Reforma de praça, no Góes Calmon, levou Prefeitura a cortar árvores || Foto Jorge Barbosa
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Diante da dura realidade de degradação ambiental progressiva em Itabuna e no mundo, é cada vez mais necessária a mobilização popular com o objetivo de exigir a manutenção da cobertura vegetal existente

 

 

Jorge Barbosa

Não é de hoje que a motosserra está a mão de funcionários da prefeitura de Itabuna para derrubar árvores urbanas em nome do “progresso”. A despeito disso, muito se fala em reflorestamento, mas na prática, o que se vê é o corte inadvertido de árvores em nossas praças, avenidas e às margens do Rio Cachoeira, tão negligenciado quanto a pequena mata ciliar que o rodeia. Desse modo, estamos cada vez mais longe de uma cidade verde e sustentável.

Devemos preservar o pouco verde que nos resta e incentivar a:

  • Arborização: com intensificação de uma ampla cobertura vegetal em ruas, parques e praças, evitando as ilhas de calor.
  • Infraestrutura azul e verde: com a integração de corpos d’água com áreas permeáveis.
  • Mobilidade sustentável: priorizar o transporte público de qualidade e acessível, além de incentivar ao uso de bicicletas e ao cuidado e respeito com os pedestres.
  • Gestão de resíduos: com foco em reciclagem e economia circular.

Nos últimos anos temos assistido à derrubada de árvores ao lado da Avenida Princesa Isabel, na Avenida Aziz Maron, margens do Rio Cachoeira e, recentemente, na Praça Celso Fontes Lima, no bairro Góes Calmon.

O pior é que toda a supressão de árvores é executada após licenças ambientais dos órgãos responsáveis. O que não isenta tais atos de crimes ambientais, tendo em vista que árvores de até aproximadamente 100 anos foram ao chão.

Como todos sabem, as árvores são residências de pássaros e demais animais que, milagrosamente, conseguiram adaptar-se ao hostil meio urbano.

O centro do nosso questionamento não é se o projeto urbanístico é útil ou necessário, o que nós contestamos é a visão dos projetistas que partem sempre do ponto de vista do que é mais cômodo, vantajoso, proveitoso e barato, colocando a natureza sempre em último lugar.

Apesar de todo o debate acerca da importância do equilíbrio ecológico e do respeito ao meio ambiente, na hora do dito “interesse público”, toda a legislação ambiental é colocada em segundo plano.

Diante da dura realidade de degradação ambiental progressiva em Itabuna e no mundo, é cada vez mais necessária a mobilização popular com o objetivo de exigir a manutenção da cobertura vegetal existente e, ao mesmo tempo, de projetos de arborização urbana e à margem de rodovias.

Caso o cidadão eleitor não tome partido, assistiremos à liquidação das últimas árvores urbanas e das últimas reservas ambientais. Tudo em nome do desenvolvimento degradante.

Lutemos juntos para uma Itabuna mais verde e sustentável.

Jorge Barbosa é vice-presidente do Sindicato dos Bancários de Itabuna e Região.

Em pé: Bita, Americano, Carlinhos Pirata, Arnaldo Badaró, Itajaí e Boinha; Agachados: Pingo, Vilson Longo, Mourão, Esquerdinha e Luiz Roberto || Arquivo Walmir Rosário
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Pouquíssimos jogadores de futebol foram aquinhoados com a felicidade de serem convocados para duas seleções, e dentre os notáveis estão Ferenc Puskás (Hungria/Espanha), Mazzola (Brasil/Itália), Robert Prosinečki (Iugoslávia/Croácia), Thiago Motta (Brasil/Itália) e Diego Costa (Brasil/Espanha). Eles aproveitaram a dupla nacionalidade ou a dissolução de países. Eu ainda incluo Evaristo de Macedo no Barcelona e Real Madrid.

Mas não só exemplos famosos do futebol internacional podem ser incluídos nesta seleta lista. Um grapiúna – itabunense de quatro costados – tem lugar entre os especiais: José Itajaí Andrade Teixeira, nos campos de futebol simplesmente Itajaí, que jogou pela Seleção de Ilhéus e, em seguida, foi convocado para a Seleção de Itabuna, a Hexacampeã baiana.

Sem qualquer paixão ou proselitismo, podemos considerar a participação de Itajaí nesta seleta lista – guardadas as devidas proporções –, por se tratar de um jogador amador, portanto exposto à paixão dos torcedores devido à rivalidade entre as duas cidades. A convocação nas duas seleções foi motivada pelo futebol técnico e sério que jogava.

Em pé: Luiz Carlos, Santinho, Itajaí, Régis, Déri e Ronaldo; Agachados: Neném, Valdemir, Bel, Danielzão e Evaristo || Arquivo Walmir Rosário

Vou logo alertando ao torcedor mais jovem que para enfrentar a vibrante, numerosa e apaixonada torcida daquela época era preciso que o jogador possuísse domínio dos nervos, em campo ou fora dele. A primeira palavra que saía da boca de um apaixonado – melhor dizendo, fanático – torcedor era traidor da pátria, seguida de xingamentos nada amistosos.

No caso de Itajaí, pelo seu comportamento durão, daqueles que não leva desaforo para casa, o oponente pensava duas vezes antes de atacá-lo, pois a resposta vinha pronta, sem pestanejar. Mas, os explosivos torcedores aguardavam outras oportunidades para lançar os impropérios, principalmente quando separados pelo alambrado que divide o gramado da torcida.

Itabunense, Itajaí foi morar em Ilhéus por decisão da família para estudar o ginásio, no final da década de 1950. É aí que o um tio morador em Ilhéus e diretor do Vitória ilheense, o convida para residir com ele na vizinha cidade. Convite aceito por ele e a família, Itajaí nem bem se ambienta na nova cidade, recebe o convite para treinar no time, ocupando a mesma posição da equipe anterior: zagueiro.

No Vitória, inicia o treinamento e no primeiro jogo – num domingo –, na primeira bola em que pega, um jogador adversário lhe dá um violento pontapé no tornozelo, que virou o pé. Ao voltar pra casa sua tia Djalma, que era muito enérgica, disse que iria tratá-lo, mas, quando estivesse restabelecido, teria que fazer a mesma coisa com ele, se não iria apanhar.

Após passar 20 dias imobilizado (no gesso), Itajaí retorna aos treinamentos e ao disputar uma bola com o mesmo adversário não se contém e vai à forra, numa disputa mais enérgica e aplica um leve bico de chuteira no joelho do colega, tirando a rótula de lugar. E Itajaí diz que ele pagou na mesma moeda. Em seguida se arrepende de ter ido à forra, mas ressalta que serviu como lição.

Meses depois, num treino do Vitória, o técnico escala oito aspirantes para jogar contra o quadro titular, no qual jogava Sílvio Mário. “Marquei ele que não andou em campo”, lembra Itajaí. E essa partida foi fundamental para que iniciasse a jogar de quarto zagueiro no time titular. Daí foi um pulo para ser convocado para a Seleção de Ilhéus, na qual jogou de 1960 a 1962.

