Inscrições começaram hoje (30) e seguem até 19 de abril || Imagem Divulgação
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A Prefeitura de Uruçuca lançou editais da Política Nacional Aldir Blanc (Pnab), com investimento superior a R$ 100 mil para fortalecer a produção cultural no município. A iniciativa busca apoiar artistas, grupos e produtores locais.
As inscrições começaram hoje (30) e seguem até 19 de abril de 2026. Os interessados podem se inscrever via formulário digital, por e-mail ( pnaburucuca@gmail.com) ou na Diretoria de Cultura do Município, localizada na R. Rui Barbosa, 34.
A ação integra a política federal de incentivo ao setor cultural e amplia o acesso a recursos. O objetivo é estimular a criação artística e valorizar as manifestações culturais locais.
Segundo a gestão municipal, o investimento reforça o apoio aos agentes culturais e impulsiona a economia criativa em Uruçuca. ACESSE O EDITAL.
Jorge Amado, Zélia Gattai, Simone Beauvoir, Jean Paul Sartre e convidados na Fazenda Progresso || Foto Diário de Itabuna
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Como não poderia deixar de ser, no sábado, Jorge e Zélia Amado, Otoni Silva e Moisés Alves da Silva ciceronearam os filósofos Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir ao distrito de Ferradas.
Walmir Rosário
Era uma sexta-feira daquelas qualquer, que não prometia nada de especial ao Itabunense. Entretanto, o dia 19 de agosto de 1959 entrou na história do povo grapiúna. Logo pela manhã chega o voo de Salvador e descem quatro personagens internacionais. Naquele dia, nada de recepções, banda de música, charanga ou uma bela comissão de boas-vindas. Tudo normal, ou quase isso.
Assim que o avião estaciona no aeroporto Tertuliano Guedes de Pinho, apenas uma pessoa demonstrava nervosismo ao vislumbrar quatro passageiros assomarem a porta do aparelho e descerem a escada. Era Moisés Alves da Silva, um generoso mecenas, tido como grande amante das artes, incluída aí a literatura e a filosofia.
Assim que os dois ilustres casais pisam em solo grapiúna, trocam longos e afetuosos cumprimentos e efusivos abraços com Moisés. Pelo que se sabe, ele, Moisés, era o segundo itabunense a ter contato com o casal de filósofos franceses representantes do existencialismo, Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir. Eles mesmos, em carne e osso em solo grapiúna. Um sonho realizado.
Jean Paul Sartre e Jorge Amado na Fazenda Progresso || Foto Diário de Itabuna
O outro casal era bastante conhecido, sendo ele um itabunense da gema, nascido em Ferradas e considerado o mais lido romancista do mundo, portanto um conterrâneo de renome internacional. Ao seu lado, como esperado, sua esposa, Zélia Gattai, chamada pelos jornalistas do Diário de Itabuna de Zélia Amado, em respeito ao nome de família do esposo, nosso ídolo das letras.
Pelo que se comentou, a visita teria sido programada pelo deputado federal e líder do governo federal na Câmara, Aziz Maron. O silêncio em relação às visitas seria apenas uma estratégia para não transtornar a permanência dos visitantes com centenas ou milhares de pessoas de toda a região, tornando improdutiva a pesquisa que pretendiam fazer sobre a vida do homem do campo, mais exatamente na cacauicultura.
O casal Simone de Beauvoir e Sartre na Fazenda Progresso || Foto Diário de Itabuna
Do aeroporto direto para o Lord Hotel, onde foram acomodados por Nelson Muniz Barreto. Após uma rápida toilette e um lanche, partiram para a Fazenda Progresso, do Coronel Nicodemos Barreto, parte do grupo de fazendas que iria até Buerarema. Apesar de não contar com a presença do coronel e dos filhos, foram recebidos nababescamente na propriedade.
De início, beberam mel de cacau, chuparam a polpa das amêndoas, doces e ácidas, subiram nas barcaças onde secavam as amêndoas, não se amedrontaram e entraram nas plantações, apesar de serem alertados sobre os riscos de animais peçonhentos, cobras, inclusive. Conversaram com os trabalhadores rurais para conhecer de perto o “operário agrícola”, sua vida, família, moradia e salário.
