Os papa-jacas de Cruz das Almas no terceiro encontro no município || Foto PMCA
Tempo de leitura: 4 minutos

 

 

 

 

Bem que o poder público municipal e as instituições que representam o empreendedorismo de Itabuna poderiam considerar a importância da jaca na história da cidade e decidam promover evento de tal porte por essas bandas.

Walmir Rosário

Psicologicamente estou arrasado, abalado ou tantos sinônimos existam para classificar meu estado depressivo. E tudo começou na manhã desta segunda-feira (9), durante o café-da manhã, quando, inadvertidamente, passei a olhar o noticiário no celular. Senti uma punhalada, peixeirada, um golpe profundo no peito. Minhas vistas escureceram, fiquei sem ação por vários minutos.

Foi preciso ser chamado à atenção por minha mulher para saber o que se passava. Ainda sem me recuperar do tremendo golpe, apontei o celular pra ela e disse: “Leia, veja as fotos”. Parecia o fim do mundo. Logo no título estava estampado: ECOJACA 2026 É SUCESSO E ATRAI VISITANTES DE VÁRIAS CIDADES. A foto estampava mesas cercadas por multidões comendo jacas em fartura. Só que não em Itabuna e sim em Cruz das Almas, no dia anterior.

Há quase dois anos que me preparo para um evento deste tipo em Itabuna, cidade tida e havida como a Capital da Jaca, inclusive com direito a menções e referências nos livros do conterrâneo Jorge Amado. Mas a questão não parava por aí, e a rivalidade entre as cidades de Itabuna e Ilhéus dão prova real desta hostilidade, em que se intitulam Papa-jacas e Papa-caranguejos, respectivamente.

De minha parte contribuí para manter a tradição e até escrevinhei uma crônica (“Guerra e Paz entre papa-jacas e papa-caranguejos”), numa referência ao tema, sempre em voga entre itabunenses e ilheenses, uma tradição de mais de século. O que antes parecia uma pretensa ofensa moral se transformou em gentílico. Tempos de paz!

Afonso Dantas criou camisas para os papa-jacas de Itabuna

O publicitário itabunense Afonso Dantas foi bastante perspicaz ao criar camisas com os temas papa-jaca e papa-caranguejo, que passei a usá-las com todo o garbo, aguardando apenas e tão somente uma oportunidade deste tipo da realizada em Cruz das Almas para exibi-las solenemente. Enquanto o evento não era programado eu apenas desfilava.

Lembro, ainda, de Pinguim e Bel, lá pras bandas do Bar de Leto, no bairro da Conceição; eu e Cláudio da Luz no Beco do Fuxico fazendo as honras da casa. Em vão. Além de exibir as camisas, por aqui me contento com as jacas moles e duras compradas nas feiras-livres, às quais me dou ao luxo de degustá-las solenemente a partir do café-da-manhã.

Admito que não esteja a chorar o leite derramado, mas me sinto acabrunhado enquanto via as fotos e lia o texto oficial ressaltando com louvor o sucesso do evento, haja vista o grande número de cruz-almenses e visitantes. Eles degustavam com a satisfação estampada nos olhos, aliada à gulodice das desejadas jacas, desde o seu estado in natura até nas receitas culinárias.

Mesas lotadas de pratos com tira-gostos dos mais diversos, doces e salgados, todos elaborados a partir da jaca. Bala, cocada, pudim, brigadeiro, trufa, sorvete, suco, pastel, coxinha, quibe, passando pelos pratos salgados e de sustança para qualquer cidadão. Pense aí no vatapá, feijoada, moqueca de camarão, todos esses pratos tendo a jaca como elemento principal, estrela.

Pelo que li, uma competição chamou a atenção de muitos participantes, que comiam jacas com bastante gulodice – como requeria a ocasião e o estômago de cada um deles – para vencer a gostosa peleja. Ainda fui informado que somente um filho de Deus comeu mais de dois quilos de jaca – sem os caroços, é claro – e ainda foi beliscar nas mesas de culinária.

Confesso minha falta de conhecimento em relação a Cruz das Almas e ao povo cruz-almense sobre esse gosto especial por jaca, mas tenho cá minhas intuições. Acredito que a popularização da jaca nesta cidade do Recôncavo tenha sido obra dos estudantes de agronomia de Itabuna e cidades circunvizinhas nos anos em que por lá permaneceram, o que se justifica.

Entretanto, não consigo compreender como o itabunense consegue perder a primazia de se consolidar como um autêntico papa-jaca, fruta abundante em nossa Mata Atlântica, embora seja uma árvore alienígena, forasteira adaptada e aclimatada entre nós. Originária da Índia, a jaqueira – Artocarpus heterophyllus – é rica em fibras, vitaminas e minerais, e versátil na culinária.

Bem que o poder público municipal e as instituições que representam o empreendedorismo de Itabuna poderiam considerar a importância da jaca na história da cidade e decidam promover evento de tal porte por essas bandas. Nada melhor para consolidar o itabunense como um autêntico Papa-jaca – de fato e de direito – e permitir a oportunidade de trajarmos nossas camisas em tão solene efeméride, recuperando nossa autoestima.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado e autor de  autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

Newton Dias, presidente do Reduto do Samba: paixão pelo Carnaval
Tempo de leitura: 3 minutos

 

 

 

O Reduto do Samba tem como presidente Newton Ferreira Dias, desde sua fundação, e que se dedica quase que integralmente à gestão da agremiação, cuja diretoria e componentes empreendem todos os esforços para brilhar em todos os carnavais.

 

Walmir Rosário

O Reduto do Samba, de Salvador, pretende se tornar o maior bloco carnavalesco do mundo e não mede distância para que esse acontecimento seja o mais breve possível. Neste Carnaval de 2026 desfilará no circuito Campo Grande (Osmar) e traz Filipe Escandurras como principal atração, empurrando seus mais de quatro mil componentes.

A venda das fantasias anima a diretoria da agremiação e elas podem ser encontradas na sede do Bloco, plataformas digitais e Balcão Samba Vivo. Fundado em 13 de junho de 2003, a cada ano o Reduto do Samba promove uma festa à parte no Carnaval de Salvador, graças ao empenho de sua diretoria e componentes.

O Reduto do Samba tem como presidente Newton Ferreira Dias, desde sua fundação, e que se dedica quase que integralmente à gestão da agremiação, cuja diretoria e componentes empreendem todos os esforços para brilhar em todos os carnavais. E o presidente revela que o bloco é a paixão de todos os participantes, que se esmeram a cada desfile, após muitos ensaios.

E não é pra menos. Sem falsa modéstia, o Reduto do Samba construiu sua história em anos sucessivos ao levar para o Carnaval de Salvador as grandes atrações nacionais do samba. E não economizou: por eles desfilaram Arlindo Cruz, Dudu Nobre, Fundo de Quintal, Xande de Pilares, Psirico, dentre outros. E esse trabalho é responsável por colecionar troféus.

