Jorge Araujo, Arnaldo Antunes e Daniel Thame na abertura da Flicacau || Foto Márcio Araújo
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O cantor, compositor e poeta Arnaldo Antunes foi a estrela da noite de abertura da Feira Literária da Região Cacaueira (Flicacau), nesta quinta-feira (27), no Centro de Cultura Adonias Filho (CCAF), em Itabuna. Ex-Titãs, o músico participou da roda de conversa A Mãe Terra não para de dar sinais, da qual também participaram o escritor e professor Jorge Araujo e o jornalista e escritor Daniel Thame. As artes, reforçou o trio, são alidas da imaginação de outros mundos possíveis.

– A poesia, a arte e a literatura não mudam o mundo praticamente, mas mudam a consciência, a sensibilidade de cada pessoa. E essas pessoas vão fazer a diferença com cada pequeno gesto, com cada pequena atitude, inclusive para compor uma energia que possa trazer transformações reais – disse Arnaldo.

Para Arnaldo Antunes, “falta consciência planetária, falta às pessoas deixarem de se ver separadas da natureza”. O músico chamou o público à reflexão. “O que podemos fazer pela natureza? Não, somos parte da natureza. O que podemos fazer por nós, enquanto parte da natureza? Isso é uma coisa que os povos indígenas têm muito a nos ensinar”.

O professor e escritor Jorge Araujo criticou a onipresença da forma mercadoria. “Vivemos um processo de mercantilização das atividades humanas em que tudo se transforma em dinheiro. Dinheiro não tem cheiro, não tem cor, mas tem origem e destino. A produção e o consumo se resolvem na prática de outras atividades que levam a outros consumos e outras defecções do espírito”.

Na avaliação de Jorge Araujo, a literatura provém ao ser humano a sensibilidade, ferramenta para enxergar o que está encoberto pelo embotamento da cotidianidade. “O mundo é antigo, e antiga é a alma humana. E a alma humana, muitas vezes, não encontra respostas porque o seu olhar está nublado por esses compromissos que a realidade imediata sugere a ele o tempo todo”.

Secretário de Educação, Rosivaldo Pinheiro apresenta os “Pequenos Autores Grapiúnas: Quem Conta um Conto, Aumenta Encontros” || Foto Márcio Araujo

ADONIAS FILHO LOTADO

Para um Adonias Filho lotado, o primeiro ato da Flicacau foi o lançamento do livro Pequenos Autores Grapiúnas: Quem Conta um Conto, Aumenta Encontros, coletânea de textos de alunos da rede municipal de ensino. Na sequência, houve apresentação da Banda Marcial Território, Educação e Cultura, do (Ciebtec) e o espetáculo Cabruca.

O prefeito Augusto Castro (PSD), o chefe de Gabinete da Fundação Pedro Calmon, Caruso Costa, e a professora e assessora epecial do governador Jerônimo Rodrigues participaram da cerimônia de abertura.

– Hoje, a Bahia é o estado que mais investe em feiras literárias no País”, afirmou, acrescentando que, nesta edição do edital, o estado investiu R$ 22 milhões em 81 festas literárias em todos os 27 territórios de identidade baianos. “Isso torna a Bahia o estado literário do Brasil – afirmou Caruso.

EDITORAS

Com o tema Verde que te quero livro: contando a história da mata que nos sustenta, a Festa Literária da Região Cacaueira também é um espaço de colaboração com os coletivos e editoras independentes que fazem a literatura produzida na Bahia viajar Brasil afora: Editora Tertúlias, Editora Teatro Popular de Ilhéus, Editora Via Litterarum, Vixe Bahia Literária e Editora Mondrongo.

Nesta quinta-feira (27), além do público em geral, o Centro de Cultura Adonias Filho recebeu estudantes das escolas municipais Flávio Simões Costa; Luiz Vianna; Tereza Cristina Ribeiro Estrela; Milton Rodolfo de Souza Machado; Caic Jorge Amado; Professor Everaldo Cardoso; e João Mangabinha Filho.

A Festa firmou parceria com a Associação de Agentes Ambientais e Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis de Itabuna (Aacrri), que presta serviço de coleta seletiva ao evento.

A Flicacau tem patrocínio do Governo do Estado. É contemplada também pelo Projeto Bahia Literária, iniciativa da Fundação Pedro Calmon (FPC), unidade vinculada à Secretaria de Cultura (SecultBA), e da Secretaria Estadual de Educação (SEC). Conta com o apoio da Prefeitura de Itabuna, por meio da Secretaria Municipal da Educação (SEDUC) e da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC). A realização é da Seneh Comunicação & Projetos.

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