Curadoras da Festa Literária da Região Cacaueira, que agita Itabuna de 27 a 29 deste mês || Fotomontagem Divulgação
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A primeira Festa Literária da Região Cacaueira, de 27 a 29 de novembro, no Centro de Cultura Adonias Filho, em Itabuna, partirá do tema Verde que te quero livro: Contando a história da mata que nos sustenta. No coração da cultura grapiúna, a Flicacau convida a população sul-baiana e visitantes para uma jornada pelo imaginário da cabruca, guiados por diferentes linguagens, da literatura às artes visuais, passando pelo teatro, dança e música.

Nessa viagem, o público seguirá as trilhas abertas pelas curadoras Dinalva Melo e Rita Argollo, do Espaço Jorge Amado; Camila Gusmão, do Espaço Estação Juventudes; Bárbara Falcón, da Flicauzinha; e Bruna Setenta, responsável pela curadoria artística.

O tema da Flicacau propõe conexões entre o sul-baiano e o movimento global em defesa do meio ambiente, afirma a professora Dinalva Melo, vice-presidente do Conselho Estadual de Educação da Bahia. “É possível fazer uma feira literária para casar a festa ao livro, à literatura e, especialmente, à natureza. Por isso, resolvemos fazer uma feira lítero-ambiental”, explicou.

REVERÊNCIA 

A festa, segundo a professora Rita Argollo, do Departamento de Letras e Artes (DLA) da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), reverencia a Mata Atlântica em diálogo com os debates em curso na sociedade. “A literatura é cortada por inúmeros temas da agenda pública, entre eles o meio ambiente. E temos que usar isso em favor de um planeta minimamente sustentável”, defendeu.

A professora Camila Gusmão, também do DLA da Uesc, ressalta a pertinência da discussão sobre formas de desenvolvimento humano que respeitem o meio ambiente. Para a educadora, o tema se impõe ainda mais numa região que deve tudo à Mata Atlântica e precisa do que restou dela em pé. “Porque, sem a natureza, não vamos para lugar nenhum”.

PRATA DA CASA

A curadoria artística da Festa Literária da Região Cacaueira prioriza a cena grapiúna, antecipa a gestora cultural Bruna Setenta. “Tenho a oportunidade de fazer a ponte entre os atores culturais da região e a experiência de viver uma feira literária”.

“Até pela correria do dia a dia, muitas vezes, a gente não conhece quem faz arte e cultura na cidade”, disse, acrescentando que Itabuna não era palco de uma festa literária há mais de dez anos. Também revelou que pretende surpreender o público com o espetáculo de abertura da Festa, no dia 27 de novembro.

Sob a curadoria da antropóloga Bárbara Falcón, a Flicauzinha reunirá atrações para a criançada, a exemplo de contação de histórias e palhaçaria, num esforço de introdução das infâncias em temas elementares do debate ambiental.

A Flicacau tem patrocínio do Governo do Estado. É contemplada também pelo Projeto Bahia Literária, iniciativa da Fundação Pedro Calmon (FPC), unidade vinculada à Secretaria de Cultura (SecultBA) e da Secretaria Estadual de Educação (SEC). Conta com o apoio da Prefeitura de Itabuna, por meio da Secretaria Municipal da Educação e da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (Ficc). A realização é da Seneh Comunicação & Projetos.

Avanço das facções no interior do Brasil || Foto Fernando Frazão/AB
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A desconcentração da violência letal nas grandes cidades, com a interiorização do crime e o avanço das facções para médias e pequenas cidades do país é destacada pelo Atlas da Violência 2025 – Retrato dos municípios brasileiros e dinâmica regional do crime organizado, divulgado nesta sexta-feira (7). O levantamento foi elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O relatório evidencia dois motivos para esse fenômeno. “Em primeiro lugar, as cidades que eram mais violentas há 10 anos conseguiram reduzir a letalidade. Por outro aspecto, em face da interiorização do crime, muitas cidades menores passaram a vivenciar em maior número a violência letal”.

De acordo com o Atlas, as capitais como Fortaleza, São Luís, Goiânia, Cuiabá e o Distrito Federal registraram “reduções superiores a 60% nas taxas de homicídios entre 2013 e 2023”. Fato que contrasta com “o avanço da criminalidade e das disputas entre facções em municípios médios e interiores, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, que passaram a concentrar episódios de violência antes restritos às metrópoles”.

DIMINUIÇÃO DOS HOMICÍDOS

Mesmo com a ampliação territorial das facções criminosas, o levantamento mostra uma continuada redução dos homicídios no país, tendência que se observa desde 2018.

“Em alguns estados, o processo começou muito antes, como é o caso de São Paulo, estado onde as mortes por causas violentas vêm diminuindo de forma contínua há mais de duas décadas”.

EXPANSÃO DAS FACÇÕES

O relatório indica também que as facções criminosas estão presentes em todas as unidades da Federação, mas de maneira desigual. “Em alguns estados, a presença de vários grupos alimenta disputas territoriais intensas e letais, como ocorre na Bahia, onde atuam o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) em aliança com facções locais, como o Bonde do Maluco e o Comando da Paz”.

A mesma disputa por território ocorre também em Pernambuco, o estado abriga pelo menos 12 facções em conflito. Elas são responsáveis por impulsionar as altas taxas de homicídios no estado.

“No Amazonas e no Amapá, as guerras entre CV, PCC e organizações regionais, como a Família Terror do Amapá e o Cartel do Norte, têm provocado escaladas de violência em cidades médias e portuárias estratégicas”, aponta o Atlas.

Já em outras regiões, os conflitos por domínio de territórios são de baixa intensidade, revelando uma convivência relativamente estável entre grupos rivais. “É o caso de São Paulo, onde prevalece uma espécie de pacificação, resultante do domínio de mercados ilegais por uma única e poderosa organização criminosa, o PCC”.

O mesmo acontece também em Minas Gerais. O estado também “abriga diversas facções fragmentadas, mas com menor grau de conflito aberto, e Santa Catarina, cuja atuação do Primeiro Grupo Catarinense (PGC) ocorre em um cenário de violência mais controlada e pontual”.

O Atlas da Violência 2025 também destaca para o que chama de “diversidade de estratégias entre os grupos criminosos”.  Segundo o documento, os grupos criminosos com “estruturas mais estáveis e voltadas ao lucro tendem a conter o uso da violência ostensiva, enquanto organizações menores e fragmentadas recorrem com mais frequência a confrontos armados para afirmar poder e manter o controle territorial”.

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Deputada seguirá tratamento em casa || Foto Sandra Travassos/Alba
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A presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputada Ivana Bastos (PSD), recebeu alta hospitalar neste sábado (8), após evolução clínica satisfatória e resposta positiva ao tratamento iniciado no dia 3 de novembro, quando foi internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular em Salvador.

A deputada estadual Ivana Bastos permanecerá em casa, em período de repouso e acompanhamento médico, retomando suas atividades públicas de forma gradativa. “Agradeço a cada palavra de carinho, a cada oração e a cada demonstração de cuidado. Essas manifestações de afeto me fortaleceram e iluminaram meu caminho de recuperação, renovando em mim a fé e a gratidão”, disse Ivana Bastos.

A deputada havia sido hospitalizada após ser diagnosticada com colite, um processo inflamatório intenso no intestino. No dia 3 deste mês, em razão do quadro de desidratação e da necessidade de tratamento com antibióticos intravenosos, a parlamentar foi encaminhada para a UTI.