O babalorixá, professor e escritor Ruy Póvoas || Foto ijexa.com.br
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Hoje (6), a Academia de Letras de Ilhéus (ALI) exibe o documentário Òfú Ifaradà: O Sopro da Resistência. O filme aborda memória, ancestralidade e resistência tendo como fio condutor o cinquentenário do terreiro Ilê Axé Ijexá Orixá Olufon, em Itabuna, liderado pelo babalorixá, professor e escritor Ruy Póvoas.

Além da exibição do filme, o evento contará com intervenção artística de Mestra Lainha do Cordel, que deu voz à Orixá Nanã no documentário. Também haverá roda de conversa com Ruy Póvoas, o diretor Paulo Ferreira e os acadêmicos Tica Simões e José Nazal, com mediação de Carlos Alaboji.

O documentário é uma produção da Associação Santa Cruz Ijexá, em parceria com o Museu Ilê Lailai Ignez Mejigã e apoio do Ilê Axé Ijexá Orixá Olufon. O projeto foi contemplado pelo edital audiovisual da Lei Paulo Gustavo, com apoio da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania e do Ministério da Cultura.

A ALI fica na Rua Antônio Lavigne de Lemos, 39, próximo ao Teatro Municipal, no Centro Histórico.

Casa de Cultura Jonas e Pilar convida público para o último final de semana do Mês do Teatro e do Circo || Foto Divulgação
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A Casa de Cultura Jonas&Pilar, em Buerarema, entra no último final de semana do Mês do Teatro e do Circo com eventos gratuitos e opções a preços populares. A programação começa hoje (27), às 19h, com a oficina de mágica Efeito Cartola. O arte-educador Gustavo Britto sobe ao palco com seus alunos e apresenta números inspirados no universo circense. A atividade é gratuita.

Neste sábado (28), às 19h, o espaço recebe a exibição de dois documentários sobre a cidade. O primeiro é Conhecendo Buerarema, dirigido por Júlia Vale, que aborda aspectos históricos, ambientais e urbanísticos do município. Na sequência, será exibido O Voo do Macuco, dirigido por José Delmo, que apresenta a trajetória do Grupo de Artes Macuco a partir de elementos ficcionais. A entrada é gratuita.

A programação termina no domingo (29), às 19h30min, com o espetáculo A Fala do Santo. A montagem é baseada na obra do professor, poeta e babalorixá Ruy Póvoas e traz histórias com ensinamentos sobre a vida em sociedade, inspiradas em contos (itans) do candomblé. Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

As atividades são promovidas pelo Instituto Macuco Jequitibá, com apoio da Prefeitura de Buerarema e do Governo da Bahia.

Gabriel e Larissa em leitura de "A Fala do Santo", de Ruy Póvoas, || Foto Sávio Lawinscky
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A Fala do Santo, do professor e poeta Ruy Póvoas, vai abrir o Ciclo de Leitura Dramática da Casa de Cultura Jonas&Pilar, às 19h da próxima sexta-feira (14), em Buerarema, sul da Bahia. Os atores Larissa Profeta e Gabriel Xavier vão explorar o universo dos contos da obra do escritor grapiúna.

A leitura dramática tem por base a pesquisa e o estudo da força teatral e do viés sócio-histórico da obra de Ruy Póvoas, que explora com rigor o itan, gênero textual narrativo sedimentado no registro escrito de histórias da tradição oral afro-brasileira, sempre pautadas em um ensinamento.

Gabriel e Larissa com o professor e escritor Ruy Póvoas ao centro || Foto Sávio Lawinscky

A dramatização desses contos respeita a construção de um dos maiores escritores sul-baianos, explorando as repercussões semânticas desses textos, valorizando a riqueza e o vasto repertório da sabedoria popular. O trabalho começou a ser construído em dezembro de 2023 pelos atores Gabriel Xavier e Larissa Profeta e estreou em 25 de fevereiro de 2024, no Centro de Cultura Adonias Filho, em Itabuna, e chega a Buerarema neste fim de semana.

A leitura da obra de Ruy Póvoas tem encenação de Gabriel e Larissa, com preparação vocal de Natália roux e fotos de Sávio Lawinscky. Após A Fala do Santo, a Casa de Cultura trará leitura de As Estrelas do Orinoco, do escritor mexicano Emilio Carballido.

O Ciclo de Leitura Dramática é promovido pelo Instituto Macuco Jequitibá com apoio institucional da Prefeitura Municipal de Buerarema e apoio financeiro do Fundo de Cultura do Estado da Bahia, por meio das secretarias estaduais da Fazenda e da Cultura.

SERVIÇO
A Fala do Santo: uma leitura da obra de Ruy Póvoas
Onde: Casa de Cultura Jonas&Pilar (Buerarema/Ba)
Quando: 14 de março de 2025, sexta-feira
Horário: 19h
Entrada: Gratuita
Classificação: Livre

Ruy Póvoas (à esquerda) presta homenagem ao amigo André Rosa, falecido neste domingo (7)
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André trouxe Rosa, por sobrenome, a rainha das flores. No percurso de sua existência, muitas vezes não navegou num mar de rosas, tendo em vista os inúmeros desafios que teve de enfrentar. Cremos, porém, que a partir de agora, um mar de bem-aventuranças lhe trará o descanso merecido.

 

Ruy Póvoas

Quatro caminhos no meu percurso, nesta existência, se cumprem no dia de hoje. O entrelace se desfaz com a morte de André Rosa. Meu amigo, meu colega, meu confrade, meu irmão de fé. A quais caminhos me refiro? Éramos parceiros na Universidade/UESC (André era professor e pesquisador); na Literatura (André era escritor e poeta); na Academia de Letras de Ilhéus (André era membro efetivo da ALI) e no exercício da prática de uma religião de matriz africana (André era Tata Cambone de Matamba, do Terreiro Tombenci Neto).

