Valderico Junior: só Deus pode evitar candidatura de Neto ao governo estadual || Foto Nadson Carvalho
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Pesquisas eleitorais desenham cenário favorável a ACM Neto na corrida para o Palácio de Ondina. Apesar disso, há quem levante a hipótese de o presidente nacional do DEM não ser candidato a governador da Bahia em 2022, escolhendo candidatura ao Senado.

Entrevistado hoje (13) pelo PIMENTA, o presidente do DEM-Ilhéus, Valderico Junior, disse que essa possibilidade é nula. Na verdade, segundo ele, Neto só não será candidato a governador se essa for a vontade de Deus.

O ex-prefeito de Salvador chegará ao sul da Bahia nesta quinta-feira (16). Na entrevista abaixo, Valderico Junior fala da repercussão do anúncio da visita de Neto à região e explica a ausência do vice-prefeito de Itabuna, Enderson Guinho (DEM), na reunião que vereadores itabunenses tiveram com o líder democrata na capital baiana. Também comenta o próprio futuro político e a possibilidade de disputar o pleito de 2022. Confira.

PIMENTA – Como foi a reação da cena política regional ao anúncio da visita de ACM Neto ao sul da Bahia?

VALDERICO JUNIOR – A gente fica feliz de ver a receptividade ao nosso futuro governador – nós estamos trabalhando, diuturnamente, para que isso possa acontecer. A gente vê o povo querendo a mudança. Em 2022, termina um ciclo de governos de 16 anos e começa uma nova etapa na Bahia. Tem sido uma resposta muito positiva. Eu vejo um crescimento gigantesco. O nome de Neto tem muito apelo popular, pela história do avô e pela administração dele na Prefeitura de Salvador, o melhor prefeito do Brasil.

Há quem diga que existe a possibilidade de Neto não ser candidato a governador. Você acredita nessa possibilidade?

Só se Deus não quiser. Acho que só Ele pode fazer isso hoje, pelo jeito que o povo tem a vontade que Neto seja nosso governador e pela vontade que vejo nele, discutindo todos os assuntos que interessam à Bahia. Neto tem sido participativo, tem buscado, tem lutado, tem feito alianças importantes. É nula a opção de ele não ser candidato a governador em 2022.

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A gente está fazendo um projeto com total transparência, sem vaidades.

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Repercutiu na imprensa a ausência do vice-prefeito Enderson Guinho numa reunião recente. Houve algum mal-entendido? Como está a relação com Guinho?

É uma relação boa. Guinho é um jovem promissor da nossa região. Eu não tenho dúvidas do trabalho que ele vem fazendo, buscando essa representatividade no município de Itabuna. Ganha o partido, ganha o sul da Bahia, com mais um grande líder. Ele tem feito um trabalho bacana e comprou a briga do Democrata. O que aconteceu foi que eu estive na Câmara de Vereadores de Itabuna e fui comunicado do interesse dos vereadores de estarem com Neto, inclusive antes da possibilidade de Neto estar aqui. Isso foi na quarta [8] e na quinta-feira [9] eu tinha agenda em Salvador. A bancada de vereadores que ia era maior, mas foi um tiro muito curto, a gente conseguiu um furo na agenda de Neto e a agenda acabou impossibilitando a presença de Guinho. No outro dia, os vereadores se reuniram com Guinho – o que foi uma proposta feita por mim. Não tem rachadura. A gente está fazendo um projeto com total transparência, sem vaidades. Eu tinha um espaço na agenda de Neto e cedi para que os vereadores pudessem estar lá e adiantar essa aproximação.

Você já disse que pensa mais no futuro, em 2024, do que nas eleições do próximo ano. Hoje, a possibilidade de ser candidato em 2022 parece mais real?

Eu quero trabalhar para que a gente possa ter força na nossa região. Quero trabalhar para que a região possa ser respeitada politicamente. Farei o que puder fazer para que isso ocorra. Candidatura foi uma coisa que eu pensei muito em 2020, quando saí candidato a prefeito de Ilhéus. Nós tivemos do 0 a quase 21 mil votos. Ficamos em 2º lugar, trilhando um caminho natural para 2024 – claro que depende muito do nosso trabalho, da atenção que a gente der a isso.

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Nós tivemos do 0 a quase 21 mil votos. Ficamos em 2º lugar, trilhando um caminho natural para 2024 – claro que depende muito do nosso trabalho, da atenção que a gente der a isso.

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Nós estamos conscientes desse processo, mas sou um cara de grupo. Eu estou aprendendo com erros e acertos. Se o partido entender que seja necessária a nossa candidatura para 2022, a gente tem que estudar. Eu não entraria para compor legenda, simplesmente. Não é meu perfil, procuro não ser assim na minha vida. Paralelo a isso, se a gente estudar que existe viabilidade eleitoral e o partido entender que isso deve ser feito, eu (sic) à disposição. Eu discuto isso com os deputados da nossa base, Pedro Tavares, Leur Lomanto [Júnior] e outros deputados que nos apoiaram na campanha, falo dos deputados do Democratas. O presidente [estadual do DEM] Paulo Azi conversa comigo [sobre a candidatura] e ACM Neto pediu essa pré-disposição.

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Eu consegui viabilizar uma visita de ACM Neto na Lagoa Encantada, pra gente falar do potencial turístico da Lagoa. Eu sou apaixonado pela Lagoa Encantada.

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Como será a agenda de Neto no sul da Bahia?

Ele vai chegar entre 9h e 9h30min, a gente vai ter a coletiva já no aeroporto. Às 10h, nós vamos para a Faculdade de Ilhéus, onde teremos um bate-papo – eu digo bate-papo porque é uma coisa leve, não é debate – com alguns segmentos da cidade, do turismo, do cacau, CDL, Polo Industrial, 2 horas de bate-papo. Eu consegui viabilizar uma visita de ACM Neto na Lagoa Encantada, pra gente falar do potencial turístico da Lagoa. Eu sou apaixonado pela Lagoa Encantada. Eu não tenho dúvida que vai ser um momento histórico. Depois iremos a Uruçuca, onde cumpriremos agenda com o prefeito Moacyr. Na sexta-feira, a gente vai conhecer o projeto do vereador Fabrício Pancadinha em Itabuna e seguir para o aniversário de Buerarema.

Contrapartida da Fasa injetou R$ 3,4 milhões na saúde de Itabuna, estima Lívia Mendes
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O Café com Pimenta desta quarta-feira (8) recebeu a secretária de Saúde de Itabuna, Lívia Mendes Aguiar, para uma conversa sobre a gestão da pasta. Um dos assuntos abordados foi o esforço da Prefeitura para resgatar recursos ligados ao Programa Mais Médicos, que passou a ser chamado de Médicos Pelo Brasil em 2019.

O principal objetivo do programa é levar médicos para cidades interioranas, pois a maioria desses profissionais atua em grandes centros urbanos. A interiorização das faculdades de Medicina também é estimulada. A chegada da Faculdade Santo Agostinho (Fasa) a Itabuna, em 2018, se deu nesse contexto, já que o município grapiúna é um dos principais polos de educação do interior da Bahia.

Segundo a secretária Lívia Mendes, o vínculo das faculdades de Medicina com o programa do governo federal prevê contrapartida para os municípios onde elas se instalam. No caso de Itabuna, a Secretaria Municipal de Saúde não conseguiu obter os recursos dessa contrapartida até 2021, porque o município não tinha o Contrato Organizativo da Ação Pública da Saúde (Coaps), instrumento interfederativo de regulamentação do setor.

No início deste ano, a Prefeitura encaminhou a criação do Coaps, o que permitiu a assinatura do convênio com a Fasa, explica Lívia. “Demos muita sorte, porque a gente conseguiu resgatar uma coisa que estava parada desde 2018”.

A secretária estima que os recursos do convênio equivalem a cerca de R$ 3,4 milhões. Esse valor abarca todas as formas de contrapartida oferecidas pela Fasa, a exemplo da reforma de 12 unidades de saúde, o centro cirúrgico da nova Policlínica Municipal, insumos e diversos equipamentos, inclusive para a reativação do serviço odontológico nos postos. O convênio também beneficiou 40 servidores da Secretaria Municipal de Saúde, que receberam bolsas de pós-graduação.

Na entrevista, a secretária também falou sobre o impacto sanitário da pandemia de covid-19 em Itabuna e o estágio atual da campanha de vacinação. Assista.

O Café com Pimenta é resultado de parceria do ÍPolítica Bahia com o Blog do Thame e o PIMENTA.

Rilson Dantas na capa de "Incansável correnteza de ilusões" || Arte de Arlécio Araújo
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O músico itabunense Rilson Dantas, 34 anos, vai lançar seu primeiro EP, Incansável Correnteza de Ilusões, na noite desta sexta-feira (3), em live no Instagram (@rilson_dantas), a partir das 20h.

Na entrevista abaixo, concedida hoje (2) ao PIMENTA, o filósofo, professor de Inglês e cartomante faz uma retrospectiva da sua persona musical, gestada num ambiente familiar que tinha a música como protagonista.

Também fala da produção do EP e reflete sobre o significado da sua relação com a música. No fim da conversa, Rilson Dantas diz o que sente em meio à expectativa para a retomada dos shows presenciais, após o avanço da vacinação contra a Covid-19. Confira.

PIMENTAComo foi o começo da sua relação com a música?

RILSON DANTAS – Eu cresci num ambiente musical. Meu pai toca. Som Bossa é o nome artístico dele. Ele trabalhava como servidor público, agora está aposentado, e também tocava à noite. Tocava bossa nova, samba. Eu cresci nesse ambiente musical. Minha mãe não tocava, mas ela ouvia muito. Meu irmão é guitarrista. Aí a gente vai sendo meio condicionado por aquele contato. Eu já ouvia música desde criança. Aquela velha história: eu cantava ali, fazia uma apresentação ou outra. Era “coagido” a fazer parte. Minha relação com a música se deu nesse lugar.

Seu pai toca no disco?

Não, ele não participou. A gente fica amarrando pra começar alguma coisa junto, sabe? O perfeccionismo não deixa, fica aquela coisa toda, ele não participa. O disco tem dois músicos, um cara que toca bateria, e o outro que faz todos os arranjos. Eu ia solfejando, cantando pra ele e dizendo: “Ah, quero que seja assim”.

Quais são os nomes deles?

Gabriel e Adilson Vieira. Eu faço uma ressalva: a música Invisível foi produzida pelo [estúdio] Canoa Sonora, do meu querido Ismera, que toca guitarra e também mixou.

Você consegue definir os gêneros pelos quais o EP transita?

Ele passa ali no grunge, pop, pop rock. Quando fico na dúvida sobre qual é o estilo, chamo de música alternativa. Mas, eu diria que grunge e pop são os lugares que ele passa, pela questão estética mesmo. Tem umas guitarras mais roncadas. A voz tem um pouquinho de drive, tem uns berros. E também pela parte melódica, estrutural mesmo.

Você falou que o EP é a primeira oportunidade de contar uma história, no sentido de que as músicas têm uma sequência. Antes, você gravou quantos singles?

Gravei quatro músicas, todas autorais. Lancei também uma parceria com um cantor chamado André Azevedo e gravei uma música dele também. Até então, foram quatro singles, sendo um deles em inglês.

O EP tem música em inglês?

Vai entrar essa música que já lancei, chamada Disrespect. A galera gostou muito, se identificou bastante. Eu achei interessante [a recepção do público], porque quando lancei, eu disse: “Vou lançar essa música só pra mim mesmo, porque eu gosto e ela tem um significado pra mim”. E a galera se amarrou. Eu também pensei: “Gravando em inglês aqui no Brasil…”. Tem sempre essa questão, por mais que eu goste de várias bandas que gravam em inglês, tinha essa questão da distância da linguagem. Enfim, vai entrar no EP numa versão acústica, só com violão e piano.

