Livro de Graça na Praça traz Paloma Amado a Ilhéus no sábado || Reprodução
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A primeira edição do Livro de Graça na Praça em Ilhéus terá a presença da escritora Paloma Jorge Amado. O lançamento será no próximo sábado (15), das 8h às 13h, na Praça Dom Eduardo, em frente à Catedral de São Sebastião, no Centro Histórico.

Durante o evento, serão distribuídos gratuitamente 800 exemplares da coletânea …por escrito… umas palavras para a vida!. Os livros já foram impressos e estão a caminho de Ilhéus. A obra reúne textos de 46 autores do sul da Bahia e de outras regiões do estado e do país.

Paloma Jorge Amado, que também assina um dos textos da coletânea, participa do lançamento no mês dedicado à celebração da vida e da obra de seu pai. A atividade integra a programação do Agosto de Jorge Amado, promovida pela Secretaria de Cultura de Ilhéus.

A coletânea também reúne textos da escritora, educadora, compositora e cordelista Mabel Velloso; do médico e professor da Universidade de São Paulo Antônio Ruffino Netto; da jornalista e escritora Suzana Varjão; do escritor, cantor e compositor Fernando Caldas; e do professor e escritor Euzner Teles, entre outros autores. A relação conta ainda com o ilheense Rodrigo Melo, um dos principais escritores de sua geração.

PROGRAMAÇÃO

A programação terá ainda apresentações musicais de Luiz Flávio do Prado Ribeiro, Herval Lemos, Fernando Caldas e Cláudio Vieira. O público também poderá conversar com os autores, participar das sessões de autógrafos e receber outros livros levados pelos escritores.

A edição de Ilhéus é coordenada pelo médico, fotógrafo, músico e escritor Archibaldo Daltro Barreto Filho, Quico, com a colaboração do escritor Fabiano A. Salim, dos jornalistas Emílio Gusmão e Thiago Dias e do professor e escritor Euzner Teles.

Sem fins lucrativos, o projeto contou com apoio da LAP e com contribuições arrecadadas por meio de uma Vakinha. A campanha entra agora na reta final e permanece aberta até o dia 11 de agosto, com o objetivo de reunir mais R$ 1.500 para cobrir as despesas restantes.

Quem quiser contribuir pode acessar a campanha pelo endereço https://www.vakinha.com.br/6069349

Banda ilheense apresenta músicas inéditas no Pub Delicious || Foto Pedro Reis
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A banda Quizila lançará seu novo EP no próximo dia 15, um sábado, a partir das 20h, no Pub Delicious, no Pontal, em Ilhéus. O show terá participação do DJ Seu Múcio. Os ingressos à venda pelo Instagram (quizila_real).

O lançamento abre um novo capítulo na discografia da banda formada na segunda metade dos anos 1990. A formação atual reúne Fabrício Vasconcelos nos vocais, Danilo Ornelas no baixo, Binho Ribeiro na guitarra e Lula Soares Lopes na bateria.

A ligação com Ilhéus atravessa o repertório da banda. Títulos como Cidade Nova, Estuário e Bahia Ô aproximam as composições da geografia e da vida na cidade do sul da Bahia.

A Quizila também construiu sua história nos palcos da Terra da Gabriela. O grupo participou de projetos culturais no Espaço Dilazenze, abriu o show dos 50 anos de carreira de Edson Gomes na cidade, em 2022, e integrou a retomada do projeto Sábado Sim, na Praça Rui Barbosa, em setembro de 2025.

No mês seguinte, a banda dividiu a programação do Dub on Tap com DJ Danley, após a exibição do documentário Indubitável 2. Já em maio deste ano, participou da celebração pelo Dia Nacional do Reggae, em Ilhéus, e do Festival Pérola Negra, no Centro de Cultura Adonias Filho, em Itabuna.

Com o lançamento do EP, a Quizila retoma a produção fonográfica sem abandonar a mistura construída em quase três décadas: reggae autoral, influência do rock e letras conectadas às vivências no sul da Bahia.

Pratos, drinks e sobremesas exclusivos poderão ser experimentados até 30 de agosto || Ilustração PIMENTA
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O Circuito Gastronômico Agosto de Jorge começou nesta quinta-feira (6), com a participação de 23 estabelecimentos de Ilhéus. Restaurantes, hotéis, cafeterias, bares e casas culturais criaram receitas inspiradas na obra e nos personagens de Jorge Amado.

