldurico Pinto, atual deputado, da família dos Pinto, do extremo-sul; e Fábio Vilas-Boas, ex-secretário de Saúde do Estado. [Na Alba], queremos fazer três, mas chegaremos a quatro, com certeza. Temos Rogério Andrade; Lúcia Rocha; Matheus; Geraldinho; Ana Clara, mulher do ex-prefeito de Paulo Afonso; Joelson Martins, de Santa Luz, filho do ex-prefeito e ex-deputado Joelson Martins; e Lú de Ronny, de Feira de Santana. São nomes que terão de 30 a 40 mil votos.

 

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[ACM Neto] está em campanha ao governo há dez anos. Inclusive, chegou a fazer uma pré-campanha toda na eleição passada.

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E o cenário da eleição majoritária?

Só vai ter posição concreta quando começar a campanha de televisão e rádio. O pré-candidato do União Brasil está em campanha ao governo há dez anos. Inclusive, chegou a fazer uma pré-campanha toda na eleição passada e, na prorrogação, desistiu, mas está sempre candidato, candidato, candidato.

É lógico que, nesse momento, [Neto] pode aparecer na dianteira das pesquisas, porque Jerônimo é totalmente desconhecido. Foi secretário e, dentro das esquerdas, por exemplo, é um nome levíssimo pelo trabalho que fez junto aos movimentos sociais, cooperativas, a turma do interior, da agricultura familiar. Terminou sendo um nome melhor que o de Wagner e o de Otto. A força de Otto ou Wagner é ser candidato de Lula. Isso Jerônimo é. Wagner tem desgaste, não poderia ir para a campanha pra dizer vou fazer isso. Nego ia pergunta por que não fez. Jerônimo pode dizer o que vai fazer, nunca foi governador, mas isso implica na parte ruim do desconhecimento [do eleitorado].

 

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[Jerônimo] vai crescer. A eleição de Jerônimo é a mesma que foi de Wagner, de Rui e Dilma: é Lula.

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Dá tempo de superar essa dificuldade?

Quando se tornar mais conhecido, com a campanha, ele [Jerônimo] vai crescer. A eleição de Jerônimo é a mesma que foi de Wagner, de Rui e Dilma: é Lula. O grande desafio de Neto é colocar na cabeça da militância que a eleição não será nacionalizada, dizer que Lula não transfere votos como transferia antigamente e dizer que o pessoal de Lula vai votar nele, e que inclusive ele vota em Lula. É o tripé que ele montou pra segurar a pré-candidatura dele na frente das pesquisas o maior tempo possível, pra tentar tornar um fenômeno irreversível. Só que você tem João Roma, que Neto apostava que não cresceria e que não tiraria voto dele, porque o eleitorado de João Roma é carlista e continuaria votando em Neto.

É uma avaliação correta?

Não é isso o que está se observando. O que se observa é ACM Neto perdendo muito voto para João Roma, não vice e versa, porque é em função de Bolsonaro. Neto diz que quer o palanque aberto e apoia Bivar, Ciro, apoia todo mundo que aparecer como candidato. O bolsonarista, quando Neto diz que vai votar em Lula, isso implica em insatisfação da parte de Bolsonaro e do eleitor dele. Nego começa a querer votar em Roma.

Neto sempre me disse – não só a mim, mas a muitos interlocutores, que, para ele ganhar a eleição [no primeiro turno], Lula não poderia chegar a 60% [da preferência do eleitorado baiano] e João Roma não poderia chegar a 10%. As duas coisas já ocorreram. Pela própria análise dele, ele já não ganha em primeiro turno.

 

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Se tenho que eleger deputado e estão me cobrando, como vou ficar contra Lula na Bahia?

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O MDB lançou a pré-candidatura de Simone Tebet. Como observa esse movimento?

A Simone veio pro 2 de Julho, mas trazida pelo Cidadania. Sempre coloquei que o MDB respeitaria as peculiaridade locais. Por exemplo, o prefeito de Itapetinga, Rodrigo [Hage]. Como o PT é o adversário dele lá, ele não tinha condições de apoiar o PT. Tenho que respeitar, até porque a estrutura partidária brasileira e a legislação eleitoral não permitem esse grau de fidelidade, não tem nenhum tipo de punição que possa se tomar.

É a mesma coisa nos estados. Seria um contrassenso. Você tem as direções nacionais dos partidos e, no caso, do MDB, pressionando pra se fazer deputado federal, porque é deputado federal que dá o tempo de televisão e o fundo eleitoral. Ora, se eu tenho que eleger deputado e estão me cobrando, como vou ficar contra Lula na Bahia? Aí não consigo atender. Ou atendo a direção nacional, ficando com Simone, ou atendo a direção nacional, ficando com Lula e elegendo deputado.

Do ponto de vista pragmático, o caminho é Lula?

O caminho é Lula, mas os delegados [do MDB] da Bahia, quando chegarem na convenção [nacional do partido], vão apoiar a candidatura de Simone. Vão votar pela candidatura de Simone.

Geddel fez um discurso forte. Foi uma declaração de guerra ao grupo de ACM Neto?

De forma nenhuma, não tem nada a ver. Foi uma fala de improviso, fez o desabafo dele. Não foi direcionado para A, B ou C, apenas exemplificou. O que ele disse – e você deve ter ouvido também – é que ele não tem que ser patrulhado por ninguém, quer exercer a cidadania dele, que não tem ninguém que tenha condição de patrulhar e, principalmente, porque todos ficaram atrás dele [em busca de aliança]. Também disse que o adversário mais importante é o pré-candidato do União Brasil, que foi citado como exemplo. [Geddel] falou que não aceitaria [provocação] de anônimo, de internet, forças ocultas, adversários.

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Quando a família de Bernadete deixou Estância (SE), no final dos anos 1970, repetiu o caminho percorrido por milhares de pessoas que buscaram vida melhor no sul da Bahia. Na época, a região ainda ostentava a riqueza do cacau e atraía muitos moradores de Sergipe e outros estados. O destino da família foi o Alto do Basílio, em Ilhéus.

Bernadete tinha 9 anos e descobriu que a Princesinha do Sul escondia, nas suas margens, a pobreza omitida nos postais. No início da adolescência, participou de manifestações por melhorias para a comunidade periférica, que em nada lembrava o urbanismo suntuoso do Centro Histórico da cidade. Ali, nos protestos em frente ao Palácio Paranaguá, iniciou-se na política.

Hoje, aos 54 anos, Bernadete Souza Ferreira considera-se mais baiana que sergipana. Ialorixá, liderança camponesa e ex-candidata a prefeita de Ilhéus, vive no Assentamento Dom Helder Câmara, na região de Banco do Pedro, zona rural ilheense. Foi de lá que conversou com o PIMENTA, em chamada de vídeo. Na entrevista a seguir, ela confirma sua pré-candidatura a deputada estadual pelo PSOL, fala sobre representatividade, explica por que deixou o PT, critica a política de segurança da Bahia e relembra o episódio em que foi agredida física e verbalmente por policiais militares. Leia.

PIMENTAComo a militância política entrou na vida da senhora?

Bernadete Souza – Comecei a militar com 13 anos, no Alto do Basílio. Não tínhamos saneamento básico, energia e água potável. Começamos a fazer um processo, na própria comunidade, atuando nas manifestações. Na adolescência, ia para a porta da Prefeitura, na época de Antonio Olímpio, naquele primeiro governo dele [1977-1982], para protestar, dizer que a gente precisava de água, energia, estrada, escola. Com 18 anos, fui eleita presidente da Associação de Moradores e me filiei ao Partido dos Trabalhadores. Fui do PT até 2015. Hoje sou do PSOL e do Movimento Negro Unificado (MNU), da luta no combate ao racismo e também à intolerância religiosa. Dentro dessa luta, movimento social é o que a gente come, bebe, veste, dorme e acorda.

Por que trocou o PT pelo PSOL?

Continuo respeitando o Partido dos Trabalhadores. Não é à toa que o PSOL apoia Lula para presidente da República. As questões que me moveram para o Partido Socialismo e Liberdade são fundamentais para mim, enquanto mulher negra e camponesa. Somos protagonistas desse movimento, e o partido também é um movimento. Quando chega o momento da disputa pelo espaço de poder político, no período eleitoral, geralmente, percebemos que não somos priorizadas dentro do partido [PT]. [No PSOL], em 2018, fui candidata a co-senadora. Em 2020, a gente colocou o nosso nome para a Prefeitura de Ilhéus. No PT, isso não seria viável. De 1986 a 2015, o PT também construiu, junto comigo, o que sou hoje. Agradeço ao Partido dos Trabalhadores por me conduzir dentro desse processo da luta coletiva. Sou grata ao PT por estar aqui hoje.

A pré-candidatura a deputada estadual já foi lançada oficialmente?

Na conferência do PSOL, a maioria escolheu o companheiro Kleber Rosa para a disputa do Governo do Estado [Bernadete perdeu as prévias partidárias]. A pré-candidatura à Alba foi lançada no encontro de mulheres do PSOL na Bahia. No próximo dia 30, vamos fazer um novo ato, com apoio da Coalizão Negra por Direitos.

