A supressão de uma amendoeira, ontem (3), na Avenida Soares Lopes, próximo à Praça Castro Alves, na Cidade Nova, em Ilhéus, chamou a atenção do historiador e advogado Julio Cezar Gomes, morador daquela região. Segundo ele, a árvore parecia saudável e não apresentava sinais de risco de queda.
A árvore foi derrubada pela SoluBahia, empresa a serviço da Prefeitura de Ilhéus. Julio Gomes afirma que a supressão lhe remeteu ao caso das maritacas, de julho de 2020, quando o governo do ex-prefeito Mário Alexandre, Marão (PSD), derrubou amendoeiras que serviam de abrigo aos pássaros na Avenida Soares Lopes.
Após a ação, maritacas ficaram atordoadas e várias delas morreram. O episódio ganhou repercussão nacional, e o ex-prefeito, na época, foi apelidado de Marinho, o exterminador de maritacas (relembre aqui e aqui). Exatos cinco anos depois, Julio diz temer que a gestão do prefeito Valderico Junior (UB) repita a conduta do antecessor em relação às árvores da cidade.
“Já houve o que houve com as maritacas. Já deixaram as pessoas sob o sol no ponto de ônibus do antigo Colégio General Osório sem justificativa alguma ao cortar ali duas árvores, [em agosto de 2024]. Essa política de corte de árvore em área urbana está na contramão de todos os princípios atuais de gestão das cidades”, disse o morador ao PIMENTA.
“Que a atual administração acorde a tempo e não repita a conduta lesiva e infeliz da administração encerrada no último dia 31 de dezembro, que se foi sem deixar nenhuma saudade”, conclamou.
Para Julio Gomes, o fato de a amendoeira ser espécie exógena (não pertencer à flora da Mata Atlântica), por si só, não justificaria a supressão. Do contrário, complementa, a Soares Lopes e outras localidades de Ilhéus perderiam grande parte de suas árvores.
OUTRO LADO
O PIMENTA entrou em contato com o governo municipal, que respondeu a crítica do morador. “A supressão da árvore tipo amendoeira localizada na Avenida Soares Lopes, próximo à Praça Castro Alves, foi realizada pela Prefeitura de Ilhéus, através da Secretaria de Serviços Urbanos, após denúncias de transeuntes sobre a queda recorrente de galhos e receio de desabamento”, afirmou a gestão em nota.
De acordo com a Prefeitura, antes da supressão, o caso foi avaliado pela Secretaria de Infraestrutura e Defesa Civil, que, em 2022, emitiu laudo técnico recomendando a derrubada da árvore.
O documento apontou inclinação no tronco, ressecamento dos galhos e danos à estrutura do piso. “As condições eram de risco à segurança pública, sendo necessária a ação para prevenir acidentes”, concluiu a Prefeitura.
Com ressalva sobre erro no bairro citado no laudo (Conquista ao invés de Centro), a Sucom o disponibilizou ao site (acesse a íntegra).




















