Otto Alencar presidiu abertura dos trabalhos da CPI da Pandemia
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Médico, ex-secretário e ex-governador da Bahia, o senador Otto Alencar (PSD) passou a conviver com ameaças desde o início da semana passada, quando presidiu a abertura dos trabalhos da CPI da Pandemia. As ameaças chegam por telefone ou redes sociais e partem, afirma, de seguidores do presidente Jair Bolsonaro. Otto disse que está tranquilo, tem vida pública limpa e disse não ter medo do mandatário da República.

Na entrevista exclusiva ao PIMENTA, abaixo, Otto fala do início dos trabalhos, das ameaças e das promessas de cura e resistência à covid-19 com remédios como cloroquina e ivermectina. “Quem faz isso [tratamento precoce] é um charlatão”. Ele também fala do comportamento dos ex-ministros e do atual titular da Pasta da Saúde em depoimentos à CPI da Pandemia no Senado. Confira.

PIMENTA – Qual avaliação o senhor faz da primeira semana de trabalho da CPI da Pandemia?

Otto Alencar – A CPI começou ouvindo ex-ministros da Saúde [Henrique Mandetta e Nelson Teich] e o atual, Marcelo Queiroga, e pretende, no início, ser propositiva. Mostrar que o governo está errado, continua errando na política de saúde do Brasil [na pandemia]. Não é nada contra a figura do presidente da República, mas contra a política de saúde equivocada, errada. General Pazzuelo foi um desastre na administração do Ministério da Saúde. Nós queremos que o presidente mude a sua posição, com mais vacina, mantendo distanciamento físico das pessoas, sem aglomerar, usando máscara, álcool em gel e vacinar o povo brasileiro, pois não tomou decisão no momento certo, o que ficou claro no depoimento dos ex-ministros Mandetta e Nelson. O hoje ministro Queiroga fugiu o tempo todo nas respostas. Ficou até um pouco nervoso.

Por que o ministro adotou essa estratégia, na avaliação do senhor?

Quis preservar o presidente da República, mas, com isso, ele demonstrou uma fraqueza muito grande. Um médico, a Medicina, a Ciência não se rendem a ordem de capitão nem de general ou de quem quer que seja. Tem que fazer a coisa certa, que vai mexer com a vida das pessoas, vai trabalhar em cima da recuperação da vida das pessoas. Isso não pode se submeter a força que não seja a científica. A força bruta nunca venceu a Ciência. É preciso firmeza e trabalhar sintonizado com aquilo que a Ciência determina e prescreve.

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Queiroga quis preservar o presidente da República, mas, com isso, ele demonstrou uma fraqueza muito grande.

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O senhor travou alguns embates na CPI relacionados ao tratamento precoce, da cloroquina. Um foi com senador gaúcho e outro em entrevista à Jovem Pan. Como o senhor vê essa insistência do presidente e seguidores com o tratamento precoce?

É uma grande burrice, total burrice. Não existe tratamento precoce para virose. Há tratamento precoce para sarampo? Não existe. Só tem vacina. Uma criança para não ter sarampo tem que tomar vacina. Para varíola, H1N1, paralisia infantil, vacina. Agora inventaram tratamento precoce para um vírus [coronavírus] desconhecido, que a Medicina não sabe nem tratar direito ainda, e só a vacina resolve. Como é uma doença em que 90%, 95% das pessoas ficam assintomáticos, leves ou moderados, o cara tem a doença, toma qualquer remédio e o cara fica bom. Aí diz que foi o remédio. Isso é charlatanismo. Quem faz isso [tratamento precoce] é um charlatão.

Por ser o decano da CPI, o senhor presidiu o início dos trabalhos e relatou ter sofrido agressões e ameaças. Como avalia esse comportamento?

É o exemplo do presidente. O presidente quer mais armas nas mãos das pessoas, agride a imprensa, como no episódio em que a jornalista baiana foi chamada de idiota, deu vários palavrões em várias oportunidades, é violento e gosta da violência. Então, são pessoas que, cegamente, seguem o [exemplo do] presidente.

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Tomei conta de todos os bilhões de reais na Bahia como secretário estadual, governador… Vou ter medo de quê? Vou ter medo de alguém que não pode se explicar, como o presidente da República?

