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Reverendo Luciano Campelo 

Amados irmãos e irmãs em Cristo,
Paz e Bem!

Neste tempo em que nossa sociedade clama por justiça, igualdade e reconciliação, quero partilhar convosco uma certeza que nasce do coração da fé cristã: Deus é democrático. Sim, o Deus revelado nas Escrituras, o Deus de Jesus Cristo, é um Deus que respeita a liberdade humana, que deseja a participação de todas as pessoas na construção do bem comum, que convoca cada um de nós a ser fermento do Reino de amor, justiça e paz.

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A fé anglicana — enraizada na tradição católica, reformada e aberta à razão e à experiência humana — valoriza profundamente a liberdade de consciência, a dignidade da pessoa e a justiça social.

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A Bíblia nos mostra que Deus criou o ser humano à Sua imagem e semelhança (Gn 1,27). E entre os dons que nos concedeu, destaca-se o livre arbítrio: a liberdade de escolher, de decidir, de participar da história. Não fomos criados como marionetes, mas como seres responsáveis, chamados à comunhão com Ele e com nossos irmãos e irmãs.

“Onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (2Cor 3,17).

Essa liberdade, no entanto, não é libertinagem. É uma liberdade que se realiza plenamente quando se orienta para o amor. Pois, como nos ensinou o apóstolo João: “Deus é amor” (1Jo 4,8), e o amor verdadeiro não escraviza, mas liberta. O amor de Deus é fonte de liberdade, justiça e participação. Por isso, a democracia, quando autêntica, é expressão política do amor em sociedade. É nela que se dá espaço à diversidade, ao diálogo, à dignidade de cada pessoa.

A fé anglicana — enraizada na tradição católica, reformada e aberta à razão e à experiência humana — valoriza profundamente a liberdade de consciência, a dignidade da pessoa e a justiça social. Como bem expressa a nossa herança anglicana, a autoridade da fé deve ser sempre equilibrada com a razão e com a experiência vivida pelo povo de Deus. E a experiência nos ensina que não há paz duradoura onde há opressão, onde há exclusão, onde não há democracia.

Na perspectiva da Teologia da Libertação, aprendemos que Deus toma partido: o partido da vida, da justiça, dos pobres, dos oprimidos. Não para excluir os outros, mas para que todos tenham vida, e a tenham em abundância (Jo 10,10). O Reino de Deus é um projeto de libertação integral, que começa aqui e agora, na história, na luta por uma sociedade mais justa, democrática e fraterna.

Frei Leonardo Boff, um dos profetas do nosso tempo, nos lembra: “A democracia é a forma política que melhor realiza a liberdade e a igualdade, valores fundamentais do Reino de Deus.”

E não podemos esquecer as palavras sábias do nosso querido Arcebispo Desmond Tutu, farol de esperança e reconciliação na África do Sul e no mundo: “Se você é neutro em situações de injustiça, você escolheu o lado do opressor. Se um elefante tem o pé sobre a cauda de um rato, e você diz que é neutro, o rato não vai apreciar sua neutralidade.”

Desmond Tutu nos recorda que a neutralidade diante do racismo, da homofobia, da misoginia, da pobreza e da exclusão é cumplicidade com o pecado. A verdadeira fé cristã nos move a agir com justiça, a praticar o bem, a amar como Jesus amou — sem fazer acepção de pessoas.

Como afirmou Martin Luther King Jr., pastor batista e mártir da liberdade: “A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar.”

E Dom Helder Câmara, nosso profeta nordestino, nos provoca: “Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto por que eles são pobres, me chamam de comunista.”

A democracia, amados, não é perfeita. Mas é o terreno onde podemos, com diálogo, respeito e participação, buscar o bem comum, que é sempre superior ao interesse individual. Só haverá paz verdadeira e duradoura quando todos os grupos sociais forem respeitados, quando os direitos de todos forem garantidos, sem qualquer forma de preconceito, discriminação ou exclusão.

Jesus não fundou uma religião elitista, mas uma comunidade de irmãos e irmãs. Ele andava com os pobres, com as mulheres, com os estrangeiros, com os excluídos. Ele nos ensinou: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça” (Mt 5,6).

E também: “Tudo o que fizerdes ao menor dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40).

Portanto, sejamos também nós, irmãos e irmãs do Cristo Libertador, cidadãos comprometidos com uma fé encarnada, ativa e libertadora. Lutemos por uma sociedade onde todos possam viver com dignidade. Que nossa espiritualidade não seja alienada, mas profética, crítica, sensível às dores do mundo.

Concluo com mais uma palavra de Desmond Tutu: “Meu cristianismo não me permite ficar em silêncio quando vejo o sofrimento. Minha fé me obriga a agir.”

Que o Espírito Santo nos ilumine, nos fortaleça e nos una neste compromisso com o Reino de Deus, que é justiça, paz e alegria no Espírito (Rm 14,17). Que a democracia não seja para nós apenas um sistema político, mas um caminho de amor social, onde todos tenham vez, voz e vida plena.

Assim seja. Amém.

Reverendo Luciano Campelo é padre da Igreja Católica Apostólica Anglicana e frade da Ordem Franciscana Anglicana.

Lançamento do livro "O Berimbau - Valhacouto de boêmios" no Mac Vita
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De uma vez só conseguimos reunir a mais fina flor da boemia canavieirense e das redondezas, com a presença maciça dos membros das gloriosas instituições Confraria d’O Berimbau e do Clube dos Rolas Cansadas, como em tempos pretéritos.

 

Walmir Rosário

Em plena manhã desta sexta-feira, 8 de agosto, me senti abatido, diria até exausto, em meio a um estudo comparado de rituais com vistas à elaboração de uma peça. A cabeça, os miolos, ou sei lá como explicar, ferviam com o vai-e-vem da leitura, justamente num dia considerado o início do fim de semana nos bares e botequins da vida.

Resolvi dar um tempo e me entreter assistindo ao filme Meu Vizinho Adolfo, iniciado na noite passada. De repente, ouço alguém bater à porta se passando por um entregador de uma dessas empresas internacionais de vendas pela internet. Desconfiado, pois não esperava a chegada de encomenda, mesmo assim abro o portão e encontro o amigo e irmão Arenilson.

Após risadas e o costumeiro abraço, me entrega um presente trazido em seu passeio pelas bandas de Bom Jesus da Lapa e Correntina: um litro da preciosa aguardente, ou melhor, cachaça, com o nome de Brejeira. Eu esperava um tijolão de rapadura, conforme promessa feita, mas resolvi não reclamar, haja vista a superioridade do regalo.

Enquanto examino o “precioso líquido”, adjetivo proibido nas boas redações, recebo, via whatsapp, o estímulo do amigo Toncar, direto de Campo Formoso, dando conta que o relógio badalava 11 horas, horário de abrir os trabalhos com o toque de um pequeno sino. Transmiti uma foto da Brejeira pra ele, que fez questão de me garantir que era uma das cachaças de sua predileção.

Confesso que minha estranha sexta-feira com o trabalho de pesquisa e nenhuma perspectiva de encontrar os amigos ao meio-dia em pino nos botecos bateu imediatamente em retirada. Guardei os rituais e escritos e me dirigi à cozinha para providenciar alguns tira-gostos à altura do presente recebido, alterando a rotina com um adeus em alto e bom som ao trabalho.

Muito reservadamente posso contar para você que me concedi férias há pouco mais de dois meses, após o trabalho estafante de editar o livro O Berimbau – Valhacouto de Boêmios, já impresso. Após alguns adiamentos, finalmente, no dia 26 de julho passado, realizamos o lançamento em grande estilo, no Mac Vita, um dos nossos mais acolhedores abrigos em Canavieiras.

De uma vez só conseguimos reunir a mais fina flor da boemia canavieirense e das redondezas, com a presença maciça dos membros das gloriosas instituições Confraria d’O Berimbau e do Clube dos Rolas Cansadas, como em tempos pretéritos. Uma festa pra ninguém botar defeito, regada a uma boa cachaça com Cambuí em infusão e cerveja bem gelada, e ao som luxuoso do saxofone de Cadu Perrucho.

Como era do procedimento regulamentar em alguns sábados na Confraria d’O Berimbau, os confrades prepararam com esmero o famoso “Tiquinho”, nome pomposo para os pratos elaborados e colocados à disposição dos estômagos famintos. Como sempre, para subverter a ordem, Trajano Júnior chegou com duas enormes panelas de com pernil suíno e fatada.

