Porque aquilo que negamos, rejeitamos ou excluímos encontra formas de retornar, pedindo uma nova oportunidade de integração.
Rava Midlej
O relacionamento de paz com a vida começa, inevitavelmente, na relação com nossos pais. Caso contrário, sentimentos e sensações limitantes continuam se repetindo: nos vínculos, na autoestima, na prosperidade e até na possibilidade de viver uma vida significativa.
Muitos passam anos tentando conquistar o seu lugar no mundo, sem perceber que não ocuparam o primeiro lugar: o de filha(o).
“Lá vem ela de novo falando sobre pai e mãe…” – talvez isso esteja passando pela sua cabeça neste momento. Estou errada?
Sim, vou falar de novo. Porque falar disso é falar da nossa capacidade de estar no mundo. É falar de estrutura, chão, base.
Quando, por algum motivo, pai ou mãe não podem ocupar o lugar deles em nosso coração, é como se não tivéssemos pernas para caminhar nem alicerce para sustentar a jornada. E, sem dar um lugar a eles dentro de nós, a própria vida parece não nos dar lugar também.
Por isso, precisamos falar sobre esse tema. Há feridas que nos acompanham desde o berço. Algumas vêm da ausência. Outras, do excesso. E quase sempre têm nome – pai e mãe.
Certa vez, uma cliente me contou sobre sua adolescência:
“Eu me escondia. Tinha vergonha de ser quem eu era. Sentia uma rejeição tão profunda que parecia não haver lugar para mim no mundo.”
Essa sensação é mais comum do que parece. Muitos de nós carregamos dores antigas que não começaram apenas na infância ou no nascimento, mas que, ao longo da vida, foram sendo potencializadas, especialmente desde o início da nossa jornada. Não por acaso, os estudos da Psicologia Pré e Perinatal têm ganhado destaque na Ciência, assim como pesquisas que integram medicina e espiritualidade.
No caso dessa cliente, durante as sessões de terapia, ela percebeu algo essencial: quanto mais alimentava o julgamento da mãe e a rejeição pelo pai, mais se sentia pequena, envergonhada e com medo de se expor. A postura que ela assumia diante dos pais era a mesma que assumia diante da vida.
“Mas por quê, Rava?”
Porque aquilo que negamos, rejeitamos ou excluímos encontra formas de retornar, pedindo uma nova oportunidade de integração.
Eu não estou dizendo que isso é fácil, nem que você deve fazer. Mas é possível experimentar esse movimento e perceber a diferença que ele provoca em sua vida. Eu sei que a maioria das pessoas teve infâncias difíceis, marcadas por ausência, rejeição, abuso e tantas outras questões. Nada disso deve ser negado ou diminuído: a dor é real e faz parte da história de quem a viveu.
Mas existe uma armadilha em viver na exigência daquilo que poderia ter sido e não foi.
Quando nos fixamos no que não recebemos, permanecemos abraçados à dor, à escassez, à morte. Enquanto rejeitamos pai e mãe como são, rejeitamos também a vida que veio através deles. Rejeitamos a nós mesmos (as).
A vida recebida pode não ser perfeita, mas é a única que temos. Quando aprendemos a aceitar tudo o que foi – e, também, o que não foi – damos um passo em direção à reconciliação com a nossa própria existência.
E é a partir desse movimento que podemos, então, reescrever uma história diferente e ocupar, de fato, o nosso lugar no mundo.
“Somente quando estamos em sintonia com o nosso destino, com os nossos pais, com a nossa origem e tomamos o nosso lugar, temos a força.” — Bert Hellinger.
A força que buscamos vem da harmonia com nossa origem e com o lugar que nos foi entregue.
Os craques Amilton (E) e Pinga (D) na defesa de Itabuna || Foto Arquivo Walmir Rosário
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Convite aceito, ao chegarem em General Severiano, o técnico Paraguaio quis saber quem era o colega de Bel e o convidou para participar. Não deu outra: dos cinco gols, três deles foram marcados por Pinga e os outros dois por Bel.
Walmir Rosário
Os torcedores de Itabuna e Ilhéus que não conheceram a rivalidade entre as duas torcidas perderam uma grande fase da história entre as duas cidades, principalmente no futebol de alta qualidade jogado naquela época. O mais grave é que poucos têm conhecimento que foi um ilheense quem marcou o fatídico gol da Seleção de Itabuna, contra o selecionado de Alagoinhas (na casa adversária) responsável pelo Hexacampeonato Baiano de Amadores do ano de 1965, finalizado em 30-01-1966.
E o nosso herói atendia pelo nome de Wilson Dias da Costa, embora batizado no meio futebolístico como Pinga, como ficou conhecido pelos torcedores e os amigos Itabunense por toda a sua vida. Nascido no distrito ilheense Banco Central, em 1953 veio morar em Itabuna, e como todo o menino daquela época era presença garantida nos babas dos inúmeros campinhos de Itabuna.
Não demorou muito para ser reconhecido pela diretoria do Náutico Juvenil como um garoto bom de bola, futuro garantido no futebol amador. E não deu outra. Pinga ganhou destaque no Janízaros, único time amador pelo qual jogou. Com a criação e entrada do Itabuna no futebol profissional, lá estava Pinga, o centroavante, fazendo seus importantes gols.
E Pinga não se limitava a se postar na área à espera de bola para partir para o gol. Se o jogo estivesse “devagar”, ele sabia recuar e buscar a bola no meio de campo para “espremer” o adversário na defesa até fazer os gols. Aos poucos, sua atuação em campo chamou a atenção de dirigentes de outras equipes, inclusive fora de Itabuna, mas Pinga se recusava a sair de Itabuna.
Em terras Grapiúna tinha emprego garantido no Banco Baiano da Produção, e em seguida, aprovado no concurso do Banco do Brasil, não descuidou da bola, embora tivesse o futebol com um esporte que lhe garantia uma segunda fonte de renda. Com Marinho e Nelsão era um trio artilheiro “matador” que conhecia cada pedaço do velho e famoso Campo da Desportiva.
Sua história na Seleção de Itabuna iniciou em 1963, ao ser convocado para a disputa e vitória do Tetracampeonato, repetindo a dose no ano seguinte na conquista do Pentacampeonato. Certa feita me confidenciou que não existia nada igual ao jogar na Seleção Amadora de Itabuna ao lado de Santinho, Fernando e Carlos Riela, Tombinho, Ronaldo, Abiezer e tantos outros craques de verdade.
Certa feita, em férias no Rio de Janeiro, se encontra com o amigo e colega de futebol, Bel, para acompanhá-lo a um treino no Botafogo carioca, onde faria teste. Convite aceito, ao chegarem em General Severiano, o técnico Paraguaio quis saber quem era o colega de Bel e o convidou para participar. Não deu outra: dos cinco gols, três deles foram marcados por Pinga e os outros dois por Bel.
Convidado por Paraguaio para participar de outro treino, Pinga simplesmente agradeceu ao técnico, declinando do honroso convite, explicando que se encontrava a passeio no Rio de Janeiro. Com a simplicidade de sempre, retornou a Itabuna para cuidar dos seus afazeres futebolísticos e bancários, com a mesma naturalidade que marcava seu perfil.
Os que conheceram Pinga em sua vida profissional e no futebol o admiravam pela sua conduta exemplar e a responsabilidade com futebol. Alguns diziam que o futebol fazia parte do seu sangue, e tinham razão. Outros irmãos de Pinga também jogaram futebol amador em Itabuna, a exemplo de Nau, goleiro do Flamengo, Fluminense e Seleção; Régis, lateral esquerdo do Janízaros e Seleção; Gílson, quarto zagueiro do Janízaros; e Dilson, meio-campo do Janízaros.