Todo esse entusiasmo é liderado por Newton Dias, que tem o samba como o oxigênio de sua vida, paixão da infância, de quando via e participava dos ensaios da Escola de Samba Filhos do Tororó, pertinho de sua casa. E esse amor cresceu exponencialmente em seu coração com a convivência de Ederaldo Gentil, Nelson Rufino, Salvador Oliveira, Bira Gentil, Paulinho do Reco e outros grandes mestres do samba.

E como na Bahia o samba convive de pertinho com outras manifestações culturais, no sangue de Newton Dias também estão entranhados o futebol, a capoeira, os movimentos afros, todos de passadas largas em terras baianas. E o menino rapaz do Tororó não desgrudou dos seus costumes desde que deixou Salvador para enfrentar a vida acadêmica e os afazeres profissionais.

Cursou engenharia agronômica em Cruz das Almas sem desgrudar da cultura ao mesmo tempo em que aprendeu a ciência, descobriu a botânica, da semeadura a cuidar das plantas, calculando a adubação para produzir mais, corrigindo as deformidades, curando as doenças, produzindo. Com diploma e anel no dedo, afastou-se de Salvador, do Recôncavo, para o Sul da Bahia.

Na Ceplac foi labutar com a cacauicultura, enfrentando os morros e a Mata Atlântica, num esforço fenomenal integrado para alcançar altos índices de produção do cacau. Alcançou postos de direção, como a chefia da importante Divisão de Itabuna, atuando como líder, influenciando comportamentos, inspirando colegas e produtores a aplicarem a técnica de forma correta, sem estresse.

De volta a Salvador assume novos empreendimentos em grandes empresas, sendo o mesmo Newton Dias de Salvador, o menino do Tororó, o acadêmico de da Faculdade de Cruz das Almas, o engenheiro agrônomo da Ceplac. Recusou o ócio da aposentadoria e foi cuidar daquela paixão desde menino, o samba. E fez da melhor forma. Como diz o ditado: quem é bom já nasce feito.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado e autor de  autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

O economista e professor Alessandro Fernandes, reitor da Uesc || Foto Uesc
Tempo de leitura: 3 minutos

 

Quem sabe, todo esse acervo de comunicação poderá ser reunido num grande projeto disponibilizado à sociedade após a digitalização, tratamento gráfico com o que existe de mais moderno na informática.

 

 

Walmir Rosário

Agora em Itabuna, estou mais perto da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), respirando os ares da sabedoria emanados daquele centro de conhecimento, que vem acumulando troféus e títulos de excelência. Felizmente a Uesc tomou um caminho bem diferente de outras instituições de ensino superior, que descem ladeira abaixo neste Brasil contemporâneo.

De pronto, dou pleno conhecimento público que não estou alisando os bancos de nenhum curso superior, o que me faria bem, mas tão somente bisbilhotando o Centro de Documentação (Cedoc). Quase todos os dias, munido de máscara contra a poeira e ácaros, e luvas para me livrar das velhas tintas gráficas, estou espreitando, conferindo as páginas dos jornais antigos de Ilhéus e Itabuna.

São edições incompletas em determinados anos, mas permite pesquisar o que acontecia em épocas passadas. As minhas visitas seriam apenas (não são mais) para rever as glórias do futebol de Itabuna, por meio dos seus times e da eterna vencedora Seleção de Itabuna, assuntos para futuros livros, com a missão de informar aos que não tiveram a felicidade de viver àquela época.

Com a mão nas páginas, relembro fatos tantos vividos pela sociedade pretérita em Itabuna, Ilhéus e região sobre a economia, as agruras sofridas pela cacauicultura, bem como os bons tempos em que a tonelada de cacau era vendida nas bolsas de Nova Iorque e Londres a preços compensadores, coisa de US$ 4,5 mil até US$ 5 mil, tudo contado em dólares.

A sociedade mantinha um padrão de vida bem confortável e Itabuna se dava ao luxo de tocar os discos em LPs e compactos (poucos sabem o que é isso) em lançamentos simultâneos com o Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. Mas como nem tudo são flores, os protestos e reclamações apareciam estampados nas páginas de nossos jornais sem a menor cerimônia.

O que acontecia na política ganhava destaque, inclusive os aumentos de impostos que pesavam sobre o cacau, figurinha carimbada nos tempos ruins, a salvação da lavoura do governo do estado para pagar os gastos feitos em outras regiões. A conta não era nossa, mas o governador jurava que deveria ser paga por todos. E como o cacau faturava, sentava-se à cabeceira da mesa.

E a Uesc vem assumindo uma responsabilidade com a sociedade sul-baiana ao guardar, manter intacto, catalogar e disponibilizar toda a produção dos meios de comunicação de épocas passadas, mantendo viva a história do povo grapiúna. Além de jornais, a Uesc também registra em seu acervo a história do Poder Judiciário em Ilhéus e milhares de documentos históricos importantes. Se tornou a guardiã da nossa história.

No Centro de Documentação estão disponíveis, por exemplo, os jornais Diário da Tarde, de Ilhéus; o Tabu, de Canavieiras; o Diário de Itabuna e o Agora, de Itabuna, este através de um esforço recíproco da sociedade. E o Reitor Alessandro Fernandes de Santana acolheu o pleito, sensível que é aos reclames da sociedade, sobretudo do que diz respeito às questões sociais, sobretudo à educação.

Sei que a Uesc muito ainda tem que caminhar, mas os louros obtidos nesse trajeto são sinal bastante positivo, o que nos leva a crer e vislumbrar uma universidade “coladinha” com a sociedade. A Uesc pode e deve ser o carro-chefe do pensamento regional, com poderes para influir na renovação da tecnologia e nas mudanças que levem ao desenvolvimento.

O Magnífico Reitor Alessandro Fernandes tem ao seu lado cabeças pensantes capazes de elaborar e tocar projetos em todas as áreas do conhecimento, notadamente na comunicação. Se a Uesc tem gente à disposição, também possui prédios herdados do Instituto de Cacau da Bahia (ICB) que podem abrigar esses novos serviços à sociedade.

Quem sabe, todo esse acervo de comunicação poderá ser reunido num grande projeto disponibilizado à sociedade após a digitalização, tratamento gráfico com o que existe de mais moderno na informática. De casa, do escritório, aqui no Sul da Bahia, Estados Unidos ou Japão estará disponível em apenas alguns cliques. Afinal, uma universidade é um centro de sabedoria com a missão de tornar as pessoas mais inteligentes. E a hora é agora.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado e autor de  autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

Tempo de leitura: 4 minutos

Defender jornalistas é defender o direito de todos à verdade. Em um país marcado por desigualdades, corrupção e desinformação, silenciar a imprensa é um retrocesso que o Brasil não pode aceitar.

Fábio Costa Pinto

Em 13 de janeiro de 2025, em Lauro de Freitas, Bahia, um incidente me levou a retomar meus artigos e a denunciar o que venho enfrentando há anos: a perseguição e a estupidez coletiva, sem falar na inveja e no medo do que eu poderia revelar.

