Presidente do PV na Bahia já foi liberado || Foto Divulgação
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O presidente do Partido Verde (PV) na Bahia, Ivanilson Gomes, foi libertado na noite deste sábado (15), em Salvador, e se encontra em segurança, conforme informou a Polícia Civil na manhã deste domingo (16). Ele foi encaminhado para a Delegacia Especializada Antissequestro da Polícia Civil, que está à frente das investigações.

A equipe agora trabalha visando a identificação e prisão de todos os envolvidos no crime. Um dos suspeitos de participar do sequestro já se encontra preso. O acusado seria um filiado do PV e funcionário do partido. Mas a polícia não confirmou o nome dele, que segue detido em Salvador. O suspeito seria morador do Complexo do Nordeste de Amaralina. A polícia chegou ao acusado pela dinâmica do crime.

Os sequestradores chegaram exigindo uma quantia que estaria guardada no local. Como não encontraram, sequestraram Ivanilson Gomes. Ele foi levado por volta das 14h30min de sexta-feira (14), da sede do PV, no Rio Vermelho, em Salvador. A ação foi filmada por câmeras de segurança. As filmagens ajudarão na identificação de dois dos envolvidos, que estão foragidos.

POLÍCIA PRENDE UM DOS SUSPEITOS DE SEQUESTRO DO PRESIDENTE ESTADUAL DO PV

Sérgio Leite recebe Medalha JK durante evento em Brasília || Foto Divulgação
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O CEO de Ferrovias da Bahia Mineração (Bamin) e presidente do Conselho da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Sérgio Leite, recebeu a Medalha JK por sua contribuição ao desenvolvimento do país. A honraria Ordem do Mérito do Transporte Brasileiro foi concedida pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) em cerimônia na sede do Sistema Transporte, em Brasília (DF), na última semana.

A Medalha JK, instituída em 1991, é considerada a mais alta distinção concedida pelo setor de transporte a profissionais que se destacaram por sua atuação e contribuição ao desenvolvimento da infraestrutura e mobilidade no Brasil. Sérgio Leite foi um dos 12 homenageados da edição, que também contou com a presença do ministro dos Transportes, Renan Filho.

Criada em homenagem ao ex-presidente Juscelino Kubitschek, a Medalha JK reconhece o legado do fundador de Brasília e um dos principais impulsionadores da infraestrutura nacional. A honraria é concedida em três categorias – Grã-Cruz, Grande Oficial e Oficial – e destaca líderes e profissionais comprometidos com a modernização do transporte no Brasil.

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O aumento do consumo e, por conseguinte, dos preços, elegeu o cacau como a commodity queridinha da vez, derrubando mitos, e a cacauicultura passou a ser implantada em todo o Brasil, inclusive a pleno sol, pelos grandes representantes do agronegócio do oeste baiano.

 

Walmir Rosário

Não existe qualquer ser vivente que registre hoje um só político visitando a Ceplac e as fazendas de cacau do Sul da Bahia. Faz muito tempo que a cacauicultura baiana começou a ser desprezada por alguns setores da sociedade. E quem inaugurou essa virada foi o segmento bancário, fechando as torneiras para os financiamentos de custeio e investimento.

E esse caso de desamor data do final da década de 1980, com a infestação dos pés de cacau com a vassoura de bruxa, doença que dizimou os cacaueiros e quase mata sem dó nem piedade a principal matriz econômica do Sul da Bahia. Sem recursos para honrar seus compromissos com os trabalhadores, o manejo das roças e, sequer, comprar alimentos para a sua sobrevivência, o cacauicultor foi banido do mundo produtivo, comercial.

Nesta data era comum o desembarque de um monte de políticos no Sul da Bahia, para cumprir um extenso roteiro, a começar pelas instalações da Ceplac, fazendas (principalmente as mais infestadas) e redações de jornais, rádios e TVs. Com o cenho franzido, analisavam a situação de penúria do setor cacaueiro e prometiam reverter a terrível situação junto ao governo federal.

Os políticos de situação semeavam esperança ao garantir as ações salvadoras e os oposicionistas culpavam o governo pela imobilidade que resultou no maior crime de lesa pátria contra a região cacaueira. Como sempre, se autointitulavam representantes da lavoura e cobravam uma votação expressiva para eles (claro), pois assim teriam força para eliminar a crise.

E os deputados cobravam a presença dos presidentes da República, que teriam que examinar – in loco – a debacle da antes rica região cacaueira da Bahia. À custa de muita lábia, finalmente apareceu um deles, que por desconhecimento total do assunto parecia perdido nas areias do deserto do Saara. Mesmo assim, experimentou o cacau in natura, na forma de chocolate e o famoso mel afrodisíaco. E fez mais promessas.

Na realidade, mais promessas não cumpridas, ou solucionadas em parte, sempre com notícias alvissareiras. Fora da mídia, os ministérios ou instituições que deveriam alocar os recursos sussurravam que não seria legítimo colocar dinheiro bom no cacau, um negócio ruim. Apesar da situação de miséria, os cientistas da Ceplac começaram dar a volta por cima e apresentaram novos materiais genéticos de qualidade.

Com os novos clones disponíveis – alguns deles prospectados nas fazendas da região –, o entrave continuava pela atávica falta de recursos disponíveis para a implantação dos novos materiais. Os cacauicultores que possuíam negócios diversificados conseguiam renovar as plantações com os clones tolerantes à vassoura de bruxa e de alta produtividade.

Aos poucos as fazendas de cacau foram mudando de donos; os pequenos produtores também passaram a renovar suas plantações. Na mesma proporção em que a cacauicultura ressurgia, a Ceplac era desmontada e o silêncio dos políticos ensurdecia. Enfrentando as adversidades, o cacauicultor conseguiu dar a volta por cima e hoje não ouve mais o lero-lero enganador.

Se no Brasil a cacauicultura conseguiu ser renovada, o mesmo não aconteceu na Ásia e África, acometida por uma série de doenças e adversidades climáticas, o que elevou o preço do cacau no mercado internacional. E esses compradores passaram a enxergar o produto brasileiro com bons olhos, devido à qualidade superior entregue pelos novos cacauicultores brasileiros.

O aumento do consumo e, por conseguinte, dos preços, elegeu o cacau como a commodity queridinha da vez, derrubando mitos, e a cacauicultura passou a ser implantada em todo o Brasil, inclusive a pleno sol, pelos grandes representantes do agronegócio do oeste baiano. E como um negócio democrático os cacaueiros têm se adaptado à caatinga com plantações, inclusive, em diversas regiões de Sergipe.

O silêncio dos políticos na cacauicultura deve ter sido benéfico para o produtor rural, que se ateve mais às questões científicas, em detrimento das promessas não cumpridas de Brasília. A análise não se prende apenas a essas questões e são por demais complexas. Mais uma coisa é certa, os políticos já resolveram problemas da cacauicultura, isso na segunda metade da década de 1950.

Nessa época, o governo federal criou a Ceplac, de início a do financiamento da cacauicultura. Com o visionário José Haroldo, vieram novas fases da Ceplac: a da extensão rural, da pesquisa, ensino e do desenvolvimento. Com isso, atualmente, o sergipano não precisará deixar sua terra natal para trabalhar com o cacau nas inóspitas terras grapiúna de antigamente, pois agora o cacau chegou a ele.

Walmir Rosário é  radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.