Tais viveres e fazeres nos enlaçaram por muitos anos a fio. Agora, quando Mercúrio retroage no nosso céu, Matamba mandou buscar André e Nanã Borokô o leva de volta ao seio da Mãe Terra. E como fico eu aqui? Aliás, como ficamos nós?

Cumpre volvermos as vistas para seus escritos e seus relatos de estudos e pesquisas. Cumpre mergulharmos com a atenção devida para seus versos extravasantes de intuição artística. Cumpre continuarmos zelando pela ALI, nos devidos cuidados de sustentação e lides de nossa Academia. Cumpre, especialmente a mim, continuar na luta pela conquista de lugar no mundo por partes do povo de santo.

Da última vez que nos vimos, 14 de março deste ano, a nossa ALI vivia momentos de alegria por estarmos iniciando mais um ano de atividades acadêmicas. Vários participantes fotografaram o evento a valer. Em muitas fotos, André e eu saímos juntos. E quando a onda de sentimento amainar, voltarei àquelas fotos que ficaram, representações que são do último momento de uma caminhada que só nos deu contentamento e certeza de que estávamos no caminho certo.

Para nós, gente que pratica a fé de matriz africana, ainda veremos você na intimidade de nossos rituais, quando em breves dias, celebraremos o axexê. Você se vai enquanto criatura encarnada, mas ficará conosco, para o resto de nossas vidas. E isso é possível, sim, porque ficam conosco, seus escritos, seus poemas, seus livros, os resultados de suas atividades na ALI. Ficam, sobretudo, partes de seu axé anexado à comunidade do Terreiro Tombenci Neto.

André trouxe Rosa, por sobrenome, a rainha das flores. No percurso de sua existência, muitas vezes não navegou num mar de rosas, tendo em vista os inúmeros desafios que teve de enfrentar. Cremos, porém, que a partir de agora, um mar de bem-aventuranças lhe trará o descanso merecido.

E de onde você estiver, rogue por nós, seus amigos, camaradas, colegas e irmãos até que chegue nosso tempo também.

Itabuna, 7 de abril de 2024.

Ajalá Deré (Ruy Póvoas) é babalorixá do Ilê Axé Ijexá.

Deputada estadual Soane Galvão, Marão e Bruno Monteiro hasteiam bandeiras nos 489 anos de Ilhéus || Foto PIMENTA
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Ilhéus comemora, hoje (28), os 489 anos de sua fundação. O dia tem sido marcado por manifestações diversas, desde as tradicionais, como os discursos políticos e as solenidades cívicas e religiosas, aos protestos, com direito à paralisação de categoria do funcionalismo municipal. Já a Prefeitura, divulgou agenda de entregas de serviços à população, sob a liderança do prefeito Mário Alexandre (PSD).

Marão entregou, nesta terça-feira (27), a requalificação da Rua Boa Vista, no Nelson Costa. A via recebeu calçamento e drenagem. Segundo a Prefeitura de Ilhéus, a intervenção custou R$ 775 mil, sendo a maior parte proveniente de emenda do deputado federal Paulo Magalhães (PSD-BA), de R$ 525 mil. O município complementou o restante. Mais de 200 famílias foram beneficiadas, estima a gestão. A agenda continuará sexta-feira (30), às 16h, com a entrega da manutenção preventiva do Viaduto Catalão. No sábado (1º), às 16h, será a vez da Vila Freitas, na Esperança, que também foi pavimentada.

PRIORIDADE É ATENDER POPULAÇÃO VULNERÁVEL, SEGUNDO PREFEITO

Após o hasteamento de bandeiras na Praça Dom Eduardo, as comemorações seguiram na Catedral São Sebastião, onde o prefeito Mário Alexandre fez breve pronunciamento. Segundo ele, o foco da Prefeitura de Ilhéus é implementar e desenvolver políticas voltadas aos grupos sociais mais vulneráveis. “A gente quer fazer isso, cuidar do povo”, reafirmou.

Marão também revelou conversa com o secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, presente na solenidade, sobre a intenção do Governo Municipal de iniciar, a partir do aniversário de 490 anos de Ilhéus, em 2024, a contagem regressiva para os cinco séculos de história da antiga capitania. “A luta não é fácil, mas, com união, com a fé e a esperança, eu tenho certeza que nós continuaremos construindo bons ventos pra cidade de Ilhéus”, disse.

HOMENAGEM

Também não faltaram homenagens. Uma das mais belas foi a do babalorixá, professor e escritor Ruy Póvoas, que declamou o poema Louvação a Ilhéus. O vídeo foi publicado originalmente no perfil da Academia de Letras de Ilhéus (ALI) no Instagram (@academiadeletrasdeilheus). Confira.

PROTESTO 1

Também foi veiculada no perfil da ALI manifestação do professor Ramayana Vargens, para quem não há nada a comemorar no aniversário de Ilhéus. “Choro o abandono e o desmonte dos equipamentos de cultura, a destruição do nosso patrimônio, a devastação ambiental”, inicia o literato, emendando crítica generalizada ao oportunismo político.

PROTESTO 2

Salva-vidas cobram adicional de risco

O sol botou a cara no feriado municipal, mas quem for tomar banho em uma praia de Ilhéus não terá a proteção dos salva-vidas, que paralisaram as atividades nas praias e se concentraram no posto de apoio ao lado da Catedral. Eles reivindicam o pagamento de horas extras trabalhadas em abril e maio, além do adicional de risco de vida de 5% sobre o salário-base.

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O Colégio Jorge Amado, em Itabuna, realiza, de hoje até a próxima sexta (16), o projeto Cultura e Arte, que busca estimular o livre pensar e enraizar a cultura sul-baiana por meio do diálogo com os escritores.

Devido à pandemia do coronavirus, que obriga a um distanciamento social, os bate papos serão transmitidos no perfil do colégio no instagram (@colegiojorgeamadoitabuna).

