O início do Itabuna no velho Campo da Desportiva || Foto Acervo de Walmir Rosário
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Apesar da queda do rendimento no segundo turno, o Itabuna manteve a quinta colocação no campeonato de 1967, o primeiro que disputou, embora tenha perdido na classificação dos times do interior, liderada pelo Flamengo de Ilhéus, em quarto lugar, com um ponto a mais que o escrete itabunense.

 

Walmir Rosário

No início do ano de 1967 os homens que comandavam o futebol amador de Itabuna são convencidos pelos dirigentes da Federação Bahiana de Futebol e dos clubes de Salvador e Feira de Santana a disputar o futebol profissional. Após dezenas de reuniões, em que a tônica era elevar o nome de Itabuna ao cenário nacional esportivo com o que existia de craques na cidade, aceitaram o desafio.

Em 23 de maio de 1967, finalmente, o Itabuna Esporte Clube é fundado e estava pronto para disputar o Campeonato Baiano daquele ano como um dos 14 participantes. Agora se encontrava de igual para igual com o Bahia, Vitória, Botafogo, São Cristóvão, Leônico, Ypiranga e Galícia (Salvador), além do Fluminense, Bahia (Feira de Santana), Conquista Esporte Clube (V. da Conquista), Flamengo, Colo-Colo e Vitória (Ilhéus).

E finalmente o Itabuna estreia no Campeonato Baiano de Futebol Profissional no dia 4 de junho de 1967, com a vitória de 1X0 contra o São Cristóvão, gol de Nélson, no campo da Desportiva. No próximo domingo (11), torcida entusiasmada, o time volta ao campo da Desportiva para enfrentar o Botafogo, com mais uma vitória em casa, pelo placar de 1X0, gol de Bal.

Na quinta-feira (15-06) enfrentou o Flamengo de Ilhéus no Mário Pessoa e sofreu a primeira derrota como profissional por 3X1, gols de Jurandi, Clemente e Zé Pequeno, para os ilheenses, e Bal para o Itabuna. Em seguida (06-07) ganhou para o Bahia de Feira na casa do adversário por 2X1, gols de Carlos Riela e Déri (Ita) e Almir (BF); e venceu o Vitória da capital por 2×1, em Itabuna (20-07), com gols de Neném e Nélson (Ita) e Itamar (V).

No próximo jogo (27-07) o Itabuna volta a vencer, e desta vez a vítima foi o Conquista, que levou 3X1, no campo da Desportiva, com gols de Danielzão, Déri e Bal (Ita), e Piolho (Conq). Em 3 de agosto, o Itabuna vai a Feira de Santana e empata com o Fluminense em 0X0. Em pleno estádio Mário Pessoa o Itabuna vence o Vitória ilheense pelo placar de 1×0, gol de Batuqueiro. Em 20 de agosto empata com o Ypiranga no campo da Desportiva por 1×1, com gols de Batuqueiro (Ita) e André Catimba (Ypi).

No próximo jogo (31-08), contra o Colo-Colo, em Ilhéus, o Itabuna não teve sorte e perdeu por 1X0, gol de Ronaldo (CC). No dia 7 de setembro, em Salvador, empata com o Galícia por 2X2, com gols de Florizel e Déri (Ita) e Nélson e Enaldo (Gal). Ainda na capital baiana, no dia 10 de setembro perde para o Bahia por 3X1, gols de Zé Eduardo, Manezinho e Canhoteiro (Ba) e Florizel (Ita). No último jogo do primeiro turno (01-10) empata com o Leônico em 2X2, com gols de Itajaí (contra) e Gajé (Leo), e Maranhão (Ita).

Com esses resultados o Itabuna estreia no profissionalismo e termina o primeiro turno na quinta colocação, com 16 pontos, sendo seis vitórias, quatro empates e três derrotas. Nos 13 jogos disputados marcou 17 gols, sofreu 15 e manteve saldo de apenas dois gols. Foi um resultado bastante positivo, pois encerrou o primeiro turno como a equipe do interior melhor colocada.

