Uma fonte da Companhia Independente de Policiamento Especializado (Cipe Cacaueira, antiga Caerc) acaba de informar ao PIMENTA que este grupamento da PM colocará seus 120 homens nas ruas ainda nesta manhã. A ordem do comando é para que seja garantida a segurança da população, independentemente da greve.
O policial com quem o blog conversou disse recear pela possibilidade de confronto entre os integrantes da Cipe e os grevistas. “Essa hipótese existe, mas se eles tentarem impedir nosso trabalho ou tomar viaturas, nós iremos reagir”, avisa o PM.
Em Ilhéus, vários estabelecimentos comerciais permanecem de portas fechadas.
Circulava ontem na “Praça do Cafezinho”, termômetro da política ilheense:
Enquanto na itália, o comandante do navio Costa Concordia, Francesco Schettino, abandonou o barco durante o naufrágio, em Ilhéus ocorreu justamente o contrário. O prefeito Newton Lima largou a cidade em meio ao caos da greve da PM e refugiou-se no navio MSC Orchestra, que se encontrava atracado ontem no Porto do Malhado.
Na companhia do comandante Giuliano Boffi, Newton degustou vinhos das melhores safras e pratos requintados, bem longe da balbúrdia que imperava no centro da cidade, onde ao comércio fechou por medo de arrastões.
Como diriam os colunistas jurássicos, “sorry, periferia”…
150 Homens da Força Nacional já em Salvador ontem à noite.
O governo baiano anunciou hoje a chegada de 650 homens da Força Nacional de Segurança e de 2.000 homens do Exército para o reforço da segurança pública com o recrudescimento da greve na Bahia.
A presença da Força Nacional e do Exército foi solicitada pelo governador estadual ao Ministério da Justiça. Parte dos 2.650 homens chega nesta sexta-feira. No final da noite de ontem, 150 homens da Força Nacional chegaram a Salvador. A Força Nacional é composta por homens das polícias militares de vários estados brasileiros.
A adesão à greve dos PMs é total nos municípios de Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista e Itabuna. Os policiais atendem apenas em casos urgentes e parte do efetivo faz a segurança de hospitais e presídios. Em Itabuna, os policiais militares estão aquartelados desde ontem à noite (confira aqui).
Da Folha de São Paulo
O novo ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), 42, teve ascensão meteórica, assumindo cadeira na Esplanada um ano após chegar a Brasília.
Novato na capital, ele é de uma tradicional família de políticos na Paraíba, onde foi eleito deputado por dois mandatos.
Em Brasília, herdou a vaga do pai, o ex-deputado Enivaldo Ribeiro. A mãe, Virgínia Maria, é prefeita de Pilar (PB), e a irmã, Daniella, deputada estadual. Todos são do PP. Ele pertence a uma ala do partido apoiada pelo ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf.
O patriarca é o ex-deputado e usineiro Aguinaldo Veloso Borges. Avô do novo ministro, é ligado, em livros oficiais, a assassinatos de dois líderes camponeses.
O pai do ministro foi suspeito de participação no esquema dos sanguessugas, que cobrava comissão de emendas na área da saúde.
Em 2008, o novo ministro foi condenado, em primeira instância, a pagar multa de R$ 15 mil por irregularidades em um contrato de R$ 500 mil assinado durante sua gestão na Secretaria de Agricultura da Paraíba.
Itabuna registrou três homicídios desde a deflagração da greve da PM em Itabuna. Dois dos assassinatos ocorreram nesta manhã nos bairros Antique e Califórnia. Os mais de 470 policiais militares do 15º BPM em Itabuna aderiram à greve ontem à noite e todas as viaturas e homens estão aquartelados (confira aqui).
Neumara Pereira dos Santos foi assassinada na avenida Bionor Rebouças, no Antique. Já o mascate identificado como João Lopes foi morto a tiros dentro de uma casa na rua Serrinha, na Califórnia, executado a tiros. O terceiro homicídio ocorreu ontem à noite, no Fátima.
Entrevistado no Jornal da Manhã (Rede Bahia), nesta sexta, 3, o secretário da Segurança da Bahia, Maurício Barbosa, afirmou que o governo não negociará com policiais grevistas. O titular da SSP deixou claro que as negociações somente ocorrerão a partir do momento em que os PMs retornarem ao trabalho.
Barbosa fez uma crítica ao clima de pânico instalado pela greve da PM e mandou uma advertência: “policial insatisfeito, que sai por aí armado e encapuzado, não ficará impune”.
A greve produziu caos e desordem, além de uma onda de boatos em Ilhéus e Itabuna que levou ao fechamento de estabelecimentos comerciais e fez muita gente não se atrever a sair de casa. Em Feira de Santana, rodoviários se recusam a trabalhar, temendo assaltos e atos de vandalismo.