Você pode falar do significado especial que essa música tem para você?

Eu a escrevi em 2008, por aí. Foi a primeira música em inglês que escrevi. Eu ainda tava caminhando – eu estou caminhando ainda -, mas já estava começando a pensar em algo maior: “Quero trabalhar com música, de repente, um dia”. Eu senti uma satisfação muito grande por ter escrito em outra língua e porque eu considerava a relação que me inspirou essa música uma amizade tóxica, que acabou. Então eu senti dando um passo. É estranho falar sobre, mas é esse o significado que ela tem.

Um psicanalista poderia dizer que foi uma forma de elaboração.

Ave Maria! E pior que foi isso mesmo. É engraçado, porque as minhas músicas – isso acontece comigo – elas têm esse significado. Não só as músicas, as outras coisas que escrevo, aleatório (meus alunos que gostam dessa palavra: aleatório; já peguei com eles), eu consigo elaborar. Tem música que gravei para esse EP e falei: “Putz! Eu tô me repetindo, velho, já passei por isso. Eu acho que consigo me livrar dessa situação. Acho que agora já consigo entender melhor. Tem uma elaboração aí. Tem uma questão psicológica envolvida. E autossatisfação também, né?!

Como está a retomada dos shows? Os bares e o mercado, de uma forma geral, já estão solicitando?

Estão. É engraçado, porque estou apreensivo. Não pela questão da pausa, porque mesmo com a pausa, já me apresentei. É pela situação. As pessoas estão convidando há um bom tempo. Estou sempre falando da vacina, da pandemia. Estou mais apreensivo por conta da situação. A minha mente ansiosa é complicada. Às vezes, fico pensando que a gente está procurando ganhar dinheiro e divertimento no meio do Apocalipse. A ansiedade talvez seja por conta da situação, não pelo mercado. Eu penso que barzinho é para ganhar dinheiro. Eu me sinto um produto, um disco, alguém ali tocando, mas raramente eu sou a atração daquele lugar, exceto quando o bar é musical mesmo, onde a música ganha relevância. No geral, a gente está só ali tocando, com um ou outra pessoa prestando atenção. Eu sinto saudade dos eventos que produzia antes, que eram tributos a artistas, um sarau, porque eu conseguia tocar minhas músicas autorais e me sentia escrevendo uma história. É diferente de estar ali no bar reproduzindo. São dois lugares bem diferentes.

Ouça a música “Me deixe aqui”, faixa de Incansável correnteza de ilusões.

Jaqueline Andrade fala pela primeira vez após o parto de Fanny, sua quarta filha, que nasceu na calçada da Maternidade Santa Helena
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Jaqueline Andrade não recorda o que aconteceu nos momentos seguintes ao instante em que Fanny começou a deixar seu útero, na manhã do último dia 15, na calçada da Maternidade Santa Helena, em Ilhéus. Do parto na rua, lembra apenas de ouvir a voz do marido, Felipe, pedindo que ela tentasse se manter acordada. Nesta entrevista ao PIMENTA, a jovem de 27 anos fala pela primeira vez sobre a experiência, que define como humilhante.

Para Jaqueline, o parto só ocorreu na rua porque o serviço de recepção da maternidade não ouviu os apelos de Felipe por ajuda. Ela estima que decorreram 20 minutos desde a chegada ao local, às 6 horas, e o rompimento da bolsa.

Por outro lado, a direção da Santa Casa de Misericórdia de Ilhéus, responsável pela maternidade, afirmou, em nota pública, que a parturiente já chegou ao local em trabalho de parto num estado muito avançado, inclusive com a expulsão do feto, o que impossibilitou o uso de cadeira de rodas para acolhê-la dentro da unidade.

Momento do parto foi registrado em fotos que circularam nas redes sociais

O advogado da família, Dimitre Carvalho Padilha, informou, em nota enviada ao site, que vai solicitar as gravações das câmeras de segurança instaladas em torno do hospital. Com isso, espera esclarecer a cronologia dos eventos daquela manhã e outros pontos controversos. Para ele, a demora do atendimento submeteu a família, sobretudo a criança e a mãe, a um constrangimento desumano e degradante.

“Mesmo após o parto, não foi fornecida cadeira de rodas pelo hospital. A criança foi enrolada em uma toalha suja trazida pela família para enxugar o líquido perdido pela parturiente. Uma pessoa que presenciou os fatos foi quem entrou na maternidade e pegou uma cadeira de rodas para ajudar a família”, relata Dimitre Padilha.

O advogado também afirma que, considerando o risco da gravidez de Jaqueline – diagnosticada com mioma intrauterino e pedra na vesícula -, ela deveria ter sido internada na noite de segunda-feira (14), quando esteve na Santa Helena. “Caso [a maternidade] adotasse a referida conduta, a vida da gestante e sua filha não seriam expostas aos riscos experimentados”, escreveu o advogado.

Segundo Jaqueline, a enfermeira que lhe atendeu naquela noite recomendou que ela voltasse na manhã seguinte. Pelas suas contas, Fanny, quarta filha do casal, nasceu após 41 semanas de gravidez. Ontem (22), a família levou o caso ao conhecimento da Polícia Civil.  Leia a entrevista.

BLOG PIMENTANa última terça-feira, você deu à luz na calçada da Maternidade Santa Helena. Qual é o significado disso para você?

JAQUELINE ANDRADE – Eu achei muita humilhação, porque é uma coisa que nunca pensei que eu iria passar. A gente vê acontecendo com outra pessoa, mas nunca imagina passar por isso. É muita humilhação.

Por que sua gravidez era de risco? Quando você descobriu isso?

Antes de engravidar, eu já sabia que estava com pedra na vesícula e o mioma.

Onde você fez o acompanhamento pré-natal?

Eu fiz o pré-natal no CSU [Centro Social Urbano] e CMAE [Clínica Municipal de Atendimento Especializado].

A maternidade foi informada que era uma gravidez de risco?

No dia anterior, eu estive lá e eles já sabiam.

Na segunda-feira (14), você teve a oportunidade de dizer – para uma médica, enfermeira ou outra pessoa do hospital – que a sua gravidez era de risco?

A enfermeira olhou a caderneta. No ultrassom, ela circulou o peso da criança, que estava marcando um número grande [Fanny nasceu com 4 quilos, segundo Felipe]. Ela perguntou porque eu estava fazendo o acompanhamento com a doutora Cintia [Maria Freire Silva], no CMAE, que é só gravidez de risco. A gente falou que eu tenho pedra na vesícula e um mioma.

Quando você foi à maternidade pela primeira vez?

Eu não lembro o dia exato.

Foi no início da gravidez?

Eu fui na maternidade com 41 semanas e 5 dias de gravidez.

Foi fazer uma avaliação?

Foi, porque já estava saindo o tampão [do colo do útero].

Isso foi quando?

No dia 14 [de junho], à noite.

A primeira vez foi no dia 14?

Eu já tinha ido duas semanas antes, mas elas [as enfermeiras] fizeram o toque e falaram que não estava tendo dilatação, e o útero ainda estava alto. Disseram que a contagem [do tempo de gravidez] do ultrassom estava errada. O ultrassom estava marcando 41 semanas e 5 dias. Aí ela falou que refez a contagem e o ultrassom estava errado. [Explicou] que o último ultrassom não conta as semanas; eles usam só para olhar o tamanho do bebê, como o bebê está, a placenta, mas não conta as semanas. Ela foi olhar no caderno da gestante, a caderneta. Ela olhou o primeiro ultrassom e falou que faltavam três dias para fazer 41 semanas. Era para eu retornar no dia 12 [de junho], no máximo, caso sentisse alguma coisa. Como não senti nada, fui lá no dia 14, na segunda-feira. Lá, ela falou que eu estava com dois dedos de dilatação e mandou eu vim embora. Era para voltar caso sentisse dor ou se a bolsa tivesse estourado, tivesse sangrando, alguma coisa. De madrugada as dores já começaram. Eu cheguei lá 6 horas da manhã. Quando [Felipe] foi fazer a ficha, ela pediu para esperar, porque estava ocupada. A contração já estava vindo muito. Foram duas na porta da maternidade. A bolsa estourou na segunda, e a menina nasceu.

Como foram os momentos seguintes ao parto?

Eu só lembro da hora que a cabeça dela estava saindo. E daí eu só lembro depois, lá dentro, quando botaram o soro em mim.

Você chegou a desmaiar?

Eu não lembro. Eu só lembro do meu esposo me chamando, pedindo para eu reagir, enquanto eles colocavam remédio na minha veia para voltar ao normal.

Felipe disse que Fanny nasceu com falta de ar.

Ela nasceu com o cordão [umbilical] enrolado no pescoço e com insuficiência respiratória, baixa saturação. Foi para a incubadora e ficou lá a manhã inteira, da hora que nasceu até 1 hora da tarde, recebendo oxigênio e sendo monitorado os batimentos dela.

Você também ficou lá?

Eles me levaram para o quarto umas 11 horas da manhã. Eu fiquei esperando até o horário dela subir.

A partir desse momento, então, a maternidade lhe acolheu?

Acolheu ela [Fanny], porque só deram remédio na minha veia para eu reagir. Quando eu estava lá, eles não me deram nem um remédio para dor.

Você passou quanto tempo lá?

Passei um pouquinho mais de 24 horas. A gente não foi liberado de manhã porque estavam esperando o resultado do exame dela sair.

Na nota de esclarecimento, a direção da Santa Casa afirma que sempre acolhe todo mundo e explica que não foi possível levar você para dentro da maternidade porque o trabalho de parto já estava muito avançado. Você avalia que não deu mesmo tempo?

Se eles tivessem feito a ficha na hora que eu cheguei, daria tempo, sim, porque eu cheguei e esperamos uns 20 minutos. Daria tempo de eu ter entrado.

Houve um intervalo de 20 minutos desde a sua chegada até o momento do parto?

Isso, então daria tempo de eu ter entrado.

Você se sentiu maltratada?

Lá dentro mesmo me senti como se eu fosse ninguém, porque eu fiquei lá isolada, como se não tivesse acontecido nada. Eu [estava] sentindo muita dor. Não vieram perguntar se eu estava precisando de alguma coisa, um remédio, se eu estava sentindo alguma coisa. Não, eu só fiquei lá num canto. Teve uma hora que eu chamei a enfermeira, porque não estava aguentando e pedi para ir no banheiro. Na hora que levantei, desceu muito sangue. Aí ela foi olhar. Como eles não me deram atenção, quando ela pegou na minha barriga, minha barriga estava cheia de coágulos de sangue. Ela teve que ficar mexendo para os coágulos descer. Se eles tivessem prestado atenção antes, não tinha dado o coágulo.

O vereador Gurita e o prefeito Mário Alexandre: líder do governo sai em defesa do chefe do Executivo e tenta apaziguar tom crítico adotado por correligionários do PSD
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Em entrevista ao PIMENTA, líder do governo coloca panos quentes sobre ensaio de insurgência de aliados do prefeito Mário Alexandre

O mês de junho começou com “pequena crise” na base do prefeito Mário Alexandre, Marão (PSD), na Câmara de Vereadores de Ilhéus. A expressão entre aspas foi usada pelo vereador Paulo Carqueija (PSD), na terça-feira (1º) da semana passada, durante discurso no plenário.