Nos jogos de volta do segundo turno, o Itabuna inicia bem aplicando 2X0 no Flamengo de Ilhéus (08-10), gols de Maranhão; empata com o Leônico por 1X1, também no campo da Desportiva (15-10), gols de Carlos Riela (Ita) e Catu (Leo). Em casa, torna a empatar com o Bahia de Feira por 1X1, gols de Fernando Riela (Ita) e Maromba (BF); e perde para o Bahia da capital por 2X0, em 5 de novembro, com gols de Elizeu e Alencar. Já em 12 de novembro, em jogo com mando de campo invertido, aplica 3X1 no São Cristóvão, na Desportiva, com 3 gols de Florizel (Ita) e Iaúca (SC).

Outro placar favorável ao Itabuna em frente sua torcida foi contra o Vitória de Ilhéus, pelo placar de 3X0, 2 gols de Maranhão e 1 de Carlos Riela. Jogando em Salvador empata com o Botafogo em 2X2 (01-12), com 2 gols de Florizel (Ita), Nílson e Ronaldo (Bot). Em Vitória da Conquista perde por 2X1 para o Conquista (17-12), gols de Durvalino e Dão (Conq) e Fernando Riela (Ita). Em 28 de janeiro de 1968, valendo pelo mesmo campeonato, empata com o Ypiranga, por 0X0, em Salvador; e em 11 de fevereiro cai diante do Galícia por 2X0, no campo da Desportiva, gols de Santinho (contra) e Carlinhos Gonsálves (Gal).

Ainda no campo da Desportiva, no dia 18 de fevereiro, o Itabuna enfrenta o Vitória e empata em 1X1, com gols de Danielzão e Arcângelo (contra); e no jogo seguinte (03-03) perde para o Fluminense de Feira por 1X0. No segundo turno o Itabuna não obteve o mesmo resultado positivo do primeiro e fica na sétima classificação (duas abaixo), com 12 pontos, sendo seis vitórias, seis empates e quatro derrotas. Marcou 16 gols, sofreu 15, com apenas um de saldo positivo.

Apesar da queda do rendimento no segundo turno, o Itabuna manteve a quinta colocação no campeonato de 1967, o primeiro que disputou, embora tenha perdido na classificação dos times do interior, liderada pelo Flamengo de Ilhéus, em quarto lugar, com um ponto a mais que o escrete itabunense. Entre os artilheiros do campeonato, Florizel marcou 7 gols; Maranhão, 5; Carlos Riela, Bal e Déri, 3 gols; Fernando Riela, Danielzão, Batuqueiro e Nélson, 2; Neném 1 gol. Itajaí, Santinho e Arcângelo marcaram 1 gol contra, cada.

E a direção do Itabuna Esporte Clube colocou um time em campo, formado basicamente pelos jogadores oriundos da seleção amadora, com alguns reforços: Goleiros – Luiz Carlos, Betinho; lat. dir. – De Aço, Neném, Roberto, Miltinho e Nocha; zag. – Itajaí, Ivan, Santinho, Ronaldo e Clésio; lat. Esq. – Caxinguelê, Leto e Zito; meio-campistas – Arcângelo, Déri, Carlos Riela, Lua Riela, Nélson e Bel; atacantes – Neves, Maranhão, Raimundo, Vandinho, Fernando Jorge, Firmino, Fernando Riela, Batuqueiro, Danielzão, Pinga e Florizel; técnicos – Luiz Negreiros e Tombinho.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

A torcida itabunense lotava o estádio Luiz Viana Filho || Foto Waldyr Gomes
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Vem o segundo tempo e Geraldo Santos abre a transmissão com o grito de guerra “Vamos lá Itabuna”, os times se estudam, como no início de jogo, mas ao que tudo indica, os técnicos Paulinho de Almeida, do Vitória, e Tombinho, do Itabuna, pedem para os jogadores apenas tocar a bola. 

