O Tribunal do Júri da Comarca de Itajuípe condenou o trabalhador rural Adailton Bonfim dos Santos Souza a 29 anos, sete meses e 17 dias de prisão por tentativa de feminicídio qualificado por motivo fútil e não possibilitar defesa da vítima. No dia 29 de outubro de 2024, Adailton tentou assassinar, a golpes de faca, a ex-companheira Jucileide Dantas da Silva.
O julgamento popular ocorreu na terça-feira (11), quando o Tribunal do Júri acatou denúncia do Ministério Público da Bahia. A pena será cumprida inicialmente em regime fechado. A denúncia do MP-BA foi oferecida no dia 24 de novembro do ano passado. A tese da acusação foi sustentada pelo promotor de Justiça Marco Aurélio Rubick.
Adailton já havia sido condenado em São Paulo, em setembro deste ano, a 16 anos de prisão por crime de estupro contra uma das filhas da vítima, cometido em 2013, quando a criança tinha 10 anos de idade. Chegou a ser preso preventivamente e, depois de ganhar liberdade, fugiu para a Bahia, onde tentou assassinar Jucileide por não aceitar o término do relacionamento.
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
De acordo com a acusação do MP-BA, a tentativa de assassinato ocorreu em contexto de violência doméstica e de gênero, após a vítima decidir encerrar um relacionamento marcado por mais de uma década de agressões físicas e psicológicas.
Durante o julgamento, o promotor de Justiça Marco Aurélio destacou a brutalidade do crime e o histórico de violência sofrido por Jucileide. “É o retrato mais perverso daquilo que o machismo e a violência doméstica contra a mulher são capazes de produzir. É a história de uma mulher que, depois de mais de 11 anos de agressões, inclusive sexuais, humilhações e medo, decidiu dar um basta, por bem dela e dos seus filhos. E por isso, quase foi cruelmente morta”, afirmou o promotor durante a sustentação.
As provas apontaram que Adailton, embriagado, tentou agredir Jucileide já no dia 27 de outubro de 2024. Ela conseguiu fugir com a filha para a residência de uma vizinha. No entanto, dois dias depois, foi surpreendida e atacada com golpes de faca e punhal pelo condenado, quando se mudava de casa para se afastar do agressor. Os ataques foram feitos diante da filha dela, que tentou impedir o crime. Jucileide sobreviveu após ser submetida a cirurgias de emergência e passar por três paradas cardíacas.
Na sentença, o juiz Frederico Augusto de Oliveira considerou que o réu agiu “movido por sentimento de posse e inconformismo com a legítima decisão da vítima de encerrar o relacionamento”, demonstrando “menosprezo pela dignidade feminina e desrespeito aos direitos fundamentais da mulher”.



















