Atayne comemora os resultados obtidos com o modelo de crédito rural || Foto Patrícia Cançado/Divulgação
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Lívia Cabral

Os resultados positivos colhidos após o primeiro ano de implantação do CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) Sustentável no Sul da Bahia vêm chamando a atenção da mídia em todo o país. Veículos de abrangência nacional como o programa Globo Rural, da TV Globo, os jornal Estadão e Valor Econômico, a revista Globo Rural On-line e o site especializado Capital Reset destacaram o incremento de quase 40% na renda dos pequenos agricultores que já acessaram o crédito, além da taxa de inadimplência próxima a zero e incentivo a práticas sustentáveis na cadeia do cacau.

Modelo inédito no Brasil, o CRA Sustentável combina capital de mercado com filantropia e foi concebido em parceria pela ONG Tabôa, os institutos Arapyaú e humanize e o Grupo Gaia. Em sua primeira rodada, o CRA beneficiou 184 famílias – 578 pessoas – que trabalham com cacau associado a outros cultivos em sistema agroflorestal no Sul da Bahia, como a agricultora Atayne Santos, de 21 anos.

Nos quatro hectares no Assentamento Dois Riachões, município de Ibirapitanga, Atayne investiu o valor obtido através do CRA na produção de cacau, hortaliças, banana da terra e da prata, mandioca, cravo e na criação de galinhas. Ao todo, sua produção gerou 240% de aumento de renda no último ano. “A diversidade do que produzo no campo primeiro abastece a mesa da minha família, garantindo alimentação de qualidade”, explica a jovem. O excedente é comercializado e, assim, as produções de ciclo curto geram renda durante todo o ano, enquanto o cacau não fica pronto para venda.

Modelo de crédito foi destaque na edição do Estadão desta quinta-feira (15) || Reprodução

CRÉDITO E FORMAÇÃO

Boa parte dos que acessaram os recursos nunca havia tomado crédito antes. “O CRA não foi feito para substituir as políticas públicas de financiamento rural, mas, sim como uma demonstração de que é possível criar processos mais inclusivos e simplificados de acesso ao crédito e ao mesmo tempo garantir baixa inadimplência”, afirma Roberto Vilela, diretor-executivo da Tabôa, que oferece crédito e formação a pequenos empreendedores e agricultores, fortalecimento de organizações de base comunitária e apoio a projetos socioambientais.

O objetivo da criação do CRA Sustentável é justamente melhorar a qualidade de vida dos agricultores familiares por meio do aumento de renda e do incentivo à adoção de métodos de agricultura de baixo impacto ambiental, a exemplo das práticas agroecológicas. Para isso, a Tabôa oferece, junto com o crédito, assistência técnica especializada (1 técnico para cada 60 agricultores), que permite o acompanhamento próximo para o uso correto dos recursos.

Para acessar o crédito, os produtores se comprometeram a não ter trabalho infantil e a preservar áreas de proteção permanente, como beira de rios e córregos, encostas e nascentes. Todos os agricultores produzem o cacau no sistema cabruca, em que o fruto é cultivado à sombra das árvores, mantendo a Mata Atlântica em pé.

CABRUCA E CARBONO

Estudo recente, resultado de uma parceria entre Arapyaú, Dengo Chocolates, World Resources Institute (WRI) e Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), mostrou que a cabruca é capaz de estocar, em média, 66 toneladas de carbono por hectare. Além do estoque de carbono, as cabrucas contribuem para a manutenção da biodiversidade e a oferta de água.

Os excelentes resultados da primeira etapa do CRA Sustentável confirmam que a combinação de crédito e assistência técnica pode transformar a realidade da agricultura familiar, resultando em mais prosperidade e bem-estar com manutenção dos recursos naturais. “Esse resultado surpreendeu o mercado financeiro, demonstrando condições de atingir escala”, diz Roberto Vilela.

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Vinculado ao nosso ecossistema, o valor intrínseco da região não deve se resumir ao chocolate – agora não mais só cacau – nem ao turismo. Há que se ampliar esse portfólio.

Henrique Campos de Oliveira – henrique.oliveira@ecossistemaanima.com.br

A nossa região foi forjada na medida em que se internacionalizava via exportação cacaueira, do fim do século 19 à primeira metade do século 20. Tudo mudou desde então, mas aqui predomina a visão limitada de que o cacau é o principal recurso do Litoral Sul para acessar mercados internacionais. Num mundo acelerado e devastado, a nossa vantagem competitiva e estratégica não reside no valor de um produto, mas no valor do nosso ecossistema: a Mata Atlântica.

O cacau sul-baiano encontrou condições formidáveis para o seu cultivo, aproveitando a umidade ideal da Mata Atlântica para chegar à produtividade máxima de 60 arrobas por hectare na década de 1980. Como numa relação simbiótica atravessada pela economia, a produção cacaueira não devastou a mata, que lhe retribuía por isso com  uma estufa natural com ótimos índices de produtividade.

Essa relação se altera com a chegada da vassoura de bruxa, que afeta justamente a produtividade da planta. Mas a Mata Atlântica daqui, das mais diversas do mundo, manteve-se preservada a ponto de propiciar paisagens cinematográficas tal como encontramos nas enseadas das praias de Itacaré, com a mata verde-vivo cobrindo rochas banhadas pelo mar azul do Oceano Atlântico, a curvatura da Terra no horizonte infinito, num belo dia ensolarado.