O governo Bolsonaro ensinou, com o exemplo de Sérgio Camargo na Fundação Palmares, que não basta ser negro para ser antirracista, do mesmo jeito que não basta ser mulher para defender as pautas das mulheres. Como assegurar uma representação substantiva das mulheres negras?

Isso é fundamental para nós. De fato, não é qualquer homem ou mulher negra que nos representa no debate racial e em outros temas que a gente defende. Infelizmente, no nosso país, tentam nos invisibilizar e nos impedir de defender o que acreditamos, como o próprio combate ao racismo em suas várias formas. Essa política de invisibilização não ocorre só nos partidos de direita. Nos partidos de esquerda também existe esse processo. É por isso que, no PSOL, a gente diz que é preciso se aquilombar. A gente precisa aquilombar o parlamento para que as nossas causas tenham, de fato, representação e sejam defendidas pelas mulheres. Você traz o exemplo de Sérgio Camargo na Fundação Palmares. Ele veio para destruir tudo aquilo que foi construído durante anos a partir dos movimentos negros. Ele vem com a política genocida, que é a política do governo que ele defende. Não basta ser só mulher ou só negra. É preciso defender as pautas que a gente defende. Eu sou uma mulher da periferia, que tem o feminismo no cotidiano.

Como parar o extermínio da população negra?

A Bahia é o estado mais letal do Nordeste. Em Salvador, segundo pesquisa publicada no G1, 100% dos mortos pela polícia são negros. Ou seja, a juventude negra está sendo executada. E os policiais também estão morrendo por conta de uma política que não é para salvar vidas. Quando a gente fala de segurança, me pergunto: qual é o tipo de segurança que nós temos? Essa política não começou nesse governo [estadual]. Lógico que gostaríamos que esses números nem existissem, principalmente nos governos de esquerda, no governo do PT, de Jaques Wagner e Rui Costa, mas a política que está aí não é para salvar vidas, é para matar. Dizem que a política é de combate às drogas, mas o combate é contra o povo negro. Isso não quer dizer que não foi assim nos governos anteriores, porque houve genocídio também. E isso só tem se intensificado. A gente defende uma política de investigação [criminal], mas a política atual é de assassinato da juventude negra.

O uso de câmeras nos uniformes policiais pode atenuar esse problema?

Acredito que sim. Qualquer tentativa de evitar que se ceife vidas é plausível. Qualquer tentativa de evitar a violência policial é válida. A gente viu o caso de Sergipe, onde um homem, que tinha problemas psicológicos, foi assassinado dentro de uma viatura [da Polícia Rodoviária Federal]. A gente sabe quem estimula esse tipo de crime. Existem, dentro da própria polícia, aqueles que seguem esse tipo de apelo. O uso da câmera nos coletes é uma tentativa de diminuir esse problema. A gente sabe de perto o que é a violência policial. Eu sei o que é a violência policial.

A senhora pode falar da violência que sofreu no assentamento?

Sim. Foi em 2010. Os policiais estavam fazendo rondas em Banco do Pedro e trouxeram um jovem negro ensanguentado. Eu era coordenadora-geral do assentamento e fui questionar a forma como eles estavam conduzindo o rapaz. Eles não tinham ordem judicial para estar na comunidade. Eles vieram pra cima de mim, dizendo que eu estava desacatando a autoridade. Me algemaram. Houve também um ato de racismo religioso, porque, no momento que me pegaram, meu orixá se manifestou, e eles disseram que Satanás ia sair do meu corpo. Me jogaram num formigueiro, botaram arma na minha cabeça, pisaram no meu pescoço e me conduziram para a delegacia de Ilhéus. Isso ganhou repercussão no país e no exterior. O caso está sub judice até hoje, uma ação civil pública que nunca foi julgada.

A senhora é a favor da abertura de capital da Embasa?

Somos contra privatizações. Esse debate é caríssimo, porque, quando se fala em privatizar a Embasa, a gente falando em privatizar a água. Qual é o debate que está sendo feito com a população da Bahia para que ela seja ouvida? A gente vendo o governo federal privatizando tudo, e esse debate da Embasa é para entregar a água nas mãos dos estrangeiros. Independente de estarmos eleitas ou não, vamos travar uma luta contra a privatização da Embasa. Hoje, 20% da população baiana não têm água potável em suas casas. Em pleno século 21, no ano de 2022, só agora a Embasa está trazendo água para o nosso assentamento. Por quê? Porque a gente não é prioridade para o governo. Falar em água potável é falar de saúde. A gente não tem um dentista, porque não tem água potável. Se privatizar a água, vai ser pior, as populações periféricas continuarão de fora.

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Há 25 anos na estrada, OQuadro tem currículo de peso. A banda ilheense tem três álbuns (OQuadro, Nêgo Roque e Preto Sem Açúcar) e traz na bagagem a experiência em grandes palcos, no Brasil e fora do país. Nos últimos 10 anos, todos os shows que fez na Terra Natal esgotaram a bilheteria. O lançamento do seu primeiro disco, em 2012, está no rol dos momentos grandiosos do Teatro Municipal de Ilhéus. Recentemente, o grupo emplacou a música Tá amarrado na trilha sonora da novela Segundo Sol (TV Globo) e na série animada Velozes e Furiosos (Netflix).

Sentado diante da câmera, o MC Jef Rodriguez, 43, tenta imaginar os motivos pelos quais, apesar desse currículo, a banda de que faz parte não foi convidada para tocar no Viva Ilhéus 488 anos, maior festa promovida pela Prefeitura de Ilhéus nos últimos anos, com programação de 25 a 28 de junho, aniversário da cidade.

De partida, diz que a falta de convite para as festas da cidade não é novidade, é regra, independentemente do governo da vez. “Eu não estou falando exclusivamente dessa gestão”, reforça, antes de insistir no questionamento da ausência recorrente. “Qual é a questão, mano? A gente ri de nervoso”, desabafa o músico, que procurou o PIMENTA para se manifestar sobre o assunto, o que o faz na entrevista a seguir. Assista e confira a resposta da Prefeitura ao final da publicação.

O QUE DIZ A PREFEITURA DE ILHÉUS

Ouvido pelo PIMENTA a respeito dos questionamentos do artista, o secretário de Cultura de Ilhéus, Geraldo Magela, disse que a manifestação causa estranhamento, pois apenas nesta terça (7), em decisão compartilhada com representantes de diversos setores da cultura, a pasta definiu a lista de artistas locais indicados para o Viva Ilhéus. Segundo o gestor, tanto o show solo de Jef quanto o da banda OQuadro foram indicados, mas a última palavra sobre as contratações cabe à Secretaria Municipal de Turismo, que ainda vai se manifestar sobre as indicações.

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A Constituição Federal de 1988 estabeleceu o concurso como regra para ingresso no serviço público. A Câmara de Vereadores de Ilhéus, no sul da Bahia, ignora o comando constitucional há mais de três décadas, mas esse desprezo à Carta Maior está com os dias contados, assegura o presidente da Casa, Jerbson Moraes (PSD), nesta entrevista ao PIMENTA.

O parlamentar lidera as tratativas da Câmara com o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) e dá detalhes sobre o termo de ajuste de conduta (TAC) em discussão. Ele diz acreditar na construção de um consenso sobre o momento oportuno para o primeiro concurso da Casa.

Também explica o que entende por resistência institucional ao concurso; revela o número de cargos comissionados da Câmara; estima quantos cargos efetivos serão abertos; fixa prazo limite para a realização do certame; e aponta as funções que, certamente, serão contempladas na lista de vagas. Leia.

PIMENTA – O concurso sai ainda nesta gestão da Mesa Diretora?

Jerbson Moraes – Não. O concurso será neste mandato. Não sai nesta gestão. Nós temos seis meses de gestão. A gente vem conversando com o Ministério Público sobre a necessidade de um concurso que, efetivamente, mude a realidade do Poder Legislativo da cidade. A gente chegou à conclusão de que o concurso vai ser feito no último ano deste mandato [2024] e com a convocação dos aprovados no início do mandato seguinte, a partir de 1º de janeiro de 2025.

Câmara e Ministério Público vão firmar termo de ajuste de conduta (TAC) sobre o concurso. Isso é suficiente para assegurar que, independentemente de quem esteja na Mesa Diretora, o concurso será feito?

É, porque a gente vai tentar que todos os vereadores assinem, junto com o presidente e a Mesa Diretora, esse termo de ajuste de conduta, onde a gente vai colocar todo o cronograma do concurso, ainda nesta gestão da Mesa Diretora. Vamos convencer todos os vereadores, porque é o concurso de um Poder para o qual nunca existiu concurso público. A gente está fazendo um trabalho muito técnico, porque o que for feito deverá ser feito para durar muito tempo. Não se pode, aleatoriamente, criar vagas, [definir] número de vagas. É preciso um tempo razoável para que se possa chamar o número de pessoas concursadas necessárias. Existe o parâmetro da Câmara de Itabuna, que tem aproximadamente 50 vagas cargos efetivos. Vamos ficar muito próximos disso, porque [as câmaras têm] o mesmo número de vereadores e duodécimos parecidos. É uma referência próxima.

Uma das consequências do concurso é reduzir os cargos de livre nomeação. Isso pode vir a ser um obstáculo, um problema?

