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O bosque da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), em Ilhéus, foi o local escolhido para a construção de uma miniarena. Segundo a Reitoria, trata-se do projeto de um pequeno palco, equipado com instalações de som e luz, além de uma arquibancada de dois degraus. O futuro espaço cultural terá áreas reservadas para cadeirantes.

“Essa é uma das metas que foram alinhadas entre Reitoria e a Prefeitura do Campus, com o objetivo de estruturar e ampliar os ambientes de convivência na Universidade, visando tornar o Campus Professor Soane Nazaré de Andrade um local cada vez mais acolhedor e agradável,” explica o reitor Alessandro Fernandes.

O reitor acrescenta que a construção do pequeno anfiteatro faz parte da requalificação urbanística e paisagística do bosque, dos principais espaços de convivência e contemplação da Uesc.

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De volta à modalidade presencial, o Festival de Dança Itacaré chega à décima edição e celebra a marca ampliando as possibilidades de participação para artistas de todo o Brasil. Além de espetáculos, trabalhos de rua ou alternativos, também serão contempladas propostas de oficinas-espetáculos.

Serão cinco trabalhos cênicos, que se configuram como espetáculos já estreados ou inéditos em formato de solo, dueto ou trio, com cachê de R$ 3 mil. Já na categoria trabalhos de rua ou espaço alternativo, serão selecionadas três performances, que receberão R$ 2,5 mil cada.

Por fim, duas oficinas-espetáculos comporão o festival, uma em Ilhéus e outra em Itacaré. Para esta atividade, o cachê será de R$ 3 mil para cada proposta. O resultado será divulgado no dia 16 de setembro.

A décima edição do Festival de Dança de Itacaré superou os limites do próprio município e também terá atividades em Ilhéus, de 5 a 11 de novembro. A produção disponibilizará para os artistas ou grupos selecionados hospedagem, transporte, cachê e ajuda de custo na alimentação diária.

INSCRIÇÕES

O único meio de inscrição é o formulário disponível no site https://festivaldedancaitacare.com.br/ANO-X/, que ficará disponível até 30 de agosto de 2022.

Segundo a idealizadora do festival, Verusya Correia, o evento deste ano tem como tema Experiências dançantes, trazendo a perspectiva da dança do presente como ato de enunciação, uma situação concreta, que contempla incertezas, conflitos, além de visão não dicotômica do mundo.

“O festival é um lugar plural, diverso. A retomada presencial traz a possibilidade de aproximação, de convívio. Esse corpo a corpo, suor, fala, escuta e toque fazem toda a diferença”.

O décimo Festival de Dança de Itacaré é promovido pela Associação Comunidade Tia Marita, com apoio institucional da Casa Ver Arte e apoio financeiro do Governo da Bahia, por meio do Fundo de Cultura, Secretaria de Cultura e Secretaria da Fazenda.

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A Prefeitura de Itabuna, por meio da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC), está promovendo a premiação de artistas e bandas que se apresentaram no Ita Pedro. A votação popular será encerrada nesta sexta-feira (5) e está disponível no Instagram da festa de São Pedro.

Ao todo, são três categorias que recebem a votação – Ouro da Casa, Melhor Show e Atração Revelação.

Na categoria Ouro da Casa, estão concorrendo locais Cacau com Leite, Cris Lima, Pegada X, Kaio Oliveira, Neto LX, Lordão, Sinho Ferrary, Noberto Curvelo, Trio da Huanna e Neto Gasparzinho.

Na categoria Melhor Show, concorrem Alcymar Monteiro, Zé Vaqueiro, Harmonia do Samba, MC Rogerinho, Batista Lima, Solange Almeida, Tarcísio do Acordeon, Eber Lima e Miguel, João Gomes, Marcynho Sensação, Lá Fúria, Kart Love, Bell Marques e Thiago Brava.

Na categoria Atração Revelação, figuram Cris Mel, Originais do Forró, A Tarraxada, Pegada X e Cristal Som.

“A ideia é justamente consolidar ainda mais a marca Ita Pedro – Melhor São Pedro de Todos Os Tempos. Todo grande evento sempre tem uma marca para fixar”, afirma o diretor-presidente da FICC, Aldo Rebouças.