Após agradecer a gentil e tradicional hospitalidade da família Barreto, almoçaram no Lord Hotel e rumaram para Ilhéus. Desta vez, a curiosidade de Sartre era conhecer a vida e o trabalho numa pequena fazenda de cacau, uma burara, como explicou Jorge Amado. Em Ilhéus visitaram amigos de Jorge, o porto e locais turísticos da cidade.
À noite novos compromissos, e já reservada para os visitantes receberem os intelectuais itabunenses e da região, uma considerável legião de admiradores, que colheram autógrafos dos filósofos franceses e do escritor conterrâneo em seus livros. De acordo com os jornalistas do Diário de Itabuna e da Rádio Clube de Itabuna, foi uma festa da inteligência, da elegância e do culto à ilustração.
Na manhã seguinte, um sábado, 20 de agosto, Jorge Amado, Sartre e Simone concederam a prometida entrevista à Rádio Clube de Itabuna, capitaneado pelo diretor Otoni Silva, coadjuvado pelo advogado Wilde Oliveira Lima e o jornalista Cristóvão Colombo Crispim de Carvalho. A esperada entrevista foi anunciada para ir ao ar nos próximos dias, em data e horário exaustivamente anunciados.
Como não poderia deixar de ser, no sábado, Jorge e Zélia Amado, Otoni Silva e Moisés Alves da Silva ciceronearam os filósofos Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir ao distrito de Ferradas, berço de Jorge Amado. Posaram para fotos em frente à casa do escritor, num preito de gratidão e reconhecimento à terra natal de Jorge Amado.
Em seguida, seguiram para o aeroporto Tertuliano Guedes de Pinho, em Itabuna, e tomaram o primeiro voo com destino a Salvador, onde os aguardavam vários círculos da mais fina intelectualidade baiana. E assim Itabuna viveu dois dias como sendo a capital do existencialismo da liberdade individual, embora eu não conheci o prometido estudo do trabalhador do cacau.
Casa de Cultura Jonas e Pilar convida público para o último final de semana do Mês do Teatro e do Circo || Foto Divulgação
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A Casa de Cultura Jonas&Pilar, em Buerarema, entra no último final de semana do Mês do Teatro e do Circo com eventos gratuitos e opções a preços populares. A programação começa hoje (27), às 19h, com a oficina de mágica Efeito Cartola. O arte-educador Gustavo Britto sobe ao palco com seus alunos e apresenta números inspirados no universo circense. A atividade é gratuita.
Neste sábado (28), às 19h, o espaço recebe a exibição de dois documentários sobre a cidade. O primeiro é Conhecendo Buerarema, dirigido por Júlia Vale, que aborda aspectos históricos, ambientais e urbanísticos do município. Na sequência, será exibido O Voo do Macuco, dirigido por José Delmo, que apresenta a trajetória do Grupo de Artes Macuco a partir de elementos ficcionais. A entrada é gratuita.
A programação termina no domingo (29), às 19h30min, com o espetáculo A Fala do Santo. A montagem é baseada na obra do professor, poeta e babalorixá Ruy Póvoas e traz histórias com ensinamentos sobre a vida em sociedade, inspiradas em contos (itans) do candomblé. Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).
As atividades são promovidas pelo Instituto Macuco Jequitibá, com apoio da Prefeitura de Buerarema e do Governo da Bahia.
Evento terá show ao vivo da cantora Laiô || Imagem Divulgação
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Ilhéus recebe neste sábado (21) mais uma edição da Feira Cultural Terra da Gabriela, promovida pela Associação Terra da Gabriela. O evento começa às 16h, no estacionamento em frente à Praça Castro Alves, na Avenida Soares Lopes, no Centro, e integra a programação especial do Mês da Mulher.
A feira reúne expositores de artesanato regional e opções da gastronomia típica do sul da Bahia, com foco no fortalecimento da economia criativa local. A programação inclui ainda apresentação da cantora Laiô, que sobe ao palco às 19h com um repertório de MPB ao vivo. O evento conta com apoio da Prefeitura de Ilhéus.
Maestro Arnaldo Dias atua na formação de novos músicos || Foto Walmir Rosário
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Outro desafio lançado pelo presidente José Vanderley ao maestro Arnaldo Dias foi reorganizar a Filarmônica Euterpe Itabunense, trabalho que vem sendo feito com treinamento dos músicos.