Acredito que não. Primeiro, provavelmente, a empresa que vai realizar esse concurso já seja contratada por nós, nesta gestão. Provavelmente. Isso vai depender dos avanços da nossa conversa com o Ministério Público e da formatação do TAC. Segundo, todos os vereadores vão participar dessa discussão. E terceiro: há necessidade de que nossa conduta seja ajustada para que possamos respeitar a Constituição. Isso está sendo feito de forma dialogada, com muita discussão, sem nenhum tipo de extremismo. Tanto é que a gente está levando em consideração que o vereador que ganhou a eleição, [em 2020], ganhou a eleição para uma estrutura administrativa. Ele tem os compromissos dele. A vigência da nova lei será a partir do mandato que vem. Os vereadores vão enfrentar uma eleição já para uma realidade e para uma Câmara diferentes. É também uma oportunidade que a Câmara está tendo de se ajustar de uma forma não muito radical. Acredito que não tem como [o concurso ser barrado], é um caminho sem volta. Não tem como retroceder.

Nesse diálogo com os vereadores, você observa adesão majoritária ao concurso? Existe alguma resistência declarada?

Existe uma resistência institucional. Não é uma resistência individual. O Poder Legislativo de Ilhéus é constituído dessa forma desde sempre. Ninguém nunca experimentou realidade diferente, que é a realidade que a Constituição exige. Mas, no momento em que a gente começa a dialogar, começa a respeitar os lados envolvidos, seguindo o bom senso de que não existe acordo com relação à lei. A gente precisa cumprir a nossa Constituição. Isso vai fazendo com que todos os vereadores acabem do lado do concurso, apoiando, porque é a oportunidade que a gente tem de regularizar a situação da Câmara. Não vejo resistência individual. Existe, no início da discussão, a falta de informação, a falta de comunicação, mas, a partir do momento que a gente vai avançando, explicando e o bom senso vai prevalecendo, a gente acaba tendo uma adesão de, praticamente, 100% [dos vereadores].

Pode caracterizar como essa resistência institucional se manifesta? Como a gente pode traduzir essa expressão?

[Na Câmara], você tem vereadores de vários mandatos, com 2, 3 mandatos, que sempre trabalharam com essa estrutura, sempre trabalharam dessa forma. Você tem vários presidentes que ocuparam aquele cargo e sempre, radicalmente, colocando gente nova para gerir a Casa. Você já visualiza como se isso fosse normal. Quando você traz o correto, mas o correto é diferente do habitual, vai fazer uma coisa nova. E tudo que é novo, às vezes, traz uma estranheza, pela questão das informações e etc. Mas, no momento em que a gente mostra que nós não estamos, em hipótese nenhuma, querendo fazer politicagem, querendo se promover com algo dessa importância, na hora que a gente passa para os vereadores que a gente vai respeitar essa forma que eleição foi feita [em 2020]. É aquela coisa: não vamos mudar as regras no meio do jogo. A gente pede ao vereador que entenda que, no próximo mandato, a Câmara de Ilhéus tem que, efetivamente, ser outra Câmara. Você já vai concorrer à eleição sabendo dessa nova realidade.

É uma resistência superável ou já superada?

Eu acredito que já foi superada, porque, no momento que você tem informação, que tem diálogo, o óbvio, o correto, o certo, ele sempre vai vencer. Não adianta. Se você defende algo que não é o correto, defende algo que não tem sustentação legal, que não é razoável, dificilmente você consegue chegar onde quer. Mas, quando defende o razoável, o correto, o constitucional, as coisas vão chegando aonde devem chegar.

A Câmara tem quantos cargos comissionados e quais profissões, a princípio, seriam contempladas no concurso? O estudo ainda não está concluído, mas é possível dizer quais seriam os cargos efetivos essenciais?

Nós já avançamos bastante nesse estudo. A gente não está iniciando o estudo. Desde quando sentei na cadeira [de presidente da Câmara], eu comecei esse trabalho. A gente já tem uma ideia, mas não é algo definitivo, porque, como lhe disse, o estudo ainda não foi concluído. A gente precisa ver a questão do impacto contábil, a questão financeira. A gente quer construir um plano de cargos e salários para esses concursados que estão vindo, o que já é outra lei. A gente precisa terminar o estudo comparado. Estamos pegando câmaras do Brasil todo que são parecidas com a nossa, em termos de duodécimo, de número de vereadores. A gente quer fazer uma coisa bem moderna. Agora, os cargos que a gente pode antecipar são os da procuradoria e controladoria. Nós não temos nenhum procurador ou controlador concursado. A questão da contabilidade. São cargos que, tradicionalmente, pertencem ao Poder Legislativo e, com certeza, estarão no nosso novo organograma administrativo.

São quantos comissionados?

Cem por cento, quase 400 funcionários, todos comissionados, com exceção de três funcionários que estão lá porque adquiriram estabilidade com o tempo, mas também não foram concursados. Foram aqueles contratados antigos que ficaram com estabilidade em razão do tempo de contrato, antes da Constituição de 1988. Todos os outros são comissionados. Não existe nenhum concursado na Câmara de Ilhéus.

Todos eles estão suscetíveis a sair da Câmara a cada troca de gestão.

É isso. Aí você prejudica a continuidade da administração pública, porque, apesar do mandato ser temporário, o Poder é eterno. Então, você não pode trabalhar botando e tirando pessoas da administração pública quando o vereador entra e sai, quando o presidente da Câmara entra e sai. Isso não existe. A gente precisa de continuidade. Os novos vereadores que entram e o novo presidente precisam de servidores efetivos na Casa para fazer a transição, garantir a continuidade do serviço e não começar sempre do zero. A gente precisa trabalhar na excelência da fiscalização e da produção legislativa. A gente só vai conseguir isso quando mudar a realidade administrativa da Câmara.

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A prioridade da Comissão Provisória do MDB-Ilhéus é fortalecer a estratégia do partido no estado para a eleição de 2022, segundo o advogado Fernando Hughes, presidente municipal da sigla. Empossado no cargo nesta terça-feira (17), o dirigente concorda com a avaliação de que, nos últimos anos, a legenda teve papel apagado na política ilheense, o que impõe a tarefa da sua reconstrução.

– Realmente, o MDB vinha de um período de submersão por conta das pessoas que ocupavam o partido e não estavam tendo essa disposição de colocá-lo no patamar que deve estar. O MDB é um dos maiores partidos do Brasil. A nossa pretensão, de agora em diante, é oxigenar o partido – afirmou o dirigente em entrevista ao PIMENTA.

Sinal claro da oxigenação emedebista em Ilhéus é a chegada de jovens lideranças, diz Fernando, referindo-se aos advogados Reinaldo Weber e Alan Nunes, que também integram a nova Comissão Provisória.

Ainda há espaço para os políticos experientes no MDB, que tem de volta aos seus quadros o ex-presidente da Câmara de Ilhéus Alisson Mendonça, ex-vereador de cinco mandatos. Atual diretor da 13ª Ciretran, Alisson foi candidato a deputado estadual pelo MDB há mais de 20 anos, lembra Hughes.

Na esfera estadual, continua o dirigente, a renovação partidária começou com o presidente da Câmara de Vereadores de Salvador e pré-candidato a vice-governador, Geraldo Júnior, que, em 2020, trocou o Solidariedade pelo MDB, e ganhou mais força com a filiação do ex-secretário da Saúde do Estado Fábio Vilas-Boas. Para Fernando, Vilas-Boas chegou ao partido com o status de quem “revolucionou a saúde da Bahia sob a batuta do governador Rui Costa [PT]”.

– Nossa preocupação imediata é a eleição de 2022. Trabalhamos para dar a Fábio, que é nosso pré-candidato a deputado federal, uma votação que, a depender do seu volume, vai mostrar a que veio o MDB. Obviamente, quando a gente pensa em construir um projeto, a gente pensa na eleição de 2022, com a eleição de Fábio para deputado federal, que é o que nós almejamos de imediato e a eleição do pré-candidato a governador Jerônimo Rodrigues [PT] e do nosso vice Geraldo Júnior – diz Fernando, acrescentando que o partido também apoiará a tentativa de reeleição do senador Otto Alencar (PSD) e, em Ilhéus, do deputado estadual Rosemberg Pinto (PT).

Perguntamos se o MDB ressurge em Ilhéus na oposição ao governo Mário Alexandre e como se projeta para as eleições de 2024. O dirigente respondeu que o partido não faz parte da gestão municipal e mantém postura crítica ao desempenho dela.

A respeito das eleições daqui a mais de 2 anos, Fernando Hughes avalia que se trata de cenário distante, mas não esconde o jogo sobre o que aparece no horizonte emedebista.

– Vamos conduzir a formação do partido no sentido de termos uma candidatura para 2024. Se lá na frente houver convergências, aí é outra história, lá na frente irá se decidir, mas a prioridade do MDB, hoje, é a eleição de 2022 -.

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O ex-presidente da Câmara de Vereadores de Ilhéus Jailson Nascimento pretende se candidatar à Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). Lança a pré-candidatura neste domingo (1º), às 8h30min, no Barravento Praia Hotel.