 

Walmir Rosário

Guardem bem essa data: 28 de julho de 1973. Dia da Cidade de Itabuna e inauguração do Estádio Luiz Viana Filho. A cidade repleta de autoridades, como o governador Antônio Carlos Magalhães, o secretário do Bem-Estar Social, Bernardo Spector, os presidentes do Vitória, do Bahia, da Federação Bahiana de Futebol, o prefeito José Oduque e o presidente do Itabuna, Charles Henri.

E para inaugurar o estádio, que ficou conhecido como o “Gigante do Itabunão”, dois jogos foram agendados: o primeiro, entre Itabuna Esporte Clube e Vitória, no sábado (28-07-1973), e o segundo, entre Bahia e Cruzeiro, este no domingo (29-07-1973). Uma festa esportiva pra ninguém botar defeito, com público de várias cidades baianas, além da imprensa de diversos estados brasileiros.

Até hoje sinto bastante não estar presente à efeméride esportiva grapiúna, pois à época morava em Paraty (RJ), de onde ouvi resenhas e parte do jogo pela Rádio Sociedade da Bahia. Claro que não lembro exatamente o que ouvi, mas faço escrita das palavras dos colegas radialistas, Geraldo Santos, Yedo Nogueira, Ramiro Aquino, Roberto, Juca e Jota Hage, por meio da Rádio Jornal de Itabuna, cuja gravação ostento com carinho em minha biblioteca.

Geraldo Santos e Yedo Nogueira (com os microfones) || Acervo de Walmir Rosário

Pra começo de conversa, o Itabuna era um time de respeito, com jogadores vindos da vitoriosa Seleção itabunense hexacampeão baiana, bem reforçada com novos jogadores regionais e do Rio de Janeiro. Mas, a bem da verdade, encarar aquele poderoso esquadrão do Vitória era dose pra elefante, como se dizia bem antigamente.

E o jogo entre Itabuna e Vitória valia mais do que o placar de 2X2 anotado ao final da partida. A histórica inauguração do estádio de gramados suspensos, como enaltecia a mídia esportiva, tinha a grandeza do que aconteceria no jogo, como, por exemplo, quem marcasse o primeiro gol seria consagrado para o resto da vida. E esse feito coube ao ponteiro-direito Osny, o endiabrado camisa 7 do Vitória.

Outro aspecto importante dessa inauguração era o privilégio de estar presente no jogo 12 do teste de número 146 da Loteria Esportiva, sob os olhares dos apostadores de todo o Brasil. E ao anunciar o placar, o narrador Geraldo Santos não cansava de enfatizar em qual coluna se encontrava – um, do meio ou a dois, E terminou na coluna do meio, com o placar de 2×2.

E nessa transmissão, a Rádio Jornal ostentava como patrocinador exclusivo o novíssimo Centro Comercial de Itabuna, equipamento urbano considerado o mais moderno do Sul da Bahia. Num dos reclames, Geraldo Santos dizia: “Marque o maior tento de sua vida, compre uma loja no Centro Comercial de Itabuna, a obra do século”, como queria o bom marketing da época.

Após uma parada no jogo para os jogadores baterem uma falta, lateral ou escanteio, Geraldo Santos indicava aos possíveis clientes que poderiam adquirir uma loja na Construtora Fernandes, na avenida Amélia Amado, ou junto ao empreendedor Plínio Assis, na praça Otávio Mangabeira. E o Plínio era aquele mesmo que foi goleiro do Flamengo e da Seleção Amadora de Itabuna.