Policiais saem do batalhão e fazem carreata em Itabuna (Foto Gilvan Rodrigues/Pimenta).
Cerca de 300 policiais militares aguardavam, por quase duas horas, o desfecho da reunião de porta-vozes com o comandante do 15º Batalhão da Polícia Militar. Auxiliados por membro da Força Sindical e do ex-policial Fabrício Ribeiro (Fabrício Ninja), os militares se aglomeravam na entrada do batalhão e na área interna.
Às 19h20min, comemoração: “ô, a polícia parou”. Acabavam de assistir a um telejornal estadual que trazia informações do movimento na capital baiana. Comemoravam. Mas as atenções se voltavam para o gabinete ao lado.
Intervalo no BA-TV. Retorna. Agora as notícias são regionais. Um grupo de aproximadamente 100 policiais volta a se aglomerar em torno de um aparelho televisor de 40 polegadas, dentro do batalhão. Flashes do que foi o dia em Ilhéus e Itabuna.
Turistas, nativos em Ilhéus. Entrevista com uma mulher que teve a câmera roubada. “Ué, isso acontece todo dia”, comenta um policial pra lá de desconfiado do noticiário. “Eles tão com o governo”, completa outro.
Agora, Itabuna. Imagens não conseguiam sintetizar o corre-corre no centro da cidade onde nasceu Jorge Amado. Os policiais voltaram os olhares, novamente, para o prédio ao lado. Nada. O REGRESSO DE WAGNER E A INTERNET
Notícia mesmo só viria 40 minutos depois. Os representantes dos policiais voltaram falando de um governador que prometia reabrir negociações. Era Jaques Wagner após retornar da viagem ao “paraíso” de Fidel Castro. Sim, Cuba.
Professor, didático, o líder dos policiais, “importado” de Ilhéus, instruía a tropa sobre como agir. Em tempos de internet, o conselho: usem o Facebook, e-mails. “Essa greve é bem diferente de 2009, gente. Hoje, nós temos a internet, mais facilidade se comunicar”, ensinava. Um dos alertas era acompanhar o Bizu de Praça, “atualizado constantemente”.
Sindicalista que auxiliava os policiais “dava a letra”: Viaturas recolhidas das companhias para o batalhão (Foto Gilvan Rodrigues/Pimenta).
– Gente, (sic) vamos usar a internet, o Facebook. Assim, a gente tem um canal e também pauta a imprensa – observava. O “Face” e o Twitter são ricas fontes de pauta.
Terminada a “assembleia”, uma das lideranças escolhidas para conversar com o comando concede entrevista ao PIMENTA. E afirma:
– A polícia vai agir só em extrema urgência. A partir de agora estão todos aquartelados. Todas as viaturas, inclusive das companhias, foram recolhidas para o 15º Batalhão da PM.
Na verdade, nem todas. Parte ainda estava nas companhias, mas foram recolhidas à medida que avançava a carreata dos policiais pelos principais bairros e avenidas de Itabuna. Cerca de 150 carros saíram do batalhão e circularam pela cidade. “RADICAIS” E MAIS ORGANIZADOS
A ordem é clara: atendimento somente a ocorrências graves e prioridade a hospitais, complexo policial e conjunto penal. Mesmo com a greve, diz a liderança, a preocupação será com a sociedade naquilo que possa representar maior perigo ao cidadão.
O governo tem suas formas de pressão, mas pode estar diante de uma greve bem diferente daquela ocorrida em 2009. E as diferenças começam na “paciência” com a gestão – depois de promessas não cumpridas – e com o fator comunicação (internet, pois!). Mas há outra, a organização. A associação mais radical do movimento, a Aspra, contagiou os demais grupos.
Nações Unidas em plena quinta: pizzarias fechadas, cenário de deserto (Montagem Pimenta).
A greve dos policiais militares em Itabuna já havia provocado pânico e correria durante parte da tarde desta quinta (2). Início da noite, as ruas centrais estavam desertas e nos bairros a maioria preferia abrigar-se em suas casas. Alguns pontos comerciais, como supermercados, ainda resistiam.
A Rua das Nações Unidas, conhecida por abrigar as principais pizzarias de Itabuna e muito movimentada às quintas e finais de semana, mais parecia um “deserto” nessa noite. A falta de segurança fez com que os estabelecimentos mantivessem as portas baixadas. Prejuízo para o bolso dos empresários. Assim como as pizzarias, os principais points do centro também não abriram.
Empreendimentos como o Itão Hipermercados do São Caetano mantiveram as portas abertas, mas fecharam as portas mais cedo. Em dias normais, a filial da rede de supermercados fecha às 23h. Nesta quinta, as portas foram baixadas às 21h.