De volta a Itabuna, Itajaí é convidado para jogar no Fluminense e fecha um contrato no valor de Cr$ 50 mil (Cinquenta mil cruzeiros), com o diretor Davi Pinheiro, o que era considerada uma boa fortuna. O compromisso era jogar um ano pelo Fluminense amador. Cheque na mão, procurou o tio Zelito Fontes e comprou 83 bezerros, com direito a pasto grátis.

E não deu outra, também foi convocado para a Seleção de Itabuna, o que despertou a ira dos torcedores ilheenses, logo na primeira partida disputada entre as duas seleções rivais. E como o noticiário da imprensa – jornais e rádios – era motivo de discussão entre os torcedores, a primeira partida “pegou fogo” com Itajaí na quarta zaga da seleção itabunense.

Embora os debates entre os torcedores “incendiavam” as duas cidades, no meio dos jogadores o clima era ameno, pois eram amigos fora de campo, embora não houvesse regalias dentro de campo. Eram adversários. Certa feita um jogador ilheense chegou a lhe confidenciar que alguns torcedores lhe procuraram em particular, oferecendo uma boa soma em dinheiro para que quebrasse a perna do “traidor” Itajaí. E tudo terminou em risadas.

Na Seleção de Itabuna e nos clubes Itajaí era titular e jogou as grandes decisões do Campeonato Intermunicipal, no qual o selecionado itabunense foi hexacampeão baiano de amadores. E Itajaí diz com toda a tranquilidade que eles entravam para decidir o jogo, em Itabuna e nos campos dos adversários, pois eram os melhores da Bahia.

Aos 26 anos Itajaí resolve se aposentar do futebol quando jogava para o Itabuna Esporte Clube, já profissional. Daí se dedicou à carreira de bancário e, posteriormente, empresário da comercialização de cacau, cacauicultor, pecuarista e industrial do leite. Itajaí lembra com satisfação o período em que jogou futebol e foi um dos líderes daquelas equipes vencedoras que tantas alegrias proporcionaram à torcida itabunense.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado e autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

Magno Lavigne é ex-secretário Nacional de Qualificação e Fomento à Geração de Emprego e Renda do Ministério do Trabalho e Emprego
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Considero preocupante quando lideranças políticas parecem olhar para essa discussão apenas pelos números e não pela realidade de quem acorda cedo, enfrenta transporte lotado e dedica quase toda a semana ao trabalho.

 

Magno Lavigne

Tenho acompanhado as recentes declarações do senador Angelo Coronel sobre o fim da escala 6×1. Respeito o direito de cada parlamentar defender suas convicções, mas discordo profundamente da posição que ele tem adotado nesse debate. Segundo o senador, a mudança poderia gerar desemprego e a solução deveria passar por negociações entre patrões e empregados.

Na prática, porém quem vive a realidade da escala 6×1 sabe o peso de jornadas exaustivas, do pouco tempo para a família, do desgaste físico e mental e da dificuldade de conciliar trabalho e qualidade de vida.

O Brasil mudou. O trabalhador de hoje não quer privilégios; quer dignidade. Quer produzir, gerar riqueza e também ter tempo para viver. Defender a modernização das relações de trabalho não é ser contra o emprego. É compreender que desenvolvimento econômico e valorização humana devem caminhar juntos.

Por isso, considero preocupante quando lideranças políticas parecem olhar para essa discussão apenas pelos números e não pela realidade de quem acorda cedo, enfrenta transporte lotado e dedica quase toda a semana ao trabalho.

A Bahia é feita por trabalhadores e trabalhadoras que merecem ser ouvidos. O debate sobre o fim da escala 6×1 não pode ignorar a voz de quem sustenta a economia todos os dias. É hora de colocar a dignidade humana no centro dessa discussão.

Magno Lavigne é ex-secretário Nacional de Qualificação e Fomento à Geração de Emprego e Renda do Ministério do Trabalho e Emprego e pré-candidato a deputado estadual.

Jorge Barbosa defende valorização das tradições nordestinas || Fotos Agência Brasil e Bancários Itabuna
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Nas festas juninas promovidas por estados e municípios, regadas a cachês milionários, desfilam de sertanejos a DJs. E o que menos se vê são artistas regionais comprometidos com o xote, o xaxado, o baião, as marchinhas juninas e demais gêneros característicos da nossa região.

 

Jorge Barbosa

Uma das maiores tradições do nosso amado nordeste está seriamente ameaçada, refiro-me ao rico patrimônio cultural das festas juninas.

Um verdadeiro crime está sendo cometido, e pior, pelos próprios nordestinos, especialmente os gestores públicos em conluio com a inescrupulosa indústria cultural a serviço dos grandes meios de comunicação e do agronegócio.

Estou me reportando a invasão de ritmos, gêneros musicais e cantores que não possuem nenhuma vinculação com a nossa tradição e herança cultural.

Nas festas juninas promovidas por estados e municípios, regadas a cachês milionários, desfilam de sertanejos a DJs. E o que menos se vê são artistas regionais comprometidos com o xote, o xaxado, o baião, as marchinhas juninas e demais gêneros característicos da nossa região.

Você que concorda com a valorização da cultura nordestina e com o reconhecimento e importância dos nossos artistas, pronuncie-se através das redes sociais e dos meios de comunicação, manifeste-se nas ruas e perante os políticos de sua cidade, exija o seu direito de cidadão eleitor por autênticas festas juninas.

Os artistas também precisam se declarar, demonstrar a insatisfação com a invasão cultural.

Ao mesmo tempo, é necessário apresentar novos projetos audiovisuais, disputar espaço na mídia e nas redes sociais.

Viva o Forró de Verdade!

Orgulho de ser nordestino!!!

Jorge Barbosa é vice-presidente do Sindicato dos Bancários de Itabuna e Região

Magno Lavigne é ex-secretário Nacional de Qualificação e Fomento à Geração de Emprego e Renda do Ministério do Trabalho e Emprego
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O incidente envolvendo a aeronave de ACM Neto despertou preocupação em toda a Bahia. Independentemente de posicionamentos políticos, ninguém que compreende o valor da existência pode permanecer indiferente diante de uma situação que coloca vidas em risco.

 

Magno Lavigne

A pré-campanha segue seu curso. As estradas da Bahia continuam sendo percorridas, as agendas se multiplicam, lideranças são ouvidas, comunidades apresentam suas demandas e propostas vão sendo construídas para o futuro do nosso estado. É assim que a democracia se fortalece: no diálogo, na escuta e na busca por caminhos que possam melhorar a vida das pessoas.

Mas, em meio à intensidade da política e às disputas naturais de ideias, existem momentos que nos convidam a uma reflexão maior. Momentos que nos lembram que, antes de qualquer cargo, partido, ideologia ou projeto de poder, somos seres humanos. Somos irmãos na caminhada da vida.

O incidente envolvendo a aeronave de ACM Neto despertou preocupação em toda a Bahia. Independentemente de posicionamentos políticos, ninguém que compreende o valor da existência pode permanecer indiferente diante de uma situação que coloca vidas em risco. Nessas horas, não existem adversários. Existem pessoas. Existem famílias. Existem sonhos que merecem continuar sendo vividos.

Por isso, ganha relevância o gesto de solidariedade.

