Estudantes do Curso de Medicina se reúnem com vice-reitor da Uesc || Foto Júlia Barreto
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O vice-reitor da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), professor Maurício Moreau, reuniu-se na tarde desta quinta-feira ( 24) com representantes dos estudantes do curso de Medicina. O encontro foi logo depois de um protesto dos alunos para denunciar a falta de professores e reivindicar melhorias em áreas como os campos de prática.
A Uesc reafirmou que o Governo do Estado, por meio da Secretaria da Administração (Saeb), autorizou a abertura de processo seletivo simplificado, via Regime Especial de Direito Administrativo (Reda), para contratação emergencial de quatro professores para o Curso de Medicina.
De acordo com a Universidade, as vagas “atendem à necessidade imediata do curso, após o afastamento de quatro docentes no final de maio”. A Uesc voltou a afirmar que a situação foi debatida em reunião no dia 6 de junho, com a presença do reitor Alessandro Fernandes, professores, a Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) e representantes estudantis. Na ocasião, a Universidade solicitou oficialmente à Secretaria da Educação do Estado (SEC) a reposição do quadro docente.
SOLICITAÇÕES LEGÍTIMAS
Na última quarta-feira (23), segundo a Uesc, a Saeb aprovou a demanda e encaminhou os trâmites para a publicação do edital. O vice-reitor ressaltou que todas as solicitações dos estudantes são legítimas e estão sendo tratadas com a devida atenção pela gestão universitária.
O reitor Alessandro Fernandes, que se encontra em viagem, deverá se reunir com docentes e discentes do curso na próxima terça-feira (29) para apresentar os encaminhamentos adotados.
Segundo o professor Moreau, a administração da Uesc tem se empenhado para garantir a qualidade dos 40 cursos de graduação e dos 58 programas de pós-graduação, lato e stricto sensu, buscando sempre avaliações positivas. Ao final, agradeceu aos estudantes pela postura respeitosa e democrática nas manifestações realizadas.
"O que é a Uesc sem professor?", pergunta aluna com mensagem em cartaz || Foto Reprodução
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Alunos de Enfermagem da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) reivindicam a contratação de novos professores. A falta de docentes pode atrasar a graduação de turmas, conforme o Centro Acadêmico do curso. Segundo os estudantes, o problema se arrasta há dois anos.
De acordo com o Centro Acadêmico de Enfermagem, ao longo dos anos, a carga horária de estágio obrigatório saltou de 135 para 495 horas. Apesar do aumento contínuo da demanda, os estagiários têm os mesmos cinco professores de uma década atrás, diz o órgão representativo dos estudantes. Nesse momento, eles precisariam de doze educadores para orientá-los.
Os alunos estão na expectativa da formatura. Muitos já fizeram concursos públicos. Se passarem, não sabem se vão receber os diplomas a tempo de assumir os cargos. Também estão preocupados com as provas de residência, que permitem o acesso de profissionais da saúde a especializações. Naturalmente, sem terminar a graduação, não é possível iniciar a etapa seguinte da formação profissional.
Não é a primeira vez que a falta de professores ameaça atrasar a formação de alunos da Universidade. O problema já foi registrado e virou notícia em, pelo menos, mais dois cursos, os de Veterinária e Medicina.
OUTRO LADO
Conforme a assessoria de comunicação da Uesc, a instância para a resolução do problema é o Governo da Bahia. Atualizado às 14h14min para acrescentar o posicionamento da Universidade.
Reitor da Uesc e coordenador do curso de Medicina comentam reivindicação de estudantes
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Thiago Dias
Estudantes da 5ª série do curso de Medicina da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) temem que a falta de professores atrase sua formação. Três alunos reclamam do problema em texto enviado ao PIMENTA e divulgado na internet. Segundo eles, a situação prejudica a regularidade dos estágios curriculares obrigatórios.
