Jequié ganhará campus da UFSB || Foto Ascom/PMJ
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O Conselho Universitário (Consuni) da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) aprovou, na quarta-feira (27), a criação do Centro Multidisciplinar Ciência e Sociedade em Jequié, no sudoeste do Estado. O estudo de viabilidade apresentado ao Conselho traz dados, cenários e recomendações para a implantação da unidade, considerada estratégica para a expansão do ensino superior público na região.

A relatoria foi favorável à criação do Centro Multidisciplinar Ciência e Sociedade em Jequié, “entendendo como oportunidade de ampliação ao acesso à educação superior pública, mas também como um desafio que exige investimentos consistentes e compromisso com acordos firmados para que a expansão não ocorra em detrimento da consolidação das unidades já existentes na instituição”.

A proposta de criação do campus de Jequié surgiu em junho de 2024, durante reunião convocada pela presidência da República, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o PAC Educação, que incluiu a criação de 10 novos campi universitários no país — um deles na Bahia. O campus de Jequié deve ser construído em um terreno cedido pelo Instituto Federal da Bahia (IFBA). Por orientações do Ministério da Educação, a unidade deve ter abertura progressiva de cursos ao longo de cinco anos.

QUESTIONÁRIO E REUNIÕES

Para ouvir a população  sobre a criação do campus, a UFSB aplicou um questionário online entre novembro de 2024 e janeiro de 2025. Também promoveu reuniões com prefeituras da região de Jequié e com o Colegiado do Território de Identidade. Os dados revelaram interesse da comunidade em cursos de diferentes áreas, confirmando a demanda por um novo campus..

Uma das dúvidas mais comentadas diz respeito aos recursos financeiros e alocação de servidores. Na ocasião, foi explicado que o novo campus teria recursos financeiros e humanos específicos para sua criação, não havendo qualquer vínculo com os recursos dos campi já existentes.

Grupo criminoso movimentou R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024 || Foto Receita Federal
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O Primeiro Comando da Capital (PCC) usou fundos de investimento e diversas fintechs (empresas de serviços financeiros digitais) para lavar dinheiro. Além disso, a organização criminosa lavou, conforme a Polícia Federal,  dinheiro com aquisição de mais de mil postos de combustíveis, fazendas de cana de açúcar, usinas, 1.600 caminhões, mansões, casas no litoral brasileiro, dentre outros bens.

De acordo com as investigações da PF e Receita Federal, um dos investimentos dos criminosos foi feita na aquisição de um imóvel em um dos destinos mais procurados do litoral baiano. Os bandidos investiram R$ 13 milhões na compra de uma mansão em Trancoso, distrito de Porto Seguro, no extremo-sul do estado.

Investigações apontam que o sofisticado esquema engendrado pela organização criminosa, ao mesmo tempo que lavava o dinheiro proveniente do crime, obtinha elevados lucros na cadeia produtiva de combustíveis. O uso de centenas de empresas operacionais na fraude permitia dissimular os recursos de origem criminosa. A sonegação fiscal e a adulteração de produtos aumentavam os lucros e prejudicavam os consumidores e a sociedade, segundo a Receita.

POSTOS DE COMBUSTÍVEIS 

Foram identificadas irregularidades em  postos de combustíveis distribuídos em São Paulo, Bahia, Goiás, Paranã, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Maranhão, Piauí, Rio de Janeiro e Tocatins.  A maioria desses estabelecimentos tinha o papel de receber dinheiro em espécie ou via maquininhas de cartão e transitar recursos do crime para a organização criminosa por meio de suas contas bancárias no esquema de lavagem de dinheiro.

Entre 2020 e 2024, a movimentação financeira desses postos foi de R$ 52 bilhões, com recolhimento de tributos muito baixo e incompatível com suas atividades. Os postos já foram autuados pela Receita Federal em mais de R$ 891 milhões.

Para desarticular o esquema de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, a Polícia Federal, com apoio da Receita Federal, deflagrou, nesta quinta-feira (28), duas operações simultâneas para desarticular esquemas de lavagem de dinheiro, com grande impacto financeiro e envolvimento de organizações criminosas.