Na ocasião, Carqueija endossou reclamações do presidente da Câmara, Jerbson Moares (PSD), sobre a dificuldade que os vereadores alegam ter para conversar com o prefeito e obter respostas às suas solicitações. Acrescentou que a postura de Jerbson não é isolada, ainda que outros parlamentares guardem as insatisfações para os bastidores. “Aí, senhores, é onde as coisas se proliferam e acontecem”, disse o experiente vereador.

Foi no plenário que Jerbson anunciou, no dia 2 de junho, a devolução de projetos de lei ao Executivo para correções. Segundo parecer da Câmara, o governo cometeu erros que inviabilizaram a tramitação da abertura de créditos especial e suplementar no orçamento deste ano. Apesar da justificativa técnica do presidente, o gesto soou como ruído na sua interlocução com o governo.

Ontem (9), o presidente da Câmara concedeu entrevista ao programa Tropa de Elite, a metralhadora da informação manejada pelos radialistas Robertinho Scarpita e Marinho Santos na Gabriela FM. Jerbson enfatizou que seu problema com o prefeito é de ordem pessoal – relembre aqui.

Nesta quinta-feira (10), em entrevista ao PIMENTA, o vereador Alzimário Belmonte, Professor Gurita (PSD), falou sobre os últimos acontecimentos da política local. Com postura apaziguadora, o líder do governo na Câmara opinou a respeito das manifestações de Jerbson e Carqueija. Também estimou prazo para a sanção da reforma administrativa do município e revelou o que pensa de eventual candidatura da primeira-dama Soane Galvão nas eleições do próximo ano. Leia.

BLOG PIMENTA  – O presidente da Câmara, Jerbson Moraes (PSD), mostrou descontentamento sobre a relação dele com o prefeito. Depois, esclareceu que é uma crise pessoal, não institucional. No entanto, o vereador Paulo Carqueija (PSD) disse que a fala de Jerbson não é isolada. Outros vereadores teriam se manifestado nesse sentido, mas nos bastidores. Para a liderança do governo, o que significam essas manifestações de insatisfação?

Professor Gurita – Na verdade, não há insatisfação. Jerbson é amigo pessoal do prefeito, correligionário de partido, uma pessoa correta. A questão pessoal que ele fala na entrevista dele – eu ainda nem ouvi essa entrevista – deve ser algo muito pontual, que acontece com qualquer relação e depois se organiza e passa, mas não há esse descontentamento. A base do governo está comprometida com a cidade de Ilhéus, com os projetos que sejam importantes para Ilhéus e com o prefeito Mário Alexandre, que vem, inclusive, fazendo um trabalho belíssimo. A gente não pode, em hipótese algum, fragilizar ou se opor a isso.

Vou insistir no tema pois Carqueija e Jerbson disseram que tentam contato com o prefeito há mais de um mês e não obtiveram resposta. Segundo um empresário ligado ao turismo, o prefeito é muito blindado pelo grupo político mais próximo dele. O senhor acha essa avaliação correta?

O prefeito não é blindado em hipótese alguma. Nós, vereadores, já estivemos várias vezes com o prefeito nesse ano. Quando se pede audiência com o prefeito, inclusive através de mim, que sou o líder do governo, eu marco e, imediatamente, o prefeito atende. Essa fala [do empresário] não está em consonância com os acontecimentos. Pode ser que numa situação extraordinária em que o prefeito não pôde atender, a pessoa não gostou, mas não é verdade. Nesta semana já tive reunião com o prefeito e toda a base. Amanhã [sexta-feira, 11] o prefeito vai atender vários vereadores e a rotina dele é essa. É uma rotina natural, de quem atende as pessoas, a não ser quando acontece de estar em Brasília, em Salvador, buscando recursos para Ilhéus, porque, se ele ficar aqui o tempo todo no gabinete atendendo pessoas, ele não vai fazer a gestão. A gestão depende de recursos, sobretudo das emendas parlamentares, de deputado federal, senador. O prefeito vai, junto com o vice-prefeito Bebeto Galvão [PSB], buscar esses recursos para governar Ilhéus. Ilhéus não estaria na boa situação em que está se ele não agisse dessa forma.

Creio que no final da próxima semana a reforma já estará sancionada.

O que falta para a reforma administrativa ser publicada? Já tem uma data?

Só falta a votação, na Câmara de Vereadores, da lei orçamentária que dá sustentação à reforma. Nós deveremos votar essa lei orçamentária na próxima terça-feira [15]. Daí em diante o prefeito vai ver quando vai sancionar. Acredito que não demore muito. Creio que no final da próxima semana a reforma já estará sancionada.

Algumas vozes do Partido dos Trabalhadores, exaltando a figura do governador Rui Costa, dizem que o prefeito não deixou marca própria porque dependeria, na opinião dessas vozes, dos empreendimentos tocados pelo Governo do Estado. Na avaliação do senhor, qual é a marca do governo Marão?

A marca do governo Marão é a marca de um governo que faz grandes parcerias e, dentre essas parcerias, está o governador do estado, Rui Costa. Se o prefeito de Ilhéus não fizesse essas parcerias, com certeza, estaria todo mundo falando que a cidade estaria numa situação ruim porque o prefeito é oposição ao governador. Mas, Mário é uma pessoa sensata da política e tem responsabilidade. Ele buscou o governador e outros apoios para governar Ilhéus e, por isso, Ilhéus está numa situação de desenvolvimento como nenhuma outra cidade da Bahia. Isso é perceptível aos olhos de qualquer um.

O senhor pretende caminhar junto com a primeira-dama numa eventual candidatura dela para a Assembleia Legislativa da Bahia?

A primeira-dama, a senhora Soane Galvão, é um grande quadro para ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado da Bahia. Eu sendo do PSD, correligionário [do prefeito], não poderia ser diferente do que dar total apoio, até porque Ilhéus e a região precisam fazer seus representantes. Soane é um quadro que honraria muito a região se conseguirmos – ela sendo candidata – colocá-la na Alba.

Como o senhor avalia os primeiros seis meses da volta à Câmara de Vereadores?

Eu volto pela vontade popular, fui votado nas urnas. Isso significa que as pessoas de Ilhéus gostam e confiam no nosso trabalho, porque as pessoas percebem que é um trabalho sério, compromissado, as pautas que eu defendo aqui na cidade são extremamente relevantes para a sociedade, para o povo. E esse comprometimento faz com que as pessoas gerem respeito e credibilidade, por isso estou de volta. Nesses seis meses, eu creio, sem demérito nenhum aos colegas, tenho sido um vereador bem avaliado pela população por todos os encaminhamentos que tenho feito, de projetos de leis, audiências públicas e sessões especiais, defendendo sempre os interesses republicanos, que são os interesses do povo de Ilhéus.

Bebeto Galvão fala de experiências políticas e sucessão de 2022
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O sul da Bahia vive a perspectiva de ter um senador da República pela primeira vez em 2023, caso Jaques Wagner vença a disputa ao governo do Estado em 2022 e, assim, abra espaço para o seu primeiro suplente na câmara alta.

Bebeto Galvão, ex-deputado federal e hoje vice-prefeito de Ilhéus, tem essa perspectiva de poder, mas evita falar dela. Afirma que torce pela manutenção de um projeto vitorioso no estado desde 2006, quando o PT engatou sequência de quatro vitórias em primeiro turno na corrida ao Palácio de Ondina, com Wagner, depois reeleito, e Rui Costa, já no segundo mandato. 

Na entrevista a seguir, Bebeto prefere falar de projetos e também como tem sido a experiência como vice-prefeito de Ilhéus. “Eu e [o prefeito] Mário [Alexandre, Marão] fizemos acordo de duas lideranças da cidade superando o velho maniqueísmo de ou ele ou eu e nos juntamos para Ilhéus dar um passo à frente”, afirma. Também fala de conversas iniciais que podem levar o PT – ou parte dele – para a base do Governo Marão. Confira os principais trechos.

BLOG PIMENTA – Como o sr. avalia esses quatro primeiros meses de governo como vice-prefeito?

Bebeto Galvão – É um desafio enorme. Tenho experiência de parlamentar, como vereador e deputado federal, e a capacidade de ajudar nossos municípios, a partir de Brasília, apresentando emendas, trabalhando pelo fortalecimento de nossas instituições regionais. Agora, na Prefeitura, estamos no front direto com a população, vivenciando o seu cotidiano, as suas demandas de infraestrutura, de saúde e tendo essa capacidade de ajudar a minha cidade articulando com o que construí em Brasília, ajudando com bons investimentos na minha cidade.

Com a reforma administrativa, o senhor deverá ocupar secretaria?

Eu e [o prefeito] Mário [Alexandre, Marão] fizemos acordo de duas lideranças da cidade superando o velho maniqueísmo de ou ele ou eu e nos juntamos para Ilhéus dar um passo à frente. E isso está ocorrendo. Basta verificar os investimentos na área privada, em Ilhéus, na região Sul, o Porto Sul, Ferrovia Oeste-Leste, que acaba de ser leiloada, os investimentos públicos e privados. E esses investimentos privados geram em nossa cidade um aquecimento da nossa economia e temos investimentos diretos do município em obras.

O que há em números que sinalizam essa retomada?

Fechamos 2020 com números positivos e, agora, Ilhéus vive momento extraordinário que ajudará nos investimentos em nossa região. Agora, a construção da BA vai ajudar na integração de Ilhéus e Itabuna. Na minha opinião, devemos pensar. Sentar, discutir essa região como aglomeração urbana para que, na escala de demandas, tenhamos melhores e bons serviços.

Ainda sobre a reforma, será momento para atrair novos partidos para a base governista?

Nós queremos fazer, da cidade, uma gestão com todos. E os partidos são a expressão organizativa dos polos de poder.

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Nós temos diálogo, ainda muito inicial, e vamos seguir nesse processo de conversa, porque conversa e caldo de galinha fazem bem a todos nós.

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Uma das discussões é sobre a ida ou não do PT. O partido terá espaço no governo?

Nós temos diálogo, ainda muito inicial, e vamos seguir nesse processo de conversa, porque conversa e caldo de galinha fazem bem a todos nós.

Qual papel o senhor vai jogar em 2022, nas eleições?

Quem faz política está sempre aberto a discussão. O meu partido vai discutir nossa nominata [relação de nomes] para deputado federal e deputado estadual e as condições para 2022. É aguardar essa decisão.

Qual o cenário para 2022 na eleição ao governo estadual?

Esse ciclo de mudanças, conquistas e desenvolvimento continuará com [a eleição] do nosso [Jaques] Wagner e de todos da aliança que podem levá-lo à Governadoria novamente. Mantido o nosso grupo – e será mantido, porque temos responsabilidade com a Bahia, nós vamos disputar uma eleição bem situados.

O senhor está em posição confortável como primeiro suplente do senador Jaques Wagner. Isso faz aumentar a torcida, no plano estadual, com essa perspectiva de o senhor assumir o mandato no Senado?

[Risos] Faz aumentar a torcida para que a Bahia continue na trilha do desenvolvimento. Não é uma questão pessoal, mas de projeto. Nós temos um líder importante, que oxigenou a política da Bahia, abriu tudo isso. Parte das obras que estão sendo realizadas em nossa região vem do planejamento dos governos dele [2007 a 2014]. Portanto, vamos trabalhar para manter o nosso grupo unido, com Wagner governador. A consequência, em função da lei, é que, se ele ganhar a eleição, eu assumo [o mandato de senador da República].

Otto Alencar presidiu abertura dos trabalhos da CPI da Pandemia
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Médico, ex-secretário e ex-governador da Bahia, o senador Otto Alencar (PSD) passou a conviver com ameaças desde o início da semana passada, quando presidiu a abertura dos trabalhos da CPI da Pandemia. As ameaças chegam por telefone ou redes sociais e partem, afirma, de seguidores do presidente Jair Bolsonaro. Otto disse que está tranquilo, tem vida pública limpa e disse não ter medo do mandatário da República.