A mediação será feita por professores do colégio e os convidados, além de discutirem sobre a Literatura Regional, também apresentarão suas obras autorais.

PROGRAMAÇÃO

Dia 14 – Escritores convidados Ruy Póvoas, às 19 horas, Jailton Alves, às 20 horas, com mediação da professora Miralva Moitinho

Dia 15 – Escritores convidados Daniel Thame, às 19 horas, Walmir do Carmo, às 20 horas, com mediação da professora Vânia de Jesus.

Dia 16 – Escritores convidados Iolanda Costa, às 19 horas, e Reinan Braga, às 20 horas, com mediação da professora Fernanda Brasil.

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Ruy Póvoas lançará segunda edição de “A Fala do Santo”

A Fala do Santo ganha nova edição

O professor Ruy do Carmo Póvoas lança pela Editora da Uesc (Editus) a segunda edição revisada e ampliada do livro A Fala do Santo. Composta por um conjunto de narrativas curtas, a obra reúne histórias oriundas das comunidades afro-religiosas, adaptadas ao contar brasileiro, que revelam princípios filosóficos, éticos e estéticos das comunidades tradicionais de terreiro.
A obra é considerada uma demonstração da riqueza cultural brasileira e africana que sobreviveu ao regime da escravidão e custa R$ 35,00. A Fala do Santo pode ser adquirido na Livraria da Editus, localizada na Uesc, em Ilhéus.
Na internet, o leitor pode adquirir A Fala do Santo e outras publicações da Editus nos sites www.livrariacultura.com.br e www.ciadoslivros.com.br. Pedidos também podem ser feitos pelo email vendas.editus@uesc.br ou pelo telefone (73)3680-5240. Para acompanhar todas as novidades da Editora, acesse o site www.uesc.br/editora, o Facebook
@editorauesc e o Instagram @editus.uesc.

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Ruy Póvoas lança terceira obra, Novos dizeres.
Ruy Póvoas lança terceira obra, Novos dizeres.

Novos dizeres é o terceiro e novo livro do escritor grapiúna Ruy Póvoas. A obra, em formato de verbete, traz olhar íntimo sobre temas variados. Os pensamentos, experiências e vivências do autor se costuram entre um texto e outro, manifestando o desejo de uma reflexão dos problemas do dia a dia.

Publicado pela Editora da Uesc (Editus), Novos dizeres reúne 105 poemas nos quais o autor constrói uma narrativa da vida que permite ao leitor uma interpretação própria do que lhe é apresentado.

A intenção, revela Póvoas, não é mudar o mundo por meio de sua poesia, mas incentivar as pessoas a entender o universo da forma que ele é. Nas últimas páginas da obra, o escritor e professor expõe o dicionário do dicionário, explicando o significado das palavras que podem fugir à compreensão do leitor.

O livro Novos Dizeres está disponível na Livraria da Editus, localizada no Centro de Artes e Cultura Paulo Souto, na UESC. O título está disponível também na Livraria Papirus, em Ilhéus e na Banca do Shopping Jequitibá, em Itabuna.

Na internet, o leitor pode encontrar essa e outras publicações nos sites www.livrariacultura.com.br e www.bookpartners.com.br. Pedidos podem ser feitos pelo email vendas.editus@uesc.br ou pelo telefone (73) 3680-5240. Acompanhe todas as novidades da Editus no site www.uesc.br/editora ou pelo Facebook @editoradauesc.

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PESADELO: OS BÁRBAROS ESTÃO CHEGANDO?

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

1La FontaineTive um sonho (melhor: pesadelo) em que os Estados Unidos se preparavam para invadir o Brasil. Um amigo, a quem consultei sobre a estranha premonição, analisou o quadro e me diagnosticou com uma só palavra, pronunciada entre dentes e com olhar de pena: “Paranoia”. Sem me dar por vencido, argumento que eles consideram os três últimos governos brasileiros (Lula-Lula-Dilma) como “anti-americanos”; digo que aqueles gringos se acham os xerifes do mundo, com direito a invadir qualquer espaço, em nome da “democracia” ou mesmo em nome de coisa nenhuma. Lembram da fábula “O lobo e o cordeiro”, de La Fontaine? O lobo buscava razões para comer o cordeiro…

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Sob as justificativas de fome e força

Não encontrou motivos, mas o borrego foi almoçado assim mesmo, sob as suficientes justificativas de fome e força. Os americanos queriam invadir o Iraque, criaram o manto (ou o mito) das armas químicas e lá foram. Não encontraram tais armas, mas quem estava interessado nisso? Meu amigo me aconselha a abandonar a ficção e cair na real: “Tá certo que os americanos não são flores que se cheire, mas eles têm maiores preocupações do que o Brasil, pois vão invadir o Irã”. Não desisto. Eles já invadiram Cuba (bem menos importante do que o Brasil) e aqui, em 1964, derrubaram um presidente eleito e treinaram torturadores para o regime militar. E depois do Irã?

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Ele queria dobrar Lula e não conseguiu

Noto que, com essas lembranças, ele se mostra de semblante ensombrado. Aproveito o ferro quente, e malho, com esta pergunta: Qual foi o primeiro país latino-americano que Obama visitou? E ele responde, orgulhosão: “Brasil!” Pois é, digo, à  moda de Ataulpho Alves. Ele queria dobrar Lula e não conseguiu; depois, quis dobrar Dilma (quem é ele, tão fraquinho, pra enfrentar Dilmona!), não conseguiu… Quis dar uma de araponga, se ferrou, pois a velha Dilma descobriu a safadeza e até cancelou a visita… “Nada disso tem peso diplomático…”, disse ele, pouco convicto. Aí, fui-lhe à garganta: E o petróleo do pré-sal? Ele pôs as mãos na cabeça: “Meu Deus!”

