Oficina terá 20 vagas para moradores a partir de 14 anos || Foto Yordan Bosco/TPI
Tempo de leitura: < 1 minuto

O Teatro Popular de Ilhéus (TPI) abriu inscrições para uma nova oficina de teatro do projeto Rodando Ilhéus, em parceria com a Associação de Moradores do Teotônio Vilela. A iniciativa leva atividades de formação artística a diferentes territórios da cidade e busca ampliar o acesso da população à produção cultural.

A oficina é voltada para pessoas a partir de 14 anos e será ministrada aos sábados, das 14h às 17h, nos meses de setembro e outubro. As aulas começam no dia 5 de setembro e ocorrerão no próprio bairro. São oferecidas 20 vagas, preenchidas por ordem de inscrição. Os interessados podem se inscrever até 4 de setembro.

“A proposta é criar um espaço de experimentação, convivência e aprendizado por meio do teatro, aproximando a linguagem cênica dos moradores do Teotônio Vilela e estimulando a participação cultural da comunidade”, afirma a atriz e coordenadora do Rodando Ilhéus, Tânia Barbosa.

O Rodando Ilhéus integra as ações do TPI voltadas à circulação, formação e democratização do acesso à cultura. O projeto leva atividades artísticas para além dos espaços culturais tradicionais e fortalece a relação entre o teatro, os territórios e suas comunidades.

Grupo ilheense faz homenagem ao disco lançado há 60 anos
Tempo de leitura: < 1 minuto

O Quarteto Samba Jazz apresenta, nesta sexta-feira (21), às 20 horas, na Casa de Tieta, em Ilhéus, um show especial em comemoração aos 60 anos do álbum Os Afro-Sambas, de Baden Powell e Vinicius de Moraes. O grupo preparou releituras instrumentais de músicas do disco lançado em 1966.

“O Quarteto Samba Jazz é um grupo de música instrumental aqui de Ilhéus, dedicado a fazer repertório de música brasileira no formato instrumental”, explica ao PIMENTA Zezo Maltez  Segundo ele, a homenagem recupera uma obra decisiva para a história da música brasileira.

“Esse álbum foi um marco importante da música brasileira em 1966, trazendo para um grande público músicas com temáticas, de certa forma, sobre religiões de matriz africana e com influência da música de terreiro. Evidentemente, adaptada para uma realidade incrível, que é o violão de Baden Powell”, afirma.

Para Zezo, a Casa de Tieta também reforça o sentido da apresentação. “O lugar veio a calhar porque a Casa de Tieta é um lugar também de quase uma casa de axé”, diz o músico, ao destacar a ligação do espaço com a preservação da cultura das religiões de matriz africana.

Justiça determina restauração de igreja em Salvador || Imagem Iphan
Tempo de leitura: 2 minutos

A Justiça Federal reconheceu o risco iminente de dano ao patrimônio e determinou medidas urgentes para preservar a Igreja e a Casa da Ordem Terceira do Carmo, no Centro Histórico de Salvador. A Ordem Terceira do Carmo, proprietária do imóvel, deverá adotar medidas para garantir a segurança e a preservação da edificação. A justiça atendeu a um pedido do Ministério Público Federal (MPF).

As medidas estabelecem prazos escalonados para a intervenção. Em até 30 dias, deverão ser removidos e catalogados os escombros decorrentes do desabamento parcial ocorrido em outubro de 2025. Em 60 dias, deverá ser feita vistoria técnica integral, conduzida por profissional habilitado. Em até 90 dias, deverá ser apresentado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) um plano emergencial de intervenção. Após a aprovação do plano, haverá prazo de seis meses para a execução do Plano Emergencial.

O templo religioso, tombado pelo Iphan em 1938, está interditado desde fevereiro do ano passado. Vistorias da Defesa Civil de Salvador (Codesal) classificaram o risco da edificação como “muito alto”, segundo o Ministério Público Federal (MPF). Em outubro de 2025, houve um desabamento parcial do forro da nave. O imóvel apresenta ainda infestação ativa de cupins, além do apodrecimento de estruturas de madeira e assoalhos.