OPERAÇÃO QUASAR

A Operação Quasar foi como objetivo desarticular uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de instituições financeiras. A investigação identificou um esquema sofisticado que utilizava fundos de investimento para ocultar patrimônio de origem ilícita, com indícios de ligação com facções criminosas.

A estrutura criminosa operava por meio de múltiplas camadas societárias e financeiras, nas quais fundos de investimento detinham participação em outros fundos ou empresas. Essa teia complexa dificultava a identificação dos verdadeiros beneficiários e tinha como principal finalidade a blindagem patrimonial e a ocultação da origem dos recursos.

Entre as estratégias utilizadas estavam transações simuladas de compra e venda de ativos — como imóveis e títulos — entre empresas do mesmo grupo, sem propósito econômico real.

A Polícia Federal cumpriu 12 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto. A Justiça Federal autorizou o sequestro integral de fundos de investimento utilizados para movimentação ilícita, além do bloqueio de bens e valores até o limite de cerca de R$ 1,2 bilhão, valor correspondente às autuações fiscais já realizadas. Também foi determinado o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de pessoas físicas e jurídicas envolvidas.

OPERAÇÃO TANK

A PF também deflagrou, nesta quinta-feira, a Operação Tank visando o desmantelamento de uma das maiores redes de lavagem de dinheiro já identificadas no estado do Paraná. O grupo criminoso atuava desde 2019 e é suspeito de ter lavado pelo menos R$ 600 milhões, movimentando mais de R$ 23 bilhões por meio de uma rede composta por centenas de empresas, incluindo postos de combustíveis, distribuidoras, holdings, empresas de cobrança e instituições de pagamento autorizadas pelo Banco Central.

A estrutura criminosa utilizava diversas táticas para ocultar a origem dos recursos, como depósitos fracionados em espécie (que ultrapassaram R$ 594 milhões), uso de “laranjas”, transações cruzadas, repasses sem lastro fiscal, fraudes contábeis e simulação de aquisição de bens e serviços. Além disso, o grupo é suspeito de se valer de brechas no Sistema Financeiro Nacional para realizar transações de forma anônima por meio de instituições de pagamento.

As investigações também revelaram práticas de fraude na comercialização de combustíveis, como adulteração de gasolina e a chamada “bomba baixa”, em que o volume abastecido é inferior ao indicado. Pelo menos 46 postos de combustíveis em Curitiba (PR) estavam envolvidos nessas práticas.

As operações de hoje visam desestruturar financeiramente as organizações criminosas, recuperar valores desviados e reforçar o compromisso da Polícia Federal no combate à lavagem de dinheiro e à infiltração do crime organizado no mercado financeiro.

Sorteio da Premiada Bahia ocorreu nesta quinta-feira
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A Secretaria Estadual da Fazenda divulgou, nesta quinta-feira (28), a lista dos contemplados no sorteio desta edição da Campanha Nota Premiada Bahia. O prêmio de R$ 100 mil foi para um morador de Salvador. Dos 90 prêmios de R$ 10 mil, 57 foram para capital e 33 para o interior. Ao todo, as premiações somaram R$ 1 milhão.

Na lista de sortudos estão moradores de Ipiaú (2), Ibirapitanga (1), Ibirataia (1) e Ilhéus (1). Vitória da Conquista foi o município do interior com maior número de ganhadores, 3. Com dois sortudos estão Alagoinhas, Camaçari, Feira de Santana, Jequié e Lauro de Freitas. A lista é completada por Boa Nova, Catu, Caetité, Dias D´Ávila, Guanambi, Itaparica, Itarantim, Jeremoabo, Mucuri, Poções, Santo Antônio de Jesus, Simões Filho, Teixeira de Freitas, Valença e Xique-Xique.

O próximo sorteio da Nota Premiada Bahia será no dia 25 de setembro. Serão mais 91 prêmios, dos quais 90 de R$ 10 mil e um de R$ 100 mil. Para concorrer às premiações, é necessário estar inscrito na campanha e colocar o CPF nas notas fiscais de compras realizadas até o dia 31 de agosto.

