Do PIMENTA
Os termos atuais do Acordo Mercosul-União Europeia podem inundar as prateleiras dos supermercados brasileiros com chocolates europeus sem a contrapartida em benefício dos produtos brasileiros, afirma o diretor-geral do Consórcio Cabruca, Thiago Fernandes, 39. Caso esse cenário se concretize, as marcas de chocolates finos do sul da Bahia vão sofrer com a concorrência de mercadorias importadas a baixo custo, alerta o especialista.
“Qual é o nosso grande problema no setor do chocolate artesanal? Com o desenho atual do Acordo, não vamos poder enviar o nosso chocolate fino com benefícios para torná-lo competitivo, mas vamos receber o chocolate da Europa na nossa prateleira, com os custos mais baixos, o que vai fazer o preço deles cair”, explicou ao PIMENTA o diretor do Consórcio Cabruca, que é dedicado à exportação de chocolates finos do sul da Bahia.
O Acordo Mercosul-UE não trará benefícios aos chocolates artesanais do sul-baiano porque eles ainda não têm Indicação Geográfica (IG), explica Thiago Fernandes. “É diferente do caso da cachaça, queijo canastra e café, por exemplo, que já têm indicações geográficas e vão entrar em melhores condições de competitividade no mercado europeu”, acrescenta.
O Cacau Bahia, beneficiado pela Indicação Geográfica, não terá o mesmo problema, pondera o especialista. “O nosso cacau entra nos benefícios do acordo, mas o chocolate, não”, reforça.
A IG é uma certificação de origem reconhecida por meio do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), assegurando que um produto tem as características típicas de determinado lugar, como ingredientes e modos de preparo.
VALOR AGREGADO
Segundo Thiago Fernandes, a certificação do Cacau Bahia pode facilitar o reconhecimento das peculiaridades dos chocolates artesanais do sul do estado pelo INPI. Esse o objeto de estudo dele no programa de mestrado em Desenvolvimento Regional e Urbano, da Universidade Salvador. “Minha pesquisa é sobre a Indicação Geográfica do chocolate da cabruca como upgrade socioambiental na cadeia global de valor. Inclusive, já há a demarcação por conta da indicação geográfica do Cacau da Bahia. A gente aproveita essa demarcação territorial do cacau para utilizar na indicação geográfica do chocolate”.
O valor socioambiental que a IG pode agregar ao chocolate fino do sul da Bahia está diretamente relacionado ao sistema agroflorestal da cabruca, em que o cacau é produzido com a conservação da Mata Atlântica, associado também à efetividade dos direitos dos trabalhadores empregados na lavoura.
Um dos objetivos do Consórcio Cabruca, explica Thiago Fernandes, é articular os fabricantes de chocolates que usam a matéria-prima proveniente das 83 cidades da Região Cacaueira para dar entrada no processo de reconhecimento da Indicação Geográfica desses produtos no INPI.
DOCUMENTO ENTREGUE AO PRESIDENTE LULA
Thiago Fernandes representou o Consórcio Cabruca no Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, promovido pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), de 28 a 30 de janeiro, no Panamá. Na oportunidade, entregou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) documento no qual fabricantes de chocolates finos do sul Bahia solicitaram empenho dos líderes brasileiro e de outros países da América do Sul na defesa dos interesses do segmento nas negociações do Acordo Mercosul-UE.



















Uma resposta
Excelente observação e providências tomadas. Vamos a luta,Thiago.