Não quero aqui falar mal ou reclamar do evento, mas fui bastante prejudicado por ter que me ater a receber os confrades e familiares, bem como autografar cerca de uma centena de livros, além de posar para as fotos. Enquanto isso, os convidados se esbaldavam nas bebidas e comidas e nas rodinhas de bate-papo, lembrando com saudade os velhos tempos.

E eu, que sonhava com um longo período de férias, provando da inatividade e dos benefícios do ócio, fui obrigado a interromper a vagabundagem planejada com bastante esmero. Bem que minha mulher me avisou que essa ideia de aposentado tirar férias se tratava de redundância, no bom português, uma utopia desnecessária de ser sonhada. Realmente, por duas vezes fui obrigado a interrompê-la, mas faz parte da vida.

Com a chegada dos confrades do retiro espiritual em Bom Jesus da Lapa, também interrompido pelos passeios nas cachoeiras e alambiques em Correntina, só aguardar o irmãozinho Batista. É que ele se recupera dos dissabores da gota de estimação e breve promoveremos uma inspeção nos botecos de Canavieiras. Desta vez, sem interrupção.

Walmir Rosário é radialista, jornalista, advogado e autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

José Alberto de Lima Filho é vereador de Itabuna e advogado || Foto Divulgação
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Essa é a agenda de desenvolvimento que proponho para a nossa cidade e que precisa continuar a ser colocada em prática nos próximos anos.

 

José Alberto de Lima Filho

Roberto Carlos começa a sua canção A Guerra dos Meninos afirmando: “hoje eu tive um sonho, que foi o mais bonito que sonhei em toda a minha vida”. Eu também tenho um sonho chamado Itabuna, sobretudo no limiar dos seus 115 anos de emancipação política; uma Itabuna mais próspera, justa, criativa e sustentável. E, ao acordar, me dei conta de que esse sonho já começa a se tornar realidade.

Próspera é a cidade com a capacidade e as condições de se desenvolver economicamente, gerando emprego e renda para a sua população, e os investimentos que vêm sendo realizados nos últimos quatro anos e meio pela gestão do prefeito Augusto Castro colocaram Itabuna no caminho do crescimento.

Temos avançado na melhoria do ambiente de negócios em nossa cidade, através dos investimentos em infraestrutura, mobilidade, equipamentos públicos e na criação de marcos legais necessários para a segurança jurídica. Isso sem falar no complexo FIOL—Porto Sul, um importante e necessário vetor de crescimento para Itabuna e região.

Justa é a cidade que, através da riqueza gerada pelo seu desenvolvimento econômico, consegue melhorar a qualidade de vida e bem-estar da sua população com avanços nas áreas da saúde, educação e assistência social, sobretudo, para os mais vulneráveis economicamente.

E, aqui, não se quer dizer apenas investimentos em obras e equipamentos, mas, principalmente, na valorização dos profissionais, verdadeiros abnegados, que prestam esses serviços que são essenciais à população.

Criativa é a cidade que consegue se inserir em uma cultura de inovação tecnológica, ainda mais na era da tecnologia da informação e suas sucessivas ondas, primeiro com os computadores, depois com a internet e agora, mais recentemente, com a inteligência artificial (IA). Precisamos criar todo um ecossistema para que Itabuna se beneficie dos avanços da tecnologia digital, tanto no setor público, quanto privado, inserindo-nos, assim, na vanguarda do século XXI.

Sustentável é a cidade que se desenvolve nos três aspectos acima sem se esquecer da importância da preservação e recuperação do meio ambiente. Estamos localizados em um dos ecossistemas mais ricos em biodiversidade do mundo inteiro.

Precisamos valorizar a nossa cultura de preservação da mata atlântica e de todo o seu bioma, preservação essa que devemos em grande parte ao cacau cabruca. Precisamos ainda recuperar o Rio Cachoeira para que volte a ser um espaço de lazer e de geração de riqueza para nossa sociedade e, para isso, precisamos executar projetos de saneamento básico que o livrem dos esgotos sanitários e demais contaminantes.

Enfim, essa é a Itabuna dos sonhos que começa a se tornar realidade. Essa é a agenda de desenvolvimento que proponho para a nossa cidade e que precisa continuar a ser colocada em prática nos próximos anos.

Álvaro de Campos (Fernando Pessoa) em um de seus poemas mais célebres, Tabacaria, recitou: “Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo”.

As grandes realizações e os avanços da humanidade começaram justamente de sonhos. Assim, convido a todos os grapiúnas que amam esta terra a nos unirmos em prol da ITABUNA que almejamos e merecemos.

José Alberto de Lima Filho é advogado especialista em Direito Público e vereador do Município de Itabuna.

Preta Gil faleceu no último domingo (20), nos Estados Unidos || Reprodução Instagram
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E Drão foi a música escolhida para a despedida musical de pai e filha no palco, emocionando a todos nós. É duro ver o velho mestre nessa dura caminhada, sabendo que vai levar essa dor pela vida afora. Mas a vida segue.

 

Afonso Dantas

Confesso que não acompanhava muito a carreira de Preta Gil, mas era impossível não ver as coisas que ela fazia, pela exposição de mídia que tinha. E, coisa difícil para quem é filha de uma super estrela, como Gilberto Gil, conseguiu brilhar muito também. E ocupou seu espaço.

E nesse espaço teve bloco no carnaval do Rio, fez música, shows, atuou como atriz e empoderou muitas mulheres pelo país, quebrando tabus, como a exposição do corpo fora dos padrões estabelecidos e também pelos discursos em defesa das minorias e da liberdade sexual. Com isso, ganhou seguidores, mas incomodou muita gente, pois quem brilha, incomoda, pois não é todo mundo que se acostuma com a luz.

Mas, ao contrário da carreira de Preta, sempre acompanhei com muito interesse a carreira de um dos maiores gênios da música de todos os tempos, Gilberto Gil. Conheço quase todas as suas músicas e admiro suas incursões por tantos gêneros musicais, como a MPB, o reggae, o funk (o verdadeiro), o rock e o reggae, sempre com muita qualidade e com sucessos que fazem parte de nossa vida.

Quem é da Bahia, de uma certa faixa etária e principalmente quem viveu em Salvador, considera Gil – e Caetano também – como uma espécie de parente que sempre esteve ali por perto e que nos representa. E mexer com qualquer um deles é como mexer com a gente. E quem acompanha Gil, acaba acompanhando sua grande e talentosa família. Seus filhos e netos que herdaram o talento do pai e avô. E mexer com eles, incomoda nosso Gil. E por isso também não gostamos que mexam com eles. Não venha não.

Mas por que falar de Gil, se quem se foi, foi Preta, sua filha? Natural. Por também ser pai de uma filha, que amo mais que tudo, estou sentindo a dor da perda do pai. A dor inimaginável e temida por todos os pais. A dor que já foi sentida por Gil em outra etapa da vida com a perda de Pedro, aos vinte anos, de forma trágica, porém rápida, em contraste com essa perda cheia de sofrimento, com a despedida devagar e extremamente dolorosa de sua filha Preta, aos cinquenta anos.

Gil é extremamente espiritualizado e acompanhamos aflitos como ele tentou preparar sua filha e sua família para a triste, mas inevitável despedida, dizendo para ela ir com calma, tranquilidade e sobretudo com fé, tentando conter uma dor que com certeza, explodia em seu coração de poeta, sempre mais sensível que os dos outros.

E a música Drão é bastante representativa sobre essa vida, essa relação de então amor dos pais de Preta, e essas dores, principalmente quando Gil fala que “os meninos são todos sãos” para Sandra, cujo apelido Drão batiza essa que é uma das músicas mais bonitas que já ouvi, mas que em outro momento da vida, alguns desses meninos já não se encontram mais entre eles, o que é uma dor terrível para os pais, pois contraria o caminho natural da vida.

E Drão foi a música escolhida para a despedida musical de pai e filha no palco, emocionando a todos nós. É duro ver o velho mestre nessa dura caminhada, sabendo que vai levar essa dor pela vida afora. Mas a vida segue. E o show tem que continuar. Força para Gil. E luz para Preta.