Vereador por quatro mandatos, Jailson ajudou a eleger o filho, Fabrício Nascimento (PSB), para a Câmara de Ilhéus, nas últimas duas eleições. Apesar dos anos afastados dos holofotes, nunca deixou de ser um ator político influente nos bastidores. Após a saída do PSB, anunciada no fim de março, volta às disputas eleitorais. Agora, filiado ao Solidariedade.

Nesta entrevista ao PIMENTA, ele fala sobre o que chama de fim do ciclo político ao lado do vice-prefeito de Ilhéus, Bebeto Galvão (PSB), e refuta a possibilidade de a sua pré-candidatura ser interpretada como gesto revanchista, num contexto em que a base do prefeito Mário Alexandre (PSD) se alinha em torno da primeira-dama Soane Galvão (PSB), também pré-candidata à Alba. Sobre a eleição para governador, Jailson vislumbra disputa acirrada e explica por quê. Leia.

PIMENTA – A saída do PSB significou mesmo um rompimento político com Bebeto Galvão?

Jailson Nascimento – Politicamente, sim. Foi um ciclo de quase 14 anos. Cheguei à conclusão de que Bebeto não tinha interesse que continuássemos ao lado dele. Várias coisas que ele vinha fazendo comigo, retaliações. Achei melhor sair. Entrei pela porta da frente e saí pela porta da frente.

Quando anunciou a saída do PSB, você disse que acordos eleitorais de 2020 não foram cumpridos.

Justamente.

Pode revelar quais foram esses acordos?

Prefiro não, para não ficar parecendo coisa pessoal.

Os acordos não foram cumpridos por Bebeto ou por Marão?

Os dois.

Avalia-se que a sua pré-candidatura pode atrapalhar a de Soane Galvão. Existe essa conotação de revanchismo?

Não, de jeito nenhum. Primeiro, meu currículo não permite isso. Sou político há mais de 30 anos. Quem quer crescer na política galga sempre algo maior. Fui vereador e tenho possibilidade, tranquilamente, de ser candidato a deputado estadual. Não tem revanchismo, nunca teve e não vai ter agora. Sou de Ilhéus e acho que Ilhéus está precisando de representação política de verdade, que tenha serviços prestados na cidade e possa, realmente, dar esperança a esse povo. Tem quatro anos que Ilhéus está sem representação estadual e federal. Estamos órfãos. Não é só Ilhéus, a região cacaueira é órfã de representação política.

Por que decidiu lançar a pré-candidatura?

A região precisa ter representantes. Já tivemos Antônio Olímpio, grande deputado. O próprio João Lyrio, deputado brilhante. Em Itabuna, Geraldo Simões, Fernando Gomes. Aqui, [Raymundo] Veloso. Foram muitos e nos representaram bem. Claro, cada um com seu potencial político e suas marcas. E não será diferente com a gente, porque, hoje, para qualquer coisa que a região precise, tem que buscar um deputado de fora, que não tem a mesma dedicação e o mesmo empenho que nós precisamos. Por isso, coloco meu nome à disposição da região cacaueira, porque me sinto, sem nenhuma vaidade, à altura de representar nossa região.

Você falou que o sul da Bahia está órfão de representação política. Quais devem ser as prioridades de um deputado estadual eleito pela região?

Turismo, que é o vetor principal da região toda. Envolve Ilhéus, Canavieiras, Itacaré, Uruçuca, Serra Grande, Una. Temos o turismo ecológico. Por exemplo, Ituberá tem uma cachoeira brilhante, que deve ser aproveitada pelo ecoturismo. O turismo é um dos carros-chefes da região. O outro, que não pode deixar de ser, é o cacau, que sempre moveu essa economia. Agora estão surgindo grandes empresas de chocolate e isso tem que ser incentivado pelos governos estadual e federal.

Tem a habitação popular. Depois daquele programa de Dilma [Minha Casa, Minha Vida], não teve programa popular. Não vejo ninguém falar nisso, a não ser a nível federal. Antigamente, na Bahia, nós tínhamos a Urbis, com investimento grande na Bahia toda. Hoje, a gente não vê o governo estadual ter um incentivo nessa direção.

Na sua avaliação, as obras do governo baiano no sul da Bahia favorecem muito a Jerônimo? Isso é suficiente para bater o favoritismo de ACM Neto?

O governo estadual investiu muito em Ilhéus. Ilhéus tem muita gratidão pelo que foi feito. Na região, nem tanto. Tem cidade onde o Estado não conseguiu chegar. Por exemplo, a rodovia que sai de Canavieiras para a BR-101 está jogada às traças, há muitos anos. Lá em Canavieiras, da mesma forma, não tem nada de extraordinário feito pelo governo estadual. Até o aeroporto que tentaram fazer, não pousa ninguém lá, a não ser aqueles teco-teco. Mas, Ilhéus é grata. Vamos ver Itabuna. Qual investimento foi feito lá? Muito pouco. Já o Porto Sul é um investimento que veio com empenho total do governo do estado para a região. A gente não não pode deixar de reconhecer. Neto vai ter muita dificuldade. Vai ser uma disputa muito acirrada. Jerônimo vai crescer bastante. Vai ganhar quem no segundo turno souber agregar mais.

Há quem diga que Neto deve ganhar no primeiro turno. É uma análise otimista?

É prematura, é muito cedo para dizer isso. Ninguém conhecia Jerônimo. Todo mundo sabia que era o secretário de Educação, mas, com 20 dias de pré-candidatura, já pontua bem. Vai ser uma disputa muito grande. É claro que o poder desgasta, mas o governo não foi ruim com Wagner e não tem sido um governo ruim com Rui, de jeito nenhum, não tenho esse pensamento. Então, não vou dizer que seja muita pretensão [imaginar vitória no primeiro], mas não vejo assim. Tenho certeza que Neto estará no segundo turno. Se você me pergunta se com Jerônimo ou Roma, não sei. Só se acontecer algo que desgaste muito Jerônimo. E tem uma parte do eleitor de Neto que vai migrar para Roma.

Rodrigo defende que Wagner recue do recuo e seja candidato a governador
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Nesta entrevista ao PIMENTA, concedida no fim da tarde de hoje (7), o líder sindicalista Rodrigo Cardoso (PCdoB) analisa os últimos movimentos e informações sobre a chapa governista para a eleição estadual.

Ele opina sobre o motivo de o senador Jaques Wagner (PT) ter retirado a pré-candidatura ao governo baiano e avalia as chances de vitória da coalização numa chapa sem o ex-governador petista.

O presidente do Sindicato dos Bancários de Ilhéus também sai em defesa da retorno de Wagner ao páreo eleitoral, com um recuo do recuo, para acabar com “tanta confusão”. Leia.

PIMENTAVocê classificou o imbróglio governista como “bate-cabeça”. Quantos passos atrás a coalização deu na disputa com o grupo de ACM Neto, se é que deu?

RODRIGO CARDOSO – Perde tempo, porque ACM já vem fazendo campanha desde que saiu da Prefeitura de Salvador. Enquanto isso, a base vinha se unificando com Wagner desde o fim do ano passado. Rapidamente, Wagner entrou na disputa com 30% [das intenções de voto]. Quando indica o apoio de Lula, ele chega no empate técnico [nas pesquisas]. Agora, com tanta confusão. Otto não se define, Wagner retira a candidatura e, no dia de hoje, parte-se do zero, com três novos pré-candidatos do PT. Acho que [o grupo] deu muitos passos atrás.

Antes de se lançar pré-candidato, Wagner deu sinais de que não desejava a candidatura?

Não. Acho que não. A todo momento em que se colocava, ele dizia da importância da unidade da base. Quando passou a ser pré-candidato, no fim do ano passado, ele demonstrava ser o principal candidato, justamente por isso: era o candidato que unificava.

Como você interpreta a retirada da pré-candidatura de Wagner? O que a explica?

Na minha opinião, Wagner recuou tendo em vista a decisão do governador Rui Costa de se candidatar ao Senado e a impossibilidade de o PT ocupar as duas principais cadeiras em disputa, numa coalização com tantos partidos importantes. Acho que Wagner recuou na perspectiva de garantir a unidade da base. Obviamente, o pleito do governador Rui Costa não deixa de ser justo, dentro do que ele considera o seu papel nessa frente. No entanto, tanta confusão a apenas sete meses da eleição, acaba atrapalhando muito. Demonstra desarticulação. Nas resenhas, o pessoal do carlismo está dizendo que, agora, são os nossos candidatos que estão correndo da disputa com ACM. O negócio ficou muito complicado.

Hoje, Wagner disse que Rui vai até o fim do mandato. Pode ser sinal de falta de confiança de passar o governo ao PP?

Acho que faltou articulação. Não sei se é falta de confiança, mas, com certeza, falta de articulação. Faltou combinar. Faltou discutir não só com o PSD e com o PP. Faltou discutir com o PCdoB, com o PSB, Podemos, Avante. Faltou discutir com a base. Quando não tem articulação, cada um faz a coisa da sua cabeça e acaba gerando esse tipo de ruído, que só faz atrapalhar.

Sem Wagner, diminuem muito as chances da manutenção da unidade da base e de uma vitória na disputa estadual?

