Justiça Eleitoral promove atendimento itinerante em Itabuna e Ilhéus || Foto Divulgaçao
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O atendimento itinerante do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) chegará ao sul da Bahia na próxima semana para oferecer serviços eleitorais. Nos dias 19 e 20, a população de Itabuna será atendida no mutirão da Política Nacional de Atenção às Pessoas em Situação de Rua e suas Interseccionalidades (PopRuaJud). Em Ilhéus, nos dias 21 e 22 (quinta e sexta), o distrito de Salobrinho receberá o atendimento pelo projeto TRE em Todo Lugar.
Em Itabuna, os dois dias de atendimento correrão, das 9h às 17h, na Unidade Básica de Saúde José Maria de Magalhães Neto, na Praça José Bastos, no centro (antigo SESP). A ação tem como objetivo garantir o acesso à Justiça à população em situação de rua, com foco em promover a cidadania e a dignidade.
Já em Ilhéus, os atendimentos ocorrerão no Campus Soane Nazaré de Andrade da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), no bairro Salobrinho. No dia 21, os serviços estarão disponíveis das 14h às 18h; no dia 22, o funcionamento será das 9h às 16h. A ação integra o projeto TRE em Todo Lugar, que leva os serviços da Justiça Eleitoral a diferentes regiões do interior baiano e a bairros da capital, por meio de estruturas temporárias.
Os eleitores dos dois municípios poderão cadastrar biometria, solicitar alistamento eleitoral (emitir o 1º título), revisar dados cadastrais, regularizar a situação eleitoral, transferir o local de votação, além de consultar débitos eleitorais, emitir certidões, entre outros serviços da Justiça Eleitoral.
Para acessar os serviços é preciso apresentar documento oficial com foto (original) e comprovante de residência atualizado. Para se alistar (primeira via do título), a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) não é aceita isoladamente como documento, sendo necessário apresentar documentação complementar. Para homens que completam 19 anos no ano em que emitirem a primeira via do título, será exigida a apresentação do certificado de quitação militar.
Polícia prendeu foragido de Ilhéus no Rio de Janeiro || Foto PC
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Um homem condenado por integrar uma facção criminosa no sul da Bahia e considerado foragido da justiça foi preso, no Rio de Janeiro, durante uma operação conjunta de investigadores da 7ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (7ª COORPIN/Ilhéus) e policiais do Estado Fluminense. Danilo da Silva Sales, mais conhecido como “Danilo Neguinho”, de 37 anos, estava escondido em Niterói.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), o foragido havia sido condenado pelos crimes de organização criminosa e tráfico de drogas. “Danilo Neguinho” deve cumprir pena de 13 anos, 8 meses e 5 dias em regime fechado. O condenado será transferido para Ilhéus e cumprirá pena em um presídio do sul da Bahia.
A Polícia Civil da Bahia destacou que a prisão do condenado pela justiça foi resultado do trabalho de inteligência e da troca de informações entre as Polícias Civis da Bahia e Rio de Janeiro, evidenciando a eficácia da cooperação interestadual no combate ao crime organizado. O mandado de prisão foi expedido pela 1ª Vara Criminal de Ilhéus no dia 29 de julho deste ano.
Atletas do sul da Bahia embarcam para o Mundial de Canoagem || Foto CBCa
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A equipe brasileira que disputará o Campeonato Mundial de Canoagem Velocidade, neste mês, na Itália, será formada por três atletas do sul da Bahia. Convocados pela Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa), os canoístas Valdenice Conceição e Jacky Goodmann, ambos de Itacaré, além de Gabriel Assunção, de Ubatã, embarcaram nesta quinta-feira (14) para a Europa.
O Mundial de Canoagem Velocidade acontece entre os dias 20 e 24 deste mês, no Idroscalo Regatta Course, em Milão, na Itália. A competição será um grande desafio internacional deste novo ciclo olímpico rumo a Los Angeles 2028 e reunirá a elite da modalidade, com mais de 900 atletas de 145 países. Os atletas retornam ao Brasil no dia 25, logo depois do encerramento da competição.
Uma das esperanças de medalha é Gabriel Assunção, que chega ao Mundial embalado por grandes resultados. Em maio, ele ficou em quinto lugar no C1 500 da Copa do Mundo de Szeged (Hungria), prova vencida por Isaquias Queiroz. Em julho, o atleta de Ubatã conquistou a medalha de prata no C2 Masculino 500 no Mundial Júnior e Sub-23, em Portugal, ao lado de Mateus Nunes Bastos.