Na entrevista exclusiva ao PIMENTA, abaixo, Otto fala do início dos trabalhos, das ameaças e das promessas de cura e resistência à covid-19 com remédios como cloroquina e ivermectina. “Quem faz isso [tratamento precoce] é um charlatão”. Ele também fala do comportamento dos ex-ministros e do atual titular da Pasta da Saúde em depoimentos à CPI da Pandemia no Senado. Confira.

PIMENTA – Qual avaliação o senhor faz da primeira semana de trabalho da CPI da Pandemia?

Otto Alencar – A CPI começou ouvindo ex-ministros da Saúde [Henrique Mandetta e Nelson Teich] e o atual, Marcelo Queiroga, e pretende, no início, ser propositiva. Mostrar que o governo está errado, continua errando na política de saúde do Brasil [na pandemia]. Não é nada contra a figura do presidente da República, mas contra a política de saúde equivocada, errada. General Pazzuelo foi um desastre na administração do Ministério da Saúde. Nós queremos que o presidente mude a sua posição, com mais vacina, mantendo distanciamento físico das pessoas, sem aglomerar, usando máscara, álcool em gel e vacinar o povo brasileiro, pois não tomou decisão no momento certo, o que ficou claro no depoimento dos ex-ministros Mandetta e Nelson. O hoje ministro Queiroga fugiu o tempo todo nas respostas. Ficou até um pouco nervoso.

Por que o ministro adotou essa estratégia, na avaliação do senhor?

Quis preservar o presidente da República, mas, com isso, ele demonstrou uma fraqueza muito grande. Um médico, a Medicina, a Ciência não se rendem a ordem de capitão nem de general ou de quem quer que seja. Tem que fazer a coisa certa, que vai mexer com a vida das pessoas, vai trabalhar em cima da recuperação da vida das pessoas. Isso não pode se submeter a força que não seja a científica. A força bruta nunca venceu a Ciência. É preciso firmeza e trabalhar sintonizado com aquilo que a Ciência determina e prescreve.

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Queiroga quis preservar o presidente da República, mas, com isso, ele demonstrou uma fraqueza muito grande.

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O senhor travou alguns embates na CPI relacionados ao tratamento precoce, da cloroquina. Um foi com senador gaúcho e outro em entrevista à Jovem Pan. Como o senhor vê essa insistência do presidente e seguidores com o tratamento precoce?

É uma grande burrice, total burrice. Não existe tratamento precoce para virose. Há tratamento precoce para sarampo? Não existe. Só tem vacina. Uma criança para não ter sarampo tem que tomar vacina. Para varíola, H1N1, paralisia infantil, vacina. Agora inventaram tratamento precoce para um vírus [coronavírus] desconhecido, que a Medicina não sabe nem tratar direito ainda, e só a vacina resolve. Como é uma doença em que 90%, 95% das pessoas ficam assintomáticos, leves ou moderados, o cara tem a doença, toma qualquer remédio e o cara fica bom. Aí diz que foi o remédio. Isso é charlatanismo. Quem faz isso [tratamento precoce] é um charlatão.

Por ser o decano da CPI, o senhor presidiu o início dos trabalhos e relatou ter sofrido agressões e ameaças. Como avalia esse comportamento?

É o exemplo do presidente. O presidente quer mais armas nas mãos das pessoas, agride a imprensa, como no episódio em que a jornalista baiana foi chamada de idiota, deu vários palavrões em várias oportunidades, é violento e gosta da violência. Então, são pessoas que, cegamente, seguem o [exemplo do] presidente.

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Tomei conta de todos os bilhões de reais na Bahia como secretário estadual, governador… Vou ter medo de quê? Vou ter medo de alguém que não pode se explicar, como o presidente da República?

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Como o senhor reage a essas ameaças?

Da minha parte, bolsonarista estar me atacando nas redes… Tenho vida limpa. São 35 anos de política, nunca respondi a processo. Tomei conta de todos os bilhões de reais na Bahia como secretário estadual, governador, senador… Vou ter medo de quê? Vou ter medo de alguém que não pode se explicar, como o presidente da República? Sou eu, Otto Alencar, que vou ter medo de Bolsonaro? Nunca. Não há a menor chance disso. Estou tranquilo. Pode botar na rede, pode vir para o pau, que eu estou pronto.

CPI se sabe como começa, mas não como termina. Há uma previsão desta, de como ela se encerra?

Vai demorar para acabar. Temos 90 dias e pode demorar mais que isso. É uma situação que pode ser prorrogada nesse momento.

Itacaré lança campanha turística para profissionais da saúde
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Maiores heróis da pandemia da covid-19, os profissionais da saúde são o público-alvo da campanha turística lançada, neste domingo (21), por Itacaré, município localizado no sul da Bahia. De 8 de abril a 30 de novembro, eles poderão descansar em um dos principais destinos do Nordeste tendo descontos médios acima de 30% em itens que vão de hospedagem a alimentação e equipamentos de lazer e bem-estar.

Jorge Ávila, secretário de Turismo e de Cultura  de Itacaré, revelou ao PIMENTA que a campanha Aos nossos heróis foi planejada e a execução se deu em dez dias, entre apresentações da proposta e de envolvimento do trade turístico local e de parceiros regionais e nacionais. “É reconhecimento e gratidão a tudo que estes profissionais da linha de frente contra a covid-19, que estão de plantão há um ano, fazem por nós. Eles terão aqui todo cuidado e a energia nossa, de Itacaré”, acrescenta.

As palavras-chave da campanha – reconhecimento, gratidão e acolhimento – dão a dimensão de como ela foi pensada, reforça o secretário. Um site apresentará os atrativos do destino, os parceiros da campanha e como os profissionais da saúde poderão comprar os pacotes de viagem ou serviços. A seguir, confira os principais trechos da entrevista concedida por Jorge Ávila a este site.

PIMENTA – Quem é o público-alvo desta campanha?

Jorge Ávila – Com o prefeito Antônio de Anízio, envolvemos todo o trade do município, além da Abav e da Abrasel, e lançamos uma campanha considerada inédita e voltada aos profissionais de saúde da linha de frente do combate à covid-19. Aos Nossos Heróis é o nome desta ação de reconhecimento, de gratidão aos profissionais da saúde. Eles estão de plantão há mais de um ano, salvando vidas. Queremos atendê-los, ajudá-los, seja ele do Brasil, seja de qualquer parte do mundo. Eles poderão vir para descansar, recarregar as energias com a família em um clima todo especial.

O que torna o destino e a campanha atrativos para estes profissionais?

O profissional terá descontos, cortesias em hotéis, pousadas, bares, restaurantes… [Como exemplo] De três diárias, uma será cortesia da hospedagem que estiver participando da campanha. Nesse clima especial, ele vai a um restaurante, pizzaria e lá terá um crepe, uma pizza, massa, um fettuccine com o nome da campanha, Aos nossos heróis. São estabelecimentos atendendo com pratos e opções com homenagem a médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, e oferecendo desconto. O guia turístico vai atender também com preços reduzidos de até 50%.

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O profissional poderá programar a viagem para até 30 de novembro. Quem cuida da gente deve ser cuidado da melhor forma em um período tão desafiador como agora.

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O que se espera com esta ação?

A campanha é todo um clima para atender, acolher esses nossos grandes heróis. É um acolher em que haverá ilha de bem-estar, com yoga e massagem, passeios de stand up paddle… É toda uma produção para que o profissional da saúde possa recarregar suas energias aqui, é uma postura de melhor cuidado com o profissional da saúde.

Quais são os cuidados adotados pelo município para recebê-los?

Itacaré é das cidades que têm dos menores índices de infecção, com baixo número de casos ativos de Covid-19, com barreira sanitária para quem aqui chega. Nossa intenção é agradecer, é gratidão, reconhecimento, com todos os cuidados, seguindo os protocolos, com os participantes tendo o selo turismo seguro.

Como será a divulgação e a venda de produtos desta campanha?

Esses produtos, serviços e pacotes estarão à venda por 60 dias, de 22 de março até 22 de maio. Quem adquirir, vai poder utilizar essas diárias e serviços no período entre 8 de abril e 30 de novembro deste ano. Não é nada para viajar semana que vem. O profissional poderá programar a viagem para até 30 de novembro. Quem cuida da gente deve ser cuidado da melhor forma em um período tão desafiador como agora.

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O profissional poderá programar a viagem para até 30 de novembro. Quem cuida da gente deve ser cuidado da melhor forma em um período tão desafiador como agora.

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Como esse público-alvo poderá adquirir obter estes benefícios, comprar um pacote da campanha?

Ele vai procurar a sua agência de viagem ou contatar os parceiros da campanha. Estamos lançando um site com todos os parceiros, desde meios de hospedagem a bares, restaurantes, guias e a Ilha do Bem-Estar.

E a reserva da hospedagem, compra dos serviços?

Eles podem comprar pacote via agência de viagens. É uma campanha que envolve a Abav [Agência Brasileira de Agências de Viagem], que tem mais de 2 mil associados e é parceira da ação e poderá colocar esse pacote para o Brasil e para o mundo. Nós estamos enviando cards em quatro idiomas (inglês, espanhol, francês e alemão). Fizemos contato com outros países. Já tivemos contato com o cônsul da Argentina, Pablo Virasoro, que parabenizou o município pela ação. Vamos procurar distribuir material em alguns países. Temos adesões de influencers, cantores e atores.

Quais atores participam?

Não posso falar nomes, mas são grandes nomes [que já conhecem, visitaram Itacaré]. Todos vão levar essa mensagem ao mundo para os nossos heróis, do médico nefrologista ao fisioterapeuta, cardiologista, radiologista, enfermeiro. Todos precisam ser acolhidos e têm a nossa gratidão.

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Foram eles que nos inspiraram para se se criasse algo por eles, para eles, com cortesias, descontos e essa energia toda nossa. Itacaré está sinalizando, de maneira muito clara, o reconhecimento a esses profissionais.

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Como ficam os protocolos em tempos de pandemia?

Para fazer uso do pacote, o profissional poderá viajar com a família, estar presente. É o profissional da saúde. O público-alvo são eles. Hoje, 80% destes profissionais já estão vacinados [contra a Covid-19] e até 30 de novembro todos já estarão imunizados, sem a menor dúvida. Itacaré está muito cuidadoso com esse processo.

Qual foi o ponto de partida, o start para uma campanha como essa?

Os profissionais da saúde desta linha de frente são pessoas que estão de plantão há um ano, numa carga de trabalho muito pesada. A gente está querendo com esta ação homenagear estes profissionais. Foram eles que nos inspiraram para se se criasse algo por eles, para eles, com cortesias, descontos e essa energia toda nossa. Itacaré está sinalizando, de maneira muito clara, o reconhecimento a esses profissionais.

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Conversamos com profissionais do setor… Abav, Abrasel [Associação Brasileira de Bares e Restaurantes] estão apoiando também e informam que nunca viram nada parecido com isso nessa pandemia. É algo inédito.

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A ação é inédita no país?

Não vi ainda nada desenvolvido nessa linha. Conversamos com profissionais do setor… Abav, Abrasel [Associação Brasileira de Bares e Restaurantes] estão apoiando também e informam que nunca viram nada parecido com isso nessa pandemia. É algo inédito. Outro ponto é que também estamos negociando com postos de combustíveis para que estes viajantes, este público, tenha desconto na hora de abastecer, encher o tanque na volta para casa.

Quais segmentos do trade participam da campanha?

