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Karoline VitalKaroline Vital | karolinevital@gmail.com

Deu para ver a marra se derretendo no rosto dela, de onde brotou um sorriso amarelo. E assim, com a minha educação doméstica, investi em refeições menos tensas no futuro.

Minha educação para o momento das refeições foi além dos princípios básicos de etiqueta, como não falar de boca cheia e não apoiar os cotovelos sobre a mesa. Com minha família, aprendi a norma básica na hora de comer: trate bem quem te alimenta! Tenho dois tios garçons e sempre contaram as barbaridades causadas pela falta de civilidade de clientes e o espírito vingativo dos funcionários da cozinha e afins. Humilhações e reclamações em tom esnobe muitas vezes são revidadas com cuspe na comida, canudos previamente inseridos no nariz e ouvidos, bifes bem passados pelo chão e demais nojeiras arquitetadas por mentes criativas e sentimentos feridos.

Antes que sua arrogância deseje lembrar àquele que te serve sobre quem está pagando pela comida, é preciso avaliar os possíveis riscos que você pode se submeter. E não adianta querer se blindar falando de profissionalismo e apelar para ameaças ao gerente ou dono do estabelecimento. E por mais que Seu Madruga tenha ensinado que “a vingança nunca é plena, mata a alma e envenena”, gente é um bicho rancoroso e perverso.

Tratar bem quem prepara sua comida deve seguir os princípios básicos da convivência humana, acrescidos do instinto de autopreservação. E foi a estratégia de sobrevivência à mesa deu origem a um ato de celebração muito comum: o brinde. Pesquisadores contam que o hábito de brindar surgiu na Grécia, 400 anos antes de Cristo. Ao bater os copos, misturava-se a bebida servida e o convidado se assegurava de que seu anfitrião não tinha intenções de envenená-lo.

Partindo das lições familiares, sempre segui à risca o princípio de jamais destratar quem lidava com minha refeição. Uma vez, quando prestava serviço a certa Prefeitura, recebi um vale para almoçar no restaurante parceiro do governo municipal. O evento que cobri durante a manhã se estendeu além do horário. O restaurante era pequeno, funcionava na residência da proprietária. Só consegui chegar ao estabelecimento perto das 14 horas e as funcionárias, que pensavam estar livres do seu turno, receberam-me com uma enorme tromba. Faziam questão de demonstrar explicitamente toda sua contrariedade. Uma delas se queixava de dor de cabeça e pressão alta.

– Senhora, já que está se sentindo mal, é melhor procurar um posto de saúde, pois hipertensão é um perigo – aconselhei, cautelosamente.

– Por mim, eu morro! – respondeu-me com aspereza.

Depois de escolher o meu prato, perguntei o que tinha para beber.

– Se quiser, tem água – informou-me a funcionária com desdém.

– Está ótimo! – exclamei com um sorriso no rosto, numa tentativa desesperada de criar alguma empatia. Não sei se a tática funcionou, mas fui surpreendida com uma limonada.

O clima no restaurante era tenso. O lugar era minúsculo e dava para ouvir todas as pragas rogadas da cozinha. Mas, como meu estômago estava colando nas costas, tive que me submeter ao risco, pedindo proteção divina.

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É absurdamente ruim a qualidade do atendimento nas agências da Caixa Econômica em Itabuna, onde o cliente continua enfrentando filas intermináveis (fato aqui denunciado recentemente) e sendo submetido a humilhação e constrangimento.
Nesta sexta-feira, 25, uma estudante precisou ir ao banco renovar o contrato do Financiamento Estudantil (Fies) e teve que experimentar o famoso e amargo “chá de cadeira”. Não só ela, como o casal de fiadores que também precisava assinar o documento.
Ao questionar um gerente sobre a previsão para o atendimento, a estudante recebeu a sugestão de retornar na segunda-feira. Como se ela e os que lhe acompanhavam não tivessem mais o que fazer…

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Usuários reclamam de "ótimos serviços", da centralização e calor.

A decisão de centralizar todos os cartórios de Itabuna no imóvel que abriga a Vara da Infância está sendo bastante criticada por todos – e, principalmente, por quem já sofria quando requisitava os serviços no Fórum Ruy Barbosa.

Filas gigantescas, calor insuportável e espera de quatro, cinco horas para ser atendido (quando consegue!) viraram rotina por lá. Quem chega no início da tarde, espera mais algumas horas para obter senhas e outras longas horas para ser atendido.

A situação é igual até para quem precisa reconhecer (ou registrar) firma ou fazer escritura de imóvel.  Todos têm de se espremer em corredores que são divididos por lances de escada de acesso a salas e gabinetes da Vara da Infância, nas Nações Unidas, em frente ao antigo Hospital Ipepi.

Quem passa por lá tem a perfeita visão do inferno. Afinal, de quem foi a ideia de “jerico”?

Atendimento fica ainda pior quando funcionário precisa faltar (Foto Fábio Roberto).