Para a procuradora da República Bartira de Araújo Góes, autora da ação, a decisão representa um passo importante para impedir que a deterioração do imóvel resulte em perdas que não possam ser reparadas. “Estamos diante de um patrimônio que não pertence apenas ao seu proprietário ou à geração atual. A Igreja da Ordem Terceira do Carmo integra a história e a identidade cultural de Salvador e guarda bens artísticos de valor inestimável. A decisão reconhece a urgência e estabelece medidas concretas para que o patrimônio seja preservado”, afirma a procuradora.

OBRAS IMPORTANTES

O MPF alerta para o risco de perda de elementos de grande relevância histórica e artística, como o forro pintado por José Teófilo de Jesus, em 1816, e obras de imaginária atribuídas a Francisco Xavier Chagas e Félix Pereira Guimarães. O conjunto integra o Centro Histórico de Salvador, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O MPF ainda sustenta que a proteção do patrimônio cultural é dever constitucional do poder público e da sociedade. Embora a responsabilidade primária pela conservação do imóvel seja da Ordem Terceira do Carmo, a ação civil pública também apontou a responsabilidade do Iphan e da União em situações de urgência ou quando houver impossibilidade de atuação do proprietário.

Na decisão, a Justiça destacou que a Ordem Terceira do Carmo não apresentou provas de insuficiência de recursos, motivo pelo qual a responsabilidade pelas obras recai, neste momento, exclusivamente sobre a entidade proprietária — sem repasse imediato de custos à União ou ao Iphan.

Neste mês, o MPF na Bahia promove uma série de ações para dar visibilidade à sua atuação em defesa do patrimônio cultural, em celebração ao Dia Nacional do Patrimônio Histórico e Cultural. Confira o balanço desta atuação na Bahia.

O jornalista Waldeny Andrade tem suas obras reeditadas pela Via Litterarum || Foto Luiz Conceição/Divulgação
Tempo de leitura: 2 minutos

A editora grapiúna Via Litterarum celebra o legado literário do jornalista, radialista e escritor Waldeny Andrade, com a reedição de quatro obras: Vidas Cruzadas, Serra do Padeiro – a saga dos Tupinambás, A Ilha de Aramys e Noite no Vale do Cotia. A editora conquistou o 1º lugar no Edital PNAB Bahia Nº 10/2025 da Secretaria de Cultura da Bahia, ao obter a nota de 94 pontos.

Pelo projeto, o segundo momento é trabalhar cada obra em dois colégios de Itabuna que aderiram ao projeto, Serão quatro turmas do Colégio Jorge Amado e quatro turmas do Colégio CIEBTEC. Cada turma trabalhará um dos quatro livros da autoria de Waldeny Andrade.

O terceiro momento do projeto consiste na reelaboração por parte dos alunos, a partir do livro lido e analisado, um produto em qualquer gênero literário, ilustração ou música. Para isso, o projeto conta com duas oficinas de escrita e criação literária com cada turma de alunos. Um exemplar do livro trabalhado será entregue a cada um dos estudantes, aos profissionais das oficinas e aos professores.

Obras de Waldeny Andrade serão reeditadas pela Via Litterarum

Profissional de comunicação, Waldeny Andrade fez história no rádio e no jornalismo do sul da Bahia. Faleceu em maio de 2020, deixando muitos órfãos, a quem abriu os microfones da Rádio Jornal de Itabuna e a redação do Diário de Itabuna e uma legião de admiradores.

O PNAB

O projeto foi contemplado nos editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal, repassados pelo Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado.

Conta com a participação e a parceria, por meio dos professores, estudantes, direções e do ambiente físico dos Colégios CIEBTEC e Jorge Amado, ambos de Itabuna, e do Centro de Cultura Adonias Filho como espaço de culminâncias de ações nele previstas.

Lula, Danilo e Fabrício, da Quizila, tendo ao fundo a Baía do Pontal e a Sapetinga || Foto Thiago Dias
Tempo de leitura: 4 minutos

Com 28 anos de trajetória, a banda ilheense Quizila sobe ao palco do Pub Delicious, no Pontal, neste sábado (15), às 20h, para uma noite dedicada à própria obra. O show Quizila toca Quizila marca o lançamento do EP Guias e reúne músicas de diferentes fases do grupo, além de composições inéditas. Os ingressos custam R$ 40. A produção é da Aquilomba, e o DJ Seu Múcio abre a programação.