Vejo que diminui a chance da unidade. Wagner é tido por todos como construtor desse processo. Tem muita autoridade política, por toda a influência, tudo que ele construiu aqui na Bahia e da sua influência nacional junto ao Partido dos Trabalhadores e ao próprio ex-presidente Lula. Acho que ele teria muito mais facilidade em unificar. Outras candidaturas, mesmo as do Partido dos Trabalhadores – por mais valor que tenham as lideranças que estão aí colocadas -, creio que terão mais dificuldade pra unificar. E a base desunida, acho que a chance diminui muito. Ainda tenho esperança que o bom senso prevaleça.

O que você chama de bom senso?

Nesse caso, concordo com a deputada [federal] Alice Portugal. Acho que Wagner deveria recuar do recuo. Ele recuou da pré-candidatura e deveria recuar no recuo, aceitar o retorno da sua pré-candidatura. Ele tem toda a condição de unificar a base. Tem todo o respeito de todas as forças políticas. Não teria contestações e teria muita competitividade na disputa, que vislumbro uma disputa dura.

Bebeto revisa metáfora do "teodolito" e afirma que todos os partidos aliados devem discutir formação de chapa
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O vice-prefeito de Ilhéus, Bebeto Galvão, afirma que seu partido, o PSB, ainda não foi chamado a dialogar sobre a possível substituição do senador Jaques Wagner (PT) pelo também senador Otto Alencar (PP) na cabeça da chapa majoritária governista. Sem anúncio oficial, a mudança foi cravada pelo noticiário baiano, indicando a candidatura do governador Rui Costa (PT) ao Senado.

Num regime democrático, segundo Bebeto, é natural e salutar que a imprensa apure e divulgue informações sobre o processo político, mas a indicação de Otto como candidato ao Governo da Bahia deve ser tratada no campo das possibilidades.

“O fato dessa possibilidade – eu tô dizendo porque não foi noticiado oficialmente, nem nós, enquanto partido, fomos chamados para conversa. Mas, esse fato, como possibilidade que se aventa, de uma alteração do nome de Wagner para o de Otto, se isso se consolida, mais do que qualquer crise, representa uma riqueza de lideranças no mesmo projeto, ao ponto de nós nos darmos ao luxo de promover alteração de um nome importante como o do Wagner por um nome tão importante quanto o do Otto”, declarou ao PIMENTA nesta sexta-feira (25).

Ex-deputado federal e suplente de Wagner no Senado, o vice-prefeito de Ilhéus avalia que todo o trabalho dos partidos da base consolidou a pré-candidatura de Wagner ao governo e, nas pesquisas eleitorais, a trajetória do ex-governador era de alta. Por isso, em entrevista recente, defendeu a manutenção do petista no páreo. Ao PIMENTA,  Bebeto também exaltou o nome de Otto, a quem atribui papel de expressão nacional na política.

O TEODOLITO…

Engenheiro agrônomo, o vice-governador João Leão (PP) usou a imagem do teodolito para ilustrar como enxerga o papel do trio PP, PSD e PT na aliança baiana. “Nós temos o tripé. A política da Bahia do nosso lado representa como se fosse um teodolito, aquele instrumento que você olha e vê longe. Ele tem três pés. Um é o PT, outro é o PSD e outro é o PP. Se nós tirarmos um dos pés, obviamente o teodolito cai e não funciona”, disse Leão ao Bahia Notícias em julho de 2021.

A metáfora do teodolito também serviu à reflexão de Bebeto, na entrevista ao PIMENTA, sobre a contribuição dos demais partidos da base, inclusive o PSB, para as vitórias eleitorais e o desempenho das gestões petistas na Bahia.

Além de PT, PSD, PP e PSB, a base reúne Avante e PCdoB. Caso a possibilidade da candidatura de Otto se concretize, segundo Bebeto, a mudança terá que ser discutida com todos os partidos aliados.

– Se isso – veja, estou colocando tudo no campo das possibilidades, porque não tem nada oficializado, o que temos é especulação.
Se isso ocorre, nós vamos ter que discutir a composição da chapa. Na minha opinião, os partidos todos devem ser chamados. Se havia o chamado teodolito, mas o teodolito não se sustenta sozinho se ele não tiver um lastro e se o terreno for íngreme. Ou seja, se o terreno for desnivelado, o teodolito não se põe de pé -.

…E O CAMINHÃO DE ABÓBORAS

Bebeto também minimizou o impacto da possível – e hoje provável – mudança na composição da chapa para as chances de vitória da candidatura governista. Segundo ele, o assunto tem sido tratado como cataclismo político da Bahia, mas seria melhor ilustrado como a dinâmica de abóboras transportadas na carroceria de um caminhão.

– Se o nosso grupo estiver unido, mesmo que ocorra qualquer mudança, com os debates que vão ocorrer internamente, os debates são do processo. Eu faço uma analogia com o caminhão de abóboras. Há turbulência na estrada, mas as abóboras vão se acomodando no caminhar da estrada-.

Deijair prega foco e pés no chão para time ilheense chegar às semifinais do Baianão || Reprodução/Instagram
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O goleiro Deijair Nunes se recupera bem do edema na parte interna da coxa direita. Entrevistado pelo PIMENTA nesta quinta-feira (24), ele assegurou presença no duelo do Barcelona de Ilhéus contra o Jacuipense, no dia 6 de março, em Feira de Santana, pela sétima rodada do Campeonato Baiano 2022.

O próximo rival do Barça lidera a competição, com seis vitórias em seis jogos. O time ilheense é o terceiro colocado na tabela, com 11 pontos. “Estarei 100% na próxima partida, com certeza”, afirma Deijair.

Aos 23 anos, o goleiro é um dos destaques da campanha do Barcelona em sua primeira participação na Série A do estadual. Na quarta rodada, Deijair pegou pênalti cobrado pelo atacante Neto Baiano, da Juazeirense, e garantiu a vitória do Barça.

Perguntamos como foi a repercussão da defesa entre os colegas de clube. “Foi bem tranquila. Alguns já me conhecem e sabiam que eu pegava pênalti desde a base do Bahia e também durante os treinamentos”, respondeu.

“MUITO FOCO E PÉS NO CHÃO”

Nascido em Salvador, Deijar formou-se na base do Bahia e hoje mora em Itacaré, no sul do estado. Antes do Barça, jogou pela Juazeirense, Moura AC (clube de Portugal), União Barbarense (SP), Unirb e Parauapebas (PA). Ao PIMENTA, ele falou como o elenco encara a possibilidade de levar o Barcelona às semifinais do Baianão.

– Estamos muito focados. Sabemos que faltam três jogos e muitas coisas podem acontecer se baixarmos a guarda. Estamos muito contentes com nosso desempenho, mas sabemos que ainda não garantimos nada. Temos que ter muito foco e pés no chão -.

Jabes Ribeiro fala ao PIMENTA sobre montagem da chapa governista para a eleição estadual
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O secretário-geral do PP na Bahia, Jabes Ribeiro, diz que não há nada definido para a formação da chapa majoritária do grupo governista para a disputa do Palácio de Ondina e da vaga no Senado. Nesta entrevista ao PIMENTA, ele fala sobre as cartas que estão na mesa de discussão da base do governador Rui Costa (PT).

Com 69 anos de idade e quatro décadas na vida política, Jabes está em Salvador, onde participa ativamente das articulações do Progressistas. Por telefone, ele também falou ao site das movimentações do partido no sul da Bahia, especialmente em Ilhéus, município que governou por quatro mandatos (1983-1988; 1997-2000; 2001-2004; e 2013-2016).

Segundo o ex-prefeito, o Progressistas terá candidatos a deputado em todas as grandes cidades baianas, inclusive em Ilhéus e Itabuna. A montagem das chapas proporcionais é outro tema da entrevista.

Jabes também comenta a possibilidade de Rui Costa deixar o comando do governo estadual para disputar as eleições deste ano. Leia.

PIMENTAAs informações sobre a formação da chapa majoritária indicam dificuldade para essa equação. Só há uma vaga para o Senado e, naturalmente, uma vaga para a cabeça da chapa. O senador Otto Alencar pretende a reeleição. O senador Jaques Wagner é o pré-candidato do PT a governador. Qual será o papel do PP no arranjo da aliança? Há mesmo dificuldade para fechar essa conta?

Jabes Ribeiro – Primeiro, uma preliminar. Há esforço e interesse em garantir a unidade da base aliada. Esse fator é fundamental para conseguirmos o nosso objetivo, que é ganhar as eleições e garantir a manutenção do nosso projeto. Projeto, inclusive, que tem tido aceitação popular. Veja aí a aprovação que o governador Rui Costa tem em todo o estado. Esse é o nosso objetivo número um: preservar a unidade da base aliada.

Ponto dois. Pelo que sei – e tenho participado de todas as conversas que envolvem o PP -, não há nada definido em relação à chapa [majoritária]. Não há definição em relação a nada. Tudo é expectativa. O PT, por exemplo, apoia o nome do senador Wagner. Já o nosso partido propõe que o candidato a governador seja o vice-governador João Leão. Ouço que o PSD desejaria ter o senador Otto Alencar candidato à reeleição. No entanto, nada disso está fechado. Tudo ainda é motivo de conversas.