Walmir Rosário
Atualmente pouquíssimas instituições beneficentes conseguem sobreviver prestando serviços aos seus associados e à comunidade em geral. Em Itabuna, uma delas, a Sociedade Montepio dos Artistas de Itabuna, caminha em sentido contrário e pretende comemorar seus 107 anos de fundação em 1º de novembro de 2026 em perfeita sintonia com as propostas do seu Estatuto.
As dificuldades são enormes, ressalta o presidente da Assembleia Geral da Entidade, José Vanderley Borges de Sousa (Vando), mas, apesar dos percalços, estamos conseguindo promover uma reestruturação. Para o presidente, com as mudanças nas áreas da assistência e da previdência, muitas das atribuições beneficentes do Montepio perderam espaço, e com isso recursos para atuação.
Como uma das atribuições do Montepio é manter a Filarmônica Euterpe Itabunense, a direção da Sociedade envida esforços para formar novos músicos entre os jovens e mantê-la viva e atuante. Criada em 1925, fez sua primeira tocata por ocasião da comemoração da Independência do Brasil, no dia 7 de Setembro daquele ano, tendo como maestro o professor Rosemiro Pereira.
O presidente da Montepio, José Vanderley || Foto Walmir Rosário
O ensino da música aos artistas e operários se tornou uma tradição do Montepio, por meio da Filarmônica Euterpe Itabunense, que se rivalizava com outras coirmãs pela distinção dos fardamentos e qualidade dos músicos e repertório. No calendário das apresentações, o dia 19 de março (Padroeiro de Itabuna, São José), 1º de Maio (Dia do Trabalhador), 28 de Julho (Dia da Cidade), 7 de Setembro, dentre outras ocasiões festivas.
Pela Filarmônica Euterpe Itabunense passaram regentes e músicos conceituados. Dentre os mais recentes, o maestro Zózimo, o sargento PM e maestro Carlos, o maestro Heleno e Wellington Quintas, este falecido recentemente. Outro destaque é o professor Adilson Alves dos Santos (Dilsinho), representante da Ordem dos Músicos do Brasil em Itabuna e região.
E a formação dos novos músicos continua sendo das atividades prioritárias da diretoria do Montepio. Atualmente quem comanda a educação musical dos futuros músicos é o maestro Arnaldo Dias, profissional com mais de 52 anos de experiência profissional em instrumentos e arranjos musicais de filarmônicas, bandas e orquestras.
O maestro Arnaldo Dias, com passagem na extinta Filarmônica Carlos Gomes (Itabuna), na Banda Los Tropicanos; na Banda Solo, na Banda Lordão por 30 anos, nesta responsável por tocar instrumentos de sopro e escrever os arranjos. Longe de pensar em aposentadoria, aceitou o convite do presidente José Vanderley para dinamizar a Filarmônica Euterpe Itabunense.
Filarmônica Euterpe Itabunense em 1936 || Foto Walmir Rosário
Atualmente o professor Arnaldo Dias é responsável pela capacitação da turma de jovens, aos sábados, que não se limitar a formar profissionais da música, mas cidadãos bem postos na sociedade, como faz questão de completar. “Eles chegam aqui com muita vontade de aprender, muitos deles com o sonho de tocar determinados instrumentos, o que mostra que são vocacionados”, conta o maestro Arnaldo.
Dentre os instrumentos preferidos entre os jovens estão o saxofone, trompete, flauta e clarinete. Assim que chegam, verificamos a intimidade com o instrumento e oferecemos algumas opções, a depender do que cada um pretende seguir no futuro. Como exemplo, o clarinete e o bombardino são dispositivos que requerem leitura mais apurada, notadamente nas filarmônicas.
Outro desafio lançado pelo presidente José Vanderley ao maestro Arnaldo Dias foi reorganizar a Filarmônica Euterpe Itabunense, trabalho que vem sendo feito com treinamento dos músicos. Na opinião do maestro, os músicos disponíveis na instituição são excelentes para uma orquestra de câmara, mas ainda não possuem treinamento em filarmônica.