A ideia do espetáculo nasceu da cobrança do público. Nos últimos anos, a Quizila circulou por bares de Ilhéus com apresentações extensas e um repertório mais aberto, formado também por músicas que seus integrantes gostam de ouvir e tocar. Mesmo assim, uma pergunta se repetia entre quem acompanhava os shows. “A galera sempre pedia: ‘Cadê as músicas de vocês?’. A gente não vinha tocando todas as canções que tem no repertório”, conta o vocalista e compositor Fabrício Vasconcelos.

O pedido deu origem a um show com destaque para produção autoral da banda. O repertório atravessa o primeiro EP da Quizila, o álbum Orgânico Vivo, lançado em 2017, e o novo Guias. Algumas releituras incorporadas à discografia também estarão presentes. A noite ainda reserva músicas nunca gravadas e canções que chegarão ao palco pela primeira vez.

“Por que não fazer um show nosso? Por isso é ‘Quizila toca Quizila’. Não é a Quizila tocando Bob Marley ou Jacob Miller. É a banda apresentando a própria obra”, reforça o baterista Lula Soares Lopes.

TRAJETÓRIA

A história da Quizila começou a tomar forma na metade dos anos 1990, quando o guitarrista Binho Ribeiro e o baterista Rogério Alves, Secão, ainda estudantes, decidiram montar uma banda. O grupo adota 1998, ano em que iniciou as apresentações públicas, como marco de sua trajetória. A formação atual reúne Fabrício nos vocais, Binho na guitarra, Danilo Ornelas no baixo e Lula na bateria.

Binho Ribeiro em foto de Pedro Reis

O nome da banda surgiu por sugestão do amigo Vitor Santana, baterista d’OQuadro e DJ por trás da persona Orixáfricano. A sonoridade da palavra Quizila chamou a atenção dos músicos, que encontraram no dicionário sentidos associados a aversão, rixa e confronto. “Como a gente estava formando uma banda de reggae, adorou o nome. Era a Quizila do sistema, uma aversão ao sistema”, recorda Fabrício.

Mais tarde, os integrantes conheceram a dimensão da palavra nas religiões de matriz africana e perceberam como esse significado ampliava a identidade escolhida pelo grupo. A amizade sustenta boa parte dessa caminhada. Lula acompanhou a banda desde o começo e chegou a substituir Secão em algumas apresentações antes de entrar, oficialmente, em 2017.

Leia Mais

Atores em peça que discute educação financeira em linguagem infantil || Foto Divulgação
Tempo de leitura: < 1 minuto

A Ciência Divertida Cultural levará oito apresentações gratuitas do espetáculo Divertimento com Investimentos às escolas públicas de Uruçuca entre segunda-feira (17) e quarta-feira (19). Voltada a estudantes do ensino fundamental, a montagem usa o teatro para abordar conceitos de educação financeira e estimular uma relação mais consciente com o dinheiro desde a infância.

A programação passará por escolas da sede, da zona rural e do distrito de Serra Grande. A primeira sessão ocorrerá na Escola Nucleada Domingos Correia, na Fazenda Cachoeirinha. As demais apresentações chegarão às unidades Maria Antonieta Conceição, Maria Freitas Neves, Cemurzinho e ao Centro Integrado de Educação Integral de Serra Grande (confira a programação completa ao final do texto).

A peça trabalha temas como consumo consciente, organização do orçamento, poupança, crédito e planejamento para o futuro. Os personagens exploram situações do cotidiano, interagem com a plateia e estimulam as crianças a pensar sobre escolhas relacionadas ao uso do dinheiro.

O espetáculo integra o projeto nacional Diverte Teatro Cultura e Diversão, que há mais de dez anos combina atividades culturais e educativas em diferentes regiões do país. O Sicoob patrocina a iniciativa, que também conta com o apoio do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

PROGRAMAÇÃO

17 de agosto, às 9h
Escola Nucleada Domingos Correia
Fazenda Cachoeirinha

Leia Mais

Livro de Graça na Praça traz Paloma Amado a Ilhéus no sábado || Reprodução
Tempo de leitura: 2 minutos

A primeira edição do Livro de Graça na Praça em Ilhéus terá a presença da escritora Paloma Jorge Amado. O lançamento será no próximo sábado (15), das 8h às 13h, na Praça Dom Eduardo, em frente à Catedral de São Sebastião, no Centro Histórico.