COMO CONCORRER AOS PRÊMIOS

Para participar da Nota Premiada Bahia, basta se cadastrar uma única vez no site www.notapremiadabahia.ba.gov.br e preencher um formulário simples. No momento do cadastro, devem ser escolhidas até duas entidades filantrópicas, uma da área de saúde e outra da social, com as quais serão compartilhadas todas as notas eletrônicas que forem associadas ao CPF cadastrado.

Após o cadastro, ao incluir o CPF nas notas, o participante estará concorrendo aos sorteios e também ajudando as instituições por ele escolhidas entre as vinculadas ao programa Sua Nota é um Show de Solidariedade, que conta atualmente com 535 instituições ativas e regulares. A cada quatro meses, as notas compartilhadas transformam-se em repasses no valor de R$ 5 milhões para as entidades do Sua Nota é um Show de Solidariedade.

"Bombeiro da Semps" desde 2021, Júnior Brandão é efetivado no cargo || Foto PMI/Divulgação
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O prefeito Augusto Castro (PSD) mexeu no primeiro escalão do seu governo ao exonerar José Carlos Trindade da Secretaria de Combate à Pobreza e Promoção Social (Semps), que sai do cargo para tratar da saúde. O vice-prefeito Júnior Brandão, que respondia temporariamente pela Pasta, foi efetivado como novo titular da Semps. Ele já ocupou o cargo no primeiro mandato em 2021 e em 2023.

O vice-prefeito deixa de acumular a Pasta do Planejamento, que será comandada por um nome do PCdoB. Marcos Alves, Kiko, ex-coordenador regional do SineBahia (Governo do Estado), será o novo secretário de Planejamento de Itabuna.

O PCdoB vinha cobrando do prefeito Augusto Castro mais espaço no governo. Na transição do primeiro para o segundo mandato, Augusto tirou dos comunistas a Secretaria de Educação, então comandada pela professora Adriana Tumissa. Com pautas sensíveis pela frente, a exemplo da concessão da Empresa Municipal de Águas e Saneamento (Emasa), o prefeito resolveu atender o partido.

Ilhéus se aproxima de Itabuna em população, revela IBGE || Fotos José Nazal e Prefeitura de Itabuna
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Itabuna manteve a liderança entre os municípios mais populosos do sul da Bahia, mas vê Ilhéus se aproximando cada vez mais. Hoje, o IBGE divulgou a estimativa populacional para todos os municípios brasileiros. A estimativa revela que Itabuna perdeu moradores, enquanto Ilhéus ganhou no período compreendido entre julho de 2024 a julho deste ano. As estimativas têm sempre como base o dia 1º de julho de cada ano.

Pela estimativa divulgada hoje pelo IBGE, Itabuna tem 196.344 habitantes. Eram 196.676 no ano passado. Variação negativa de 0,2%. Já Ilhéus, tem agora 189.149 moradores ante 189.028 no ano passado, conforme consulta do PIMENTA ao dados disponibilizados pelo IBGE.

No estado, Itabuna é o 7º mais populoso. Ilhéus, o 8º. A Terra da Gabriela registra expansão imobiliária, principalmente na zona sul, com grandes lançamentos de moradias verticais.

Outro município que se aproxima de Itabuna em termos populacionais é Porto Seguro, no extremo-sul do Estado e integrante da macrorregião sul. Com variação positiva de 0,9% em um ano, saiu de 181.007 para 182.630. Dos principais destinos turísticos do país, Porto Seguro registra forte alta populacional nos últimos 20 anos.

As estimativas populacionais de estados e municípios são base para repasses constitucionais, como o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e de Participação dos Estados (FPE), além de definição de políticas públicas.

OS MAIS POPULOSOS

Na lista dos municípios mais populosos da Bahia, não há novidade dentre os cinco primeiros. A capital, Salvador, variação negativa em relação a 2024. Aparece agora com 2.564.204 moradores. Feira de Santana é o segundo, com 660.806. Vitória da Conquista tem quase 400 mil habitantes (396.613). Na quinta posição, vem Juazeiro (256.122).