Bem, a atitude dessa perseguição e a estupidez coletiva, encontrei explicação nas reflexões de dois grandes intelectuais. Primeiro, o historiador italiano Carlo Cipolla, para quem “os estúpidos são mais perigosos que os bandidos e os malvados”, porque causam perdas a outros sem obter qualquer ganho para si mesmos. Em seguida, a reflexão do filósofo Dietrich Bonhoeffer, membro da resistência alemã antinazista, que na prisão tentou entender como um povo tão culto pôde apoiar Hitler. Ele concluiu que a Alemanha foi vítima de uma “estupidez coletiva”, que não é um defeito psicológico, mas um fenômeno sociológico e contagioso.

Há quatro anos, venho denunciando e cobrando das autoridades policiais e jurídicas a apuração e punição de crimes contra jornalistas, radialistas e profissionais da imprensa, além de povos originários, quilombolas, negros, mulheres, crianças e idosos, ou seria perseguição política? O que eu tenho vivenciado, imagino, é uma reação direta a essa atuação. Venho sendo seguido na rua, em mercados, farmácias, bancos e nas redes sociais, numa tentativa de prejudicar meu trabalho digno e ético. “Que mal faz uma pessoa de bem?”, pergunto, diante de tanta perversidade.

Minha atuação é uma resposta a esse cenário. Não sou apenas um jornalista, sou um ativista. Membro do Conselho Deliberativo da ABI e de comissões de direitos humanos e liberdade de imprensa, escrevo artigos como colaborador em vários sites e portais como Brasil 247, Tribuna da Imprensa Livre, portal de notícias IBI, Jornal Brasil Popular, entre outros, para dar voz aos invisíveis.

Minha luta é um lembrete constante de que a impunidade não é mais suportável em um país com esperanças. Diante da estupidez e da covardia, devemos sempre registrar um boletim de ocorrência, saber quem são os incomodados, ou quem é o mandante ou se é só um criminoso. Já registrei dois, na delegacia virtual. A luta para que a justiça prevaleça será a consequência.

Leia Mais

Blocos Maria Rosa e Dez Casados, com os fundadores da lavagem || Montagem Walmir Rosário
Tempo de leitura: 3 minutos

 

 

 

Este ano, o presidente Sandoval Benevides repetiu a dose e na Lavagem apresentou sua nova música e o bar móvel, com figuras da criação da Lavagem do Beco do Fuxico, a exemplo de Bebeto Elmo, Paulo Nunes Neto, Abelardo Moreira (Bel), dentre outros carnavalescos. Sucesso Garantido.

 

Walmir Rosário 

Pense aí num evento que você agenda e se entrega à vontade: é a folia de Momo, na tradicional Lavagem do Beco do Fuxico, reduto da boemia itabunense, bem no centro da cidade. E o mais importante são os custos reduzidos da festa, investimentos pífios para beber a batida do Caboclo Alencar, a cerveja da Fuxicaria, do bar Artigos para Beber e nos ambulantes.

Fora dos blocos, nem mesmo a fantasia é indumentária obrigatória para quem quer se esbaldar à vontade. Apesar do forte calor e enorme quantidade de pessoas o folião não precisa se preocupar, pois a prefeitura cumpre à risca, todos os anos, em dar um banho nos foliões, pois a vassoura, ferramenta necessária para a lavagem já caiu de moda.

O esperado é o carro-pipa aspergindo água em profusão nos distintos carnavalescos, que segundo dizem, serve para confortá-los durante a bebedeira. Já foi o tempo em que os frequentadores da Lavagem do Beco do Fuxico eram mais exigentes e faziam questão de dançar, se esbaldar, no ritmo das marchinhas. Hoje os tempos são outros e o que tocar eles pulam e sambam.

A Lavagem do Beco do Fuxico teve início em 1980, de forma simples, como o eram seus criadores e frequentadores do conceituado Beco. Um caminhão pipa emprestado, uma espalhadeira de betume asfáltico, que quebraram na primeira lavagem, embora esse insucesso não tenha sido suficiente para desmotivar os frequentadores do Beco.

Com o passar dos anos, a Lavagem do Beco do Fuxico toma fôlego na programação da prefeitura e a participação de blocos, entre eles, o longevo Maria Rosa, Casados I… Responsáveis, Mendigos e Gravata, Os Dez Casados, e uma dezena de outros. E a festa está rolando com todas as músicas e fantasias, aliadas à irreverência dos participantes.

Neste sábado, 17 de janeiro do ano de 2026, a ausência notada com todas as letras foi o Casados I…Responsáveis, o mais irreverente deles, e com a missão de abrir Lavagem do Beco. Sucesso garantido em sua participação em todo o Carnaval de Itabuna, o bloco sofreu com a perda de muitos fundadores, mas já começa a se reorganizar para 2027, como garante um dos seus dirigentes, Nérope Martinelli.

E como alegria não tem segredo, os foliões dos blocos irreverentes têm a obrigação de levar para as ruas a descontração estampada no rosto, também conhecida por felicidade. Além dos desfiles nas ruas de Itabuna, na manhã de domingo de Carnaval, “os Casados I…Responsáveis” promoviam uma visita à Santa Casa de Misericórdia para alegrar os enfermos.

Mas enquanto o bloco “Casados” se encontra em descanso, os Dez Casados não poupam esforços em promover um Carnaval com todos os requintes. Este ano, o presidente Sandoval Benevides repetiu a dose e na Lavagem apresentou sua nova música e o bar móvel, com figuras da criação da Lavagem do Beco do Fuxico, a exemplo de Bebeto Elmo, Paulo Nunes Neto, Abelardo Moreira (Bel), dentre outros carnavalescos. Sucesso Garantido.

Beco do Fuxico lavado, a folia continuou na praça Adami, centro dos festejos de Itabuna até perto da meia-noite. Com este evento, o Carnaval de Itabuna foi aberto oficialmente e os carnavalescos têm até a próxima quinta-feira (22) para descansar e entrar na folia, comemorando a festa de Momo até o raiar da próxima segunda-feira.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado e autor de  autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

Milho plantado em Poço Verde em local de plena caatinga || Foto Walmir Rosário
Tempo de leitura: 3 minutos

 

Silenciosamente, desenvolveram gado de leite e corte de alta qualidade, animais criados com comida de qualidade; e todas as espécies de produtos agrícolas, com produtividade de fazer inveja aos centros mais avançados.

 

Walmir Rosário 

Rever os conceitos faz um bem danado para quem quer se manter na onda, auferindo resultados positivos. Por mais que façamos certo, sempre tem algo em nossa vida ou nossos negócios que precisa ser acertado. Afinal, como diz a piada, relógio que adianta não atrasa. É o tal de adiantar o passo após as reflexões, já transformadas em ações presentes e futuras.

Num simples apanhado, o Sul da Bahia não vai mal: o cacau se recuperando em genética, sanidade e preço de comercialização; o comércio se mantém estável, passando pelas mudanças de sempre, resistindo bravamente; os serviços a mil por hora, principalmente na área da saúde privada, com profissionais qualificados e equipamentos de ponta.