Pratos, drinks e sobremesas valorizam ingredientes regionais e elementos da identidade cultural ilheense. A proposta é transformar a gastronomia em mais uma porta de entrada para o universo amadiano, aproximando moradores e visitantes das histórias que ajudaram a projetar Ilhéus no Brasil e no exterior.

O circuito seguirá até 30 de agosto. Durante esse período, o público poderá visitar os estabelecimentos participantes, experimentar as criações e votar nas receitas preferidas.

Os participantes da votação também concorrerão a um Kit Dengo Origem, com chocolates premiados, e a um Kit Xêro Amado, da Avatim. As regras e o acesso ao formulário estão disponíveis nos perfis @festivalagostodejorge e @visitIlheus, ambos no Instagram.

Outra atração é o Xêro Amado, apresentado como o cheiro oficial de Ilhéus. A fragrância foi desenvolvida pela Avatim em parceria com a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Turismo, e busca traduzir elementos associados à identidade e à essência da cidade.

O circuito faz parte do Festival Agosto de Jorge, promovido pelas secretarias municipais de Turismo e Cultura, em parceria com o Sebrae, o Conselho Municipal de Turismo e representantes do setor. A programação também reúne atividades culturais, artísticas e esportivas em homenagem ao legado de Jorge Amado.

Programação em homenagem ao escritor seguirá até 30 de agosto || Foto PMI
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Ilhéus abre, nesta quinta-feira (6), o Festival Agosto de Jorge, que segue até o dia 30 com atividades culturais, turísticas, gastronômicas e esportivas. A programação homenageia o escritor Jorge Amado e ocupará diferentes espaços da cidade.

A Prefeitura promove o festival por meio das secretarias municipais de Turismo e Cultura, em parceria com o Sebrae, o Conselho Municipal de Turismo e representantes do setor turístico.

O Circuito Gastronômico mobilizará bares, restaurantes, hotéis e cafeterias. Os estabelecimentos oferecerão pratos, bebidas e sobremesas inspirados no universo amadiano, com ingredientes regionais e referências à culinária local.

A agenda também inclui comemorações pelo aniversário de Jorge Amado, celebrado em 10 de agosto, ações literárias, apresentações culturais, mostra audiovisual, festival de dança, fórum sobre patrimônio e a corrida temática Nosso Filho Amado.

A capa do EP de estreia da cantora e compositora grapiúna, assinada pela artista visual Mariaji Salvador
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Quando o mundo fechou as portas, Lígia Callaz abriu um caderno. O primeiro álbum autoral da cantora e compositora de Buerarema, no sul da Bahia, começou a nascer durante o confinamento, quando a rua parecia perigosa, os encontros migraram para as telas e o tempo perdeu a velha obrigação de passar depressa.

Já disponível nas plataformas da internet, Lígia Callaz e os Amores Pandêmicos reúne seis canções: Encontros, Pele, Lambendo as Pedras, Pura Conexão, Presente de Iemanjá e Cantar Mundo.

Embora as composições tenham brotado num período de medo, o disco não faz um inventário da doença. Lígia preferiu olhar para aquilo que continuava vivo enquanto quase tudo permanecia suspenso: o desejo, a falta, os corpos, as conexões possíveis e a vontade de voltar ao mundo.

O título nasceu da aproximação com Afrodite Pandemos, uma das formas atribuídas à deusa grega do amor. Pandemos remete ao amor partilhado por todos, terreno e coletivo. No trabalho de Lígia, a referência ganha outro sentido. São amores submetidos ao confinamento, mas ainda capazes de atravessar paredes.

Antes de entrar definitivamente em estúdio, Amores Pandêmicos viveu como espetáculo. A cantora levou o repertório a eventos como a Festa Literária de Ilhéus, o Festival de Arte e Gastronomia de Serra Grande e o Festival de Verão de São Gonçalo do Rio das Pedras, em Minas Gerais. As apresentações ajudaram as músicas a amadurecer diante do público.

PARTICIPAÇÕES

O disco começa com Encontros, composta em parceria com Nitya. A escolha da palavra para abrir o trabalho parece responder ao tempo que o originou. Depois de uma experiência marcada pela distância, a primeira canção devolve à escuta justamente a possibilidade de encontrar alguém.

Em Pele, Lígia divide a interpretação com Júlia Neves, a Curandeira Cantante. A faixa parte da história de um corpo marcado pela renúncia e aborda aquilo que tantas vezes se cala para sobreviver. Voz e corpo deixam de ocupar lugares separados. A pele guarda o que a memória nem sempre consegue contar.