A grande diferença é que na orquestra de câmara os músicos tocam seus instrumentos sentados ou em pé, mas parados, enquanto na filarmônica eles precisam se movimentar, tocar andando. Outras diferenças são a quantidade de músicos, menores na orquestra de câmara e maiores na filarmônica; bem como o repertório, peças para grupos menores na câmara, enquanto grandes sinfonias na filarmônica.
E o maestro Arnaldo Dias fala com entusiasmo do trabalho de reestruturação que vem sendo realizado na Filarmônica Euterpe Itabunense, cujo público se encanta durante as apresentações, desde as crianças até os mais idosos. Mais importante, ainda, segundo ele, será a transformação dos jovens em músicos com capacidade em tocar não apenas de ouvido, como se diz, mas de ler e interpretar partituras de autores diversos e renomados por séculos.
O presidente José Vanderley ressalta o esforço hercúleo que a Sociedade Montepio dos Artistas de Itabuna vem empreendendo para transformar, com parcos recursos, a realidade da juventude itabunense. “Ele chegam aqui entusiasmados com o que pode acontecer em suas vidas, e com certeza ganharão uma profissão e realizarão seus sonhos como artista”, resume o presidente da Assembleia Geral do Montepio.
Capa do livro O Cavalo do Bandido Sempre Sai na Frente, de Rodrigo Melo || Montagem PIMENTA
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O escritor ilheense Rodrigo Melo acaba de lançar seu quinto livro, O Cavalo do Bandido Sempre Sai na Frente. A obra reúne 20 textos, que revisitam a crônica literária a partir do estilo marcante do autor, um mestre da concisão e da autoironia.
Também está ali a característica que atravessa as obras dos grandes cronistas, a capacidade de transformar o cotidiano mais banal em matéria-prima literária. Desse olhar acurado para o mundo da vida, nasce uma escrita fluida, que leva o leitor do riso à reflexão numa frase.
Para o jornalista Thiago Dias, do PIMENTA, Rodrigo Melo faz justiça à tradição da crônica brasileira. “É um autor em que a sofisticação está na escrita simples, na busca pela comunicação direta e íntima com o leitor, um Luís Fernando Veríssimo ou Fernando Sabino grapiúna”.
O Cavalo do Bandido Sempre Sai na Frente foi editado pela P55 e está disponível para compra no site da editora. Abaixo, leia o texto de abertura do livro.
UMA QUEDA TERRÍVEL
Rodrigo Melo
Dia desses, conversando com um amigo sobre vexames passados em público, recordei de uma queda que levei em um show de pagode. Não me pergunte como parei lá, mas lembro que estava ébrio e lançava o meu charme para uma morena que, embaixo de um toldo, fugia da garoa. Tinha os cabelos negros, que se derramavam até o meio das costas, e um desses olhares que chamam a gente. Eu sorria e ela, entre outras duas morenas, sorria de volta, e o seu jeito era encantador. Uma hora, peguei coragem e fui em sua direção.
Acontece, no entanto, que o local do show era aberto, havia chovido bastante naquela noite e os produtores do evento, talvez por medo de algum processo, colocaram tábuas de madeira, como uma espécie de ponte ou tapete, para que as pessoas não escorregassem na lama grossa e traiçoeira do lugar. E acontece também que, além de estar ébrio, os meus sapatos estavam gastos, os solados não dispunham do mínimo de aderência, eram lisos como um piso encerado. Mas nada daquilo importava: eu tinha um objetivo e seguia, confiante, rumo a ele, crente que a roda da vida giraria e tudo enfim se tornaria um eterno mar de rosas, quando, do nada, o chão desapareceu sob os meus pés e, por um ou dois segundos, me vi suspenso, planando no ar — tempo suficiente para recapitular toda a minha existência, que já tinha uma razoável quilometragem —, e, em seguida, me esborrachei de vez sobre a água e a poça de lama. Foi uma queda terrível, de imediato senti a minha bunda e as minhas costas doerem, e escutei os gritos e as risadas às minhas costas. Altas e longas. Bem longas. E, depois disso, eu apenas me levantei, chutei a tábua e segui em direção à saída, sem olhar pra trás.
Talvez tenha sido ali, a partir daquele instante, que comecei a ser um escritor.