A degradação de ecossistemas e a desumanização da vida urbana transformaram a estadia em lugares como o descrito acima numa experiência sem preço – ou com um bem alto. O anseio por tal vivência se massificou nos anos 1990, quando, também, contou com o avanço da vassoura de bruxa, que trouxe consigo a pressão sobre a mata. Boa parte da lavoura cacaueira desapareceu para que a terra fosse desmatada para extração de madeira ou ocupada pela pecuária, além da contraditória pressão imobiliária do próprio turismo.

Portanto, a cacauicultura foi um dos principais motivos para a preservação do nosso maior bem e não o contrário. Mas a preservação é ameaçada quando o cacau não mais se sustenta e sua produção é substituída por atividades que, normalmente, geram mais desmatamento e degradação.

Todavia, a consciência socioambiental na região cresce mesmo em um contexto de crise, que afeta um território marcado por desigualdade e miséria. Instituições como UESC, Ceplac, UFSB e movimentos como o da Agência de Desenvolvimento Regional Sul da Bahia, reportado pelo PIMENTA, evidenciam a consciência de que a mata é o nosso maior bem.

Além disso, a nossa região tem capacidade de competir com produtos e serviços ligados à sustentabilidade da Mata Atlântica devido aos avanços em políticas de valorização do salário real, de distribuição de renda e demais garantias e direitos constitucionais que constrangem o trabalho análogo ao escravo e infantil.

Costa do Marfim, Gana, Equador, Venezuela e demais países produtores de cacau enfrentam obstáculos maiores para obter certificações e selos de sustentabilidade socioambiental, justamente porque não produzem no sistema cabruca. Ao mesmo tempo, as populações desses países não dispõem de garantias constitucionais e políticas públicas tais como encontramos aqui em prol do trabalho descente.

Ainda temos o turismo vinculado à sustentabilidade e o avanço na qualificação de produtos agrícolas com a verticalização da cadeia produtiva do cacau. Deixamos de ser meros fornecedores de amêndoa ou bens intermediários e insumo da cadeia alimentícia, como a banha e a manteiga de cacau fornecidas pelas moageiras instaladas em Ilhéus desde a década de 1970, para nos destacarmos como fornecedores de chocolate com certificação de origem e com premiações internacionais de qualidade.

Vinculado ao nosso ecossistema, o valor intrínseco da região não deve se resumir ao chocolate – agora não mais só cacau – nem ao turismo. Há que se ampliar esse portfólio.

CERTIFICAÇÕES E INTERNACIONALIZAÇÃO

Como já dito, estruturalmente, a região preenche requisitos para conseguir selos de certificação e acessar nichos de mercado fechados. Há selos de todo tipo, como o Hallal para produtos adequados às exigências islâmicas ou o Koscher para judeus. Recentemente, tivemos um boom de selos de sustentabilidade, orgânicos e produtos com erradicação de trabalho análogo ao escravo ou infantil. Há um selo específico para a preservação da Mata Atlântica, o Follow the Frog.

Atender a essas especificações é um caminho paralelo a ser percorrido também para responder às exigências técnicas de mercados com rigorosos procedimentos para importação, como o norte-americano, o europeu e o japonês. Tudo isso requer capacidade técnica nos processos produtivo e logístico, além de recursos públicos e do terceiro setor para o avanço em questões socioambientais.

COOPERAÇÃO TÉCNICA E FINANCEIRA PARA MUNICÍPIOS E ATIVIDADES PRODUTIVAS

Com o intuito de conseguir apoio técnico e financeiro para internacionalização de negócios sustentáveis, uma série de organizações internacionais, agências e fundos de fomentos empregam recursos para capacitar potenciais exportadores. É o caso da Ajuda Oficial para o Desenvolvimento, que disponibiliza recursos tanto para projetos vinculados à internacionalização de uma cooperativa, como acesso a recursos por parte de municípios para despoluírem rios.

Além da obtenção de certificados, esse apoio permite o acesso a mercados específicos, sempre dispostos a pagar mais para ter uma consciência mais tranquila na hora de degustar uma fruta tropical.

INFRAESTRUTURA LOGÍSTICA

A região, a Bahia e o país sofrem com uma infraestrutura precária, defasada e desintegrada. Além de custos maiores, essa fragilidade gera imprevisibilidade, o terror para o planejamento logístico, principalmente, para produtos perecíveis, como os da fruticultura tropical. Assim, a região, mais do que um porto para minério, carece do já prometido aeroporto internacional, que abrigue, na sua poligonal alfandegária, armazéns comuns e refrigerados para acomodar os produtos da região.

Além do mais, tal aeroporto permitiria a conexão de voos diretos da região, favorecendo o turismo. Do mesmo modo, seria necessário garantir linhas aéreas para os principais centros dos mercados-alvos, como Los Angeles, Nova York, Frankfurt e Tóquio. Como se sabe, um mel de cacau ou um mangostão pode estar disponível na mesa de um nova-iorquino mais rápido do que na mesa de um paulista sem a mesma disposição monetária comprar esses produtos.

Nesta coluna, quero discutir a internacionalização do Litoral Sul da Bahia com foco na Mata Atlântica. Pretendo detalhar, nas próximas edições, pontos tratados aqui de forma panorâmica. A intenção é provocar um debate e propor soluções que nos desloquem de uma posição passiva na cadeia global de alimentos para uma posição altiva na cadeia global sustentável.

