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Rava Midlej Duque 

Vou perguntar novamente: quem é você agora, depois de tudo que você já viveu? Talvez ainda não saiba nomear, mas há dentro de você uma chama interna que está pedindo um novo começo. E é importante que saiba: não está acontecendo só com você. O convite é coletivo e não poderia ser diferente. Afinal, o caminho é individual, mas a caminhada é coletiva. As energias da terra estão mudando, acredite você ou não. Está acontecendo um chamado para que as pessoas expandam a consciência, que despertem a sua parte mais autêntica. O campo vibracional de todos nós está sendo afetado por novas frequências de realidades. E esta nova jornada será muito mais difícil para quem resistir continuamente à essas mudanças. Porque o único caminho possível é encontrar “ferramentas” que nos ajudem a lidar com essa nova realidade. Não existe a possibilidade de melhorar o mundo externo sem olhar para o mundo interno.

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Nada precisa fazer sentido agora, mas tudo precisa ser sentido.

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A vida (mais do que nunca) precisa que a gente assuma a nossa essência. E assumir, requer sobretudo, reconhecê-la. Isso inclui decodificar os nossos conflitos internos (luz e sombra). Para nós, profissionais da terapia sistêmica e das constelações familiares, os conflitos e as dores que muitas vezes sentimos, ao contrário do que muitas pessoas pensam, não começaram na nossa infância – elas apenas continuam pela infância, após atravessarem gerações.

Qual será o padrão que repetimos quando agimos como crianças assustadas e não como adultos conscientes? O que passamos adiante quando agimos pela dor e não pela coragem? A quem ficamos parecidas(os) quando agimos pela culpa e não pela responsabilidade? Qual destino repetimos quando agimos pela urgência e não pela presença?

Sim, nós carregamos marcas de feridas ancestrais. A pedagogia sistêmica nos ensina: “histórias não contadas viram fantasmas nos porões das casas”. Ciclos que se não vierem a tona, se não forem falados, se não forem transmutados, nunca vão se romper. Mas não queira interpretar pelo pensamento lógico. Nada precisa fazer sentido agora, mas tudo precisa ser sentido.

Identificamos e aprendemos a lidar com isso quando olhamos e dizemos: “eu te reconheço, você faz parte, mas você não me define”. E então damos um passo adiante, olhando para frente. Mas evitamos olhar para a dor com medo de sofrer de novo. E aqui há um grande paradoxo: quando olhamos para o que dói e ressentimos (sentimos novamente), estamos dando presença, escuta e espaço para o que precisa ser visto. E a necessidade da necessidade é ser vista.

Todo conflito tem uma utilidade, e quando essa utilidade cumpre a função, o próprio conflito se desfaz. Mas isso nunca acontece pela exclusão ou rejeição, mas sim pela aceitação. Aceitação da vida tal como é. Porque quando resistimos à aceitar a vida do jeito que ela se fez até aqui, estamos mais uma vez reproduzindo memórias que nos aprisionam. Precisamos aprender a criar memórias que nos libertam.

Rava Midlej Duque é comunicadora e terapeuta sistêmica.

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