GRIPE TIROU ISAQUIAS DA COMPETIÇÃO
Dono de 14 medalhas, sendo sete ouros, uma prata e seis bronzes, Isaquias Queiroz não participará do Mundial na Itália. Nos últimos dois meses, o atleta apresentou quadros de resfriados que comprometeram sua preparação. A decisão, tomada em conjunto com a equipe técnica e o atleta, visa garantir sua plena recuperação para a temporada de 2026.
Isaquias estava na lista de convocados para o Mundial, mas nesta semana foi decidido que a melhor opção era poupá-lo. “Apesar da vontade, não pude me preparar da melhor forma ao Mundial devido à gripe que tive recentemente. Temos que estar 100% para o alto nível que a competição exige. Agora é recuperar o tempo perdido e chegar com tudo para os próximos desafios”, afirmou Isaquias.
Damião foi dado como morto, mas estava vivo || Fotos TV Santa Cruz/PMI
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Atestado de óbito emitido, serviço funerário acionado e família de luto. O que tinha tudo para ser um momento de dor e despedida se transformou em espanto e esperança. Após ser considerado morto, sem apresentar sinais vitais por mais de 1h, Damião José dos Santos, de 72 anos, abriu os olhos. Estava vivo, afinal.
A sequência de eventos inusitados ocorreu nesta quarta-feira (13), no Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães, em Itabuna, onde o idoso continua internado. A confusão se deu porque os aparelhos e a equipe médica da unidade não conseguiram detectar que Damião ainda estava vivo, apesar de tudo indicar o contrário.
Damião deu entrada no Hospital na semana passada, com suspeita de pneumonia. Com o agravamento do quadro, passou a respirar com a ajuda de aparelho. Se não bastasse a surpresa da ressureição, o idoso ainda acordou com menor dependência de medicamentos e da ventilação mecânica.
Sobrinho de Damião José dos Santos, o advogado Daniel Oliveira contou à TV Santa Cruz que a família já havia iniciado os preparativos para o velório e sepultamento do tio. Também estava se preparando, cuidadosamente, para dar a notícia do falecimento do idoso ao irmão gêmeo dele.
Para Daniel, o tio teve experiência de ordem transcendental. “O possível está para o médico, mas o impossível é para Deus. Para Deus, tudo é possível. Na verdade, Deus nos surpreendeu. Não há como negar esse milagre”.
A direção do Hospital de Base se pronunciou por meio de nota. “Apesar da situação atípica, após minuciosa avaliação das condutas tomadas, não foi constatada qualquer falha técnica ou ética por parte da equipe de plantão”, observou. Abaixo, confira a íntegra da nota.
NOTA DE ESCLARECIMENTO
Em decorrência de fato ocorrido na noite do dia 13 de agosto, na Unidade de Terapia Intensiva 3, a direção executiva do Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães vem a público esclarecer: o paciente Damião José dos Santos encontrava-se em grave estado clínico, tendo apresentado piora e subsequente Parada Cardiorrespiratória (PCR).
Foram iniciadas prontamente medidas de reanimação, com a participação de toda a equipe de plantão (enfermagem e fisioterapia). Porém, o paciente manteve ausência de atividade elétrica cardíaca, de pulso e de reflexos, sinais compatíveis com diagnóstico de óbito. Mesmo assim, todas as assistências foram mantidas por 15 minutos, sem quaisquer sinais vitais.
Após o período de observação mencionado, foi constatado o óbito do paciente, corroborado por um segundo médico, assim como por toda a equipe que lhe prestava assistência, quando familiares foram prontamente informados.
Cerca de uma hora após o evento acima relatado, percebeu-se discretos movimentos respiratórios, sendo imediatamente reiniciada todas as assistências e procedimentos para a estabilização do referido paciente.
Com esperança, o Hospital de Base informa que contrariando as expectativas diante da gravidade da situação, o paciente evolui com critérios objetivos de melhora clínica.
Apesar de raro, o fenômeno testemunhado neste caso é bem relatado na literatura médica, com casos de constatação de óbito que apresentaram posterior retorno espontâneo da circulação.