Henrique Campos de Oliveira é ibicaraiense, doutor em Ciências Sociais pela UFBA e professor do Mestrado em Direito, Governança e Políticas Públicas da Universidade Salvador (Unifacs).

Cacau cultivado no sistema cabruca gera retorno e tem proteção natural contra pragas || Foto Ana Lee
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A produção de cacau junto com a conservação de florestas, de forma sustentável para o meio ambiente, pode trazer retorno econômico para o produtor rural. A conclusão é do Estudo de Viabilidade Econômica da Produção de Cacau, organizado pela iniciativa CocoaAction, juntamente com Instituto Arapyaú e WRI Brasil.

A análise foi apresentada na última quinta-feira (4), durante o webinar do 4° Fórum Anual do Cacau. O trabalho quantifica indicadores dos sistemas produtivos que podem ser adotados por produtores e investidores no sul da Bahia e no estado do Pará.

O estudo analisou a cabruca, uma espécie de sistema agroflorestal em que o plantio do cacau é feito na sombra de árvores de florestas naturais conservadas. O trabalho mostrou que, no estado da Bahia, a cabruca com baixo sombreamento – igual ou inferior a 30% de sombra –, demonstra ser um bom investimento, com taxa interna de retorno (TIR) de 12% e renda para o produtor de R$ 5.400,00 por hectare ao ano. Já se esse sombreamento foi muito alto (acima de 70%), o sistema não se viabiliza economicamente.

O trabalho também mostrou que arranjos de cacau a pleno sol, sem árvores, apresentam retorno de investimento positivo. Sequeiro e irrigado apresentam TIR de 16% e 15%, respectivamente e renda para o produtor de R$ 10.500 e R$ 14.300 por hectare/ano, respectivamente. Porém, são sistemas mais suscetíveis a pragas e altamente intensivos.

“Apesar de ser mais rentável, o custo do pleno sol é muito alto e ele se viabiliza apenas com taxas altíssimas de produtividade”, destaca a economista Grazielle Cardoso, analista sênior do Programa de Desenvolvimento Territorial do Sul da Bahia do Instituto Arapyaú, e uma das autoras do estudo.

PROTEÇÃO CONTRA DOENÇAS

Com o manejo correto da cabruca – com cultivo à sombra das árvores nativas da Mata Atlântica – é possível ter um bom retorno, apesar de menor. Além disso, a biodiversidade presente neste sistema atua como uma barreira de proteção contra as doenças comuns às lavouras.

O Estudo de Viabilidade Econômica da Produção de Cacau busca ser uma fonte de informações atualizadas para produtores de cacau, técnicos, empresas e também instituições financeiras, com o propósito de aumentar o conhecimento sobre a produção de cacau e suas peculiaridades. Os dados utilizados na publicação foram coletados em bases públicas e oficiais, além de dados de campo, cedidos pelas instituições apoiadoras da publicação, CIC, CEPLAC, FAEB, Renova Cacau, Mondelēz International, UESC, PCTSul, SENAR Bahia, Solidaridad Brasil e TNC Brasil.

“O valor deste estudo está justamente em seu caráter agregador. É um relatório técnico de alta qualidade, elaborado de maneira coletiva. A diversidade de atores envolvidos nesse processo resultou em um produto valioso para toda a cadeia do cacau”, ressalta Pedro Ronca, coordenador do CocoaAction Brasil.

De acordo com Daniel Soares, analista de investimentos do WRI Brasil e colaborador do estudo, é consenso a necessidade de informações atuais sobre o sistema produtivo do cacau para atrair recursos para o setor. “O resultado desse estudo será de enorme utilidade no contexto das ações de aumento de crédito rural para produtores de cacau, atração de recursos de fundos de investimento, como também para orientar a construção de políticas públicas adequadas a esta cadeia”, conclui.

A Represa Iguape, em Ilhéus || Foto José Nazal
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Em outro recado ao Brasil, Macron ressaltou a determinação da França em eliminar o desmatamento importado, aquele gerado pela aquisição de produtos que causam desmatamento ou degradação ambiental no país de origem.

Emerson Oliveira

Após ser adiado por causa da pandemia, o Congresso Mundial da Natureza, importante evento promovido a cada quatro anos pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), foi realizado em Marselha, na França, entre os dias 3 e 10 de setembro. Como de costume, o evento indicou tendências e prioridades para os próximos anos para a conservação da biodiversidade no planeta e colocou o Brasil no centro dos debates.

Em discurso na abertura do evento, o presidente francês Emmanuel Macron demonstrou como os olhos da comunidade internacional estão voltados ao Brasil e, de um modo especial, para a Amazônia. O líder do país anfitrião enfatizou a necessidade urgente de interromper a acentuada destruição da floresta amazônica, entre outras prioridades.

Em outro recado ao Brasil, Macron ressaltou a determinação da França em eliminar o desmatamento importado, aquele gerado pela aquisição de produtos que causam desmatamento ou degradação ambiental no país de origem. O presidente francês afirmou ainda que a França é contra o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, que entre outros pontos pretende facilitar as exportações entre os dois continentes.