Afonso Dantas é publicitário, sócio e diretor de criação da Camará Comunicação Total, CEO da Lá ele! Camisas e Coisas, especialista em Gestão Cultural, membro da AGRAL, torcedor do Bahia e pai de Maria.

Publicado originalmente no Ipolítica.

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Rava Midlej Duque 

Vou perguntar novamente: quem é você agora, depois de tudo que você já viveu? Talvez ainda não saiba nomear, mas há dentro de você uma chama interna que está pedindo um novo começo. E é importante que saiba: não está acontecendo só com você. O convite é coletivo e não poderia ser diferente. Afinal, o caminho é individual, mas a caminhada é coletiva. As energias da terra estão mudando, acredite você ou não. Está acontecendo um chamado para que as pessoas expandam a consciência, que despertem a sua parte mais autêntica. O campo vibracional de todos nós está sendo afetado por novas frequências de realidades. E esta nova jornada será muito mais difícil para quem resistir continuamente à essas mudanças. Porque o único caminho possível é encontrar “ferramentas” que nos ajudem a lidar com essa nova realidade. Não existe a possibilidade de melhorar o mundo externo sem olhar para o mundo interno.

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Nada precisa fazer sentido agora, mas tudo precisa ser sentido.

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A vida (mais do que nunca) precisa que a gente assuma a nossa essência. E assumir, requer sobretudo, reconhecê-la. Isso inclui decodificar os nossos conflitos internos (luz e sombra). Para nós, profissionais da terapia sistêmica e das constelações familiares, os conflitos e as dores que muitas vezes sentimos, ao contrário do que muitas pessoas pensam, não começaram na nossa infância – elas apenas continuam pela infância, após atravessarem gerações.

Qual será o padrão que repetimos quando agimos como crianças assustadas e não como adultos conscientes? O que passamos adiante quando agimos pela dor e não pela coragem? A quem ficamos parecidas(os) quando agimos pela culpa e não pela responsabilidade? Qual destino repetimos quando agimos pela urgência e não pela presença?

Sim, nós carregamos marcas de feridas ancestrais. A pedagogia sistêmica nos ensina: “histórias não contadas viram fantasmas nos porões das casas”. Ciclos que se não vierem a tona, se não forem falados, se não forem transmutados, nunca vão se romper. Mas não queira interpretar pelo pensamento lógico. Nada precisa fazer sentido agora, mas tudo precisa ser sentido.

Identificamos e aprendemos a lidar com isso quando olhamos e dizemos: “eu te reconheço, você faz parte, mas você não me define”. E então damos um passo adiante, olhando para frente. Mas evitamos olhar para a dor com medo de sofrer de novo. E aqui há um grande paradoxo: quando olhamos para o que dói e ressentimos (sentimos novamente), estamos dando presença, escuta e espaço para o que precisa ser visto. E a necessidade da necessidade é ser vista.

Todo conflito tem uma utilidade, e quando essa utilidade cumpre a função, o próprio conflito se desfaz. Mas isso nunca acontece pela exclusão ou rejeição, mas sim pela aceitação. Aceitação da vida tal como é. Porque quando resistimos à aceitar a vida do jeito que ela se fez até aqui, estamos mais uma vez reproduzindo memórias que nos aprisionam. Precisamos aprender a criar memórias que nos libertam.

Rava Midlej Duque é comunicadora e terapeuta sistêmica.

Ilhéus caminha para 500 anos de história || Foto Patrícia Lanini/Socicam
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Efson Lima || efsonlima@gmail.com

O Município de Ilhéus, dia 28/06, completa 491 anos de Capitania e 144 de elevação de cidade. Os dados sociais da Princesa do Sul são assustadores. Segundo o Índice de Progresso Social (2025), a cidade ocupa a 186ª e a 4.124ª posições, respectivamente, na Bahia e no Brasil, afastando-a de um lugar de razoável índice de qualidade de vida. Mas, há luz pela frente. Caso confirme a implantação do Porto Sul, a Ferrovia Oeste – Leste e a cidade tenha um novo aeroporto, diga-se de passagem, que atenderá o Litoral Sul e parte do Baixo-Sul e Médio Sudoeste, além da ponte Salvador – Itaparica, não só Ilhéus, mas toda a região sofrerá um significativo contexto socioeconômico de mudanças.

A Zona de Processamento de Exportação (ZPE) foi criada em abril de 1989, mas até o presente momento não reuniu as condições para a efetiva operacionalização. É óbvio que sem as condições logísticas as chances são mínimas desse complexo sair do papel. Afinal, precisa de transporte para atender a principal característica que é exportar sobre o fundamento do controle alfandegado. A ZPE vai gerar postos de trabalho e ressignificar o território, certamente, imporá desafios à sociedade, mas permitirá também uma ampliação da gama de serviços e, quiçá, provoque uma melhoria de renda da população.

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Estamos muito mais interligado com o sudoeste baiano que com essas duas áreas geográficas. A BA-001 precisará ser redimensionada para dar conta do fluxo de carros e transporte de mercadorias.

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O famigerado aeroporto precisa deixar de ser sonho. O atual na cidade, mesmo reformado e com condições bem melhores que anteriormente (quase um novo aeroporto) não consegue operacionalizar com chuva em razão de não ter os instrumentos necessários. Mesmo assim, o volume de cargas que se espera desse complexo logístico exigirá um aeroporto maior e com condições de receber e enviar mercadorias para outros lugares, sem falar no quantitativo de pessoas que vão usar o serviço de transporte aéreo. Logo, o aeroporto internacional da região do cacau se mostra como uma demanda urgente.

A Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) sobrevive, mesmo diante dos cenários negativos que o projeto atravessa diante da escassez de recursos financeiros. A ferrovia integrada ao Porto Sul consolidará a região como um dos mais importantes complexos de exportação do País, especialmente, agronegócio e mineração. As ferrovias de transporte de mercadorias precisam de portos para terem um performance elevada. Essas intervenções dinamizarão outros municípios: Itabuna, Uruçuca, Itacaré e Ubaitaba, dentre outros.

A Ponte Salvador–Itaparica provocará um maior fluxo no litoral baiano, pois, poder-se—á sair de Salvador e alcançar todo o sul da Bahia em menor tempo. Certamente, impulsionará o turismo e provocará mudanças na região. O baixo-sul, que constantemente esteve menos integrado, agora, será uma rota de encontro e passagem, aproximando as regiões que, conectadas pelo mar e pela cultura do cacau, pouco estiveram interligadas, assim como o Recôncavo. Estamos muito mais interligado com o sudoeste baiano que com essas duas áreas geográficas. A BA-001 precisará ser redimensionada para dar conta do fluxo de carros e transporte de mercadorias.

Oxalá, quem sabe, no futuro, não se vislumbra a concretização de uma ponte que possa ligar Canavieiras a Belmonte, permitindo alcançar a Costa do Descobrimento e o extremo-sul mais rapidamente. E, sobre rodovias, é curiosa a nova BA – 649, que ligará Itabuna a Ilhéus, cujos traçados vão ajudar os moradores do outro lado do Rio Cachoeira e permitirão um novo ciclo de desenvolvimento. Entretanto, essas conquistas não podem estar dissociadas do planejamento urbanístico e de um sério acompanhamento dos órgãos instituídos e da sociedade civil.

Espera-se que quando dos 500 anos da Capitania de Ilhéus, toda a região esteja bem melhor e que a sociedade alcance efetivamente um desenvolvimento social elevado. O Estado da Bahia precisa estar atento para a necessidade de uma Região Metropolitana, cuja tarefa é ajudar na coordenação desses desafios e sonhos. Esses complexos atravessam muitas questões ambientais e não há desenvolvimento efetivo sem um olhar atento para a sustentabilidade. Muito menos a população de baixo poder aquisitivo deve ficar à margem da inclusão socioeconômica e dos debates.

Efson Lima é advogado e professor, doutor em Direito (UFBA) e membro da Academia de Letras de Ilhéus (ALI) e da Academia Grapiúna de Artes e Letras (Agral).

O azeite de dendê Unauê recebeu esse nome em homenagem ao município de Una, onde é produzido || Foto Walmir Rosário
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Walmir Rosário

Sempre acreditei piamente que Deus deixou as coisas boas do mundo para todos os seus filhos, indistintamente, embora alguns se deem ao luxo de esnobar algumas comidas e bebidas por algum motivo. Mas não cabe eu analisar o que eles pensam, o que gostam ou desgostam, nem os motivos que os levaram a abominar certos tipos de comes e bebes. Mas que acho estranho, isto é fato.

