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Finalmente, o garoto/idoso das motociatas ruma para o presídio. Mas já provocou arranhões profundos na identidade do país.
Celina Santos
Neste dia 22 (sem trocadilhos?), não há como negar a divisão de sentimentos que toma conta do nosso Brasil.
De um lado, o grupo que abraçou a ideia de ter entregue o poder da Pátria a um mito.
Na verdade, um homem que havia exercido vários mandatos na Câmara Federal. Aquela que pagamos pra fiscalizar o Executivo e propor leis.
Aí, volta e meia, indagamos: ele propôs o quê? Defendeu quais bandeiras? Fiscalizou algo?
Por que arregimentou número tão expressivo de admiradores (ou seguidores, dizendo uma palavra da moda)?
Veio a magia do tempo correndo. Sempre ela. O deputado de declarações polêmicas seguiu ganhando nosso dindin – ops, dindão …
Ele disse, entre tantas famosas pérolas do tal “sincericídio”, que:
– “a única filha era uma fraquejada” (mulher após quatro machos);
– “a colega deputada federal não merecia ser estuprada, porque era feia”;
– dedicou o voto pelo Impeachment à memória do General Carlos Alberto Brilhante Ustra!
– Quem? Coisa pouca, minha gente. Tinha como ídolo o torturador-mor no Regime Militar…
Entre tantos pontos que fomentam e merecem reflexões, estão os motivos para tamanha identificação.
Valores como cidadania, respeito, empatia, amor ao próximo parecem em xeque nessa dicotomia.
Após quatro anos de Presidência da República, o que se concebera como menino mau sacode discussões e colhe inimizades até entre famílias.
Finalmente, o garoto/idoso das motociatas ruma para o presídio. Mas já provocou arranhões profundos na identidade do país.
Celina Santos é graduada em Comunicação Social (Rádio e TV) pela UESC, em Jornalismo pela FTC; pós-graduada em Jornalismo e Mídia pela então FacSul e redatora do jornal Diário Bahia.


