Lambendo as Pedras carrega no título uma imagem áspera. Há alguma coisa de resistência no gesto de procurar alimento ou afeto onde parece não existir mais nada. Logo depois, Pura Conexão recoloca o encontro no centro do disco, agora distante da intermediação fria das telas que dominou os dias de isolamento.

O mar aparece em Presente de Iemanjá, que amplia o território afetivo do trabalho e aproxima o amor da ancestralidade, da água e do movimento. Depois de tantas paredes, Lígia conduz o ouvinte para fora de casa e o deixa diante de uma paisagem sem teto.

Cantar Mundo – faixa com as participações de Ize Duque, Màja, Luana Carla e Laiô – encerra o percurso como uma declaração de propósito. A artista que começou escrevendo cercada pelo confinamento termina querendo ganhar o mundo pela voz. O disco sai do quarto, alcança o mar e procura outros ouvidos.

A produção musical leva as assinaturas do Canoa Sonora e da Mar de Engenhos. O projeto mobilizou dezenas de pessoas ao longo de sua construção e contou com patrocínio da Agro Granjeiro. A distribuição digital ficou a cargo da Tratore. Ouça o álbum completo.

Conexão Bahia-Pará reúne guitarrada, carimbó, percussão afro-baiana e cantos das roças de cacau
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A música das roças de cacau do sul da Bahia ganhou a companhia do carimbó e da guitarrada paraense no projeto Conexão Bahia-Pará. A parceria reúne a banda ilheense Mulheres em Domínio Público e o guitarrista, percussionista, pesquisador e produtor Félix Robatto, de Belém. Os artistas lançaram duas releituras de obras em domínio público, já disponíveis nas principais plataformas digitais.

A primeira faixa, Ó Abre Alas/Corta-jaca, junta duas composições de Chiquinha Gonzaga e incorpora ritmos paraenses, guitarrada e elementos da percussão afro-baiana. A segunda, Cacau é Boa Lavra, leva o carimbó a um canto tradicionalmente entoado sem acompanhamento instrumental por trabalhadores da lavoura cacaueira.

A aproximação conecta dois territórios ligados à produção de cacau. Bahia e Pará ocupam as primeiras posições no cultivo do fruto no Brasil, embora tenham formações musicais distintas. A Mata Atlântica, a Amazônia, os batuques baianos e os ritmos paraenses servem de matéria-prima para os novos arranjos.

ENCONTRO

Criada em Ilhéus em 2011, a Mulheres em Domínio Público pesquisa cantos ligados ao trabalho e à memória feminina. O repertório inclui músicas entoadas durante a colheita, a quebra e a pisa do cacau, além de cantos de lavadeiras e carpideiras. Em 2024, a produção do remake da novela Renascer, da TV Globo, consultou o trabalho da banda durante a pesquisa musical para cenas da trama.

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Emiron era um grande nome da comunicação regional
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O sul da Bahia perdeu, na noite desta quarta-feira (29), o jornalista, professor universitário, escritor, produtor e ator Emiron Gouveia de Deus, que nos últimos dias vinha enfrentando complicações de saúde. Ele tinha mais de 30 anos de atuação na comunicação regional, tendo participado da implantação da TV Cabrália, primeira emissora do interior do Nordeste.

Desde 2004 o professor atuava como gerente dos laboratórios do curso de Comunicação Social da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc). Polivalente, Emiron participou do curta-metragem Money, dirigido por Dirceu Martins Alves, também professor  da Uesc. Gravado no bairro do Salobrinho, em Ilhéus, o filme conta a história de um casal de andarilhos que invade uma casa abandonada, onde encontram um pacote de dinheiro que muda a dinâmica entre eles.

Emiron Gouveia atuou como ator ou produtor em outras obras, como A Coleção Invisível (2012), A Finada Mãe da Madame (2016) e As Margens de Canavieiras (2021), além de curtas-metragens como Dente de Ouro (2015). A carreira como artista começou na década de 80, quando atuou no teatro itabunense.

REPERCUSSÃO

Por meio de nota, o reitor da Uesc, Alessandro Fernandes, lamentou o falecimento do professor. “Ao longo de sua trajetória na Uesc, Emiron Gouveia se destacou pela competência, dedicação e compromisso com a formação acadêmica de inúmeras gerações de estudantes. Sua atuação foi decisiva para o fortalecimento do Curso de Comunicação Social, contribuindo para a consolidação dos laboratórios como espaços de aprendizagem, experimentação e inovação, sempre pautado pela excelência técnica, criatividade e espírito colaborativo”, diz.