A política pode e deve ser um espaço de divergências. O debate é saudável. A diferença de opiniões faz parte da construção democrática. Porém, jamais podemos permitir que as discordâncias nos afastem daquilo que nos torna verdadeiramente humanos: a capacidade de amar, respeitar e cuidar uns dos outros.

A vida é um dom de Deus. É o bem mais precioso que possuímos. Nenhuma disputa é maior do que ela. Nenhuma vitória política tem mais valor do que um abraço, uma palavra sincera, um gesto de empatia ou uma oração feita com fé pelo próximo.

Vivemos tempos em que a solidariedade precisa voltar a ocupar espaço em nossos corações. Precisamos olhar para o outro com mais compreensão, mais respeito e mais amor. Afinal, o ensinamento deixado por Cristo continua sendo um dos maiores desafios da humanidade: amar ao próximo como a si mesmo.

Esse mandamento não faz distinção de posição social, crença, partido ou condição. Ele nos convida a reconhecer a dignidade de cada ser humano e a compreender que todos estamos sujeitos às mesmas fragilidades, às mesmas lutas e aos mesmos desafios que a vida apresenta.

Que possamos seguir firmes em nossos objetivos, sem perder a sensibilidade. Que possamos defender nossas convicções sem abrir mão da compaixão. Que possamos disputar ideias sem esquecer que a vida vale mais do que qualquer divergência.

E que Deus, em Sua infinita misericórdia, continue abençoando a Bahia, protegendo todos aqueles que percorrem as estradas e os voos da vida, iluminando nossos caminhos e nos livrando de todo mal.

Porque, no final de tudo, o que permanece não são as disputas. O que permanece são os gestos de amor, de cuidado, de sinceridade e de respeito à vida.

Que Deus nos abençoe e nos guarde. Hoje e sempre.

Magno Lavigne é ex-secretário Nacional de Qualificação e Fomento à Geração de Emprego e Renda do Ministério do Trabalho e Emprego e pré-candidato a deputado estadual.

Alcides Kruschewsky foi vereador e secretário municipal em Ilhéus || Foto Mary Melgaço
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Nesta terça-feira (2) nos despediremos do amigo Alcides no Cemitério da Vitória, no Alto Teresópolis, de onde descortinará as beleza de Ilhéus e sempre estará atento aos acontecimentos da cidade.

 

Walmir Rosário

Na manhã desta segunda-feira (1º) nos chega a triste informação de que Alcides Kruschewsky teria nos deixado. Ele se encontrava em Salvador onde realizava tratamento de saúde (um câncer no duto biliar). Aos 66 anos tocava sua vida como empreendedor e presidente da Associação Ilheense de Turismo (Atil), lutando pelo desenvolvimento de Ilhéus.

Foi embora antes do combinado, deixando sonhos ainda por se concretizar. Ex-funcionário do Banco do Brasil, deixou a instituição para tocar uma empresa na área de finanças e fincar os pés em Ilhéus, tocar projetos na área de turismo, na Atil, e mais próximo da política, com a proposta de instrumentalizar projetos para desenvolver sua querida Ilhéus.

Foi vereador por dois mandatos, secretário na área de Turismo, de Governo e Comunicação Social, e administrou a Estância Hidromineral de Olivença, seu verdadeiro xodó. Alcides era vereador quando me convidou para fazer assessoria do seu mandato. Sua cabeça era uma verdadeira “fábrica” de ideias e projetos, muitos dos quais conseguiu que fossem implantados.

Dia e noite pensava política, em fazer Ilhéus se desenvolver com a indústria turística e afins, se cercando de pessoas competentes e com o mesmo pensamento e disposição para pensar e fazer Ilhéus acontecer. Contatos importantes nas esferas federal, estadual e municipal, do seu partido e outras agremiações políticas fortaleciam seus pleitos.

Secretário de Governo na administração de Newton Lima volta e me convida para cuidar da comunicação municipal, substituindo um dos grandes jornalistas de Ilhéus e meu amigo, Maurício Maron, de mudança para Angola. Deixei a Prefeitura de Itabuna e me incorporei ao seu time e participamos de muitas conquistas, apesar do momento político inquieto que vivia a cidade.

Uma pessoa bem educada, melhor dizendo, um gentleman. Na equipe, como Chefe do Gabinete do Prefeito, José Nazal, tocando projetos Gerson Marques e dezenas de pessoas altamente qualificadas, como Edmilson Moura. Quando havia algum ruído no andamento dos projetos, Alcides Kruschewsky, com toda sua paciência, ouvia os envolvidos, saneava as divergências e dificuldades.

Pessoa de fino trato como citei acima, sabia relevar a resolver pendências de qualquer magnitude, também era um perfeito anfitrião. Em sua casa de Olivença recebia amigos tantos e me lembro da última vez que participei de um almoço, ao lado de amigos como o jornalista José Adervan de Oliveira e o empresário Fred Gedeon.

Com minha mudança para Canavieiras, nos víamos – ao vivo – muito raramente, embora trocássemos mensagens em redes sociais. Na sua posse na Atil nos vimos pela última vez e volta e meia trocávamos ideias sobre o desenvolvimento de Ilhéus, uma verdadeira obsessão para Alcides, que transformava seus encontros numa tempestade de ideias pró Ilhéus.

Nesta terça-feira (2) nos despediremos do amigo Alcides no Cemitério da Vitória, no Alto Teresópolis, de onde descortinará as beleza de Ilhéus e sempre estará atento aos acontecimentos da cidade. Com certeza ficará pertinho do nosso Deus Criador, e pronto para reivindicar uma Ilhéus mais justa para o seu povo, exatamente como ele pregava.

Até breve, Alcides!

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, autor de vários livros, a exemplo de O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

Fernando Maron entrevista o casal de filósofos franceses Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre || Foto Diário de Itabuna
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A impressão de Fernando Maron é que ele não gostava de ser perguntado sobre o Existencialismo, principalmente quando era citado como o criador, pai da doutrina, embora admita ter sido um propulsor, quiçá um inovador.

 

Walmir Rosário

 

 

 

 

Certamente o dia 20 de agosto de 1960, um sábado, entrou para a história da radiofonia de Itabuna, especialmente para a Rádio Clube de Itabuna, ao entrevistar os filósofos franceses Jean-Paul Sartre e Simone Beauvoir. Eles vieram a Itabuna ciceroneado pelo escritor itabunense Jorge Amado e sua esposa, Zélia Gattai.

O interesse maior da ilustre comitiva era a lavoura cacaueira, como era produzido o cacau e em que condições viviam seus trabalhadores. Afinal, essa era a tônica dos romances de autoria do escritor Jorge Amado – incentivado pelo Partido Comunista – e que ganhou o mundo. Na região cacaueira visitaram duas fazendas, a Progresso em Itabuna, outra menor, de Wilson Rosa, em Barro Preto. Em Ilhéus conheceram o porto antigo e o do Malhado, em construção.

Hospedados no Lord Hotel, em Itabuna, que regurgitava de intelectuais, concederam autógrafos e entrevistas para o Diário de Itabuna e Rádio Clube, ambos de Ottoni Silva e Zildo Guimarães. Raras vezes Ilhéus e Itabuna tiveram a oportunidade de registrar acontecimento de significativa importância, com duas personalidades da filosofia – Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir – e Jorge Amado, da literatura.