Na Bahia protegida por todos os santos, então, é uma infâmia desprezar as iguarias africanas, a exemplo do abará e do acarajé, que fazem sucesso e enchem a boca de água só em pensar. Bote sua cabeça para funcionar e se imagine comendo um acarajé com todo aquele recheio escorrendo pelos “cantos da boca”, com realce para o azeite de dendê! Comida dos orixás, dos deuses!

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Fizemos uma moqueca de vermelho do olho amarelo usando todos os temperos habituais, inclusive gengibre e a banana da terra. A novidade foi o dendê Unauê, que proporcionou sabores incríveis.

Se vosmicê se contenta com uma moqueca sem dendê, do jeito que é cozida em alguns estados, não sabe o que está perdendo. Mas ainda dá tempo de recuperar o atraso e conhecer o novo tipo de dendê que é produzido pela Ceplac, em Una, no Sul da Bahia. Portanto, ao chegar a um bom restaurante ou tabuleiro de baiana do acarajé, pergunte primeiro: Esse prato é feito com o azeite de dendê Unauê?

Caso a resposta seja positiva, sossegue, relaxe e se sinta um privilegiado. Vosmicê estará prestes a embarcar numa experiência gastronômica sem precedentes. Sinta-se no Olimpo e deixe que suas papilas gustativas viajem pelos sabores despertados pelos temperos, gostos e, sobretudo o umami, presente no dendê Unauê.

O engenheiro florestal José Inácio, da Ceplac

Como disse no início dessa crônica, tenho que compartilhar com vocês essa novo dendê, que acredito ser uma iguaria dos deuses. Numa de minhas incursões por Una, encontrei com o colega ceplaqueanos José Inácio Lacerda Moura, engenheiro florestal da Ceplac, e responsável pela introdução do cultivar híbrido desse dendê na Bahia.

Era o ano de 2009 e o projeto previa a associação da alta produtividade do dendezeiro africano com a resistência ou tolerância a pragas e doenças, porte baixo e qualidade do óleo do caiaué. Esse trabalho contou com o apoio da Embrapa Amazônia Ocidental, e a intenção principal era evitar o debacle desse cultivo no Sul da Bahia.

José Inácio é Doutor em Entomologia Agrícola pela Unesp/Jaboticabal-SP; Especialista em Pragas das Palmeiras e Endoterapia Vegetal, também chefe da Estação Experimental Lemos Maia/Ceplac, em Una-BA, e que goza de conceito internacional. Ele explica que o declínio da dendeicultura baiana estava e ainda está calcado em vários fatores, tais como os cultivares existentes, o custo com a colheita em razão da altura, baixa produtividade, óleo com alta acidez em virtude do mau manejo, falta de assistência técnica e problemas fitossanitários.

O problema é agravado no pequeno agronegócio dendê na Bahia, constituído pelos chamados “roldões” que representam a grande maioria das unidades processadoras do óleo, localizadas na região conhecida como Baixo Sul, vem sofrendo sério revés econômico pela diminuição da matéria-prima, ou seja, cachos de dendezeiro. Esses “roldões” são responsáveis pela geração de cerca de 3 mil empregos diretos e de parcela considerável da renda regional.

O cientista ressalta que no campo a cultivar HIE OxG  vem obtendo bons resultados, e no comércio o azeite Unauê inova pois tem menor quantidade de ácidos graxos livres do que o óleo do dendezeiro, por isso é um azeite com menor acidez e melhor qualidade. É também mais insaturado e com maior teor de vitamina “E” e carotenos que o óleo do dendezeiro.

Estudos também demonstraram que o azeite Unauê tem potencial para o preparo de alimentos funcionais, rico em polifenóis, com propriedades antioxidantes e impacto favorável sobre os lipídios plasmáticos humanos relacionados com os fatores de risco cardiovascular. Devido a essas características, o uso do azeite Unauê, principalmente no caso de produtos da culinária tradicional que utilizam o óleo de dendezeiro não refinado, proporcionará produtos de melhor qualidade, sabor, propriedades nutracêuticas e/ou funcionais.

Em tom de brincadeira, José Inácio diz que as baianas de acarajé “odeiam” o HIE (ou Unauê) por ter pouca estearina (mais oleina). Devido a isso, só permite uma fritada – o que é bom para o consumidor. Já o dendezeiro – por ter muita estearina –, permite até 5 fritadas – o que é péssimo para o consumidor. Por fim, a cor amarela da estearina (ou borra) dá o dourado. Já quando feito com o Unauê, fica escuro, pois tem muita oleina. Contudo, o acarajé quando feito com Unauê é maravilhoso.

Walmir finaliza moqueca de vermelho com Unauê

Neste mês realizamos uma experiência gastronômica em casa com o Unauê e fomos bem sucedidos. Fizemos uma moqueca de vermelho do olho amarelo usando todos os temperos habituais, inclusive gengibre e a banana da terra. A novidade foi o dendê Unauê, que proporcionou sabores incríveis. Garanto que vamos repetir a prato, acrescentando outros temperos como experiência e inovação.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Luiz Conceição é jornalista e bacharel em Direito
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Luiz Conceição

“Se você está indo para São Francisco/ Lembre-se de usar algumas flores em seus cabelos/ Se você está indo para São Francisco /Você encontrará muitas pessoas gentis lá”.

Os versos da canção “San Francisco (Be Sure To Wear Flowers In Your Hair)”, de Scott McKenzie, embalaram os jovens e amantes da boa música nos anos finais da década de 1960. Época da vergonhosa guerra do Vietnam.

Atualmente, se você quiser ir às cidades de Los Angeles (L.A.) ou São Francisco, na Califórnia (EUA), tenha muito cuidado.

O estado do oeste americano está com a Guarda Civil e fuzileiros navais nas ruas disparando spray de pimenta, gás lacrimogêneo e até balas de borracha contra pessoas, incluindo jornalistas que fazem o seu trabalho.

Tudo pela insanidade, arrogância e prepotência de um governo eleito para pôr fim ao sonho americano de democracia for export.

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A onda de indignação, iniciada com protestos em Los Angeles, na sexta-feira (6), se espalha na outra grande cidade da Califórnia, aquela das flores nos cabelos e de pessoas sempre gentis. O número total de detidos nas duas cidades gira em torno de 200 pessoas.

 

A sigla Taco, que significa que o Sr. Trump frequentemente “pipoca” ou “desiste” de medidas duras que anuncia, é expressão corrente nos mercados americanos, como dizem os “especialistas”. Menos para impor sua política antiimigração desumana.

Diz a mídia comercial americana e do resto do mundo que o Departamento de Polícia de São Francisco (C.A.) anunciou que 60 pessoas foram detidas na noite de domingo (8) em uma manifestação contra a política de imigração do atual governo.

A onda de indignação, iniciada com protestos em Los Angeles, na sexta-feira (6), se espalha na outra grande cidade da Califórnia, aquela das flores nos cabelos e de pessoas sempre gentis. O número total de detidos nas duas cidades gira em torno de 200 pessoas.

Que saudades dos tempos de Philip Wallach Blondheim, cantor e compositor estadunidense – Scott McKenzie – cuja carreira se iniciou em meados da década de 1950 e tornou-se mundialmente conhecido com a canção San Francisco. Foi escrita para ele por John Phillips, o líder do grupo The Mamas & the Papas.

“Para aqueles que vêm a São Francisco/ O verão será repleto de amor/ Nas ruas de São Francisco/ Pessoas gentis com flores em seus cabelos. Por toda a nação, como uma estranha vibração/ Pessoas em movimento/ Há toda uma geração com uma nova explicação/ As pessoas em movimento, as pessoas em movimento”, diz a canção.

Certamente, depois da repressão, a canção será uma doce saudade do passado.

Luiz Conceição é bacharel em Direito (1994), leitor de temas econômicos e jornalista, desde 1975 (época em que era muito, mas muito feliz!).

Julio Gomes escreve sobre genocídio cometido por Israel contra o povo palestino || Imagem IA/Freepik
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Julio Cezar de Oliveira Gomes

Muito possivelmente você é uma pessoa como eu. Alguém que não é famoso nem rico, que não tem milhares de seguidores nas redes sociais e que mora em uma cidade do interior ou na periferia dos grandes centros urbanos, onde o que fazemos não aparece na grande mídia. Mas a necessidade nos empurra para algum tipo de ação.