Fato negativo digno de nota foi a ausência de representantes do Ministério do Meio Ambiente do Brasil. Na verdade, a única autoridade brasileira presente foi o embaixador do Brasil na França, Luís Fernando Serra. Entre os participantes ilustres, destaques para o ator norte-americano Harrison Ford e o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado.

Apesar dos fatores preocupantes que envolvem a política ambiental brasileira, o Congresso também trouxe esperança para todos que estão comprometidos com a conservação da natureza em nosso país. Durante a Assembleia Geral que elegeu a nova presidente e os membros da diretoria da UICN para os próximos quatro anos, o Comitê Brasileiro (CBR), formado por diversas organizações com destacada atuação pela causa ambiental, entregou aos candidatos ao pleito uma carta intitulada “O Brasil Importa!” (Brazil Matters!), visando evidenciar as pautas brasileiras de conservação, especialmente em relação às ameaças à biodiversidade e relativas à situação crítica dos rios e outros corpos hídricos brasileiros.

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Shopping sintetiza dinamização da economia regional, movimento puxado pelos segmentos comerciais e de serviços
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No ano 2000, Itabuna e o sul da Bahia ainda sofriam os impactos socioeconômicos da vassoura-de-bruxa, praga que dizimou parte da lavoura de cacau na região. Foi nessa maré de incertezas sobre o futuro da região que o empresário Helenilson Chaves decidiu navegar contra a corrente.

A decisão era fruto do espírito empreendedor herdado do pai, Manoel Chaves, que, a partir de um pequeno negócio em Ipiaú, consolidou em Itabuna um grande conglomerado empresarial. “Precisamos levantar a autoestima da região, acreditar no potencial e na capacidade dos grapiúnas de se reinventarem e superar crises”, disse Helenilson à época.

Naquele distante ano 2000 nascia o Shopping Jequitibá, aposta aparentemente impossível de Helenilson, que, 21 anos depois, reafirma-se cada vez mais certeira. Nesse período, o Jequitibá passou por três obras de ampliação e uma pequena alteração no nome, sem perder a essência. e se consolidou como o maior centro de comércio, serviços e lazer do sul da Bahia.

Foi justamente o setor terciário, sobretudo os segmentos de serviço e comércio, que dinamizou a recuperação econômica da região cacaueira. Com o nome da árvore gigante da Mata Atlântica, o Jequitibá é o empreendimento que melhor sintetiza esse processo de retomada e fortalecimento da economia Itabunense.

NOVOS DESAFIOS

Neto: Compromisso com desenvolvimento de Itabuna está no DNA do Jequitibá

A semente plantada e cultivada por Helenilson Chaves passou aos cuidados de um dos seus filhos, Manoel Chaves Neto. Com o apoio dos irmãos Leo e Alexandra Chaves, Neto investe na modernização contínua do shopping, que hoje abriga lojas-âncoras de grandes empresas, a exemplo da Le Biscuit, Riachuelo, Casas Bahia, Marisa, Kalunga e Big Bompreço.

A crise global causada pelo novo coronavírus desafiou o shopping a acelerar o crescimento da sua presença comercial na internet, por meio do site oficial, onde os internautas se conectam a lojas parceiras do Jequitibá e, observa o empresário, acessam ofertas feitas especialmente para os consumidores de Itabuna e região.

O vírus também impôs mudanças significativas para o atendimento do público com segurança, o que exigiu investimentos na readequação dos espaços do shopping e seus equipamentos.

Para Manoel Chaves Neto, o espírito empreendedor e o compromisso em contribuir com o desenvolvimento de Itabuna estão no DNA do Jequitibá. “Nossos parceiros e colaboradores estão sempre motivados para oferecer aos clientes um shopping completo, com um mix de lojas, produtos e serviços de excelência”, assegura o empresário. “O aniversário de Itabuna é um momento para agradecer e reverenciar essa cidade que tão bem acolhe e oferece oportunidades”.

Guarnição da Cippa encontrou 19 pássaros e 1 preá em propriedade na zona rural || Foto Polícia Militar
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Na última quinta-feira (15), durante patrulhamento na zona rural de Ilhéus, policiais militares da Companhia Independente de Polícia de Proteção Ambiental (Cippa) localizaram uma propriedade onde animais silvestres eram mantidos em cativeiro de forma ilegal.

No imóvel, segundo a Polícia Militar (PM), a guarnição resgatou 5 periquitos, 6 papa-capins, 6 canários-da-terra, 1 curió, 1 chorão e 1 preá, todos da fauna da Mata Atlântica. Os animais foram levados para a unidade do Inema (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídrico) em Itabuna.

Ainda de acordo com a PM, um homem que estava no imóvel fugiu para a mata quando avistou os policiais chegando.

A ocorrência foi registrada na 7ª Coordenação de Polícia do Interior (Coorpin), delegacia de Ilhéus. A guarnição responsável pelo resgate pertence à Cippa de Porto Seguro.

Cerveja artesanal do sul da Bahia chega ao mercado
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A cerveja artesanal Cabruca é o mais novo lançamento da Cooperativa de Serviços Sustentáveis (Coopessba), em Ilhéus, no sul da Bahia. A cooperativa aposta no novo produto para aumentar o faturamento da organização em até 30%.