A cidade toda está engajada. É uma preparação de 10 dias, de cadastramento de parceiros, de contatos com Abav, Abrasel. Foi uma luta grande e estávamos esperando o lançamento. Todos os secretários estão apoiando, ajudando. Tivemos reuniões para tratar exclusivamente dessa pauta. Todo o time do município está ajudando, envolvido, com o comando do técnico, o prefeito Antônio de Anízio.

Confira vídeo da campanha.

Entrevista pelo PIMENTA, professor da UESC, Lúcio Rezende, explica como o Porto do Malhado agravou a erosão marinha na orla norte e sugere o que pode ser feito para conter avanço do mar || Fotos: Facebook/Reprodução e Ed Ferreira
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O oceanógrafo Lucio Figueiredo de Rezende, nesta entrevista ao PIMENTA, alerta para o risco de o São Miguel, bairro do litoral norte de Ilhéus, sumir do mapa, caso nada seja feito para conter a erosão marinha naquela área.

Professor do Departamento de Ciências Exatas da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), Lucio explica como a construção do Porto do Malhado, inaugurado em 1971, interferiu na dinâmica do litoral ilheense, com o acúmulo de areia na Praia da Avenida e os processos erosivos na orla norte. Também sugere o que pode ser feito para impedir que o mar ganhe mais terreno no São Miguel e no bairro vizinho, o São Domingos.

Casas ameaçadas pelo avanço do mar no São Miguel

O docente, que é doutor em Oceanografia Física pela Universidade de Aveiro, de Portugal, defende que a estabilização da linha costeira seja acompanhada pela reurbanização da orla norte.

Os manguezais também podem sofrer com os impactos do avanço da mar na Barra de Taípe e o assoreamento na Baía do Pontal, observa Lucio, chamando a atenção para a importância do mangue como barreira contra a dispersão de poluentes no meio ambiente. Leia.

A Avenida Soares Lopes e sua praia, em fotos de 1957 e 2020 || Acervo de José Nazal

BLOG PIMENTA – Quais foram os principais impactos da construção do Porto do Malhado para as orlas do Centro e da Zona Norte de Ilhéus?

Lucio Figueiredo de Rezende – O impacto mais evidente da construção do Porto do Malhado foi o acúmulo de sedimentos que a gente vê na [Avenida] Soares Lopes. Isso era um processo litorâneo, que levava à distribuição de sedimentos ao longo da orla de Ilhéus. Esse sedimento acabou sendo aprisionado na Soares Lopes. Você vê o engordamento artificial daquela praia da Soares Lopes, que está levando também a um processo de assoreamento da Baía do Pontal, que está bem assoreada. No lado norte, há processos erosivos, principalmente em São Miguel. São Miguel, por suas próprias características, já seria um local erosivo. Entretanto, no passado, nós tínhamos um aporte frequente de sedimentos que equilibrava esses processos erosivos. Agora, depois de anos da construção do porto, você tem o bloqueio da carga sedimentar e processos erosivos intensos em São Miguel.

O espigão do Porto do Malhado, na ponta norte da Praia da Avenida

Esse bloqueio foi feito com o espigão do porto?

É uma consequência da construção do espigão, porque o transporte litorâneo não consegue transpor aquele espigão. Há uma retenção muito grande de carga sedimentar. Tem a ver com a parte de transporte de sedimentos, velocidade de fluxo, etc. Falando de uma maneira simples, é isso: uma incapacidade de transporte. Isso acontece muito. Quando você constrói barreiras no ambiente costeiro, isso gera problemas que vão se manifestar em outras regiões. Se você construir diversos espigões, você vai transferindo esses processos litorâneos para outras regiões. Você tem que tomar cuidado com isso. A zona litorânea é muito sensível, é parte de um sistema dinâmico, cuja resultante pode ser um processo erosivo em outra região.

Os espigões do São Miguel em 2006 || Foto José Nazal

O senhor explicou que os espigões construídos na orla norte poderiam ser um pouco maiores, mas não muito. Por quê?

Você deve agir sempre com parcimônia. Se você colocar espigões muito grandes, embora possa melhorar a deposição local, acaba gerando processos erosivos mais à frente. Por isso é necessário agir com muita parcimônia e responsabilidade no ambiente litorâneo. Eu acho que os espigões, da forma como estão ali, estão bons. Eles seguraram um pouco do transporte sedimentar. O que deveria ter sido feito – e não foi – era uma estabilização da linha de costa. É inconcebível perder ruas inteiras com o avanço do mar. Você estabiliza a linha de costa e dá uma tranquilidade para a população local.

Área estabilizada com pedras na linha costeira do São Miguel, ao lado da Barra de Taípe, perto da Cabana da Sol

A gente viu na Barra de Taípe, perto da Cabana da Sol, uma área bem estabilizada. O ideal seria fazer o mesmo tipo de estabilização, com aquela quantidade de pedras, ao longo da orla de São Domingos e São Miguel?

Sim, e, de preferência, cuidando com humanismo da região, estabilizando e fazendo, por exemplo, uma faixa litorânea, talvez com ciclovias, enfim, um lugar agradável. Assim você resgata a autoestima da comunidade e não perde área para o mar. O mar está avançando sempre. Todo ano ele avança um pouco. Se nada for feito, vai continuar avançando.

Parte da orla destruída pelo mar no São Domingos; erosão alcançou margem do asfalto da BA-001

Existe mesmo a possibilidade de todo o São Miguel desaparecer?

Sim, o São Miguel está cada vez sofrendo mais processos erosivos. Sim, o mar pode romper aquela barra de São Miguel, se você não fizer nada. Existe a solução de curto prazo: estabilizar a linha de costa. Também é preciso olhar para uma solução de longo prazo para minorar o sedimento aprisionado no Porto do Malhado. Se você faz uma solução de curto prazo, estabilizando a linha de costa, isso vai dar tranquilidade à população litorânea. Nesse tempo, você tenta achar soluções junto com o Governo do Estado, o porto, para recompor um pouco do transporte litorâneo. Você não pode recompor totalmente, porque agora há uma outra dinâmica que depende do acúmulo de sedimentos na Soares Lopes. O primeiro passo é estabilizar a linha de costa. É o que deveria ter sido feito muito tempo atrás. Não é nada tão caro assim. Aproveita o verão para fazer as obras, porque, no inverno, os processos erosivos voltarão.

A Codeba anunciou que vai fazer nova dragagem, o que é importante para aumentar a capacidade de atração de navios para o Porto do Malhado. Isso pode agravar a erosão no norte?

Isso é normal. O que pode ser feito é a análise desse material; se ele não estiver contaminado por metais pesados, poderia ser levado para a praia do norte. Só é possível saber se há contaminação com análises laboratorias. A princípio, não há problema em fazer uma dragagem no porto.

Professor explica sazonalidade do processo erosivo na costa litorânea, que se intensifica no inverno

Por que a erosão ocorre de forma sazonal?

A erosão ocorre ali [na orla norte]. No passado, você tinha um transporte sedimentar que equilibrava esse processo. Existe uma sazonalidade porque, no inverno, as ondas são mais energéticas. Você tem frentes frias e ondas de diversos quadrantes chegando. As ondas são formadas em altas latitudes, não são formações locais. Elas trazem energia de tempestades. No inverno, você tem mais tempestades, por isso as ondas são mais energéticas e fazem com que o transporte sedimentar seja em direção à plataforma. No verão e nos outros períodos do ano, as ondas são menos energéticas e as praias são mais gordas. Há um perfil construtivo das praias, um engordamento. Daqui a pouco, nós teremos processos erosivos e vamos ver todo o drama que se repete, todos os anos, naquela zona de Ilhéus. Há um estoque limitado de areia que transita na praia. Quando você não tem barreiras, ela transita livremente. Quando você faz uma barreira litorânea, muda esse fluxo de sedimentos.

O assoreamento na Baía do Pontal também é um impacto do Porto do Malhado ou já é da nova ponte?

A Baía do Pontal é um estuário, que tem a tendência natural de sofrer assoreamento. Nesse caso, também tem uma influência do engordamento da Praia da Avenida. Os sedimentos litorâneos estão entrando na Baía do Pontal. Ali é um reflexo de tudo isso que aconteceu em decorrência do porto e também do assoreamento natural do estuário. Daqui a pouco nós vamos ter que fazer alguma coisa na Baía do Pontal também, uma dragagem, para mantê-la estabilizada. É uma outra dinâmica, que também se conecta com a do litoral, mas é particular, porque ali você tem um estuário.

O senhor demonstrou preocupação com os impactos desse avanço do mar sobre os manguezais. O que está em risco nesse caso?

Os manguezais são barreiras biogeoquímicas. Eles retêm os poluentes. No manguezal, os poluentes estão complexados na estrutura do mangue, não causam problemas para a biota nem para os seres humanos. Quando você perturba o manguezal, pode tirar um pouco dessa estabilidade. Os manguezais são ambientes muito importantes, que devem ser preservados não só como berçários naturais, mas também como barreiras biogeoquímicas, segurando e estabilizando todas as nossas atividades, todos os poluentes que chegam na zona litorânea. Um ambiente sem mangue vai ser um ambiente muito mais contaminado. Atualizado às 13h16.

Em entrevista, Nazal avalia a possibilidade da saída de Inema e Pimenteira dos limites territoriais de Ilhéus - ideia aventada pelo prefeito - como sinal de desprezo
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O ex-vice-prefeito José Nazal (Rede) avalia que o prefeito Mário Alexandre, Marão (PSD), trata Inema e Pimenteira como se esses distritos, situados longe da sede do município, fossem um estorvo para a administração de Ilhéus.

Emitiu a opinião ao comentar notícia, veiculada pelo Jornal do Radialista, de que o prefeito levantou a possibilidade de doar Inema e Pimenteira aos municípios de Coaraci e Itajuípe, respectivamente.

Nazal concedeu entrevista ao PIMENTA e fez uma retrospectiva do período à frente da extinta Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável (Seplandes), entre janeiro de 2017 e 30 abril de 2018, quando rompeu a aliança política com Mário Alexandre.

Numa manifestação rara feita à época, o Ministério Público do Estado da Bahia, por meio do promotor de Justiça Paulo Eduardo Sampaio Figueiredo, afirmou que a saída do então vice-prefeito da secretaria provocou “grande sentimento de perda“. A nota pública da 11ª Promotoria de Justiça de Ilhéus reservou a mesma deferência ao ex-superintendente de Meio Ambiente, o jornalista Emílio Gusmão, que deixou o governo junto com Nazal.

Com 64 anos, Nazal é fotógrafo, memorialista e atua há quatro décadas na vida pública da terra que conhece como poucos. É dele o livro Minha Ilhéus, que percorre a memória da cidade com fotografias produzidas ao longo do século passado.

Questionado sobre os desafios de Ilhéus para melhorar a qualidade de vida da sua população, apontou as grandes tarefas que o município precisa executar na área de planejamento urbano, mas preferiu não estabelecer hierarquia entre elas.

No fim da entrevista, também avaliou o desempenho das três esferas de governo na gestão da pandemia de Covid-19. Leia.

BLOG PIMENTA – Como avalia o período à frente da Seplandes?