É desumano, absurdo e quase inacreditável o que está ocorrendo em Gaza. Ali vemos o exército de Israel avançar e massacrar a população civil desarmada, demolir universidades, escolas, prédios públicos e quarteirões inteiros, e matar, segundo números oficiais, mais de 50 mil pessoas, a maioria mulheres e crianças.

Vemos o que pensamos que jamais veríamos no século XXI: hospitais sendo bombardeados e médicos mortos, ajuda humanitária sendo impedida de entrar no território e cerca de 250 repórteres assassinados, unicamente, porque exerciam sua sagrada missão de mostrar ao mundo a monstruosidade em curso.

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E, reafirmando Jesus, se um dia vier a ser perseguido pela posição pública que assumo, direi para mim mesmo as palavras do Mestre no Sermão da Montanha: Bem-aventurados os que forem perseguidos por amor à minha Justiça, porque deles será o reino dos céus.

 

O genocídio se abate sobre a população de Gaza com todas as suas características: bombardeio contra civis, assassinato de crianças, uso da fome como arma de guerra, cerceamento máximo à imprensa, confinamento da população em campos de fome e morte, impedimento de ajuda externa e total insensibilidade quanto a todos os apelos em favor da vida, não importa se vindo de outros estados nacionais ou do Papa. A empresa genocida segue surda e insensível a tudo.

E o que nós podemos fazer? Muito pouco, é verdade. Mas talvez o pouco de cada um somado ao pouco de todos resulte em algo eficaz para barrar o avanço do extermínio.

Podemos usar as redes sociais. Podemos usar nossa voz nos grupos sociais que frequentamos, senão em nome do grupo ao menos em nome próprio. Podemos deixar claro para todos que nos conhecem que somos contra o massacre e deixar clara nossa posição política, social e humana sobre isso. Certamente não é muito, mas é nosso máximo no dia de hoje.

Vamos nos posicionar sobre o que acontece em Gaza e aproveitar para dizer o mesmo também sobre o que acontece na Ucrânia e em países da África onde as tragédias que ceifam milhões de vidas são ignoradas pela grande mídia.

E antes que você diga que escrevo estas linhas por conta de meu posicionamento político, que realmente tenho, saiba que não é tanto isso, mas é por pensar que aquelas crianças mortas poderiam ser nossos filhos ou netos; e que aquela família faminta – expulsa de sua casa, refugiada, enlutada e sem a menor perspectiva de presente nem de futuro – poderia ser a minha família.

Não é tanto por consciência crítica ou política, mas porque sou cristão que escrevo este texto, porque Jesus não se calou ante as injustiças de seu tempo, ante o apedrejamento da mulher adúltera, ante os vendilhões do tempo e diante dos religiosos hipócritas que manipulavam as pessoas, e por isso Ele foi preso, torturado e assassinado na cruz.

Não serei da legião dos calados nem dos omissos. E, reafirmando Jesus, se um dia vier a ser perseguido pela posição pública que assumo, direi para mim mesmo as palavras do Mestre no Sermão da Montanha: Bem-aventurados os que forem perseguidos por amor à minha Justiça, porque deles será o reino dos céus.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

Wenceslau Júnior escreve sobre papel do Estado no incentivo a agentes ambientais
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Wenceslau Júnior 

Neste 05 de junho, comemora-se o Dia Mundial do Meio Ambiente, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU).

As questões ambientais são palco de debate há longas décadas, desde antes da Primavera Silenciosa (Rachel Carson, 1962). No entanto, o tema tem ganhado ainda mais força e relevância nos últimos anos, em razão dos desastres ambientais, das emergências climáticas, e, sobretudo, da urgência de compreendermos a relação de interdependência do ser humano com o meio ambiente.

Diante da visão de parte da sociedade de que a natureza é apenas provedora de recursos e receptora de resíduos, o imortal Ailton Krenak (2020) anuncia: O amanhã não está à venda! É necessário repensarmos o consumo, fortalecermos os princípios de recusar, reduzir, reutilizar e reciclar. Pela manutenção da vida na Terra, a reformulação dos nossos padrões de consumo e a transição energética e ecológica são mais que necessárias, são urgentes.

Nesse contexto, o Governo Federal, por meio do Ministério da Fazenda e outros Ministérios, lançou o Programa de Transformação Ecológica, propondo um novo modelo de desenvolvimento econômico, que busca reduzir os impactos ambientais e a desigualdade.

Nessa mesma linha, o Consórcio do Nordeste apresenta um plano de transformação ecológica para a região que abriga vários biomas, entre eles a Mata Atlântica e a Caatinga, o último, próprio do Nordeste brasileiro.

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O apoio às Cooperativas e Associações nos grandes eventos, especialmente no Carnaval e São João, se constituiu em uma tecnologia social que se aperfeiçoa ano após ano, ampliando cada vez mais os investimentos, o número de catadores beneficiados e de resíduos coletados.

 

Com os planos apresentados podemos visualizar que estamos, finalmente, vivendo uma era de concepção de desenvolvimento em que as questões ambientais são debatidas em parceria para que seus impactos sejam mitigados e oportunidades de desenvolvimento sustentável e inclusão sejam construídas.

Ainda imbuídos nessa pauta, não podemos deixar de reconhecer e valorizar o papel dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis para a construção do elo entre economia e manutenção da vida na Terra. Esses agentes ambientais, especialmente os que se organizam sob os princípios da Economia Popular Solidária e do Cooperativismo, são os grandes protagonistas dessa temática. São diversas associações, cooperativas e grupos coletivos que desenvolvem trabalhos de educação e sensibilização ambiental, geram renda e reduzem o impacto ambiental ao contribuírem com a retirada de produtos que poderiam sofrer um descarte inadequado.

Por essas razões, o Governo do Estado da Bahia tem investido fortemente nesse segmento. O apoio às Cooperativas e Associações nos grandes eventos, especialmente no Carnaval e São João, se constituiu em uma tecnologia social que se aperfeiçoa ano após ano, ampliando cada vez mais os investimentos, o número de catadores beneficiados e de resíduos coletados.

Além dos grandes eventos, o apoio à regularização, assistência técnica e formação desses grupos também é uma outra vertente que vem se fortalecendo. A doação de equipamentos como prensas, balanças e carrinhos é feita de igual forma.

Ainda nessa temática, o Governador do Estado, Jerônimo Rodrigues, criou um Comitê Executivo sobre a Cadeia Produtiva de Recicláveis, este coordenado pela Casa Civil e com a participação de várias secretarias de estado.

A Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte ocupa o comitê atuando nas ações de Assistência Técnica e Formação, Aquisição e doação de equipamentos e apoio a grandes eventos; a Secretaria de Desenvolvimento Urbano tem a responsabilidade de melhorar a infraestrutura dos galpões; a Secretaria de Meio Ambiente recebeu a responsabilidade de lapidar a legislação e criar o sistema de pagamento pela prestação de serviços ambientais; a Secretaria de Desenvolvimento Econômico busca de atrair mais indústrias que processem o material, entre outras.

Além das secretarias de estado envolvidas, as Voluntárias Sociais da Bahia atuam nessa agenda como grande articuladora das instituições e em busca de financiamento.

Compreendemos, por fim, que o principal desafio desse acúmulo de tarefas entre as secretarias e instituições parceiras é, sobretudo, o de conscientizar os municípios do estado de que as Cooperativas e Associações prestam um serviço ambiental relevante, e por isso precisam ser remuneradas por de forma justa e regularizada.

O Governo do Estado está fazendo a sua parte, os catadores e alguns municípios também, o que já apresenta avanços que nos trazem esperança, mas ainda há muito trabalho pela frente! Neste dia Mundial do Meio Ambiente, convidamos a todos/as a se debruçarem sobre essa pauta que mais do que importante, é essencial para o planeta.

Wenceslau Júnior é professor de Direito da Uesc e superintende de Economia Solidária da Bahia.

Arquivo Walmir Rosário
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Walmir Rosário

Desde a segunda metade da década de 1950 que os torcedores de Itabuna e do Fluminense de nossa paróquia passaram a ter um xodó especial com um jogador, considerado a revelação e que atuou até no Itabuna Esporte Clube, nos fins da década de 1970. Bom driblador, embora sua marca maior fosse o poderoso petardo em direção ao gol. O terror dos goleiros.