Não sei se estaria sendo coerente comigo mesmo se afirmasse que estamos apenas a um pontinho acima da mesmice, tendo em vista que grandes investimentos não são direcionados para o Sul da Bahia. Prova disse é a população estável, com índices bem abaixo de outras regiões da Bahia, mesmo possuindo terras férteis, chuvas em abundância e infraestrutura considerável.

Não nos faltam faculdades e universidades, embora, em minha opinião, ainda um pouco distantes dos setores produtivos, sem dar régua e compasso para fazer a economia prosperar. Como se tal não bastasse, nossa antiga fonte de desenvolvimento científico – devidamente comprovada – a Ceplac, é hoje carta fora do baralho.

Nossa tão sonhada indústria de informática, implantada em Ilhéus, não prosperou como planejada, embora ainda contribua para o crescimento – e quem sabe –, um dia para o desenvolvimento. Não conseguimos implantar um aeroporto internacional (gargalo para informática) e somos sobressaltados constantemente com a paralisação da construção da Ferrovia Oeste-leste (Fiol).

A Fiol e o Porto Sul – irmãos siameses –, e atual esperança nossa de desenvolvimento, sofrem com as paralisações decorrentes da política governamental e das empresas mães. Os motivos são os mais díspares possíveis, que vão desde as dificuldades econômicas do mercado internacional, as mudanças societárias e até desconfiança na política governamental.

E nós sul-baianos, já acostumados às dificuldades, simplesmente aguardamos que as bênçãos dos céus desçam por aqui para solucionar problemas que não foram criados pelos religiosos ou nossos santos padroeiros. Esperar por ações de nossos representantes políticos é tarefa impossível, pois não os colecionamos nas muitas eleições por décadas passadas.

Se olharmos para o passado, quem sabe poderíamos nos espelhar em nossos ancestrais, os sergipanos, que há mais de um século deixaram suas cidades assoladas pela seca para construir a civilização cacaueira, grapiúna. Aqui enfrentaram as matas fechadas e inóspitas, enriqueceram, criaram praticamente toda a infraestrutura de uma nova região.

Não custa lembrar que a economia da região cacaueira prosperou em níveis cada vez mais crescentes, apesar das dificuldades de então. Criaram um mercado forte, cujo produto por eles comercializado era pago ao produtor mesmo antes de entregá-lo. Comércio bem diferente do restante da atividade agrícola, cuja liquidez inicia geralmente após os 30 dias da entrega.

Como bons descendentes de sergipanos – caatingueiros dos bons –, visitamos nossos parentes, passamos férias em Aracaju, local em que encontramos sul-baianos nas ruas como se em Ilhéus ou Itabuna estivéssemos. Só que desprezávamos o campo, há anos em plena transformação. Pois bem, aos poucos começamos enxergar as mudanças, realizadas de forma silenciosa.

Há muito os sergipanos descobriram que, se tinham capacidade de fazer crescer negócios em outras regiões, também poderiam prosperar em sua própria terra, já bastante conhecida. No campo, resistiram às secas, criaram tecnologias para conviver e superar as dificuldades. Nas cidades, desenvolveram pequenas indústrias, notadamente de confecções, redes e o turismo.

Hoje todo o Brasil está perplexo com a capacidade de superação do sergipano, na cidade ou no campo. Silenciosamente, desenvolveram gado de leite e corte de alta qualidade, animais criados com comida de qualidade; e todas as espécies de produtos agrícolas, com produtividade de fazer inveja aos centros mais avançados.

Se antes se deslocavam em cima de caminhões pau-de-arara para se livrar da seca e ganhar a vida no Sul da Bahia, hoje plantam cacau numa região antes impensável. Não acredito que essa virada histórica saiu apenas de um papel num gabinete qualquer, mas sim da vontade de viver bem na sua própria terra, construindo sua própria e nova história.

Se antes o Sul da Bahia “importava” os sergipanos como simples mão de obra para implantar a cacauicultura, bom seria fazermos o caminho inverso, desta vez para beber da sabedoria dos nossos parentes em todas as áreas da economia. Por certo, voltaríamos com um novo cabedal de conhecimento para impulsionarmos nossa região. Também aproveitem o passeio, pois o sergipano continua sendo um excelente anfitrião.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado e autor de  autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

Três pessoas se espremem em patinete de uso individual em Ilhéus || Foto Redes Sociais
Tempo de leitura: 2 minutos

É de fazer chorar a forma como algumas pessoas tratam estas duas cidades do sul da Bahia, que num passado recente tinham mais amor.

 

 

Luiz Conceição

 

 

 

Na primeira semana de janeiro de 2026, fatos ocorridos em Ilhéus e Itabuna causaram indignação a quem acredita que educação, respeito e zelo com bens públicos são inerentes às pessoas, independente de seus níveis sociais e econômicos. Mas, parece que mudou o calendário e continuamos os mesmos com indiferença, desatenção e possuídos por uma ira que nada tem de santa, como na canção.

A descoberta por um mergulhador de um dos patinetes repousando no fundo da Baía do Pontal, sob a Ponte Lomanto Junior, é um absurdo, inimaginável mesmo. Tais equipamentos foram disponibilizados a menos de um mês ao uso público por empresa privada na ex-Capitania de São Jorge dos Ilheos, sob as bênçãos da Prefeitura, interessada em oferecer lazer aos turistas e nativos.

Mas, o fato revela que há uma minoria que não sabe viver em harmonia social, nada respeita e, certamente, é a das primeiras a ligar para programas radiofônicos reclamando de tudo e de todos. É pena que ações para favorecer o turismo, estimular a chegada de mais visitantes e atender as necessidades de curta mobilidade dos cidadãos não sejam respeitadas e entendidas.

Na Praça da Piedade, no Califórnia, em Itabuna, mobiliário e equipamentos foram alvo de vandalismo durante as festividades de final de ano, tendo sido destruídos completamente: seis bancos em concreto armado, quatro aparelhos de ginástica ao ar livre e três brinquedos do parquinho infantil.

Também têm sido objeto de vândalos equipamentos públicos do Conceição, Fátima, Mangabinha e Santo Antônio, dentre outras localidades.

Como é que as pessoas não cuidam dos bens que são públicos, representam investimentos e ações destinados ao lazer, entretenimento e ao convívio social de crianças, idosos e pessoas de todas as idades? É de difícil compreensão esse mecanismo de tantas maldades.

Precisamos cuidar do que é de todos, a partir dos cuidados com o que temos na individualidade: a casa, o carro, a moto, a bicicleta, a rua, o bairro e a cidade como um todo.

De nada adiantam falsas indignações em nível local por quaisquer motivos e admirações com o que vemos e observamos em outras cidades, estados e países onde pessoas que vivem nestas localidades têm respeito e cuidado com equipamentos e mobiliários públicos. É preciso amar a cidade onde se nasceu e se vive cada dia mais. A beleza é de todos.