Para entrevistar as personalidades francesas a Rádio Clube se valeu do amigo e advogado Fernando Maron, que dominava o idioma dos filósofos. De pronto compareceu Simone de Beauvoir, que teceu impressões sobre o que tinha observado nos oito dias de Brasil. Ela achava o país interessante por causa do esforço de desenvolvimento, além de ser belo e fascinante.

Simone, a autora do “Segundo Sexo”, confessou conhecer a região por meio dos livros de Jorge Amado, daí ter uma ideia da região cacaueira e estavam interessados em poder apreciar de perto as plantações de cacau. Na sua visão era uma terra em desenvolvimento, numa projeção de velhas tradições, de uma velha cultura, mas visando métodos muito mais modernos, o que considerou interessante.

Assim que apareceu para a entrevista, Jean-Paul Sartre impressionou Fernando Maron, o entrevistador. Para ele, o filósofo era de baixa estatura, olhar do tipo Jânio Quadros, porém mais interessante, mais firme, mais profundo e repousante, como a espelhar um misto de bondade, saber e autodeterminação. Sartre, em sua quase humildade, dá-nos a impressão de um tímido. Mas essa falsa impressão, logo se anula. “Não diminui, não prejudica ou sequer lhe afeta a marcante personalidade”, descreveu.

E continua Fernando Maron a descrever o famoso representante do pensamento existencialista como de uma simplicidade cativante. “Como todo o verdadeiro sábio, parece-nos não ter a preocupação estudada e artificial de impressionar. Jean-Paul Sartre parece dizer-nos eu sou como sou”. E como não poderia deixar de ser, Maron questiona o motivo da vinda à região.

Sartre disse que sempre foi impressionado pelo Brasil, por ser o mais importante da América do Sul e o mais variado, com problemas mais complexos. Para ele o país é um verdadeiro mundo em comparação com os vizinhos, e são essas contradições que fazem do Brasil um país tão cativante, e a região cacaueira é um exemplo, e aqui confirmou as conversas que sempre tinha com Jorge Amado.

Ao analisar o homem propriamente brasileiro, disse que lhe parecia haver uma espécie de acordo imediato entre brasileiros e franceses, afinidades, ou identidade de pontos de vista. “Não quero dizer que sejamos sempre da mesma opinião, e sim que estamos em pé de igualdade”. Em relação a Cuba disse ter a impressão que os problemas são diferentes do Brasil, embora sejam urgentes, e que a revolução cubana resolveu perfeitamente.

A impressão de Fernando Maron é que ele não gostava de ser perguntado sobre o Existencialismo, principalmente quando era citado como o criador, pai da doutrina, embora admita ter sido um propulsor, quiçá um inovador. E a pergunta foi emendada pela professora Litza Câmera, sobre o pensamento e quanto ao futuro do Existencialismo.

Primeiramente, disse Sartre, é preciso que se diga de uma vez por todas: sou um entre os filósofos da Existência. A filosofia da Existência data de 150 anos (hoje 216 anos) e foi Kirkegaard quem primeiro tratou do problema da Existência, e desde então houve alemão como Jaspers; franceses a exemplo de Gabriel Marcel; houve Heidegger, um mundo de gente.

Sartre diz que quando vê o desenvolvimento do Existencialismo não pode considerar tal fato como sendo alguma coisa que tenha vindo dos livros que escreveu, mas simplesmente como um grande fenômeno social. Posso dizer que Jaspers é um existencialista cristão e tem algo de religioso; eu sou um existencialista identificado pela doutrina marxista, com visões diferentes.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, autor de vários livros, a exemplo de O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

O providencial descansa barriga de janela || Foto Reprodução
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Como não sou afeito aos grandes contrastes, vou mudando meu padrão de beleza estética por uma protuberância menor, sem deixar de apreciar o amargor do lúpulo, se é que ainda entra na composição da maioria das cervejas.

 

Walmir Rosário

Confesso que desde menino já apreciava uma barriga volumosa, daquelas que todos os bons bebedores de cerveja costumam exibir. Relevante, convexa, das que fazem o abdômen chegar primeiro que o restante do distinto dono do corpo. Não é uma barriga para qualquer um, pois essa curvatura lombar só é adquirida com o passar do tempo e dos costumes do dito cidadão.

E para que os músculos abdominais cheguem a esse estágio o personagem tem que passar por exercícios profundos, a exemplo do relevante levantamento de copo, desde que sentado por longos períodos, de preferência em mesa de bar. E é justamente nestes locais que a curvatura lombar vai surgindo, proveniente do resultado da ingestão da cerveja, tira-gostos dos mais diversos, preferencialmente os mais gordurosos.

Mas isso só não basta, é mais que essencial a vontade de delineá-la ao gosto do “freguês’, melhor dizendo proprietário, empurrando o abdômen para a frente, deixando uma protuberância que combine com a altura e circunferência de cada um, geralmente entre as regiões do abdômen e pélvica. Entretanto, me nego a pesquisar o motivo que algumas pessoas condenam a aparência dessas pessoas, como se doentes fossem e precisassem de tratamento.

Não é de hoje que esse hábito está em voga – em todo o mundo – haja vista as fotografias que podem ser consultadas facilmente no Google. Eu mesmo consegui a foto acima sem qualquer esforço, embora não tenha conhecimento do profissional que a fotografou. Assim que vislumbrei a fotografia em meu pensamento passaram duas visões: ser a publicidade de uma obra de arte francesa, denominada de barriga de janela, ou simplesmente um modelo fotográfico.

Confesso que desconhecia totalmente a utilidade dessa nobre peça da serralharia francesa, providencial para o descanso da protuberância abdominal, também conhecida como barriga de cerveja, ou de chope. Como diz o ditado: “Caiu como uma luva”. Simplesmente permite que o feliz proprietário de uma curvatura lombar convexa permaneça de pé – ou em pé – como queiram, ao apreciar a paisagem externa.

Como disse anteriormente, eu sempre apreciei esse modelo de barriga – desde menino –, chegando ao ponto de prometer a mim mesmo que cultivaria uma e seria alimentada a cerveja. E olhe que naquela época, aqui pelo interior baiano, a exemplo de Itabuna, a pequena variedade da cerveja não nos permitia grandes escolhas.

Quase sempre duas marcas: Brahma e Antarctica. Eu mesmo juro que já vi os cultivadores de barrigas se sentarem à mesa e perguntarem ao dono ou garçom do bar, com voz empostada:

– Eu quero uma Antarctica casco preto e bem gelada –.

E sofria ao ouvir como resposta:

– Só tem Brahma, casco verde, e não está bem gelada –.

E o cliente, resignado, era obrigado a se manifestar:

– Não faz mal, desce assim mesmo, pois hoje acordei espirrando, acho que estou meio gripado –.