O que posso lhe garantir, no caso do nosso partido, é o seguinte: Leão não pode mais ser candidato a vice-governador. Ele está impedido por conta da legislação eleitoral vigente. Se não pode ser vice, só tem duas possibilidades: ser candidato a governador ou a senador. Ora, se todos desejam garantir a unidade da base, é preciso que todos tenham a compreensão de que Leão não pode ser vice.

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Leão não pode mais ser candidato a vice-governador. Ele está impedido por conta da legislação eleitoral vigente. Se não pode ser vice, só tem duas possibilidades: ser candidato a governador ou a senador.

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A manutenção da unidade é mesmo um desejo de todos os partidos da base?

Creio que sim. Todos nós ajudamos a ganhar as últimas eleições e ajudamos a governar. A experiência de Wagner, Otto Alencar e João Leão é indiscutível. Todos têm compromisso com a Bahia e com a preservação do projeto que tem sido implementado no estado. No nosso caso, não há uma posição intransigente. Por exemplo: se Leão diz: – o que não é o caso –  “Sou candidato a governador e não abro mão!”, isso não é fazer política. Isso não é querer unidade. Da mesma forma, se Otto Alencar afirma: “Sou candidato a senador e não abro mão pra ninguém!”, isso também não é lógico; nem acredito nessa visão por parte de Otto, que tem experiência.

Creio que esse jogo, essa equação, melhor dizendo, essa equação está sendo montada e montada de forma competente, porque tem na liderança dessa montagem a figura de Jaques Wagner, um homem treinado, acostumado a fazer articulação política. Ele é o grande construtor desse projeto, que começou em 2006. De nossa parte, não tem problema, há uma questão legal: João não pode ser vice. Se pudesse, tudo estaria resolvido.

A possibilidade de o governador Rui Costa se afastar do cargo e, consequentemente, de João Leão assumir o governo seria um caminho para fechar essa equação?

Veja. Nós não trabalhamos, dentro da negociação da chapa, com esse ponto. Ela pode ocorrer sim, depende do governador. É natural até que ela possa acontecer. O governador tem sete anos e quase dois meses à frente do estado, com uma administração exitosa, bem avaliada pela população. Ninguém pode obrigar o governador e dizer: “Você não vai ser candidato a nada. Vai ficar sem mandato.” Isso seria absolutamente insensato. Não teria lógica. Se ele disser:  “Eu quero ter mandato” – e ele ainda tem tempo para decidir -, é algo absolutamente legítimo. Creio que todos compreenderão isso, tanto o PSD, como o PP e os demais partidos da base.

Portanto, há uma situação a decidir e nós não temos porta fechada pra nada. Não depende de nós, essa é uma decisão do governador. Nós estamos dispostos a colocar na mesa essa questão e discuti-la. Não há nenhum dificuldade de nossa parte. Como você está vendo, o PP não é problema. O PP é solução. Seja qual for a possibilidade, estamos dispostos a discutir.

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O PP não é problema. O PP é solução. Seja qual for a possibilidade, estamos dispostos a discutir. Há apenas uma questão. O nosso nome para essa equação chama-se João Leão.

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Há apenas uma questão. O nosso nome para essa equação chama-se João Leão. Existem nomes valorosos no PP. Temos uma bancada de dez [deputados] estaduais e quatro federais. Temos prefeitos, ex-prefeitos, deputados, lideranças importantes, mas, dentro desse cenário, neste instante, o nome que temos para essa montagem, essa equação, é João Leão, que é unanimidade no PP por tudo que representa. Foi cinco vezes deputado federal, prefeito de Lauro de Freitas, vice-governador por dois mandatos, tem experiência administrativa, é secretário de estado. É um nome que contribui com o projeto de todos da base aliada.

O partido terá candidato em Ilhéus e Itabuna para as eleições proporcionais?

A executiva estadual definiu uma proposta no sentido de que, nas grandes cidades do estado onde o partido está presente – e está presente em todas -, devemos participar ativamente do processo eleitoral. Você faz política, articula, organiza, mas, na verdade, as eleições definem o poder político, seja no plano estadual, federal ou municipal. Por se tratar de uma eleição nacional, em que você tem a necessidade de eleger deputados federais, estaduais e senadores, essa situação faz com que o partido estimule seus quadros.

Ilhéus e Itabuna são duas cidades extremamente importantes para o partido. Trabalhamos para que essas cidades participem também do processo eleitoral para fortalecer o partido, para elegermos uma boa bancada federal, uma boa bancada de deputados estaduais. Por Ilhéus, posso garantir, teremos deputado federal ou estadual. Estamos discutindo. Também pretendemos que aconteça isso em Itabuna, Conquista, Feira.

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Por Ilhéus, posso garantir, teremos deputado federal ou estadual. Estamos discutindo. Também pretendemos que aconteça isso em Itabuna, Conquista, Feira.

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O nome em Ilhéus é o do ex-vice-prefeito Cacá Colchões, presidente municipal do Progressistas?

É o nome natural. O nome de Cacá é o natural pelo que ele representa, uma liderança importante do partido em Ilhéus, mas estamos discutindo.

Quais são os critérios para definir se a candidatura em Ilhéus será a deputado federal ou estadual?

Depende muito. Vamos analisar a seguinte situação. Em 2018, trazendo um pouco de memória, Cacá era candidato a federal. Em determinado momento do processo, ainda antes das convenções – claro-, houve um movimento em Ilhéus que levou o partido local a decidir que seria melhor que Cacá saísse a estadual. Seria candidato a federal, originariamente, mas houve um movimento político que levou o partido à avaliação de que seria melhor Cacá sair a estadual. Isso foi conversado com a executiva estadual e foi batido o martelo.

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Cacá foi o [candidato a] deputado mais votado de Ilhéus naquela oportunidade, mais votado na cidade. Mais votado entre todos os estaduais e federais. Não se elegeu, não é uma eleição simples, você sabe disso, mas saiu muito bem avaliado na cidade.

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Cacá foi o [candidato a] deputado mais votado de Ilhéus naquela oportunidade, mais votado na cidade. Mais votado entre todos os estaduais e federais. Não se elegeu, não é uma eleição simples, você sabe disso, mas saiu muito bem avaliado na cidade. Todas essas questões são objeto de análise. Estamos em 2022. Qual é o melhor caminho: termos uma candidatura do Progressistas a estadual ou a federal? O ideal seria que tivéssemos as duas, mas não é assim. As coisas não são exatamente como a gente deseja. No entanto, a recomendação da [executiva] estadual é que tenhamos candidato a federal ou a estadual. Analisamos uma série de elementos, de vetores, para saber como o partido vai participar desse projeto.

Repito: o nome natural é o de Cacá, mas, se por qualquer razão, Cacá não puder ou não tiver interesse de participar, vamos ter outro. O que posso acrescentar é o seguinte. Se Cacá não puder participar por uma decisão pessoal – repito: ele é o candidato natural, tem a prioridade -, queremos lançar uma mulher. Se você me perguntar qual, não vou lhe dizer agora. Não posso. Mas, certamente, seria algo muito importante pra cidade.

MC Jef Rodriguez comenta músicas de Spiritual, seu 1º disco solo || Foto Alice Magalhães
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O MC Jef Rodriguez, da banda OQuadro, lançou Spiritual, seu primeiro disco solo, que está disponível em todas as plataformas da internet. Nesta entrevista ao PIMENTA, o músico nascido em Banco Central, distrito de Ilhéus, no sul da Bahia, fala sobre processo criativo, infância na zona rural, origem familiar, racismo, política e parcerias na produção do álbum. Leia.

PIMENTAComo surgiu a ideia de fazer o trabalho solo?

JEF RODRIGUEZ – As pessoas já me falavam há um tempo: “Quando é que você vai lançar uma parada sua?”; “Fico curioso de ver”; “Gosto das coisas que você escreve”; “Você escreve de uma maneira diferente”. Não me via nesse lugar. Não escrevia em quantidade. Sempre escrevia com OQuadro, chamando um parceiro pra fazer a parte dele e vice e versa. Meus parceiros Rans, Freeza e Rico me traziam coisas nesse jogo de construção coletiva. Pintou essa oportunidade com a Lei Aldir Blanc na Bahia.  Minha amiga Márcia falou: “A hora de gravar e produzir uma coisa é agora!”. Marcia Espíndola, da Mochi Filmes, que é uma amiga há muito tempo. Eu falei: “Como assim, Marcia?”; e ela disse: “Rapaz, me dê só seus documentos e eu vou achar alguém para escrever [o projeto] pra você, não quero que você perca essa oportunidade, sei que você já tem um monte de coisa aí sobrando. Inscreve na categoria EP. Você tem que ter um produto seu. Eu falei: “Então tá bom!” Mandei os documentos, e ela articulou pra alguém escrever e fluiu. Eu me vi maluquíssimo, porque eu fui pro estúdio com OQuadro pra escrever e saía para produzir o meu. Foi assim num intervalo de dias. Não foi uma coisa que eu planejei a minha vida inteira. As pessoas chegaram até mim e construíram essa ideia na minha cabeça. São sinais da caminhada.

Você falou ao PIMENTA de como o cuidado com a escrita é uma característica d’OQuadro que, inevitavelmente, influenciou o disco solo – e isso é algo que podemos atestar. Como percebe a evolução do seu processo criativo ao longo desses 20 anos?