O prefeito de Itabuna, Augusto Castro, também, por meio de nota, lamentou a morte e destacou o legado deixado pelo jornalista e professor. “Neste momento de tristeza e dor, manifesto meus sinceros sentimentos de pesar pela sua inesperada partida por não suportar as consequências de uma insidiosa enfermidade. Peço a Deus que conforte seus familiares e amigos e na Mansão Celestial receba sua alma em descanso eterno”.

Soares celebra 80 anos de vida || Foto PIMENTA
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Do PIMENTA

Como quase toda criança de família humilde da época, José Soares Santos, que completou 80 anos de vida no dia 17 deste mês, começou a trabalhar cedo. Não tinha completado 10 anos quando o pai decidiu que Soares precisava ajudá-lo nas atividades do campo. Era assistente na capina, preparo da terra e no plantio.

Filho mais velho, Soares era convocado também a cuidar dos animais de pequeno porte, ajudar a abastecer a casa da família com água potável e no escoamento da produção agrícola da zona rural de Ibicuí, onde nasceu e viveu a infância e adolescência. Mais tarde, o menino do campo se tornaria comerciante bem longe de casa.

Soares, mais um filho que Itabuna adotou || Foto PIMENTA

O então jovem morava em Vitória da Conquista, no sudoeste do estado, quando decidiu buscar melhorias em Itabuna, cidade com desenvolvimento puxado pela cultura do cacau. “Naquela época, Conquista era uma cidade pequena, com poucos empregos. Itabuna estava em ascensão. Era conhecida em quase todo o Brasil por causa das histórias e riquezas de seus fazendeiros”, lembra.

Soares com familiares na celebração de 80 anos de vida || PIMENTA

José Soares desembarcou em Itabuna em 1968, meses depois da grande enchente do Rio Cachoeira, ocorrida em 1967. Conseguiu o primeiro emprego na cidade como garçom no Palace Hotel. Depois trabalhou na mesma profissão no Grapiúna Clube, onde passou a ser conhecido somente pelo sobrenome.

Depois de 18 anos, abriu um barzinho na Inácio Tosta Filho. Mais tarde inaugurou uma churrascaria na Avenida do Cinquentenário, próxima à praça Santo Antônio.

O negócio estava indo bem, mas Soares decidiu que estava na hora de mudar de endereço novamente. Há quase 4 décadas estabeleceu-se na Praça Olinto Leone. “No começo era somente um bar. Depois abrimos o restaurante, com oferta de comida em quilo”. Foi em Itabuna que ele conheceu dona Arlete, firmou união e teve filhos. O casal ganhou netos e bisnetos. Juntos, Soares e dona Arlete fizeram o comércio crescer e mantêm uma parceria de mais de 50 anos.

Na cidade do sul da Bahia que hoje completa 116 anos de emancipação política e administrativa, Soares também conquistou centenas de amigos e uma clientela fiel. O Soares é um dos restaurantes mais antigos de Itabuna.

O JOSÉ QUE SE TORNOU SOARES

José Soares Santos passou a ser chamado pelo sobrenome porque no Grapiúna Clube, segundo emprego como garçom, existiam muitos Josés. “Com tantos colegas com o mesmo nome, as pessoas logo passaram a me chamar pelo sobrenome. Anos depois Soares se tornaria uma marca. O nome da nossa empresa há anos”, orgulha-se.

Fã de Luiz Gonzaga e Raimundo Fagner, Soares é um apaixonado pelo Vitória. Sonha com o dia em que o time conquistará um título do Campeonato Brasileiro ou disputará uma Taça Libertadores. “Mas, no momento, esse sonho parece um pouco longe da realidade. No entanto, eu sigo acreditando que esse time ainda me dará muitas
alegrias”, resigna-se.

Nesses quase 60 anos morando em Itabuna, Soares acompanhou a abertura e o fechamento de inúmeras empresas. Ele cita dentre elas a Rede de Supermercados Messias, lojas Os Gonçalves e Pernambucanas. “São centenas de empresas que se instalaram aqui, mas que, infelizmente, fecharam as portas, em diferentes décadas, no período de 80 para cá”, lamenta.

Questionado sobre a receita para chegar tão longe com saúde, Soares disse não ter uma resposta. Afirmou que nunca sentiu nenhuma complicação grave de saúde. “Não sofro com pressão alta, não sinto dores no corpo, nada. Estou muito bem de saúde, graças a Deus. O médico diz que sou sortudo, pois é difícil a pessoa nessa idade não tomar remédio para controle da pressão”, relata.

