Inscrições para o programa de preparação de vestibulandos começam na terça-feira (10) | Foto Danilo Oliveira/Uneb
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As inscrições para o Programa Universidade Para Todos (UPT) começam na próxima terça-feira (10) e seguem até 19 de março. O cadastro deve ser feito exclusivamente pela internet, no site upt.educacao.ba.gov.br. O edital foi publicado neste sábado (7) no Diário Oficial do Estado.

Neste ano, o programa vai ofertar 20.110 vagas distribuídas nos 27 Territórios de Identidade da Bahia, com atividades em 231 municípios e 384 polos de funcionamento. As aulas estão previstas para começar em 6 de abril. O governo estadual anunciou investimento de cerca de R$ 20 milhões nesta edição.

Podem participar estudantes da rede pública da Bahia que estejam matriculados em 2026 no 3º ano do Ensino Médio ou no 4º ano da Educação Profissional integrada ao Ensino Médio, além de egressos do Ensino Médio da rede estadual ou municipal. No momento da inscrição, o candidato deve escolher o município, o turno, a modalidade das aulas e o local de funcionamento, podendo indicar até duas opções.

A seleção ocorrerá por sorteio eletrônico no dia 24 de março, por meio do sistema da Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC). O resultado será divulgado em 31 de março no mesmo site das inscrições.

O programa oferece preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e outros processos seletivos de acesso ao Ensino Superior, com aulas de segunda a sexta-feira ministradas por universidades públicas parceiras, entre elas a Universidade do Estado da Bahia, Universidade Estadual de Santa Cruz, Universidade Estadual de Feira de Santana, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Universidade Federal do Sul da Bahia, Universidade Federal do Oeste da Bahia e a Universidade Federal da Bahia.

Ato político ocupa a Praça Adami, no coração da cidade || Foto Divulgação
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Movimentos sociais, entidades e sindicatos promoveram, nesta sexta-feira (6), um ato público na Praça Adami, no centro de Itabuna, em referência ao Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8). A mobilização reuniu representantes de diferentes organizações para defender direitos, denunciar a violência de gênero e cobrar políticas públicas de proteção às mulheres.

A manifestação teve como tema “Pela vida das mulheres, contra o imperialismo, por democracia, soberania e pelo fim da escala 6×1”. Participaram do ato entidades como CTB, Mulheres pela Democracia, Povo Sem Medo, Rede Feminista Cristiane, CRAM, Amurc, Consedami, Frente Brasil Popular e o Sindicato dos Bancários de Itabuna e Região.

Durante as falas, lideranças femininas destacaram o aumento dos casos de feminicídio no país e reforçaram a necessidade de ampliar ações de enfrentamento à violência contra a mulher. Dados apresentados no evento apontam que o Brasil registrou, no último ano, 6.904 ocorrências entre tentativas e feminicídios consumados, crescimento de 34% em relação ao levantamento anterior. Desse total, 2.149 foram assassinatos.

As participantes também defenderam medidas preventivas para enfrentar o problema. Entre as propostas, destacaram a importância da educação e de políticas públicas permanentes para combater o machismo estrutural e reduzir a violência contra mulheres e meninas.

Primeira etapa da vacinação contempla servidores da Atenção Primária à Saúde
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A Prefeitura de Ilhéus dará início, na próxima segunda-feira (9), à vacinação contra a dengue destinada aos profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS). O município recebeu 300 doses do imunizante enviadas pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia, quantidade que corresponde a cerca de 55% da estimativa de trabalhadores do setor, segundo a gestão municipal.

De acordo com Walkíria Cardeal, técnica de imunização da Rede de Frio do município, as doses já passaram por organização e seguem para distribuição nas salas de vacina das unidades básicas de saúde. A proteção do imunizante tem eficácia de até seis meses.

Produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, a vacina é aplicada em dose única. Nesta primeira etapa, o público-alvo inclui exclusivamente profissionais da Atenção Primária vinculados ao quadro de servidores do município e lotados nas unidades básicas.

Podem receber a vacina médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, nutricionistas, agentes comunitários de saúde, agentes de endemias e outros trabalhadores da APS. Os profissionais devem procurar a unidade onde atuam para receber o imunizante. Quem não for contemplado nesta fase será incluído na próxima remessa de doses enviada pelo estado.

