O vereador Gurita e o prefeito Mário Alexandre: líder do governo sai em defesa do chefe do Executivo e tenta apaziguar tom crítico adotado por correligionários do PSD
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Em entrevista ao PIMENTA, líder do governo coloca panos quentes sobre ensaio de insurgência de aliados do prefeito Mário Alexandre

O mês de junho começou com “pequena crise” na base do prefeito Mário Alexandre, Marão (PSD), na Câmara de Vereadores de Ilhéus. A expressão entre aspas foi usada pelo vereador Paulo Carqueija (PSD), na terça-feira (1º) da semana passada, durante discurso no plenário.

Na ocasião, Carqueija endossou reclamações do presidente da Câmara, Jerbson Moares (PSD), sobre a dificuldade que os vereadores alegam ter para conversar com o prefeito e obter respostas às suas solicitações. Acrescentou que a postura de Jerbson não é isolada, ainda que outros parlamentares guardem as insatisfações para os bastidores. “Aí, senhores, é onde as coisas se proliferam e acontecem”, disse o experiente vereador.

Foi no plenário que Jerbson anunciou, no dia 2 de junho, a devolução de projetos de lei ao Executivo para correções. Segundo parecer da Câmara, o governo cometeu erros que inviabilizaram a tramitação da abertura de créditos especial e suplementar no orçamento deste ano. Apesar da justificativa técnica do presidente, o gesto soou como ruído na sua interlocução com o governo.

Ontem (9), o presidente da Câmara concedeu entrevista ao programa Tropa de Elite, a metralhadora da informação manejada pelos radialistas Robertinho Scarpita e Marinho Santos na Gabriela FM. Jerbson enfatizou que seu problema com o prefeito é de ordem pessoal – relembre aqui.

Nesta quinta-feira (10), em entrevista ao PIMENTA, o vereador Alzimário Belmonte, Professor Gurita (PSD), falou sobre os últimos acontecimentos da política local. Com postura apaziguadora, o líder do governo na Câmara opinou a respeito das manifestações de Jerbson e Carqueija. Também estimou prazo para a sanção da reforma administrativa do município e revelou o que pensa de eventual candidatura da primeira-dama Soane Galvão nas eleições do próximo ano. Leia.

BLOG PIMENTA  – O presidente da Câmara, Jerbson Moraes (PSD), mostrou descontentamento sobre a relação dele com o prefeito. Depois, esclareceu que é uma crise pessoal, não institucional. No entanto, o vereador Paulo Carqueija (PSD) disse que a fala de Jerbson não é isolada. Outros vereadores teriam se manifestado nesse sentido, mas nos bastidores. Para a liderança do governo, o que significam essas manifestações de insatisfação?

Professor Gurita – Na verdade, não há insatisfação. Jerbson é amigo pessoal do prefeito, correligionário de partido, uma pessoa correta. A questão pessoal que ele fala na entrevista dele – eu ainda nem ouvi essa entrevista – deve ser algo muito pontual, que acontece com qualquer relação e depois se organiza e passa, mas não há esse descontentamento. A base do governo está comprometida com a cidade de Ilhéus, com os projetos que sejam importantes para Ilhéus e com o prefeito Mário Alexandre, que vem, inclusive, fazendo um trabalho belíssimo. A gente não pode, em hipótese algum, fragilizar ou se opor a isso.

Vou insistir no tema pois Carqueija e Jerbson disseram que tentam contato com o prefeito há mais de um mês e não obtiveram resposta. Segundo um empresário ligado ao turismo, o prefeito é muito blindado pelo grupo político mais próximo dele. O senhor acha essa avaliação correta?

O prefeito não é blindado em hipótese alguma. Nós, vereadores, já estivemos várias vezes com o prefeito nesse ano. Quando se pede audiência com o prefeito, inclusive através de mim, que sou o líder do governo, eu marco e, imediatamente, o prefeito atende. Essa fala [do empresário] não está em consonância com os acontecimentos. Pode ser que numa situação extraordinária em que o prefeito não pôde atender, a pessoa não gostou, mas não é verdade. Nesta semana já tive reunião com o prefeito e toda a base. Amanhã [sexta-feira, 11] o prefeito vai atender vários vereadores e a rotina dele é essa. É uma rotina natural, de quem atende as pessoas, a não ser quando acontece de estar em Brasília, em Salvador, buscando recursos para Ilhéus, porque, se ele ficar aqui o tempo todo no gabinete atendendo pessoas, ele não vai fazer a gestão. A gestão depende de recursos, sobretudo das emendas parlamentares, de deputado federal, senador. O prefeito vai, junto com o vice-prefeito Bebeto Galvão [PSB], buscar esses recursos para governar Ilhéus. Ilhéus não estaria na boa situação em que está se ele não agisse dessa forma.