Durante o evento, serão distribuídos gratuitamente 800 exemplares da coletânea …por escrito… umas palavras para a vida!. Os livros já foram impressos e estão a caminho de Ilhéus. A obra reúne textos de 46 autores do sul da Bahia e de outras regiões do estado e do país.

Paloma Jorge Amado, que também assina um dos textos da coletânea, participa do lançamento no mês dedicado à celebração da vida e da obra de seu pai. A atividade integra a programação do Agosto de Jorge Amado, promovida pela Secretaria de Cultura de Ilhéus.

A coletânea também reúne textos da escritora, educadora, compositora e cordelista Mabel Velloso; do médico e professor da Universidade de São Paulo Antônio Ruffino Netto; da jornalista e escritora Suzana Varjão; do escritor, cantor e compositor Fernando Caldas; e do professor e escritor Euzner Teles, entre outros autores. A relação conta ainda com o ilheense Rodrigo Melo, um dos principais escritores de sua geração.

PROGRAMAÇÃO

A programação terá ainda apresentações musicais de Luiz Flávio do Prado Ribeiro, Herval Lemos, Fernando Caldas e Cláudio Vieira. O público também poderá conversar com os autores, participar das sessões de autógrafos e receber outros livros levados pelos escritores.

A edição de Ilhéus é coordenada pelo médico, fotógrafo, músico e escritor Archibaldo Daltro Barreto Filho, Quico, com a colaboração do escritor Fabiano A. Salim, dos jornalistas Emílio Gusmão e Thiago Dias e do professor e escritor Euzner Teles.

Sem fins lucrativos, o projeto contou com apoio da LAP e com contribuições arrecadadas por meio de uma Vakinha. A campanha entra agora na reta final e permanece aberta até o dia 11 de agosto, com o objetivo de reunir mais R$ 1.500 para cobrir as despesas restantes.

Quem quiser contribuir pode acessar a campanha pelo endereço https://www.vakinha.com.br/6069349

Banda ilheense apresenta músicas inéditas no Pub Delicious || Foto Pedro Reis
Tempo de leitura: < 1 minuto

A banda Quizila lançará seu novo EP no próximo dia 15, um sábado, a partir das 20h, no Pub Delicious, no Pontal, em Ilhéus. O show terá participação do DJ Seu Múcio. Os ingressos à venda pelo Instagram (quizila_real).

O lançamento abre um novo capítulo na discografia da banda formada na segunda metade dos anos 1990. A formação atual reúne Fabrício Vasconcelos nos vocais, Danilo Ornelas no baixo, Binho Ribeiro na guitarra e Lula Soares Lopes na bateria.

A ligação com Ilhéus atravessa o repertório da banda. Títulos como Cidade Nova, Estuário e Bahia Ô aproximam as composições da geografia e da vida na cidade do sul da Bahia.

A Quizila também construiu sua história nos palcos da Terra da Gabriela. O grupo participou de projetos culturais no Espaço Dilazenze, abriu o show dos 50 anos de carreira de Edson Gomes na cidade, em 2022, e integrou a retomada do projeto Sábado Sim, na Praça Rui Barbosa, em setembro de 2025.

No mês seguinte, a banda dividiu a programação do Dub on Tap com DJ Danley, após a exibição do documentário Indubitável 2. Já em maio deste ano, participou da celebração pelo Dia Nacional do Reggae, em Ilhéus, e do Festival Pérola Negra, no Centro de Cultura Adonias Filho, em Itabuna.

Com o lançamento do EP, a Quizila retoma a produção fonográfica sem abandonar a mistura construída em quase três décadas: reggae autoral, influência do rock e letras conectadas às vivências no sul da Bahia.

Pratos, drinks e sobremesas exclusivos poderão ser experimentados até 30 de agosto || Ilustração PIMENTA
Tempo de leitura: < 1 minuto

O Circuito Gastronômico Agosto de Jorge começou nesta quinta-feira (6), com a participação de 23 estabelecimentos de Ilhéus. Restaurantes, hotéis, cafeterias, bares e casas culturais criaram receitas inspiradas na obra e nos personagens de Jorge Amado.

Pratos, drinks e sobremesas valorizam ingredientes regionais e elementos da identidade cultural ilheense. A proposta é transformar a gastronomia em mais uma porta de entrada para o universo amadiano, aproximando moradores e visitantes das histórias que ajudaram a projetar Ilhéus no Brasil e no exterior.

