Na contramão da violência em geral, feminicídios crescem || Foto Joédson Alves/AB
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Do PIMENTA

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, divulgado nesta quinta-feira (24), informa que, em 2024, o Brasil registrou 44.127 mortes violentas intencionais. É o menor patamar da série histórica iniciada em 2012. Também representa redução de 5,4% na comparação com os 46.441 casos de 2023.

No ano passado, a taxa de mortes violentas por 100 mil habitantes foi de 20,8, também a menor desde o início da série histórica da publicação do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O País registrou a taxa mais alta em 2017, de 31,2 por 100 mil. O indicador mantém tendência de queda desde 2018.

No texto que pondera os dados do Anuário, os pesquisadores responsáveis relembram que, em 2017, as duas maiores facções criminosas do País, Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho, entraram em guerra no sistema penitenciário.

“A violência rapidamente ultrapassou os muros dos presídios, espalhando-se pelas ruas, especialmente nos estados das regiões Norte e Nordeste. Em 2017, os estados do Nordeste registraram uma taxa média de MVI [Mortes Violentas Intencionais] de 49,0 por 100 mil
habitantes, enquanto, no ano seguinte, a taxa na região Norte atingiu 45,4 por 100 mil.

DESAPARECIMENTOS

Conforme o Anuário, a taxa de registros de desaparecimentos cresceu 4,9% no Brasil em 2024, totalizando 81.873 casos notificados às Polícias Civis de todo o País.

“Após uma queda acentuada nos anos de 2020 e 2021, período da pandemia de Covid-19, os registros voltaram a subir, atingindo, no último ano, o maior número desde 2018. Considerando as estatísticas recentes, foram realizadas, em média, quatro notificações de desaparecimento por hora às autoridades policiais”.

No sul da Bahia, um dos desaparecimentos registrados no ano passado foi o de Alan Carlos Nascimento Santos, de 14 anos, visto pela última vez na tarde de 13 de julho de 2024, quando pedalava às margens da BA-001, no São Domingos, zona norte de Ilhéus. O adolescente continua desaparecido (relembre detalhes).

VIOLÊNCIA RECUA NA BAHIA, MAS ESTADO AINDA É O MAIS LETAL 

A Bahia registrou 6.036 mortes intencionais em 2024, 8,4% a menos do que em 2023 (6.579). Apesar da redução, o estado ainda é o mais letal do País em números absolutos, muito à frente do segundo colocado, Rio de Janeiro, que teve 3.809 mortes desse tipo no ano passado.

Já a maior taxa de letalidade por 100 mil habitantes é do Amapá (45,1), seguido por Bahia (40,6), Ceará (37,5) e Alagoas (35,4). A menor é a de São Paulo (8,2).

Pelo terceiro ano seguido, as polícias baianas foram as mais letais do Brasil em números absolutos, com 1.556 mortes. No ano passado, uma em cada quatro mortes no estado resultou de ação policial. Em termos proporcionais, a liderança nesse quesito é do Amapá.

FEMINICÍDIOS EM ALTA

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta tendência de alta da violência de gênero no País, na contramão dos índices de violência em geral. O Brasil registrou 1.492 feminicídios em 2024, maior número desde o início da tipificação do crime, em 2015, e 0,7% acima do registrado em 2023 (1.475).

Atualizado às 19h05min para correção.

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