Nego Freeza na Festa Literária de Ipiaú || Foto Flipiaú
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Do PIMENTA

Marcado para o próximo dia 8, um sábado, às 21h30min, na Casa Brasileira, no Pontal, em Ilhéus, o show Resistência do Passado, de Nego Freeza, promete agitar a noite da Terra da Gabriela. Acompanhado de DJ Danley, o músico da banda OQuadro apresentará obras de seu primeiro álbum solo, Icyerekezo, além de outros sons. A apresentação terá formato ampliado e participações especiais. Os ingressos já estão à venda.

O espetáculo resulta do encontro entre a trajetória de Freeza, construída ao longo de décadas na banda OQuadro, e a experiência de Danley nos palcos e nas pistas. A dupla já se apresentou algumas vezes em Ilhéus e também levou o trabalho a Ipiaú e Vitória da Conquista.

“E aí a gente começa a fazer esse show, DJ e MC, e esse show começa a ganhar um formato de que as pessoas têm gostado, têm comentado, têm contratado, têm curtido. A gente já fez esse show aqui em Ilhéus algumas vezes, vamos fazer mais vezes, porque a gente só tem acrescentado mais coisas a esse show. A gente fez em Ipiaú, estamos indo para Vitória da Conquista, tem algumas datas previstas ainda para a região, provavelmente Itacaré”, afirma Freeza.

Lançado em agosto de 2024, Icyerekezo foi produzido por Pupillo, ex-integrante da Nação Zumbi. O disco reúne oito faixas e mistura rap, rock, reggae e soul. Freeza começou a apresentar esse repertório em outras regiões do país. Fez shows no Rio de Janeiro e em São Paulo acompanhado do paraibano Chico Correa, referência da música eletrônica nordestina. Depois de anos morando em Recife, o retorno do MC ao sul da Bahia abriu caminho para a parceria com Danley.

“Estamos circulando. Tem sido bem gratificante porque, além do grupo ou da banda, que é OQuadro, esse coletivo de potência, que já tem seu nome, eu venho conseguindo fazer sozinho, circulando com esse show. Dia 8, a gente está fazendo esse show em um formato bem maior, com algumas participações”, conta o rapper ao PIMENTA.

DE VOLTA AO SUL DA BAHIA

A apresentação também marca o reencontro mais constante de Nego Freeza com a região onde iniciou sua trajetória artística. Durante anos, ele retornou ao sul da Bahia apenas em períodos pontuais, para apresentações com OQuadro ou para passar as festas de fim de ano com a família. Agora novamente instalado na região, o artista diz perceber com maior clareza o alcance do trabalho construído ao longo do tempo.

“Para mim, é muito bom poder ver que essa semente que foi plantada aqui cresceu e deu frutos. Eu caminho pelas ruas de Ilhéus e vejo as pessoas me reconhecerem, as pessoas virem falar comigo, pedirem para tirar uma foto. Ilhéus é o ponto de partida, mas eu penso no sul da Bahia todo, porque eu sou de Ipiaú. Então, esse prefixo 73, para mim, é como um todo, porque OQuadro acabou se tornando uma referência em toda a região”, diz.

OQUADRO NA PRAÇA 

Uma apresentação recente na Praça da Catedral de São Sebastião, em Ilhéus, tornou-se um marco para o grupo, que completou 30 anos de estrada em 2026.. Freeza considera que o encontro com o público revelou a dimensão alcançada pela banda.

“Eu acho que existe OQuadro antes e depois desse show na Catedral, porque é algo que nos mostra o tamanho da força que a gente tem enquanto agente cultural do sul da Bahia, enquanto coletivo. OQuadro se torna mais ativo do que nunca, bebendo na fonte, circulando nas ruas de Ilhéus, falando com os amigos e com as amigas da cidade”, conclui.

Localizada no Centro, Praça Olinto Leone é um dos destaques da mostra nos 116 anos de Itabuna
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O Centro de Documentação e Memória Regional (Cedoc) da Universidade Estadual de Santa Cruz e o Centro Cultural Teosópolis (CCT) promovem duas exposições que resgatam a história e a evolução de importantes espaços públicos de Itabuna. As mostras integram a programação do III Ciclo “Celebrando Itabuna”, promovido em homenagem aos 116 anos de emancipação política e administrativa do município, comemorados nesta terça-feira (28).