O circuito seguirá até 30 de agosto. Durante esse período, o público poderá visitar os estabelecimentos participantes, experimentar as criações e votar nas receitas preferidas.

Os participantes da votação também concorrerão a um Kit Dengo Origem, com chocolates premiados, e a um Kit Xêro Amado, da Avatim. As regras e o acesso ao formulário estão disponíveis nos perfis @festivalagostodejorge e @visitIlheus, ambos no Instagram.

Outra atração é o Xêro Amado, apresentado como o cheiro oficial de Ilhéus. A fragrância foi desenvolvida pela Avatim em parceria com a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Turismo, e busca traduzir elementos associados à identidade e à essência da cidade.

O circuito faz parte do Festival Agosto de Jorge, promovido pelas secretarias municipais de Turismo e Cultura, em parceria com o Sebrae, o Conselho Municipal de Turismo e representantes do setor. A programação também reúne atividades culturais, artísticas e esportivas em homenagem ao legado de Jorge Amado.

Programação em homenagem ao escritor seguirá até 30 de agosto || Foto PMI
Tempo de leitura: < 1 minuto

Ilhéus abre, nesta quinta-feira (6), o Festival Agosto de Jorge, que segue até o dia 30 com atividades culturais, turísticas, gastronômicas e esportivas. A programação homenageia o escritor Jorge Amado e ocupará diferentes espaços da cidade.

A Prefeitura promove o festival por meio das secretarias municipais de Turismo e Cultura, em parceria com o Sebrae, o Conselho Municipal de Turismo e representantes do setor turístico.

O Circuito Gastronômico mobilizará bares, restaurantes, hotéis e cafeterias. Os estabelecimentos oferecerão pratos, bebidas e sobremesas inspirados no universo amadiano, com ingredientes regionais e referências à culinária local.

A agenda também inclui comemorações pelo aniversário de Jorge Amado, celebrado em 10 de agosto, ações literárias, apresentações culturais, mostra audiovisual, festival de dança, fórum sobre patrimônio e a corrida temática Nosso Filho Amado.

A capa do EP de estreia da cantora e compositora grapiúna, assinada pela artista visual Mariaji Salvador
Tempo de leitura: 2 minutos

Quando o mundo fechou as portas, Lígia Callaz abriu um caderno. O primeiro álbum autoral da cantora e compositora de Buerarema, no sul da Bahia, começou a nascer durante o confinamento, quando a rua parecia perigosa, os encontros migraram para as telas e o tempo perdeu a velha obrigação de passar depressa.

Já disponível nas plataformas da internet, Lígia Callaz e os Amores Pandêmicos reúne seis canções: Encontros, Pele, Lambendo as Pedras, Pura Conexão, Presente de Iemanjá e Cantar Mundo.

Embora as composições tenham brotado num período de medo, o disco não faz um inventário da doença. Lígia preferiu olhar para aquilo que continuava vivo enquanto quase tudo permanecia suspenso: o desejo, a falta, os corpos, as conexões possíveis e a vontade de voltar ao mundo.

O título nasceu da aproximação com Afrodite Pandemos, uma das formas atribuídas à deusa grega do amor. Pandemos remete ao amor partilhado por todos, terreno e coletivo. No trabalho de Lígia, a referência ganha outro sentido. São amores submetidos ao confinamento, mas ainda capazes de atravessar paredes.

Antes de entrar definitivamente em estúdio, Amores Pandêmicos viveu como espetáculo. A cantora levou o repertório a eventos como a Festa Literária de Ilhéus, o Festival de Arte e Gastronomia de Serra Grande e o Festival de Verão de São Gonçalo do Rio das Pedras, em Minas Gerais. As apresentações ajudaram as músicas a amadurecer diante do público.

PARTICIPAÇÕES

O disco começa com Encontros, composta em parceria com Nitya. A escolha da palavra para abrir o trabalho parece responder ao tempo que o originou. Depois de uma experiência marcada pela distância, a primeira canção devolve à escuta justamente a possibilidade de encontrar alguém.

Em Pele, Lígia divide a interpretação com Júlia Neves, a Curandeira Cantante. A faixa parte da história de um corpo marcado pela renúncia e aborda aquilo que tantas vezes se cala para sobreviver. Voz e corpo deixam de ocupar lugares separados. A pele guarda o que a memória nem sempre consegue contar.