Creio que no final da próxima semana a reforma já estará sancionada.

O que falta para a reforma administrativa ser publicada? Já tem uma data?

Só falta a votação, na Câmara de Vereadores, da lei orçamentária que dá sustentação à reforma. Nós deveremos votar essa lei orçamentária na próxima terça-feira [15]. Daí em diante o prefeito vai ver quando vai sancionar. Acredito que não demore muito. Creio que no final da próxima semana a reforma já estará sancionada.

Algumas vozes do Partido dos Trabalhadores, exaltando a figura do governador Rui Costa, dizem que o prefeito não deixou marca própria porque dependeria, na opinião dessas vozes, dos empreendimentos tocados pelo Governo do Estado. Na avaliação do senhor, qual é a marca do governo Marão?

A marca do governo Marão é a marca de um governo que faz grandes parcerias e, dentre essas parcerias, está o governador do estado, Rui Costa. Se o prefeito de Ilhéus não fizesse essas parcerias, com certeza, estaria todo mundo falando que a cidade estaria numa situação ruim porque o prefeito é oposição ao governador. Mas, Mário é uma pessoa sensata da política e tem responsabilidade. Ele buscou o governador e outros apoios para governar Ilhéus e, por isso, Ilhéus está numa situação de desenvolvimento como nenhuma outra cidade da Bahia. Isso é perceptível aos olhos de qualquer um.

O senhor pretende caminhar junto com a primeira-dama numa eventual candidatura dela para a Assembleia Legislativa da Bahia?

A primeira-dama, a senhora Soane Galvão, é um grande quadro para ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado da Bahia. Eu sendo do PSD, correligionário [do prefeito], não poderia ser diferente do que dar total apoio, até porque Ilhéus e a região precisam fazer seus representantes. Soane é um quadro que honraria muito a região se conseguirmos – ela sendo candidata – colocá-la na Alba.

Como o senhor avalia os primeiros seis meses da volta à Câmara de Vereadores?

Eu volto pela vontade popular, fui votado nas urnas. Isso significa que as pessoas de Ilhéus gostam e confiam no nosso trabalho, porque as pessoas percebem que é um trabalho sério, compromissado, as pautas que eu defendo aqui na cidade são extremamente relevantes para a sociedade, para o povo. E esse comprometimento faz com que as pessoas gerem respeito e credibilidade, por isso estou de volta. Nesses seis meses, eu creio, sem demérito nenhum aos colegas, tenho sido um vereador bem avaliado pela população por todos os encaminhamentos que tenho feito, de projetos de leis, audiências públicas e sessões especiais, defendendo sempre os interesses republicanos, que são os interesses do povo de Ilhéus.

O vereador Alzimário Belmonte, Gurita
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O vereador Alzimário Belmonte, Gurita (PSD), líder do governo Marão na Câmara de Ilhéus, pôs a imunidade parlamentar à prova. Na terça-feira da última semana (9), em discurso no plenário virtual do Poder Legislativo, ele acusou as empresas Viametro e São Miguel de “genocídio” contra o povo do município por causa da redução do número de ônibus nas ruas no meio de uma pandemia de doença respiratória, a Covid-19.

Gurita repetiu declaração que deu à imprensa recentemente, quando disse que “as empresas de ônibus estão praticando um grande genocídio na cidade de Ilhéus”. “Quando você diminui a frota, o que é que vai acontecer?”, perguntou o edil, antes de emendar a resposta:

– Vai superlotar os ônibus. Então, o que acontece? A transmissão do Covid nos ônibus é muito grande, por isso que eu fiz aquela fala, que é um genocídio que elas tão praticando.

Nesta quarta-feira (17), a Câmara promoveu audiência pública sobre o transporte coletivo do município.