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O novo projeto do Casarão Cola na Manu é fruto de parceria com a Banda Via de Acesso, liderada pelo cantor e compositor Eddy Oliveira. Na conexão grapiúna, o grupo ilheense levará seus ensaios abertos para a casa de shows de Itabuna, sempre aos sábados, a partir do próximo fim de semana.

A expectativa para a estreia do projeto está nas alturas, adianta a publicitária Manu Berbet, proprietária da casa. “O primeiro ensaio da Banda Via de Acesso, com repertório de olho no verão, e na sequência um showzaço de Gabriel K, que incendeia o palco sempre que pisa por lá”.

O Casarão Cola Na Manu fica na Avenida JS Pinheiro, 2.120, ao lado do Sest Senat, no Centro. Maiores informações no Instagram da casa a partir da noite desta quinta-feira (4).

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Nossa Senhora Santana e São Joaquim recebem, desde a última semana, homenagens no povoado do Rio do Engenho, na zona rural de Ilhéus. As celebrações chegarão ao fim neste domingo (31), com a Festa Memorial.

A programação do último dia do evento começará às 5h, momento da alvorada festiva. Depois, às 6h, será a vez do Ofício da Imaculada Conceição. Às 7h, será feita a Oração do terço de Nossa Senhora.

A procissão náutica que integra o festejo chegará ao Rio do Engenho às 8h30min, antes da animação de louvor e da Santa Missa Campal, marcada para as 10h, em frente à histórica Capela do Engenho Santana. Depois, às 11h, o povoado será palco de uma procissão ao som da banda da Polícia Militar da Bahia.

A celebração tem apoio do Sebrae, Satélite Esporte Clube de Remo, Instituto Baía do Pontal-Ilhéus (IBP-I) e Prefeitura de Ilhéus.

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Acaba de sair do prelo a coletânea Poesia de Aluvião: novos territórios da literatura sul-baiana contemporânea, que reúne obras de 15 poetas da região. Os poetas Fabrício Brandão, editor da revista Diversos Afins, e Geraldo Lavigne de Lemos foram os organizadores do livro e integram a lista de autores. O produção coube à Editora Patuá.

“A obra simboliza uma conquista e, mesmo em tempos pandêmicos, foi pensada e organizada com o intuito de fortalecer a produção literária desse importante eixo da Bahia. Por isso, não há palavra mais importante para o momento do que a gratidão”, escreveu Fabrício ao noticiar a boa nova.

Capa da coletânea Poesia de Aluvião

Além de Fabrício e Geraldo, os poemas são assinados por Aleilton Fonseca, André Rosa, Daniela Galdino, Heitor Brasileiro Filho, Iolanda Costa, Leila Andrade, Lia Sena, Marcus Vinícius Rodrigues, Rita Santana, Rodrigo Melo, Tales Santos Pereira, Telma Sá e Tereza Sá.

A coletânea pode ser adquirida no site da editora (acesse aqui).

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A Banda Quizila volta às origens do reggae de estuário em show com a sua primeira formação, nesta sexta-feira (29), a partir das 21h, no Flow Burger Bar, localizado na Avenida Soares Lopes, em Ilhéus.

Será a primeira vez, em mais de cinco anos, que Anthone Cidra (contrabaixo), Binho Ribeiro (guitarra adubada), Fabrício Vasconcelos (voz) e Lula Soares Lopes se reunirão novamente.

O show terá participação especial de Secão, com abertura do DJ Danley. Abaixo, ouça Orgânico, álbum lançado pela banda ilheense em 2017.

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A Catedral de São José será palco de missa em ação de graças pelo aniversário de 112 anos da emancipação política de Itabuna, a partir das 9h desta quinta-feira (28), abrindo os atos religiosos da efeméride.

Sob a presidência do bispo diocesano dom Carlos Alberto dos Santos, a missa será concelebrada pelo padre Gilvan de Oliveira Souza, contando com a participação do prefeito Augusto Castro (PSD), secretários e dirigentes de órgãos municipais, vereadores e cidadãos.

