Filho de baiana de acarajé, Davi Rocha foi aprovado na UFBA e UPS || Foto Douglas Amaral
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Aprovado em Medicina na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Universidade de São Paulo (USP), no Campus de Ribeirão Preto,  o estudante baiano Davi Rocha, de 19 anos, egresso da Rede Estadual de Ensino da Bahia, retornou à escola onde concluiu o Ensino Médio para reencontrar professores,  gestores e amigos.

Acompanhado dos pais, Davi esteve no Colégio Estadual Professora Nadir Araújo Copque, em Arembepe, em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador,  e viveu um momento de forte emoção, na quarta-feira (4). Ele é filho de uma vendedora de acarajé e um soldador .

A visita ocorreu durante a Jornada Pedagógica, que, neste ano, tem como tema “A educação com foco na soberania e na justiça social”. O encontro conectou o debate pedagógico à trajetória concreta de um ex-aluno, transformando a rotina formativa em um momento de reconhecimento, pertencimento, inspiração coletiva e potência da educação pública estadual.

Davi Rocha volta à escola estadual que lhe deu régua e compasso || Foto Douglas Amaral

Concluinte do Ensino Médio em 2024, Davi construiu sua caminhada com disciplina e constância, conciliando estudos, rotina familiar e cuidado com o equilíbrio físico e emocional. Ao falar sobre o percurso até as aprovações, ele destacou seu comportamento diante da vida. “As dificuldades fazem parte, mas o essencial é manter a postura, continuar lutando e não desistir”, afirmou.

Para a diretora Guilhermina Silva Souza, a presença do ex-aluno na escola tem um significado que ultrapassa o êxito individual. “A trajetória de Davi mostra que nossos estudantes são capazes”, ressaltou, ao destacar a escola pública como espaço de acolhimento, pertencimento e construção de projetos de vida.

FAMILIARES

Filho de uma baiana de acarajé e de um soldador, Davi cresceu em Arembepe acompanhando a rotina de trabalho da família e ajudando, desde cedo, na produção e na venda de acarajés. A mãe, Gerusa dos Santos Rocha, a Geu, associa a conquista ao acompanhamento familiar. “Sempre acompanhei a vida escolar dos meus filhos”, contou, ao destacar a importância da presença e do diálogo.

Davi Rocha ao lados dos pais|| Foto Douglas Amaral

O pai, Ednaldo Alves de Oliveira, relaciona a vitória do filho à própria história. Criado na zona rural de Mata de São João, com uma infância marcada pelo trabalho na roça e pouco acesso à escola, afirmou que nunca duvidou do potencial dos filhos. “Sempre acreditei que eles poderiam ir além”, disse, orgulhoso. Na escola, Davi sempre foi lembrado pelo perfil atento e participativo. Professor de Geografia, Rafael Mattos Araújo destacou a curiosidade intelectual do ex-aluno. “Ele sempre ia além do que era pedido”.

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