E não contava conversa, bebia uma pedia outra com a mesma satisfação como se estivessem estupidamente geladas. Quando alcancei a idade de poder sentar à mesa de um bar guardava na memória todo o vocabulário aprendido por anos a fio. Me fazendo de homem feito, pedi uma cerveja bem gelada e o garçom olhou de soslaio para minha cara e trouxe uma garrafa com a cerveja quente, avisando que estava tudo naquele padrão, ou seja, meio barro meio tijolo.

Num misto de entusiasmo e apreensão, enchi o copo levei-o ao nariz para sentir o perfume e dei a primeira golada. Pense num sujeito acabrunhado, desalentado e desiludido com o gosto amargo da cerveja ainda quente: era eu. Mesmo assim tentei fazer de conta que estava tudo bem para não levantar a suspeita do garçom que me entreolhava do outro lado do balcão.

Aos poucos fui refazendo as energias, acredito que pela euforia do álcool contido na cerveja, pedi a conta e deixei o bar meio descontente, é verdade, mas tentando não dar pistas sobre meu desânimo causado pelo amargor da cerveja. Na semana seguinte, no final do expediente na Rádio Clube de Itabuna, fui tentar a sorte no Ita Bar, junto com os colegas.

Desta vez o amargor já não era tão presente, acredito que neutralizado pela baixa temperatura da cerveja, resfriada no ponto certo dos bons bebedores da “gelada”. Enfim, me reencontrei com os prazeres que sentia em tempos idos, quando bebia apenas com os olhos e me encantava com a protuberância do abdômen convexo dos hoje colegas de mesa de bar.

Mas como a vida nem sempre permanece estável, hoje, após décadas cultivando a barriga de chope, sou recomendado pelo educador físico João Rosário a dar um rumo diferente ao abdômen, tornando-o côncavo. Como não sou afeito aos grandes contrastes, vou mudando meu padrão de beleza estética por uma protuberância menor, sem deixar de apreciar o amargor do lúpulo, se é que ainda entra na composição da maioria das cervejas.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, autor de vários livros, a exemplo de O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

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A carência de instrução e educação básica, desinteligência coletiva ou estupidez, mesmo, deveria servir de exemplo. Mas, ao contrário, estimula mais pessoas a interagir ou compartilhar essas tolices revestidas de lendas virtuais.

 

Luiz Conceição

 

 

 

 

 

A cada dia um novo registro. Para quem tem neurônios e sinapses adequados restam a estupefação. O mais novo capítulo dessas tolices virtuais fala em bronzear partes íntimas a pretexto de aumento de testosterona e melhora nos níveis de vitamina D, mas nenhum respaldo científico consistente.

Na semana anterior, um bando de malucos desatou a beber detergente contaminado, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sob a justificativa de enfrentamento à fiscalização que apontou desajuste industrial, contaminação bacteriana de produtos de limpeza e riscos aos usuários.

A carência de instrução e educação básica, desinteligência coletiva ou estupidez, mesmo, deveria servir de exemplo. Mas, ao contrário, estimula mais pessoas a interagir ou compartilhar essas tolices revestidas de lendas virtuais. Quando essa gente acordar verá o quão enganadas foram e será tarde, muito tarde.

Não há dúvida alguma de que a tecnologia quando bem aplicada e utilizada facilita a vida diária, o aprendizado, o conhecimento e a informação. Bem sei, depois de 50 anos de atividades jornalísticas ininterruptas.

O que antes demandava horas, dias, semanas e meses de pesquisa passa a se resolver num clique no celular, tablet, PC ou notebook, não necessariamente nessa ordem. Mas, como diziam os mais antigos, caldo de galinha e cautela são instrumentos essenciais à vida.

É preciso estar sempre vigilante. Afinal, o mundo nada tem de paraíso, e o capeta sempre estará à espreita, assim como pequenos erros num texto. Sobre isso, vale dizer que o chifrudo sempre porá seus chifres para dificultar o trabalho de qualquer revisor textual.

Mas, onde entra a genialidade do Umberto Eco? Simples. Há 11 anos, durante a cerimônia da Universidade de Torino que lhe outorgou o prêmio de Doutor Honoris Causa, o teórico da literatura e da linguagem, romancista e filósofo fez uma de suas declarações mais polêmicas sobre a internet, certamente, preocupado com as ditas redes sociais.

O autor de O Nome da Rosa (editora Record) afirmou: “a internet deu voz a uma legião de imbecis”.

E completou: “As mídias sociais deram o direito à fala à legião de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel”.

Certamente, não foi um comentário ranzinza, como disse Eduardo Wolf, no site Fronteiras do Pensamento, que reúne pensadores influentes em ciclos de conferências para debater grandes temas da atualidade.

Para ele, o ácido comentário “por não ser de autoria de algum sorumbático niilista dos tempos digitais, mas sim de um notável comunicador, erudito que alcançou a celebridade pop, especialista de mídias e de comunicação em amplo sentido, não apenas causou significativo furor – na internet em especial, é claro – como também foi levado a sério por muita gente boa, como deveria, mesmo, e resultou em algumas reflexões interessantes sobre as ilusões de nosso entusiasmo digital”.

Luiz Conceição é bacharel em Direito, leitor de temas econômicos, literários e do cotidiano e jornalista desde 1975 (época em que era muito, mas muito feliz!).

Procurador municipal José Augusto Ferreira Filho
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E toda construção começa com escolhas. A escolha de não favorecer o próximo em detrimento do justo. A escolha de não usar o cargo como escada pessoal. A escolha de lembrar que o poder é transitório, mas suas consequências, não.

 

02 de maio amanhece chuvoso no sul da Bahia – um sábado de feriado prolongado, como outros tantos que esse ano de 2026 nos reserva. Ruas mais vazias, repartições públicas fechadas, o silêncio ocupando o lugar da pressa habitual. O Brasil, por um instante, parece suspenso: sem filas, sem carimbos, sem balcões entre o cidadão e o Estado. E, ainda assim, é justamente hoje o Dia da Ética.

À primeira vista, poderia parecer uma ironia. Celebrar a ética num dia em que o serviço público descansa, logo este que é sempre o mais cobrado dentre todas atividades, como se ela dependesse apenas do expediente aberto. Mas talvez haja, nisso, uma oportunidade rara: pensar a ética fora da rotina, sem o ruído das urgências, sem o automatismo dos protocolos. Porque a ética não mora no prédio da repartição — ela habita quem, na segunda-feira, voltará a ocupá-lo.

Os servidores públicos, ausentes hoje de seus postos, não deixam de ser o que são. Carregam consigo — para casa, para o convívio familiar, para o descanso merecido — os mesmos valores que sustentam seu ofício. É no cotidiano invisível, longe dos olhos do público, que se forma o caráter que, depois, se manifesta no atendimento, na decisão, na responsabilidade com o bem comum.

Os servidores públicos, em sua imensa maioria, sustentam o cotidiano do Estado com dignidade silenciosa. São eles que garantem que a escola abra, que o hospital funcione, que o documento seja emitido. São a face concreta do compromisso com o bem comum. Mas também vivem sob a sombra de um sistema que, por vezes, cobra mais do que oferece — e que, não raramente, falha em reconhecer o valor da integridade cotidiana.