A programação de entrega e inaugurações de obras, que seria iniciada segunda-feira (25), foi adiada em razão do luto oficial pelo falecimento do ex-prefeito Fernando Gomes Oliveira, no domingo (24), em Salvador. Segundo a Prefeitura de Itabuna, novas datas serão fixadas para o próximo mês de agosto.

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O influenciador digital Iran Ferreira, 20, o cara da luva de pedreiro, revelou que fez o maior contrato publicitário da sua vida, nesta segunda-feira (25), em publicação numa rede social.

– Fala, minha tropa! O cara da luva de pedreiro tá aqui em São Paulo. Graças a Deus, pai! Vim fazer o contrato da minha vida, o maior contrato do cara da luva de pedreiro. Graças a Deus, pai! Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém. Receba! Aguardem, viu? – declarou o boleiro aos 17 milhões de seguidores que tem no Instagram.

O filho ilustre de Quijingue, famoso por misturar sua habilidade no futebol com manifestações de fé em vídeos curtos, não deu detalhes sobre o novo contrato. Desde o final de junho passado, os negócios de Iran Ferreira são intermediados por seu novo empresário, o ex-jogador de futsal Falcão.

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A Igreja Batista Teosópolis (IBT) abrirá as portas do Complexo Social Teosópolis, novo equipamento do seu Ministério de Ação Social, nesta sexta-feira (22), às 18h30mim. A inauguração faz parte das comemorações dos 112 anos de Itabuna. O Complexo abriga a sede da Associação de Beneficência e Cultura Teosópolis, o Mercado Solidário e o ambulatório criado pela instituição.

Localizado na Rua Catucicaba, 192, bairro da Conceição, o Complexo Social prestará serviços à população carente. O ambulatório terá atendimento odontológico, ginecológico, urológico e psicológico. Todos os profissionais de saúde atuarão voluntariamente e nenhum serviço será cobrado aos pacientes, já que o público-alvo será formado exclusivamente por pessoas em situação de vulnerabilidade social.

MERCADO SOLIDÁRIO

O Mercado Solidário do Complexo Social Teosópolis funcionará com um sistema de crédito baseado em sua própria moeda, a S$ (Solidário), cuja unidade valerá R$ 0,70.

Os frequentadores do mercado poderão adquirir alimentos, produtos de higiene e limpeza, vestuário e calçados, e outras mercadorias essenciais para a vida cotidiana. Para cada produto haverá um limite máximo de compra. O crédito concedido não poderá ser ultrapassado nem haverá acumulação para compras futuras.

Para assegurar o direcionamento das mercadorias às famílias que realmente enfrentam situação de insegurança alimentar, o Ministério de Ação Social da ITB vai fazer uma busca ativa, com visita a casas e entrevistas. O projeto será mantido por doações.

UM CONVITE A FAZER O BEM

A Igreja Batista Teosópolis convida profissionais de saúde a concederem um pouco do seu tempo livre às pessoas que serão atendidas no ambulatório do Complexo Social. Para isso, ir à sede do projeto e definir o horário disponível para o trabalho voluntário.

Ambulatório do Complexo Social Teosópolis

A IBT também convoca a população itabunense a participar do programa de doações mensais de alimentos e roupas que serão disponibilizados no Mercado Solidário.

O pastor Geraldo Meireles parabenizou a Igreja Batista Teosópolis, pelo avanço do seu trabalho social, e Itabuna, pelo aniversário. Também fez um chamado à prática do bem no mundo da vida, que vai muito além do romantismo abstrato.

– Não pode haver amor sem envolvimento, sem abraço, sem partilha e sem pão, porque Deus não se satisfará com uma preocupação abstrata ou romântica com o nosso semelhante. Enfim, precisamos entender que a única possibilidade de falar de amor é amando, porque fome e dor não têm tempo, paciência ou religião, têm urgência e necessidade de ver o Amor sublime e tempestivo de Deus através de ações na vida dos discípulos do Seu Filho – disse o pastor.

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O respeito à liberdade de culto e de crença e o combate à intolerância religiosa serão foco principal do Celebra Itabuna programado para os próximos dias 27 e 28 de julho, que marcará as comemorações pelos 112 anos de emancipação política de Itabuna, no sul da Bahia. O Celebra é promovido pela Prefeitura.