ENTRE PARÊNTESES, OU

4convite2Literatura regional em tempo de festa
A Editus, editora da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) promove de 21 a 24 deste mês a I Feira Universitária do Livro, uma espécie de festa da literatura regional. Nomes como Aleílton Fonseca, Ruy Póvoas, Cyro de Mattos e Antônio Lopes terão o lançamento coletivo de escritos seus publicados pela Editus.  Aleílton e Ruy, além de autografarem suas produções recentes, terão um “papo literário” com a plateia, quando discorrerão sobre o tema “Novas leituras, novos leitores” – isto tudo no dia 21, às 19 horas, no Auditório Paulo Souto.  No dia 23, teremos Daniela Galdino, Aquilino Paiva e Gustavo Felicíssimo discutindo a literatura grapiúna de hoje (sala de treinamento da CDRH às 9 horas).

“O MUNDO EVOLUIU. É UMA PENA DANADA”

5PattonO general Patton, saudosista incorrigível (interpretação magistral de George C. Scott), diz a Dick, seu ajudante de ordens, que gostaria de decidir, pessoalmente, a II Guerra: “Rommel no tanque dele, eu no meu. Pararíamos a uns 20 passos, apertaríamos as mãos, depois combateríamos, só nós dois. O combate decidiria a guerra”. Responde o subordinado: “É uma pena que os duelos tenham saído de moda. É como sua poesia, general, não faz parte do século XX”. E o general, com ar tristonho: “Tem razão, Dick. O mundo evoluiu. É uma pena danada”. As frases estão no magnífico Patton – rebelde ou herói?, de Frank J. Schaffner.
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Sem bom texto, não existe bom cinema

A publicitária carioca Mariza Gualano, fã de cinema, selecionou cerca de 840 frases de mais de 600 filmes, para o livro Ouvir estrelas. Aqui, aproveitando o tema, algumas frases sobre guerra: “Acusar um homem de assassinato por aqui é como multar alguém por excesso de velocidade na Formula Indy” (Martin Sheen, em Apocalipse); “Eu não sirvo para a guerra, pois dormi com a luz acesa até os 30 anos” (Wood Allen, em A última noite de Boris Grushenko); “Sobreviver é a única glória da guerra” (David Carradine, em Agonia e glória); “Eu gosto do cheiro de napalm de manhã. Cheiro de… vitória” (Robert Duvall, em Apocalipse).

A BOA MÚSICA BRASILEIRA “IMPORTADA”

7Leny AndradeA baiana Rosa Passos é um desses acontecimentos comuns à MPB: cantora que, a exemplo de Virgínia Rodrigues, Bebel Gilberto e Leny Andrade (foto), para citar apenas três) é mais conhecida no exterior do que no Brasil (observe-se que Leny Andrade é a cara da simpática professora itabunense Ritinha Dantas!). CDs dessas artistas são pouco encontrados nas lojas, dando a eles características de “importados”. Voltemos a Rosa, para dizer que ela é fã ardorosa de João Gilberto, segue-lhe os passos (ai!), toca violão ao estilo dele. Chegou a gravar um disco chamado Amorosa, que repete o Amoroso de JG, acrescido de umas poucas faixas. Mas Rosa Passos não pretende ser nenhum “João Gilberto de saias”.
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Presença de duas feras  internacionais

A expressão desrespeitosa foi empregada por um repórter, que ouviu o que não queria. Rosa Passos é Rosa Passos, cantora e compositora de recursos próprios – e diz do seu ídolo aquilo que muitos colegas seus sentem, mas nem sempre expressam claramente: “João Gilberto amigo/ eu só queria/ lhe agradecer pela lição”, canta a artista, em “Essa é pro João”, faixa nove do CD “importado” Amorosa. Prova do prestígio de Rosa Passos “lá fora” é a presença nesse disco de duas feras internacionais: o clarinetista cubano Paquito D´Rivera e um grande nome do jazz na França (falecido em 2008, aos 90 anos), Henri Salvador.

O.C.

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UM GRITO DE DOR NO ENGENHO DE SANTANA

1MejigãOusarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

Mejigã e o contexto da escravidão (Editus/Uesc, organização de Ruy Póvoas) é um livro magnífico, desses que engrandecem a região, porque projetam e eternizam em letra impressa intelectuais que, em grande parte, estariam no anonimato, não fosse essa iniciativa. Os dez ensaístas reunidos na coletânea esbanjam erudição, sem perder o viés paradidático que nos facilita o entendimento. Mejigã… (nome africano de uma negra escravizada e trazida ao Engenho de Santana) é inquestionável contributo para percebermos o que foi a luta dos negros em Ilhéus e o que eles significam em nossa formação. Talvez fosse injusto fazer destaques, mas é justo salientar pelo menos dois nomes pouco reconhecidos fora dos muros da academia e que ganham visibilidade com o livro:

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Chicotadas como pagamento do trabalho

Marialda Jovita Silveira, que disserta com invulgar segurança sobre a oralidade como mecanismo de preservação dos valores do candomblé (Ritos da palavra, gestos da memória: a tradição oral numa casa ijexá), e Consuelo Oliveira, que explica, didaticamente, como numa sala de aula, as questões de saúde/doença/magia/terapêutica no candomblé, tendo como exemplo o terreiro onde Ruy Póvoas é babalorixá, em Itabuna (Ilê Axé Ijexá: lugar de terapia e resistência). Li Mejigã… como um livro político, uma história da resistência de um povo, seu sofrer e sua revolta – o registro a ferro e sangue de uma Ilhéus receptora de negros escravos, “dos quais ela cerceou a liberdade e cresceu pela força de seu trabalho, a troco de chicotadas”, como diz Ruy Póvoas.