Com o tema “Itabuna tem História?”, as exposições convidam o público a revisitar parte da trajetória da cidade por meio de fotografias, documentos e registros históricos que mostram a transformação de alguns dos seus mais tradicionais cartões-postais. As academias de Letras de Itabuna (Alita) e Grapiúna de Letras (Agral) são parceiras das mostras.

Uma das exposições é dedicada ao Complexo Adami, formado pelas praças Siqueira Campos, Manuel Leal, Otaciana Pinto e Olinto Leone. A mostra apresenta a evolução urbanística desse conjunto de praças, que desempenhou papel fundamental no crescimento econômico, social e cultural de Itabuna.

A segunda exposição destaca a história da Praça José Bastos, no Centro, um dos espaços públicos mais emblemáticos do município. A mostra reúne imagens e informações que revelam as mudanças ocorridas ao longo dos anos e a importância da praça como ponto de encontro da população e palco de acontecimentos marcantes da história local.

VALORIZAÇÃO DA MEMÓRIA

Janete Macedo é curadora da Mostra || Foto Arquivo

Curadora das exposições, a professora Janete Macedo explica que as mostras oferecem um panorama histórico sobre esses espaços, abordando suas origens, transformações e a contribuição de cada um para a construção da identidade itabunense.

Conforme a organização, o objetivo é valorizar, preservar e difundir o patrimônio histórico e cultural de Itabuna, incentivando a comunidade a conhecer e reconhecer a trajetória do município e a importância da preservação da memória coletiva.

ABERTA AO PÚBLICO

A exposição Complexo Adami permanece aberta à visitação até o dia 31 de julho, no Centro Cultural Teosópolis, localizado na Rua Vieira Lima, nº 298, no bairro Conceição.

Já a exposição sobre a Praça José Bastos poderá ser visitada nesta terça-feira (28), no pátio do Colégio Batista de Itabuna (CBI), na Rua Catuciba, Conceição, durante a programação especial em comemoração aos 116 anos da cidade. Também hoje (28), a Igreja Batista Teosópolis, uma das mais tradicionais do município, celebrará culto em Ação de Graças pelo aniversário de Itabuna.

Além de comemorar os 116 anos de emancipação política e administrativa do município, o III Ciclo Celebrando Itabuna reforça a importância da preservação da memória histórica como elemento essencial para fortalecer a identidade, a cultura e o sentimento de pertencimento dos itabunenses.

Rilson Dantas apresenta Paranoia, nova composição do músico grapiúna || Foto Moisés Santana/Divulgação
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O músico itabunense Rilson Dantas lançou Paranoia, composição autoral e trabalho mais recente de sua carreira. A música percorre dúvidas, medos e conflitos de alguém que procura um caminho, mas não consegue romper com a sensação de estar sempre no mesmo lugar.

A letra tem uma pegada existencialista. O eu-lírico questiona o rumo da própria vida e encara a dificuldade de escolher para onde seguir. A repetição dos dias produz uma espécie de déjà-vu, como se cada tentativa de mudança o levasse de volta ao ponto de partida.

Também aparece uma crise de pertencimento. Até aquilo que o eu-lírico possui parece não lhe pertencer. Ele busca nos problemas uma forma de crescer, mas admite ter criado raízes e perdido a disposição para correr riscos. Professor e cartomante, Rilson traz a angústia ao centro da música no refrão. “Não dá pra fugir”, canta.

Paranoia segue a linha do rock alternativo brasileiro. Guitarras, baixo e bateria sustentam uma gravação direta, com o peso necessário para acompanhar a inquietação presente na letra. A interpretação evita exageros e preserva o caráter confessional da composição. Ouça.

Estudo compara quilombos, terreiros e bairros do apartheid para analisar linguagem, identidade e cidadania || Foto Divulgação
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Do PIMENTA

O que um quilombo em Itacaré tem em comum com um bairro criado pelo apartheid na África do Sul? Essa foi uma das perguntas que levaram uma equipe da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) à Cidade do Cabo. Coordenado pelo linguista Gabriel Nascimento, o grupo tenta compreender como comunidades negras produzem sentidos por meio da linguagem e como essas formas de falar revelam modos de resistência, pertencimento e organização da vida social.

Para Gabriel, o ponto de partida rompe com uma ideia recorrente quando se fala em linguagem popular. “A gente não quer só valorizar essa linguagem. A gente quer entender como as pessoas usam a linguagem que usam e por quê.”

A explicação passa por um conceito que atravessa toda a pesquisa: “Linguagem também é tecnologia”. Em vez de estudar apenas regras gramaticais ou variações do português, a equipe busca compreender como a linguagem organiza relações sociais, produz pertencimento e registra formas de viver.