Durante dois dias, as comunidades cristã católica e evangélica e de religiões de matriz africana desfrutarão de momentos de louvor, adoração e interação com expoentes da música gospel, de ministérios católicos de música, além de representantes da cultura afro-brasileira.

A Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC) está ultimando detalhes para a definição e divulgação da grade de artistas que subiram ao palco do Celebra Itabuna, que será espaço realizado no estacionamento da Câmara Municipal de Vereadores, na confluência da Avenida Mário Padre e da Praça Rio Cachoeira.

De acordo com o presidente da FICC, Aldo Rebouças, na quarta-feira (27), a partir das 19h, está programado show musical com artistas gospel. Já no Dia da Cidade, 28 de Julho, a programação terá início às 14h, com show musical dedicado à cultura afro-brasileira.

Na sequência, os representantes das religiões de matriz africana e de movimentos afros sairão em cortejo por avenidas e ruas da cidade. O Celebra Itabuna será encerrado com show de artistas representantes da música católica, a partir das 19h.

Segundo Aldo Rebouças, a decisão do prefeito Augusto Castro (PSD) em promover um festival reunindo e difundindo nomes do cenário nacional da música católica, gospel e da cultura afro, visa fomentar o turismo religioso no município de Itabuna, bem como possibilitar e mediar discussões e debates sobre questões relacionadas à liberdade de crença e de culto e estimulando o combate à intolerância religiosa.

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O Celebra Itabuna, evento religioso marcado para os próximos dias 27 e 28, foi tema de reunião do prefeito Augusto Castro (PSD) com pastores e missionários evangélicos, nesta quarta-feira (20), no Itabuna Palace Hotel. A celebração fará parte das comemorações dos 112 anos do município.

A cargo da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (Ficc), o Celebra Itabuna vai ocupar a Avenida Mário Padre, nas imediações da Câmara de Vereadores. De acordo com o presidente da Ficc, Aldo Rebouças, o evento será uma ação ecumênica, com momentos dedicados a católicos, evangélicos e membros de religiões de matriz africana.

O presidente do Conselho Itabunense de Ministros e Pastores Evangélicos (Cimpe), bispo Antione Mendonça, da Igreja Batista Missionária da Paz, fez questão de ressaltar a oportunidade dada aos líderes religiosos no sentido de colaborar, discutir e opinar sobre as atrações para o evento.

Já o pastor Geraldo Meireles, da Igreja Batista Teosópolis, enfatizou a importância da construção coletiva do projeto. “É indispensável que as lideranças evangélicas participem da construção do evento, porque são elas que sabem o que pode atrair o público-alvo, o que toca o coração das pessoas”, explicou.

A diretora-geral das Escolas Adventistas do 7º Dia no Sul e Extremo-sul da Bahia, Joelma do Vale, também aprovou a iniciativa do governo municipal. “A Prefeitura tem demonstrado isso, quer opiniões, quer a nossa participação e isso é muito louvável. A cidade precisa dessa união, dessa unidade em prol do bem”.

Jeferson Santos (de verde) recebe placa de Orientador de Trânsito Padrão
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O início da relação do escritor Jeferson Tenório com a poesia foi parecido com o de muitos brasileiros contemporâneos. Deu-se com a obra dos Racionais MCs. Impactado pelo realismo dos rappers paulistanos, ele montou a banda Magna Rap, que não prosperou, conforme disse na conferência de encerramento da Festa Literária de Ilhéus, evento coberto pelo PIMENTA no último sábado (16).

Vencedor do Prêmio Jabuti de Melhor Romance em 2021, com o livro O Avesso da Pele (Companhia das Letras), Jeferson concluiu o ensino médio aos 23 anos. As constantes mudanças da família, chefiada pela mãe solteira, contribuíram para o atraso na formação, outro traço comum para grande parte da juventude brasileira. Raro era ver professor negro em Porto Alegre, há mais de vinte anos, quando ele teve os primeiros professores negros no curso de pré-vestibular da ONG Superação

No cursinho, que era gratuito e voltado para estudantes negros, Jeferson conheceu o professor Jorge Fróis, que lhe apresentou à literatura por meio do livro Feliz Ano Novo, de Rubem Fonseca. O encontro com Jorge foi decisivo para a escolha do curso de Letras, feito por Jeferson na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Na biblioteca numerosa e qualificada de Jorge, que hoje ainda é seu amigo, o carioca radicado em Porto Alegre descobriu um horizonte de possibilidades para além da lanchonete onde trabalhava e da qual sonhava ser gerente.

