Luiz Conceição é jornalista e bacharel em Direito
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Ainda ecoa a sábia definição do escritor Umberto Eco sobre essas tais: “As redes sociais deram o direito à palavra a legiões de imbecis que, antes, só falavam nos bares, após um copo de vinho e não causavam nenhum mal para a coletividade”.

 

Luiz Conceição

“Aqui, esses beleguins de tropa militar não entram, porque entrar na universidade só através de vestibular”, disse o reitor da Universidade do Brasil, Pedro Calmon Muniz de Bittencourt, que durante o regime militar proibiu a entrada da polícia militar no campus.

Memória desse instante de coragem e lucidez surge a propósito do que ora acontece na nação que um dia foi o farol da civilidade e democracia e agora asfixia Harvard, Columbia e outras Universidades, assim como muitas instituições de caridade e grupos religiosos, isentos do pagamento de imposto de renda federal. Tudo em nome da estupidez que lhe é natural e contagiosa.

Aliás, democracia que, no passado recente, impunha a outros povos e nações na base da desestabilização social, política e econômica, dinheiro ou porrete. De triste e saudosa memória, o século XX tem fartos exemplos dessas ações da então considerada maior democracia do ocidente.

Apesar disso, é bom recordar que sua cooperação e interação nos últimos 80 anos deu azo a organismos multilaterais como Organização das Nações Unidas (ONU) e agências congêneres na saúde, educação, infância, e Organização dos Estados Americanos (OEA), finda a Segunda Grande Guerra.

O que se vê neste quarto do século XXI é um Nero de cabelo exótico,sem cítara e cântico a tudo incinerando com áulicos grosseiramente falando bobagens e atrocidades que serão lembradas como atraso civilizatório mas desconcertante de todos os tempos. Como pode tamanho retrocesso? Qual foi a chave para se abrir essa caixa para sair tanta desgraça, que nem Pandora desejaria na mitológica história dos antigos gregos?

Na infância, o desafio era aprender a ler e escrever. Na adolescência,ser visto e ouvido. Na juventude descobrir o mundo, suas nuanças, histórias e possíveis segredos. Foram muitos ensinamentos ouvidos: “vai estudar, vai estudar”.

Agora sei que a leitura de clássicos da literatura e de obras atuais e do passado são janelas abertas a dar vazão e a concretizar sonhos e trazer conhecimento, liberdade e equilíbrio mental., já que a inteligência é inata ao homem.

Na atualidade, o que se vê é gente desinteressada nos estudos e nos livros, analfabetos funcionais, analógicos e digitais enquanto a mídia comercial, vinculada a grupos econômicos e financeiros, vender o Novo Mundo da Inteligência Artificial (IA), um novo “Bezerro de Ouro” que vai tirar empregos e extinguir profissões, inclusive de jornalistas e outros profissionais da cultura, lazer e entretenimento e até de motoristas.

Por isso, é desconcertante ouvir e ler tantas tolices daquilo que era uma vez a américa amplificadas nas ditas redes digitais que de sociais nada têm e na mídia comercial daqui e do estrangeiro. Como decaiu o jornalismo como advento da internet que deveria ser veículo de conhecimento, inteligência e verdade. Mas…

Aliás, ainda ecoa a sábia definição do escritor Umberto Eco sobre essas tais: “As redes sociais deram o direito à palavra a legiões de imbecis que, antes, só falavam nos bares, após um copo de vinho e não causavam nenhum mal para a coletividade”, declarou, ao receber o título de doutor honoris causa em comunicação e cultura na Universidade de Turim, norte da Itália, em 2015.

Não há definição mais precisa, inclusive se olharmos com atenção as ditas big-techs ávidas por dinheiro e poder, não necessariamente nessa ordem, que agora tutelam governos.

Luiz Conceição é bacharel em Direito (1994), leitor de temas econômicos e jornalista, desde 1975 (época em que era muito, mas muito feliz!).

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