Enquanto isso, o jogo continuava pegado, com vantagem do Vitória nas jogadas, principalmente de Osny, Mário Sérgio, André e Almiro. Segundo o comentarista Yedo Nogueira, o jogo ainda se encontrava na fase de estudo, reconhecimento do terreno. E o narrador prometia dar um rádio Philips de presente ao jogador que marcasse o primeiro gol no Estádio Luiz Viana, uma gentileza da Loja Rosemblait

Aos sete minutos do primeiro tempo, eis que André, ainda o “Peito de Aço”, invade a área, dribla o goleiro Luiz Carlos, que derruba o centroavante na grande área. Pênalti, marca o árbitro Saul Mendes. O serelepe Osny se prepara para bater a penalidade máxima, chuta com maestria e o resultado foi bola no canto esquerdo e o goleiro caindo no canto direito. Gol do Vitória!

Coluna 2 do jogo 12 do teste 146 da Loteria Esportiva. Em outro lance, enquanto o Itabuna se prepara para bater um escanteio, Geraldo Borges convida os ouvintes de toda a região para assistirem ao super show do cantor Roberto Carlos e Banda RC7 no novíssimo Estádio Luiz Viana Filho, no próximo dia 2 de agosto. Em campo, Reginaldo bate o tiro de canto e a zaga do Vitória rebate para o ataque.

Exatamente aos 16 minutos do primeiro tempo, enquanto o comentarista Yedo Nogueira analisa que o Itabuna está sem qualquer esquema de jogo para entrar na área do Vitória, André volta a receber outra bola e marca o gol. O Segundo do Vitória. Imediatamente os jogadores partem em direção ao bandeirinha Wilson Lopes para reclamar do mais claro e límpido impedimento e são ameaçados de expulsão pelo árbitro Saul Mendes. Só faltou dizer “gol legal”, como Mário Vianna, com dois enes.

E a partida continua na coluna 2 no jogo 12 do teste 146 da Loteria Esportiva. Aos 30 minutos Osny chuta raspando a trave de Luiz Carlos. Aos 33 minutos, Déri invade a grande área e pega o goleiro Agnaldo, do Vitória desprevenido e marca o primeiro gol do Itabuna, fazendo delirar na arquibancada a torcida alvianil.

E o gol deu ânimo aos jogadores do Itabuna e numa jogada de ataque, Rafael passa pelo marcador, a bola é rebatida por Valter (Vitória) cai nos pés de Perivaldo, que passa a pelota a Jaci, que dá o passe para Déri marcar o segundo gol. A torcida, animada pela bateria da Escola de Samba da Mangabinha, comemora pra valer. Itabuna 2, Vitória também 2. Coluna do meio na loteca.

Vem o segundo tempo e Geraldo Santos abre a transmissão com o grito de guerra “Vamos lá Itabuna”, os times se estudam, como no início de jogo, mas, ao que tudo indica, os técnicos Paulinho de Almeida, do Vitória, e Tombinho, do Itabuna, pedem para os jogadores apenas tocar a bola. E assim o placar continuou selado nos 2X2 e Déri também é agraciado com um rádio Philips da Loja Rosemblait.

No dia seguinte o jogo foi entre Cruzeiro e Bahia, e não passou de 1×1.

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Déri (penúltimo agachado à direita) no jogo de despedida de Garrincha, em Itabuna
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O sucesso de Déri chamou a atenção dos times da capital, tanto assim que foi negociado para o Galícia, que o colocou numa vitrine especial do futebol brasileiro. Alegria maior foi quando escalado para jogar contra o Santos de Pelé, com quem posou para foto, recordação que tem até hoje guardada com carinho.

Walmir Rosário

Todo menino bom de bola é o primeiro a ser escolhido no baba, um de cada lado, para não desequilibrar a partida, e até “os pernas-de-pau” tem seu lugar, na falta dos que têm mais intimidade com a bola. Outra meio de ser escolhido de primeira é ser o dono da bola, pois do contrário não terá jogo. Esses são os métodos mais tradicionais, sendo o da meritocracia o mais utilizado.