E como o DNA da Seleção de Itabuna era marcado por moléculas vencedoras, Pinga não desbotava quando entrava em campo qual fosse o adversário. Jogava para vencer. Certa feira, após sofrer uma derrota para a Seleção de Ilhéus, não perdoou, mesmo sendo ilheense, e sofreu como se a Seleção Itabunense tivesse perdido para um adversário qualquer, sem a qualidade dos ilheenses.
Essa história de peso da camisa era mera firula, segundo Pinga, tanto assim que dizia respeitar cada adversário, mas que entrava em campo para fazer gols e vencer, pois tinha consciência da qualidade dos companheiros. Ele dava risada quando perguntado pelas táticas empregadas pelos técnicos daquela época. Sabíamos como eles jogavam mas se não desse certo, nós mesmos em campo éramos quem tínhamos que resolver.
De toda a sua carreira de futebol Pinga fala com satisfação de sua convocação para a Seleção de Itabuna. Para ele, o Tetra e o Penta foram bons, embora sua consagração tenha sido definida no Hexa. Era um jogo na casa do adversário e que tínhamos a responsabilidade de vencer, pois empatamos no Campo da Desportiva, portanto, em casa, por 3X3. Bastava marcar um gol e pronto.
Só que nossos adversários complicaram o jogo e Pinga conseguiu marcar aos 35 minutos do segundo tempo. Foi uma festa sem igual, que iniciou em Alagoinhas e só terminou em Itabuna uma semana depois. Enfim, estava garantida a superioridade itabunense, conquistando o Campeonato Baiano Intermunicipal de Amadores, por seis vezes consecutivas.
Mas, neste mundo nem tudo é alegia e cada coisa tem seu tempo, tanto é assim que no sábado, 8 de agosto de 2026, Wilson Dias da Costa, o Pinga, aos 83 anos, nos deixa, para a tristeza dos seus familiares e muitos amigos. Seu corpo foi velado e sepultado em Itabuna, a cidade que adotou e que amava, com a presença de seus parentes e amigos. Com certeza está reunido com os amigos futebolistas no Oriente Eterno, os quais formam uma seleção fenomenal.
Força-tarefa em ação na BA-649 na captura de animais soltos na rodovia || Foto PMI/Divulgação
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Nosso objetivo não é aumentar o número de apreensões. O resultado que queremos alcançar é justamente o contrário: que os criadores mantenham os animais fora das vias públicas, garantindo segurança ao ir e vir das pessoas e a segurança e o bem-estar dos animais.
Rosivaldo Pinheiro
A operação de fiscalização de animais soltos nas vias públicas de Itabuna é uma ação que tem como objetivo principal preservar vidas, aumentar a segurança viária e garantir também a proteção e o bem-estar dos animais. Estamos falando de bovinos e equinos.
Esse trabalho não começou diretamente com apreensões. Inicialmente, realizamos uma etapa preventiva e educativa, com a identificação de criadores e locais de criação, visitas, orientações e notificações. A intenção foi justamente informar aos responsáveis e permitir que adotassem as medidas necessárias para manter seus animais devidamente contidos.
Os resultados já demonstram a necessidade desse trabalho. Entre os dias 7 e 11 de agosto, cinco animais de grande porte foram apreendidos, sendo dois bovinos, três equinos e dois muares, estes últimos no Bairro Vila Anália, na quinta-feira passada.
Existe um procedimento administrativo regulamentado pelo Decreto Municipal nº 17.967/2026. A ocorrência é registrada, o animal é identificado, encaminhado para guarda e a apreensão é divulgada oficialmente. Caso alguém se apresente como proprietário ou possuidor, deverá comprovar essa condição para requerer a restituição e cumprir as demais exigências legais.
A legislação também estabelece consequências financeiras. Para animais de grande porte, o Decreto prevê taxa de liberação de 3 UFMs e multa de 3 UFMs, além do ressarcimento das despesas decorrentes da apreensão, transporte, depósito, guarda, permanência, alimentação, cuidados e demais despesas previstas na regulamentação. Em caso de reincidência, existem regras específicas de agravamento previstas na legislação.
Outro aspecto fundamental é que este não é um trabalho isolado. A questão dos animais soltos exige uma atuação institucional integrada.
A Secretaria da Agricultura e Meio Ambiente (Seagrima) atua dentro das suas competências de fiscalização e condução administrativa; o Centro de Controle de Zoonoses participa nas questões sanitárias e veterinárias previstas na regulamentação.
Também buscamos articulação e apoio operacional da Secretaria de Segurança e Ordem Pública (SESOP), através Guarda Civil Municipal, e de instituições como Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal e Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB), respeitando sempre as atribuições legais de cada órgão.
Essa integração é especialmente importante, porque o problema envolve diferentes dimensões: segurança viária, fiscalização, saúde e condição sanitária dos animais, trânsito animal, bem-estar animal e proteção da população. Nenhuma instituição deve substituir a competência da outra.
Também precisamos da colaboração da população. Quem encontrar animais soltos em ruas, avenidas ou rodovias pode comunicar a SEAGRIMA pelo telefone e WhatsApp (73) 99906-3438, informando, sempre que possível, a localização, um ponto de referência, a quantidade e o tipo de animal e enviando fotografia ou vídeo.
Acima de tudo, queremos reforçar a responsabilidade dos proprietários.
Nosso objetivo não é aumentar o número de apreensões. O resultado que queremos alcançar é justamente o contrário: que os criadores mantenham os animais fora das vias públicas, garantindo segurança ao ir e vir das pessoas e a segurança e o bem-estar dos animais.
Rosivaldo Pinheiro é economista, especialista em Planejamento de Cidades (Uesc) e secretário de Relações Institucionais da Prefeitura de Itabuna.
O escritor Jorge Amado em entrevista ao Semanario Universidad
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Em seus primeiros anos, um dos primeiros pavilhões da instituição recebeu o nome de Pavilhão Jorge Amado, como reconhecimento à importância do escritor e à sua profunda ligação com Ilhéus e com o sul da Bahia.
Alessandro Fernandes de Santana
Neste 10 de agosto, quando celebramos os 114 anos do nascimento de Jorge Amado, a Universidade Estadual de Santa Cruz reverencia a memória e a obra de um dos maiores escritores brasileiros e um dos mais importantes intérpretes da Bahia.
Jorge Amado construiu, por meio de sua literatura, uma extraordinária narrativa sobre a nossa gente, nossa cultura, nossas paisagens e nossas contradições. Seus personagens e histórias ultrapassaram fronteiras e fizeram do Sul da Bahia, especialmente de Ilhéus, um território reconhecido e admirado em diferentes partes do mundo.
Ilhéus ocupa lugar singular na obra de Jorge Amado. A cidade, suas ruas, fazendas de cacau, praias, personagens e modos de vida estão presentes em romances que ajudaram a construir, no imaginário brasileiro e internacional, uma identidade profundamente vinculada à região cacaueira. Ao transformar Ilhéus em cenário e personagem de sua literatura, Jorge Amado contribuiu decisivamente para projetar a cidade para além de suas fronteiras, tornando-a parte indissociável da memória cultural da Bahia e do Brasil.
Essa relação entre o escritor e a cidade também encontra expressão na própria história da Universidade Estadual de Santa Cruz. Em seus primeiros anos, um dos primeiros pavilhões da instituição recebeu o nome de Pavilhão Jorge Amado, como reconhecimento à importância do escritor e à sua profunda ligação com Ilhéus e com o sul da Bahia. A homenagem permanece como um marco simbólico da relação da Universidade com a cultura, a história e a identidade regional.