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“Subalternizados, mas não subalternos”

Ou, na voz de Arléo Barbosa, “O Estado brasileiro foi edificado pelo negro, cuja presença é marcante em todos os aspectos da vida econômica, social, política, religiosa e cultural”. Ainda, de acordo com Kátia Vinhático e Flávio Gonçalves: “Eles [os escravizados] não se comportaram, não se sentiram e não se pensaram como subalternos. Subalternizados, inferiorizados, subestimados, sim. Não se pode dizer, no entanto, que foram subalternos, pois para isso seria necessária a aceitação dessa condição por parte deles”. Os demais textos de Mejigã…, todos de alta qualidade (não citados por falta de espaço), são de André Luiz Rosa Ribeiro, Ivaneilde Almeida da Silva, Mary Ann Mahony e Teresinha Marcis.

 

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VANDALISMO: “A DESTRUIÇÃO DO NOTÁVEL”

Com os protestos de rua em moda no Brasil democrático, abusa-se do termo “vândalo”, para caracterizar o bandido travestido de manifestante. O termo remonta a um povo do século V, que tomou e saqueou Roma, destruindo muitas obras de arte. Isto ocorreu no mês de junho, à semelhança das nossas manifestações. Por certo, a palavra “vandalismo” viria daí (“Destruição ou mutilação do que é notável pelo seu valor artístico ou tradicional”, segundo o Priberam). Nada errado em chamar esses marginais de “vândalos”, salvo a repetição exaustiva do termo, o que atesta a já sabida indigência vocabular da mídia, particularmente da tevê.
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5MonalisaNapoleão e os especialistas em saque

Os dicionários apontam alternativas para vândalo: bárbaro, selvagem, destruidor, grosseiro, violento, bruto, truculento, iconoclasta e outros. Para manter a linguagem jornalística distante das escolhas sofisticadas (comme il fault), eu empregaria para o indivíduo desse comportamento a boa e sonora palavra “bandido”. É tempo de lembrar outra curiosidade: Roma teve, em 1798, novo saque de obras de arte, desta vez por Napoleão, cujo exército tinha um grupo “especialista” em… roubar. Só os nazistas pilharam mais do que o velho Bonaparte. Mas não foi ele quem levou a Monalisa pro Museu do Louvre, como dizem as más línguas.

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DE ERROS “HISTÓRICOS” E “OCASIONAIS”

3AracyPra não dizer que só falo de espinhos
Com (talvez) irritante frequência tem esta coluna se referido a erros perpetrados contra a canção brasileira. Parece que não há exceção: de Nelson Gonçalves a Maria Betânia, de Alcione a Ângela Maria, novos e velhos vocalistas decidem alterar as letras e o fazem impunemente, como se tivessem tal direito. Há erros “históricos”, como o de Aracy de Almeida em Último desejo e Gastão Formenti em De papo pro ar (dois deslizes que foram repetidos tempos afora por outros cantores), e há os equívocos ocasionais, aqueles “próprios” de um vocalista, mas que outros não copiam. É o caso de Marisa Monte.
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7GibãoA garota não quer mais vestir “gibão”

Há dias, postamos aqui um vídeo em que ela canta O xote das meninas (Luiz Gonzaga – Zé Dantas), com uma derrapada das mais escabrosas da MPB. “Meia comprida, não quer mais sapato baixo, vestido bem cintado, não quer mais vestir timão”, diz a letra, mostrando o estado de espírito da menininha que vira moça e quer namorar. Pois a bela Marisa, sabe-se lá o motivo, canta “… não quer mais vestir gibão” – e não houve no estúdio um filho de Deus que atentasse para esta barbaridade. Timão é uma espécie de camisola; gibão até seria defensável em outro lugar, não no Nordeste): além de ser vestimenta de vaqueiro, não está no texto original. Menina vestindo gibão só mesmo na cabeça dessa gente tonta.

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QUE A SIGLA SEJA MENOR DO QUE A OBRA

Todos metem sua colher, também vou meter a minha… Calma. Invoco essa paródia de Casemiro de Abreu, que ninguém mais lê, apenas para introduzir minha escolha sobre a sigla da Universidade Federal do Sul da Bahia. É que o tema, bem ao nosso estilo de trocar o atacado pelo varejo, caminha para se tornar mais substantivo do que a própria escola. Dito o que, informo aos que desta coluna tomarem conhecimento que minha preferência não é Ufesba, Ufsulba, UFSB ou UFSBA, mas um acrônimo ainda não sugerido: UFESB. Mas, quero deixar claro, pouco importa por qual sopa de letrinhas será identificada a Escola – ela é que nos importa – mesmo chamada por qualquer nome exótico. Para ficar coerente, vamos de Alobêned, que esta coluna disse (e repete!) ser “um furacão negro, uma monarca africana”.

 (O.C.)

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O acadêmico e babalorixá Póvoas foi homenageado pelos seus 70 anos de vida.
O acadêmico e babalorixá Póvoas foi homenageado pelos seus 70 anos de vida.

Lideranças empresariais e políticas, como os prefeitos Vane do Renascer (Itabuna) e Jabes Ribeiro (Ilhéus), participaram, ontem, das comemorações dos 70 anos do professor e babalorixá Ruy Póvoas, no terreiro Ilê Axé Ijexá Orixá Olufon, em Itabuna, além de professores e a reitora da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), Adélia Pinheiro.
O evento reuniu, ainda, membros das academias de letras de Itabuna e Ilhéus. O “Canto à Ancestralidade” também foi marcado pelo lançamento do livro Mejigã e o contexto da escravidão, de autoria de Ruy Póvoas, e análises das professoras Margarida Fahel e Marialda Silveira, que analisaram Ruy acadêmico e babalorixá.
O professor ainda recebeu homenagem da Academia de Letras de Itabuna (Alita). A programação também teve exposição fotográfica Mosaico de Existências, que incluiu recital, música e performance teatral.
Autoridades como o prefeito Vane e a secretário Dinalva Melo participaram das homenagens.
Prefeito Vane e secretária Dinalva Melo conversam com Ruy Póvoas