O trabalho reúne pesquisadores brasileiros, sul-africanos e angolanos e amplia uma cooperação acadêmica iniciada em 2020 entre a UFSB e a University of the Western Cape (UWC).

Estudo compara linguagem e pertencimento em territórios negros do Atlântico || Ilustração PIMENTA

QUILOMBOS

A primeira etapa do estudo concentrou-se em comunidades quilombolas de Itacaré: Porto de Trás, Santa Mara e João Rodrigues. Ali, os pesquisadores observaram que determinadas formas de falar aparecem associadas a experiências concretas da vida cotidiana.

Segundo Gabriel, o português utilizado nessas comunidades estabelece relações com “o rio, as práticas esportivas e também a vida em comunidade”, num repertório construído a partir das experiências compartilhadas pelos moradores.

Nos terreiros de candomblé, a pesquisa observou a importância do silêncio, do uso da linguagem em espaços específicos e do hábito permanente de pedir licença e bênção.

ÁFRICA DO SUL

A etapa desenvolvida na África do Sul levou a pesquisa para outro contexto marcado pela segregação racial. O trabalho de campo ocorreu no mês passado, nos Cape Flats, bairros periféricos criados durante o regime do apartheid para abrigar pessoas negras e mestiças, classificadas pelo governo sul-africano como coloreds.

“Nós queremos entender como as pessoas criam as suas construções semânticas nesse tempo-espaço”, explica Gabriel. Na Linguística, essas construções correspondem ao que os pesquisadores chamam de repertórios linguísticos: registros de linguagem capazes de revelar formas de ativismo, participação política, resistência e arte, por exemplo.

RACISMO LINGUÍSTICO 

Dois conceitos orientam a pesquisa. O primeiro é o de racismo linguístico, tema ao qual Gabriel Nascimento tem dedicado parte importante de sua produção acadêmica. “Queremos entender de que maneira essas línguas são afetadas por racismo linguístico”, afirma. O pesquisador cita situações em que determinados modos de falar deixam de ser reconhecidos por instituições como a escola ou passam a ser vistos de forma negativa.

O segundo conceito aparece como contraponto. Gabriel o chama de cidadania linguística. “É justamente o oposto do racismo linguístico. É quando as pessoas se apropriam das línguas para performar formas e valores”, resume. Para ilustrar a ideia, ele recorre ao exemplo da abaixo-assinado.

Projeto reforça cooperação internacional || Foto Divulgação

COOPERAÇÃO INTERNACIONAL

Além da pesquisa conduzida por Gabriel Nascimento na Cidade do Cabo, o projeto mantém uma frente de investigação em Luanda, Angola, sob responsabilidade da doutoranda Ana Carolina, que atuará na colaboração e na coleta de dados. A equipe também reúne o doutorando Nicolas Oliveira Santos, que desenvolve parte da pesquisa na África do Sul, e os mestrandos Daniel Oliveira e Grace Kelly de Oliveira, ambos vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Ensino e Relações Étnico-Raciais da UFSB. Os dois colaboram voluntariamente com as atividades do estudo.

A parceria entre a Universidade Federal do Sul da Bahia e o Centro de Pesquisas em Multilinguismo e Diversidade da University of the Western Cape começou em 2020 e já produziu 13 publicações científicas em países como Brasil, Estados Unidos e Reino Unido. Ao longo desse período, a colaboração captou mais de meio milhão de reais junto a agências de fomento brasileiras, norte-americanas e sul-africanas, entre elas CNPq, Fulbright e Human Sciences Research Council.

Rio do Engenho abriga Capela de Nossa Senhora de Santana || Foto Blog do Gusmão
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A Festa Memorial Senhora Sant’Ana terá programação, a partir desta sexta-feira (25), no Rio do Engenho, zona rural de Ilhéus. A celebração homenageia Senhora Sant’Ana e São Joaquim, com atividades religiosas, culturais e de valorização da memória local.

O ponto alto será a procissão fluvial no sábado (26). Os embarques começam às 9h, na Colônia de Pescadores Z-19, no Pontal, com destino ao Rio do Engenho.

O percurso leva fiéis e visitantes à comunidade onde está uma das igrejas mais antigas do Brasil, a Capela de Nossa Senhora de Santana, erguida no século 16 pelos jesuítas e tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Com apoio da Prefeitura de Ilhéus, a festa também movimenta o turismo religioso e a economia do povoado, que tornou-se referência da gastronomia pesqueira no município.