Lambendo as Pedras carrega no título uma imagem áspera. Há alguma coisa de resistência no gesto de procurar alimento ou afeto onde parece não existir mais nada. Logo depois, Pura Conexão recoloca o encontro no centro do disco, agora distante da intermediação fria das telas que dominou os dias de isolamento.

O mar aparece em Presente de Iemanjá, que amplia o território afetivo do trabalho e aproxima o amor da ancestralidade, da água e do movimento. Depois de tantas paredes, Lígia conduz o ouvinte para fora de casa e o deixa diante de uma paisagem sem teto.

Cantar Mundo – faixa com as participações de Ize Duque, Màja, Luana Carla e Laiô – encerra o percurso como uma declaração de propósito. A artista que começou escrevendo cercada pelo confinamento termina querendo ganhar o mundo pela voz. O disco sai do quarto, alcança o mar e procura outros ouvidos.

A produção musical leva as assinaturas do Canoa Sonora e da Mar de Engenhos. O projeto mobilizou dezenas de pessoas ao longo de sua construção e contou com patrocínio da Agro Granjeiro. A distribuição digital ficou a cargo da Tratore. Ouça o álbum completo.

Conexão Bahia-Pará reúne guitarrada, carimbó, percussão afro-baiana e cantos das roças de cacau
Tempo de leitura: 3 minutos

A música das roças de cacau do sul da Bahia ganhou a companhia do carimbó e da guitarrada paraense no projeto Conexão Bahia-Pará. A parceria reúne a banda ilheense Mulheres em Domínio Público e o guitarrista, percussionista, pesquisador e produtor Félix Robatto, de Belém. Os artistas lançaram duas releituras de obras em domínio público, já disponíveis nas principais plataformas digitais.

A primeira faixa, Ó Abre Alas/Corta-jaca, junta duas composições de Chiquinha Gonzaga e incorpora ritmos paraenses, guitarrada e elementos da percussão afro-baiana. A segunda, Cacau é Boa Lavra, leva o carimbó a um canto tradicionalmente entoado sem acompanhamento instrumental por trabalhadores da lavoura cacaueira.

A aproximação conecta dois territórios ligados à produção de cacau. Bahia e Pará ocupam as primeiras posições no cultivo do fruto no Brasil, embora tenham formações musicais distintas. A Mata Atlântica, a Amazônia, os batuques baianos e os ritmos paraenses servem de matéria-prima para os novos arranjos.

ENCONTRO

Criada em Ilhéus em 2011, a Mulheres em Domínio Público pesquisa cantos ligados ao trabalho e à memória feminina. O repertório inclui músicas entoadas durante a colheita, a quebra e a pisa do cacau, além de cantos de lavadeiras e carpideiras. Em 2024, a produção do remake da novela Renascer, da TV Globo, consultou o trabalho da banda durante a pesquisa musical para cenas da trama.

Leia Mais

Emiron era um grande nome da comunicação regional
Tempo de leitura: 2 minutos

O sul da Bahia perdeu, na noite desta quarta-feira (29), o jornalista, professor universitário, escritor, produtor e ator Emiron Gouveia de Deus, que nos últimos dias vinha enfrentando complicações de saúde. Ele tinha mais de 30 anos de atuação na comunicação regional, tendo participado da implantação da TV Cabrália, primeira emissora do interior do Nordeste.

Desde 2004 o professor atuava como gerente dos laboratórios do curso de Comunicação Social da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc). Polivalente, Emiron participou do curta-metragem Money, dirigido por Dirceu Martins Alves, também professor  da Uesc. Gravado no bairro do Salobrinho, em Ilhéus, o filme conta a história de um casal de andarilhos que invade uma casa abandonada, onde encontram um pacote de dinheiro que muda a dinâmica entre eles.

Emiron Gouveia atuou como ator ou produtor em outras obras, como A Coleção Invisível (2012), A Finada Mãe da Madame (2016) e As Margens de Canavieiras (2021), além de curtas-metragens como Dente de Ouro (2015). A carreira como artista começou na década de 80, quando atuou no teatro itabunense.

REPERCUSSÃO

Por meio de nota, o reitor da Uesc, Alessandro Fernandes, lamentou o falecimento do professor. “Ao longo de sua trajetória na Uesc, Emiron Gouveia se destacou pela competência, dedicação e compromisso com a formação acadêmica de inúmeras gerações de estudantes. Sua atuação foi decisiva para o fortalecimento do Curso de Comunicação Social, contribuindo para a consolidação dos laboratórios como espaços de aprendizagem, experimentação e inovação, sempre pautado pela excelência técnica, criatividade e espírito colaborativo”, diz.