Com uma fórmula desenvolvida especialmente para a Natucoa, a cerveja artesanal Cabruca tem a essência da Mata Atlântica e o principal ingrediente é o nibs de cacau, “o chocolate em sua forma mais pura e menos processada”. É uma cerveja IPA, de alta fermentação, harmonizada com a rapadura, que deixa a bebida mais suave.

Segundo a presidente da Coopessba, Carine Assunção, a expectativa é grande. “Mal lançamos e a cerveja Cabruca já vem tendo um alcance bem significativo. Esperamos aumentar em 30% o nosso faturamento com mais esse produto. A cerveja pode impulsionar e abrir mercado também para os outros produtos do portfólio”.

O economista e presidente da Confederação Nacional dos Urbanitários, Paulo de Tarso, é consumidor de cerveja há muitos anos e aprovou a nova cerveja da agricultura familiar. “A cerveja Cabruca é de alta qualidade. Mata a sede e a ansiedade dos consumidores. Seu gosto, ao mesmo tempo amargo e doce, faz com que haja uma satisfação grande para os apreciadores do produto. Combina com o tempo mais frio e mais quente. Muito boa e saborosa”.

COMO É FEITO

A cerveja Cabruca passa a integrar o catálogo da Natucoa, composto por barras e gotas de chocolates veganos nas versões de 56%, 70% e 80% de cacau, barras de chocolate com licuri, nibs, cacau em pó, chocolate em pó e geleias de cacau com pimenta. Com a venda dos chocolates, em 2020, o faturamento da cooperativa foi de R$ 680 mil.

O cacau que dá origem a esses produtos é produzido em sistema ecológico de cultivo agroflorestal, caracterizado pela forma de plantio em meio à Mata Atlântica, sem prejudicar a preservação do bioma. Os chocolates e nibs possuem o Selo de Identificação Geográfica Cacau Sul Bahia.

Esse selo garante a procedência do cacau, a sua rastreabilidade e padrões de qualidade de fermentação, manejo e tratamento das amêndoas. Os produtos são processados utilizando as menores taxas de aditivos químicos, conservantes, aromatizantes, ou qualquer outro aditivo que desencadeie algum tipo de intolerância.

A cerveja e outros produtos da marca Natucoa podem ser adquiridos na primeira franquia da marca, que será inaugurada nesta quarta-feira (2), na Pituba, em Itacaré. A cooperativa também lançou um quiosque itinerante, que teve sua primeira parada no Shopping Jequitibá, em Itabuna. Um novo recurso para a apresentação e comercialização de produtos da marca Natucoa, onde o público pode adquirir, além da cerveja, outros produtos.

Live vai marcar lançamento da obra documental e artística nesta quinta-feira (20)
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No coração da Mata Atlântica, no Sul da Bahia, cinco mulheres transformam suas vidas e os seus entornos por meio de relações de subsistência e de defesa da natureza. Angelina, Rita, Dulciene, Maria Raimunda e Eduarda são as marisqueiras que protagonizam Saberes: Flores e Frutos do mar, o primeiro fotolivro digital da série Raiz de MarÉ, da artista visual Mariana Cabral.

As artes da pesca e da mariscagem, na maioria das vezes transmitidas por suas mães e avós, trazem para essas mulheres a oportunidade de uma vida livre e a força para buscar os seus direitos. Seus corpos revelam suas histórias e exibem as marcas de um trabalho que exige esforço e acarreta riscos. Mas também são testemunho de dedicação a um lugar que lhes permite a necessária autonomia financeira para seguirem desafiando a violência doméstica e as ameaças externas, como empreendimentos empresariais e grandes obras que impactam nas águas do mar, do rio e nos mangues, transformando diretamente suas vidas e seus territórios.

Com foco na leitura visual de fotografias resultantes de vivências em março deste ano, na Aldeia Zabelê, no município de Una, e no entorno da Associação de Pescadores e Marisqueiras do Bairro São Miguel, no litoral norte de Ilhéus, Mariana Cabral mostra detalhes dessas mulheres e de suas histórias, quase sempre ocultadas pela invisibilidade social. Os textos da jornalista Aline Frazão trazem as vozes dessas mulheres e enriquecem a percepção sobre suas formas de ver e viver o mundo.

Para Mariana, que também concebeu a identidade gráfica do livro, é preciso criar mais espaços para a reflexão, a sensibilização e um posicionamento social que seja crítico e construtivo. “A fotografia está para além da estética, tem potencial transformador! Uma honra conhecer cada uma dessas mulheres e poder apresentar parte de suas histórias. Uma honra construir, junto a outras mulheres, essa travessia fotográfica de integração, diálogo e troca”, comemora. O fotolivro já está disponível está na plataforma digital do projeto.

Para compartilhar o processo de produção, conduzido em total conformidade com as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) para a contenção da pandemia de Covid-19, a equipe realizará uma live com participação das cinco marisqueiras protagonistas e também da empreendedora social Ashoka, Maria do Socorro Mendonça, que partilhará informações acerca dos impactos ambientais nessas localidades. O bate-papo virtual será nesta quinta-feira (20), às 10h, no perfil @raizdemare, no Instagram.

Saberes: Flores e Frutos do Mar é um projeto produzido por uma equipe feminina, composta também por Naiara Gramacho e Potyratê Tê Tupinambá na produção; Marcela Bertelli na revisão; e Tacila Mendes na assessoria de comunicação. A iniciativa tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultural do Ministério do Turismo, Governo Federal.