Apesar da situação atípica, após minuciosa avaliação das condutas tomadas, não foi constatada qualquer falha técnica ou ética por parte da equipe de plantão.
A família do paciente reforça a manifestação de confiança e agradecimento por todos os cuidados que o ente querido vem recebendo, além de todo o acolhimento humano e suporte da equipe do Hospital de Base.
A instituição reitera o seu compromisso com a transparência e zelo por todos os pacientes que adentrem à unidade hospitalar em busca de atendimento, se colocando à disposição para quaisquer esclarecimentos.
Jaques Wagner é submetido a nova cirurgia || Foto PIMENTA/Arquivo
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Líder do Governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) foi submetido a uma cirurgia na manhã desta quinta-feira (14). Ele postou a informação em suas redes sociais, quando também esclareceu que o procedimento “não é nada grave”.
Trata-se da segunda cirurgia ortopédica a que o senador é submetido. “Agora tem início o processo de recuperação. Agradeço as mensagens de apoio e espero retomar as atividades presenciais o mais rápido possível”, escreveu no X (antigo Twitter), afirmando que participará das discussões na Câmara Alta de forma remota. Redação com A Tarde.
Pessoal, tudo correu bem com o meu procedimento ortopédico, realizado na manhã de hoje. Agora tem início o processo de recuperação. Agradeço as mensagens de apoio e espero retomar as atividades presenciais o mais rápido possível. Seguirei acompanhando, remotamente, as discussões…
Trabalhador teve parte do corpo soterrado || Imagem Redes Sociais
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Nesta quinta-feira (14), um operário ficou ferido após acidente no canteiro de obras da requalificação da feira do bairro Califórnia, em Itabuna. O homem teve parte do corpo soterrado.
A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Urbanismo (Siurb) emitiu nota sobre o acidente. Segundo a Pasta, um barranco cedeu e atingiu o empregado da construtora Faria Lima, responsável pela obra. Ainda conforme a gestão municipal, o trabalhador sofreu escoriações nas pernas, mas sem aparente gravidade.
O trabalhador permaneceu consciente e não sofreu alterações dos sinais vitais. Vídeo que circula nas redes sociais mostra colegas do trabalhador escavando o local para resgatá-lo (assista ao final do texto). Ele recebeu os primeiros socorros do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu-192).
Depois, foi levado para o Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães, onde será submetido a exames para melhor avaliação. A Prefeitura ressaltou que a supervisão da obra é de responsabilidade da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), que firmou convênio com o município para reformar a feira.
Vista aérea do Aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus || Foto José Nazal
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A Prefeitura de Ilhéus embargou obra nas dependências do Aeroporto Jorge Amado. Responsável pelo empreendimento, a Avgás Nordeste iniciou a construção de um parque de abastecimento para aeronaves no local, mas a empresa deu início aos trabalhos antes da conclusão do licenciamento ambiental.
Responsável pelo licenciamento, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente determinou o embargo da obra, e a Secretaria Municipal de Ordem Pública executou a interdição.
O local escolhido para o parque de abastecimento fica atrás da cabeceira oeste da pista do aeroporto, na Sapetinga, próximo à foz do Rio Cachoeira. Toda aquela região é margeada por um manguezal, Área de Proteção Permanente (APP), conforme estabelecido pelo Código Florestal Brasileiro (Lei 12.651/2012).
As características naturais da área, com a presença do mangue, poderão constituir impeditivos legais para a instalação de empreendimento que lidará com produtos com grande potencial de poluição, como os combustíveis de aeronaves.
Maria Aparecida tenta restabelecer contato com parentes em Itabuna || Imagem Redes Sociais
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Vídeo divulgado nas redes sociais traz o relato de uma mulher que tenta restabelecer contato com familiares que, segundo ela, moram em Itabuna. Maria Aparecida, que hoje vive em Itabela, no extremo-sul do estado, diz ter sido roubada da família.
Maria afirmou que, em Itabuna, era mais conhecida pelo apelido de Babá. Ela não sabe se sua mãe, Helena Pereira, ainda é viva. Também citou os primeiros nomes e apelidos dos quatro irmãos, Antônio, Francisco, Neguinha e Cícero, mas não confirmou se eles residem em Itabuna.