E um dos meninos escolhidos de primeira nos campinhos do Lava-pés e da Borboleta, nas proximidades da atual estação rodoviária de Itabuna, na década de 1960, era Déri, ou melhor, Derivaldo Alves da Silva. Sua pequena estatura e seu corpo magro não representavam problemas, ao contrário, facilitava “ciscar” em campo com mais facilidade, driblar os adversários e marcar o gol.

E o menino Déri faz fama e “encheu os olhos” de jogadores mais velhos e técnicos dos times de camisa, que viam nele um craque em potencial e que deveria ser lapidado para jogar num dos times amadores no campo da Desportiva. Não demorou e já estava matriculado na Academia de Futebol Grapiúna, comandada pelo cirurgião-dentista Demósthenes Lordelo de Carvalho.

E o garoto prodígio não queria pouco, e passou a se espelhar no futebol jogado pelos grandes craques da época, como Pelé e Garrincha, em São Paulo e Rio de Janeiro, além dos irmãos Riela, Tombinho, Santinho, Neném e outros da Seleção Amadora de Itabuna. Sem demora recebe convite para treinar – também – no quadro aspirante do Janízaros, time em que jogavam seus ídolos.

Se em campo Déri aprendia o futebol com os professores celebridades, fora era apadrinhado dos diretores Zelito Fontes e Antônio Heckel, que se preocupavam com a formação do homem, do cidadão Déri. Sem dúvida alguma, foi um excelente aluno e não demorou dividir o campo com o goleiro Luiz Carlos, Tombinho, Neném, Nocha, Piaba, Jurandir, Santinho, Florizel. Aos poucos o franzino ganhava condição física e técnica.

Déri foi se firmando no meio-campo, saindo sempre que podia para o ataque, tanto pela direita como pela esquerda. E a cada oportunidade que aparecia lá estava ele marcando gols, o que gostava. E Déri aproveitava a sua rapidez e a marcação cerrada dos adversários nas celebridades para se tornar goleador. Com Tombinho desenvolvia jogadas combinadas nos treinamentos, deixando os adversários apavorados.

Naquela época, em Itabuna, não havia programa melhor nas tardes de domingo do que assistir aos jogos do campeonato amador no campo da Desportiva. Pouco importava contra que times jogavam, a torcida lotava o estádio, pois confiava na qualidade do futebol praticado. Nos jogos da imbatível Seleção de Itabuna, então, era preciso chegar cedo para garantir um lugar melhor na geral ou na arquibancada.

E o sucesso de Déri chamou a atenção dos times da capital, tanto assim que foi negociado para o Galícia, que o colocou numa vitrine especial do futebol brasileiro. Alegria maior foi quando escalado para jogar contra o Santos de Pelé, com quem posou para foto, recordação que tem até hoje guardada com carinho. E, ao final do jogo, o placar marcava 2 X 2, um empate com sabor de vitória.

E na vitrine do Galícia chegou a ser cobiçado por várias equipes brasileiras e até da Espanha, esta lhe fez uma proposta irrecusável. Porém, o amor pela família falou mais alto e Déri continuou no “Demolidor de Campeões”, que tinha como técnico o zagueiro e lateral Nílton Santos, a Enciclopédia do Futebol, com quem aprimorou os fundamentos e disciplina tática.

Déri foi um dos componentes da primeira equipe do Itabuna Esporte Clube, recém-criado e profissionalizado, ainda prestes a completar os 17 anos. Passou a integrar o meio-campo do Itabuna ao lado de Bel, Lua Riela, Élcio Jacaré. Outra grande passagem de Déri pelo Itabuna Esporte Clube se deu na década de 1970. Na inauguração do Estádio Luiz Viana Filho, hoje Fernando Gomes, em 28 de julho de 1973, teve uma atuação brilhante e ainda marcou os dois gols contra o Vitória e saiu como o herói da partida, no empate por 2 X 2.

