É de fazer chorar a forma como algumas pessoas tratam estas duas cidades do sul da Bahia, que num passado recente tinham mais amor.

Luiz Conceição
Na primeira semana de janeiro de 2026, fatos ocorridos em Ilhéus e Itabuna causaram indignação a quem acredita que educação, respeito e zelo com bens públicos são inerentes às pessoas, independente de seus níveis sociais e econômicos. Mas, parece que mudou o calendário e continuamos os mesmos com indiferença, desatenção e possuídos por uma ira que nada tem de santa, como na canção.
A descoberta por um mergulhador de um dos patinetes repousando no fundo da Baía do Pontal, sob a Ponte Lomanto Junior, é um absurdo, inimaginável mesmo. Tais equipamentos foram disponibilizados a menos de um mês ao uso público por empresa privada na ex-Capitania de São Jorge dos Ilheos, sob as bênçãos da Prefeitura, interessada em oferecer lazer aos turistas e nativos.
Mas, o fato revela que há uma minoria que não sabe viver em harmonia social, nada respeita e, certamente, é a das primeiras a ligar para programas radiofônicos reclamando de tudo e de todos. É pena que ações para favorecer o turismo, estimular a chegada de mais visitantes e atender as necessidades de curta mobilidade dos cidadãos não sejam respeitadas e entendidas.
Na Praça da Piedade, no Califórnia, em Itabuna, mobiliário e equipamentos foram alvo de vandalismo durante as festividades de final de ano, tendo sido destruídos completamente: seis bancos em concreto armado, quatro aparelhos de ginástica ao ar livre e três brinquedos do parquinho infantil.
Também têm sido objeto de vândalos equipamentos públicos do Conceição, Fátima, Mangabinha e Santo Antônio, dentre outras localidades.
Como é que as pessoas não cuidam dos bens que são públicos, representam investimentos e ações destinados ao lazer, entretenimento e ao convívio social de crianças, idosos e pessoas de todas as idades? É de difícil compreensão esse mecanismo de tantas maldades.
Precisamos cuidar do que é de todos, a partir dos cuidados com o que temos na individualidade: a casa, o carro, a moto, a bicicleta, a rua, o bairro e a cidade como um todo.
De nada adiantam falsas indignações em nível local por quaisquer motivos e admirações com o que vemos e observamos em outras cidades, estados e países onde pessoas que vivem nestas localidades têm respeito e cuidado com equipamentos e mobiliários públicos. É preciso amar a cidade onde se nasceu e se vive cada dia mais. A beleza é de todos.
Portanto, um chamado à razão: os cidadãos e cidadãs de Ilhéus e Itabuna não podem ficar indiferentes a este cenário dantesco de desprezo ao que possuem de bom e belo. Não!!! É de fazer chorar a forma como algumas pessoas tratam estas duas cidades do sul da Bahia, que num passado recente tinham mais amor. Por isso, integravam a Civilização do Cacau.
Luiz Conceição é jornalista e bacharel em Direito pela Uesc.


