Página oficial do músico baiano repostou texto crítico e impreciso sobre obra
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A página oficial do músico Caetano Veloso no Facebook compartilhou, nesta quarta-feira (7), texto contra o Porto Sul, obra em andamento no litoral norte de Ilhéus. A publicação – feita originalmente por @342amazonia – também critica a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), cujo trecho Caetité-Ilhéus foi subconcedido hoje (8) à multinacional Bahia Mineração (Bamin).

“Uma tragédia ambiental se aproxima do Litoral Sul da Bahia. O leilão da FIOL pretende liberar a concessão de uma ferrovia para explorar Minério de Ferro na Região. Imagine as tragédias de Mariana ou Brumadinho acontecendo em proporção ainda maior em uma região de preservação da Mata Atlântica e moradia de comunidades rurais. Ainda temos tempo de impedir esse absurdo. Fortaleça o movimento @suldabahiaviva poste e compartilhe essa mensagem nas suas redes e diga não ao Porto Sul”, diz a mensagem.

O texto dá a entender que a exploração da Mina de Ferro, também a cargo da Bamin, ocorrerá no Sul da Bahia, mas a jazida pertence à região de Caetité, no centro-oeste baiano.

Isso não significa que a Mata Atlântica esteja fora da zona de impacto do Porto Sul e da Fiol. A construção do chamado retroporto, dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) da Lagoa Encantada, prevê a derrubada de 500 hectares de mata, conforme o licenciamento ambiental. O terminal portuário offshore vai ser o ponto final da ferrovia a leste.

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Ministérios Públicos estaduais de 17 estados deflagraram, nesta segunda-feira (21), à quarta fase da “Operação Mata Atlântica em Pé”, voltada a coibir o desmatamento e proteger as regiões de floresta que integram o bioma da Mata Atlântica. A operação conta com a participação e o apoio de diversas instituições. Na Bahia, além do MP, participam os institutos Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), e a Polícia Militar.

As atividades serão desenvolvidas em nas regiões da Costa das Baleias, Costa do Descobrimento e Litoral Norte. Segundo o promotor de Justiça Fábio Fernandes, o intuito é identificar e responsabilizar adequadamente os infratores por supressões indevidas de vegetação.

A operação é coordenada pelo Ministério Público do Paraná em âmbito nacional, por meio do promotor de Justiça Alexandre Gaio, que atua no Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Proteção ao Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo do MPPR. O final das atividades está previsto para o dia 1º de outubro, com apresentação dos resultados no dia seguinte. Em 2019, foram vistoriadas 559 áreas, constatando-se mais de 5,4 mil hectares desmatados sem autorização dos órgãos públicos, o que resultou na aplicação de R$ 25 milhões em multas.

TECNOLOGIA

Desde a primeira edição, a operação utiliza o Atlas da Mata Atlântica, sistema que monitora a situação do desmatamento em todos os municípios do bioma, realizado pela organização não governamental SOS Mata Atlântica em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, com uso de imagens de satélite.

Neste ano, será utilizada também a Plataforma MapBiomas Alerta, um programa de alertas e emissão de relatórios de constatação de desmatamento que usa tecnologias de monitoramento e tratamento de dados desenvolvido pelo projeto MapBiomas, iniciativa multi-institucional que soma universidades, empresas de tecnologia e organizações não governamentais que realizam o mapeamento anual da cobertura e uso do solo no Brasil.Leia Mais

Cláudio Chetto faleceu em acidente em Camacan, hoje
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O corpo do advogado e presidente do Instituto Uiraçu, Cláudio Chetto, será velado e enterrado em Salvador, conforme nota da entidade de proteção ambiental. A data e o horário não foram informados. Cláudio faleceu em acidente ocorrido no início da manhã desta sexta (15), em um trecho da BR-101 em Camacan, no sul da Bahia.

O advogado dirigia uma picape, quando um caminhão invadiu a mão contrária e colidiu frontalmente contra o veículo no qual Cláudio estava. O advogado e dirigente da ONG faleceu no local. O acidente ainda envolveu um terceiro veículo, um Volkswagen Gol, que colidiu na traseira da picape de Cláudio.

O Instituto Uiraçu, presidido por Cláudio, é responsável pela proteção da Reserva Serra Bonita, em Camacan, município onde ocorreu o acidente. Transformada em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), a Serra Bonita é formada por um conjunto de propriedades em área total de, aproximadamente, 2,5 mil hectares, sob a gestão do Instituto Uiraçu. A entidade se pronunciou por meio de nota. Confira no “leia mais”.Leia Mais

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Destruição da Mata Atlântica|| Foto Ibama

O Ibama detectou, durante a operação Mata Viva realizada de junho a agosto, a supressão de 257,9 hectares de Mata Atlântica em municípios do sul e extremo-sul do estado. Foi constatada a eliminação de mata em 32 dos 49 polígonos com indicativos de desmatamento.
O monitoramento foi realizado nos municípios de Canavieiras, Santa Luzia, Una, no sul da Bahia; e Alcobaça, Guaratinga, Jucuruçu, Itamaraju e Medeiros Neto, no extremo-sul. De acordo com o Ibama, foi verificado que houve supressão de Mata Atlântica em diversos estágios e regeneração. Além do trabalho de campo, a destruição foi detectada via imagens de satélite do Núcleo de Geoprocessamento da Unidade Técnica do Ibama, em Eunápolis.
Durante a operação, os fiscais emitiram 21 autos de infração, que somam R$ 1,4 milhão. Além disso, foram apreendidas 32 aves, cinco carcaças de animais silvestres (tatus, porco do mato e paca).