À esq., matéria de Jorge Amado para a imprensa carioca || Imagens Reprodução
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A riqueza gerada pela lavoura do cacau transformou Ilhéus em símbolo de modernização no interior do Nordeste no início do século 20, afirmam os professores Marcial Cotes e Elvis Barbosa, da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc). No artigo Cacau, Imprensa e Urbanização: A Inauguração do Estádio Mário Pessoa, em Ilhéus, e a Repercussão Nacional, os pesquisadores constatam que os recursos da economia cacaueira financiaram obras urbanas, escolas e equipamentos esportivos que mudaram a paisagem da cidade.
Um dos símbolos desse período, afirmam, foi a construção do Estádio Mário Pessoa, inaugurado em 1940. O equipamento chamou atenção pelo tamanho e pela estrutura para a época. De acordo com o estudo, ele chegou a ser considerado “o maior estádio municipal da região Nordeste e o segundo maior do país, superado apenas pelo Pacaembu”, em São Paulo.
O crescimento urbano ocorreu em paralelo à expansão da produção cacaueira. Dados históricos citados pelos pesquisadores indicam que Ilhéus liderava a produção regional nas primeiras décadas do século 20, com área cultivada e número de cacaueiros superiores aos de cidades vizinhas, a exemplo de Canavieiras e a recém-emancipada Itabuna. Esse cenário consolidou o município como centro econômico da região e permitiu investimentos em infraestrutura urbana.
Além do estádio, a cidade recebeu obras de pavimentação, iluminação pública e construção de escolas, incluindo o primeiro ginásio municipal do interior da Bahia, o Instituto Municipal de Ensino Eusínio Lavigne, legado da gestão do prefeito que lhe dá nome, no final da década de 1930.
Para os autores, esses investimentos buscavam projetar uma imagem de progresso e concluem:
– A riqueza gerada pela monocultura cacaueira anuiu investimentos significativos em urbanização, lazer e educação.
FUTEBOL E PROJEÇÃO
O Estádio Mário Pessoa em registro de 2023 || Foto Danilo Matos/Ilhéus24h
Com a inauguração do Estádio Mário Pessoa, o futebol ganhou um templo vistoso da cidade. O estudo observa que “a monumentalidade do estádio não servia apenas para a promoção do futebol”, mas também para reforçar a imagem de desenvolvimento urbano de Ilhéus.
A imprensa também ajudou a divulgar esse momento de prosperidade. Jornais da época registraram obras e inaugurações e associaram o crescimento urbano à riqueza da região cacaueira. Essa cobertura reforçou a percepção de que Ilhéus vivia período de forte desenvolvimento econômico.
A ILHÉUS DE JORGE PARA A REVISTA CARIOCA
Numa matéria especial sobre Ilhéus para a Revista Carioca, em agosto de 1939, Jorge Amado retratou uma cidade em acelerado desenvolvimento urbano, associado à riqueza do cacau.
“As edificações caras, os jardins que se sucedem, as muitas obras em início que sempre existem, mostram ao viajante que está diante de uma cidade que tem dinheiro e trabalha”, escreveu o grande mestre da literatura.
Segundo os pesquisadores, o conjunto de obras tinha um objetivo claro: projetar Ilhéus como centro urbano moderno no sul da Bahia. A cidade buscava superar a condição de periferia regional e se apresentar como referência de progresso.
Banda sul-baiana e novo fenômeno dos paredões apresentam Rabão Vai Tremer || Foto Divulgação
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O Trio da Huanna iniciou 2026 com o lançamento da música Rabão Vai Tremer, parceria com o cantor Eduardinho dos Teclados. A faixa já está disponível nas plataformas digitais e aposta no ritmo da arrochadeira para conquistar o público.
A canção reúne o swing característico dos irmãos Luizinho, Lúcio e Netto com a batida marcante que tem impulsionado Eduardinho entre os nomes da nova geração do gênero. A colaboração busca ampliar o alcance da música entre os fãs dos dois projetos.
O lançamento ocorre após uma sequência de apresentações do Trio da Huanna no Carnaval, com shows em cidades da Bahia, Pernambuco e Alagoas. A nova faixa chega como a primeira aposta do grupo para o ano.
Com refrão dançante e proposta voltada para festas e paredões, a expectativa é que a música ganhe espaço nas redes sociais e no circuito de eventos populares. Ouça agora.