MUNICÍPIOS MAIS POPULOSOS DA BAHIA – 2025

1º – Salvador – 2.564.204
2º – Feira de Santana – 660.806
3º – Vitória da Conquista – 396.613
4º – Camaçari – 321.636
5º – Juazeiro – 256.122
6º – Lauro de Freitas – 219.564
7º – Itabuna – 196.344
8º – Ilhéus – 189.149
9º – Porto Seguro – 182.630
10º – Barreiras – 171.634
11º – Jequié – 169.201
12º – Alagoinhas – 161.196
13º – Teixeira de Freitas – 153.738
14º – Eunápolis – 121.067
15º – Simões Filho – 120.419
16º – Paulo Afonso 119.418
17º – Luís Eduardo Magalhães – 118.382
18º – Santo Antônio de Jesus – 109.791

CONFIRA AQUI A POPULAÇÃO DE SEU MUNICÍPIO

Plataforma online, Escola do Cacau oferta cursos de capacitação || Reprodução
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A interpretação de análises de solo e a recomendação de adubação como ferramentas para o aumento da produtividade e da rentabilidade no cultivo do cacau são o foco do primeiro curso oferecido pela Escola do Cacau, nova plataforma online de educação profissional desenvolvida pelo Centro de Inovação do Cacau (CIC). A iniciativa tem como objetivo fortalecer a base de conhecimento técnico da cadeia produtiva cacaueira.

A Escola do Cacau foi lançada oficialmente durante a ExpoCacau, maior feira agrícola e de negócios do setor, que se encerra hoje (28) em Ilhéus, no sul-baiano. Voltada a produtores rurais, técnicos agrícolas, agrônomos e demais interessados, a plataforma estreia com um curso ministrado pelo engenheiro agrônomo Edson França, mestre em Produção Vegetal e consultor do Sebrae e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). O conteúdo está sendo disponibilizado com valor promocional de lançamento.

Os cursos terão de seis a oito horas de carga horária e permanecerão disponíveis em formato gravado, permitindo acesso remoto a qualquer momento. Em breve, a Escola do Cacau ampliará sua grade com temas como

  • Manejo integrado de pragas do cacaueiro;
  • Produção de cacau em sistemas orgânicos e outros aspectos técnicos e de qualidade ligados à produção de cacau e chocolate.

As inscrições e demais informações podem ser acessadas pelo site www.escoladocacau.com.

O CENTRO DE INOVAÇÃO

Reconhecido como uma das principais referências em pesquisa e desenvolvimento da cadeia cacaueira no Brasil e no mundo, o CIC foi inaugurado em 2017 no campus da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), em Ilhéus (BA). A instituição atua na difusão de conhecimento, na realização de análises laboratoriais e na promoção de tecnologias que visam aprimorar a qualidade e a sustentabilidade da cacauicultura brasileira.

O Centro de Inovação do Cacau integra o Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSul) e tem como missão gerar e disseminar conhecimento voltado à excelência na produção de cacau e chocolate.

Camacãense, José Cássio Varjão é cientista político com MBA em Cooperação Internacional e Políticas Públicas
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Entre esse pensamento e hoje, já se passaram 30 longos anos e a penumbra cinzenta, que abraça Camacã, nunca se dissipou, continua dizimando nossas expectativas e nossos sonhos.

José Cássio Varjão 

Continuando com o que foi proposto no artigo anterior, tendo como evento principal o decréscimo populacional que o município de Camacã vem enfrentando, de forma mais acentuada, na última década e meia, o que provocou, a perda de duas vagas na Câmara Municipal, trataremos aqui sobre quais ações foram propostas pelas administrações desse período, relativamente a proposições concretas, no sentido de criar planos e metas para acelerar o desenvolvimento econômico local, objetivando mitigar a migração voluntária de parte da nossa população. Baseando-se no ano de 1990, que foi o início da queda da lavoura cacaueira, em 35 anos não seria tempo suficiente para dar um novo rumo na economia de Camacã?

Por dois motivos, decidi fazer a divisão desse material em dois períodos, tendo como base os 64 anos de emancipação política de Camacã. Num primeiro momento, para separar as administrações amadoras, capitaneadas pelos coronéis do cacau e alicerçadas na alta arrecadação de ICM. Em seguida, o período pós-coronelismo, com administrações que não romperam com velhas práticas de governos anteriores, porém foram afetadas pela diminuição gradativa das arrecadações, o que aumenta exponencialmente as dificuldades de governabilidade.