Durante anos construiu sua história nos campos de Itabuna, Ilhéus, Itajuípe, Alagoinhas, Santo Amaro, São Félix, Belmonte, e onde mais a Seleção de Itabuna (amadora) jogasse. Não pense que ele não encantou a capital baiana, a Salvador dos grandes times profissionais. Em 1957 ele bagunçou as partidas nos campos da Graça e na Fonte Nova como se estivesse no quintal de casa.

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Santinho era mais que um jogador de futebol, um craque que sabia impor, ao mesmo tempo, o respeito e a admiração dos adversários. Fora de campo, um homem com amigos tantos que surpreendia até mesmo os que o conheciam. Deixou o futebol e foi cuidar dos seus afazeres profissionais em várias áreas, incluindo a Ceplac e a Tevê Santa Cruz.

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Pois é, assim era Santinho, que na vida civil levava o nome de Gilberto Silva Moura, que não se intimidava em jogar na casa do adversário, seja lá qual fosse. No dia 4 de abril de 1957 jogou a partida final do Torneio Antônio Balbino contra a Seleção de Feira de Santana, por ocasião da inauguração dos refletores do Estádio da Fonte Nova.

Jogo empatado em 1X1 e a disputa semifinal definida nos pênaltis, que seriam batidos por apenas um jogador de cada selecionado. Imediatamente o técnico da Seleção de Itabuna escolheu Santinho para bater as cobranças. Cinco penalidades batidas pela Seleção de Feira de Santana: cinco gols. O mesmo placar foi marcado por Santinho. Na segunda série, o mesmo resultado. O árbitro apita para a terceira série e Santinho marca os cinco gols, e para alegria dos itabunenses, o goleiro Carlito defende uma penalidade. Agora era a final.

Dois dias depois a Seleção de Itabuna vence a Seleção de Alagoinhas por 2X0 e o Torneio Antônio Balbino. Na tribuna de honra, autoridades das mais diversas, entre elas o governador da Bahia, Antônio Balbino, o ministro da Guerra, Marechal Lott e o presidente da República, Juscelino Kubistchek, que entregou a taça aos jogadores. Festa em Itabuna e os jogadores chegam como grandes heróis.

Alguns meses depois, fins de 1957, a Seleção de Itabuna volta a Salvador para disputar a final do Campeonato Baiano Intermunicipal contra a Seleção de Salvador. Ganha a primeira partida por 2X0, no campo da Graça, e aplica 3X1 no jogo de volta em Itabuna. Neste campeonato, num jogo bastante tumultuado em Ubaitaba, após a expulsão do goleiro Asclepíades, Santinho, com apenas 20 anos foi escolhido para concluir a partida no gol. Itabuna vence por 4X0.

Santinho na Seleção de Itabuna (em pé, o segundo da esquerda para a direita) || Arquivo Walmir Rosário

E aí Santinho não parou mais até ganhar o Hexacampeonato e estrear no Itabuna Esporte Clube profissional, em 1967. Durante todo esse período, ele se tornou um dos grandes líderes da Seleção de Itabuna. E fez por merecer todo o carinho da torcida, que vibrava com suas jogadas, seu chute certeiro que fazia tremer zagueiros e os goleiros. E não era pra menos, pois mais de uma vez seus petardos furavam as redes adversárias, literalmente.

Santinho sabia impor respeito aos adversários dentro das quatro linhas. Fora de campo, mais ainda. Ele se considerava o protetor dos colegas, principalmente dos garotos recém-chegados no time ou na seleção. Entre eles os “meninos” Bel e Lua, convocados para a Seleção de Itabuna aos 16 anos. No Fluminense, seu Astor, pai de Lua, delegou a Santinho os cuidados com o filho Lua.

Em campo não tinha medo de cara feia nem de zagueiros violentos. Resolvia tudo com sua autoridade de craque de futebol, intimidando os adversários com jogadas mirabolantes e petardos em direção ao gol, com um aproveitamento altamente positivo. Com o tempo soube utilizar sua sabedoria para jogar recuado – em todas as posições –, mesmo na defesa, aproveitando o seu conhecimento de futebol para potencializar as jogadas sem a energia física de antes.

Santinho era mais que um jogador de futebol, um craque que sabia impor, ao mesmo tempo, o respeito e a admiração dos adversários. Fora de campo, um homem com amigos tantos que surpreendia até mesmo os que o conheciam. Deixou o futebol e foi cuidar dos seus afazeres profissionais em várias áreas, incluindo a Ceplac e a Tevê Santa Cruz.

Indiscutivelmente, foi o jogador símbolo da Itabuna das décadas de 1950, 60 e 70, época em que os craques abundavam, ou melhor, como se dizia naquela época, “davam no meio da canela”. E Santinho se sobrepunha às situações ao jogar nas posições em que era escalado, com toda humildade de sua sabedoria, com a intenção de dar tudo de si pela equipe em que jogava.

Santinho nos deixou em 7 de julho de 2009, mas ainda ecoam em nossos ouvidos a voz dos narradores em suas jogadas e os gritos de gol!

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Valdemar Broxinha, com seu violão, no bar Katixa, em Una || Foto Walmir Rosário
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Walmir Rosário

Os sonhos fazem parte da vida de qualquer ser humano, isto é fato, embora possam ser diferentes, como os dedos de nossas mãos, mas existem e são guias para a formação de cada um. Apesar de não ter qualquer estudo ou formação em psicologia ou atividade afim, já presenciei muita gente abandonar os sonhos da infância e juventude e partir para caminhos diferentes.

Volta e meia somos surpreendidos com mudanças substanciais na vida de uma pessoa que enveredou por um caminho profissional e lá pra frente embica por outro, sem qualquer aviso prévio. Na carreira acadêmica não é diferente e não sei o que passa na cabeça dessas pessoas, que próximos a receberem os canudos mandam tudo pros ares, recomeçam em outro curso e se sentem felizes.

Eu não escondo a admiração que tenho pelas pessoas que desde cedo se envolvem pela carreira musical – mesmo a amadora –, pela dedicação, como se não houvesse “outro amanhã” nesse mundão de Deus. Envolvem-se com a arte de cantar ou os instrumentos musicais nas manhãs, tardes e noites com a vocação de um monge a repetir mantras sagrados com a maior tranquilidade.

Num desses sábados passados, como de costume, cheguei à casa de meu amigo e parceiro de ronda nos bares de Canavieiras, Valdemar (Araújo) Broxinha, para sairmos sem lenço ou documento. Jogaríamos conversa fora, veríamos os amigos, apreciaríamos algumas cervejas, tira-gostos de sustança, sempre ao som do violão e voz desse sonoro amigo.

O show em Camacan foi a gota d’água para Valdemar encerrar sua carreira, sob o pretexto de prejuízo nos seus afazeres profissionais na empresa em que era dirigente.

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Para minha surpresa, ele já me esperava na varanda fazendo vibrar as cordas do violão em sonoras melodias. Espantei-me, não pelo fato de tocar e cantar, mas das músicas que ora executava com total maestria, pois eram obras de Sir Charles Spencer “Charlie” Chaplin, Jr, compostas para seus filmes, e que fizeram e fazem um estrondoso sucesso em todo o mundo.

Ele dedilhava Smille, do filme Tempos Modernos; Feelings, de Morris Albert; passando por Maria Helena, cantada por Altemar Dutra; dentre outras obras de sucesso. E Valdemar somente encostou o violão para me servir uma bela cachaça, Amansa Búfalo, se não me engano. Retomou a apresentação apenas com a minha presença na plateia. Senti-me deverasmente privilegiado.

Como sou conhecedor do sentimento de Valdemar Broxinha, me conservei calado, ouvindo com atenção aos acordes sonoros do violão e sua voz suave, apaixonada pelo repertório escolhido. Nosso músico não tem nada a ver com o outro conterrâneo baiano, João Gilberto, mas também se irrita com os presentes que não respeitam a apresentação artística, mesmo em um boteco.

Nos áureos tempos da Bossa Nova e Jovem Guarda, Valdemar Broxinha, crooner da Banda Christians, de Canavieiras, era sucesso garantido em suas apresentações nas matinês, vesperais e soirées. Entre os pontos altos da banda, além do repertório e sonoridade, a impecável vestimenta de cortes bem assentados nos smokings, passeio completo e, no máximo esporte fino.