Espetáculo será apresentado em comunidades tradicionais de Ilhéus e Uruçuca || Foto Divulgação
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O projeto cultural Águas do Atlântico inicia neste mês uma turnê por territórios tradicionais do sul da Bahia, com apresentações gratuitas que unem dança, música ao vivo e reflexão ambiental. A circulação prevê atividades em aldeias indígenas, escolas, terreiros e comunidades rurais, com o objetivo de aproximar arte e educação ambiental.
O espetáculo reúne artistas de diferentes países da América Latina e dialoga com memórias da Favela da Maré, no Rio de Janeiro, além de tradições indígenas colombianas. No palco, a bailarina e acrobata Nanci Cravinho interpreta o personagem Peixe que Voa, inspirado nas raízes da Praia de Ramos e na força das mulheres da periferia. A artista Erika Sánchez, de ascendência indígena Zenú, incorpora elementos de espiritualidade e rezos tradicionais da Colômbia, criando uma ponte cultural entre os povos ligados pelo Oceano Atlântico.
A montagem mistura dança contemporânea, acrobacias aéreas, capoeira e ritmos caribenhos. A trilha sonora é executada ao vivo pelos músicos Cristian Cordova, do Chile, e Franco Shanahan, da Argentina, com participação de mestres da cultura popular brasileira, como Mestre Mosquito (Samuel Teixeira) e Mestre Timbalada (Moacir Souza). Após as apresentações, a equipe também promoverá rodas de conversa sobre saberes ancestrais e rituais tradicionais da América Latina.
PROGRAMAÇÃO
A turnê começa no dia 20 de março, às 10h, na Escola Estadual de Serra Grande, no município de Uruçuca. No dia seguinte, 21 de março, o espetáculo será apresentado às 16h no Restaurante da Tia Fran, na Represa de Serra Grande, também em Uruçuca. Esta sessão contará com tradução em Libras.
A terceira apresentação está marcada para 27 de março, às 8h, na Aldeia Tupinambá de Olivença, em Ilhéus. No dia 5 de abril, às 9h, o espetáculo integra a programação do batizado do Grupo Novos Bahianos, em Uruçuca. Uma quinta apresentação ainda terá data e local confirmados pelos organizadores.
Além das atividades artísticas, a iniciativa adotou medidas de acessibilidade para ampliar o acesso do público. Entre os recursos previstos estão tradução em Libras em uma das sessões, espaços adaptados para cadeirantes, assentos destinados a pessoas obesas e iluminação adequada para garantir conforto e inclusão durante as apresentações.
O projeto é executado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), programa do Governo Federal em parceria com estados e municípios para fortalecer a produção cultural.
Isaac Albagli reúne textos de opinião no livro 70 Faróis de Palavras || Fotos Divulgação
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O engenheiro Isaac Albagli lança neste sábado (14), às 19h, o livro 70 Faróis em Palavras, na sede da Academia de Letras de Ilhéus, localizada na Rua Antônio Lavigne de Lemos, 47, próximo ao Teatro Municipal, no Centro Histórico.
A obra reúne 70 artigos publicados por Isaac Albagli ao longo de sua atuação como homem público. Os textos circularam em sites e veículos impressos de diferentes regiões da Bahia e abordam temas políticos, sociais e culturais.
Isaac é ex-vereador e ex-secretário municipal. Também exerceu cargos na esfera estadual, como presidente da Bahia Pesca. O livro tem edição da Editora Mondrongo. O lançamento será aberto ao público.
Coletivos podem inscrever propostas até o próximo dia 25, pela internet || Foto Divulgação
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Coletivos, associações e grupos informais liderados por mulheres na Bahia já podem se inscrever no Edital Mulheres, Articulação, Rede e Amplificação (Mara), iniciativa que oferece consultoria gratuita em comunicação estratégica e posicionamento de marca. A ação foi lançada pela Voah – Comunicação Estratégica e Branding em alusão ao Dia Internacional da Mulher e vai selecionar dois projetos para participar do processo de acompanhamento ao longo de seis meses.