Portanto, um chamado à razão: os cidadãos e cidadãs de Ilhéus e Itabuna não podem ficar indiferentes a este cenário dantesco de desprezo ao que possuem de bom e belo. Não!!! É de fazer chorar a forma como algumas pessoas tratam estas duas cidades do sul da Bahia, que num passado recente tinham mais amor. Por isso, integravam a Civilização do Cacau.

Luiz Conceição é jornalista e bacharel em Direito pela Uesc.

Praia do São Miguel, no litoral norte de Ilhéus || Foto Márcio Filho/Ministério do Turismo
Tempo de leitura: 2 minutos

Não sei se o cantor e compositor Jorge Ben Jor conhece a região norte de Ilhéus, porque o local parece ter servido de inspiração para a canção País Tropical, composta em 1969.

 

Cláudio Rodrigues

 

 

 

 

Os governos estadual e municipal mantêm um completo descaso com o Litoral Norte de Ilhéus. Frequento essa região desde 1989, há exatos 37 anos, e o cenário nesse período só piorou.

O descaso por parte do Governo do Estado está relacionado à segurança pública e à Embasa.

O policiamento é inexistente e as casas são frequentemente arrombadas e furtadas. A zona norte de Ilhéus não conta com saneamento básico, as pessoas utilizam água de poços e o esgoto é descartado em fossas.

Alguns hotéis e pousadas jogam dejetos nas áreas de mangue e no mar em flagrante crime ambiental, sem que os órgãos responsáveis pelas políticas relacionadas ao meio ambiente façam algo para coibir esse crime.

A Prefeitura de Ilhéus não investe um mísero centavo na faixa litorânea de dezenas de quilômetros, com extensa área de Mata Atlântica, belos coqueirais e margeada pelo Rio Almada.

Nas vilas de Barramares, Mar e Sol, Joia do Atlântico, Ponta da Tulha, Ponta do Ramo, Mamoan e Luzimares, o lixo é descartado de forma irregular, acumulando ao longo da BA-001 e também na foz de rios e outros corpos d’água.

A Prefeitura de Ilhéus não tem um esquema especial para a coleta do lixo na alta estação nessas localidades. Como pode um paraíso, com belas praias e natureza exuberante, ser o retrato do descaso dos poderes constituídos?

É uma tradição da concessionária Neoenergia Coelba brindar moradores, veranistas e turistas com constantes faltas e quedas de energia elétrica em toda a alta temporada. O que causa prejuízos, como queima de equipamentos eletroeletrônicos e prejuízos aos médios e pequenos comerciantes.

Não sei se o cantor e compositor Jorge Ben Jor conhece a região norte de Ilhéus, porque o local parece ter servido de inspiração para a canção País Tropical, composta em 1969. Um trecho da música diz: “Moro num país tropical / Abençoado por Deus / E bonito por natureza, mas que beleza”.

Caso Ben Jor não conheça, sugiro que visite esse local de extrema beleza antes que a ação do homem e o descaso das autoridades acabem com esse paraíso para sempre.

Cláudio Rodrigues é jornalista e assessor de Comunicação da Empresa Municipal de Águas e Saneamento de Itabuna.

O Natal que encanta corações || Foto Pedro Augusto/Secom-Itabuna
Tempo de leitura: 3 minutos

 

Tenho plena consciência das transformações do mundo, que a cada dia nos apresenta mudanças, nem sempre para o bem. E teremos que ter a capacidade de nos adaptar aos chamados novos tempos, sempre preservando a nossa dignidade.

 

Walmir Rosário

Logo no início de dezembro nosso cérebro vai se enchendo de mensagens por conta das festas natalinas. Parte menor dessa comunicação deve ser aproveitada, pois atinge, em cheio, nossa alma, tocando a mente e o coração. A grande maioria nem tanto, pela falta de essência – tipo palavras ao vento –, que entra por um ouvido e sai pelo outro.

De qualquer maneira considero positivo, dado o tom e a essência desses informes, que nos incutem mensagens positivas de bem-estar e amor ao próximo em quantidade muito acima do que recebemos durante o ano inteiro. Acredito eu – e só serve tão somente pra mim, como diz meu amigo José Nazal – que essa fartura de informações nos obriga a pensar, fazer uma profunda reflexão.

E geralmente iniciamos pelos projetos que pensamos para o ano que se finda, veremos o que aproveitamos de verdade, se seguimos à risca, ou os que abandonamos ao longo dos meses, seja por falta de desfrute ou impossibilidade de execução. A cabeça roda (no sentido figurado) para lembrarmos se fizemos o bem como previsto no final do ano passado.

E essas reflexões atingem o ponto máximo quando buscamos saber se somos felizes. Embora confesse que até hoje não conheço a fundo os fatores necessários para efetuar tal mensuração, me ponho a pensar se não pisei na bola mais do que deveria. Tarefa difícil, mas necessária para colocar os pensamentos em dia, pois depende de uma análise isenta sobre si mesmo.

E aí é que está a importância do autoconhecimento, tão buscado por nossos filósofos, principalmente de Sócrates pra cá. Decifrar o “só sei que nada sei” requer mais do que muitos estudos e é primordial sermos honestos com nós mesmos, humildes o suficiente para realizarmos uma investigação séria, isenta, verdadeira, como merece.

Deveremos nos despir de todas as vaidades e arrogâncias que gravitam no nosso interior e exterior. Não é uma tarefa fácil, mas necessária se nosso projeto for chegar à satisfação interior, o “ser” e não apenas o “ter”, reconhecendo que este último não deve ser desprezado, mas conseguido de maneira honesta, na qual um negócio só pode ser considerado bom quando vantajoso para as duas partes.

Tenho plena consciência das transformações do mundo, que a cada dia nos apresenta mudanças, nem sempre para o bem. E teremos que ter a capacidade de nos adaptar aos chamados novos tempos, sempre preservando a nossa dignidade. O incrível é que, com todo o conhecimento à disposição, o homem se embrutece a passos largos e cria novos e mais complicados conflitos.

É preciso parar com frequência para refletir nossa vida e o que nos rodeia, para que possamos julgar nossa vida, analisando atos e fatos e promovendo as mudanças necessárias ao nosso interior. Com isso, é bem possível que possamos viver em paz com nós mesmos e com os que nos rodeiam, para tornarmos o mundo melhor.

Não espere apenas por Papai Noel, pois assim, a cada final de ano, poderemos contribuir para construir uma sociedade melhor.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado e autor de  autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

Rosivaldo Pinheiro é comunicador, economista e especialista em Planejamento de Cidades (Uesc)
Tempo de leitura: 2 minutos

 

Não busquemos saber em que pé o calo aperta mais, se o esquerdo ou o direito. Façamos o que propôs as havaianas e “entremos no próximo ano com os dois pés”: firmes, fortes e em equilíbrio, dispostos a derrubar muros divisores e portas fechadas no caminho.

 

Rosivaldo Pinheiro

Estamos vivendo os últimos dias de mais um ano e, igualmente aos anteriores, acompanhamos as divisões postas e expostas na sociedade brasileira no campo político desde a divisão ideológica que vimos nascer a partir da ascensão do golpe contra Dilma Rousseff, numa tese fabricada que atribuiu a ela um crime de responsabilidade, através do qual ela sofreu impeachment.

