Maria José, mãe de Luciano Pipoka, no ato que marcou um mês da morte do filho || Foto PIMENTA
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Quando o operador do carro de som botou para tocar a música O Homem, de Erasmo Carlos e Roberto Carlos, Maria José ergueu o braço direito, apontou para o céu e caiu no choro. Com o gesto, talvez tentasse expressar identidade entre a pessoa apresentada na canção, que remete a Jesus sem nomeá-lo, e seu filho, Luciano Sabino Maciel, atropelado e morto por um ônibus.

Cartaz reúne fotos e notícias da morte de Luciano Maciel || Foto PIMENTA

Maria foi consolada por uma amiga e se recompôs para o início do ato público que marcou um mês da morte do professor, artista plástico e ator que deu vida ao palhaço Pipoka.

Familiares e amigos do artista se concentraram na Praça Pedro Mattos, no Centro, e subiram o calçadão da Jorge Amado em direção ao Palácio Paranaguá. Dali, seguiram pela Rua Santos Dumont e pegaram a Bento Berilo (Rua da Linha) em direção à Praça Cairu. Paredinha, o carro de som usado no ato, tinha microfone aberto para quem quisesse falar. Uma equipe da 68ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) deu apoio à manifestação, permitindo que as pessoas pudessem caminhar em segurança em meio ao trânsito.

Manifestação de familiares e amigos de Pipoka pede justiça e resposta da Polícia Civil || Foto PIMENTA

Aos 74 anos, Maria José Sabino Maciel fez parte do trajeto no carro de apoio. Ao PIMENTA, explicou que ainda lida com as sequelas de uma queda em que teve o fêmur da perna direita quebrado. Estava acompanhada das filhas Eliene e Sandra Maciel e de um dos dois filhos de Luciano, Guilherme, de 8 anos. Levava no colo um quadro com a foto do filho, homenagem de uma das instituições onde Luciano deu aula de artes, a Escola São Francisco. Ultimamente, lecionava na Modrian.

“Meu filho era um menino do bem, um artista, um batalhador. Trabalhava desde os 14 anos, era muito querido em Ilhéus. Batalhou para se formar. Eu quero justiça!”, disse Maria. Para ela, há uma tentativa de responsabilizar Luciano pela própria morte. “Estão dizendo que meu filho atropelou o ônibus. Não. Foi ele que atropelou meu filho!”

TESTEMUNHA

O PIMENTA ouviu uma das testemunhas que ajudaram no socorro à vítima, mas ela falou ao site sob a condição de ter a identidade mantida em sigilo. Segundo o relato, Luciano Maciel estava de bicicleta na Avenida Antônio Carlos Magalhães (ACM), no Malhado, pedalando sentido Parque Infantil, quando o ônibus tentou ultrapassá-lo e o atingiu, arremessando-o contra os carros estacionados à direita.

Ainda conforme a testemunha, ao fazer a ultrapassagem, o motorista do ônibus do Resort Tororomba não teria preservado a distância mínima de um metro e meio em relação ao ciclista, como determinado pelo Código de Trânsito Brasileiro. O motorista prestou socorro à vítima. Procurado, o Resort Tororomba não respondeu ao site (relembre).

A colisão ocorreu nas imediações da agência do Banco do Brasil. Câmaras de videomonitoramento do local podem ajudar os investigadores a esclarecer as circunstâncias do acidente. Questionada sobre o andamento das investigações, a Polícia Civil informou ao PIMENTA que o inquérito policial está em curso.

O ato do último sábado (12) terminou na pista de skate da Avenida Soares Lopes, onde os artistas plásticos Dado Loko e Rildo Foge pintaram o rosto de Luciano Pipoka com o seu sorriso característico. Ao lado do grafite, escreveram: “O artista vira arte…”.

Além de Guilherme, Luciano deixou o primogênito, Gustavo, de 15 anos.

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