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Como o senhor reage a essas ameaças?

Da minha parte, bolsonarista estar me atacando nas redes… Tenho vida limpa. São 35 anos de política, nunca respondi a processo. Tomei conta de todos os bilhões de reais na Bahia como secretário estadual, governador, senador… Vou ter medo de quê? Vou ter medo de alguém que não pode se explicar, como o presidente da República? Sou eu, Otto Alencar, que vou ter medo de Bolsonaro? Nunca. Não há a menor chance disso. Estou tranquilo. Pode botar na rede, pode vir para o pau, que eu estou pronto.

CPI se sabe como começa, mas não como termina. Há uma previsão desta, de como ela se encerra?

Vai demorar para acabar. Temos 90 dias e pode demorar mais que isso. É uma situação que pode ser prorrogada nesse momento.

Operação para prender segurança e traficantes reúne 200 policiais || Foto SSP-BA
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Uma megaoperação com 200 policiais militares e civis prendeu, nesta manhã de segunda (10), um segurança e três traficantes apontados como envolvidos nos homicídios de 29 anos e o dele sobrinho, de 19, após terem sido acusados de furto de carne no Atacadão Atakarejo, em Salvador, em 26 de abril passado (relembre aqui). A Operação Retomada foi deflagrada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da capital baiana e investiga os assassinatos de Bruno e Yan Barros da Silva.

Um segurança do Atakarejo e três traficantes do Nordeste de Amaralina foram capturados. Além das ordens de prisão, mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em residências e também no estabelecimento comercial, informa a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA). “Aqui no supermercado estamos colhendo provas através de computadores, documentos, entre outros eletrônicos”, explicou a delegada responsável pela investigação, Zaira Pimentel.

Tio e sobrinho foram entregues pelos seguranças a traficantes e apareceram mortos logo depois

As ações ocorrem simultaneamente nos bairros de Nordeste de Amaralina, Mata Escura, Fazenda Coutos e no município de Conceição de Jacuípe. Participam da operação equipes dos Departamentos de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP), de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco), de Inteligência Policial (DIP), de Crimes Contra o Patrimônio (DCCP), de Polícia Metropolitana (Depom), além da Coordenação de Operações da Polícia Civil, da Coordenações de Operações Especiais (COE), do Graer da Rondesp Atlântico, 40ª CIPM, SI da SSP e DPT.

Saúde distribui mais de um milhão de doses de vacina Pfizer || Foto Carlos Osorio Reuters/Agência Brasil
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O Ministério da Saúde começa a distribuir a partir desta segunda-feira (10) mais um lote com 1,12 milhão de doses da vacina contra a covid-19 da Pfizer/BioNTech. As doses são destinadas para a primeira aplicação em pessoas com comorbidades, gestantes e puérperas e pessoas com deficiência permanente.

Segundo o ministério, todos os estados e o Distrito Federal receberão o imunizante de forma proporcional e igualitária. Na semana passada, o governo distribuiu o primeiro lote de vacinas da Pfizer com 1 milhão de doses.

De acordo com a pasta, a logística de distribuição das vacinas da Pfizer foi montada levando em conta as condições de armazenamento do imunizante. No Centro de Distribuição do ministério, em Guarulhos, as doses ficam armazenadas a uma temperatura de -90°C a -60°C.

Ao serem enviadas aos estados, as vacinas estarão expostas à temperatura de -20°C. Nas salas de vacinação, onde a refrigeração é de +2 a +8°C, as doses precisam ser aplicadas em até cinco dias.

“Em função disso, o Ministério da Saúde orienta que, neste momento, a vacinação com o imunizante da Pfizer seja realizada apenas em unidades de saúde das 27 capitais brasileiras, de forma a evitar prejuízos na vacinação e garantir a aplicação da primeira e segunda doses com intervalo de 12 semanas entre uma e outra”, informou o ministério.

A vacinação contra a covid-19 começou no país no dia 18 de janeiro. Até o momento, contando com esse novo lote, foram destinadas a todas as unidades da Federação aproximadamente 75,4 milhões de doses de imunizantes.