José Nazal Pacheco Soub – Nós conseguimos impor um ritmo satisfatório, respeitando as decisões do Conselho do Meio Ambiente. Não tentamos controlar o conselho. A gente fez a limpeza de totens pela Avenida e outdoors das ruas. Aplicamos critérios técnicos na análise dos projetos. Às vezes a pessoa dizia: “Você está atrapalhando”. Atrapalhando nada. O cara vem todo errado e quer que libere errado. Teve uma vez o caso de uma marmoraria. A pessoa reclamava que o projeto “tinha seis meses que não anda”. Fui pessoalmente ao setor. Já tinha três meses que a secretaria tinha mandado um e-mail à pessoa [responsável pela empresa] e não recebia resposta. Também fizemos trabalho de fiscalização intensa. Demos um curso de poda. A gente fez alguns TACs [Termos de Ajustamento de Conduta] e conseguiu equipar a secretaria. Deixamos um projeto, que foi depois feito com um convênio com a Universidade Federal do Sul da Bahia, para fazer o inventário arbóreo da cidade. Conseguimos fazer, com recurso de um TAC, um termo de referência para fazer o plano de manejo do Parque da Boa Esperança. Tentamos liberar o recurso da Valec para o parque e não conseguimos. Teve umas atrapalhações lá que impediram. Trabalhamos de forma tranquila, de frente. Teve a questão da usina [de asfalto do município], que foi uma polêmica danada e continua errada. Você exige licença dos outros e não cumpre, não faz sua parte?

Em janeiro de 2021, o Jornal do Radialista informou que o prefeito tem a intenção de convocar plebiscito para doar os territórios de Inema e Pimenteira. Isso avançou?

Não pode ser uma ação do prefeito. Essa questão de limites [territoriais entre municípios] é com a Assembleia [Legislativa do Estado], que tem regras para isso. Não é uma coisa simples como o prefeito quer. Ele, simplesmente, na minha opinião, está dizendo que Inema e Pimenteira são um estorvo para o município.

Ele manifestou mesmo essa intenção?

Ele disse numa entrevista em Itabuna, numa rádio em Itabuna.

Numa entrevista de 2017 para o Blog do Gusmão, o senhor disse que o acúmulo de pequenas coisas e pendências do cotidiano administrativo atrapalhavam a missão de lidar com os grandes desafios do município. Quais são os maiores desafios em Ilhéus?

É difícil elencar de forma hierarquizada, dizendo qual é o mais importante e urgente. Teria que fazer uma consulta pública ampla. A gente pode elencar sem hierarquizar. Por exemplo, a habitação. Agora que o governo tá fazendo. O governo não. A Bamin está fazendo agora um plano [municipal] de habitação para o município. Fizeram as audiências agora. Para mim, foram muito fracas. Não teve divulgação. Fizeram para cumprir tabela. Chamaram algumas pessoas, me chamaram, eu fui, mas deveria ter tido uma divulgação ampla, inclusive para o interior. Outro grande problema é que nós não temos plano municipal de saneamento básico. A gente não tem previsão, a gente não tem estudo, a gente não tem prognóstico da demanda por água que haverá daqui para frente, inclusive com esse boom de grandes empreendimentos da construção civil e empreendimentos como o Porto Sul. Outro problema: a gente tem diversos bairros do município sem regularização fundiária, uma parte do Pontal, Salobrinho, Vila Lídia, parte da Conquista e outros lugares da cidade e do campo. Também falta uma revisão dos núcleos das Secretarias de Educação, de Saúde e de Assistência Social no campo. Ilhéus não tem plano de mobilidade urbana…

Consegue dimensionar a responsabilidade de cada uma das três esferas de governo na gestão da pandemia?

Olha, esse governo federal é difícil de avaliar, porque pode parecer uma coisa passional por eu não ser simpático ao presidente, às suas decisões e aos seus atos. Pode parecer passional, mas a gente vê que quem mais falhou foi o governo federal. O governo estadual, o governador teve uma ação, eu acho que foi – não vou dizer que não tenha erro, com certeza teve alguns erros – mas houve preocupação, sobretudo com a vida. A gente sabe que todos os atos foram tomados pela decisão necessária de salvar vidas. Isso foi feito. Todas as decisões tomadas, no calor do problema, no dia a dia, não houve uma inércia no enfrentamento do problema. O governo do município também tomou atitudes. A gente estava vendo agora a liberação absoluta. Os três entes federativos não têm pernas e braços para dar conta da fiscalização para conter os excessos. Infelizmente, uma grande parte da população não tá levando a sério.

Continua na Rede e vai disputar as eleições de 2022?

O partido vai promover alguns eventos políticos para discutir. Nas eleições passadas [de 2018], o partido não conseguiu vencer a cláusula de barreira. Defendi alianças, mas fui voto vencido. Agora não vai ter [coligação partidária]. Eu estou na Rede, vou ficar na Rede, é o partido que me deu todo o apoio e me permitiu ser vice-prefeito. É um partido que não assusta você tomar uma bola nas costas, como acontece em outros partidos que, muitas vezes, nas vésperas de um pleito, você é obrigado a recuar ou mudar de bandeira. É um partido orgânico, pequeno, mas tem pessoas de opinião e responsabilidade. Atualizado às 19h29min.

A médica Lívia Mendes, secretária de Saúde de Itabuna
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A médica Lívia Mendes, secretária de Saúde de Itabuna, disse hoje (23) ao PIMENTA que a adoção de medidas restritivas contra o novo coronavírus, até o momento, não está no horizonte do governo municipal.

“[Medidas] de restrição, ainda não. A gente acompanha os números e vê que tem esse aumento, que a gente está tendo um reflexo agora das festas de fim de ano, em que as pessoas tendem a aglomerar mais e fugiram das regras importantes. Mas, agora, a gente não vê medidas de restrição, não”, explicou.

Na última quarta-feira (20), o secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, se reuniu com secretários de municípios das regiões Sul e Sudoeste do estado. Queria saber o que os governos municipais estavam fazendo para conter o vírus. Lívia Mendes representou Itabuna na reunião online. Na conversa com o PIMENTA, a secretária informou que o município vai priorizar o trabalho de conscientização das pessoas, para que evitem aglomerações e se protejam usando máscara. Deu o exemplo da Patrulha do Som, que fiscaliza o cumprimento das regras sanitárias em ambientes como bares e restaurantes. A gestora planeja a volta do serviço com a Guarda Municipal e os fiscais de indústria e comércio.

A troca de comando na Prefeitura prejudicou as medidas de combate à pandemia, admite Lívia Mendes. “Com essa transição, realmente, as ações de vigilância epidemiológica, as testagens, diminuíram. Um governo estava saindo, e outro, assumindo e colocando as pessoas que iriam coordenar essas ações. A gente já está voltando com as testagens. Um exemplo foi lá no abrigo [Albergue Bezerra de Menezes] e também as ações nos bairros com aumento de casos”.

Com a volta dos ônibus às ruas em até 12 dias, conforme anúncio do prefeito Augusto Castro (PSD), a Secretaria Municipal de Saúde vai estabelecer os protocolos de segurança do transporte coletivo, como o uso obrigatório de máscaras e o fornecimento de álcool em gel aos usuários e trabalhadores do sistema.

MORTES E OCUPAÇÃO DE UTIs

Entre 31 de dezembro e 22 de janeiro, Itabuna registrou 17 mortes por Covid-19. No total, são 378. Perguntamos à secretária se chegou a faltar leitos de tratamento intensivo para os pacientes do município. “No pico mesmo que a gente viu da pandemia, com certeza, faltou, porque Itabuna é referência da macrorregião. Os leitos de Itabuna também eram referência para o Sul e o Extremo-Sul do estado. Então, realmente, pela gravidade, se algum município ficou descoberto, isso provavelmente aconteceu por conta da insuficiência de leitos na época do pico”, respondeu.

Em Itabuna, o SUS disponibiliza 28 leitos de UTI Covid; 27 deles estão ocupados, segundo o boletim epidemiológico divulgado ontem (22) pela prefeitura. De acordo com a secretária, o município não registrou taxa de ocupação de 100% em 2021, mas nada garante que isso não voltará a acontecer, porque a dinâmica da pandemia “é um reflexo do comportamento da população”.

VACINAÇÃO

Itabuna recebeu 2.017 doses da CoronaVac e Ilhéus, com menos habitantes, 6.017. O que explica essa diferença? “Essa distribuição, essa proporcionalidade, segundo o Estado, foi feita em relação à população público-alvo dessa primeira fase. Qual era o público dessa primeira fase? Profissionais de saúde, os idosos das casas de longa permanência, ribeirinhos e indígenas em aldeias. Uma das questões é que Ilhéus tem as aldeias indígenas”, explicou a secretária Lívia Mendes. Em balanço divulgado neste sábado (23), a Prefeitura de Ilhéus informou que 1.007 tupinambás foram vacinados até o momento.

O Ministério da Saúde pretende iniciar neste sábado (23) o envio de dois milhões de doses da vacina Oxford/Astrazeneca aos estados. A exemplo do que aconteceu com o lote da CoronaVac, explica Mendes, o governo municipal só vai saber o número de vacinas destinadas a Itabuna poucas horas antes ou no momento da entrega feita pela Secretaria de Saúde do Estado.

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A reforma psiquiatra brasileira foi positiva para a assistência em saúde mental, mas o falta vontade política dos governantes para colocá-la em prática, na opinião de Luiz Cezar Melo, 65 anos, mais de 30 deles dedicados à Psiquiatria. Luiz Melo faz críticas ao arremedo que se fez de assistência psiquiátrica nos municípios, principalmente Itabuna. As consequências, aponta, podem ser vistas nas ruas.

Numa entrevista ao PIMENTA, Luiz Melo observa que praticamente se destruiu o pouco que havia no município, principalmente nos últimos quatro anos. O psiquiatra observa, por exemplo, que o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) nível 3 começou a ser construído e não foi entregue até o momento. Ele apela ao prefeito eleito, Augusto Castro, para que conclua o equipamento e faça valer o que preconiza a reforma psiquiátrica.

BLOG PIMENTA – Na opinião do senhor, a assistência psiquiátrica em Itabuna é a ideal?

Luiz Cezar Melo – Como especialista em saúde mental há quase 30 anos, na Apae, Caps e serviço de ambulatório, vejo que a situação tem piorado e não há perspectiva de melhora. Se antes tínhamos sistema que funcionava precariamente, hoje está muito pior e aquém do desejado.

O que difere o antes do momento atual?

Tínhamos hospital funcionando em sistema de mega-asilo, de pessoas confinadas. Depois da reforma psiquíatrica, tentou-se sistema mais racional. Existia, também, o ambulatório da Prefeitura, no Hospital de Base, que funcionava de forma precária, e atendia demanda de Itabuna e região. Funcionava? Pelo menos, os pacientes eram vistos de três em três meses. Havia constância, não havia intervalo muito grande entre um atendimento e outro. Hoje, foi criado ambulatório no Centro, simplesmente arremedo de atendimento psiquiátrico. A pessoa que tem sofrimento mental, quando consegue atendimento, é seis, oito meses depois. O atendimento é precário, com receita emitida, replicada, treplicada.

Quais os riscos para o paciente?

O indivíduo não tem muito contato com quem está tratando dele. Não há avaliação. A pessoa tem que ser avaliada, pelo menos, de três em três meses, mas é vista em intervalor de seis, a 10 meses até. Essa pessoa pode reagudizar, paralisar. E o indivíduo fica na rua. Os familiares sabem bem o que é isso, de ter doente mental em casa e não ter a quem recorrer, não ter o que fazer.

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A saúde mental sempre foi jogada de lado, patinho feio da saúde, que é o patinho feio do orçamento geral de um município.

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Não há alternativa?

A alternativa acaba sendo o serviço particular, que são as clínicas populares, que têm consulta relativamente barata para quem é de classe média, mas não privilegiado tirar R$ 200 do seu orçamento é muito. Esse é um dever do Estado e um direito do cidadão, atendimento público e gratuito. A saúde mental sempre foi jogada de lado, patinho feio da saúde, que é o patinho feio do orçamento geral de um município.

