
A praça já se encontrava pronta há vários meses, mas a prefeitura não permitia o acesso das pessoas à mesma, mantendo-a cercada por tapumes, aguardando o aniversário da cidade para que as autoridades viessem inaugurá-la.
Houve grande repercussão, em toda a cidade de Ilhéus, sobre o episódio ocorrido na praça do Pontal, quando, neste sábado, dia 25 de abril, o povo daquele bairro derrubou os tapumes que isolavam a praça, cujas obras já se encontravam inteiramente concluídas, passando a utilizá-la antes que o poder público municipal fizesse a inauguração do logradouro.
Como se sabe, a praça já se encontrava pronta há vários meses, mas a prefeitura não permitia o acesso das pessoas à mesma, mantendo-a cercada por tapumes, aguardando o aniversário da cidade para que as autoridades viessem inaugurá-la.
Como o fato em si já foi bastante comentado, penso que caibam algumas considerações sobre questões que estão subjacentes ao mesmo. Vejamos:
Primeiramente, nossos parabéns à empresa que a fez a obra – à Cicon, no caso da praça da Cidade Nova; e à Cidadelle, quanto à praça do Pontal – e bem menos, mas muito menos mesmo, ao gestor da cidade, ou seja, ao prefeito.

Na verdade, essa “parceria” para que uma empresa privada assuma a construção de uma praça é muito mais um ato simbólico do poder público municipal – ou talvez uma palhaçada, como queiram – para tentar mostrar que o Município (a prefeitura) não tem dinheiro, e por isso não pode realizar obras, nem reajustar salários de servidores, nem construir escolas ou postos de saúde, nem fazê-los funcionar adequadamente, nem fazer mais nada.

As empresas que investem na adoção e reconstrução de praças, como ocorreu com o Supermercado Meira, que por anos a fio cuidou e utilizou a praça Visconde de Cairu, no Centro, mediante a farta colocação de suas propagandas; e como ocorre agora com as empresas Cidadelle e Cicon – de forma bem mais adequada, pois sem colocação das propagandas ostensivas – têm o reconhecimento positivo desta conduta garantido pela população, sem dúvida.
Porém, quanto ao Poder Público, não se pode dizer o mesmo, já que o custo da reforma de uma praça é extremamente baixo, quase irrisório, em se tratando de obras públicas. Por fim, é bom esclarecer que isto não vale somente para o atual gestor. Vale também para os próximos que vierem a assumir a direção de nosso Município.
Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).


