Conforme o texto, o curso tem 46 professores médicos, mas, de acordo com o projeto da graduação, concebido em 2001, deveriam ser 105, além dos docentes de outras áreas do conhecimento.
– Os alunos clamam por esclarecimento público sobre o plano de ação que será tomado pela administração superior para solucionar as pendências e consideram urgente a contratação de professores para garantia de qualidade mínima nos campos de estágio supervisionados, especialmente aqueles que correspondem aos dois últimos anos da graduação – diz o trecho final do documento.
Além da contratação de docentes, eles reivindicam melhores equipamentos e condições técnicas para as atividades acadêmicas.
PARA REITOR, DEMANDA DE ESTUDANTES É REAL E LEGÍTIMAO professor Alessandro Fernandes de Santana, reitor da Uesc
Nesta terça-feira (19), o PIMENTA conversou por telefone com o reitor Alessandro Fernandes de Santana, que explicou as providências adotadas pela Universidade.
Logo após assumir a Reitoria, em fevereiro de 2020, ele foi procurado pela coordenação do curso de Medicina, que lhe apresentou relatório sobre o quadro geral da graduação. A necessidade de novos professores foi mencionada. Como outros cursos também precisam repor o quadro docente, o reitor levou as solicitações ao Governo do Estado, em Salvador, onde se reuniu com os secretários Manoel Vitório (Fazenda), Jerônimo Rodrigues (Educação) e Edelvino Filho (Administração).
– Saímos de lá, praticamente, autorizados a abrir concurso público para 49 vagas. Dentre essas, obviamente, tinham os professores do curso de Medicina. O que aconteceu depois disso? Quando chegamos na Uesc, uma semana depois, veio o fechamento da Universidade por conta da pandemia – relembra Alessandro Fernandes, acrescentando que decretos dos governos estadual e federal proibiram a realização de concursos até 31 de dezembro de 2021.
Como alternativa ao concurso, o reitor pediu autorização do Estado para selecionar 58 professores sob o Regime Especial de Direito Administrativo (Reda). Ele aguarda resposta.
Hoje (19), o fórum que reúne os reitores das quatro universidades estaduais da Bahia e é presidido por Alessandro, solicitou uma reunião com o governador Rui Costa para tratar sobre as necessidades das instituições.
Além disso, o reitor se reuniu recentemente com estudantes e a coordenação do curso de Medicina. Para Alessandro, os discentes apresentaram uma demanda real e legítima. “Eu tive uma conversa com a representação discente e do Colegiado. Fizemos uma apresentação transparente da situação, mostrando as alternativas que nós tínhamos e buscando uma construção conjunta. Os alunos, de fato, estão preocupados, porque têm prazo para formar, prova de residência. E é uma preocupação nossa. Agora, a autorização para concurso não depende da Universidade”.
CURSO DE MEDICINA PRECISA DE 3 PROFESSORES PARA REGULARIZAR ESTÁGIO, DIZ COORDENADOR
O PIMENTA também ouviu o professor Marcelo Araújo, coordenador do curso de Medicina da Uesc. Ele explicou que a área de Saúde tem nove vagas abertas pela saída de professores que se aposentaram ou pediram exoneração. A disciplina mais desfalcada é a de Saúde da Mulher. Hoje, o curso precisa de 2 ou 3 docentes especializados em Ginecologia para garantir o funcionamento regular dos estágios obrigatórios.
A falta de professores também impede a Universidade de pactuar programas de estágio nos serviços de saúde, o que afeta diretamente os estudantes dos últimos anos, acrescentou Marcelo.
Quanto ao número de professores indicado no projeto original do curso (105), Marcelo Araújo esclareceu que o programa precisa ser revisado, pois 20 anos se passaram desde a sua elaboração. Dessa forma, segundo o coordenador, a defasagem existe, mas é menor do que a diferença entre a quantidade concebida no plano e a realidade atual. Somente a revisão do programa acadêmico apresentará o diagnóstico correto da demanda real.