O prefeito de Itabuna, Augusto Castro, também, por meio de nota, lamentou a morte e destacou o legado deixado pelo jornalista e professor. “Neste momento de tristeza e dor, manifesto meus sinceros sentimentos de pesar pela sua inesperada partida por não suportar as consequências de uma insidiosa enfermidade. Peço a Deus que conforte seus familiares e amigos e na Mansão Celestial receba sua alma em descanso eterno”.

Soares celebra 80 anos de vida || Foto PIMENTA
Tempo de leitura: 3 minutos

Do PIMENTA

Como quase toda criança de família humilde da época, José Soares Santos, que completou 80 anos de vida no dia 17 deste mês, começou a trabalhar cedo. Não tinha completado 10 anos quando o pai decidiu que Soares precisava ajudá-lo nas atividades do campo. Era assistente na capina, preparo da terra e no plantio.

Filho mais velho, Soares era convocado também a cuidar dos animais de pequeno porte, ajudar a abastecer a casa da família com água potável e no escoamento da produção agrícola da zona rural de Ibicuí, onde nasceu e viveu a infância e adolescência. Mais tarde, o menino do campo se tornaria comerciante bem longe de casa.

Soares, mais um filho que Itabuna adotou || Foto PIMENTA

O então jovem morava em Vitória da Conquista, no sudoeste do estado, quando decidiu buscar melhorias em Itabuna, cidade com desenvolvimento puxado pela cultura do cacau. “Naquela época, Conquista era uma cidade pequena, com poucos empregos. Itabuna estava em ascensão. Era conhecida em quase todo o Brasil por causa das histórias e riquezas de seus fazendeiros”, lembra.

Soares com familiares na celebração de 80 anos de vida || PIMENTA

José Soares desembarcou em Itabuna em 1968, meses depois da grande enchente do Rio Cachoeira, ocorrida em 1967. Conseguiu o primeiro emprego na cidade como garçom no Palace Hotel. Depois trabalhou na mesma profissão no Grapiúna Clube, onde passou a ser conhecido somente pelo sobrenome.

Depois de 18 anos, abriu um barzinho na Inácio Tosta Filho. Mais tarde inaugurou uma churrascaria na Avenida do Cinquentenário, próxima à praça Santo Antônio.

O negócio estava indo bem, mas Soares decidiu que estava na hora de mudar de endereço novamente. Há quase 4 décadas estabeleceu-se na Praça Olinto Leone. “No começo era somente um bar. Depois abrimos o restaurante, com oferta de comida em quilo”. Foi em Itabuna que ele conheceu dona Arlete, firmou união e teve filhos. O casal ganhou netos e bisnetos. Juntos, Soares e dona Arlete fizeram o comércio crescer e mantêm uma parceria de mais de 50 anos.

Na cidade do sul da Bahia que hoje completa 116 anos de emancipação política e administrativa, Soares também conquistou centenas de amigos e uma clientela fiel. O Soares é um dos restaurantes mais antigos de Itabuna.

O JOSÉ QUE SE TORNOU SOARES

José Soares Santos passou a ser chamado pelo sobrenome porque no Grapiúna Clube, segundo emprego como garçom, existiam muitos Josés. “Com tantos colegas com o mesmo nome, as pessoas logo passaram a me chamar pelo sobrenome. Anos depois Soares se tornaria uma marca. O nome da nossa empresa há anos”, orgulha-se.

Fã de Luiz Gonzaga e Raimundo Fagner, Soares é um apaixonado pelo Vitória. Sonha com o dia em que o time conquistará um título do Campeonato Brasileiro ou disputará uma Taça Libertadores. “Mas, no momento, esse sonho parece um pouco longe da realidade. No entanto, eu sigo acreditando que esse time ainda me dará muitas
alegrias”, resigna-se.

Nesses quase 60 anos morando em Itabuna, Soares acompanhou a abertura e o fechamento de inúmeras empresas. Ele cita dentre elas a Rede de Supermercados Messias, lojas Os Gonçalves e Pernambucanas. “São centenas de empresas que se instalaram aqui, mas que, infelizmente, fecharam as portas, em diferentes décadas, no período de 80 para cá”, lamenta.