O programa pretende ajudar organizações femininas a estruturar narrativas, fortalecer identidade institucional e ampliar a presença pública de projetos que já atuam em seus territórios. De acordo com as idealizadoras do edital, Marcela Souza e Michelle Matos, o trabalho começa com um diagnóstico detalhado da realidade de cada projeto. A partir dessa análise, são definidas estratégias de posicionamento, diferenciação e planejamento de comunicação, com acompanhamento contínuo e ajustes durante o processo.
As iniciativas selecionadas passarão por uma jornada de fortalecimento institucional que inclui diagnóstico estratégico, revisão de marca e identidade visual, além de planejamento de conteúdo e presença digital. As representantes também serão integradas à mentoria Rota Safira, programa voltado à formação de lideranças femininas e à criação de redes de colaboração entre empreendedoras.
As inscrições podem ser feitas até 25 de março, por meio de formulário disponível neste link. Podem participar grupos com pelo menos um ano de atuação nas áreas social, cultural, educativa ou comunitária, com prioridade para iniciativas que atuam em periferias e comunidades. O resultado será divulgado até 10 de abril, e as consultorias devem começar ainda no mesmo mês.
Grupo selecionou 17 artistas para imersão formativa || Foto Divulgação
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O Teatro Popular de Ilhéus divulgou, nesta segunda-feira (9), o resultado da seleção de participantes da residência artística “Teatro, Memória e o Relatório Figueiredo”. A atividade será desenvolvida entre os dias 16 e 20 de março, na Escola Agrícola e Comunitária Margarida Alves, localizada na rodovia Ilhéus–Uruçuca. Ao todo, mais de 100 artistas se inscreveram para participar da imersão.
Inicialmente, a residência previa 15 vagas, mas a organização decidiu ampliar o número para 17 participantes diante da qualidade das propostas recebidas. De acordo com o diretor e dramaturgo do grupo, Romualdo Lisboa, os artistas selecionados serão contatados diretamente pela equipe do projeto, por meio do WhatsApp, para receber orientações sobre logística, programação e preparação para as atividades.
A residência artística integra o processo de criação de um novo espetáculo do Teatro Popular de Ilhéus inspirado no Relatório Figueiredo, documento produzido em 1967 que revelou crimes sistemáticos cometidos contra povos indígenas no Brasil durante a ditadura empresarial-militar. Durante cinco dias de imersão, os participantes vão desenvolver atividades de pesquisa, reflexão e criação cênica orientadas pela equipe do grupo.
Foram selecionados para a residência Alice Guedes Reguly, André Ramos dos Santos, Armindo Rodrigues Pinto, Bruna Gomes Ferreira, Fabiana Leão da Silva, Gabriel dos Santos Carvalho, Gabriel Grilli e Sousa, Larissa Costa Paixão, Mariane Lobo Costa Cardoso, Otacílio José de Oliveira Neto, Rafael de Souza Silva, Raimundo Rodrigues Alves, Rebeca dos Santos Rocha, Rony Cácio Feitosa da Silva, Sérgio Felipe Porto Coelho, Thiago Santos Costa Nunes e Wallace Souza dos Santos.
Secult-BA lançou editais nesta terça (3), em Salvador || Foto Caio Diniz/GovBA
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O Governo do Estado vai investir R$ 10,1 milhões em ações culturais por meio do Ciclo II dos Editais Cultura Viva Bahia. O pacote reúne seis editais e prevê a seleção de 149 propostas entre premiações e fomento direto a Pontos e Pontões de Cultura, coletivos e entidades. As inscrições começaram hoje (4) e seguem até 31 de março. Após essa etapa, os projetos passam por análise técnica e documental antes da liberação dos recursos.
O programa é executado pela Secretaria de Cultura do Estado (Secult-BA) e integra a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Pnab), iniciativa do Governo Federal em parceria com estados e municípios. A proposta assegura investimento contínuo no setor e fortalece iniciativas já existentes nos territórios.
Durante o lançamento, em Cajazeiras, Salvador, o secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro, defendeu a democratização do acesso aos recursos. Ele afirmou que a cultura deixou de ser privilégio de poucos e destacou o caráter territorial da política pública. Segundo o secretário, a Bahia reúne cerca de 1.600 Pontos de Cultura certificados e 700 escolas de tempo integral, que passam a integrar o eixo estratégico do novo ciclo.