Uma pessoa ajudou Maria Aparecida a gravar o vídeo, que começou a circular nesta quinta-feira (14). Caso alguém tenha informações que possam ajudá-la a localizar os familiares, pode entrar em contato por meio do telefone (73) 9 8225-2026. Assista ao depoimento.
Camacãense, José Cássio Varjão é cientista político com MBA em Cooperação Internacional e Políticas Públicas
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Aquele final de tarde serviu como um marco, um divisor de águas, inserindo uma mudança significativa entre o antes e o depois da cidade de Camacã. Naquele dia, vi herdeiros de grandes fazendas da região cabisbaixos, um deles chorando, se maldizendo, por ser o responsável por enfrentar o declínio da lavoura cacaueira.
José Cássio Varjão
“Quais as cidades do interior da Bahia que mais perderam população nos últimos 45 anos”? Se você, caro leitor, pesquisar no Google ou em outro site de busca exatamente como esta frase foi escrita acima, encontrará a resposta. Nesse período, Camacã perdeu 44,39% da sua população. Dos 41 municípios da região cacaueira do sul da Bahia, foi a cidade que mais perdeu habitantes desde 1980. Uma migração silenciosa, repleta de decepções e simbolismos. A cidade mais rica, entre as produtoras de cacau, nunca olhou para o futuro como deveria, viveu enebriada pela lavoura que a construiu e a destruiu.
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Entre o aluguel e o quilo de carne mais caros da Bahia, o que aconteceu com a cidade outrora próspera? Como ela chega à melhor idade? Quais lembranças estruturais dessa época “dourada” encontramos ao caminhar por suas ruas e praças? Quais riquezas desse período áureo do cacau ficaram enraizadas para as futuras gerações de camacaenses?
Administrada pelos coronéis do cacau por décadas, numa prática política baseada no poder local dos grandes proprietários de terra, Camacã foi uma cidade de imigrantes, aqueles que chegavam de todas as partes, principalmente os comerciantes, e sempre prosperaram. Será a própria lavoura cacaueira, o ouro negro em amêndoas, a culpada por criar gerações de pessoas improdutivas e despreocupadas financeiramente? Como consequência dessa omissão, diferentemente dos outros municípios da região cacaueira do sul da Bahia, Camacã perdeu quase 50% da sua população. A cidade, que já foi o 13º ICM (antes da CF/88 era só ICM) do estado da Bahia, hoje está chegando ao 170º lugar. Onde está o cerne do problema? Por que somente Camacã ruiu?
Ainda antes de completar 10 anos de emancipação, um duro golpe foi desferido nas pretensões do município se tornar um grande centro comercial e de serviços, o que faria o município não depender somente da monocultura cacaueira. A mal contada história da BR-101 passando pelo centro da cidade, com mais verdades do que mitos, nos condenou, junto com administrações capitaneadas por latifundiários, que só enxergavam o limite das suas terras, a ser a cidade que mais perdeu habitantes no estado da Bahia nas últimas décadas. Era a época dos coronéis, os mesmos retratados por Vitor Nunes Leal, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, em seu livro, Coronelismo, Enxada e Voto, demonstrando como o dono das terras, o trabalhador e o voto estavam ligados umbilicalmente.
O enredo conclusivo, criado em torno do trajeto da BR-101 em Camacã, foi discutido numa reunião entre cacauicultores e os formadores de opinião dentro da comunidade, realizada em determinada fazenda do município, em que a versão de que os custos pelo trajeto original ficariam mais caros foi difundido. Waldeck Ribeiro, ex-presidente da Câmara de Vereadores, me mostrou uma fotografia, em 1993, com mais de uma dezena de cacauicultores de Camacã e de Mascote, perfilados na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, junto a Mário Andreazza, Ministro do Interior do Governo Federal, que contava outra história. Após ver “os representantes do povo”, todos vestidos com calças boca de sino e terno com tecido quadriculado, no estilo Agostinho Carrara, cheguei em casa e perguntei ao meu pai, José Loiola Varjão, sobre o tal assunto. Ele me confirmou a reunião na fazenda, para logo em seguida me interromper e sentenciar: “vamos dar um tiro nessa conversa”, papo encerrado. Esse assunto proibido não saiu do meu imaginário nos últimos 32 anos.
