Irmã Nenza com filhos e netos ||Foto Gilvan Rodrigues/PIMENTA
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No Brasil, em 2022, viviam pouco mais de 37 mil brasileiros com 100 anos ou mais, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nesse grupo, eram 10.570 homens e 27.244 mulheres. Naquele ano, em Itabuna, no sul da Bahia, moravam 69 pessoas que superaram o centenário. Desse total, 56 eram mulheres. Uma dessas mulheres é dona Ana Maria de Jesus, que na última sexta-feira (20) completou 112 anos de vida e história.

Irmã Nenza, como é carinhosamente conhecida, não tem uma receita certa para quem sonha em vive muito tempo sem complicações de saúde. O segredo, segundo ela, a alimentação saudável, uma noite boa de sono, ter pessoas generosas ao lado, movimentar o corpo e, principalmente, confiança na proteção divina. ​”Eu comia toucinho de porco e carne de boi bem cozida… era assim que minha mãe fazia e ensinava”, recorda Irmã Nenza sobre seus hábitos alimentares.

​Além da dieta, a vida ativa no campo até os 90 anos é apontada como fator determinante para sua saúde resistente. Evangélica fervorosa, ela frequenta a congregação do Campo Formoso, no Loteamento Dom Paulo, e afirma que a igreja é seu refúgio de cura e bem-estar.

​As histórias de Irmã Nenza atravessam gerações. Entre as memórias mais marcantes, ela relata ter visto Lampião e Maria Bonita, durante sua juventude no sertão. ​Irmã Nenza atuou como parteira, auxiliando no nascimento de cerca de 500 crianças na região de Itabuna. ​Ela teve 10 filhos (cinco ainda vivos), além de netos e bisnetos que cuidam de sua rotina atual.

ENTRE AS MAIS VELHAS DO MUNDO

​De acordo com a plataforma internacional LongeviQuest, a tendência de longevidade extrema é predominantemente feminina. Atualmente, a pessoa mais velha do mundo é a britânica Ethel Caterham (116 anos), enquanto no Brasil o título pertence a Yolanda Beltrão de Souza (115 anos).

​Irmã Nenza, com seus 112 anos, segue como uma prova viva da história baiana, residindo em sua casa simples no bairro Jorge Amado, onde acorda todos os dias às cinco da manhã para contemplar mais um dia de vida.

​Nascida em 1914 em Rio Novo (atual Ipiaú), Irmã Nenza mudou-se para Itabuna aos 20 anos. Ao longo de mais de um século, ela testemunhou duas Guerras Mundiais, a passagem de 34 presidentes da República e as grandes transformações urbanas da cidade onde construiu sua história.

Ela sobreviveu a epidemias como a Gripe Espanhola (18-20), que matou entre 40 a 50 milhões de pessoas no mundo e, novo coronavírus, a Covid 19 (2019-2022, período mais crítico), responsável por dizimar entre 15 e 20 milhões, segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS).

​PROGRAMAÇÃO PARA A ANIVESARIANTE

A festa para Irmã Nenza foi organizada pelo grupo Aniversário Solidário, formado por voluntários dedicados a levar alegria a pessoas carentes. As comemorações acontecem no Pátio do Colégio Batista de Itabuna (CBI), bairro da Conceição, neste domingo (22), a partir das​ 14h. Integrante do grupo, a advogada Daniele Novais, pontua que a data não poderia passar em branco.

A decoração, assinada pela artesã Flávia Oliveira, contará com o simbolismo de 112 velas. Como tradição, o pastor Geraldo Meireles e sua esposa, Val Meireles, da Igreja Batista Teosópolis, presentearão a aniversariante com um novo vestido.

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