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Wallace Setenta || catongo70@gmail.com
 

O “novo preconizado” [repetindo a forma original de plantio] tinha agora como método predominante para sua expansão a “derruba total da mata nativa” para o plantio dos novos cacauais, mas numa perspectiva monocultural, produtivista e hierarquizada voltada unicamente para produção em escala [grandes volumes] visando apenas a exportação de bagas.  

 

Construímos o mundo em que vivemos durante as nossas vidas. Por sua vez, ele também nos constrói ao longo dessa viagem comum. Assim, se vivemos e nos comportamos de um modo que trona insatisfatória a nossa qualidade de vida, a responsabilidade cabe a nós. (Maturana, H. R.). 

A história das chamadas relações entre sociedade e natureza é, em todos os lugares habitados, a da substituição de um meio natural, dado a uma determinada sociedade, por um meio cada vez mais artificializado, isto é, sucessivamente instrumentalizado por essa mesma sociedade (Santos, M.). As modalidades dessas relações estabelecidas no sul da Bahia deram origem à CABRUCA, designação como é conhecido o Sistema Agrícola Tradicional Cabruca [SAT Cabruca], principiado e constituído há mais de 250 anos num ambiente natural de Mata Atlântica.
“Não foram os efeitos de braços estranhos, não o ouro de abastadas bolsas, não foi o amparo de governos fortes, mas a constância de modestos homens, a intrepidez do trabalhador patrício, cujo o único capital constituía nos seus braços, quem a fez triunfante”. (Bondar, G.)
Muitas outras denominações da Cabruca são habitualmente empregadas em função das especificidades locais onde se assentam: cabroca; cacau no brocado; brocado; cacau tradicional; cacau do jupará; cacau na mata; mata produtiva; agrossistema tradicional; cacau sob mata raleada, e mais recente como cacau cabruca ou como sistema agroflorestal tipo cabruca.
A evolução dinâmica desse processo de trabalho [cabruca] inovador, em permanente construção, continua sendo reinventado progressivamente frente às constantes mudanças nos contextos sociais e econômicos, técnicos e ambientais possibilitado pelo entrelaçamento harmônico em meio a cabruca [como processo trabalho]; o Bioma Mata Atlântica [meio natural]; e a sociedade local [como indutora e de forte conotação de conteúdo coletivo]. O conceito cabruca [conservação produtiva] concilia e viabiliza portanto as relações de produção, da “roça ao chocolate”, tendo como protagonista principal o produtor de cacau [como agente social] – sobre os ombros do qual a crise se avoluma.
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rosivaldo-pinheiroRosivaldo Pinheiro | rpmvida@yahoo.com.br

 

Entramos no ano 2000 com a energia da luta, buscamos diversificar a produção agrícola, implantar serviços de educação, melhorar a prestação dos serviços de saúde, começamos a investir em indústrias de pequeno porte e outras iniciativas.

 

Vivemos numa região que possui um dos biomas mais importantes do Brasil, a mata atlântica – muito rica em fauna e flora. Essa conservação só foi possível devido ao sistema de produção cabruca, que consiste em consorciar exploração econômica e conservação ambiental.

A produção do cacau permitiu reconhecimento social e poder político-econômico para os produtores do fruto. Se cacau era sinônimo de dinheiro, proprietário rural nessa região ganhava destaque social em qualquer lugar do país e até internacionalmente. As obras de Jorge Amado trazem esse retrato histórico.

A quebra da bolsa de Nova Iorque, em 1929, afetou o comércio mundial e estabeleceu dificuldades na nossa economia até o final da década de 1950. Nesse período, após uma intensa luta junto aos poderes da República, a região viu nascer a Ceplac, em 1957, e recebeu uma atenção diferenciada a partir de 1961, quando foi implantada a taxa de retenção de exportação do cacau que formou o orçamento da Ceplac, o que permitiu que a instituição implantasse a extensão rural e investisse no escoamento da produção. A taxa era de 15% sobre a amêndoa e 5% sobre os derivados de cacau.

Em 1970, o cacau representou 60% da arrecadação estadual. Financiou, inclusive, a folha de pagamento do estado da Bahia e fomentou a construção do Centro Industrial de Aratu e do Polo Petroquímico de Camaçari. A partir de 1972, a taxa de retenção foi unificada em 10% – tanto amêndoas como derivados. Em 1980, uma série de fatores influenciaram negativamente na cadeia produtiva do cacau: perdemos importância na pauta de arrecadação do estado frente aos produtos de alta tecnologia produzidos no Polo Petroquímico de Camaçari, o fortalecimento da concorrência dos países africanos e nosso peso na pauta de exportação brasileira foi reduzido.

Todos esses acontecimentos propiciaram ao governo brasileiro cortar a taxa de retenção. Além disso, tivemos uma superprodução de cacau na safra 1984/1985, forçando ainda mais a queda dos preços e empurrando os produtores de cacau para a crise. Como se não bastasse tudo isso, em 1989 surgia em Uruçuca um fungo capaz de dizimar a lavoura, a vassoura-de-bruxa. Diante daquelas circunstâncias, e após muitas cobranças e críticas por parte da comunidade da região sul, o governo estadual, em resposta, criou o Instituto Biofábrica de Cacau em 1997. O IBC nasceu com o objetivo de produzir mudas melhoradas geneticamente e servir de estrutura de apoio permanente à lavoura.