A reforma psiquiátrica foi positiva? Por que ela não está funcionando como preconizado em Itabuna?

A reforma psiquiátrica foi muito positiva com o fim do confinamento. Dificilmente alguém se recupera tendo a sua liberdade limitada e sofrendo maus-tratos e sobrevivendo com o mínimo possível. Era uma solução quando não se tinha algo melhor. A reforma psiquiátrica trouxe uma novidade que é o atendimento na comunidade. Se ela fosse implantada com eficácia, apoio público, vontade política, se a doença mental não fosse tão discriminada e relegada a segundo, a terceiro plano até, talvez ela tivesse…

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O Caps não é um ambulatório a mais. Trabalha em rede, trabalha com o PSF. O único Caps que funcionou bem foi o de Ibicaraí.

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Há bons exemplos de mudança depois da reforma psiquiátrica?

Em alguns lugares, ela floresceu. A reforma prevê que o indivíduo seja tratado na própria comunidade, sem precisar afastá-lo de quem ele gosta, da sua família, porque foi jogado no meio de outras pessoas também doentes. A reforma foi perfeita ao criar o Caps, que encara a doença mental como digna de ser excluída da sociedade, e sim uma tentativa de incluir esse doente que, por algum momento, perdeu a razão, de torná-lo capaz de ser um cidadão. O Caps não é um ambulatório a mais. Trabalha em rede, trabalha com o PSF. O único Caps que funcionou bem foi o de Ibicaraí.

O que deu certo no município sul-baiano?

Em Ibicaraí, tínhamos os três dispositivos da reforma psiquiátrica, que é o Caps, o serviço de residência terapêutica para pacientes que não tivessem referência familiar, o paciente de rua, e o internamento em hospital público. O hospital tinha 3 leitos de psiquiatria. Os pacientes que agudizavam ficavam lá por algum tempo. O período de internamento era mínimo, não saíam da cidade. O paciente recebia o tratamento e voltava para a sua comunidade, dessa vez já com orientação para se tratar no Caps.

Por que Itabuna não avança, embora ainda seja polo em serviços de saúde?

Itabuna tem quatro dispositivos (Caps 2, Caps Infância e Adolescência e Caps Álcool e Drogas) e tem um outro Caps que nunca funcionou e está sendo construído há vários mandatos e ninguém se arvora de terminar. É um Caps que prevê internamento. Ou seja, estaria solucionando um vácuo que o Hospital São Judas deixou. Porque o paciente estaria sendo internado na crise e depois voltaria para o seu ambiente familiar.

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O indivíduo que descompensa não tem a assistência imediata devida. São usados os hospitais gerais, mas estes não atendem completamente. O indivíduo que adoece não tem um sistema para atendê-lo.

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Quais são os efeitos, as consequências da falta de assistência psiquiátrica em Itabuna?

A consequência é o aumento de número de suicídio, pois o indivíduo que descompensa não tem a assistência imediata devida. São usados os hospitais gerais, mas estes não atendem completamente. O indivíduo que adoece não tem um sistema para atendê-lo. Temos aí Roça do Povo que poderia ser usado como oficinas terapêuticas, oficinas protegidas, sistema que dá certo em algumas cidades da Bahia, onde o paciente psiquiátrico, que só é improdutivo na crise, poderia ser encaminhado para poder aprender uma atividade. Ibicaraí chegou a receber prêmio nacional como Caps modelo. Lá, funcionava em rede. Há solução, não há é vontade política.

Há recursos federais para essas ações?

Sim, não para construção, mas para assistência. A parte maior do recurso vem do governo federal. Já deveria estar construído e funcionando aqui o Caps 3, com internamento e psiquiatra de plantão. Isso demorou de ser implantado no Brasil inteiro. Salvador agora que tem, inclusive o CAPS 3 AD, que é de emergência para alcoolismo e drogas, mas, de fato, demorou muito para ser implantado na Bahia.

Por que, no geral, relegam a assistência na área de saúde mental a terceiro, quarto plano?

Primeiro, porque quem adoece não interfere muito na dinâmica econômica da sociedade. O doente mental é invisível, porque ele não vota. Se vota, vota apenas quando sadio. Ele não produz, não é consumidor. Então, é relegado a segundo plano, porque é invisível. No sistema capitalista, ele não tem cartão de crédito. Uma sociedade que confunde cidadania com consumo…

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O doente mental é relegado a segundo plano porque é invisível. No sistema capitalista, ele não tem cartão de crédito. Uma sociedade que confunde cidadania com consumo…

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Não tem valor para essa sociedade?

A não ser que se trate de um grande executivo que adoeça. Ou dono de uma firma ou que seja alguém importante para o sistema. Mas se for pessoa humilde, menos privilegiada, e para o lugar que ele está saindo na empresa tiver 10, 20 para ocupar o lugar, ninguém vai se preocupar em recuperar essa pessoa, já que há exército de reserva muito grande.

Os governos, além de não observarem o doente, fecham os olhos para os efeitos dessa desassistência na família?

Exato. Existe toda uma dinâmica familiar que é afetada. Quem é que vai cuidar deste doente quando está em casa? Por isso que o hospital psiquiátrico parece opção mais viável para alguns. “Não, eu deixo ele lá, não me preocupo mais com ele, vou fazer minhas coisas”. Isso, mesmo sabendo que ele pode estar sendo maltratado.

E poucos também sabem lidar em um momento de crise…

Por isso, louvo muito a reforma psiquiátrica. Pelo menos, na ideia é ótimo. Os Caps estão preocupados com a saúde mental. Então, os familiares podem frequentar os Caps até para ter noção do que fazer e não fazer quando o paciente entra em crise. Há um aprendizado, também. Há muito cuidador de doente mental que, depois, resolve cursar auxiliar de enfermagem ou serviço social, agente comunitário de saúde. Existe um desconhecimento não apenas do público em geral, mas de profissionais da área da saúde também, porque não querem lidar com pessoas que adoecem, pois há o estigma de que doente mental é perigoso, violento. É um estigma.

Preconceito?

Os estudos indicam que o doente mental não é mais violento do que a população em geral. É que os crimes, quando cometidos por doentes mentais, são mais alarmantes, pois há perda do controle, porém não são tão comuns. E aí gera o estigma. Os normais, às vezes, cometem crimes muito mais violentos que os doentes mentais.

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O doente mental que não é bem tratado ou que não consegue esse espaço (atendimento) no serviço público para se tratar, ele se torna quase uma bomba-relógio.

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E aí, retornamos para a questão inicial das consequências da falta de assistência na rede pública, não é mesmo?

O indivíduo que não é bem tratado ou que não consegue esse espaço (atendimento) no serviço público para se tratar, ele se torna quase uma bomba-relógio. O cara que passa um tempo sem ver psiquiatra, sem renovar ou revisar a medicação, pode surtar num período desses e cometer um crime. Mas se é visto, pelo menos, de três em três meses, diminui-se essa possibilidade. Vejo doentes mentais que esperavam consulta há nove meses e descompensaram nesse período, cometendo crime. Se tivesse atendimento, provavelmente não teria cometido o crime. Ou seja, estamos falando de prevenção também.

A reforma psiquiátrica abre espaço para o convívio, a integração. Qual o peso dessa integração para a saúde mental deste paciente?

Se o indivíduo se acha mais aceito, menos discriminado e confia na capacidade dele, isso já é terapêutico por si só. Mas se o indivíduo é isolado, discriminado, claro que vai agravar. Um exemplo bom disso: em Ibicaraí, havia programa chamado Pintando a Cidade. O artista plástico levava os doentes mentais para a rua para pintar as guias, calçadas, jardins… Então, a população em geral, de lá, se acostumou a ver estas pessoas produzindo, trabalhando, coisa que não imaginava, e sem essa aura de perigo. O artista recolhia no comércio as tintas e ele reformava, fazia as tintas e pintava e deixava os usuários do Caps trabalhando. Eles nunca poderiam imaginar que o doente mental poderia produzir alguma coisa, inclusive para a cidade. Então, esse tipo de coisa eu nunca vi aqui em Itabuna. É até uma sugestão para o governo que está entrando…. Eu sei que doente mental não dá voto, mas se ele quer ser um bom gestor, porque não terminar o Caps 3, porque não colocar equipes eficientes nos Caps e não voltar o ambulatório geral? É tornar o doente mental visível. Mostrar que ele não é violento. É violento quando não é tratado adequadamente.

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Eu sei que doente mental não dá voto, mas se ele quer ser um bom gestor, porque não terminar o Caps 3, porque não colocar equipes eficientes nos Caps e não voltar o ambulatório geral? É tornar o doente mental visível.

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Quais são os reflexos da falta de assistência para a cidade?

Quem nunca viu um doente mental na rua quebrando patrimônio ou sendo vítima de chacota e provocações? Há quem não o compreenda e começa a provocá-lo, xingá-lo, ver, realmente, o circo pegar fogo. Há pouco tempo, havia um que quebrava carros… Ah, porque não tem mais o São Judas (clínica psiquiátrica). Que tivesse, mas o São Judas não era tudo. A pessoa não ia ficar a vida inteira lá. Então, se não cuidar para que ele aprenda outro comportamento e não seja provocado, porque não implantar um sistema desse? Sai mais caro recuperar patrimônio destruído por ele.

Neto diz que shopping se prepara para quando reabertura for autorizada
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O diretor do Shopping Jequitibá, Manoel Chaves Neto, diz que o empreendimento está adotando todas as medidas necessárias para cumprir os protocolos determinados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para “reabrir com total segurança, assim que a flexibilização da atividade comercial for liberada”.

Atualmente, o shopping em Itabuna está funcionando no sistema drive thru e delivery e mantém em funcionamento setores considerados essenciais, como supermercado, farmácia e lotérica. O Drive Thru e Delivery, com relação das lojas, pode ser acessado no site do shopping. A seguir, Neto fala sobre a expectativa para a reabertura do empreendimento e os impactos da pandemia.

Dos 577 shoppings Centers no Brasil, 411, equivalente a 71% do total, estão abertos e em operação. Como tem sido este retorno?

Manoel Chaves Neto – O protocolo de abertura tem sido parecido em todos os Shoppings Centers no Brasil, com pequenas mudanças regionais: horários reduzidos, maior frequência da higienização, uso obrigatório de mascaras por frequentadores e funcionários, verificação de temperatura na entrada, disponibilização de álcool em gel, acesso ao estacionamento eletronicamente e suspensão de atividades promocionais que tragam aglomeração.

Quantos Shoppings na Bahia estão abertos e em plena operação?

Dos 21 shoppings centers existentes no estado, 3 deles, equivalentes a 14% do total do estado estão reabertos e em operação.

Qual a perspectiva para abertura do Shopping Jequitibá?

O Shopping Jequitibá está 100% pronto para reabertura em plena segurança, com todas recomendações feitas pela OMS, implementadas e todo o time de colaboradores treinado e adaptados para o convívio no novo normal. Diante de todos os investimentos e adequações feitas, o shopping será um ambiente educativo em relação à Covid-19. Mas, para que isso ocorra, dependemos de um entendimento conjunto da Prefeitura Municipal, Governo do Estado e Ministério Público.

O que significa passar as celebrações da Páscoa, Dias das mães, Dia dos Namorados e São João, datas com forte apelo comercial, com o shopping fechado?

Está sendo um período bem difícil para o varejo, pois todas nossas 137 operações se encontram paralisadas, com uma queda vertiginosa nas vendas. O impacto econômico em datas tão importantes e no próprio dia a dia normal é muito grande. Por isso, aguardamos a reabertura do shopping para iniciarmos o processo de recuperação.