E o repertório dos Christians não ficava nada a dever aos grandes artistas nacionais e internacionais, tanto assim que ensaiavam os novos lançamentos para entregar – de pronto –, aos seus fãs. Naquela época fazia sucesso a música Meu nome é Gal e os músicos se esmeraram nos ensaios a semana inteira visando estar tinindo na apresentação de domingo em Camacan.

Mas eis que nosso artista resolveu esnobar e, sem comunicar aos integrantes da banda, se apresentaria com uma veste hippie, incluindo uma peruca com os cabelos desgrenhados como a própria Gal Costa. E a plateia não cansava de pedir o sucesso Meu nome é Gal. A banda faz uma pausa e ao retornar, entra o crooner Valdemar Araújo, com seu personagem, cantando como se fosse a própria Gal Costa.

Assim que entram no palco e começam a cantar, a plateia, atônita, inicia a apupar o personagem encenado por Valdemar, que contrastava com o restante dos músicos, estes em seus comportados ternos. Nova música, Valdemar retorna com sua vestimenta padrão e o baile segue normalmente, embora nosso crooner tenha permanecido magoado com as troças.

O show em Camacan foi a gota d’água para Valdemar encerrar sua carreira, sob o pretexto de prejuízo nos seus afazeres profissionais na empresa em que era dirigente. Agora somente tocava com os amigos. E foi justamente o amigo Batista quem resolveu reabilitá-lo na sua carreira intermunicipal, marcando com seu compadre Almir uma apresentação no conceituado boteco Katixa, na vizinha cidade de Una.

E na sexta-feira partimos para Una com a disposição de presenciar uma apresentação de Valdemar Broxinha, em alto estilo, dando a volta por cima em um show intermunicipal, após quase meio século do episódio de Camacan, a ser definitivamente esquecido. Batista, este que vos fala, o Almirante Nélson e Alberto Fiscal. Apoio moral em peso.

Reunido o público frequentador, todas as atenções eram voltadas para Valdemar Broxinha e seu violão. E ele iniciou o show com muito cuidado, se preparou com as honras da casa após umas cervejas e um mocofato de fazer gosto. Sou testemunha e dou fé que Valdemar foi sucesso absoluto, tanto assim que duas novas apresentações foram agendadas: uma em Canavieiras e a volta triunfal a Una.

Finalmente o fantasma de Camacan foi exorcizado!

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

O agrônomo José Alberto de Lima
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Walmir Rosário

A vida do ser humano não se resume numa série de planos. Desde cedo os amigos e parentes começam a perguntar o que você quer ser quando chegar à fase adulta. Questionamentos fáceis, respostas difíceis, embora na maioria das vezes os pimpolhos respondam sem pestanejar: aviador, médico, motorista, engenheiro e, pasmem, até políticos.

Ainda nesta fase, não há qualquer planejamento, no sentido científico, quem sabe muitos sonhos – pensamentos – que passam pela cabeça da criança ou adolescente, geralmente o que busca se espelhar em parentes ou quaisquer outras pessoas com as quais se identifique. Quem sabe lá na frente mude de ideia ou abrace outras oportunidades. O que é natural.

E o exemplo da dedicada vida profissional transferiu para a família, da qual sempre se orgulhou, enaltecendo o convívio com a esposa, seus quatro filhos, todos bem-criados e que lhe deram sete netos. Sim, no alto dos seus 73 anos era chegada a hora de dar um tempo nas constantes viagens a trabalho, e privilegiar a família e os amigos mais chegados.

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Há quem defina como uma pessoa vocacionada, determinada pelos sonhos de criança a que abraçou a carreira com afinco. Tenho um amigo que é tal e qual o pensamento que ora descrevo. Estudou, se diplomou em engenharia agronômica em 1980 pela UFBA, trabalhou por longos 45 anos e sequer pensou em algum momento encerrar a carreira.

Alberto com a equipe de extensão de Ibicuí

Mas chega o momento em que chega a hora de desfrutar de mais descanso no seio da família, com fazem muitas dessas pessoas. Aqui cito um caso particular do meu amigo e ex-colega de trabalho, José Alberto de Lima, também conhecido como Alberto da Ceplac, jequieense que dedicou dois terços de sua vida à agronomia e ao Ministério da Agricultura.

E o exemplo da dedicada vida profissional transferiu para a família, da qual sempre se orgulhou, enaltecendo o convívio com a esposa, seus quatro filhos, todos bem-criados e que lhe deram sete netos. Sim, no alto dos seus 73 anos era chegada a hora de dar um tempo nas constantes viagens a trabalho, e privilegiar a família e os amigos mais chegados.

E Alberto colecionava amigos aos montes por onde passou. Assim que ingressou na Ceplac, lá pelos anos 1980, foi designado extensionista em Itapetinga, transferido dois anos depois para a cidade de Ibicuí, onde permaneceu por 14 anos. Em 1996, assume uma nova missão, desta vez como Auditor Fiscal do Ministério da Agricultura, em Salvador, até 1997.

Em 1998 Alberto foi transferido para Itabuna, embora prestasse seus serviços por várias cidades, a exemplo de Juazeiro e Petrolina, principalmente na inspeção de frutas para a exportação. E nesses 45 anos soube colecionar os amigos por onde passou, desde os colegas de trabalho, clientes do Mapa e os muitos vizinhos das cidades que residiu.

Allberto e colegas auditores fiscais do Mapa

Sempre foi a alegria em pessoa, distinto no trato dos colegas e desconhecidos, pronto a servir a quem dele precisasse, desde a uma simples orientação ou outro préstimo qualquer. A índole de Alberto combinava perfeitamente com a do extensionista, disposto a solucionar desafios junto aos agricultores, expondo os problemas e orientando resolvê-los.

Assim que Alberto chegava ao Clube Seac (Sociedade dos Engenheiros Agrônomos do Cacau), em Itabuna, ao refeitório da Ceplac ou qualquer bar era rodeado de colegas e amigos para um alegre bate-papo. E Alberto era – e é – sinônimo de bom humor, apropriado para contar uma boa história, levantar o astral de um amigo, as vitórias no dia a dia do seu trabalho.

Não posso deixar de citar aqui uma pequena indiscrição (no bom sentido). Sempre que convidado a participar de um encontro ou às comemorações de seu aniversário, eu observava atentamente. O anfitrião se preocupava com os mínimos detalhes sobre as preferências de cada um dos convidados, inclusive se preocupando em oferecer os comes e bebes de acordo com gostos e paladares.

Finalmente, a partir desse maio em curso, José Alberto (Alberto da Ceplac) entra em gozo definitivo dos benefícios de sua aposentadoria funcional, aos 73 anos bem vividos. Entretanto, ele continua em plena atividade no convívio da família, dos amigos, e torcendo pelo Bahia e Botafogo, times pelos quais divide sua paixão no futebol. Vida longa a Alberto!

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Os Ceplaqueanos compareceram em massa ao encontro
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Walmir Rosário

Uma das frases mais em voga nos dias de hoje é “quando o cavalo passa selado você tem que montá-lo”, dando a entender que jamais o indivíduo terá uma nova oportunidade. E isso aconteceu comigo recentemente e me nego a aceitá-la como verdade absoluta, como se eu ou qualquer outro ser humano não tivéssemos obstinação, persistência.

E esses dias eu deixei passar o tal do cavalo selado sem que pudesse montá-lo. Garanto que não se tratou de uma simples falha, incompetência, mas por motivos superiores. Não aqueles dados como desculpas esfarrapadas para não comparecer a compromissos assumidos, mas por excesso de confiança na sumida temporária da malfadada labirintite.

Eu deveria me apresentar às 11h, no Codornas Restaurante, em Itabuna, para o I Encontro dos Ceplaqueanos da Divisão de Extensão de Itabuna, nesse colóquio inaugural. Dada a sua importância, todo o planejamento realizado, bastaria me deslocar de Canavieiras com duas horas e meia de antecedência e abraçar os velhos e queridos colegas.

Missão abortada, devidamente comunicada por WhatsApp, com as devidas escusas e lamentar minha inusitada ausência, comportamento que não faz parte do meu dicionário. Mesmo impedido de estar no evento de corpo presente, mantive o compromisso moral de marcar presença mental, espiritual torcendo pelo sucesso do primeiro de uma série de eventos que prometem entrar em pauta.