Ao lembrar Jorge Amado, celebramos também a força da cultura, da literatura e do conhecimento como instrumentos de transformação social. Sua obra permanece atual porque dialoga com a diversidade, com as desigualdades, com a identidade e, sobretudo, com a humanidade de seus personagens.
Para a Uesc, instituição profundamente vinculada à história e ao desenvolvimento do Sul da Bahia, homenagear Jorge Amado é reafirmar o compromisso com a valorização da memória, da cultura e da produção do conhecimento em nossa região. É reconhecer, igualmente, que a Universidade tem o dever de preservar e projetar para as novas gerações as referências que ajudam a compreender quem somos e o lugar que ocupamos no mundo.
Que a palavra de Jorge Amado, nascida na Bahia e projetada para o mundo, continue inspirando novas gerações a conhecer, compreender e valorizar Ilhéus, o Sul da Bahia e a Bahia em toda a sua riqueza, diversidade e humanidade.
Alessandro Fernandes de Santana é reitor da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).
Frei Justo (em pé), Padre Nestor Passos (E) e o presidente do
Rotary, Adélcio Benício (C), debatem a educação dos jovens || Foto Diário de Itabuna
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Com a chegada dos frades Capuchinhos, em 1958, além da construção da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, os religiosos projetaram a construção de um colégio.
Walmir Rosário
Na década de 1950 a educação em Itabuna passava por avanços, embora as instituições de ensino implantadas ainda não fossem capazes de atender toda a demanda existente. Nos bairros, então, as dificuldades eram ainda maiores, pois as poucas escolas e colégios pertenciam aos particulares, às entidades católicas e pouquíssimas dos governos estadual e municipal.
O único recurso – embora dispendioso – para o público em geral era matricular seus filhos nas escolas particulares, desde o estudo do ABC e Cartilha e as séries do primário. No ginásio, pouquíssimas vagas – pagas –, e as famílias que tinham boa condição financeira enviavam seus filhos para estudar em Ilhéus.
No bairro da Conceição foi inaugurado o Colégio Estadual General Osório para o atendimento ao primário, e a Prefeitura mantinha duas salas de aula para o ensino das primeiras letras (ABC e Cartilha). O restante da criançada ingressava nas escolas particulares, pagando um preço módico, nem sempre disponível à maioria das famílias.
Com a chegada dos frades Capuchinhos, em 1958, além da construção da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, os religiosos projetaram a construção de um colégio. Com isso, retirava uma parcela da juventude das ruas, integrando-a à educação formal e a informal, esta religiosa, o famoso catecismo, com a Cruzada Eucarística, os coroinhas, e futuros seminaristas.
Um destaque nesse trabalho foi a professora Maria Zélia Couto, soteropolitana, rígida na sala de aula do Colégio General Osório e nas aulas de catecismo, o que lhe imprimia status importante junto às famílias. Maria Zélia não era uma simples professora da educação formal e católica, e sim uma formadora de caráter aos católicos praticantes.
Para os capuchinhos, a educação e a religião tinham que andar de mãos dadas na formação dos jovens, até porque, além do caráter, a liturgia católica dependia da compreensão do Latim, principalmente nas missas. É que elas eram celebradas por meio da última flor do Lácio, como dizia o poeta Olavo Bilac, no soneto Língua Portuguesa.
Com a Igreja de Nossa Senhora da Conceição quase pronta, o projeto da Escola entrou na ordem do dia. Em 23 de setembro de 1958, Frei Justo foi convidado para uma reunião do Rotary Club de Itabuna. No encontro, o presidente Adélcio Benício dos Santos, Calixto Midlej Filho, presidente do Protocolo; o Padre Nestor Passos e todos os rotarianos tiveram ciência do grande projeto de educação.
Aos rotarianos, o frade fez um levantamento das obras empreendidas no bairro da Conceição, expressando o sentimento cristão, empenhando em concluir a obra da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, e uma escola para menores, importante devido à falta de atenção às crianças, muitos delas desviadas do bom caminho, um dos grandes problemas.
Daí é que Frei Justo batia às portas das instituições da sociedade e de pessoas reconhecidamente benfeitoras, sempre encontrando a acolhida do povo generoso de Itabuna. E ele lembrava grandes vultos do catolicismo no Brasil, a exemplo dos padres José de Anchieta e Manoel da Nobrega, jesuítas, que implantaram igrejas e importantes escolas. E Itabuna repetiria esses feitos. Maquete do futuro Colégio São José, no bairro da Conceição || Foto Diário de Itabuna
E o frade apresentou uma maquete aos rotarianos, mostrando o projeto de uma escola, de autoria do arquiteto João Maschesini. O colégio seria uma contribuição importante a ser dada a Itabuna e ao bairro da Conceição pelos frades Capuchinhos no Cinquentenário de Itabuna, no ano de 1960. Presente melhor não existiria, pois além da religião, promovia a cultura e a sabedoria.
E Frei Justo descreveu o projeto, com dois pavimentos, equipados com duas salas para o Jardim de Infância (Educação Infantil), seis salas para o curso Primário (hoje Fundamental I). O prédio escolar também abrigaria a Educação Profissional, uma sala para o curso de Corte e Costura e outra sala para o Curso de Datilografia, abrangendo as crianças no contraturno da sala de aula.
E para completar, uma sala para a assistência médica, e um salão destinado aos divertimentos e reuniões. Cada uma das salas levaria o nome de seus financiadores, uma homenagem dos capuchinhos à ajuda prestada pelos expoentes da sociedade. A apresentação encantou os rotarianos, que prometeram doações e, ainda por cima, a mobilização da sociedade.
Só que em meados de 1961/62 as salas 1, 2 e 3 já estavam financiadas e pagas, já as salas 4, dedicada às mães e a 5, da Cruzada Eucarística e a da educação infantil ainda não estavam pagas, aguardando o cumprimento da obrigação pelos financiadores. O mesmo acontecia com as salas 6 a 15, cuja conclusão seria um forte impulso à luta travada contra o analfabetismo.
Embora as obras não tenham seguido conforme o cronograma pretendido – segundo alguns, pela mudança da equipe de frades – a Escola foi inaugurada ainda em construção e batizada de São José, homenagem dos Frades Capuchinhos ao Padroeiro de Itabuna. Um avanço a ser reconhecido na história de Itabuna.
Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.
Valderico, ACM Neto e aliados no aniversário de Itabuna || Foto Divulgação
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A presença em peso do grupo reafirmou a solidez do time da mudança e a capacidade de articulação do movimento no interior do estado.
Miguel Esteves | Soterópolis Notícias
As celebrações pelos 116 anos de Itabuna se transformaram em uma demonstração clara de alinhamento e peso político no sul da Bahia. O prefeito de Ilhéus, Valderico Junior (UB), esteve no centro dos atos ao lado do candidato a governador ACM Neto (UB), do candidato a vice Zé Cocá (PP) e de lideranças de toda a região.
A presença em peso do grupo reafirmou a solidez do time da mudança e a capacidade de articulação do movimento no interior do estado.
A união dessas figuras de destaque sinaliza a consolidação de um projeto político forte e pronto para disputar os rumos da Bahia. Liderados por ACM Neto e impulsionados por gestores com aprovação em seus municípios, como Valderico Junior, o grupo demonstra capacidade de gestão, liderança e representatividade para liderar uma transformação real no estado.
Valderico Junior reforça o protagonismo de Ilhéus e da região sul na construção desse novo momento político.
Fabrício Berton Zanchi é o novo reitor da UFSB || Foto Malu Silva Carvalho
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O futuro do cacau baiano não depende apenas da qualidade de seus frutos, mas também da capacidade de integrar ciência, educação, inovação e sustentabilidade. Essa é a nova era do cacau baiano. E a UFSB está pronta para contribuir com sua construção.
Fabrício Berton Zanchi
Ilhéus recebe, entre os dias 23 e 26 deste mês, mais uma edição do Chocolat Bahia. O festival nasceu na cidade em 2009 com pouco mais de uma dezena de estandes e hoje se consolidou como o maior evento do setor na América Latina, reunindo dezenas de milhares de visitantes e centenas de expositores no Centro de Convenções. É difícil pensar em uma vitrine mais simbólica para discutir o papel da universidade pública no desenvolvimento regional. Como reitor da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), escrevo este texto convencido de que o festival não é apenas uma celebração do chocolate, mas também uma oportunidade para refletirmos sobre como ciência, educação e inovação podem transformar vocações históricas em desenvolvimento sustentável para toda a sociedade.
A relação entre Ilhéus, Itabuna e o cacau é uma história de prosperidade, identidade cultural e capacidade de reinvenção. Durante grande parte do século XX, o cacau estruturou a economia regional, impulsionando a ocupação do território, a formação das cidades e a inserção do sul da Bahia nos mercados nacionais e internacionais. A crise provocada pela vassoura-de-bruxa, a partir do final dos anos 1980, trouxe enormes desafios sociais e econômicos, mas também abriu caminho para uma profunda transformação da cadeia produtiva. Foi nesse contexto que a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC) consolidou-se como uma referência internacional em pesquisa e inovação, desenvolvendo materiais genéticos resistentes, preservando um dos maiores bancos de germoplasma de cacau do mundo e aperfeiçoando tecnologias de manejo e controle biológico. Hoje, a região é reconhecida não apenas pela produção agrícola, mas também pelo protagonismo na construção de um modelo que associa conservação da Mata Atlântica, Sistemas Agroflorestais como a cabruca, produção sustentável, agregação de valor e valorização dos chocolates de origem.
A UFSB não nasceu à margem dessa trajetória. Pelo contrário. Foi criada para dialogar com os desafios e potencialidades de um território onde a produção de conhecimento aplicado ao desenvolvimento regional sempre esteve presente. É nesse contexto que se insere a parceria histórica com a CEPLAC e o compromisso da universidade com a formação de profissionais capazes de atuar em uma cadeia produtiva cada vez mais sofisticada, sustentável e conectada aos mercados globais.
Em 2022, o Conselho Universitário aprovou a criação do Curso Superior de Tecnologia em Produção de Cacau e Chocolate, sediado no Campus Jorge Amado, em Ilhéus. O curso oferece cinquenta vagas anuais e uma formação inovadora atendendo as necessidades dos diferentes sistemas de cultivo – da cabruca ao pleno sol, quanto aquelas dos processos industriais de transformação do cacau em chocolate. A iniciativa foi construída em estreita cooperação com a CEPLAC e concebida como um itinerário formativo integrado, permitindo que estudantes oriundos do curso técnico em Agroindústria do Centro Estadual Nelson Schaun tenham continuidade em sua formação acadêmica. O objetivo é formar profissionais preparados para atuar em toda a cadeia produtiva, da produção agrícola à indústria, passando pela gestão, inovação, qualidade, rastreabilidade e desenvolvimento de novos produtos.
Os resultados dessa escolha institucional já começam a se materializar. Estudantes e professores do curso participam de projetos de extensão, pesquisa e inovação voltados para produtores, empreendedores e demais agentes da cadeia produtiva cacaueira. Um exemplo é o projeto Oficineiros do Cacau, que promove ações de capacitação e transferência de conhecimento para diferentes públicos do setor. Recentemente, a UFSB e a CEPLAC realizaram conjuntamente o primeiro Simpósio Baiano em Tecnologias de Cacau e Chocolate (SIBATEC), reunindo pesquisadores, estudantes, produtores e empresas em um ambiente de intercâmbio técnico-científico de alto nível.
Essas iniciativas refletem uma transformação mais ampla em curso no sul da Bahia. A região vem ampliando sua participação nos segmentos de maior valor agregado da cadeia produtiva. Sem abandonar sua tradição agrícola, passou também a investir na transformação local da matéria-prima, no fortalecimento das marcas regionais, no turismo de experiência, na certificação de origem e na produção de chocolates finos reconhecidos nacional e internacionalmente. O reconhecimento de Ilhéus como Capital Nacional da Rota do Cacau e do Chocolate fortalece esse movimento, que tem na Estrada do Chocolate e em diversas experiências de turismo rural e gastronômico exemplos concretos da capacidade de inovação do território.Foto Tárek Roveran
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O sul da Bahia deixou de ser apenas uma região produtora de matéria-prima para se afirmar como um território produtor de conhecimento, inovação e chocolate de origem.
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O que observamos hoje é o surgimento de uma nova economia baseada não apenas na produção do cacau, mas também no conhecimento, na identidade territorial e na sustentabilidade. O sul da Bahia deixou de ser apenas uma região produtora de matéria-prima para se afirmar como um território produtor de conhecimento, inovação e chocolate de origem. Esse processo exige profissionais qualificados, pesquisa aplicada, inovação tecnológica e instituições comprometidas com o desenvolvimento regional. É exatamente nesse espaço que a UFSB busca contribuir.
Essa contribuição dialoga ainda com um debate mais amplo que temos desenvolvido na universidade: o da Economia Azul. A UFSB forma e produz conhecimento sobre os ecossistemas costeiros e marinhos, contribuindo para a gestão sustentável do litoral. Em Ilhéus e nas terras grapiúnas, formamos especialistas e tecnólogos que desenvolvem pesquisas voltadas ao fortalecimento de uma cadeia produtiva que historicamente se conectou aos portos e ao comércio marítimo para alcançar mercados em todo o mundo. Mar e terra nunca estiveram dissociados na história desta região. A mesma vocação que fez de Ilhéus um importante centro exportador é a que hoje impulsiona o turismo de experiência, a valorização dos produtos locais e a inserção competitiva dos chocolates de origem nos mercados nacionais e internacionais.
Por isso, quando falamos do Chocolat Bahia como uma vitrine, falamos também de responsabilidade. Uma universidade federal instalada no coração da região cacaueira tem o dever de ser mais do que espectadora desse processo. Deve atuar como parceira ativa na pesquisa que ajuda a superar desafios produtivos, na formação de profissionais qualificados, na extensão que chega aos agricultores familiares e no diálogo permanente com instituições como a CEPLAC, cooperativas, associações e empresas do setor.
A UFSB assumiu esse compromisso ao investir na formação de recursos humanos, na produção de conhecimento e na inovação voltada para o fortalecimento da cadeia do cacau e do chocolate. Cabe agora a todos nós, universidades, instituições de pesquisa, setor produtivo e poder público, transformar esse potencial em oportunidades concretas para a população. O futuro do cacau baiano não depende apenas da qualidade de seus frutos, mas também da capacidade de integrar ciência, educação, inovação e sustentabilidade. Essa é a nova era do cacau baiano. E a UFSB está pronta para contribuir com sua construção.
Fabrício Berton Zanchi é reitor da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).
Vista parcial da cidade de Itabuna || Foto Zé Drone
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Enquanto isso, no outro lado da ponte, por exemplo, Ilhéus parece nadar contra a maré.
Andreyver Lima
Há quem diga que uma boa gestão pública se revela nos detalhes. Em Itabuna, os detalhes estão por toda parte e não passam despercebidos. Não é preciso ser especialista em políticas públicas para notar mudanças positivas na Terra Grapiúna. Ao longo dos últimos cinco anos, o prefeito Augusto Castro (PSD) consolidou uma gestão que combina eficiência orçamentária com resultados de largo alcance, um desdobramento da articulação política que se alimenta de entregas concretas e se valida na ponta, onde a vida acontece.
As milhares de bandeirolas que ornamentaram a Avenida do Cinquentenário, principal corredor comercial da cidade, por exemplo, anunciaram a chegada do São João em rede nacional, transformando o local num verdadeiro cartão-postal. É um gesto simbólico, sim, mas que traduz uma virada de chave: Itabuna voltou a se enxergar como polo. E mais: aprendeu a se vender como tal.
A parceria com os governos estadual e federal deixou de ser retórica de gabinete para virar algo de ‘carne e osso’. O Programa Mais Água levou o abastecimento regular a áreas antes esquecidas. A malha viária da cidade, décadas a fio relegada, passou por uma reforma que não se limita ao recapeamento: o projeto de interligação das vias municipais à nova BA-649 é tratado como espinha dorsal de uma nova logística regional para o escoamento de produção e serviços do sul baiano.
A implantação dos parques lineares, atrelados ao projeto de mobilidade urbana, com novas avenidas e complexo viário que incluem pontes e viadutos, apontam para o desenvolvimento e modernidade.
A modernização da iluminação pública, com tecnologia LED, trouxe mais segurança e visibilidade para bairros inteiros. A reforma e ampliação das unidades básicas de saúde desafogaram postos que antes operavam no limite da capacidade. Já a reforma e ampliação do Hospital de Base, que atua com portas abertas, é um marco do compromisso com a vida, fruto da parceria com o Governo da Bahia.
As escolas municipais, muitas delas com estruturas físicas renovadas, ganharam novo fôlego.
E o esporte, tratado como ferramenta de inclusão social, deixou de ser apêndice para virar carro-chefe da gestão municipal. Quadras reformadas e projetos sociais que tiram crianças e jovens das ruas e os colocam em campo, não apenas de grama sintética, mas em campo de possibilidades.
Famílias usufruem de uma dezena de praças requalificadas como espaços de lazer e convivência.
Há, ainda, um dado que poucos observadores externos registraram: a redução consistente dos índices de criminalidade. Os números são fruto de uma atuação integrada das forças de segurança, num arranjo que envolve as polícias Civil e Militar e a Guarda Civil Municipal, sistema de videomonitoramento e inteligência compartilhada. O resultado prático é uma cidade que respira mais tranquilamente – e isso, no tabuleiro político, tem peso.
O Ita Pedro, considerado o maior São Pedro do Brasil. O título, ao que tudo indica, não é mero marketing, visto que o evento é um motor econômico e vitrine cultural. Na edição deste ano, o evento contou com a maior grade de artistas da história, com o menor investimento de recursos próprios do Município, graças à articulação com o Ministério do Turismo.
Enquanto isso, no outro lado da ponte, por exemplo, Ilhéus parece nadar contra a maré. A gestão tropeça em percalços que vão da desarticulação política à falta de projetos estruturantes. A comparação, ainda que incômoda para alguns, é inevitável: enquanto Itabuna avança com um projeto claro de desenvolvimento regional, a vizinha patina em meio a ruas malcuidadas e uma agenda cultural que não decola.
A avaliação popular sobre os gestores municipais respinga nas urnas majoritárias e proporcionais. Augusto Castro não é apenas um prefeito bem avaliado – ele é, neste momento, um ativo político de primeira grandeza para o campo situacionista. O modelo de gestão adotado na cidade pode se tornar uma espécie de selo de qualidade para alianças futuras.
Itabuna, hoje, não é apenas um exemplo para o sul da Bahia. É, talvez, uma prévia do que a política institucional pode entregar.
Andreyver Lima é jornalista, analista político e especialista em comunicação pública.
Ilheense, Magno Lavigne é ex-secretário Nacional de Qualificação e Fomento à Geração de Emprego e Renda do Ministério do Trabalho e Emprego
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Magno Lavigne
Existem datas que aprendemos na escola. Outras, carregamos na alma. O 2 de Julho é uma delas.
Mais do que celebrar a Independência do Brasil na Bahia, esse dia nos convida a olhar para a nossa própria história e, principalmente, para o futuro que estamos construindo.
Sempre me pergunto: o que significa ser livre nos dias de hoje?
No passado, homens e mulheres enfrentaram batalhas, arriscaram a própria vida e escreveram, com coragem, um dos capítulos mais importantes da nossa história. Eles sonhavam com um povo capaz de decidir o próprio destino.
Hoje, talvez as batalhas sejam outras. Já não se travam apenas nos campos de guerra, mas nas ruas, nas escolas, nos lares e na vida de milhares de famílias que lutam diariamente para viver com dignidade.
A verdadeira liberdade do nosso tempo é garantir que ninguém precise escolher entre alimentar os filhos e preservar a própria dignidade. É oferecer oportunidades para que nossos jovens estudem, trabalhem e descubram que sonhar ainda vale a pena. É fazer com que a esperança seja mais forte do que o medo.
O 2 de Julho também nos ensina que nenhuma grande transformação acontece sozinha. A história da Bahia foi construída por pessoas comuns, que entenderam que, quando um povo caminha unido, torna-se capaz de mudar a própria realidade.
Esse talvez seja o maior legado dessa data: lembrar que a independência não terminou em 1823. Ela continua sendo construída todos os dias, quando escolhemos a justiça em vez da indiferença, a solidariedade em vez do egoísmo e o compromisso com o bem comum em vez da omissão.
Durante as celebrações deste ano, ao reencontrar tantas famílias, amigos e pessoas que acreditam na força da nossa terra, saí ainda mais convencido de que o maior patrimônio da Bahia não está apenas em sua história ou em suas tradições. Está, sobretudo, na capacidade do seu povo de permanecer unido, mesmo diante das dificuldades.
O futuro que desejamos não será obra de uma única pessoa, de um governo ou de uma instituição. Será construído por cada cidadão que acredita que pequenas atitudes podem transformar grandes realidades.
O 2 de Julho nos lembra de onde viemos. Mas, acima de tudo, nos inspira a refletir sobre para onde queremos ir.
Que jamais nos falte coragem para honrar o passado, sensibilidade para compreender o presente e esperança para construir uma Bahia onde liberdade, dignidade, oportunidade e justiça caminhem sempre de mãos dadas.
Magno Lavigne é ex-secretário Nacional de Qualificação e Fomento à Geração de Emprego e Renda do Ministério do Trabalho e Emprego e pré-candidato a deputado estadual.
Ilheense, Magno Lavigne é ex-secretário Nacional de Qualificação e Fomento à Geração de Emprego e Renda do Ministério do Trabalho e Emprego
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Escrevo como filho desta terra, movido pelo amor que sempre senti por Ilhéus e pela convicção de que nossa cidade pode viver um novo tempo sem perder sua essência.
Magno Lavigne
Meus queridos ilheenses,
Há momentos em que o silêncio nos convida à reflexão. Este é um deles.
Escrevo como filho desta terra, movido pelo amor que sempre senti por Ilhéus e pela convicção de que nossa cidade pode viver um novo tempo sem perder sua essência.
Aprendi cedo que amar uma cidade é conhecer seu povo. É caminhar pelos morros, pelas ruas da Zona Norte, da Zona Sul, do Centro, dos distritos e da zona rural. É reconhecer a força das comunidades negras, respeitar a história viva do povo Tupinambá e valorizar quem planta, pesca, empreende, ensina, cuida e trabalha diariamente para sustentar sua família.