Quero deixar evidente que não falo de pessoas, analiso planos e propostas de governo que, a princípio, deveriam nortear as administrações que passaram pela Prefeitura de Camacã nesse período. Todavia, convém salientar que a determinação da apresentação de um plano de governo no ato de registro de candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a valer nas eleições de 2012. Essa exigência foi introduzida pela Lei nº 12.034, de 29 de setembro de 2009, alterando a Lei 9.504/97. Mas, como admitir que alguém se proponha a administrar uma cidade sem o mínimo conhecimento e sem ter previamente uma planificação do que pretende fazer e, principalmente, de como fazer?

Quem planta vento, colhe tempestade. Com grandes consequências e nenhuma responsabilização, o rastro de atraso estrutural herdado por Camacã inaugurou o período de penúria, que se acentua cada vez mais. A cidade começa a colher o que “nunca foi plantado” nos primeiros 32 anos, e, juntando os fatores migratórios e econômicos, vários órgãos começaram a deixar a cidade. O que era latente ficou explícito. Como dito anteriormente, a população que já tinha começado uma migração gradual, entre 1980 e 2010, aumentou exponencialmente. Entre 2010 e 2024, apenas 14 anos, 8,7 mil pessoas deixaram Camacã – 27,61% da população. Essas são informações do IBGE. Vale o que está documentado.

A partir da primeira eleição pós-coronelismo, em 1996, os governos, nessa e nas eleições posteriores, trabalharam de acordo com as circunstâncias. Na primeira parte da história política de Camacã, os coronéis, com todas as condições financeiras disponíveis, construíram como destaque dos seus governos uma Fonte de Água Luminosa, que nem existe mais. No período subsequente, até os dias atuais, também nenhuma obra de impacto foi realizada. Os gestores dessa segunda etapa, pós-emancipação, cada um com suas virtudes e seus defeitos, trabalharam dentro das suas possibilidades, fizeram as obras que estavam ao seu alcance, mas nada que mudasse o contexto econômico-social local, causa da forte migração.

Imagem aérea de Camacã, no sul da Bahia || Foto PMC/Divulgação

Como imaginar que a cidade, que já colheu 1,3 milhão de arrobas de cacau, a maior produção de cacau do Brasil, nunca construiu as sedes para os poderes executivo e legislativo municipal? Como imaginar que Camacã, movida, exclusivamente, pela agricultura do cacau, não tenha pleiteado na Ceplac a construção de uma Escola Média de Agricultura Regional da Ceplac (Emarc), que tinha como finalidade formar mão de obra qualificada para a região cacaueira? Não pensaram no futuro dos seus jovens, obrigando-os a sair do município para cursar Técnicas Agrícolas ou Agrimensura em outras localidades. A Ceplac construiu as escolas em Uruçuca, Itapetinga, Valença e Teixeira de Freitas.

A Constituição Federal de 1988, no artigo 29, conferiu aos municípios brasileiros um status de ente federativo autônomo, consolidando sua posição no Estado Democrático de Direito. Essa autonomia se manifesta em três dimensões, a política, a administrativa e a financeira, e garante aos municípios a capacidade de se autogovernarem, elaborando suas próprias leis por meio da Lei Orgânica Municipal, desde que em conformidade com os princípios das Constituições Federal e Estadual. Com isso, os municípios passam a ter competências legislativas para tratar de assuntos de interesse local, promovendo a descentralização do poder e permitindo uma gestão mais eficiente e próxima da realidade de suas populações. A autonomia municipal, portanto, é essencial para o fortalecimento da democracia e para o desenvolvimento local sustentável. O entrave, está na falta de qualificação de parte dos servidores públicos, principalmente nos 2.476 municípios menores de 10 mil habitantes, ou 44,8% das cidades brasileiras, em conjunto a inaptidão para os cargos dos agentes políticos, os gestores municipais.