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BILHETE A UM JOVEM REDATOR DE JORNAL

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

Em resposta a certa indagação, faço uma espécie de “carta a um jovem redator”, um bilhete, talvez. Digo-lhe: fuja do lugar-comum com a rapidez com que o Capeta corre da água benta. E tente riscar do seu vocabulário certas expressões: se lhe vier à boca “perguntar não ofende”, puxe as próprias orelhas e, enquanto elas ardem, a vontade passa. É garantido. Este método tão singelo também serve se lhe ataca um frenesi de dizer “a pergunta que não quer calar”. Não diga essa bobagem, pois você corre o risco de dirigir-se a um entrevistado inteligente (às vezes, ele é burrinho, mas o público, não). Tenha um olho na entrevista e outro no leitor, bicho decididamente no fim do ciclo de vida.

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Acalente a esperança de mudar o mundo
2RilkeOutra: nunca, jamais, em tempo algum se deixe vencer pela tentação de afirmar que tal coisa, atitude ou pessoa “faz a diferença”. Esta expressão está mais surrada do que notícia da contratação de Adriano, dito Imperador. No mais, como jornalista, conserve acesa a chama da esperança de mudar o mundo – mas antes procure mudar seu texto, em processo de contínua melhoria. Rainer Maria Rilke (1875-1926), que me soprou esta tirada, jogou duro numa de suas Cartas a um jovem poeta, dureza que transponho. “Pergunte a si mesmo, na hora mais tranquila de sua noite: ´Sou mesmo forçado a escrever?´”. Se a resposta for não, contente-se em saber que nem todos vieram ao mundo para ser jornalistas.
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“A aprendizagem é uma longa clausura”
Chamado a redigir anúncios (isto há de ocorrer, cedo ou tarde) não deixe que o cliente enxerte no texto coisas do tipo “ligue agora, está esperando o quê?” ou, esta, também abominável: “a prestação cabe no seu bolso”. Se ele insistir, desista: vá-se o cliente, fique a qualidade. Lembre-se de que você não é casa de tolerância, onde quem paga tem todos os direitos. Voltemos ao velho Rilke: “Pessoas jovens que ainda são estreantes em tudo, não sabem amar, têm que aprendê-lo. Com todo o seu ser, com todas as suas forças concentradas em seu coração solitário, medroso e palpitante, devem aprender a amar, mas a aprendizagem é sempre uma longa clausura”. Troque amar por escrever e… boa sorte.
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DE HISTÓRIA, POESIA E AFRODESCENDÊNCIA

4O quibe no tabuleiro da baianaIntegrada ao seu tempo, a Editus, Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz, acaba de entrar para o contemporâneo segmento dos livros digitais. Já estão disponíveis para leitura na maquininha três autores antes editados em papel: Ruy Póvoas (Versorreverso, Itan de boca a ouvido, A fala do santo e Itan dos mais velhos), Maria Luísa Silva Santos (O quibe no tabuleiro da baiana) e Antônio Lopes (Solo de tromboneditos & feitos de Alberto Hoisel). É só clicar e ler, sem mais desculpas, pois é de graça feito o ar que se respira. Sem trombetas ou megafones, confetes ou serpentinas, a Editus abre caminho para um excelente programa de leitura.
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“Meu sorriso, meu olhar, minhas mãos”
De Ruy Póvoas, escritor de méritos reconhecidos e ser humano sabidamente bom, nobre e justo, vai aqui o poema “Repetição”, pescado em Versorreverso: “Já te disse tudo. # Disse com meu sorriso,/ disse com meu olhar,/disse com minhas mãos,/ disse com meu cantar. # Disse com minhas crises,/ disse com os meus textos,/ disse com o meu corpo,/ disse com o coração. # Disse com minha glória,/ disse  com minha história,/ disse com o meu medo,/ disse com devoção.# Disse com minha alma,/ disse com minhas dores,/ disse com meus temores,/ disse com minha calma,/ disse com meu sofrer. # Agora, fico calado,/ mas até o meu silêncio/ é outra forma de dizer”.

(ENTRE PARÊNTESES)

6 MarcosTenho em mãos os originais do último livro de Marcos Santarrita (1941-2012), À sombra dos laranjais. Versado em romance histórico (fez, nesta linha, Mares do sul e Ilha dos trópicos – além de uma trilogia sobre a ditadura militar), o autor agora ambienta sua narrativa na Guerra do Paraguai. Tendo entre os personagens figuras como Caxias, Osório, D. Pedro II e Solano López, Santarrita desfia uma história de amor e guerra, sexo, espionagem e traição. Resultado de exaustiva pesquisa, o texto reconstitui usos e costumes da época, tendo até diálogos em guarani. À sombra… é o oitavo romance de Marcos Santarrita.

“NEGRA, POBRE, PROSTITUÍDA E DROGADA”

7 Billie e PrezEsqueçam o que eu escrevi. Lembram-se desta frase de famoso presidente? Tomo-a emprestado, noutro contexto, para mudar explicação aqui dada a respeito do registro, em 1958, de Fine and mellow, por Billie Holiday com um grupo all stars. Descrição muitíssimo melhor do que a minha é a de Sylvia Fol, em Billie Holiday (Coleção Biografias L&PM Pocket, tradução de Williams Lago/2010). É a pungente história de uma mulher negra, pobre, prostituída, drogada, de voz lânguida e vigorosa, que influenciou centenas de vocalistas. Não só sinônimo de jazz, Billie é também um caminho para a liberdade. A seguir, o texto de Mrs. Fol, em tradução livre.
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Para “Prez”, um olhar inesquecível
“Billie escuta os solos dos três melhores saxofonistas tenores da era do swing com reações diferentes. Cheia de boa vontade para com Ben Webster, plena de admiração com Coleman Hawkins. Marcando o ritmo, um vago sorriso erra sobre seus lábios, seus olhos se entristecem… Depois, Lester Young, parecendo extenuado e doente, se levanta, volta o rosto inchado para Billie, os olhos são fendas sem vida. Toca, com ar distante, mas seu solo, expressivo e sensual, é de uma nostalgia perturbadora, como se seu último suspiro fosse inspirado por essa mulher tão amada… Billie cobre ´Prez´ com um olhar inesquecível, cheio de bondade, ternura e reconhecimento”. Eu que agradeço.