Foi aqui que aprendi uma das maiores lições da vida: trabalhar todos os dias para que ninguém perca a dignidade de colocar o pão na mesa.
Ilhéus foi construída pelo trabalho. O cacau moldou nossa economia, nossa cultura e nossa identidade. Mas a maior riqueza desta cidade sempre foi seu povo: gente honesta, resiliente e solidária, que nunca desistiu diante das dificuldades.
Ao longo da minha caminhada, especialmente no movimento estudantil, compreendi que a política só faz sentido quando melhora a vida das pessoas. Governar é ouvir antes de falar, servir antes de mandar e cuidar antes de prometer.
Às vésperas dos 500 anos de Ilhéus, somos chamados a pensar o futuro com responsabilidade.
Quero uma cidade onde a juventude encontre oportunidades para estudar, se qualificar, trabalhar e realizar seus sonhos sem precisar partir. Uma cidade que estimule o emprego, fortaleça a geração de renda e valorize quem produz.
Quero uma Ilhéus que cuide das crianças, acolha as pessoas com deficiência, respeite as mulheres, ofereça segurança às famílias e reconheça a sabedoria de quem chegou à velhice após uma vida inteira de trabalho.
Quero uma cidade que olhe para todos: quem vive na Zona Norte, na Zona Sul, no Centro, nos bairros, nas periferias, nos morros, nos distritos, nas comunidades tradicionais, nas praias e no campo. Porque nenhuma parte de Ilhéus é maior ou menor que outra. Todas pertencem à mesma história.
Temos vocação para o turismo, a cultura, o porto, o comércio, a inovação e o desenvolvimento. Mas nenhuma riqueza terá verdadeiro valor enquanto houver uma família sem oportunidades, um jovem sem perspectivas ou um trabalhador sem dignidade.
Não acredito em soluções fáceis. Acredito no planejamento, na boa gestão, no diálogo e no trabalho sério.
Acima de tudo, acredito nas pessoas.
Tenho profundo respeito pela inteligência do povo ilheense. Nossa gente sabe reconhecer quem conhece esta cidade não apenas por seus cartões-postais, mas por suas ruas, seus bairros, suas comunidades e, sobretudo, pelo coração de quem vive e ama esta terra.
Coloco-me, com humildade e responsabilidade, à disposição para continuar contribuindo com Ilhéus.
Antônio Garrido e Eugênio Abreu, autor da homenagem ao educador de origem espanhola || Foto Arquivo
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A história de Antônio Pazos Garrido e de sua família representa um capítulo significativo da imigração espanhola no sul da Bahia. Por meio do trabalho, da educação e da dedicação à vida comunitária, os Pazos Garrido contribuíram para a construção da história social, cultural e educacional de Itabuna.
Eugênio Abreu
A trajetória de Antônio Pazos Garrido confunde-se com a história de muitas famílias espanholas que atravessaram o Oceano Atlântico em busca de novas oportunidades e encontraram no sul da Bahia uma terra de acolhimento, trabalho e prosperidade.
Filho de Moisés Pazos González e de Caridad Garrido Vidal, Antônio nasceu em 30 de janeiro de 1946, na cidade de O Grove, Província de Pontevedra, na região da Galícia, Espanha.
Sua história familiar está profundamente vinculada aos movimentos migratórios do pós-guerra europeu. Seu pai, Moisés Pazos González, ex-combatente da Guerra Civil Espanhola, participou durante três anos dos conflitos que marcaram aquele período turbulento da história da Espanha.
Como tantos compatriotas, decidiu reconstruir a vida longe da Europa devastada pela guerra.
Em 1950, Moisés chegou sozinho ao Brasil, estabelecendo-se em Itabuna, cidade que vivia o esplendor econômico da lavoura cacaueira. A primeira residência da família localizou-se na Avenida Inácio Tosta Filho, nº 579.
Após firmar-se economicamente, providenciou a vinda da esposa, Caridad Garrido Vidal, e dos filhos, reunindo novamente a família em terras brasileiras.
Posteriormente, adquiriu um terreno na então Avenida dos Trovadores, nº 42 — atual Avenida Itajuípe — onde construiu o conhecido Prédio da Família Garrido, referência urbana que simbolizou a consolidação da família na sociedade itabunense.
O LEGADO DE MOISÉS E A FORMAÇÃO FAMILIAR
Homem trabalhador e respeitado, Moisés exerceu inicialmente a profissão de mecânico de fogões a querosene, atividade de grande relevância para a época.
Mais tarde, assumiu a gerência do Posto Texaco pertencente ao empresário José Oduque Teixeira, ampliando sua participação na vida econômica da cidade.
Faleceu aos 95 anos de idade, deixando um legado de dignidade, perseverança e dedicação à família. Sua esposa, Caridad Garrido Vidal, também já falecida, foi presença fundamental na formação moral e cultural dos filhos.
Ao lado dos irmãos Francisco Pazos Garrido, conhecido como Paco, e Manuel Pazos Garrido, Antônio cresceu em um ambiente familiar que preservava as tradições espanholas sem perder a integração à cultura brasileira.
Paco manteve fortes vínculos com a Espanha, onde veio a falecer.Professor Garrido com a esposa, Ana Cristina, e o filho Felipe || Arquivo familiar
VOCAÇÃO PARA AS LETRAS E A EDUCAÇÃO
Desde cedo, Antônio revelou especial inclinação para as letras, a linguagem e as humanidades. Ingressou na antiga Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna (Fespi), instituição pioneira do ensino superior regional, onde graduou-se em Letras, consolidando uma vocação que o acompanharia por toda a vida.
Professor de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira, Língua Espanhola e Redação, dedicou mais de três décadas ao magistério.
Atuou nas redes municipal, estadual e particular de ensino, destacando-se pela sólida formação humanística, competência pedagógica e compromisso com a formação intelectual e cidadã de seus alunos.
Lecionou em importantes instituições educacionais de Itabuna, entre elas o Imeam e o Colégio Estadual de Itabuna. Nesta última instituição, exerceu, além da docência, as funções de Coordenador de Estágio Supervisionado e Vice-Diretor, contribuindo significativamente para a formação de professores e para o fortalecimento da gestão escolar.
Reconhecido pelo domínio da língua portuguesa e pelo profundo conhecimento da cultura espanhola, participou de trabalhos de revisão textual, tradução e iniciativas culturais voltadas à valorização das letras e do intercâmbio cultural entre Brasil e Espanha.
Sua atuação ajudou a preservar as raízes culturais da família e a enriquecer o ambiente intelectual da região.
ÚLTIMOS ANOS E LEGADO PESSOAL
Em 25 de maio de 2006, casou-se, na Espanha, com Romilda Sousa Gomes. A união fortaleceu seus laços com a terra natal e marcou uma nova etapa de sua vida.
Antônio Pazos Garrido faleceu em 18 de outubro de 2012, na Espanha, encerrando uma trajetória pautada pela educação, pela cultura e pelos valores familiares.
A TRAJETÓRIA DE MANUEL PAZOS GARRIDO
Seu irmão, Manuel Pazos Garrido, nascido em O Grove, em 10 de dezembro de 1949, chegou a Itabuna em 1958. Formou-se em Filosofia pela antiga Fespi, com habilitação em Psicologia, Sociologia e Ciências Físicas, Biológicas e Matemáticas.
Durante mais de três décadas destacou-se como professor de Física em tradicionais instituições de ensino da região, dentre elas Colégio Estadual de Itabuna, Imeam, Colégio Sementeira, Colégio Ação Fraternal de Itabuna, Colégio Divina Providência, em Itabuna, e Instituto Nossa Senhora da Piedade, em Ilhéus.