Em seu lugar assumiu o vice Michel Temer. E, de lá para cá, tivemos uma série de desdobramentos, um grande enredo com características e complexidades que só uma democracia em vertigem pode explicar: um ex-presidente sai da prisão – levado a ela por caminhos escusos, disputa e ganha as eleições, assumindo o comando do país pela terceiro vez – único na história. E um presidente que disputa e perde as eleições, único no pós-reabertura democrática que disputa uma reeleição e não vence, tenta se manter no Poder e, três anos após, acaba preso.

Por essas trajetórias já se pode avaliar o nível de embates e narrativas existentes.

O chamado que fica é a necessidade de construção de um país para todos, na certeza de que o caminho será através do voto popular. Assim exige o funcionamento do processo democrático a que vivemos no Brasil. Nele, os vencidos dão passagem aos vencedores e buscam uma nova chance na próxima eleição. Os vencedores buscam apresentar resultados através da governança para ser reeleito ou apresentar quem será o seu sucessor, submetendo-o ao escrutínio popular.

Enfim, nossas ceias natalinas ou os almoços de domingo não são os mesmos nos últimos anos. Sempre temos ausências em função dos embates ideológicos. Que tal darmos uma trégua?

Aproveitemos o espírito natalino e as vibrações positivas da virada de ano para estabelecermos essa reflexão necessária. Não busquemos saber em que pé o calo aperta mais, se o esquerdo ou o direito. Façamos o que propôs as havaianas e “entremos no próximo ano com os dois pés”: firmes, fortes e em equilíbrio, dispostos a derrubar muros divisores e portas fechadas no caminho. Vamos superar os atrasos que nos paralisam como nação.

Que 2026 represente uma nova oportunidade de crescimento pessoal para todos nós, que a democracia siga o seu curso e que a paz esteja em nossos corações e lares. Um Ano Próspero a todos!

Rosivaldo Pinheiro é comunicador, economista e especialista em Planejamento de Cidades (Uesc), além de secretário da Educação de Itabuna.

Os sábados do Beco do Fuxico sempre são agitados || Arquivo
Tempo de leitura: 3 minutos

 

 

Daí pra frente como um animal gregário que sou, sentarei às mesas com dezenas de amigos e confrades que fazem dos sábados no Beco do Fuxico a mais importante trincheira da boemia itabunense.

 

Walmir Rosário 

Posso assegurar que continuo vivo e gozando da mais perfeita saúde, avalizado por um conceituado médico após ler e reler o papelório enviado pelo laboratório de análises clínicas. Sequer um Melhoral, Cibalena ou outro qualquer medicamento me foi receitado, embora o ilustre esculápio tenha me alertado sobre os anos que pesam na minha cacunda, como se dizia antigamente.

Confesso que comemorei o feito por pelos menos três semanas, em encontros com amigos para uns dois dedos e prosa, sempre mediados por uns goles de cerveja, bons aperitivos de cana e apetitosos tira-gostos. Como Canavieiras ficou pequena para as comemorações, fui com Batista levar a boa nova a Una, desta vez sem a presença de Valdemar Broxinha e seu violão.

Após esse período de vida social agitada resolvi – solenemente – mergulhar no recôndito do lar para mais que um merecido descanso, pois afinal ninguém é de ferro. Estripulias à parte, nada melhor do que um período sabático – por menor que seja – para as devidas meditações e análises de ações pretéritas e o planejamento do breve porvir.

Nesta sexta-feira (também conhecida pelo início do fim de semana) acordei cedo, e embora não tivesse a menor necessidade de pegar o sol com a mão, a pequena claridade me anunciou um novo dia. Não posso negar que ao abrir os olhos me senti mareado, como se tivesse navegado por mares bravios, apesar da maciez do colchão que me ajudou a dormir o sono dos justos.

Deixei a cama bem devagar, abri uma fresta na cortina para me situar bem da localização e descobri que estava em local sabido e seguro. Não me contive e escancarei a cortina, permitindo o clarão solar penetrar em todo o quarto. Foi aí que me dei conta estar em frente ao famoso, histórico e não menos agradável Beco do Fuxico, em Itabuna, na Bahia.

Aos poucos fui recuperando a consciência do meu novo endereço, com nome de rua e CEP. É que deixei Canavieiras para os passeios de finais de semana, onde encontrarei os amigos bem chegados para novas comemorações. Aos poucos contive meus ímpetos, afinal tinha a obrigação familiar de ajudar na arrumação da bagagem, colocar a casa em ordem.

De pronto, digo e repito que esse não é o tipo de obrigação doméstica que tenho desvelo, embora não seja de correr do chamamento ao dever, desde que não prejudique a torta coluna e demais músculos atrofiados. Por volta do meio-dia, com o coração palpitando, desci o Beco do Fuxico em busca de alguns produtos para casa, cumprimentando alguns amigos e prometendo revê-los em muito breve.

Para não ser traído pela memória resolvi pegar um bloco de notas de uma caneta e traçar o caminho deste sábado, quando os estabelecimentos etílicos do Beco do Fuxico estarão no auge de suas atividades. Logo cedo passarei para cumprimentar o Brigadeiro Eduardo Gomes no bar Artigos Para Beber, e duas quadras após chegarei à Fuxicaria e farei o reconhecimento dos confrades.

Caboclo Alencar e o aluno repetente

Ao lado, no ABC da Noite, pedirei ao Caboclo Alencar a renovação de minha matrícula, sem muita burocracia, diante de minha condição de aluno repetente desde o século passado. Pra começo de conversa, serei servido com uma das mais famosas batidas de minha predileção por dona Neusa, quando então me sentirei no meu segundo lar.

Daí pra frente como um animal gregário que sou, sentarei às mesas com dezenas de amigos e confrades que fazem dos sábados no Beco do Fuxico a mais importante trincheira da boemia itabunense. Entre um gole de batida e um copo de cerveja não deixarei de cumprimentar outras “tribos”, inclusive as que raramente aparecem para um gole, além dos abstêmios. Sim, eles existem!

E alguns ainda não acreditam em amigos (os verdadeiros). Por ironia do destino, ao comentar o amigo e irmão José Augusto Ferreira que estaria retornando – de mala e cuia – a Itabuna, minutos depois e comenta com outro confrade, o Paulinho Neto. Por incrível que pareça, Paulinho responde: “No meu prédio tem um apartamento vagando e já é dele”.

Agora, para entrar no Beco do Fuxico nem dobro esquina, basta traçar uma perpendicular e descer a ladeira.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado e autor de  autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

Celina Santos denuncia números alarmantes da violência contra as mulheres || Foto Joédson Alves/ABr.
Tempo de leitura: 2 minutos

 

Homens de hoje, muitas vezes, querem ao lado uma mulher com comportamento semelhante à bisavó deles.

 

 

 

Celina Santos

Chegamos à reta final do primeiro quarto do século 21 com um cenário de conflito entre os gêneros.