Na Bahia, Déri também passou pelo Atlético de Alagoinhas, o Leônico, no qual foi campeão do torneio de acesso, e o Vitória. Mas foi em Sergipe que se consagrou como o grande ídolo futebolístico. Jogou pelo Confiança, depois no Sergipe e Itabaiana. No Confiança se sagrou campeão em vários anos e considerado o melhor time do estado. Na transferência para o Sergipe, Déri sofreu bastante com os torcedores do Confiança, que não admitiam a mudança. Eram vaias de um lado e aplausos do outro. No Itabaiana também foi campeão por diversos anos.

Déri, campeão por vários anos no Itabaiana

Em Sergipe, o conceito de Déri era tamanho, que era pressionado a enveredar pela política, com convites para se filiar a vários partidos e se candidatar a deputado ou vereador. Soube dispensar os chamamentos e preferiu continuar a jogar futebol. Somente nos estádios sergipanos jogou futebol por longos 10 anos e até hoje é lembrado e endeusado pelos torcedores dos times pelos quais jogou.

O mesmo conceito Déri goza em Itabuna, onde mora. Depois que abandonou o futebol, trabalhou para diversos empresários dos ramos do comércio e agropecuária, além de atuar no comércio de veículos. Atualmente está afastado das atividades econômicas e, aposentado, convive mais próximo de sua família. Atualmente, pouco sai de casa, onde recebe os amigos para bate-papos, geralmente sobre futebol, atividade que se destacou por longos anos.

Déri, um craque a ser sempre lembrado.

Walmir Rosário é radialista, jornalista, advogado e além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

Na montagem, Bel campeão pelo Fluminense em 1966, e na Seleção de Itabuna ao lado de Santinho e Tombinho
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Em 1969, convidado pelo Flamengo, retorna ao Rio de Janeiro e é aprovado pelo clube da Gávea, onde permanece por cerca de 40 dias em treinamento. Mais uma vez decide retornar a Itabuna, agora pela falta de um empresário que cuidasse de sua vida profissional.

 

Walmir Rosário

Se hoje em dia os clubes famosos do continente europeu espalham olheiros mundo afora em busca de promessas de novos craques, nas décadas de 1950 e 60 já tínhamos nossos agentes secretos, se bem que paroquianos, no entorno de Itabuna e Ilhéus. E eles funcionavam bem, descobrindo craques nos bairros e nas pequenas cidades. E posso atestar que eram craques de mão cheia.

Um desses é Abelardo Brandão Moreira, que respirava o futebol a partir de casa, passando pelos campinhos, quadras de futebol de salão até chegar de vez no Campo da Desportiva, templo sagrado do futebol itabunense. E aos 15 anos, calçava chuteiras e o uniforme rubro-negro do Flamengo de Itabuna, considerado um “ninho de cobras”, dada a qualidade do plantel.

E o craque, ainda com a cara de menino, disputava a bola nos gramados com o que tinha de melhor no futebol itabunense. Entrava em campo numa boa e distribuía passes magistrais aos companheiros em campo, grande parte titulares ou reservas da notável Seleção de Itabuna, a hexacampeã baiana. E não podia ser diferente, em 1963 se sagra campeão de Itabuna, num certame pra lá de disputado.

E no Flamengo Bel dividia parte do campo com Luiz Carlos, Nocha, Piaba, Abieser e Leto; Waldemir Chicão e Tombinho; Gajé, Nélson Piroca, Caçote e Luiz Carlos II. Nesse time ainda jogavam craques do quilate de Carlos Alberto, Péricles, Zé David, Maneca, Tertu, Santinho e Zequinha Carmo, e como promessas, Lua e Bel. O técnico era Gil Nery, o mesmo da Seleção de Itabuna. Quem viu não consegue esquecer o bom futebol praticado.