Em 29 de novembro de 1986, Manuel casou-se com a professora Ana Cristina Reis Carvalhais Garrido, itabunense, graduada em Administração com habilitação em Recursos Humanos pela FTC e pós-graduada em Especialização para o Ensino Superior pela Facsul.
Também dedicada à educação, Ana Cristina construiu uma respeitada trajetória profissional, contribuindo para a formação de inúmeras gerações de estudantes.
O casal tem um filho, Filipe José Carvalhais Garrido, engenheiro civil e estudante de Medicina, representante da continuidade de uma tradição familiar construída sobre os pilares do conhecimento, da educação e da busca permanente pelo aperfeiçoamento humano.
UMA FAMÍLIA QUE AJUDOU A CONSTRUIR A HISTÓRIA DE ITABUNA
A história de Antônio Pazos Garrido e de sua família representa um capítulo significativo da imigração espanhola no sul da Bahia. Por meio do trabalho, da educação e da dedicação à vida comunitária, os Pazos Garrido contribuíram para a construção da história social, cultural e educacional de Itabuna.
Seu legado permanece vivo na memória de familiares, amigos, colegas e ex-alunos, testemunhando a força transformadora do conhecimento e da educação.
Professor por vocação, humanista por essência e espanhol de raízes profundas, Antônio pertenceu à geração de educadores que compreendia o ensino como um compromisso com o futuro e a cultura como um patrimônio a ser compartilhado.
A LEMBRANÇA DE UM MESTRE DAS PALAVRAS
Para aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-lo, permanece uma imagem inesquecível: onde estivessem os letristas, os catedráticos, os escritores e os pensadores, certamente ali estaria Antônio Garrido.
Em meio às conversas sobre literatura, gramática, filosofia e cultura, muitas vezes animadas por uma boa massa, uma pizza compartilhada e a alegria da convivência, encontrava-se o professor apaixonado pelas palavras.
Com entusiasmo e erudição, enaltecia as letras e os vocábulos, revelando que via na linguagem não apenas um instrumento de comunicação, mas uma das mais elevadas expressões da inteligência humana.
Assim permanece sua lembrança: a de um educador culto e generoso, um mestre das letras, um defensor do conhecimento e um homem que fez da educação sua missão. Enquanto houver ex-alunos que recordem seus ensinamentos, amigos que rememorem suas conversas e familiares que preservem sua história, Antônio Pazos Garrido continuará vivo, habitando para sempre o universo das palavras que tanto amou.
Reforma de praça, no Góes Calmon, levou Prefeitura a cortar árvores || Foto Jorge Barbosa
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Diante da dura realidade de degradação ambiental progressiva em Itabuna e no mundo, é cada vez mais necessária a mobilização popular com o objetivo de exigir a manutenção da cobertura vegetal existente
Jorge Barbosa
Não é de hoje que a motosserra está a mão de funcionários da prefeitura de Itabuna para derrubar árvores urbanas em nome do “progresso”. A despeito disso, muito se fala em reflorestamento, mas na prática, o que se vê é o corte inadvertido de árvores em nossas praças, avenidas e às margens do Rio Cachoeira, tão negligenciado quanto a pequena mata ciliar que o rodeia. Desse modo, estamos cada vez mais longe de uma cidade verde e sustentável.
Devemos preservar o pouco verde que nos resta e incentivar a:
Arborização: com intensificação de uma ampla cobertura vegetal em ruas, parques e praças, evitando as ilhas de calor.
Infraestrutura azul e verde: com a integração de corpos d’água com áreas permeáveis.
Mobilidade sustentável: priorizar o transporte público de qualidade e acessível, além de incentivar ao uso de bicicletas e ao cuidado e respeito com os pedestres.
Gestão de resíduos: com foco em reciclagem e economia circular.
Nos últimos anos temos assistido à derrubada de árvores ao lado da Avenida Princesa Isabel, na Avenida Aziz Maron, margens do Rio Cachoeira e, recentemente, na Praça Celso Fontes Lima, no bairro Góes Calmon.
O pior é que toda a supressão de árvores é executada após licenças ambientais dos órgãos responsáveis. O que não isenta tais atos de crimes ambientais, tendo em vista que árvores de até aproximadamente 100 anos foram ao chão.
Como todos sabem, as árvores são residências de pássaros e demais animais que, milagrosamente, conseguiram adaptar-se ao hostil meio urbano.
O centro do nosso questionamento não é se o projeto urbanístico é útil ou necessário, o que nós contestamos é a visão dos projetistas que partem sempre do ponto de vista do que é mais cômodo, vantajoso, proveitoso e barato, colocando a natureza sempre em último lugar.
Apesar de todo o debate acerca da importância do equilíbrio ecológico e do respeito ao meio ambiente, na hora do dito “interesse público”, toda a legislação ambiental é colocada em segundo plano.
Diante da dura realidade de degradação ambiental progressiva em Itabuna e no mundo, é cada vez mais necessária a mobilização popular com o objetivo de exigir a manutenção da cobertura vegetal existente e, ao mesmo tempo, de projetos de arborização urbana e à margem de rodovias.
Caso o cidadão eleitor não tome partido, assistiremos à liquidação das últimas árvores urbanas e das últimas reservas ambientais. Tudo em nome do desenvolvimento degradante.
Lutemos juntos para uma Itabuna mais verde e sustentável.
Jorge Barbosa é vice-presidente do Sindicato dos Bancários de Itabuna e Região.
Em pé: Bita, Americano, Carlinhos Pirata, Arnaldo Badaró,
Itajaí e Boinha; Agachados: Pingo, Vilson Longo, Mourão,
Esquerdinha e Luiz Roberto || Arquivo Walmir Rosário
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Pouquíssimos jogadores de futebol foram aquinhoados com a felicidade de serem convocados para duas seleções, e dentre os notáveis estão Ferenc Puskás (Hungria/Espanha), Mazzola (Brasil/Itália), Robert Prosinečki (Iugoslávia/Croácia), Thiago Motta (Brasil/Itália) e Diego Costa (Brasil/Espanha). Eles aproveitaram a dupla nacionalidade ou a dissolução de países. Eu ainda incluo Evaristo de Macedo no Barcelona e Real Madrid.
Mas não só exemplos famosos do futebol internacional podem ser incluídos nesta seleta lista. Um grapiúna – itabunense de quatro costados – tem lugar entre os especiais: José Itajaí Andrade Teixeira, nos campos de futebol simplesmente Itajaí, que jogou pela Seleção de Ilhéus e, em seguida, foi convocado para a Seleção de Itabuna, a Hexacampeã baiana.
Sem qualquer paixão ou proselitismo, podemos considerar a participação de Itajaí nesta seleta lista – guardadas as devidas proporções –, por se tratar de um jogador amador, portanto exposto à paixão dos torcedores devido à rivalidade entre as duas cidades. A convocação nas duas seleções foi motivada pelo futebol técnico e sério que jogava.Em pé: Luiz Carlos, Santinho, Itajaí, Régis, Déri e Ronaldo; Agachados: Neném, Valdemir, Bel, Danielzão e Evaristo || Arquivo Walmir Rosário
Vou logo alertando ao torcedor mais jovem que para enfrentar a vibrante, numerosa e apaixonada torcida daquela época era preciso que o jogador possuísse domínio dos nervos, em campo ou fora dele. A primeira palavra que saía da boca de um apaixonado – melhor dizendo, fanático – torcedor era traidor da pátria, seguida de xingamentos nada amistosos.