Um dos focos é aproximar cultura e educação. O edital Cultura e Educação Ponto a Ponto vai financiar atividades culturais em escolas estaduais de tempo integral, com ênfase na formação cultural e socioambiental. Já o Cultura Viva na Bahia – Ano II apoia ações continuadas por 12 meses nos territórios, enquanto o QualiCultura Viva fortalece Pontões responsáveis por articular redes regionais.
INDÍGENAS E LGBTQIAPN+
O ciclo também cria recortes específicos. O Prêmio Pontos de Cultura Indígena contempla iniciativas em territórios indígenas, certificadas ou não. A superintendente de Políticas para Povos Indígenas da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais, Patrícia Pataxó, afirmou que a medida fortalece tradições e garante que os recursos cheguem às comunidades. Ela lembrou que o estado abriga mais de 34 povos indígenas.
Outra novidade é o Prêmio Orgulho LGBTQIAPN+, voltado a iniciativas de organização de paradas e ações de visibilidade. No lançamento, realizado na sede da Associação de Arte e Cultura Social (Cajaarte), o diretor Wilson Amorim Júnior destacou o papel das ações culturais na proteção da juventude em contextos de vulnerabilidade. Para o secretário Bruno Monteiro, a ampliação dos editais busca enfrentar desigualdades históricas e ampliar o alcance das políticas culturais em todo o estado.
Filme Raiz de Maré já está disponível na internet || Foto Mariana Cabral/Divulgação
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O documentário Raiz de MarÉ – De Água a Água apresenta ao público experiências de mulheres negras e indígenas do território Tupinambá de Olivença, no sul da Bahia, ao conectar memória, cultura popular, meio ambiente, equidade de gênero e luta por direitos. O filme, já disponível ao público, registra as vivências cotidianas e a atuação política de marisqueiras, pescadoras, artesãs, mães, avós e jovens lideranças.
Filmado em paisagens marcadas pela presença do mar, dos rios e da Mata Atlântica, o filme mostra como as práticas da pesca e mariscagem contribuem para consolidar as relações comunitárias e culturais do povo Tupinambá de Olivença. Para isso, traz histórias de cinco mulheres – Ana Liz Tupinambá, Ana Maria Oliveira de Almeida, Vilma Serqueira da Silva, Eliana Batista dos Santos e Raimunda Guedes Alves – destacando seus contextos desafiadores e historicamente marcados por desigualdades.
Elas falam sobre a relação com a natureza e seus fazeres e saberes, como os recursos naturais foram primordiais para a criação de suas famílias e como elas se tornam guardiãs das águas e das matas que as rodeiam. Ana Liz Tupinambá – liderança jovem, mulher travesti e educadora – é o fio condutor que dialoga com todas as personagens que aparecem no vídeo.
“A escolha da linha narrativa, centrada no protagonismo feminino e na relação com as águas, dialoga diretamente com o contexto atual, no qual se faz urgente ampliar e potencializar as vozes de mulheres indígenas e negras”, conta a professora da Universidade Federal do Sul da Bahia, Fabiana Costa, que assina a direção com a artista visual Mariana Cabral.
Jef Rodriguez convida Jahgga e Natigrê para show em Ilhéus || Imagem Divulgação
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O MC Jef Rodriguez volta a Ilhéus, sua terra Natal, para show aberto ao público, neste sábado (21), a partir das 20h30min, na cervejaria 3 Barcaças, localizada na Avenida Soares Lopes, Centro. Terá a companhia do percussionista e DJ Jahgga, seu colega na banda OQuadro, e da MC Natigrê, ilheense radicada em Itabuna.
Voz ativa do rap no sul da Bahia, Natigrê traz nas rimas a vivência da mulher preta periférica, unindo denúncia, afeto e resistência. É historiadora, produtora cultural e fundadora do Coletivo PedraPreta, que promove ações artísticas com foco no protagonismo feminino e na cultura de base.
Ao PIMENTA, Jef adiantou que levará ao palco o show de EP Spiritual, seu primeiro álbum solo, e músicas inéditas. Abaixo, ouça a faixa Aboio, fruto de parceria do artista ilheense com CT, Dumdum Afolabi, Biduzennn e Rafa Dias (RDD).