Tenho praticado cada vez mais e estou me permitindo escrever de outras formas. De repente, chegar com papel e caneta aqui e deixar fluir o que a própria caneta e o papel querem dizer, como um processo terapêutico, um exercício, até para perder o controle e vê o resultado. Depois, naturalmente, você olha, faz um processo seletivo e organiza de outra forma no papel. Mas, veja, eu tenho uma oficina de escrita toda quarta-feira à tarde. Tem um grupo de WhatsApp, organizado por mim e por um amigo, Telto. A gente tem uma oficina de rima e poesia. É uma oficina de escrita livre, com intenção poética, mas a própria concepção de poesia é tão aberta que não pode ser engessada num lugar. Toda prática vai te levar a aprimorar um pouco mais. O que eu mais quero é ter grande quantidade de coisas escritas. Essa é uma busca, porque é uma coisa que eu não tinha muito. Eu sempre demorei muito pra escrever, no primeiro e no segundo discos d’Oquadro.  Sobre a qualidade, eu prefiro que a avaliação seja das pessoas. Não sei o quanto é bom, o quanto não é. Eu sei o que fala comigo, o quanto é honesto na entrega. De repente, se você mostrar isso para Kendrick Lamar, ele vai dizer assim: “Ah, mais ou menos”. É sobre isso. Quero fazer cada vez melhor e poder explorar novas estéticas. A palavra, o som e o posicionamento político não divergem tanto. A estética e a política não são coisas tão separadas. Essa é uma perspectiva muito aristotélica, de colocar as coisas em gavetas, mas as coisas estão conectadas. Quando você escolhe as cores para um bloco-afro, por exemplo, isso já um posicionamento político. Se eu não percebo o significado daquela marca na minha roupa, isso mostra o quanto estou alheio ao processo, enfim, é complexo.

Aproveitando que você entrou na discussão política, vamos falar de Aboio. Quem fez a música com você e quais foram os dados da realidade atual que inspiraram o tema?

O Brasil funciona a partir da perspectiva de uma elite que quer se manter no poder olhando para o país como o seu quintal

Todos os dados do momento. Quem participa primeiro é CT. Ele é MC e faz parte de um grupo chamado Caixa Baixa, de Niterói, e do 1kilo, que é um grupo muito famoso. Estourou no Brasil inteiro com a música “Deixe-me ir”, milhões e milhões de visualizações. Ele é um dos compositores dessa faixa – deve viver de royalty até hoje, é meu amigo, hein. Também participou Rone DumDum Afolabi, que é membro do Opanijé, um dos grupos mais importantes da história do rap nacional. Opanijé não é o grupo mais conhecido, mas é um dos mais importantes, estética e politicamente. Eles são Os Tincoãs do rap brasileiro.

Essa música [Aboio] nasce assim: CT tinha uma letra e sempre frequentou minha casa, sabe como eu escrevo. Ele queria uma participação minha no Caixa Baixa. A gente chegou a escrever pro Caixa Baixa, mas não deu muito certo. O grupo estava indo em outra direção. A gente acabou fazendo outras músicas. Essa aí ficou meio paradona, sobrando e eu falei: “Quero pra mim”. A gente ouviu uns beats de Bidu, um amigo de Niterói, que é um beatmaker muito talentoso. Eu trouxe o beat pra Rafa [Dias]. Ele reorganizou da maneira dele. A gente deu umas ideias, inclusive a de colocar o sample de aboio.

Esse pensamento colonial persiste no Brasil. Bolsonaro é só a cereja no bolo desse processo inteiro. A gente está vivendo o ápice e a faceta mais descarada desse processo.

“Aboio” fala de um processo alienante do Brasil, que não é de agora, é histórico. O Brasil funciona a partir da perspectiva de uma elite que quer se manter no poder olhando para o país como o seu quintal. E todas as pessoas que estão ali têm que ser servis a esse modelo. Tudo tem que caminhar na direção dessas pessoas, que são herdeiras dos colonizadores. Esse pensamento colonial persiste no Brasil. Bolsonaro é só a cereja no bolo desse processo inteiro. A gente está vivendo o ápice e a faceta mais descarada desse processo. Quando você diminui o poder do Estado para fortalecer a iniciativa privada, uma parte importante do controle social fica na mão dessas pessoas. Ainda tem a militarização e o papel das religiões nisso. É um processo alienante em dimensões que a gente não consegue nem contar. São camadas e camadas históricas que a gente não consegue desconstruir. A própria escola contribui para que isso aconteça, por mais que os professores tentem fazer alguma coisa. A estrutura escolar pública não é nada diante das questões sociais brasileiras e de uma questão racial que não se resolve nunca – e não há a intenção de resolver isso. Inclusive, teve uma fala de Lula na última entrevista dele. Por mais que exista boa intenção por parte de algumas camadas da esquerda, a própria esquerda não sabe lidar com isso. Então, a gente é meio gado mesmo.

Você fala da entrevista com Mano Brown?

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Valderico Junior: só Deus pode evitar candidatura de Neto ao governo estadual || Foto Nadson Carvalho
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Pesquisas eleitorais desenham cenário favorável a ACM Neto na corrida para o Palácio de Ondina. Apesar disso, há quem levante a hipótese de o presidente nacional do DEM não ser candidato a governador da Bahia em 2022, escolhendo candidatura ao Senado.

Entrevistado hoje (13) pelo PIMENTA, o presidente do DEM-Ilhéus, Valderico Junior, disse que essa possibilidade é nula. Na verdade, segundo ele, Neto só não será candidato a governador se essa for a vontade de Deus.

O ex-prefeito de Salvador chegará ao sul da Bahia nesta quinta-feira (16). Na entrevista abaixo, Valderico Junior fala da repercussão do anúncio da visita de Neto à região e explica a ausência do vice-prefeito de Itabuna, Enderson Guinho (DEM), na reunião que vereadores itabunenses tiveram com o líder democrata na capital baiana. Também comenta o próprio futuro político e a possibilidade de disputar o pleito de 2022. Confira.

PIMENTA – Como foi a reação da cena política regional ao anúncio da visita de ACM Neto ao sul da Bahia?

VALDERICO JUNIOR – A gente fica feliz de ver a receptividade ao nosso futuro governador – nós estamos trabalhando, diuturnamente, para que isso possa acontecer. A gente vê o povo querendo a mudança. Em 2022, termina um ciclo de governos de 16 anos e começa uma nova etapa na Bahia. Tem sido uma resposta muito positiva. Eu vejo um crescimento gigantesco. O nome de Neto tem muito apelo popular, pela história do avô e pela administração dele na Prefeitura de Salvador, o melhor prefeito do Brasil.

Há quem diga que existe a possibilidade de Neto não ser candidato a governador. Você acredita nessa possibilidade?

Só se Deus não quiser. Acho que só Ele pode fazer isso hoje, pelo jeito que o povo tem a vontade que Neto seja nosso governador e pela vontade que vejo nele, discutindo todos os assuntos que interessam à Bahia. Neto tem sido participativo, tem buscado, tem lutado, tem feito alianças importantes. É nula a opção de ele não ser candidato a governador em 2022.

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A gente está fazendo um projeto com total transparência, sem vaidades.

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Repercutiu na imprensa a ausência do vice-prefeito Enderson Guinho numa reunião recente. Houve algum mal-entendido? Como está a relação com Guinho?

É uma relação boa. Guinho é um jovem promissor da nossa região. Eu não tenho dúvidas do trabalho que ele vem fazendo, buscando essa representatividade no município de Itabuna. Ganha o partido, ganha o sul da Bahia, com mais um grande líder. Ele tem feito um trabalho bacana e comprou a briga do Democrata. O que aconteceu foi que eu estive na Câmara de Vereadores de Itabuna e fui comunicado do interesse dos vereadores de estarem com Neto, inclusive antes da possibilidade de Neto estar aqui. Isso foi na quarta [8] e na quinta-feira [9] eu tinha agenda em Salvador. A bancada de vereadores que ia era maior, mas foi um tiro muito curto, a gente conseguiu um furo na agenda de Neto e a agenda acabou impossibilitando a presença de Guinho. No outro dia, os vereadores se reuniram com Guinho – o que foi uma proposta feita por mim. Não tem rachadura. A gente está fazendo um projeto com total transparência, sem vaidades. Eu tinha um espaço na agenda de Neto e cedi para que os vereadores pudessem estar lá e adiantar essa aproximação.

Você já disse que pensa mais no futuro, em 2024, do que nas eleições do próximo ano. Hoje, a possibilidade de ser candidato em 2022 parece mais real?

Eu quero trabalhar para que a gente possa ter força na nossa região. Quero trabalhar para que a região possa ser respeitada politicamente. Farei o que puder fazer para que isso ocorra. Candidatura foi uma coisa que eu pensei muito em 2020, quando saí candidato a prefeito de Ilhéus. Nós tivemos do 0 a quase 21 mil votos. Ficamos em 2º lugar, trilhando um caminho natural para 2024 – claro que depende muito do nosso trabalho, da atenção que a gente der a isso.

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Nós tivemos do 0 a quase 21 mil votos. Ficamos em 2º lugar, trilhando um caminho natural para 2024 – claro que depende muito do nosso trabalho, da atenção que a gente der a isso.