Na base econômica das pessoas, é primordial uma renda para ter acesso a bens de consumo pessoal, como alimentação, aluguel, vestuário, lazer e outros, com percentual equivalente a 60% dos seus ganhos. Os serviços públicos, como saúde, educação e segurança, que são classificados como bens de consumo coletivos, são compartilhados entre o governo federal, o estadual e o municipal. Como exposto, se a população não tem acesso aos proventos para suprir as suas necessidades pessoais, e essa é uma responsabilidade do município, gerando trabalho e renda, Camacã demonstra que quase nunca correspondeu às necessidades do total da população, ocasionando exclusão social e econômica, motivo do deslocamento populacional interno, ou seja, dentro do mesmo país. A essência desse quesito, está na falta de competência, amparadas por promessas vazias das administrações passadas e atuais, em promover o desenvolvimento econômico do município para além da agricultura. Eis a motivação da migração promovida por quase metade da população nesses últimos anos. Aquela cidade que atraia pessoas até de fora do estado da Bahia, há anos não abraça seus moradores. O desenvolvimento local não se espera, se assume e se constrói.

Reconhecendo o disposto na Constituição Federal, que dá autonomia aos municípios, vamos entender porque determinadas ações devem ocorrer de baixo para cima, da base da pirâmide para o topo, melhor dizendo, partindo dos municípios. Se o Brasil é uma República Federativa, composta por um governo federal, por 27 governos estaduais e por 5.570 governos municipais, de onde deve nascer a resolução dos problemas locais, cada um com suas peculiaridades, o status de sua economia e localização geográfica? O papel dos governos federal e estadual nesse processo, é agir como elemento colaborador dessas realizações propostas pelos municípios. Esperar que saia de Brasília, por parte da estrutura federal ou de parlamentares, a solução dos problemas caseiros de cada um dos 5.570 municípios é engano proposital e inaceitável.

O primeiro passo é sempre fazer a lição de casa. Como legado e como todo processo arcaico, a população de Camacã traz da época do coronelismo a péssima prática de fazer suas compras, inclusive as despesas mensais com alimentação, em Itabuna. Aquela era a época áurea do cacau, do Hipermercado Messias e do Restaurante Baby Beef, portanto, um ambiente para ver e ser visto, (pena não existir celular na época). Eis que, quando se usa o dinheiro auferido em sua cidade, fruto do seu trabalho ou do seu comércio, para gastos em outro local, você fragiliza a demanda do comércio da cidade em que reside, contribuindo para o enfraquecimento econômico local e, consequentemente, para a menor necessidade de empregabilidade nos estabelecimentos locais. Esse costume tem se perpetuado por décadas. Para efeito de comparação, se somente 200 pessoas da sede e dos distritos, gastarem mensalmente em outras localidades R$ 1.000,00, em média com suas despesas pessoais primárias, perfazem R$ 200.000,00 por mês. O total anual será de R$ 2.400.000,00, que deixou de circular no comércio da cidade. Quantos empregos seriam criados com a mudança desse hábito?

Não há economia forte se a base da sociedade for excluída. É ela que dá sustentação ao comércio, é ela que está todos os dias no supermercado, vendendo o almoço para comprar a janta, na padaria, no açougue, fazendo compras, enquanto os mais abastados fazem aplicações financeiras e não geram um único emprego. É a base que dinamiza e movimenta o capital local e, quando essa base não tem renda, quebra-se o ciclo econômico e os reflexos são sentidos por toda a sociedade. Portanto, assim como o sangue precisa se circular para manter o corpo vivo e nutrido, a economia precisa de movimento, com produção, consumo, investimento, crédito e inovação, para manter a sociedade saudável. A primeira ação no sentido de criar emprego em uma localidade é fazer circular nesse entorno toda a riqueza local. Assim sendo, de forma didática, o poder público deveria fazer campanhas de conscientização com a CDL, com a população e com os comerciantes, para que, de um lado, melhores produtos sejam disponibilizados nas prateleiras das lojas e supermercados, com preços adequados e, do outro, a população, instruída para realizar suas comprar no comércio local. Essa é primeira lição, a de casa.

Para efeito de comparação, de acordo com dados de 2024, do IBGE, a cidade de Camacã tinha 22.756 habitantes, dos quais somente 3.692 pessoas estavam ocupadas, um percentual de 16,35% da população, com PIB Per Capta de R$ 11.067,74. Tendo como base o mesmo critério populacional usado no texto anterior, comparamos os mesmos itens das principais cidades baianas margeadas pela BR-101, com Camacã.

