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A Agência de Desenvolvimento Regional Sul da Bahia (ADR) lançou o documento Educação, Cacau e Turismo, que reúne propostas de ação para o Governo do Estado no Território Litoral Sul, com metas para o período 2023-2026. O lançamento reuniu representantes das instituições que compõem o conselho gestor da agência, nesta quinta-feira (11), em solenidade no Campus Jorge Amado, da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), em Ilhéus.

Ao PIMENTA, a reitora Joana Guimarães explicou que a UFSB integra o conselho gestor da agência e colaborou desde o início para a sua concepção e concretização.

“Esse evento traz, exatamente, a perspectiva da transformação da agência numa realidade: ela existe, está aqui e já começou a atuar no território”, acrescentou a reitora, antes de subir ao palco da cerimônia para ler a Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito, gesto que seria repetido pelo reitor Alessandro Fernandes de Santana, da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), que também faz parte de todo o projeto da ADR.

Claudiana Figueiredo fala no lançamento de propostas da ADR || Foto Pimenta

A coordenadora regional do Sebrae, Claudiana Figueiredo, disse à reportagem que a ADR é fruto de discussões iniciadas em 2016, no âmbito do Programa Líder. Agora, os esforços do grupo de trabalho se voltam para a interlocução política, dirigindo-se aos candidatos ao Governo da Bahia. “Para que a agência consiga implementar os projetos e planos contidos nessa discussão, é necessário que a gente tenha participação ativa do poder público”, resumiu.

EDUCAÇÃO

Presidente interino da ADR, Ricardo Gomes explicou que as propostas para o Litoral Sul se concentraram nos temas Educação, Cacau e Turismo, mas eles não encerram o debate do desenvolvimento regional, antes lhe dão um ponto de partida conectado com as vocações do território.

Ricardo Gomes: documento da ADR é ponto de partida || Foto Pimenta

O documento da agência aponta que, em 2019, a Bahia ficou nas últimas posições do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), ocupando o 22º lugar no ensino fundamental 1, o 24º no ensino fundamental 2 e o 25º no ensino médio.

Para superar essa realidade, segundo o documento, o estado deve aprimorar seu regime de colaboração com os municípios; reformular e customizar a educação básica; e expandir a oferta de ensino integral de 4,3% para 50% da rede até 2026. Também propõe a criação de um programa estadual de primeira infância e a transversalidade no ensino profissionalizante.

Com isso, a agência estima que a rede de ensino público da Bahia saltará para as 15 primeiras posições em todos os níveis de ensino e aumentará em, pelo menos, 20% a taxa de conclusão do ensino médio até os 19 anos.

CACAU

Segundo o diagnóstico da agência, no Litoral Sul, 69 mil famílias vivem, de forma direta e indireta, da produção cacaueira, com renda média mensal de apenas R$ 1.440,00. Já a produtividade média anual da lavoura é de 270 quilos por hectare, enquanto o Produto Interno Bruto primário da cadeia do cacau é de R$ 1,7 bilhão.

O documento que será entregue aos candidatos a governador aponta três eixos prioritários de atuação: políticas públicas estruturantes para o fortalecimento da cadeia cacau-chocolate; acesso a crédito e assistência técnica de qualidade; e posicionamento da marca do cacau da Bahia.

Os impactos dessas medidas devem elevar em 30% a renda média daquelas 69 mil famílias e em 95% a produtividade média da lavoura, chegando a 525 quilos por hectare ao ano. A agência também prevê incremento de R$ 2,7 bilhão ao ano na receita tributária estadual e aumento de R$ 1,6 bilhão no valor bruto da produção dos segmentos ligados à cacauicultura.

TURISMO

Já as ações do governo baiano para o turismo regional, na avaliação da ADR, deve ter como prioridades o investimento em infraestrutura básica e turística; a preservação e recuperação do patrimônio histórico, cultural e natural; a qualificação da mão de obra; e o uso eficiente das tecnologias da informação.

Essas iniciativas devem resultar no aumento do fluxo e da permanência de turistas no Litoral Sul, bem como no incremento do gasto médio por visitante. Também é esperada a elevação da arrecadação tributária das chamadas ACTs, sigla para Atividades Características do Turismo.

Além da UFSB e da UESC, integram o conselho gestor da Agência de Desenvolvimento Sul da Bahia o Sebrae; o Instituto Arapyaú; o Instituto Humanize; o Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia; a Associação dos Municípios do Sul, Extremo Sul e Sudoeste Baiano (Amurc); e o Movimento Sul da Bahia Global. Clique aqui para ver a íntegra das propostas aos candidatos ao Governo da Bahia.

Rubens, Fabio e Edvaldo, agricultores de Ibirapitanga || AnaLee
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Dois anos após o início das atividades, a Muká, plataforma de fortalecimento da agricultura camponesa e agroecológica, apresenta dados de avaliações dos beneficiários no relatório “Do solo ao prato”. Correalizada pela Tabôa Fortalecimento Comunitário, Rede de Agroecologia Povos da Mata e Instituto Ibi de Agroecologia (Ibiá), a plataforma acompanha, até o momento, a produção de 232 agricultores na Bahia, além da criação e legalização de 20 agroindústrias e a concessão de crédito para 134 produtores individuais ou grupos, totalizando R$ 893 mil concedidos.

A Muká aposta, também, na capacitação contínua da base produtiva – com cerca 780 produtores participantes das oficinas – e no acompanhamento técnico, o que é um diferencial para viabilizar a produção de alimentos produzidos sem agrotóxicos, assim como o cacau e o chocolate de qualidade.

RELATÓRIO DO PRIMEIRO BIÊNIO

Dados do relatório refletem o impacto na produção das famílias agricultoras acompanhadas pela plataforma. Um exemplo é o salto no número de produtores de cacau de qualidade de 17 para 44, resultado do financiamento de estruturas de beneficiamento de cacau por meio do crédito e, ao mesmo tempo, do acompanhamento técnico para uso da estrutura e comercialização.

Outro dado significativo é o volume de produção, que subiu de 477 arrobas em 2018 para 777 em 2020, apesar da produção geral deste último ano ter diminuído devido a fatores climáticos, como o excesso de chuva.

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