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Nós estamos conscientes desse processo, mas sou um cara de grupo. Eu estou aprendendo com erros e acertos. Se o partido entender que seja necessária a nossa candidatura para 2022, a gente tem que estudar. Eu não entraria para compor legenda, simplesmente. Não é meu perfil, procuro não ser assim na minha vida. Paralelo a isso, se a gente estudar que existe viabilidade eleitoral e o partido entender que isso deve ser feito, eu (sic) à disposição. Eu discuto isso com os deputados da nossa base, Pedro Tavares, Leur Lomanto [Júnior] e outros deputados que nos apoiaram na campanha, falo dos deputados do Democratas. O presidente [estadual do DEM] Paulo Azi conversa comigo [sobre a candidatura] e ACM Neto pediu essa pré-disposição.

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Eu consegui viabilizar uma visita de ACM Neto na Lagoa Encantada, pra gente falar do potencial turístico da Lagoa. Eu sou apaixonado pela Lagoa Encantada.

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Como será a agenda de Neto no sul da Bahia?

Ele vai chegar entre 9h e 9h30min, a gente vai ter a coletiva já no aeroporto. Às 10h, nós vamos para a Faculdade de Ilhéus, onde teremos um bate-papo – eu digo bate-papo porque é uma coisa leve, não é debate – com alguns segmentos da cidade, do turismo, do cacau, CDL, Polo Industrial, 2 horas de bate-papo. Eu consegui viabilizar uma visita de ACM Neto na Lagoa Encantada, pra gente falar do potencial turístico da Lagoa. Eu sou apaixonado pela Lagoa Encantada. Eu não tenho dúvida que vai ser um momento histórico. Depois iremos a Uruçuca, onde cumpriremos agenda com o prefeito Moacyr. Na sexta-feira, a gente vai conhecer o projeto do vereador Fabrício Pancadinha em Itabuna e seguir para o aniversário de Buerarema.

Rilson Dantas na capa de "Incansável correnteza de ilusões" || Arte de Arlécio Araújo
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O músico itabunense Rilson Dantas, 34 anos, vai lançar seu primeiro EP, Incansável Correnteza de Ilusões, na noite desta sexta-feira (3), em live no Instagram (@rilson_dantas), a partir das 20h.

Na entrevista abaixo, concedida hoje (2) ao PIMENTA, o filósofo, professor de Inglês e cartomante faz uma retrospectiva da sua persona musical, gestada num ambiente familiar que tinha a música como protagonista.

Também fala da produção do EP e reflete sobre o significado da sua relação com a música. No fim da conversa, Rilson Dantas diz o que sente em meio à expectativa para a retomada dos shows presenciais, após o avanço da vacinação contra a Covid-19. Confira.

PIMENTAComo foi o começo da sua relação com a música?

RILSON DANTAS – Eu cresci num ambiente musical. Meu pai toca. Som Bossa é o nome artístico dele. Ele trabalhava como servidor público, agora está aposentado, e também tocava à noite. Tocava bossa nova, samba. Eu cresci nesse ambiente musical. Minha mãe não tocava, mas ela ouvia muito. Meu irmão é guitarrista. Aí a gente vai sendo meio condicionado por aquele contato. Eu já ouvia música desde criança. Aquela velha história: eu cantava ali, fazia uma apresentação ou outra. Era “coagido” a fazer parte. Minha relação com a música se deu nesse lugar.

Seu pai toca no disco?

Não, ele não participou. A gente fica amarrando pra começar alguma coisa junto, sabe? O perfeccionismo não deixa, fica aquela coisa toda, ele não participa. O disco tem dois músicos, um cara que toca bateria, e o outro que faz todos os arranjos. Eu ia solfejando, cantando pra ele e dizendo: “Ah, quero que seja assim”.

Quais são os nomes deles?

Gabriel e Adilson Vieira. Eu faço uma ressalva: a música Invisível foi produzida pelo [estúdio] Canoa Sonora, do meu querido Ismera, que toca guitarra e também mixou.

Você consegue definir os gêneros pelos quais o EP transita?

Ele passa ali no grunge, pop, pop rock. Quando fico na dúvida sobre qual é o estilo, chamo de música alternativa. Mas, eu diria que grunge e pop são os lugares que ele passa, pela questão estética mesmo. Tem umas guitarras mais roncadas. A voz tem um pouquinho de drive, tem uns berros. E também pela parte melódica, estrutural mesmo.

Você falou que o EP é a primeira oportunidade de contar uma história, no sentido de que as músicas têm uma sequência. Antes, você gravou quantos singles?

Gravei quatro músicas, todas autorais. Lancei também uma parceria com um cantor chamado André Azevedo e gravei uma música dele também. Até então, foram quatro singles, sendo um deles em inglês.

O EP tem música em inglês?

Vai entrar essa música que já lancei, chamada Disrespect. A galera gostou muito, se identificou bastante. Eu achei interessante [a recepção do público], porque quando lancei, eu disse: “Vou lançar essa música só pra mim mesmo, porque eu gosto e ela tem um significado pra mim”. E a galera se amarrou. Eu também pensei: “Gravando em inglês aqui no Brasil…”. Tem sempre essa questão, por mais que eu goste de várias bandas que gravam em inglês, tinha essa questão da distância da linguagem. Enfim, vai entrar no EP numa versão acústica, só com violão e piano.

Você pode falar do significado especial que essa música tem para você?

Eu a escrevi em 2008, por aí. Foi a primeira música em inglês que escrevi. Eu ainda tava caminhando – eu estou caminhando ainda -, mas já estava começando a pensar em algo maior: “Quero trabalhar com música, de repente, um dia”. Eu senti uma satisfação muito grande por ter escrito em outra língua e porque eu considerava a relação que me inspirou essa música uma amizade tóxica, que acabou. Então eu senti dando um passo. É estranho falar sobre, mas é esse o significado que ela tem.

Um psicanalista poderia dizer que foi uma forma de elaboração.

Ave Maria! E pior que foi isso mesmo. É engraçado, porque as minhas músicas – isso acontece comigo – elas têm esse significado. Não só as músicas, as outras coisas que escrevo, aleatório (meus alunos que gostam dessa palavra: aleatório; já peguei com eles), eu consigo elaborar. Tem música que gravei para esse EP e falei: “Putz! Eu tô me repetindo, velho, já passei por isso. Eu acho que consigo me livrar dessa situação. Acho que agora já consigo entender melhor. Tem uma elaboração aí. Tem uma questão psicológica envolvida. E autossatisfação também, né?!

Como está a retomada dos shows? Os bares e o mercado, de uma forma geral, já estão solicitando?

Estão. É engraçado, porque estou apreensivo. Não pela questão da pausa, porque mesmo com a pausa, já me apresentei. É pela situação. As pessoas estão convidando há um bom tempo. Estou sempre falando da vacina, da pandemia. Estou mais apreensivo por conta da situação. A minha mente ansiosa é complicada. Às vezes, fico pensando que a gente está procurando ganhar dinheiro e divertimento no meio do Apocalipse. A ansiedade talvez seja por conta da situação, não pelo mercado. Eu penso que barzinho é para ganhar dinheiro. Eu me sinto um produto, um disco, alguém ali tocando, mas raramente eu sou a atração daquele lugar, exceto quando o bar é musical mesmo, onde a música ganha relevância. No geral, a gente está só ali tocando, com um ou outra pessoa prestando atenção. Eu sinto saudade dos eventos que produzia antes, que eram tributos a artistas, um sarau, porque eu conseguia tocar minhas músicas autorais e me sentia escrevendo uma história. É diferente de estar ali no bar reproduzindo. São dois lugares bem diferentes.

Ouça a música “Me deixe aqui”, faixa de Incansável correnteza de ilusões.

Presidente fala contra aumento do fundo eleitoral, mas titubeia ao não garantir veto
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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) concedeu entrevista exclusiva à Rádio Nacional da Amazônia, nesta segunda-feira (19), e falou sobre o seu estado de saúde. Na semana passada, ele ficou 4 dias internado no Hospital Vila Nova Star, na cidade de São Paulo, após o agravamento de uma crise de obstrução intestinal.

“Eu estou bem, 100%”, garantiu Bolsonaro. “Estou bem e vou cumprir essa missão até o último dia”, acrescentou, referindo-se ao mandato presidencial.

O SINAL TITUBEANTE DE VETO AO “FUNDÃO”

O Congresso aprovou o aumento do fundo eleitoral de R$ 1,7 bilhão para R$ 5,7 bilhões. Agora, cabe ao presidente da República decidir se veta ou sanciona a proposta, que, no meio político, recebeu o singelo apelido de “fundão”.

Os dois filhos do presidente com assentos no Congresso, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), votaram a favor do aumento. Na entrevista de ontem, Jair sinalizou que tende a vetar o novo fundão. “A tendência nossa é não sancionar isso daí em respeito aos trabalhadores, ao contribuinte brasileiro”, disse.

Para quem se acostumou com a ênfase empregada por Bolsonaro na defesa das suas convicções políticas, a exemplo das loas à ditatura militar, a fala do presidente contra o o reajuste generoso do fundo eleitoral soou titubeante. Confira a entrevista.