Prédios no grande canteiro de obras da Praia dos Milionários || Foto PIMENTA
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Do PIMENTA

A praia é o local preferido de alguns vendedores. A lista de mercadorias é extensa. Picolé, sanduíche, cerveja, ostra, óculos, pipa, camarão, queijo etc. Na Praia dos Milionários, além disso tudo, vendem-se apartamentos com vista para o mar. É o que fazia a corretora de imóveis Suzane Marques, de 33 anos, numa tarde ensolarada de sábado. Sócia de uma imobiliária, ela costuma ir ao local para oferecer apartamentos a possíveis compradores.

A Praia do Sul, em Ilhéus, nos idos de 1996 || Foto José Nazal

Paulista, vive em Ilhéus há dez anos e encontrou na cidade um mercado em franca expansão. Apesar de ter deixado a família no estado que se gaba de ser a locomotiva do País, não pensa em voltar para São Paulo. “Me apaixonei por Ilhéus”, explicou a corretora ao PIMENTA. Além de vender imóveis, é atriz e faz parte da equipe cênica do receptivo turístico do Porto Internacional de Ilhéus.

A relação de Suzane com a cidade é sintomática da expansão urbana do município, onde tudo aponta para o sul. Na Orla Sul Imobiliária, divide o escritório com mais três corretores, a exemplo de Eva Souza, de 25 anos, que também trocou a cidade Natal, Iguaí, no sudoeste baiano, pela Terra da Gabriela, depois de uma temporada no mercado imobiliário de Salvador.

VALORIZAÇÃO

As sócias Suzane e Eva deixaram suas cidades para atuar no mercado imobiliário de Ilhéus

Para exemplificar a valorização dos apartamentos na zona sul de Ilhéus, Suzane lembrou do Coral Park Residence, da SSN Incorporações. “No lançamento, em 2021, o Coral Park começou por R$ 500 mil. Neste ano, uma cliente comprou um apartamento por R$ 1 milhão”. A unidade em questão tem 95 metros quadrados, suíte, dois quartos e vista total para o mar.

Com vasta experiência profissional, o corretor Evandro Kleber afirma que o mercado imobiliário da zona sul tem duas realidades. “Uma antes e outra depois da ponte”, disse ao PIMENTA, descrevendo o impacto positivo da ponte Jorge Amado na mobilidade urbana. “Antes, já tinha uma valorização dos imóveis, mas existia aquela dificuldade do tráfego, que desestimulava investimentos. Após a entrega da ponte, o mercado cresceu muito. Os construtores tomaram coragem e viram que era um caminho para tirar o atraso dos anos anteriores”.

E tiraram. Segundo Evandro, nos últimos 12 meses, Ilhéus ganhou ao menos seis novos empreendimentos imobiliários, sendo cinco na zona sul. “Nós teremos, provavelmente, mais três lançamentos em 2024, no mínimo”.

A orla sul, em 2014 e 2023, em fotos do memorialista José Nazal

O corretor explica que, em geral, da venda na planta à entrega, a construtora tem prazo de três anos para concluir o prédio, com tolerância de até seis meses em razão de contingências climáticas, por exemplo. Na Carvalho Imobiliária, sua empresa, Evandro observa uma valorização de 50% a 70% dos imóveis entre a venda na planta e depois de prontos. Mas, em alguns casos, ela passou de 100%, acrescenta.

De acordo com Suzane Marques, o condomínio Orizzon, lançado há pouco mais de três anos pela construtora Almeida Carneiro, começou com preços de R$ 500 mil a R$ 600 mil. “Hoje, tem apartamento de quase R$ 2 milhões”. Já Eva Souza citou a valorização dos apartamentos do Vog João de Góes. Vendida inicialmente a R$ 250 mil, uma unidade no condomínio não sai, hoje, por menos de R$ 320 mil, conforme a corretora.

Fred Abobreira e Evandro Kleber ressaltam cuidados na comercialização de imóveis

RESSALVAS

O publicitário Fred Abobreira também é corretor no aquecido mercado imobiliário de Ilhéus. Segundo ele, a alta dos preços é real, mas, às vezes, pode ser inflada pela especulação. “É preciso bom senso de quem investiu e quer vender o imóvel e do corretor, que deve orientar o proprietário/investidor a fazer uma avaliação justa”, recomenda.

Para Evandro Kleber, também é fundamental que o vendedor esclareça informações básicas ao comprador, como as condições de pagamento. Citou como exemplo os juros de obras, aplicados sobre o empréstimo obtido pela construtora para erguer os imóveis, mas cobrado aos compradores dos apartamentos. “A gente tem que ter muito cuidado e deixar explícito para o comprador as obrigações que ele vai ter após a compra, para que não haja dúvidas. Muitas vezes, explicamos, mas ele não se atenta. Por isso o cuidado na hora de abordar um cliente e concretizar uma venda”.

BOLHA?

Vitor, Rodrigo e Raul dirigem duas das três empresas donas do Ilhéus Select

Há quem veja o mercado imobiliário de Ilhéus como uma bolha prestes a estourar. Na avaliação do diretor da B2 Engenharia, Vitor Brasileiro, esse diagnóstico passa longe da realidade. “É um mercado pujante e que tem tudo para continuar numa ascensão interessante, com todo o contexto de investimentos da cidade e região”, afirmou ao PIMENTA.

A B2 Engenharia é parceira da Pelir Engenharia e da Portal Santo Agostinho no Ilhéus Select, que será erguido na zona sul da cidade. Lançado no mês passado, o empreendimento já vendeu 80 das 88 unidades, segundo apuração da reportagem.

Para o diretor da Pelir Engenharia, Rodrigo Peleteiro, a fase de Ilhéus é das melhores. “A cidade tem muitos atrativos naturais e culturais, uma história riquíssima, gente hospitaleira e está vivendo um novo momento, de mais visibilidade com o remake da novela Renascer e de retomada do desenvolvimento econômico, com vários investimentos estruturantes importantes, como a Fiol e o Porto Sul”.

De volta à Praia dos Milionários, transformada em um grande canteiro de obras, os prédios se impõem no horizonte. “Com olhos de vidro de cores vibrantes”, parecem observar a transformação acelerada da zona sul.

Respostas de 4

  1. Os preços absurdos dos imóveis na cidade é por conta desses corretores, criaram tipo de um cartel, a cidade toda desordenada, mal cuidada e os preços não param de subir, um verdadeiro absurdo. A cidade é para turista que tem muito dinheiro, pensar em preço justo não é a liguagem dos corretores na nossa cidade.

  2. Especulação pura! Uma cidade Atrasada, que não oferece nada, não tem sequer um shopping center ou um cinema decente. Prefiro mil vezes continuar investindo em Imóveis em Conquista e Salvador. Em suma, se Ilhéus não tivesse praia seria uma das menores cidades da Bahia.

  3. Acho estranho, todas as imobiliárias estão vender os imóveis colocando as praias como atrativo. Heehee mas será que as pessoas sabem que essas praias estão sujas, com esgoto caindo direto, lixo e entulhos?.Tem um condomínio que está sendo feito basicamente na praia mais suja do sul. Kkkk Não vejo ninguém se mobilizando para por lixeiras nas áreas, ninguém cobra limpeza efetiva e remoção de entulhos e lixo das praias. Seria interessante cada imobiliária fazer uma parte, adotar medidas, doar lixeiras. A situação tá feia. A cidade está suja, são toneladas de lixo sem ser recolhido, tartarugas morrendo nas praias de tanto engolirem lixo. Ninguém se importa, o lixo já foi encorporado como parte do processo.

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