E, acima deles, ou melhor, à frente das decisões que orientam o país, estão os agentes políticos. Também em pausa, ao menos formalmente. Mas a ética que lhes cabe não conhece feriado. Não se interrompe com o fechar das portas nem com o apagar das luzes dos gabinetes. Ela os acompanha — ou deveria acompanhar — em cada escolha, em cada articulação, em cada pensamento sobre o uso do poder que lhes foi confiado.

O Brasil contemporâneo, mesmo num sábado silencioso, não se desliga de suas contradições. Elas persistem, latentes, esperando a retomada da semana para voltarem à superfície. Entre leis que apontam caminhos e práticas que insistem em atalhos, a ética continua sendo mais exigida do que exercida — mais lembrada em datas do que vivida na constância.

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Porque, mesmo no silêncio de um sábado prolongado, o Brasil continua sendo construído — ou negligenciado — pelas escolhas de cada um. 

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Mas talvez seja justamente neste intervalo, neste respiro coletivo, que se possa enxergar com mais clareza o que realmente importa. Sem a distração da rotina, resta a consciência. E nela, uma pergunta simples e incômoda: que tipo de serviço público queremos quando as portas se abrirem novamente? Que postura esperamos de quem nos representa?

Porque, mesmo no silêncio de um sábado prolongado, o Brasil continua sendo construído — ou negligenciado — pelas escolhas de cada um. E a ética, ainda que hoje não esteja de plantão, segue sendo chamada para o serviço que nunca deveria parar.

O Brasil contemporâneo conhece bem essa tensão. Entre leis bem escritas e práticas tortuosas, entre discursos moralizantes e condutas contraditórias, a ética muitas vezes parece um ornamento — algo que se veste em ocasiões solenes e se abandona na rotina do poder. E, no entanto, é na rotina que ela mais importa. Não nas grandes declarações, mas nas pequenas decisões repetidas todos os dias.

Há quem diga que o problema é cultural, como se fosse destino. Mas cultura não é sentença; é construção. E toda construção começa com escolhas. A escolha de não favorecer o próximo em detrimento do justo. A escolha de não usar o cargo como escada pessoal. A escolha de lembrar que o poder é transitório, mas suas consequências, não.

Porque, no fim das contas, a ética não transforma o Brasil de uma vez. Mas, sem ela, o Brasil não se transforma nunca.

José Augusto Ferreira Filho é Procurador Municipal – Servidor Público.

Vista panorâmica da área central de Itabuna, no sul da Bahia || Foto José Nazal
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Itabuna é seguramente a cidade que melhor se estrutura para o ciclo econômico anunciado com a chegada do Complexo FIOL-Porto Sul.

 

 

Rosivaldo Pinheiro

A cidade de Itabuna passa por mudanças estruturais na sua espacialidade. Um novo ordenamento de tráfego está em construção. O fluxo vem sendo impactado. Esse é um processo que está no nascedouro, e o novo desenho urbano fará nascer novos fixos – construções que atraem destinos. Com eles, o fluxo sofrerá novos ajustes.

Esse dinamismo cria embaraços ao cotidiano e produz impactos negativos, no primeiro momento, ao ir e vir de um coletivo considerável, mas é parte do processo para atingir novo perfil organizacional e econômico. É uma fase pela qual passam todos os municípios que alcançam gestões com capacidade de propor intervenções capazes de dar impulso ao desenvolvimento local. Nesse aspecto, Itabuna é seguramente a cidade que melhor se estrutura para o ciclo econômico anunciado com a chegada do Complexo FIOL-Porto Sul.

Nessa perspectiva, as mudanças no tecido urbano de Itabuna buscam preservar a liderança nos setores de comércio e serviço e apresentar atrativos para a chegada de novas atividades, inclusive a indústria de inovação e logística, consolidando o município como a locomotiva regional.

Esse novo ambiente proporcionado pela FIOL-Porto Sul exigirá do Estado da Bahia uma presença ainda mais direta na organização e direção do processo econômico do território, deslocando investimentos para propiciar implantação de atividades que geram emprego e renda para a cidades menores, na perspectiva de evitar a migração dessas populações para os maiores centros, evitando uma crise nos municípios vizinhos.

Também exigirá atualização de instrumentos regulatórios e de fiscalização em todas as cidades impactadas pelo novo ciclo econômico. Um maior nível de exigência nas cidades que lideram o processo econômico da Região Cacaueira será sentido.

A busca pelo crescimento sustentável é lição básica para toda cidade. E aqui, no Litoral Sul, Itabuna vem sabiamente agindo através de um planejamento ousado para atingir esse estágio. Entendeu que o tempo futuro já bate de pressa à porta e, para não desapontá-lo, a gestão municipal atua atentamente na indução do processo de estruturação urbana para captar oportunidades geradas pelo ambiente econômico anunciado pelo modal FIOL-Porto Sul.

Rosivaldo Pinheiro é especialista em Planejamento de Cidades (Uesc), economista e secretário de Relações Institucionais de Itabuna.

Santinho (na seleção), ao lado do goleiro Luiz Carlos || Foto Arquivo Walmir Rosário
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Não se falava outro assunto na cidade, tanto que na edição de 18 de abril de 1958, o Diário de Itabuna escancarou a manchete: “Santinho causa reboliço no futebol local”. E os articulistas solicitavam medidas urgentes sobre o anúncio do rompimento do contrato de Santinho com o Flamengo e sua volta ao Fluminense.

 

Walmir Rosário

Bons tempos aqueles em que o futebol amador de Itabuna encantava os torcedores. Para o bem da verdade, nossos jogadores, depois de investidos no “Hall da Fama”, passavam a outra condição, a de craques remunerados, presenteados, soa melhor. Sempre que assinavam um contrato levavam um regalo que poderia ser uma bicicleta ou até mesmo um carro.

E um desses bem acolhidos pela sorte era Santinho, batizado e registrado Gilberto Silva Moura, liderança consagrada em todos os times em que jogou, inclusive na famosa Seleção de Itabuna, a Hexacampeã Baiana. Nas quatro linhas, um craque daqueles que intimidava o adversário pelo futebol que apresentava. Era ele e mais 10.

Na concentração, recebiam todas as instruções dos técnicos até o adversário engrossar o jogo, quando ele e mais uns dois ou três decidiam como o time iria jogar daí pra frente. Fora de campo – na concentração ou fora dela –, tomava conta dos jogadores mais novos e sempre era o chefão na hora de uma boa farra, evocando os resultados para si.

Santinho sentou praça e ficou famoso no Fluminense de Itabuna, ao qual indicava jogadores daqui e região. No início do ano de 1958 o craque aceitou uma rica proposta do Flamengo de Itabuna e resolveu deixar o Tricolor. No time Rubro-negro não se deu bem como acreditaria, apesar do rico contrato, com luvas e salários de fazer inveja aos colegas amadores.

Ao revelar para os dirigentes do Flamengo que não se sentia à vontade no clube, foi um reboliço sem tamanho no novo time, que fez grande festa na sua contratação e esperava a retumbante estreia no Campeonato de 1958. A notícia provocou o estrondo de uma bomba na cidade! Os dirigentes do Flamengo que tinham sido contra sua contração soltavam fogo pelo nariz.