(O.C.)

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MejigãO acadêmico Ruy do Carmo Póvoas, da Academia de Letras de Itabuna (Alita), lança nesta quarta-feira, 17, no auditório do 5º andar da torre administrativa da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), às 9h30min, o livro Mejigã e o contexto da escravidão, por ele organizado.
Publicado pela Editus/Editora da Uesc, o livro reúne uma coletânea de textos sobre a presença dos afrodescendentes no Sul da Bahia. A saga de uma escrava ijexá, Mejigã, trazida da África para o Engenho de Santana e que se transformou em grande liderança na luta pela liberdade do seu povo dá nome à obra.
Ruy Póvoas, que é também professor de língua portuguesa da Uesc, contista, poeta, babalorixá e doutor em letras vernáculas, é bisneto de Mejigã (que, como escrava, foi forçada a trocar o nome para Inês Maria).
O livro traz textos de André Rosa Ribeiro, Arléo Barbosa, Flávio Gonçalves dos Santos, Ivaneide Almeida da Silva, Kátia Vinhático Fontes, Consuelo Oliveira, Marialda Jovita Silveira, Mary Ann Mahony e Terezinha Marcis.

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A professora Ivete Sacramento vem a Itabuna neste domingo, a convite da Academia de Letras de Itabuna (Alita) e do Terreiro Ilê Axé Ijexá Orixá Olufon, dirigido pelo escritor e babalorixá Ruy Póvoas, para participar das comemorações do Dia da Consciência Negra.

A palestra da professora, que integra uma ampla programação, a partir das 16 horas do domingo (com apresentação de diversas manifestações artísticas, textos dramatizados, música e outras), terá como tema “Literatura e consciência negra no Brasil”, na Rua Getúlio Cargas, 642, no bairro Santa Inês.

De acordo com a presidenta em exercício da Alita, Sônia Maron, a parceria da academia com o Ilê Axé Ijexá “representa o reconhecimento da diversidade cultural, além um alerta para a importância dos valores africanos em nossa formação”.

Para o professor e babalorixá Ruy Póvoas, o terreiro de candomblé “é um espaço onde é possível outra interpretação do universo e da vida, nem melhor nem pior do que o paradigma ocidental, mas outra interpretação”.

Ivete Sacramento é mestra em Educação e, ao assumir a Universidade do Estado da Bahia (Uneb), foi a primeira reitora negra do Brasil. Ela é responsável pela implantação, de forma pioneira, na Uneb, do sistema de cotas para afrodescendentes. Com mestrado em Montreal/Canadá, Ivete Sacramento, que exerceu o magistério em Ubaitaba, é detentora de vários prêmios, pela sua militância em favor da inclusão social dos negros e descendentes.

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ANALFABETOS COM DIPLOMA E ANEL NO DEDO

Ousarme Citoaian | ousarmecitoaian@yahoo.com.br

Vão pensar que brinco em serviço, se lhes repetir o que li: segundo o Indicador do Alfabetismo Funcional (Inaf), 65% dos brasileiros que concluíram o curso médio não são plenamente alfabetizados. Isto quer dizer: têm dificuldades para entender, interpretar, analisar, avaliar conteúdos, relacionar as partes do texto e distinguir fato de opinião. Se os gentis leitores e leitoras ficaram abalados, sentem-se, pois o pior está por vir: diz o Inaf que 38% das brasileiras e brasileiros de nível universitário encontram-se na mesma situação, ou seja, possuem nível insuficiente em leitura e escrita. Estes seriam os analfabetos de terno, gravata, diploma e anelão no dedo.

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Boçalidades exuberantes e barulhentas

E como fica a tese da classe média dita “formadora de opinião”, em defesa da leitura que liberta, transforma, constrói? É pregar no deserto, discursar para ouvidos moucos, mostrar imagem a cegos. Somos uma nação de analfabetos funcionais tácitos e hereditários, alguns desses (devido à sua alta titularidade sem conteúdo) autoconsiderados sumidades, quando não passam de boçalidades exuberantes e barulhentas. Recentemente, uma desembargadora do Rio, no texto de sua sentença, recomendou aos advogados da causa examinada “adquirir livros de português de modo a evitar expressões que podem ser consideradas como injuriosas ao vernáculo”.

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Atentado contra a língua portuguesa

E ela cita exemplos que atestam serem completamente ignorantes em ortografia os nobres causídicos que apresentaram as contrarrazões do processo: em fasse (no lugar de “em face”), aciste (“assiste”), cliteriosamente (“criteriosamente”), doutros julgadores (“doutos”), estranhesa (“estranheza”), discusão” (“discussão”), inedoneos (“inidôneos”). Fico sabendo de uma curiosidade: “o advogado que atenta contra o vernáculo comete infração disciplinar”, de acordo com a Lei nº 8.906/94 (Estatuto da Advocacia). Logo, este caso sugere a ideia de que os advogados dessa causa deveriam ser processados por tentativa de homicídio. A vítima? A idosa, inculta, porém bela língua portuguesa.