Questionado sobre a receita para chegar tão longe com saúde, Soares disse não ter uma resposta. Afirmou que nunca sentiu nenhuma complicação grave de saúde. “Não sofro com pressão alta, não sinto dores no corpo, nada. Estou muito bem de saúde, graças a Deus. O médico diz que sou sortudo, pois é difícil a pessoa nessa idade não tomar remédio para controle da pressão”, relata.

Nego Freeza na Festa Literária de Ipiaú || Foto Flipiaú
Tempo de leitura: 2 minutos

Do PIMENTA

Marcado para o próximo dia 8, um sábado, às 21h30min, na Casa Brasileira, no Pontal, em Ilhéus, o show Resistência do Passado, de Nego Freeza, promete agitar a noite da Terra da Gabriela. Acompanhado de DJ Danley, o músico da banda OQuadro apresentará obras de seu primeiro álbum solo, Icyerekezo, além de outros sons. A apresentação terá formato ampliado e participações especiais. Os ingressos já estão à venda.

O espetáculo resulta do encontro entre a trajetória de Freeza, construída ao longo de décadas na banda OQuadro, e a experiência de Danley nos palcos e nas pistas. A dupla já se apresentou algumas vezes em Ilhéus e também levou o trabalho a Ipiaú e Vitória da Conquista.

“E aí a gente começa a fazer esse show, DJ e MC, e esse show começa a ganhar um formato de que as pessoas têm gostado, têm comentado, têm contratado, têm curtido. A gente já fez esse show aqui em Ilhéus algumas vezes, vamos fazer mais vezes, porque a gente só tem acrescentado mais coisas a esse show. A gente fez em Ipiaú, estamos indo para Vitória da Conquista, tem algumas datas previstas ainda para a região, provavelmente Itacaré”, afirma Freeza.

Lançado em agosto de 2024, Icyerekezo foi produzido por Pupillo, ex-integrante da Nação Zumbi. O disco reúne oito faixas e mistura rap, rock, reggae e soul. Freeza começou a apresentar esse repertório em outras regiões do país. Fez shows no Rio de Janeiro e em São Paulo acompanhado do paraibano Chico Correa, referência da música eletrônica nordestina. Depois de anos morando em Recife, o retorno do MC ao sul da Bahia abriu caminho para a parceria com Danley.

“Estamos circulando. Tem sido bem gratificante porque, além do grupo ou da banda, que é OQuadro, esse coletivo de potência, que já tem seu nome, eu venho conseguindo fazer sozinho, circulando com esse show. Dia 8, a gente está fazendo esse show em um formato bem maior, com algumas participações”, conta o rapper ao PIMENTA.

DE VOLTA AO SUL DA BAHIA

A apresentação também marca o reencontro mais constante de Nego Freeza com a região onde iniciou sua trajetória artística. Durante anos, ele retornou ao sul da Bahia apenas em períodos pontuais, para apresentações com OQuadro ou para passar as festas de fim de ano com a família. Agora novamente instalado na região, o artista diz perceber com maior clareza o alcance do trabalho construído ao longo do tempo.

“Para mim, é muito bom poder ver que essa semente que foi plantada aqui cresceu e deu frutos. Eu caminho pelas ruas de Ilhéus e vejo as pessoas me reconhecerem, as pessoas virem falar comigo, pedirem para tirar uma foto. Ilhéus é o ponto de partida, mas eu penso no sul da Bahia todo, porque eu sou de Ipiaú. Então, esse prefixo 73, para mim, é como um todo, porque OQuadro acabou se tornando uma referência em toda a região”, diz.

OQUADRO NA PRAÇA 

Uma apresentação recente na Praça da Catedral de São Sebastião, em Ilhéus, tornou-se um marco para o grupo, que completou 30 anos de estrada em 2026.. Freeza considera que o encontro com o público revelou a dimensão alcançada pela banda.

“Eu acho que existe OQuadro antes e depois desse show na Catedral, porque é algo que nos mostra o tamanho da força que a gente tem enquanto agente cultural do sul da Bahia, enquanto coletivo. OQuadro se torna mais ativo do que nunca, bebendo na fonte, circulando nas ruas de Ilhéus, falando com os amigos e com as amigas da cidade”, conclui.