Ainda vemos discussões que evocam termos dos antigos contos de fadas. Bem fofo, hein?

Chovem trocas de acusações de que candidatos, pretendentes e afins vestem a capa do “príncipe”.

Nesta era da velocidade, porém, não se tem paciência pra sustentar tal face. Então, a pele de “sapo” logo ganha forma.

A queda-de-braço vem em tentativas de dominação, ciúme/posse e só cresce o número de conflitos que terminam em feminicídios.

Até este início de dezembro de 2025, já foram registradas 1.075 mulheres assassinadas. O número de tentativas ultrapassa dois mil.

A maioria desses crimes retrata uma trágica realidade: o ex, simplesmente, não aceita ser ex-cluído.

É como se o homem da atualidade não aceitasse a mulher no cenário pós-moderno.

Como assim? Ela quer olhar o espelho e escolher com qual roupa quer sair de casa???

Quer bancar a independente e pagar as próprias contas? Escolher a balada do final de semana?

“Na-nani-na-não!”, esbravejam os parceiros. Aliás, os candidatos a maridos que matam para não reconhecer na mulher o direito de ir, vir e só permanecer enquanto estiver feliz.

Homens de hoje, muitas vezes, querem ao lado uma mulher com comportamento semelhante à bisavó deles.

É como se o macho-alfa não se sentisse tão alfa assim se a sua parceira (esposa, namorada, ficante, peguete ou qualquer outra denominação que o valha) tivesse a audácia de exigir uma tal liberdade. Que medo…

Celina Santos é redatora-chefe do jornal Diário Bahia; formada em Comunicação Social/Rádio e TV (Uesc); em Jornalismo (FTC) e pós-graduada em Jornalismo e Mídia (FacSul/Anhanguera).

Bolsonaro teve nova prisão decretada ao danificar tornozeleira eletrônica || Foto Marcelo Camargo/ABr
Tempo de leitura: 2 minutos

 

 

 

Finalmente, o garoto/idoso das motociatas ruma para o presídio. Mas já provocou arranhões profundos na identidade do país.

 

 

Celina Santos

Neste dia 22 (sem trocadilhos?), não há como negar a divisão de sentimentos que toma conta do nosso Brasil.

De um lado, o grupo que abraçou a ideia de ter entregue o poder da Pátria a um mito.

Na verdade, um homem que havia exercido vários mandatos na Câmara Federal. Aquela que pagamos pra fiscalizar o Executivo e propor leis.

Aí, volta e meia, indagamos: ele propôs o quê? Defendeu quais bandeiras? Fiscalizou algo?

Por que arregimentou número tão expressivo de admiradores (ou seguidores, dizendo uma palavra da moda)?

Veio a magia do tempo correndo. Sempre ela. O deputado de declarações polêmicas seguiu ganhando nosso dindin – ops, dindão …

Ele disse, entre tantas famosas pérolas do tal “sincericídio”, que:

– “a única filha era uma fraquejada” (mulher após quatro machos);
– “a colega deputada federal não merecia ser estuprada, porque era feia”;
– dedicou o voto pelo Impeachment à memória do General Carlos Alberto Brilhante Ustra!
– Quem? Coisa pouca, minha gente. Tinha como ídolo o torturador-mor no Regime Militar…

Entre tantos pontos que fomentam e merecem reflexões, estão os motivos para tamanha identificação.

Valores como cidadania, respeito, empatia, amor ao próximo parecem em xeque nessa dicotomia.

Após quatro anos de Presidência da República, o que se concebera como menino mau sacode discussões e colhe inimizades até entre famílias.

Finalmente, o garoto/idoso das motociatas ruma para o presídio. Mas já provocou arranhões profundos na identidade do país.

Celina Santos é graduada em Comunicação Social (Rádio e TV) pela UESC, em Jornalismo pela FTC; pós-graduada em Jornalismo e Mídia pela então FacSul e redatora do jornal Diário Bahia.

Tempo de leitura: 4 minutos

Mesmo não valorizado e devidamente protegido, o patrimônio histórico e cultural da cidade é vasto.

 

Efson Lima | efsonlima@gmail.com

O município de Ilhéus será reconhecido, em breve, como a Capital Nacional da Rota do Cacau e do Chocolate. No Congresso Nacional tramita o Projeto de Lei nº 4.402/2023, de autoria da deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA). Na Câmara Federal, o projeto recebeu parecer favorável do deputado Bacelar e, no Senado Federal, o senador Ângelo Coronel, relator da matéria, destacou a experiência da economia solidária, arranjo de agricultores familiares em torno da fábrica–escola Chocosol, implantada pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia na Uesc.

Na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária, no Senado Federal, houve aprovação à unanimidade do projeto, e o prazo para recurso encerrou em 19/11/25, não havendo objeção de senadores. Agora, segue para a sanção presidencial. Portanto, a cidade de Ilhéus será contemplada com o título.

Não se pode negar que a existência de uma Rota do Cacau e do Chocolate permitiu a concessão do título a Ilhéus, mas o próprio nome evidencia que é uma estratégia coletiva da região que muito poderá favorecer a consolidação do turismo, especialmente, ao longo da BA 262 – “Estrada do Chocolate”, que liga Ilhéus a Uruçuca, uma rodovia que possui diversas fazendas de cacau e ainda parte de mata atlântica exuberante. Essas fazendas têm aberto suas porteiras para receberem turistas e visitantes.

Elas evidenciam o passado, mas também sinalizam para a produção de chocolate crescente na região, inclusive, reunindo mais de cem pequenas unidades produtivas e alcançando diversos municípios. Sendo assim, o Título de Capital da Rota do Cacau e do Chocolate põe em relevo a trajetória exitosa de uma rede de pessoas, empresas e instituições que enxergaram no cacau e nos seus derivados, como o chocolate de origem, um caminho criativo, sustentável e transformador para toda a Região, que durante anos produz e cada vez com mais profissionalismo e expertise, conforme aponta Alderacy Pereira da Silva Júnior, jornalista e filho do proprietário da Fazenda Esperança.

A concessão desse título impõe à necessidade de colocar em pleno funcionamento o Museu do Cacau, no centro de Ilhéus. Nele se fazem imprescindíveis investimentos dos governos estadual e federal para que o equipamento possa servir de atração turística e ser um espaço de estudo e valorização da identidade regional.

Ainda na “Estrada do Chocolate” se encontra- a Biofábrica de Cacau, que é símbolo de revitalização da lavoura do cacau, servindo de produção de mudas resistentes ao fungo da vassoura de bruxa. Por sinal, foi a primeira experiência no mundo voltada para a produção contínua e em larga escala de clones de cacaueiros. O Festival de Chocolate promovido anualmente na Princesa do Sul, no mês de julho, também se tornou um atrativo importante. Espera-se também um museu do chocolate que muito colaborará para o ecossistema turístico da região.

