“A BAHIA GANHOU ATÉ DE JESUS CRISTO”

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Em defesa do formato “original”
Em 2012 contam-se 70 anos desde aquela reforma ortográfica, mas ela nunca foi assimilada por alguns setores deste Estado, que perpetuaram o uso do “h” em palavras da família Bahia: bahiano (baiano) e derivados. É claro que tal uso é inteiramente indevido, nada havendo que o justifique. A regra possui somente uma exceção: Bahia. O abuso é visto em geral com o nome de entidades: Federação Bahiana disso & daquilo, e Escola Bahiana de Medicina etc. Os defensores desse formato esdrúxulo vão argumentar que esta era a grafia “original”, mas não importa: o verbete bahiano não existe em língua portuguesa (note-se este termo estranhíssimo: corinthians).
(ENTRE PARÊNTESES)

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DE MARCELO REZENDE SOBRE SAMUEL WAINER

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História do poste que virou personagem
Certa vez, SW chamou à sua sala um foca promissor. “ – Dizem que o senhor é bom… O senhor é capaz de fazer uma matéria sobre um poste? – provocou, ao tempo em que pegava o boquiaberto jovem pelo braço e apontava, da janela: “ – Faça uma reportagem sobre aquele poste ali. Para amanhã”. O rapaz descobriu tudo sobre o bendito poste: quando e como chegou ao local, que peso e tamanho tinha, quanto custou, falou com os operários da Light (conta o bom Marcelo Rezende que até os cachorros que faziam xixi no poste foram fotografados). Dia seguinte, a matéria estava sobre a mesa do chefe. Que a aplaudiu, mas não publicou, por falta de gancho (a história não guardou o nome do repórter). A propósito, o exigente leitor saberia o que é gancho, no jargão das redações?).
NINA SIMONE: O TALENTO E A GROSSERIA

Cantora preferida de Juca Chaves, ela é a mais engagée das divas negras do jazz (certa vez, disse, bem ao seu estilo rápido e rasteiro, que era “a única diva do jazz”): cantou no enterro de Martin Luther King, e fez várias canções sobre os direitos civis – uma delas, Mississippi Goddamn, tornou-se hino da causa negra. Tida como pianista, cantora e compositora das mais dotadas da história, abraçou vários estilos como gospel, soul, blues, folk e jazz, é evidente. Muito perseguida nos EUA, Nina Simone abandonou o país e passou a morar na Europa, onde morreu em 2003. As cinzas, a seu pedido, foram espalhadas por diferentes países africanos.
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Versos dirigidos à mulher sem coração
Sobre Ne me quitte pas já se disse tudo (não de tudo, pelo amor de Deus!). É um soberbo canto de amor (uma cantada?) que Jacques Brel dirige a Suzanne Gabrielle, no momento da separação do casal. Ao contrário dos ianques, os franceses são bons letristas. A mim me encantam os versos “Eu te darei pérolas de chuva/ Vindas de países onde nunca chove” (Moi je t’offrirai des perles de pluie/ Venues de pays où il ne pleut pas) – mas essa Suzanne tinha uma pedra de gelo sob o seio esquerdo… É mais uma canção que todo mundo conhece, e da qual vale repetir uma curiosidade: o registro mais divulgado é o de Maysa (do filme A lei do desejo, de Almodóvar). Nina Simone… Ne me quitte pas.
(O.C.)

















Respostas de 3
“Antes um asno que me carregue do que um cavalo que me derrube”.
Aceito “a nivel de…”, “enquanto professora” (ops) “faço de
um tudo..”, etc., mas abomino o “americanalhismo de “buling”, “free”, “sale”, “rent” e outras idiotices.
Ah! o “mimi” foi genial (“…a mim me encantam os versos…)!
Eu sempre desconfiei desse tal “espírito natalino”. Sempre achei esse sujeito falso.
Todas as vezes que eu ouço falar em uma reunião familiar em que seus membros se confranerizam sob os olhares complacentes do tal espírito natalino fico com uma pulga atrás da orelha.
Primeiro, porque quando eu vejo uma família reunida, penso logo na reunião de ex-presidiários lembrando o tempo em que passaram encarcerados.
E aí então vejo o espírito natalino, de lado, olhando de soslaio para todos os familiares.
Quando as bebidas começam a serem servidas, ele, o tal espírito, começa a ralar os cascos no chão, pronto pra partir.
Quando os ânimos acirram-se, ele cai fora e deixa a lavagem de roupa suja para que os chefes das famílias administrem as mágoas e ressentimentos que surgem na barrela.
Confraternização de natal? tou fora. Especialmente se a trilha sonora for Simone cantando “Então é Natal…
Embora provérbios (ou ditos, anexins, sentenças, aforismos, adágios, apotegmas, máximas etc.) tenham pouco sentido lógico, alguns são indiscutivelmente saborosos, como o citado. Outro de que gosto muito é “Praga de urubu magro não pega em cavalo gordo”. E mais um, ainda no ramo dos quadrúpedes: “Em jumento carregado de açúcar até o rabo é doce”. Creio que à lista de “americanalhismos” não pode faltar “delivery”. Quanto a “a mim me encantam…” acho uma deliciosa redundância, mais ao gosto lusitano do que ao nosso, irmã gêmea da que existe naquele verso que Amália Rodrigues cantou nesta coluna: “… e deu-me esta voz a mim” (“Foi Deus”, fado que Alberto Janes fez para Amália).
Também não sou muito chegado a confraternizações de Natal, ou reuniões de qualquer espécie. Para mim, quase sempre, encontro de mais de três é comício. Mas, em nome da convivência, tento e, às vezes, me dou bem. E creio que isto acontece quando existe a rara combinação de alguns fatores: os chatos não foram convidados; ninguém fala me segurando, como se eu pretendesse fugir (será que advinham?); a música não é alta, apenas audível; quebraram, previamente, os CDs de música baiana, seja lá o que isto queira dizer, jubt9o com “aquele” de Simone. Poderíamos também falar da qualidade do uísque (ao menos às primeiras doses) e das comidinhas – a propósito, quem não bebe ou está de “dieta” melhor faria se ficasse em casa em dia festa. Assim, será lamentado como ausente, não detestado como chato.
No mais, é tempo de lembrar Assis Valente: “Papai Noel,/ vê se você tem/ a felicidade…” – Boas festas!