Hospital se compromete com equidade no acesso à saúde || Foto Divulgação
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Nesta quinta-feira (29), Dia Nacional da Visibilidade Trans, a diretoria e trabalhadores do Hospital Materno-Infantil Dr. Joaquim Sampaio (HMJS), em Ilhéus, divulgaram Carta de Compromisso Institucional. O documento destaca que o acesso equitativo à saúde exige o enfrentamento corajoso das desigualdades sociais, estruturais e institucionais que historicamente marginalizam populações vulnerabilizadas. A unidade é referência na região para partos de pessoas com útero (homens trans e pessoas não binárias).

O documento lembra que o hospital mantém a equidade como prática de justiça social. “Não basta tratar todos da mesma forma, é preciso tratar cada um de acordo com sua necessidade. Nossa equidade traduz-se no respeito absoluto às diversidades de gênero, identidade de gênero e orientação sexual, raça, etnia e condição socioeconômica, religião e trajetórias de vida”, afirma a carta.

A Carta Compromisso também declara Tolerância Zero a qualquer forma de preconceito ou violência institucional e ressalta que o ambiente do hospital é projetado para ser um porto seguro para usuárias(os), acompanhantes e colaboradores. “Isso inclui a garantia irrestrita do uso do nome social, o respeito à identidade de gênero em todas as etapas do atendimento, a escuta qualificada e a humanização da assistência.”

PROJETO-PILOTO

O HMIJS mantém em seu ambulatório um projeto-piloto de atendimento à comunidade trans, com médico e psicóloga especialistas em sexologia. “É claro que ainda não chegamos aonde gostaríamos de chegar, mas o primeiro passo é sempre importante para a construção de um projeto deste porte”, afirma a diretora-geral do HMIJS, Domilene Borges. Para a implantação do projeto-piloto, o hospital promoveu encontros de acolhimento com a comunidade.

No início da tarde desta sexta-feira, a equipe do hospital se reuniu na recepção principal para uma ação de treinamento e conscientização sobre acolhimento, com palestra com o tema “Desmistificar para acolher: responsabilidade, prática e cuidado”. Um checklist de Acolhimento Seguro para Pessoas Trans, Travestis e de Gênero Diverso passa a integrar a rotina da unidade, sendo disponibilizado em todas as recepções do HMIJS. Trabalhadores também portaram adesivos alusivos à data.

FUNCIONÁRIO DA FESF

Anthony Souza é funcionário da FESF desde 2024. Homem trans, atua no setor de higienização e iniciou seu processo de transição em 2019. Ele confessa que chegou a sentir receio de trabalhar em um espaço público. “Passei por uma experiência que não foi boa no antigo trabalho, mas aqui percebi que é diferente, mais inclusivo e diverso. Me sinto totalmente integrado ao hospital e sei que tenho o respeito de todos”, assegura.

Representando a comunidade trans atendida na unidade, Leslei Sá destacou a importância da iniciativa. Ela explica que, muitas vezes, o procedimento de terapia de reposição hormonal para mulheres trans é muito semelhante ao realizado em mulheres na menopausa, assim como o de homens trans se aproxima de outros processos de terapia hormonal masculina. “Não somos alienígenas. É simplesmente olhar para um corpo, identificá-lo como ser humano e saber como conduzir”, afirmou

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