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Criamos as alternativas paliativas para impulsionar as vendas com a implantação do Delivery e Drive Thru, iniciativas que serão incrementadas, melhoradas e ficarão em definitivo como um canal de vendas dos lojistas do Shopping Jequitibá.

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Quais as alternativas de vendas que o Shopping Jequitibá proporcionou aos seus lojistas?

Criamos as alternativas paliativas para impulsionar as vendas com a implantação do Delivery e Drive Thru, iniciativas que serão incrementadas, melhoradas e ficarão em definitivo como um canal de vendas dos lojistas do Shopping Jequitibá.

Universidade Federal pode colocar Brasil em situação privilegiada, diz reitora
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O Brasil poderá ter prioridade no uso da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford contra a Covid-19. A informação é da reitora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Soraya Smaili.

A instituição irá participar, a partir das próximas semanas, da terceira fase de pesquisas da vacina inglesa, realizando testes em cerca de mil pessoas que vivem em São Paulo e atuam em atividades com exposição ao vírus.

O laboratório da universidade do Reino Unido é o que está mais adiantado na construção de uma vacina contra o novo coronavírus, que deverá estar pronta em até 12 meses.

De acordo com Smaili, a participação do Brasil – o primeiro país fora do Reino Unido a fazer parte das pesquisas da vacina – coloca o país como “grande candidato” a usá-la, com prioridade, assim que a sua eficácia for comprovada.

“Existem algumas conversas nesse sentido [para o país poder ter prioridade no uso da vacina]. Estamos trabalhando para que sim. O fato de estarmos integrando e sermos o primeiro país fora do Reino Unido e também o primeiro laboratório no Brasil a realizar esses estudos – semelhantes a esses não há nenhum outro no Brasil – torna o país um grande candidato”, disse, em entrevista.

De acordo com a reitora da Unifesp, com acesso à “receita” da vacina, o Brasil terá capacidade de reproduzi-la em grande escala, a partir de laboratórios nacionais. “Tendo acesso à vacina,  temos capacidade de produção em larga escala, por meio dos nossos laboratórios nacionais de fato, como o Instituto Butantan, e os laboratórios da Fiocruz, entre outros”.

Leia a seguir a entrevista com a reitora da Unifesp à Agência Brasil:

Qual será o papel da Unifesp no processo de desenvolvimento da vacina de Oxford?

Soraya Smaili – A vacina foi iniciada e desenvolvida até esse estágio em que ela está, lá na Universidade de Oxford. O papel da Unifesp é integrar agora a fase 3 de testes, que é um estágio em que você aplica a vacina em voluntários humanos. É uma fase já avançada do desenvolvimento, porque já passou por laboratório, pelas células, já passou pelos animais, já passou pelas outras fases clínicas. Agora está na fase pegar indivíduos voluntários que vão receber a vacina e que serão acompanhados por alguns meses para poder verificar se a vacina é eficaz, se ela consegue proteger contra o coronavírus.

Por que o país e a Unifesp foram escolhidos para participar dessa fase de testes?

Inicialmente é por conta da liderança da doutora Lily Yin Weckx, que é a coordenadora do estudo no Brasil e é coordenadora do laboratório do Centro de Referência em Imunização da Unifesp. Esse centro tem conexões com diversos outros pesquisadores do Reino Unido e da Europa. E também por conta da doutora Sue Ann Costa Clemens, chefe do Instituto de Saúde Global da Universidade de Siena, e também pesquisadora do Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais da Unifesp. Por causa da experiência que elas têm na área e dos estudos que já realizaram anteriormente, com reputação muito boa internacional, o nosso laboratório aqui da Unifesp foi indicado para executar essa fase do teste da vacina.

Como a participação brasileira pode agregar conhecimento ao desenvolvimento científico local?

Nós vamos aprender muito com esse processo. Mas, além de tudo, vamos poder participar de um importante trabalho que vai, provavelmente, se tudo continuar correndo bem, em alguns meses ter uma vacina que poderá ser aplicada em toda a população contra a covid-19.

Ter participado dessa fase dará ao país alguma prioridade para que a população seja vacinada?

Sim, existem algumas conversas nesse sentido. Nós estamos trabalhando para que [seja isso] sim. O fato de estarmos integrando e sermos o primeiro país fora do Reino Unido e também o primeiro laboratório no Brasil a realizar esses estudos, estudos semelhantes a esse não têm nenhum outro no Brasil, torna o país um grande candidato.

Essa vacina já foi aprovada no país?

Foi aprovada pela Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária], que é uma agência que é ligada ao Ministério da Saúde, tudo isso, dependendo dos resultados, e com o andamento da pesquisa, dessa fase da pesquisa e dos testes, nós temos grande chance de termos, sim, acesso à vacina. Tendo acesso, nós temos capacidade de produção em larga escala, por meio dos nossos laboratórios nacionais de fato, como o Instituto Butantan, os laboratórios da Fiocruz, entre outros.

Quais os prazos para o início e final da pesquisa no Brasil?

Os testes ainda não iniciaram. Isso deve acontecer por volta da terceira semana de junho. Essa fase será a fase de recrutamento. Em seguida, os testes desses voluntários selecionados. Depois, a aplicação da vacina, e o seguimento por alguns meses, até doze meses, para que os resultados possam ser conclusivos. Eu disse até 12 meses, porque a perspectiva é que este período pode ser de doze meses ou talvez um pouco menos.

O que a senhora destacaria desse processo que agora envolve o Brasil?

A importância de a gente ter a ciência brasileira, a universidade federal trabalhando para o desenvolvimento de uma vacina, que está entre as primeiras vacinas, entre as mais promissoras das que estão sendo estudadas no mundo todo. Estamos – a nossa universidade está se somando a um esforço global, é uma universidade pública federal ligada ao Ministério da Educação – nos juntando a um esforço mundial para a obtenção de uma vacina que vai beneficiar milhões e milhões de pessoas.

Qual o sentimento?

Estamos muito orgulhosos, contentes, de termos em nosso país uma universidade que são tão bem equipadas com profissionais tão capacitados, que é um patrimônio do povo brasileiro. Isso certamente temos de salientar. A ciência brasileira é uma ciência de alta qualidade e, por isso, foi escolhida a Unifesp, porque tem essa qualidade, dos nossos pesquisadores. Estamos em um esforço coletivo para superamos esse momento. A ciência brasileira também vai dar a sua contribuição e as suas respostas.

Manoel Chaves Neto, diretor-geral do Shopping Jequitibá
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O Shopping Jequitibá completa 20 anos nesta terça-feira (5). Iniciativa pioneira e visionária no sul da Bahia do empresário Helenilson Chaves, o maior centro de compras, lazer e serviços da região, segundo o diretor Manoel Chaves Neto, transformou a data em momento de reflexão sobre o futuro, que o encara com otimismo.

Nesta entrevista, Neto fala dos reflexos da pandemia da covid-19 na economia, na sociedade e os passos futuros – e o que é necessário – para uma reabertura do comércio. O diretor também fala de novos empreendimentos que vão se somar ao mix de atrações do empreendimento.

Como você resume estas duas décadas do Shopping Jequitibá?

Manoel Chaves Neto – Quero agradecer, agradecer e agradecer por hoje completarmos 20 anos de vida, de relação e de muito amor por Itabuna e todo sul da Bahia. Estas duas décadas passaram voando, ultrapassamos diversos obstáculos, vencemos dezenas de crises, chegamos até a ficar órfãos do nosso fundador e idealizador Helenilson Chaves. Entretanto, as raízes do Shopping Jequitibá são fortes, profundas e sólidas, proporcionando estarmos comemorando seus 20 anos, com empreendimento, completo, regional, dominante no sul da Bahia.

Fomos pegos de surpresa pela forma avassaladora da pandemia, fazendo com que mudássemos por completo nossas programações e atividades comemorativas para esta data. Ainda assim, continuaremos constantemente atentos, trabalhando duro, estudando e nos adaptando para manter o Shopping Jequitibá por muitas décadas como um equipamento único e de vanguarda para o novo normal.

Lia Chaves e o esposo e idealizador do Shopping, o empresário Helenilson Chaves

Hoje temos 46 dias do Decreto Municipal que culminou com o fechamento de todo comércio. Em relação ao Shopping Jequitibá, como está sendo este momento e quais os impactos?

Está sendo dificílimo, pois a pandemia da Covid-19 interrompeu, repentinamente, o ciclo operacional do Shopping Jequitibá e dos nossos lojistas. Por consequência, colocando todos numa fragilidade econômica e financeira de fluxo de caixa, entretanto, os reais impactos só saberemos no médio prazo.

 

Continuaremos constantemente atentos, trabalhando duro, estudando e nos adaptando para manter o Shopping Jequitibá por muitas décadas como um equipamento único e de vanguarda para o novo normal.

 

Qual geração de empregos do Shopping Jequitibá?

Juntamente com nossos lojistas, aproximadamente 1.300 empregos diretos.

Haverá demissões no Shopping Jequitibá?

Não iremos demitir nossos colaboradores, pois utilizaremos todos os benefícios do Governo Federal para segurar ao máximo todos os postos de trabalho existentes antes da Covid-19.

Já existem cerca de 80 shoppings centers abertos no Brasil. Quando serão abertas as portas do Shopping Jequitibá?

A abertura do Shopping Jequitibá está diretamente ligada ao prazo estipulado no decreto municipal em vigor. Entretanto, estamos conscientes que, para abrir o Jequitibá, necessariamente os hospitais da nossa cidade terão que estar minimamente estruturados para enfrentamento das futuras demandas que virão. Hoje esta situação carece da chegada de respiradores, pois só temos 10 leitos de UTI da Santa Casa.

 

Estamos conscientes que, para abrir o Jequitibá, necessariamente os hospitais da nossa cidade terão que estar minimamente estruturados para enfrentamento das futuras demandas que virão.

 

Qual será o protocolo de abertura para o Shopping Jequitibá?

Neste período, nós adequamos o Shopping Jequitibá, com as normativas e protocolos listados pela OMS (Organização Mundial de Saúde), com objetivo de prevenir e dar segurança à saúde de todos que ali frequentam.

Shopping Jequitibá chega aos 20 anos de fundado

As lojas que estavam contratadas e com previsão de abertura serão concretizadas?

Nestes últimos 46 dias, tivemos várias evoluções na construção de lojas Vivara, Natura, ISE Grelhados e Restaurantes e Meu Chapa, além da reforma da Patroni. Em fase de análise final de projetos, temos a Barbearia e a Gráfica que ficarão na alameda de serviços.

 

Tivemos várias evoluções na construção de lojas Vivara, Natura, ISE Grelhados e Restaurantes e Meu Chapa, além da reforma da Patroni. Em fase de análise final de projetos, temos a Barbearia e a Gráfica que ficarão na alameda de serviços.

 

Quantas lojas do Shopping Jequitibá já fecharam as portas por causa dos efeitos da Covid-19?

A IPlace já apresentava desde 2019 o desejo de fechar por motivos de não descolar ponto de equilíbrio e, face a pandemia e consequentemente aumento do dólar, os produtos importados aumentariam de preço e possivelmente haveria retração de vendas.

Como está a relação da administração do Shopping com seus lojistas?

Nossa relação é de união, transparência e parceria reforçada, pois só sairemos desta crise unidos, com muito trabalho e criatividade.

Quais as perspectivas, novidades do Shopping Jequitibá?

Nossa perspectiva é mantermos o Shopping Jequitibá sempre atraente, aconchegante, seguro para receber bem cada vez mais nossos clientes. Além disto, vamos demandar esforços para criar novas alternativas de canais de vendas e distribuição para nossos lojistas.