Escritora grapiúna leva sexto livro de poesia às principais feiras literárias do País || Foto Divulgação
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Com vasta produção literária que transita entre a leveza e a força da palavra, a poeta Renata Ettinger, natural de Itabuna, apresenta seu sexto livro, Tentacular: Poemas de Tempo, Memória e Amor em duas das principais feiras literárias do Brasil: a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), de 22 a 26 de julho, no Rio de Janeiro, e a 10ª Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), de 5 a 9 de agosto, em Salvador.

A maratona de pré-lançamento começa na Flip, com participação no Sarau das Escreviventes, nesta quinta-feira (23); sessão de autógrafos de Tentacular na sexta (24), às 19h, além das participações no Sarau no Cais e no Sarau América Latina: Território de Poesia, este último decorrente do 2º Concurso Arpillera de Poesia, no qual Renata conquistou o 1º lugar. No sábado (25), a escritora promove a Oficina de Poemas em Voz Alta e participa da mesa A escrita Breve na Era das Redes Sociais: Os Novos Caminhos da Escrita.

FLIPELÔ

Na sequência, Renata segue para a Flipelô. A agenda da autora começa na quinta-feira (06/08), às 18h, quando comanda o Sarau Onde se lê Poesia na Vila Literária (Largo Tereza Batista), ao lado de Maria Ávila e das convidadas Thaíse Santana e Mara Santos. No sábado (08/08), às 17h30min, a dupla se reúne novamente na Casa Motiva (Vale do Dendê) para uma edição especial do Clube de Leitura Onde se lê Poesia, em homenagem a obra de Myriam Fraga. No domingo (09/08), às 18h, a escritora participa do Sarau de Poesia na Casa das Editoras Baianas (Solar do Ferrão).

“Tentacular é um livro que nasceu de um trabalho artístico, que fiz primeiramente em uma aula de pintura. Essa estrutura original e afetiva inspirou a edição atual da Arpillera, costurado à mão num formato diferente. É um livro onde cada dobra/costura funciona como um tentáculo, acolhendo poemas que transitam pelo tempo, pela memória e pelo amor”, conta a autora, que também assina as ilustrações da obra.

POEMAS DE TEMPO, MEMÓRIA E AMOR

No seu sexto livro de poemas, publicado pela Editora Arpillera, Renata Ettinger investiga as marcas deixadas pelo tempo no corpo e na palavra. Dividido em três movimentos, o livro reúne poemas que transitam entre a infância, o luto, o amadurecimento e o amor. Com linguagem delicada e imagética, a autora constrói um mapa das permanências e das mudanças que habitam o ser humano.

“Os poemas deste livro habitam as dobras do tempo. A estrutura artesanal dialoga diretamente com o ritmo dos versos: cada dobra revela uma permanência, uma ausência, um vislumbre de infância ou de amor. Tentacular é um convite para olhar para dentro, para acolher as transformações que nos atravessam e perceber a delicadeza e a força que existem no ato de amadurecer”, reflete a autora.

A obra está disponível para compra no site oficial da autora.

Brunno de Jesus traz espetáculo de dança consagrado a Itabuna || Foto Divulgação
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O Centro de Cultura Adonias Filho, em Itabuna, recebe na próxima quarta-feira (22), às 19h, o espetáculo Da Própria Pele, Não Há Quem Fuja, do coreógrafo, bailarino e pesquisador baiano Brunno de Jesus. A apresentação é gratuita e integra a circulação comemorativa dos 10 anos da obra. Antes do espetáculo, às 16h, o artista ministra a oficina Pisa-pé como pensamento coreográfico, também com entrada franca.

A montagem é considerada uma referência da dança negra contemporânea brasileira e faz parte da programação do Quarta que Dança – Circuito I – 2026, promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), vinculada à Secretaria de Cultura da Bahia.

Inspirado na ancestralidade e nas culturas afro-brasileiras, o espetáculo transforma memórias, afetos e saberes em linguagem coreográfica. A obra dialoga com referências como os orixás, a Zambiapunga e os Mandus do Recôncavo Baiano, propondo uma reflexão sobre identidade, pertencimento e memória.

O elenco reúne artistas negros, LGBTQIAPN+, praticantes do candomblé e o bailarino cadeirante Marcelo Santos, reforçando o compromisso da montagem com a diversidade e a acessibilidade. A oficina é voltada a bailarinos, estudantes, artistas e interessados em conhecer os processos de criação desenvolvidos por Brunno de Jesus.