A IDEIA DO ROMANCE

Todo escritor é perguntado sobre a presença de elementos autobiográficos nas suas obras. Jeferson Tenório ressalva que é sempre difícil dizer, exatamente, o que é e o que não é autobiográfico em suas ficções (ele também publicou O beijo na parede e Estela sem Deus). No entanto, alguns elementos biográficos são evidentes, como o fato de ser professor, mesma profissão do narrador de O Avesso da Pele, que se dirige ao pai – morto em uma abordagem policial – num processo de elaboração do luto.

Outra coisa presente na vida do autor e no livro é a relação com abordagens policiais. Jeferson conta que já foi abordado, pelo menos, quatorze vezes em Porto Alegre. Discutiu o assunto em artigo para o jornal El País, mas decidiu que precisava ir além.

– Pensei: preciso fazer mais. A minha maneira de lutar contra essa violência é fazendo o melhor que eu posso, é fazendo literatura, e decidi fazer O avesso da pele. Mas, antes disso, queria contar uma história entre pais e filhos. Por isso, quem narra a história é Pedro, contando a história do pai, que morreu após uma abordagem policial – disse o escritor.

O AVESSO DA PELE COMO MORADA DO QUE NÃO É RACIALIZADO

Jeferson, à direita, ouve pergunta de leitor após conferência || Foto ALI

No romance, Henrique, o pai de Pedro, não abre mão do afeto, mas, ao mesmo tempo, mantém certa distância do filho. “O que tem aqui…”, diz Jeferson apontando para o exemplar do livro em suas mãos. “O que se estabelece aqui é um amor intelectual, porque Henrique é esse pai que tenta, de todas as formas, dizer para o filho que o mundo é cruel e que o mundo é cruel por causa da cor da pele dele. [Ter que dizer] isso é muito dolorido”.

No final da conferência, o autor leu um trecho do livro para a plateia. Nele, Pedro relata que, aos 9 anos, seu pai o perguntou quem era Deus. Lembrando de histórias de terror e assombração, o menino respondeu que Deus era um fantasma que morava no Céu. A resposta causou espanto, mas deixou o pai satisfeito.

As lições de Henrique se tornavam mais complexas à medida que o filho amadurecia. Queria prepará-lo para ter estratégias de sobrevivência numa sociedade estruturada pelo racismo. No discurso ao pai morto, Pedro revela a lição que aprendeu, ainda na leitura de Jeferson Tenório:

Agora eu sei que você estava me preparando. Você sempre dizia que os negros tinham de lutar, pois o mundo branco havia nos tirado quase tudo, e que pensar era o que nos restava. É necessário preservar o avesso, você me disse. Preservar o que ninguém vê, porque, não demora muito, e a cor da pele atravessa o nosso corpo e determina o nosso modo de estar no mundo. E, por mais que a sua vida seja medida pela cor, por mais que suas atitudes e modos de viver estejam sob esse domínio, você, de alguma forma, tem de preservar algo que não se encaixa nisso, entende? Pois, entre músculos, órgãos e veias, existe um lugar só seu, isolado e único. E é nesse lugar que estão os afetos e são esses afetos que nos mantêm vivos.

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O Sindicato Rural será o palco da palavra durante a quinta Festa Literária de Ilhéus, evento da Academia de Letras de Ilhéus (ALI) e da Editus, editora da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc). “Estamos, como sempre, eufóricos. Quando se fala em literatura, a Editus e a Academia entram de cabeça”, resume o escritor Pawlo Cidade, presidente da ALI, em conversa com o PIMENTA. Aberta na noite desta quarta-feira (13), às 19h, a Festa seguirá até sábado (16).