Da mesmo forma que o comparativo anterior, Gandu e Itamaraju ficam com os menores índices, pelos mesmos motivos citados anteriormente. Por outro lado, usando como parâmetro o percentual de pessoas ocupadas nas sete cidades citadas, resulta em 22,58% de média. Assim, Camacã precisaria ter, para se equiparar à média obtida, 5.138 pessoas ocupadas, ou seja, mais 1.446 postos de trabalho preenchidos.

No quesito arrecadação, Camacã, que já foi equiparada a Juazeiro, no norte da Bahia, teve receitas brutas arrecadadas no montante de R$ 130.449.684,43 em 2024. Juazeiro, por sua vez, aproveitando o boom da implementação da agricultura irrigada no Vale do São Francisco, a partir da década de 1990, teve como receitas brutas R$ 1.298.063.475.42 também em 2024. Em termos percentuais Juazeiro é o município com a 5ª maior arrecadação no estado da Bahia, Camacã está chegando ao 170º lugar, clarificando que creditar nossas desgraças somente ao declínio do cacau é mascarar a falta de planejamento do poder público local. Com critério idêntico aos anteriores, a arrecadação dos sete municípios margeados pela BR 101 são os seguintes:

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Polícias deflagram operação no presídio de Itabuna || Foto Seap-BA/Divulgação
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Na manhã desta quinta-feira (28), as polícias Penal, Civil e Militar, além da Rodoviária Federal (PRF), deflagraram operação contra o crime no Conjunto Penal de Itabuna.

A Operação Molon Labe, de acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (Seap), busca combater o crime organizado que opera e dá ordens de dentro do presídio do município sul-baiano.

Ainda conforme a Seap, a operçaão dá prosseguimento a revista geral de celas e apreensão de armas artesanais, celulares e drogas, dentre outros materiais ilícitos. Ainda hoje, a Seap deverá apresentar balanço da operação no presídio itabunense.

Policiais fazem revistas em celas do presídio de Itabuna nesta manhã de quinta-feira

As ações têm participação dos Grupos de Atuação Especial de Execução Penal (Gaep) e de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do MPBA; do Grupamento Especializado de Operações Prisionais (Geop) e a Coordenação de Monitoramento e Avaliação do Sistema Prisional (Cmasp), da Seap; do Policiamento Especializado (Rondesp) e Grupamento de Radiopatrulhamento Aéreo ou Grupamento Aéreo (Graer), da Polícia Militar; Polícia Civil; Departamento de Polícia Técnica e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

VAGAS DE EMPREGO HOJE - Unidade do SineBahia em Itabuna funciona no segundo piso do Shopping Jequitibá
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Municípios das regiões sul, extremo-sul e sudoeste têm oferta de mais de 220 oportunidades de estágio remunerado e de emprego nesta quinta-feira (28) pelo SineBahia, o órgão estadual de qualificação e intermediação de vagas no mercado de trabalho. São 120 vagas em Jequié, 42 em Ilhéus, 42 em Eunápolis e 19 em Itabuna em setores como indústria, comércio, construção civil e serviços.

Os interessados devem procurar o SineBahia ainda hoje. Para o cadastramento, devem apresentar carteiras de Trabalho e de Identidade, CPF e comprovantes de residência e de escolaridade. O atendimento vai até as 16h em Itabuna, Ilhéus e Eunápolis e encerra-se às 17h em Jequié.

ONDE FICA O SINEBAHIA

A unidade do SineBahia de Eunápolis está situada na Rua 5 de Novembro, no Centro. A de Jequié fica na Avenida Octávio Mangabeira, próximo à Policlínica Regional de Saúde, no Mandacaru.

Já em Itabuna, o SineBahia atende no segundo piso do Shopping Jequitibá, na Avenida Aziz Maron (Beira-Rio), no Góes Calmon. A unidade de Ilhéus fica na Rua Eustáquio Bastos, no Centro. Confira, abaixo, todas as vagas anunciadas por cidade.

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