Em 1964 Bel recebe o convite para integrar o Janízaros e se muda com armas e bagagens, levando consigo um futebol em plena ascensão. Foram dois anos de sucesso, reinando absoluto no campeonato itabunense, condecorado com as faixas de campeão por dois anos seguidos – 1964 e 1965. Para coroar sua carreira também foi convocado para a Seleção de Itabuna, penta e hexacampeã baiana.

O Janízaros era um esquadrão formado pelo goleiro Luiz Carlos, Humberto, Ronaldo, Itajaí e Albérico (Toba); Bel e Tombinho; Neném, Pinga, Marinho e Wanderlei. O plantel ainda contava com Biel, Evaristo, Carlos Viana, Américo, Nego, dentre outros. Em três anos de futebol amador, três títulos de campeão consecutivos, marcando positivamente o início da carreira futebolística que abraçara.

Mas o futuro era bastante promissor e em 1966 Bel se transfere para o Fluminense. Se reencontra com colegas de outros clubes, num time formado por Luiz Carlos, Amaro, Ronaldo, Santinho, Amilton, Carlos e Fernando Riela, Waldemir Chicão, Ratinho, Totonho, Carlos Antônio, Orlando Nabizu, Wanderlei, Jonga e Humberto, dentre outros. E neste ano, mais uma vez, levanta a taça de campeão itabunense.

E em 1967 uma mudança revoluciona o esporte do sul da Bahia, com a profissionalização do futebol. Em Ilhéus, Flamengo, Vitória e Colo-Colo; em Itabuna, o recém-criado Itabuna Esporte Clube representa a cidade. Bel encerra a fase amadora e é contratado como profissional pelo Itabuna Esporte Clube. Em 1968 se transfere para o Colo-Colo de Ilhéus, clube em que joga até 1969.

Em 1970, Bel continua jogando na vizinha cidade praiana, mas desta vez pelo recém-criado Ilhéus de Futebol e Regatas. No ano seguinte retorna ao Itabuna Esporte Clube, onde fica até julho de 1972. Em agosto (72) é contratado pelo Atlético de Alagoinhas para disputar o Campeonato do Norte e Nordeste, retornando ao Itabuna em 1973, quando decide parar a carreira, embora continue ocupando outros espaços no futebol.

No ano de 1976 volta ao Itabuna Esporte Clube, agora para emprestar todo o conhecimento adquirido em anos de futebol. Exerceu os cargos de treinador de goleiros, auxiliar técnico, muitas vezes assumindo o comando técnico da equipe. Em 81 foi auxiliar e técnico do Itabuna juvenil. Mais tarde, também a convite de João Xavier, treinou várias categorias de Masters da AABB de Itabuna.

Jogador clássico, de chute certeiro e passes longos e milimétricos, Bel foi convidado por clubes do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Aprovado no Botafogo, por questões particulares preferiu voltar a Itabuna. Junto com Déri, Caxinguelê e Juvenal, em 1967 treinou no Atlético Mineiro. Aprovados, não continuaram no “Galo Mineiro” devido aos baixos salários e péssimas condições moradia e trabalho.

Em 1969, convidado pelo Flamengo, retorna ao Rio de Janeiro e é aprovado pelo clube da Gávea, onde permanece por cerca de 40 dias em treinamento. Mais uma vez decide retornar a Itabuna, agora pela falta de um empresário que cuidasse de sua vida profissional. No rubro-negro carioca tinha que disputar espaço no meio de campo com craques a exemplo de Carlinhos, Liminha, Cardosinho, o paraguaio Reyes e Zanata (estourando a idade).

E assim, após mais de 25 anos de dedicação ao futebol, se transferiu para a atividade privada e, em seguida passa a ocupar cargo no Poder Judiciário, inicialmente na Justiça de Defesa do Consumidor (1991), e depois, em 1993, é aprovado em concurso público para a Justiça do Trabalho, se transferindo para Teixeira de Freitas, retornando a Itabuna após a aposentadoria.

Bel, um craque a ser sempre lembrado.

Walmir Rosário é radialista, jornalista, advogado e além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.