 

Não fossem os programas da Ceplac, não teríamos o porto do Malhado, tal como é, os milhares de quilômetros de estradas vicinais, a maior rede de energia rural, a modernidade na telefonia, em todos os campos do conhecimento.

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Mas que os servidores da Ceplac discutiriam nesse encontro, se a instituição continua no leito de morte, sem direito a atendimento com vistas a recuperar seus áureos tempos? Tudo. O engenheiro agrônomo aposentado Luiz Ferreira da Silva anotou em seu livro “A fazenda Corumbá que virou Ciências 60 anos atrás” que a Ceplac era mais que uma empregadora, era uma religião.

Na mesma obra, Luiz Ferreira cita que seu colega e líder extensionista Ubaldino Machado movimentava sua turma por meio da palavra parceiro, em moda nos dias de hoje. Era esse o espírito de corpo implantado na instituição por Carlos Brandão e “Zé Haroldo”, incutindo em todos a chamada filosofia da solidariedade.

Do mais simples operário ao titulado cientista, a palavra colega era o tratamento adequado, pois todos deveriam agir com excelência na sua missão profissional conjunta. Do operário de campo, passando pelo motorista, escriturário, comunicador, técnico, aos profissionais mais graduados, tinham que ser os melhores. E a Ceplac disponibilizavam os meios para tal.

Cada um dos ceplaqueanos carregava consigo o dever de tornar a região cacaueira um modelo de desenvolvimento e até hoje se sentem orgulhosos com famosa sensação do dever cumprido. Ainda hoje perdura o reconhecimento regional sobre a excelente qualidade da formação e desempenho profissional dos ceplaqueanos, distinção que se estendeu por todas as regiões cacaueiras do Brasil.

Assim sendo, têm o que comemorar, comentar o dia a dia na instituição Ceplac, as lembranças das realizações, incluindo aí as dificuldades enfrentadas nas tarefas em locais inóspitos, as vitórias. A Ceplac não era uma simples empregadora, mas uma instituição reconhecida e respeitada pelos que fizeram acontecer na transformação das regiões cacaueiras da Bahia.

Para os mais novos que não puderam acompanhar a missão da Ceplac, vale lembrar que mantinha os departamentos de pesquisa, extensão, ensino técnico, e desenvolvimento atuando dentro e fora das porteiras das fazendas. Esse esforço de inovação tornou possível a implantação da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), ampliando a formação da inteligência regional.

Não fossem os programas da Ceplac, não teríamos o porto do Malhado, tal como é, os milhares de quilômetros de estradas vicinais, a maior rede de energia rural, a modernidade na telefonia, em todos os campos do conhecimento. Estrategicamente, beneficiou todos os municípios das regiões cacaueiras do Brasil, com escritórios, estações experimentais, todos tocados com o que tinha de mais inteligente e de alto poder aquisitivo no comércio.

Mas voltando ao encontro dos servidores da Divisão de Extensão de Itabuna, nada melhor que essa satisfação de bem estar pelo cumprimento das responsabilidades de antes e o reconhecimento de suas participações. Se por anos tiveram esse compromisso com a Ceplac, continuam, como sempre, com a sociedade onde vivem e são distinguidos.

E nada melhor do que viver com dignidade e alegria. No próximo estaremos juntos, parabenizando a eficiência da organização.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Tasso Castro prepara quinto livro sobre o Fluminense do Rio de Janeiro || Montagem Walmir Rosário
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Walmir Rosário

O escritor e torcedor do Fluminense das Laranjeiras Tasso Castro está finalizando um novo projeto para presentear os tricolores de Itabuna e todo o sul da Bahia. E o novo livro tem como título – ainda provisório – Paulistas no Flu: glórias e troféus, em que mostrará a passagem dos jogadores e técnicos que nasceram em São Paulo e fizeram sucesso no tricolor carioca.

O trabalho, resultado de uma pesquisa de fôlego, demonstra que desde 1935 os paulistas são figurinhas carimbadas na trajetória do Fluminense, afastando qualquer rivalidade entre os jogadores dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Nesse ano, a diretoria tricolor, de uma só vez, motivou um feito inédito ao contratar a base da Seleção Paulista.

 

E como tudo que dá certo é repetido, o Fluminense continuou se abastecendo no mercado paulista, o que não era nenhuma novidade. Nos anos 1980 vieram Assis e Vica. Nos anos 2000 chegaram Fernando Henrique, Ricardo Berna, Gabriel, Juan, Leandro, Tuta e Gum. Nos anos 2010, Rodriguinho e Deco, e nos ano 2012, Diego Cavalieri.

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E não se tratava de um elenco qualquer, e sim dos jogadores paulistas que conquistaram o Bicampeonato Brasileiro de Seleções nos anos de 1933 e 1934, atitude ímpar no futebol brasileiro daquela época. E os resultados alcançados pelo tricolor carioca foram à altura das contratações, no mesmo nível de qualquer seleção da América do Sul.

E os impactos positivos começaram a aparecer a partir de 1936, quando iniciou a conquista do tricampeonato, completado nos anos de 1937 e 1938, com muito sucesso. Embora tenha deixado escapar o tetracampeonato em 1939, o Fluminense não se abateu e voltou com supremacia, vencendo os campeonatos de 1940 e 1941, se sagrando bicampeão.

E os cartolas do tricolor das Laranjeiras voltaram a esquentar as turbinas e nos anos 1950, passaram a recrutar novos jogadores no mercado paulista, contratando os craques Marinho, Clóvis e Maurinho. O esquema voltou a funcionar e o Fluminense colecionou títulos no mundial, no Campeonato Carioca e nos disputados torneios Rio-São Paulo.

Muitos ainda se lembram de jogadores famosos e produtivos contratados nos anos 1960, a exemplo de Samarone, Cláudio, Félix (goleiro tricampeão na copa de 1970), Galhardo e Marco Antônio. Já nos anos 1970, a “importação” dos paulistas para o Flu das Laranjeiras continuaram com Didi, Ivair, Manfrini e Rivelino, contratações que mexeram com o futebol brasileiro.

E como tudo que dá certo é repetido, o Fluminense continuou se abastecendo no mercado paulista, o que não era nenhuma novidade. Nos anos 1980 vieram Assis e Vica. Nos anos 2000 chegaram Fernando Henrique, Ricardo Berna, Gabriel, Juan, Leandro, Tuta e Gum. Nos anos 2010, Rodriguinho e Deco, e nos ano 2012, Diego Cavalieri.

E a contabilidade dos troféus na sede das Laranjeiras é altamente positiva na coluna dos lucros. Dos anos 1960 a 2012, o Flu foi campeão Carioca (1969, 1971, 1973, 1975, 1976, 1983, 1984, 1985, 2005 e 2012) e campeão Brasileiro (1970,1984, 2010 e 2012) mantendo no elenco alguns jogadores ou técnicos oriundos de São Paulo, a exemplo de Tim, o estrategista, o único paulista campeão como jogador e treinador; Mário Travaglini em 1976; e Muricy em 2010.

Assim que for publicado Paulistas no Flu: glórias e troféus, Tasso Castro completará cinco publicações sobre o Fluminense do Rio de Janeiro, além de uma que abrange o Fluminense de Itabuna. Uma marca registrada nos livros de Tasso é que não somente ele relata e opina sobre o tricolor carioca, mas torcedores de todo o sul da Bahia.

E nesse novo livro não será diferente dos três últimos, em que vários torcedores escrevem um texto e expõem uma foto com a camisa tricolor. E pelo projeto, a prioridade dos textos se destina a escolher qual o jogador ou técnico paulista que ficou na memória?  Entre eles (jogadores) Félix, Galhardo, Marco Antônio, Samarone,  Manfrini, Rivellino, Assis, Diego Cavalieri ou Deco; e os técnicos Tim, Mário Travaglini ou Muricy Ramalho.

Os livros escritos por Tasso Castro são bastante ricos em informações, sempre obtidas nas fontes principais, documentadas com fotografias e reproduções dos jornais da época. Outros textos obedecem estritamente à lembrança dos torcedores, com o que ouviram e viram nas transmissões esportivas do rádio e TV, além das imagens de jogos assistidos nos estádios, guardadas na memória.

Vale a pena aguardar.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado.