OS PAIS, OS CARTÓRIOS E AS INVENÇÕES
Nomes próprios seguem a norma ortográfica, não podem ser criados como “marcas” de empresas em agência de propaganda: Anna, Manoel, Luiz, Moraes, Antonio, Helio e outros são invenções dos cartórios (e dos pais), que não devem ser seguidas. Ana, Manuel, Luís, Morais, Antônio e Hélio são as formas corretas, fixadas em 1943 e revistas em 1955. Com o Acordo Ortográfico (oficiosamente em vigor), que unifica as escritas de países lusófonos, criou-se uma dificuldade extra. As palavras Antônio, patrimônio, tônico, Amazônia, Sinfrônio, anatômico e semelhantes não foram, no Brasil, alcançadas pela mudança. Continuamos a grafar esses termos com acento circunflexo, não agudo, como em terras d´além-mar.
________________
Se houver dúvida, consulte Nascentes
De todas as invenções com nomes próprios, talvez a mais notável delas seja Moraes (Vinícius usava esta curiosa variante). Segundo os (bons) linguistas, a forma citada é estranha à nossa língua, uma alteração desnecessária de Morais. Para o filólogo Antenor Nascentes (1886-1972), referência nestas questões, quer se veja a origem no substantivo amoreiral, quer no adjetivo moral (no plural: amoreirais e morais), nunca se chegaria a moraes. Por coerência, teríamos de grafar pardaes, geraes, normaes, banaes, canaes – e por aí segue o lamentável andor da ignorância. Prudente de Morais é município mineiro grafado com respeito à língua; no Rio, Trajano de Morais é outro exemplo.
______________
Prefeitura troca o certo pelo errado

COMENTE! » |
ESSA GENTE PATÉTICA QUE PROVOCA RISO
BEMÓIS E SUSTENIDOS VINDOS DE UBAITABA
Num recanto da vasta internet descubro, com alegre surpresa, a ubaitabense Ceres Marylise Rebouças, dona de texto poético que a equipara aos grandes da área. Leio e ouço a vice-presidenta da Academia de Letras de Itabuna (Alita), em bemóis e sustenidos montados e cantados em CD do músico Roque Luy – e no mais adequado andamento: em tempo de forró, que passo adiante, pois o São João já nos bate à porta. O lirismo da poetisa (“Se eu soubesse do seu sonho, passarinho… Pelas paisagens do meu rosto e no caminho… Verdes prados nos meus dedos… Pés descalços cuidadosos no teu ninho”) é antídoto contra os forrós “universitários” e semelhantes que nos azucrinam._______________
Com a gaveta cheia de poemas, Ceres Marylise, professora universitária aposentada, não tem conseguido organizar o livro que nos está devendo: o tempo é tomado pela Alita, cujo site ela montou e administra. Em compensação, sua poesia vai integrar uma antologia feita por ninguém menos do que Afonso Romano de Sant´Ana, a sair no fim do ano. Além de saber tudo sobre poesia e design gráfico, ela esbanja inesperadas habilidades, como jogar tarrafa (reminiscência da infância banhada pelo Rio de Contas), pegar pitu em loca de pedra, cozinhar e tocar violão. Roque Luy musicou e gravou ainda os poemas Butterfly, Moonlight e Musa companheira, incluídos no mesmo CD.
(O.C.)

















Respostas de 4
(O.C.), agradável, de suave leitura e entendimento, tua dissertação sobre a nossa Via Láctea, o Sol, a Terra, o universo e gente pequena;(essa não cabe nem no nosso paralelo). Afirmo, confirmo e chancelo: é muito bom abrir o domingo lendo, ouvindo e vivendo coisas belas.
Ceres Marylise é um ser iluminado, mora ali, no pontalzinho em frente ao Bar de Ery, entre o tilintar de copos e garrafas compõe seu repertório surpreendente! Parabéns seu Pimenta! Deveria homenagear mais os artistas desta terra! Temos gente incrível….
Quando eu compus,Musa Companheira? eu jamais pensei encontrar Uma mulher de fibra,garra,humana,sincera, e tão bondosa quanto Ceres Marylise.
As suas poesias, já vem em forma de canções…
Muito obrigado Mãe amiga, minha Musa Companheira, Ceres Marilayse
Não deveria ter mexido em nada, já que tanto um quanto outro estavam corretos. Qual é o certo? Cavalcante ou Cavalcanti?