Juliana Soledade é advogada, escritora, empresária e teóloga || Foto Divulgação
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Celebrar as mulheres é garantir que nenhuma seja reduzida a um único papel para ter seu valor reconhecido. É sustentar, com firmeza e lucidez, que a grandeza feminina não cabe em rótulos, e muito menos em ataques gratuitos.

 

Juliana Soledade

Março é o Mês da Mulher, tempo de reconhecer conquistas, honrar resistências e afirmar que somos inteiras em qualquer configuração de vida. Com filhos ou sem eles. Mães ou não. Plenas não por imposição, mas por existência.

No entanto, em plena edição do Big Brother Brasil 26, uma fala da atriz Solange Couto reacendeu uma ferida antiga. Ao declarar: “Quando Deus não deu filhos a ela, é porque sabe que ela não teria capacidade de amar alguém”, direcionando o comentário a Ana Paula, a atriz não atingiu apenas uma participante. Atingiu uma multidão silenciosa de mulheres que já ouviram, explícita ou sutilmente, que lhes falta algo.

A frase carrega um peso histórico. Ecoa o machismo internalizado que insiste em medir o valor feminino pela maternidade. Como se o amor tivesse endereço fixo no útero. Como se a capacidade de cuidar estivesse condicionada à biologia. Como se ser mulher fosse sinônimo de gerar.

Isso machuca porque simplifica dores complexas. Há mulheres que não quiseram filhos. Há as que quiseram e não puderam. Há as que tentaram e enfrentaram perdas. Há as que escolheram outros caminhos. Nenhuma dessas trajetórias autoriza julgamento. Amor não é patente de maternidade. Amor é prática, é escolha, é construção cotidiana.

Há mães extraordinárias. Há mães que falham. Há mulheres sem filhos que sustentam redes inteiras de afeto, que são referência, abrigo, orientação. Madrastas que aprendem o amor como decisão consciente. Amigas que se tornam família. Ativistas que dedicam a vida à proteção de crianças que não geraram, mas defendem com coragem.

Nesse mesmo confinamento, outras declarações ampliaram a indignação. A frase “Eu nasci do prazer, não nasci de estupro”, seguida de insinuações sobre “trepada mal dada”, banaliza uma violência que marca a história de inúmeras mulheres. A comparação com “travesti velho” reforça estigmas que a sociedade há décadas tenta desconstruir. Palavras não são neutras. Elas moldam ambientes, legitimam exclusões, perpetuam dores.

É impossível não notar o contraste: fora da casa, sua própria filha atua como ativista na defesa de direitos humanos, pautas raciais e na proteção de crianças e adolescentes. Uma trajetória que aponta para o conhecimento como ferramenta de libertação. Esse contraste revela que informação transforma, enquanto a repetição de preconceitos aprisiona.

O silêncio dos demais participantes também chama atenção. Nenhuma contestação imediata. Nenhum freio ético. O confinamento intensifica emoções, é verdade. O reality show expõe virtudes e fragilidades. O Big Brother Brasil 26, como qualquer vitrine social, amplia o que já existe. Alguns crescem sob pressão. Outros deixam escapar discursos que talvez sempre estiveram ali, apenas contidos.

Mas é preciso dizer com clareza: amor e maternidade não são sinônimos. Ser mãe não é troféu de humanidade. É uma possibilidade, não um critério moral. O amor existe em todas nós, independentemente da experiência da gestação.

No Mês da Mulher, repudiar esse tipo de discurso não é promover cancelamento. É afirmar dignidade. É proteger mulheres de narrativas que as diminuem. É lembrar que somos múltiplas, complexas, capazes de amar em incontáveis formas.

Celebrar as mulheres é garantir que nenhuma seja reduzida a um único papel para ter seu valor reconhecido. É sustentar, com firmeza e lucidez, que a grandeza feminina não cabe em rótulos, e muito menos em ataques gratuitos.

Juliana Soledade é advogada, escritora, empresária e teóloga, pós-graduada em Direito Processual Civil e Direito do Trabalho, além de autora dos livros Despedidas de MimDiário das Mil Faces e 40 surtos na quarentena: para quem nunca viveu uma pandemia, terapeuta e curandeira ayahuasqueira.