Essa passagem é fato consumado. Se tiraram ou não a BR-101 do centro da cidade é um acontecimento que hoje não nos conduzirá a lugar algum. Faz parte do passado, assim como as águas do rio Panelão, que, supostamente, já transportaram até cédulas eleitorais, não voltarão jamais. Nesse período, conversei com várias pessoas de Camacã e região, sempre angariando informações. Também conversei com um ex-funcionário da Bahia Construtora (empresa responsável pela pavimentação entre o Rio Branco e o Rio Pardo da BR 101), que, à época, junto com outros trabalhadores, se perguntavam por que o trajeto foi mudado, se até em Camacã as máquinas já tinham feito cortes nos barrancos onde hoje se situa a Rua Antônio Pereira dos Santos, para passar a estrada?
Imagem aérea de Camacã, no sul da Bahia || Foto PMC/Divulgação
Aqui faço outro questionamento, mudando o contexto: por que os políticos locais, tão bem recebidos em Brasília, não foram pleitear a principal rodovia do Brasil passando pelo centro da cidade, trazendo o progresso sobre rodas para a região?
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Em meados da década de 1970, alguns membros do legislativo municipal, como Arquimedes Carvalho Filho, Waldeck Ribeiro e outros, foram a Brasília pleitear, junto ao Banco do Brasil, a construção de uma agência em Camacã. Após algumas semanas, diretores do banco estavam na cidade, escolheram e compraram o terreno onde funcionava o Clube Vasco da Gama, de propriedade de Álvaro Guerreiro, para construir a agência 0837, do Banco do Brasil. Todo o processo entre a visita dos políticos a Brasília e o início da construção foi célere. Aqui faço outro questionamento, mudando o contexto: por que os políticos locais, tão bem recebidos em Brasília, não foram pleitear a principal rodovia do Brasil passando pelo centro da cidade, trazendo o progresso sobre rodas para a região?
Manda quem pode, obedece quem tem juízo. Quem iria confrontá-los? Quem iria argumentar que implodir pedreiras por mais de uma dezena de quilômetros até a ponte do Rio Pardo, que ainda seria construída pela Construtora Norberto Odebrecht, seria mais barato do que aproveitar a estrada existente? Quem iria alertá-los de que as pontes do rio Panelinha, já no ramal da fazenda Sapucaia (antiga estrada que fazia o trajeto para Itabuna), do Rio Panelão, em Camacã, do rio Água Preta, nos Quinze, e do Nanci, onde já existia um posto do DNER, foram construídas em concreto bruto para receber a nova estrada? Por que não utilizar essa mesma estrada, que antes nos levava a Porto Seguro, Rio de Janeiro ou São Paulo? O Sr. Zezito Freitas, cacauicultor com propriedade rural nos arredores da estação da Polícia Rodoviária Federal, em Camacã, foi a única voz dissonante nessa história, não queria a estrada nas suas terras.
Para ter certeza em afirmar que o progresso foi afastado de Camacã, li inúmeros artigos e publicações científicas comprovando que ser margeada por uma rodovia federal traz enormes benefícios econômicos às localidades. Em monografia submetida ao Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Santa Catarina, em agosto de 2002, Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, discorre sobre Construção da BR-101 e Seus Reflexos na Economia de Joinville. Outros autores, inclusive da região, pesquisaram sobre o advento da BR-101 no sul e extremo-sul da Bahia, que abriu a região para o Sudeste do Brasil.
Continuando com minhas pesquisas, seguem abaixo, detalhadamente, as informações extraídas do IBGE Cidades com relação à população das maiores cidades da Bahia, margeadas pela BR-101, nas últimas seis décadas:
As cidades de Gandu e Itamaraju ficaram encaixotadas por estarem entre dois grandes polos comerciais e de serviços, como Santo Antônio de Jesus e Itabuna, Eunápolis e Teixeira de Freitas, respectivamente. Nas outras cidades, percebe-se o quão importante foi a construção da BR-101, com a população crescendo, em alguns casos, até mais de duas vezes em relação à década de 1970. Eunápolis se beneficiou também por ser o entroncamento para Porto Seguro. Teixeira de Freitas, por sua vez, obteve o maior crescimento dentre todas as cidades citadas, pela proximidade com o estado do Espírito Santo e algumas cidades de Minas Gerais. Próximo a Camacã, o melhor exemplo é São João do Paraíso, município de Mascote, que antes da rodovia era somente um vilarejo com um punhado de casas.
