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Não busquemos saber em que pé o calo aperta mais, se o esquerdo ou o direito. Façamos o que propôs as havaianas e “entremos no próximo ano com os dois pés”: firmes, fortes e em equilíbrio, dispostos a derrubar muros divisores e portas fechadas no caminho.
Rosivaldo Pinheiro
Estamos vivendo os últimos dias de mais um ano e, igualmente aos anteriores, acompanhamos as divisões postas e expostas na sociedade brasileira no campo político desde a divisão ideológica que vimos nascer a partir da ascensão do golpe contra Dilma Rousseff, numa tese fabricada que atribuiu a ela um crime de responsabilidade, através do qual ela sofreu impeachment.
Em seu lugar assumiu o vice Michel Temer. E, de lá para cá, tivemos uma série de desdobramentos, um grande enredo com características e complexidades que só uma democracia em vertigem pode explicar: um ex-presidente sai da prisão – levado a ela por caminhos escusos, disputa e ganha as eleições, assumindo o comando do país pela terceiro vez – único na história. E um presidente que disputa e perde as eleições, único no pós-reabertura democrática que disputa uma reeleição e não vence, tenta se manter no Poder e, três anos após, acaba preso.
Por essas trajetórias já se pode avaliar o nível de embates e narrativas existentes.
O chamado que fica é a necessidade de construção de um país para todos, na certeza de que o caminho será através do voto popular. Assim exige o funcionamento do processo democrático a que vivemos no Brasil. Nele, os vencidos dão passagem aos vencedores e buscam uma nova chance na próxima eleição. Os vencedores buscam apresentar resultados através da governança para ser reeleito ou apresentar quem será o seu sucessor, submetendo-o ao escrutínio popular.
Enfim, nossas ceias natalinas ou os almoços de domingo não são os mesmos nos últimos anos. Sempre temos ausências em função dos embates ideológicos. Que tal darmos uma trégua?
Aproveitemos o espírito natalino e as vibrações positivas da virada de ano para estabelecermos essa reflexão necessária. Não busquemos saber em que pé o calo aperta mais, se o esquerdo ou o direito. Façamos o que propôs as havaianas e “entremos no próximo ano com os dois pés”: firmes, fortes e em equilíbrio, dispostos a derrubar muros divisores e portas fechadas no caminho. Vamos superar os atrasos que nos paralisam como nação.
Que 2026 represente uma nova oportunidade de crescimento pessoal para todos nós, que a democracia siga o seu curso e que a paz esteja em nossos corações e lares. Um Ano Próspero a todos!
Rosivaldo Pinheiro é comunicador, economista e especialista em Planejamento de Cidades (Uesc), além de secretário da Educação de Itabuna.