O Teatro Popular de Ilhéus (TPI) abriu inscrições para a Residência Artística Teatro, Memória e o Relatório Figueiredo. A atividade ocorre de 16 a 20 de março, em regime de internato, na Escola Agrícola e Comunitária Margarida Alves, na rodovia Ilhéus–Uruçuca (BA-262). As inscrições seguem até 6 de março, neste formulário on-line, com resultado previsto para o dia 10. A participação é gratuita.
O projeto vai selecionar 15 artistas de teatro. Os participantes terão hospedagem e alimentação incluídas durante os cinco dias de imersão. A residência integra a programação anual do grupo e marca o início de um novo ciclo criativo após a consolidação de três décadas de atuação em 2025.
A iniciativa faz parte do processo de criação de um novo espetáculo baseado no Relatório Figueiredo. A obra vai encerrar a trilogia do TPI sobre a luta dos povos indígenas, iniciada com Borépeteĩ. Uno (2023) e O Visconde Partido ao Meio na Guerra do Açu (2025). O foco da pesquisa será a memória do povo Tupinambá de Olivença.
Durante a residência, os artistas viverão na Escola, em um território de 12 hectares voltado à educação contextualizada, antirracista e anticapacitista, com atuação junto a famílias camponesas e comunidades afro-brasileiras e indígenas. A escolha do local conecta a pesquisa histórica às lutas contemporâneas desses territórios.
LINGUAGEM E CONSTRUÇÃO COLETIVA
O processo criativo utilizará a metodologia do Teatro Épico, o Gestus brechtiano e a musicalidade política, marcas da linguagem do grupo. A proposta é investigar formas de transpor para a cena as denúncias de violência contra povos originários registradas no Relatório Figueiredo.
Para o diretor e dramaturgo do TPI, Romualdo Lisboa, a residência é um espaço de construção coletiva. “O Relatório Figueiredo expõe um dos capítulos mais violentos da história do Brasil. Nosso desafio é transformar esse documento em experiência estética, reflexão e mobilização”, afirmou. Segundo ele, o grupo busca artistas comprometidos com processos coletivos e com a causa indígena.
O Teatro Popular de Ilhéus é uma instituição cultural privada, parcialmente financiada pelo programa de Ações Continuadas da Secretaria de Cultura da Bahia, com recursos do Fundo de Cultura e do Governo do Estado. Atualmente, o grupo está sediado temporariamente na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), por meio de parcerias com setores de extensão e núcleos acadêmicos. O projeto foi contemplado em editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia (Pnab), com apoio do Governo do Estado e do Ministério da Cultura.


