A organização decidiu levar a festa do Palácio Paranaguá para o Sindicato Rural de modo a facilitar o acesso de pessoas que têm dificuldade de locomoção, explica o presidente. Também localizado no Centro Histórico, o sindicato fica na Rua Eustáquio Bastos, 196, próximo à Caixa e ao SAC.

Segundo o autor de O povoado das onze mil virgens, a expectativa geral é de consolidação da FLI no calendário da cidade. “A Festa Literária é a junção da Flios, Festival Literário de Ilhéus, com a Feira de Livros da Uesc”, relembra. “A receptividade [do público] tem sido muito boa”, acrescenta.

Neste ano, além de abrir o mundo da literatura para novos leitores, a FLI quer estimular a arte da escrita, nome do workshop com o escritor Ivo Korytowski. Outra atividade de formação será a aula do escritor Neila Brasil Bruno sobre a escrita de contos. “É um grande estímulo à criatividade literária”, assegura Pawlo Cidade.

O presidente da Academia de Letras de Ilhéus convida a população a prestigiar a festa das letras. “Não importa a idade. É sempre bom ter a participação de todos; é sempre bom estar presente, perto; é sempre bom tocar, cheirar os livros e encontrar novos autores.

A quinta edição da Festa Literária de Ilhéus tem apoio da Bahiagás, do Centro Público de Economia Solidária (Cesol) e da Secretaria Especial de Cultura. O núcleo Proler, da Uesc, também participa do evento. Confira programação aqui.

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A quinta edição da Festa Literária de Ilhéus (FLI) terá sua abertura oficial nesta quarta-feira (13), às 19h, no Sindicato Rural de Ilhéus, e seguirá até sábado (16), com diversas atividades. Promovida pela Editus e a Academia de Letras de Ilhéus, a FLI tem apoio da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Pedro Calmon.

Também apoiada pela Pró-reitoria de Extensão da Uesc, a edição deste ano homenageia o professor, escritor e babalorixá Rui do Carmo Póvoas. Na abertura, será feita a entrega do Prêmio Sosígenes Costa de Poesia, marcando os 26 da Editus, editora da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc). A noite também contará com palestra da filósofa e psicanalista Viviane Mosé.

PROGRAMAÇÃO

Na quinta-feira (14), às 9h, o Sindicato Rural acolherá bate-papo sobre a poesia modernista na contemporaneidade, com a participação dos escritores Aleilton Fonseca, André Rosa, Cátia Hughes e Geraldo Lavigne. No mesmo local, às 14h, a obra de Fernando Leite Mendes será tema de roda de conversa com os escritores Cyro De Mattos, Ivo Korytowski, Pawlo Cidade e Wilson Mendes.

Na sequência, às 16h, a mesa reunirá as escritoras Elisa Oliveira, Kali Oliveira, Luh Oliveira e Neila Brasil para discutir as especificidades da escrita para o público infantil. Depois, às 18h, haverá lançamento coletivo de livros com autores independentes.

A programação continua no mesmo local na sexta (15), a partir das 9h, com bate-papo sobre gênero e linguagem, mediada por Elis Matos, Iran Melo e Tales Pereira/Tallýz Mann. Às 14h, os professores e comunicólogos Edgard Abbehusen, Julianna Torezani e Rita Virginia Argollo, conversarão sobre arte e controle nas redes sociais.

Ainda na sexta, às 16h, os poetas Fabrício Brandão, Jane Hilda Badaró, Maria Luiza Heine e Tcharly Briglia se reúnem à mesa para discutir a presença da arte e da poesia na internet. A discussão será sucedida por um sarau.

No sábado (16), às 10h, Karen Ramos, Milena Magalhães e Thiago Soares discutem as relações entre música, literatura e artivismo. Já às 15h, será a vez do debate sobre favela, juventudes e narrativas do mundo, com os professores Rodrigo Bomfim e Rodrigo Felha.

A atividade de encerramento da festa contará com a presença do escritor Jeferson Tenório, autor de O avesso da pele, vencedor do Prêmio Jabuti de Melhor Romance em 2021.

A FLI também oferecerá workshops gratuitos. Interessados devem se inscrever neste link.