No caso de Itajaí, pelo seu comportamento durão, daqueles que não leva desaforo para casa, o oponente pensava duas vezes antes de atacá-lo, pois a resposta vinha pronta, sem pestanejar. Mas, os explosivos torcedores aguardavam outras oportunidades para lançar os impropérios, principalmente quando separados pelo alambrado que divide o gramado da torcida.
Itabunense, Itajaí foi morar em Ilhéus por decisão da família para estudar o ginásio, no final da década de 1950. É aí que o um tio morador em Ilhéus e diretor do Vitória ilheense, o convida para residir com ele na vizinha cidade. Convite aceito por ele e a família, Itajaí nem bem se ambienta na nova cidade, recebe o convite para treinar no time, ocupando a mesma posição da equipe anterior: zagueiro.
No Vitória, inicia o treinamento e no primeiro jogo – num domingo –, na primeira bola em que pega, um jogador adversário lhe dá um violento pontapé no tornozelo, que virou o pé. Ao voltar pra casa sua tia Djalma, que era muito enérgica, disse que iria tratá-lo, mas, quando estivesse restabelecido, teria que fazer a mesma coisa com ele, se não iria apanhar.
Após passar 20 dias imobilizado (no gesso), Itajaí retorna aos treinamentos e ao disputar uma bola com o mesmo adversário não se contém e vai à forra, numa disputa mais enérgica e aplica um leve bico de chuteira no joelho do colega, tirando a rótula de lugar. E Itajaí diz que ele pagou na mesma moeda. Em seguida se arrepende de ter ido à forra, mas ressalta que serviu como lição.
Meses depois, num treino do Vitória, o técnico escala oito aspirantes para jogar contra o quadro titular, no qual jogava Sílvio Mário. “Marquei ele que não andou em campo”, lembra Itajaí. E essa partida foi fundamental para que iniciasse a jogar de quarto zagueiro no time titular. Daí foi um pulo para ser convocado para a Seleção de Ilhéus, na qual jogou de 1960 a 1962.
De volta a Itabuna, Itajaí é convidado para jogar no Fluminense e fecha um contrato no valor de Cr$ 50 mil (Cinquenta mil cruzeiros), com o diretor Davi Pinheiro, o que era considerada uma boa fortuna. O compromisso era jogar um ano pelo Fluminense amador. Cheque na mão, procurou o tio Zelito Fontes e comprou 83 bezerros, com direito a pasto grátis.
E não deu outra, também foi convocado para a Seleção de Itabuna, o que despertou a ira dos torcedores ilheenses, logo na primeira partida disputada entre as duas seleções rivais. E como o noticiário da imprensa – jornais e rádios – era motivo de discussão entre os torcedores, a primeira partida “pegou fogo” com Itajaí na quarta zaga da seleção itabunense.
Embora os debates entre os torcedores “incendiavam” as duas cidades, no meio dos jogadores o clima era ameno, pois eram amigos fora de campo, embora não houvesse regalias dentro de campo. Eram adversários. Certa feita um jogador ilheense chegou a lhe confidenciar que alguns torcedores lhe procuraram em particular, oferecendo uma boa soma em dinheiro para que quebrasse a perna do “traidor” Itajaí. E tudo terminou em risadas.
Na Seleção de Itabuna e nos clubes Itajaí era titular e jogou as grandes decisões do Campeonato Intermunicipal, no qual o selecionado itabunense foi hexacampeão baiano de amadores. E Itajaí diz com toda a tranquilidade que eles entravam para decidir o jogo, em Itabuna e nos campos dos adversários, pois eram os melhores da Bahia.
Aos 26 anos Itajaí resolve se aposentar do futebol quando jogava para o Itabuna Esporte Clube, já profissional. Daí se dedicou à carreira de bancário e, posteriormente, empresário da comercialização de cacau, cacauicultor, pecuarista e industrial do leite. Itajaí lembra com satisfação o período em que jogou futebol e foi um dos líderes daquelas equipes vencedoras que tantas alegrias proporcionaram à torcida itabunense.
Ilheense, Magno Lavigne é ex-secretário Nacional de Qualificação e Fomento à Geração de Emprego e Renda do Ministério do Trabalho e Emprego
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Considero preocupante quando lideranças políticas parecem olhar para essa discussão apenas pelos números e não pela realidade de quem acorda cedo, enfrenta transporte lotado e dedica quase toda a semana ao trabalho.
Magno Lavigne
Tenho acompanhado as recentes declarações do senador Angelo Coronel sobre o fim da escala 6×1. Respeito o direito de cada parlamentar defender suas convicções, mas discordo profundamente da posição que ele tem adotado nesse debate. Segundo o senador, a mudança poderia gerar desemprego e a solução deveria passar por negociações entre patrões e empregados.
Na prática, porém quem vive a realidade da escala 6×1 sabe o peso de jornadas exaustivas, do pouco tempo para a família, do desgaste físico e mental e da dificuldade de conciliar trabalho e qualidade de vida.
O Brasil mudou. O trabalhador de hoje não quer privilégios; quer dignidade. Quer produzir, gerar riqueza e também ter tempo para viver. Defender a modernização das relações de trabalho não é ser contra o emprego. É compreender que desenvolvimento econômico e valorização humana devem caminhar juntos.
Por isso, considero preocupante quando lideranças políticas parecem olhar para essa discussão apenas pelos números e não pela realidade de quem acorda cedo, enfrenta transporte lotado e dedica quase toda a semana ao trabalho.
A Bahia é feita por trabalhadores e trabalhadoras que merecem ser ouvidos. O debate sobre o fim da escala 6×1 não pode ignorar a voz de quem sustenta a economia todos os dias. É hora de colocar a dignidade humana no centro dessa discussão.
Magno Lavigne é ex-secretário Nacional de Qualificação e Fomento à Geração de Emprego e Renda do Ministério do Trabalho e Emprego e pré-candidato a deputado estadual.
Jorge Barbosa defende valorização das tradições nordestinas || Fotos Agência Brasil e Bancários Itabuna
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Nas festas juninas promovidas por estados e municípios, regadas a cachês milionários, desfilam de sertanejos a DJs. E o que menos se vê são artistas regionais comprometidos com o xote, o xaxado, o baião, as marchinhas juninas e demais gêneros característicos da nossa região.
Jorge Barbosa
Uma das maiores tradições do nosso amado nordeste está seriamente ameaçada, refiro-me ao rico patrimônio cultural das festas juninas.
Um verdadeiro crime está sendo cometido, e pior, pelos próprios nordestinos, especialmente os gestores públicos em conluio com a inescrupulosa indústria cultural a serviço dos grandes meios de comunicação e do agronegócio.
Estou me reportando a invasão de ritmos, gêneros musicais e cantores que não possuem nenhuma vinculação com a nossa tradição e herança cultural.
Nas festas juninas promovidas por estados e municípios, regadas a cachês milionários, desfilam de sertanejos a DJs. E o que menos se vê são artistas regionais comprometidos com o xote, o xaxado, o baião, as marchinhas juninas e demais gêneros característicos da nossa região.
Você que concorda com a valorização da cultura nordestina e com o reconhecimento e importância dos nossos artistas, pronuncie-se através das redes sociais e dos meios de comunicação, manifeste-se nas ruas e perante os políticos de sua cidade, exija o seu direito de cidadão eleitor por autênticas festas juninas.
Os artistas também precisam se declarar, demonstrar a insatisfação com a invasão cultural.
Ao mesmo tempo, é necessário apresentar novos projetos audiovisuais, disputar espaço na mídia e nas redes sociais.
Viva o Forró de Verdade!
Orgulho de ser nordestino!!!
Jorge Barbosa é vice-presidente do Sindicato dos Bancários de Itabuna e Região