Não se falava outro assunto na cidade, tanto que na edição de 18 de abril de 1958, o Diário de Itabuna escancarou a manchete: “Santinho causa reboliço no futebol local”. E os articulistas solicitavam medidas urgentes sobre o anúncio do rompimento do contrato de Santinho com o Flamengo e sua volta ao Fluminense.

No meio futebolístico rubro-negro, um corretivo bem dado seria a única providência para reprimir a rebeldia e irresponsabilidade do jogador, pois teria ludibriado e ridicularizado os dirigentes de clubes. E, irrequietos, buscavam uma fórmula para punir o Santinho, que estaria inebriado com sua qualidade em campo, se prevalecia para bagunçar o futebol.

Anteriormente, Santinho fez o mesmo no Janízaros e solicitou seu retorno ao Fluminense e foi liberado, tanto assim que disputou a última partida do Campeonato de 1957. E o motivo dos dois retornos era simples, não teria se adaptado aos outros times, devido a sua forte ligação com os dirigentes e jogadores do tricolor itabunense. Simples assim!

Santinho (de cócoras), entre Bel e Tombinho, na Seleção de 1967 || Arquivo Walmir Rosário

Embora grande parte da direção do Flamengo se mostrasse contrária a sua vinda para o rubro-negro, Santinho encantou a todos ao jogar a primeira partida, um amistoso contra o Colo-Colo, de Ilhéus. Suas jogadas endiabradas faziam os torcedores e dirigentes do Flamengo vibrarem com o futebol de alto luxo jogado por Santinho, como só ele sabia.

Mas tudo virou de cabeça pra baixo após uma carta de Santinho ao presidente da Liga Itabunense de Desportos Atléticos (Lida), anunciando que não mais desejava efetivar a transferência, uma vez que sempre esteve preso ao tricolor por laços de amizade. Ao Flamengo coube emitir uma nota oficial desinteressando-se do jogador.

E a nota do Flamengo, refinada e educada, não demonstrava o temperamento colérico dos dirigentes, que por baixo dos panos teciam impropérios contra a atitude de Santinho. E a imprensa flamenguista incitava a torcida, contra o craque, alertando aos outros clubes que colocassem suas “barbas de molho”, pois eles poderiam também ser vítimas do jogador.

E a crônica futebolística não perdoou Santinho por ter conseguido voltar ao clube de origem, e por um bom tempo cobravam, diariamente, a punição para o jogador, por sua pseuda irresponsabilidade. A torcida, entretanto, queria vê-lo jogar, driblar, fazer gols com seus chutes potentes no campo da Desportiva, muitas das vezes furando as redes.

Mas Santinho tinha uma carta na manga: como ele estava à disposição da Lida, convocado pela Seleção de Itabuna para o jogo contra o Flamengo, na Festa dos Campeões, sua transferência não tinha sido efetivada pela Lida. E foi Santinho liberado sem cumprir o interstício regulamentar, de volta ao Fluminense, equipe pela qual continuou jogando por um bom tempo.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado e autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

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Mais do que nunca, é necessário vigilância crítica. O uso de espaços sagrados para fins políticos, aliado à propagação de discursos excludentes, deve ser questionado com firmeza.

 

Wenceslau Júnior

No dia 19 de março, estive na casa da minha família, em Itabuna, como faço tradicionalmente há décadas durante a Procissão de São José, padroeiro da cidade. Da janela da cozinha, acompanho todos os anos a concentração dos fiéis antes do cortejo, um momento de fé, respeito e comunhão.

Naquela tarde, por volta das 14h30min, enquanto descansava após o almoço para, em seguida, participar da procissão, fui surpreendido por um jingle político. A princípio, pensei se tratar de um engano auditivo. No entanto, ao me aproximar da janela, confirmei o que parecia improvável: além de ouvir claramente a música, avistei o ex-prefeito de Salvador ACM Neto cercado por apoiadores, utilizando aquele espaço e aquele momento para promoção política.

O conteúdo do jingle — “Tá faltando homem, doutor, para governar…” — não apenas destoava do ambiente religioso, como também carregava uma mensagem abertamente machista e misógina, ao sugerir que a capacidade de governar estaria vinculada ao gênero masculino. Trata-se de uma narrativa ultrapassada e perigosa, que desqualifica mulheres e reforça desigualdades históricas.

O episódio se torna ainda mais simbólico por ocorrer justamente na celebração de São José, figura reconhecida como exemplo de dignidade, trabalho e parceria, especialmente em sua relação com Maria, mãe de Jesus. A utilização de um ato religioso para veicular mensagens políticas dessa natureza revela não apenas falta de sensibilidade, mas também uma estratégia preocupante de instrumentalização da fé.

Paralelamente, observa-se em Salvador a adoção de medidas que dialogam com essa mesma lógica excludente. A recente promulgação de uma lei municipal que restringe o uso do termo “gênero” nas escolas públicas aponta para um alinhamento com discursos conservadores que têm ganhado força no país. Sob o rótulo distorcido de “ideologia de gênero”, proliferam movimentos que, na prática, alimentam desinformação, intolerância e violência.

É impossível ignorar as consequências concretas desse tipo de narrativa. O Brasil convive com índices alarmantes de violência de gênero, incluindo casos brutais que chocam pela crueldade e pela frequência. Nesse contexto, reforçar estereótipos e negar debates fundamentais nas escolas não contribui para a solução, ao contrário, agrava o problema.

As recentes sinalizações políticas de ACM Neto e do prefeito de Salvador, Bruno Reis, indicam uma aproximação com setores mais radicais da direita brasileira. Esse movimento não é neutro, ele comunica valores, prioridades e compromissos. E, ao que parece, tem rendido frutos no cenário político nacional, inclusive o convite de Flávio Bolsonaro para Bruno Reis compor a sua chapa na disputa pela Presidência da República.

Diante disso, é preciso reafirmar o óbvio: a Bahia e o Brasil são formados por homens e mulheres plenamente capazes de ocupar qualquer espaço de liderança, seja na administração pública ou na iniciativa privada. O que está em jogo não é capacidade, mas o tipo de sociedade que se pretende construir.

Mais do que nunca, é necessário vigilância crítica. O uso de espaços sagrados para fins políticos, aliado à propagação de discursos excludentes, deve ser questionado com firmeza. Democracia se fortalece com pluralidade, respeito e responsabilidade, não com retrocessos disfarçados de tradição.

Wenceslau Júnior é advogado, professor do curso de Direito da Uesc, ex-vereador e ex-vice-prefeito de Itabuna.

Jorge Amado, Zélia Gattai, Simone Beauvoir, Jean Paul Sartre e convidados na Fazenda Progresso || Foto Diário de Itabuna
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Como não poderia deixar de ser, no sábado, Jorge e Zélia Amado, Otoni Silva e Moisés Alves da Silva ciceronearam os filósofos Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir ao distrito de Ferradas.

 

Walmir Rosário

 

 

 

 

Era uma sexta-feira daquelas qualquer, que não prometia nada de especial ao Itabunense. Entretanto, o dia 19 de agosto de 1959 entrou na história do povo grapiúna. Logo pela manhã chega o voo de Salvador e descem quatro personagens internacionais. Naquele dia, nada de recepções, banda de música, charanga ou uma bela comissão de boas-vindas. Tudo normal, ou quase isso.

