Fábrica em Ibicaraí cria emprego e renda || Foto André Frutuôso/CAR
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Às vésperas da Páscoa, a Bahia Cacau, em Ibicaraí, no sul da Bahia, consolida-se como um exemplo de como a agricultura familiar pode agregar valor à produção e transformar a vida no campo. A unidade surgiu não apenas para oferecer ao consumidor um produto de qualidade, com intenso sabor e teor de cacau entre 35% e 70%, mas também para agregar valor à produção de agricultores da região.

A primeira fábrica de chocolate da agricultura familiar do Brasil foi implantada em 2010 pela Cooperativa da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Bacia do Rio Salgado e Adjacências (Coopfesba). Atualmente, a Bahia Cacau alcança a produção de três toneladas de chocolate por mês, com capacidade para chegar a seis toneladas.

A produção inclui ainda cerca de 25 toneladas de nibs de cacau, resultando em uma variedade de produtos, como barras, barrinhas, bombons com frutas, mel de cacau, licores, geleias e nibs. Os produtos são sem conservantes, com alto teor de cacau, preservando características artesanais e a identidade territorial. Para viabilizar a implantação da fábrica, o Governo do Estado investiu mais de R$ 5 milhões.

“A política pública, aliada ao acesso a tecnologias e à assistência técnica, transforma a vida do agricultor, que passa a agregar valor à sua amêndoa. O que antes representava uma renda de um salário mínimo, hoje pode chegar a quatro vezes esse valor, garantindo mais dignidade às famílias do campo. Esse avanço também se reflete no faturamento, que, em 2025, se aproximou de R$ 2 milhões”, destacou o diretor financeiro da Bahia Cacau, Osaná Crisóstomo.

PREÇO MÍNIMO

Segundo ele, a definição de um preço mínimo para a compra das amêndoas dos cooperados contribui para a estabilidade da renda. “Como o cacau é um produto dolarizado e sujeito a variações, estabelecemos um valor mínimo para a compra de amêndoas finas e de qualidade tipo 1. Isso garante que os produtores consigam cobrir os custos da propriedade e sustentar suas famílias”, explicou.

Para o agricultor Clebson Costa, do assentamento Vila Isabel, no distrito de Cajueiro, em Ibicaraí, a cooperativa representa um importante suporte para os produtores da região. “Para quem acredita em uma agricultura forte e sustentável, a cooperativa é fundamental, pois oferece condições favoráveis para permanecermos na cadeia produtiva da agricultura familiar, seja por meio de apoio técnico ou financeiro”, afirmou.

Em sua propriedade, onde 75% do cacau produzido é destinado à Bahia Cacau, Clebson destaca os avanços no sistema produtivo. “Hoje trabalhamos com o cultivo a pleno sol, o que elevou a produtividade de 20 para até 250 arrobas por hectare. Além disso, contamos com sistema de irrigação, que auxilia em períodos de estresse hídrico”, explicou.

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