Estudantes usam cana de açúcar na produção de vinagre
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Estudantes do Colégio Estadual do Campo de Serra Grande, em Uruçuca, criaram um tipo de vinagre artesanal a partir do caldo da cana. O projeto tem por objetivo desenvolver novos meios de comércio na comunidade, de uma maneira saudável e sustentável, além de trazer novas formas de renda.

De acordo com estudos feitos pelo Centro Tecnológico de Pesquisa e Produção de Alimentos (CTPPA), o vinagre de caldo de cana fortalece o sistema imunológico, auxilia na digestão e tem mais aminoácidos essenciais que não são produzidos pelo organismo humano, mas importantes para seu funcionamento, devendo, portanto, ser adquiridos por meio da alimentação.

O objetivo das estudantes Mayelen Sena e Lavínia Lívia de Santos é trazer um produto para o mercado com baixo custo de produção. A proposta, por ser feita com uma receita ancestral, influencia as tradições culturais da comunidade, criando assim uma valorização maior de um produto cotidiano para eles.

As duas jovens destacam que as receitas ancestrais têm um valor gigante porque fazem parte da história do brasileiro. “Aprender com o que os mais velhos faziam é uma forma de manter viva a nossa cultura”, afirma Mayelen Sena. Para produzir o vinagre artesanal, as duas estudantes contaram com orientações do professor Valério Araújo.

O projeto, que conta com o apoio da Secretaria da Educação da Bahia, une inovação e empreendedorismo, contribuindo como fonte de renda e autoestima da comunidade. As estudantes já planejam iniciar a comercialização do produto em eventos na região. “Dependendo dos resultados, planejamos expandir as vendas criando uma loja física”, enfatiza Lavínia Lívia, destacando que o propósito é apresentar essa alternativa tanto para consumidores quanto para possíveis investidores.

Apresentação da BaianaSystem no Carnaval de Salvador || Foto Alfredo Filho/SecomSSA
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Enquanto isso, uma das poucas bandas que propõem renovação, a BaianaSystem, parece enfrentar dificuldades para conquistar espaço nos canais de mídia durante o Carnaval. Coincidência ou não, suas apresentações frequentemente sofrem cortes na transmissão para dar lugar a artistas mais tradicionais.

 

Dimas Roque

O Carnaval de Salvador, na Bahia, é reconhecido mundialmente por sua grandiosidade e riqueza cultural. Entretanto, ao olhar para o passado e o presente dessa celebração, surge uma questão inquietante: estaria o Carnaval da Bahia envelhecendo mal?

É verdade que o Carnaval de Salvador já viveu momentos inesquecíveis. Recordo-me das imagens vibrantes do Trio Caetanave desfilando pela Avenida Sete há quase cinco décadas. Nessa época, o Carnaval pulsava inovação e encantava multidões com o som das guitarras elétricas dos pioneiros Armandinho, Dodô e Osmar. Anos depois, nos idos de 1985, Luiz Caldas lançou o álbum Magia, que continha o hit Fricote. Assim nascia o movimento Axé Music, um gênero irreverente e contagiante que dominou não apenas o Carnaval, mas também as rádios e festas em todo o Brasil.

No início dos anos 1990, o Carnaval baiano se reinventava novamente. Ricardo Chaves surgia como destaque, trazendo novos ritmos e tornando-se uma sensação nacional. A banda Timbalada, com os talentosos Xexéu, Ninha e Patrícia, conquistou o público com suas inovações visuais e percussivas – os corpos pintados e as batidas hipnotizantes ecoaram mundo afora. Por sua vez, o Olodum revolucionava a música afro-brasileira, encantando artistas como Paul Simon e Michael Jackson, que gravaram ao lado do grupo em Salvador.

No entanto, ao observar os circuitos tradicionais, como Barra-Ondina e Campo Grande, percebe-se uma preocupante estagnação. Artistas renomados continuam a apresentar sucessos consagrados, mas raramente arriscam algo novo. São performances que, por mais brilhantes que tenham sido no passado, já não possuem o impacto inovador de outrora. Enquanto isso, uma das poucas bandas que propõem renovação, a BaianaSystem, parece enfrentar dificuldades para conquistar espaço nos canais de mídia durante o Carnaval. Coincidência ou não, suas apresentações frequentemente sofrem cortes na transmissão para dar lugar a artistas mais tradicionais.

Isso nos leva a uma reflexão crítica sobre o futuro do Carnaval de Salvador. É possível honrar a tradição sem abrir mão da inovação? A resposta é sim. O Carnaval precisa abraçar a diversidade de ritmos e artistas, equilibrando as estrelas consagradas com novos talentos que anseiam por espaço. Existe uma riqueza criativa nos compositores da Bahia que ainda não foi plenamente explorada.

Ao longo de sua história, o Carnaval de Salvador sempre se destacou por sua capacidade de transformação e reinvenção. Para que continue a ser relevante e encantador, é essencial que essa tradição de mudança persista. O público, seja no circuito ou nas telas, merece vivenciar a explosão de cores, sons e criatividade que fez do Carnaval da Bahia uma referência cultural mundial.

Que este espírito renovador sirva de norte para os próximos 40 anos – porque envelhecer bem é, antes de tudo, abraçar o novo sem perder o brilho do passado.

Dimas Roque é jornalista.