A Praça do Cacau, no bairro Cidade Nova, em Ilhéus, inclusive, tem uma plantação de cacau, precisa urgentemente ser recuperada. Quiçá, reproduzir nela, em miniatura, uma fazenda de cacau, como anteriormente havia e para onde diversos turistas eram levados pelas agências de viagens. Não se pode também deixar de citar as fazendas às margens da BR–415, inclusive, com a Uesc e a Ceplac. Essa última, como luta para sobreviver, poderia ser um espaço de constante visitação. Afinal, já foi um dos espaços de referência para a lavoura do cacau.

Ilhéus, internacionalmente, é conhecida como a cidade do cacau, cuja fama foi alargada e projetada pela vasta produção literária de Jorge Amado, que colaborou para internacionalizar o modo de produção da lavoura do cacau, o cultivo, as lutas pelas ocupações das terras e o progresso do sul da Bahia, especialmente, da Princesinha do Sul. Mesmo não valorizado e devidamente protegido, o patrimônio histórico e cultural da cidade é vasto, é possível visitar estruturas coloniais, como a Igreja Matriz de São Jorge, a Capela de Santana no Rio do Engenho e a Igreja de Nossa Senhora da Escada em Olivença. A cidade foi abençoada pela natureza: rios, praias e matas.

É importante destacar a luta do povo Tupinambá pela demarcação, que fez aparecer nos livros de história essa comunidade remanescente de povos originários, cujos apagamentos foram por diversas vezes tentados contra eles. Somam-se ainda comunidades quilombolas e terreiros de candomblé, respectivamente, Morro do Miriqui e o Matamba Tombeci Neto, de 1885; ou o abandonado Terreiro de Odé, no alto do Basílio, que possui quase dois hectares de mata no meio urbano. Então, Ilhéus tem uma vasto conjunto de elementos que podem ser explorados turisticamente, sem perder de vista a sustentabilidade e o respeito aos moradores.

Tudo isso permite reconhecer a cidade de Ilhéus, que, ao longo do século XX, foi a maior produtora de cacau do Brasil. Talvez, somente agora, esteja atenta para o que defendeu Milton Santos, no seu livro “Zona do Cacau”, em 1957: “A Bahia ainda não soube compreender a riqueza que tem e como poderia multiplicá-la, se convenientemente explorada.”

A Zona do Cacau respondia por mais da metade das receitas do Estado da Bahia e foi uma região agroexportadora, entretanto, a partir de 1995, precisou importar amêndoas de cacau para subsidiar a produção industrial local, e o Porto do Malhado se tornou um canal de importação. Infelizmente, a lavoura foi atacada pelo fungo da vassoura de bruxa, impactando negativamente no cultivo de cacau.

Efson Lima é doutor em Direito pela UFBA e membro da Academia de Letras de Ilhéus e da Academia Grapiúna de Artes e Letras.

Amílton (sinalizado e em pé) no Fluminense e no destaque || Montagem Walmir Rosário
Tempo de leitura: 3 minutos

 

 

 

O retrato diz pouco a quem não o viu; a crônica tenta devolver o que a fotografia não entrega: o barulho dos passos na lateral, a respiração antes do cruzamento, a alegria contida de quem volta para casa sabendo que cumpriu o ofício.

 

 

 

Silvio Porto

Havia domingos em que a linha de cal parecia uma estrada para o infinito. No gramado de Itabuna, quando os ponteiros da arquibancada se agitavam, surgia um lateral que não precisava de bravatas para ser gigante. Amilton Guimarães do Nascimento jogava como quem escreve cartas: com precisão, simplicidade e endereço certo.

Num tempo em que laterais “marcavam os pontas” e raramente atravessavam o meio-campo, ele ousava abrir a avenida. Marcava firme, apoiava o ataque sem alarde e cruzava de canhota como quem mede a trajetória do vento — bola tensa, limpa, feita para agradecer de cabeça. De camisa enxuta e braços cruzados nas fotos, parecia discreto; em campo, era decisivo.

O dia a dia de Amilton tinha dois ofícios. Na semana o balcão do banco; nos domingos as chuteiras. E entre um carimbo e outro, o salão e o “society”, onde também virou destaque, acostumado a acertar o gol com a perna esquerda que lhe deu nome. Era o futebol de quem trabalha e, ainda assim, encontra fôlego para honrar a cidade na defesa da seleção e brindar a torcida com boa técnica nos babas das quadras e nos campos abertos principalmente no majestoso Grapiúna Tênis Clube.

A sua rota passa pelos Janízaros de 1963, segue ao Grêmio de 1964 e 1965 e chega ao Fluminense campeão de 1966. No meio do caminho, a Seleção amadora de Itabuna — de 1963 a 1966 —, palco dos domingos que fez  a história de uma seleção que alegrava a cidade. Com ela, Amilton esteve nos títulos que levaram a seleção ao tetra, ao penta e ao hexa do Intermunicipal na sequência de 1963, 1964 e 1965. No clube tricolor, coroou o ciclo com o campeonato de 1966. Nada mal para quem preferia a manchete da bola bem batida ao barulho dos holofotes.

Não faltou concorrência. Albérico, Leto, Zé David, Régis — uma geração de grandes laterais esquerdos. E, ainda assim, na maioria das vezes, lá estava ele entre os onze, pela confiança que os técnicos entregam a quem erra pouco e acerta nos momentos que contam. Tinha a virtude dos jogadores úteis: estava sempre onde o jogo precisava, nem um passo a mais, nem um toque a menos.

Talvez por isso Amilton seja lembrado como “um lateral diferente”. Diferente porque somava sem pedir licença. Porque compreendeu cedo que o futebol é uma língua de gestos simples — antecipar, apoiar, cruzar — e que o extraordinário mora no exato. Diferente porque abriu caminho quando quase todos fechavam; porque a sua canhota servia os atacantes com um respeito de artesão.

Hoje, quando a memória da cidade folheia as próprias páginas, duas imagens nos encaram: o campeão de braços cruzados, o hexa da seleção no mesmo gesto sereno. O retrato diz pouco a quem não o viu; a crônica tenta devolver o que a fotografia não entrega: o barulho dos passos na lateral, a respiração antes do cruzamento, a alegria contida de quem volta para casa sabendo que cumpriu o ofício.

Amilton Guimarães do Nascimento é dessas presenças que sustentam a história pelo avesso — não pelo grito, mas pelo fundamento. Na curva mansa da sua canhota, Itabuna aprendeu que o jogo também é feito de travessias: da defesa ao ataque, do banco ao campo, da rotina ao feito. E que a grandeza pode, sim, ocupar a lateral. Basta ser precisa, simples e generosa como um bom cruzamento ao segundo pau.

Amilton fez história no futebol, no dominó, na mesa de bar, no salão de dança, na amizade leal e companheira, na conversa boa e descontraída de quem soube viver a vida bem vivida. Foi craque de chuteiras e de coração: cruzou bolas com a mesma precisão com que distribuía atenção e gentilezas, deixando no campo os títulos e, na cidade, a saudade doce de um homem íntegro, elegante e generoso.

Sílvio Porto de Oliveira é médico neurologista.