Assim que o avião estaciona no aeroporto Tertuliano Guedes de Pinho, apenas uma pessoa demonstrava nervosismo ao vislumbrar quatro passageiros assomarem a porta do aparelho e descerem a escada. Era Moisés Alves da Silva, um generoso mecenas, tido como grande amante das artes, incluída aí a literatura e a filosofia.

Assim que os dois ilustres casais pisam em solo grapiúna, trocam longos e afetuosos cumprimentos e efusivos abraços com Moisés. Pelo que se sabe, ele, Moisés, era o segundo itabunense a ter contato com o casal de filósofos franceses representantes do existencialismo, Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir. Eles mesmos, em carne e osso em solo grapiúna. Um sonho realizado.

Jean Paul Sartre e Jorge Amado na Fazenda Progresso || Foto Diário de Itabuna

O outro casal era bastante conhecido, sendo ele um itabunense da gema, nascido em Ferradas e considerado o mais lido romancista do mundo, portanto um conterrâneo de renome internacional. Ao seu lado, como esperado, sua esposa, Zélia Gattai, chamada pelos jornalistas do Diário de Itabuna de Zélia Amado, em respeito ao nome de família do esposo, nosso ídolo das letras.

Pelo que se comentou, a visita teria sido programada pelo deputado federal e líder do governo federal na Câmara, Aziz Maron. O silêncio em relação às visitas seria apenas uma estratégia para não transtornar a permanência dos visitantes com centenas ou milhares de pessoas de toda a região, tornando improdutiva a pesquisa que pretendiam fazer sobre a vida do homem do campo, mais exatamente na cacauicultura.

O casal Simone de Beauvoir e Sartre na Fazenda Progresso || Foto Diário de Itabuna

Do aeroporto direto para o Lord Hotel, onde foram acomodados por Nelson Muniz Barreto. Após uma rápida toilette e um lanche, partiram para a Fazenda Progresso, do Coronel Nicodemos Barreto, parte do grupo de fazendas que iria até Buerarema. Apesar de não contar com a presença do coronel e dos filhos, foram recebidos nababescamente na propriedade.

De início, beberam mel de cacau, chuparam a polpa das amêndoas, doces e ácidas, subiram nas barcaças onde secavam as amêndoas, não se amedrontaram e entraram nas plantações, apesar de serem alertados sobre os riscos de animais peçonhentos, cobras, inclusive. Conversaram com os trabalhadores rurais para conhecer de perto o “operário agrícola”, sua vida, família, moradia e salário.

Após agradecer a gentil e tradicional hospitalidade da família Barreto, almoçaram no Lord Hotel e rumaram para Ilhéus. Desta vez, a curiosidade de Sartre era conhecer a vida e o trabalho numa pequena fazenda de cacau, uma burara, como explicou Jorge Amado. Em Ilhéus visitaram amigos de Jorge, o porto e locais turísticos da cidade.

À noite novos compromissos, e já reservada para os visitantes receberem os intelectuais itabunenses e da região, uma considerável legião de admiradores, que colheram autógrafos dos filósofos franceses e do escritor conterrâneo em seus livros. De acordo com os jornalistas do Diário de Itabuna e da Rádio Clube de Itabuna, foi uma festa da inteligência, da elegância e do culto à ilustração.

Na manhã seguinte, um sábado, 20 de agosto, Jorge Amado, Sartre e Simone concederam a prometida entrevista à Rádio Clube de Itabuna, capitaneado pelo diretor Otoni Silva, coadjuvado pelo advogado Wilde Oliveira Lima e o jornalista Cristóvão Colombo Crispim de Carvalho. A esperada entrevista foi anunciada para ir ao ar nos próximos dias, em data e horário exaustivamente anunciados.

Como não poderia deixar de ser, no sábado, Jorge e Zélia Amado, Otoni Silva e Moisés Alves da Silva ciceronearam os filósofos Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir ao distrito de Ferradas, berço de Jorge Amado. Posaram para fotos em frente à casa do escritor, num preito de gratidão e reconhecimento à terra natal de Jorge Amado.

Em seguida, seguiram para o aeroporto Tertuliano Guedes de Pinho, em Itabuna, e tomaram o primeiro voo com destino a Salvador, onde os aguardavam vários círculos da mais fina intelectualidade baiana. E assim Itabuna viveu dois dias como sendo a capital do existencialismo da liberdade individual, embora eu não conheci o prometido estudo do trabalhador do cacau.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado e autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

Rosivaldo Pinheiro, comunicador, economista e secretário de Relações Institucionais de Itabuna
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Precisamos exercer a tolerância, estabelecer um diálogo em que as visões dicotômicas possam construir novos pontos de vista. Não é preciso se sentir vencedor, mas ter o espírito construtivista para fazer avançar a sociedade.

 

Rosivaldo Pinheiro

A história nos traz que na Roma Antiga eram comuns os duelos entre gladiadores nas arenas, onde corpos se digladiavam até a morte. Normalmente um presidiário era colocado à prova contra um sanguinário ligado ao poder supremo naquela sociedade (um serviço de justiça).

Naquele modelo, criminosos, prisioneiros de guerra, escravos se submetiam, por força do Estado, àquele aparente espetáculo, que, de fato, era uma punição pública para o exercício da autoridade governamental e a imposição da hierarquia social.

O tempo passou e o comportamento humano continua predisposto a assistir aos espetáculos onde exista possibilidade do combate. Aqui não me refiro aos duelos esportivos, embora caibam em alguns casos a analogia aos coliseus do passado.

Trago à luz nesse texto um chamado para uma reflexão: a força das palavras e da necessidade de observação do nosso comportamento diário quando nos posicionamos nas redes sociais e no WhatsApp. A vigilância se faz necessária para evitar o descuido e o exercício do raciocínio voltado para o mal, quase sempre demonstrados nas postagens.

Nos tempos atuais, os lobos em pele de cordeiro ou vampiros de boas energias se vangloriam no mundo virtual. Assistimos ataques à honra, calúnia, emissão de inverdades de todos os tipos, deixando o espírito de humanidade guardado no porão da existência. Os tudólogos e voluntários da maldade aproveitam-se das brechas que o mundo virtual possibilita.

Portanto, antes de postar, pense e repense sobre o que escreverá: qual a possibilidade do impacto para uma mãe ou um pai ao fazer a leitura? Um filho, filha ou pessoas que diretamente amam a pessoa citada/atacada? É preciso um juízo de valor mais apurado, pensando, inclusive, no impacto sobre o emocional do outro ao deparar-se com o texto dirigido para si. Qual é o momento psicológico que aquela pessoa atravessa?

Não é difícil agir com essa disposição antes de disparar a primeira palavra. Precisamos exercer a tolerância, estabelecer um diálogo em que as visões dicotômicas possam construir novos pontos de vista. Não é preciso se sentir vencedor, mas ter o espírito construtivista para fazer avançar a sociedade.

Pense nisso!

Rosivaldo Pinheiro é comunicador, economista e especialista em Planejamento de Cidades, além de secretário de Relações Institucionais de Itabuna.