Chegamos a 1990, década em que a região cacaueira conheceu a sua maior queda econômica: mergulhamos num estado de penúria, o que gerou o quase abandono das propriedades por parte dos fazendeiros e demissão em massa dos trabalhadores rurais. Estima-se que mais de 250 mil trabalhadores trocaram o campo pelas cidades. Um grande contingente de homens, mulheres e crianças chegaram sem perspectivas às cidades, buscando sobreviver àquele estado de caos social. As cidades não estavam preparadas, principalmente Itabuna, Ilhéus e Porto Seguro: saúde, educação, segurança, mobilidade e urbanização foram afetados.

Não existia capacidade de atendimento do fluxo, nem capacidade financeira para prover ações de acolhimento para essas pessoas. Esse contingente humano ficou à margem e teve que se estabelecer nas periferias das cidades. Entramos no ano 2000 com a energia da luta, buscamos diversificar a produção agrícola, implantar serviços de educação, melhorar a prestação dos serviços de saúde, começamos a investir em indústrias de pequeno porte e outras iniciativas.

Nos últimos anos, uma articulação dos governos estadual e federal trouxe a esperança de entrarmos num novo ciclo econômico. A construção da barragem do Rio Colônia, um novo hospital regional, prestes a ser inaugurado, a Ferrovia Oeste-Leste, que está parada com quase 70% concluída, o Porto Sul – ainda travado por questões burocráticas, um novo aeroporto, que está para ter obras iniciadas, uma universidade federal já em funcionamento e a duplicação da rodovia Ilhéus-Itabuna, cuja ordem de serviço será assinada na próxima segunda-feira pelo governador Rui Costa, um sonho que a região espera há quase 50 anos. O governo Rui vem se esforçando e realizando as obras que estavam na expectativa da região.

Como tudo na vida, a crise, apesar de negativa, também deixou legados importantes: uma região mais forte para enfrentar as turbulências, a estadualização da UESC – sem a crise econômica o estado não absorveria a instituição no seu orçamento, e o acesso à terra, algo antes difícil e que trouxe à tona o movimento da agricultura familiar nessa região. A produção de chocolate surge como um novo pensar, fruto da chegada de novos agricultores para a cadeia do cacau, o incremento de novos modos de produção e beneficiamento do cacau, e o uso de tecnologias através do melhoramento genético fazem parte dessa mudança.

Precisamos estruturar novas lutas: ampliar e melhorar a nossa representação política em nível estadual e federal, fortalecer a Ceplac, fazer o governo do estado dotar a Biofábrica de condições financeiras para a manutenção do seu quadro técnico e do cumprimento do seu papel de fortalecimento da agropecuária do Sul e Extremo Sul da Bahia. Um novo ciclo está por vir, dele, depende a nossa energia e luta. Nossa região irá se superar e os seus filhos vencerão o dilema identificado pelo saudoso professor Selem Rachid: “a pobre região rica”. Avante!

Rosivaldo Pinheiro é economista e especialista em Planejamento de Cidades pela Uesc.

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Municípios sul-baianos lideram desmatamento na Mata Atlântica (Arquivo Agência Brasil).
Municípios sul-baianos lideram desmatamento na Mata Atlântica (Arquivo Agência Brasil).

– ILHÉUS E PORTO ESTÃO ENTRE LÍDERES DE DESMATAMENTO

O desmatamento na Mata Atlântica cresceu 57,7% em um ano, entre 2015 e 2016, quando o bioma perdeu 29.075 hectares, o equivalente a mais de 29 mil campos de futebol. O número foi apresentado nesta segunda (29) pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe).

No período anterior (2014-2015), o desmate no bioma havia sido de 18.433 hectares. Segundo a diretora executiva da SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota, há 10 anos a área, que se espalha por 17 estados, não registrava um desmatamento dessas proporções.

– O que mais impressionou foi o enorme aumento no desmatamento no último período. Tivemos um retrocesso muito grande, com índices comparáveis aos de 2005 – disse.

No período de 2005 a 2008, a Mata Atlântica perdeu 102.938 hectares de floresta, ou seja, média anual de 34.313 hectares a menos.

BAHIA LIDERA DESMATAMENTO

Em 2015-2016, a Bahia foi o estado onde houve mais desmatamento, com 12.288 hectares desmatados, 207% a mais que no período anterior, quando foram destruídos 3.997 hectares de vegetação nativa.

Os municípios baianos de Santa Cruz Cabrália e Belmonte lideram a lista dos maiores desmatadores com 3.058 hectares e 2.119 hectares, respectivamente. Se somados aos desmatamentos identificados em outras cidades do Sul da Bahia, como Porto Seguro e Ilhéus, cerca de 30% da destruição do bioma no período ocorreu nesta região.

“Essa região é a mais rica do Brasil em biodiversidade e tem grande potencial para o turismo. Nós estamos destruindo um patrimônio que poderia gerar desenvolvimento, trabalho e renda para o estado”, avaliou Marcia.

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