Para continuar discorrendo sobre os 64 anos de Camacã, farei uma divisão entre os primeiros 32 anos de emancipação e os 32 anos seguintes. Entre 1961 e 1993, apesar de já ter entrado no processo de declínio em 1990, com o surgimento da vassoura de bruxa, a alta arrecadação de ICMS (aqui já era ICMS) quando dinheiro não era o problema, serviu para execução de algumas obras estruturantes na cidade, principalmente entre 1977 e 1982. Naquela época a maioria das obras eram realizadas com verba do município. Importante salientar que a cidade tinha, em 1980, de acordo com o IBGE, uma população de quase 41 mil habitantes.
Em 1990, na fatídica reunião no Clube de Campo de Camacã, em que eu estava presente, o engenheiro agrônomo da Ceplac Mário Tavares informou à população ter encontrado a Crinipellis perniciosa, o fungo que dizimou a lavoura cacaueira e acelerou o declínio de uma cidade sem planejamento e que não sobreviveria sem o cacau. Aquele final de tarde serviu como um marco, um divisor de águas, inserindo uma mudança significativa entre o antes e o depois da cidade de Camacã. Naquele dia, vi herdeiros de grandes fazendas da região cabisbaixos, um deles chorando, se maldizendo, por ser o responsável por enfrentar o declínio da lavoura cacaueira.
Vista panorâmica de Camacã || Foto PMC/Divulgação
Nesses primeiros 32 anos de Camacã, foram 20 anos de governo entre dois coronéis, de 1977 a 1996, intercalando-se os mandatos. Dois latifundiários que traziam pessoas de fora para administrar a cidade.
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Nesses primeiros 32 anos de Camacã, foram 20 anos de governo entre dois coronéis, de 1977 a 1996, intercalando-se os mandatos. Dois latifundiários que traziam pessoas de fora para administrar a cidade. Aqui, entra João Ubaldo Ribeiro, no livro Política: Quem manda, por que manda, como manda, com a 1ª edição publicada em 1981, quando escreveu sobre “um fenômeno contemporâneo, que vem pondo em risco até mesmo a representatividade popular nas democracias. Trata-se da diferença, cada vez mais ampla, entre quem detém a autoridade para as decisões e quem tem o conhecimento indispensável para tomá-las, sendo obrigado, cada vez mais, a confiar em assessores, consultores e técnicos, os tais burocratas. Isso resulta no controle das decisões públicas cada vez mais longe dos eleitos, perdendo-se a representatividade entre o povo e quem é escolhido por ele”. Eu particularmente chamo isso de “terceirização da vontade popular”. Um é eleito para outros governarem.
Numa ação contraproducente, tendo como base a construção do Terminal Rodoviário de Camacã, ficou latente a falta de parâmetros daqueles que detinham o poder, ou tomada de decisão por parte dos burocratas, citados no parágrafo anterior, que resultou no esfacelamento das empresas que funcionavam em torno da praça Dr. João Vargens. Com a saída das empresas de ônibus e pela proibição de estacionamento e circulação de kombis e picapes, os comércios entre aquela região e o Instituto de Cacau da Bahia foram cerrando suas atividades, um a um. Nos comentários da época, os executores de tal mudança tinham como objetivo fazer a cidade crescer no percurso entre os Correios e a Rodoviária. A realidade é que isso não passou de especulação imobiliária dos donos das terras naquele perímetro e, por ironia da história, a cidade chegou até onde almejavam, mas pelo lado contrário, descendo morro abaixo. “Cobriram um santo e descobriram outro”.
Os tais coronéis, que, na sua maioria não enxergavam um palmo na frente do nariz, nunca, absolutamente nunca pensaram no futuro de Camacã. Nenhum deles investiu em boas moradias na cidade. Quase todos pernoitavam em suas casas na fazenda. Algumas eram belas mansões, que foram se depreciando junto com o cacau que deixaria de existir.
Quase todos os que viviam exclusivamente da lavoura, sem preocupações ou organização financeira pessoal, terminaram completamente endividados, falidos. Incongruente nessa história foram os comerciantes da cidade, proprietários de lojas, farmácias e armazéns, que também eram pequenos agricultores, os quais viviam do seu empreendimento e não ficaram endividados como os grandes latifundiários. Contrários à emancipação, os coronéis de Canavieiras teriam feito “algum trabalho”, que objetivava o declínio de Camacã? Ou foi o carma dos pequenos agricultores obrigados a vender suas terras para os coronéis a preço de banana? Conjecturas à parte, Camacã subiu como um foguete e ruiu como um castelo construído na areia.