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AS GRANDES HISTÓRIAS DE ANTÔNIO JÚNIOR

Antônio Nahud Júnior, depois de publicar, pelo menos, oito títulos (em gêneros variados), está de livro novo na praça, ainda quente do prelo: Pequenas histórias do delírio peculiar humano. São contos da mais diversa feitura, alguns ditos minimalistas, outros extensos, uns na primeira pessoa, outros tendo o autor como narrador “distante” – mas, em conjunto, todos formando uma celebração da maturidade do artista. E mais não digo para evitar a ociosidade da chuva no molhado, pois Pequenas histórias… é apresentado por Jorge Araújo e Ruy Póvoas, ainda com luxuosas orelhas lavradas por uma especialista em Coelho Neto, a pesquisadora Danielle Crepaldi, da Unicamp.

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O lado penumbroso do ser humano

Para Jorge Araújo, Pequenas histórias…“é livro inquieto e inquietante, que convida ao debate e à inteligência não conformados ainda à inércia do pensar de calças curtas”. E destaca o conto “Sem notícias de Deus” como “soberbo, antológico e definitivo”. Danielle Crepaldi percebe a erudição do autor, salientando que Poe, Miller e Ibsen “ecoam nessas histórias”, também destacando “Sem notícias…”, em que “a crítica social singelamente brota da aridez da fome e do clima nordestino”. Ruy Póvoas afirma que Nahud Júnior tem personagens “em crise de delírio”, que mostram “o lado sombrio do ser humano, sua rede de trevas, que a maioria teima em negar ou ignorar”.

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ALITA PRESTA HOMENAGEM A JORGE AMADO

A Academia de Letras de Itabuna (Alita), presta homenagem a Jorge Amado, com o projeto “A Alita vai à escola”, de 27 de agosto a 5 de setembro. Dia 27 – 19 horas: Cyro de Mattos, com o tema Jorge Amado em Itabuna (auditório da FTC); Dia 28 – 9 horas: Margarida Fahel, com Jorge Amado: um humanista nas terras do cacau (Colégio Militar); 29 – 9 horas: Antônio Lopes, com Jorge Amado: o pão e a liberdade (Campus 2 da Unime); 30 – 9 horas: Gustavo Veloso e Ceres Marylise, com exibição de documentário sobre Jorge Amado, seguido de atividades interativas (Escola Lourival Oliveira – Ferradas); Dia 5/9: Ruy Póvoas, com o tema Jorge Amado: ficcionista, ogã e obá.

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ENFIM, CORONEL RECEBE TÍTULO MERECIDO

A Justiça demorou mas reconheceu, agora em agosto, que o coronel da reserva do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra (sem foto, para a coluna não cheirar mal), chefe dos serviços de repressão a presos políticos em São Paulo (1970-1974), merece o título que com tanta determinação perseguiu: “Torturador”. Ele é tido como símbolo dos agentes da ditadura militar (1964-1985) que, em nome do Estado, sequestraram, torturaram, estupraram, mataram e ocultaram corpos de presos políticos e “inimigos” do regime. Estima-se que 17 pessoas foram assassinadas na “gestão” de Ustra (que usava o codinome de Doutor Tibiriçá e raramente sujava as mãos: apenas dava ordens e supervisionava o “serviço”).

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Dante aprendido no pau-de-arara

Não se sabe (nem interessa saber) se Ustra, um bandido vestido de verde-oliva, lia os clássicos. Mas seus presos tomaram conhecimento, pelo modo mais doloroso, do Inferno de Dante: a quem entrasse naquelas masmorras modernas a lógica perversa mandava, como noCanto III de A divina comédia, renunciar a qualquer esperança de rever o céu. Na minha tradução (de Fábio Alberti, para a Abril Cultural) está, à página 18, uma indagação apropriada ao caso: “Que dor tão cruel se apodera deles e os faz gritar, urrar tão fortemente?” O Doi-Codi de São Paulo, era um inferno; o coronel Ustra, o capeta-chefe.

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SEM TREJEITOS, CHICO CANTA A MULHER-MULHER

Sem aqueles trejeitos homossexuais (que transmitem ridícula caricatura da mulher) Chico Buarque tem um lado lucidamente feminino, isto é, político: não canta a mulher “gostosa”, objeto de desejo sexual, nem tão pouco a mulher-musa, deusa no alto do panteon. Seu discurso é o da dor, da discriminação, do “veneno” e da grandeza dessa costela tirada de um ser já também esfacelado chamado homem. Sua visão, prenhe de poesia e beleza, não é sobre a mulher, mas da mulher. São tantas as canções (Atrás da porta, Olhos nos olhos, O meu amor, Teresinha, Folhetim), mas me detenho numa que ele fez especialmente para Nara Leão: Com açúcar, com afeto.

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“Quando a noite, enfim, lhe cansa…”

O malandro sai de casa em busca de dinheiro para sustentar sua Amélia, mas ela sabe que até a oficina “há um bar em cada esquina” – e ele vai beber, cantar, discutir futebol e olhar as pernas das moças – “coisas de homem”. Isto tudo é dito com rimas magníficas, um ótimo trocadilho (“alegre, ma non tropo”) e um fecho de ouro: finda a farra, o cara (que saiu “com seu terno mais bonito”) retorna “maltrapilho e maltratado” feito um gato após orgia no telhado. Ela tenta zangar-se, mas qual! “Ainda vou esquentar seu prato/dou beijo em seu retrato/e abro os meus braços pra você” – que mulher! A cantora erra a letra (onde estava“há” ela canta “existe”, quebrando o verso), mas não reclamo. Nara Leão tem direito.

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Como se fosse uma conversa de botequim

E antes que vocês queiram ver/ouviresta injustamente pouco executada canção de Chico, um aviso a quem interessar possa: a partir da próxima terça-feira, pretendo responder aos comentários que necessitem de resposta. Nada de chat – ou coisa igualmente chata (ops!): só esclarecer pontos de vista e retribuir a gentileza dos que gastam tempo e tutano opinando sobre esta coluna (alguma coisa como uma inocente conversa de botequim, com permissão de Noel). E com vocês, Nara Leão!

O.C.