Inaptos na arte de governar, porém habilidosos na perseguição política, os controladores do poder local só o perderam em uma oportunidade, quando o padre Auxêncio da Costa Alves foi eleito em 1972, surpreendendo a todos. O padre governou durante 4 anos, com uma faca nas suas costas. Fora esse interregno, mandaram na cidade desde sua emancipação, intentando contra quem os desafiasse. Um deles, que nunca disputou cargo público, andava na cidade com os nomes de pessoas numa lista para serem expurgadas dos seus trabalhos, alijadas daquela sociedade, como a turma do PT, objetivando dar o lugar aos seus apadrinhados. São vários os que saíram de Camacã e, decepcionados, nunca mais olharam para trás.
Em época de fartura ninguém aprende. É perfeitamente compreensível que algumas pessoas de Camacã, por laços de convivência mais íntimos, contestem o argumento de que os coronéis não deixaram marcas registradas a serviço da coletividade. A realidade é infinitamente superior às narrativas criadas, os mitos produzidos em torno de pessoas que governaram com imposições, perseguições, beneficiando uns poucos. Caso interessante a ser citado foi a época da geração de energia através da barragem de Camacã, quando havia energia elétrica em suas propriedades rurais, mas parte significativa da população da cidade estava às escuras, sem a energia. Aliás, o poderio econômico da lavoura cacaueira transitava somente no centro financeiro da cidade, com suas 7 agências bancárias. Nas áreas periféricas, a miséria era extrema, sem luz, água, saneamento básico e sem farinha no prato.
Como um paciente sobrevivendo com práticas paliativas, Camacã foi sendo esbulhada ao longo das últimas décadas, tendo as suas riquezas investidas em outros lugares. Até os filhos dos cacauicultores saíam para estudar e nunca voltavam, salvo raríssimas exceções. O chamado investimento sem retorno.
Precisamos conhecer nosso passado para termos condições de fazer reparos históricos. Desmistificar esse coronelismo é uma abordagem fundamental para que Camacã se liberte da cultura política baseada na dependência e no medo e isso passa pela educação política, pela valorização do coletivo populacional enquanto capital social de uma comunidade. É romper com o imaginário de que só quem tinha terra e sobrenome poderia governar. É reconstruir o ambiente político a partir do povo, sendo o processo de desmistificação do passado o caminho para construção de um futuro baseado no desenvolvimento econômico, na ética administrativa, na inovação e no compromisso com o bem público. No próximo artigo, vamos discorrer sobre os 32 anos seguintes.
José Cássio Varjão é camacaense, graduado em Ciência Política e possui MBA em Cooperação Internacional e Políticas Públicas e pós-graduação em Administração Pública Municipal e Desenvolvimento Local; Administração Pública e Gestão de Cidades Inteligentes; e Gestão de Negócios Inovadores.
VAGAS DE EMPREGO HOJE - Vista aérea do Shopping Jequitibá, onde funciona a unidade do SineBahia em Itabuna
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A procura por emprego em quatro municípios das regiões sul, baixo-sul e extremo-sul do Estado pode ser facilitada pelo SineBahia, que oferece 155 oportunidades nesta quinta-feira (14). São oportunidades em áreas como construção civil, indústria e serviços. Há 64 vagas em Eunápolis, 64 oportunidades em Ilhéus, outras 19 em Itabuna e 8 em Valença.
O cadastramento é feito presencialmente no SineBahia até as 14h em Valença e até as 16h em Itabuna, Ilhéus e Eunápolis. O candidato deve apresentar carteiras de Trabalho e de Identidade, CPF e comprovantes de residência e de escolaridade.
ENDEREÇO DO SINEBAHIA
A unidade Itabuna do SineBahia atende no Shopping Jequitibá, na Avenida Aziz Maron (Beira-Rio), no Góes Calmon. Em Ilhéus, fica na Rua Eustáquio Bastos, no Centro.
A unidade Eunápolis está situada na Rua 5 de Novembro, no Centro. O SineBahia Valença atende na Rua Antônio Carlos Magalhães, no Novo Horizonte. Confira, abaixo, todas as vagas disponíveis por cidade.