Castelo da Princesa é um dos pontos mais visitados da Paraíba || Foto PIMENTA
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O Mirante Dedo de Deus é um cartão-postal no interior da Paraíba. É um atrativo natural onde o turista poderia levar horas contemplando-o, mas isso não é possível por causa da enorme concorrência para o registro de uma imagem do local instagramável no município do Conde, no litoral sul do estado nordestino.

O Dedo de Deus é um presente da Natureza || Foto PIMENTA

O turista mais entusiasmado ousa afirmar ser o Dedo de Deus um atrativo tão belo que nenhum homem seria capaz de criar nada parecido. É um paraíso nos melhores sonhos, como disse o casal de turistas paulista Rafael Menezes Alves e Priscila Carvalho. Eles visitam o local pela terceira vez. “E retornaremos outras vezes”, prometem.

Praia do Coqueiro é uma das mais frequentadas em Conde || PIMENTA

Localizado em uma falésia, o Mirante Dedo de Deus proporciona sensações tão incríveis que faltam adjetivos para os amantes da natureza. Desse local é possível contemplar águas cristalinas e areia branca da Praia do Coqueirinho e um trecho da Praia de Tabatinga.

Muitos turistas ficam em dúvida se param para contemplar as belezas naturais no alto ou se descem para tomar banho. Por isso, é importante escolher uma opção de passeio com maior flexibilidade de tempo para aproveitar o destino turístico que parece uma tela pintada à mão por um grande artista.

Mirante Dedo de Deus é ponto para observação em Conde || PIMENTA

O ideal é que o turista aproveite parte do dia nas praias e deixa o mirante para o final da tarde, pois poderá registrar o pôr do sol. Mas, para chegar lá, o visitante precisa de disposição para um passeio em que precisará enfrentar estrada de terra batida e lama em pau de arara, buggy ou triciclo. É recomendado fazer o trajeto com profissionais de uma empresa credenciada para evitar acidentes.

CASTELO DA PRINCESA

A poucos metros do Dedo de Deus fica o Mirante Castelo da Princesa, uma formação rochosa nos tons de vermelho, rosa e laranja. É outro lugar belíssimo no litoral sul da Paraíba. Os atrativos podem ser visitados no mesmo roteiro e pacote de passeio.

 

Neste mesmo roteiro, o turista pode incluir ainda um banho na Praia do Amor, que é um pouco deserta. A praia possui falésias e formações rochosas. Um dos pontos mais disputados para registro de imagens é a pedra furada. O ideal é escolher um período de maré menos agitado. Além disso, caso esteja buscando tranquilidade, opte por um dia que não seja feriado e evite finais de semana.

O visitante precisa de um pouco de paciência para registrar o cenário porque a concorrência é grande. Os mais supersticiosos vão ao local tocar à pedra furada e passar pela sua abertura, pois reza a lenda que isso é garantia de amor e sorte. Mas quem não acredita em lenda, vai ao local mesmo para levar consigo uma linda imagem de um paraíso.

Praia do Amor || Foto Marco Pimentel/GOV-PB

O turista que não dispensa um banho de mar e gosta de praia mais sossegada, as opções são Coqueirinho e Tabatinga. Com seu mar calmo, a primeira praia é de água cristalina, falésias coloridas e formações rochosas. Além disso, o visitante pode aproveitar a extensa faixa de areia e sombra dos coqueiros.

O cenário de tranquilidade se repete na praia de Tabatinga, com águas mornas, calmas e cristalinas. Ela também é perfeita para os amantes de mergulho e esportes aquáticos. Mas atenção: as duas praias não oferecem infraestrutura com restaurantes e quiosque.

O pacote para a Costa do Conde custa entre R$ 130 a R$ 190 por pessoa na alta temporada. O nosso próximo atrativo por terras paraibanas será a Praia de Tambaba, uma das mais badaladas no estado. Ela é famosa por destinar um trecho só para o naturismo.

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GRAMÁTICA NÃO É INSTRUMENTO DE JUSTIÇA

Ousarme Citoaian
Declarou-se no Brasil uma guerra injusta contra o adjetivo (dirão que as guerras são assim mesmo e que o espaço da justiça não é a gramática, mas o tribunal): uns o execram sem qualquer vezo de compaixão, reduzindo a zero sua presença no texto; outros o aspergem na página, atrelando-o a substantivos suspeitos. Talvez seja possível encontrar-lhe o meio termo, que é o uso quando necessário. Graciliano, o mais “descarnado” dos escritores brasileiros, pasmem os matadores de adjetivos, usava esse penduricalho em lugar certo e momento aprazado. Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes, diz ele, abrindo magistralmente Vidas secas (citado em coluna anterior). Na mesma frase, dois adjetivos necessários e certeiros.

ESTILO QUE DEIXA AS CARÊNCIAS À MOSTRA

Convém não confundir texto econômico com texto pobre. O econômico é rico sem ser perdulário, tem tudo de que precisa, sem nada lhe sobrar; o pobre deixa à vista carências básicas, até de grafia. Mesmo com risco de vida, digo que a internet é o túmulo da linguagem – cada vez mais descuidada, maltratada e “econômica”, transforma “que” em “q”, ”também” em “tb”, e por aí vai a carruagem. “Acabou-se o nosso carnaval” – o verso de Vinícius, numa canção com Carlos Lyra, serve como ícone do fim da alegria na construção do texto, o enterro do metafórico, o império do estereótipo da cultura pequeno-burguesa apressada e “pragmática”. Quase não mais se escreve com purpurina, lantejoulas, serpentinas, confetes, paetês, sangue, coração e alma.

A BOA LINGUAGEM EXIGE COR, RITMO E SOM

Ensinam os mestres da estilística esquecida que “escrever bem” inclui preocupações que ultrapassam o saber primário da gramática: pensar em ritmo, sonoridade, criatividade, não temer a palavra desusada, correr do pedantismo e do lugar comum. Le mot juste (o termo que não só define o pensamento como o emoldura com cores e sons) há de ser buscado, e essa busca às vezes é penosa. A tarefa de escrever, para quem o faz com responsabilidade, é estafante. O texto é areia movediça, terreno cheio de armadilhas, há o autor de locomover-se com cuidado, velho marinheiro conduzindo o barco em noite de temporal. Mas é trabalho compensador. Imagino até que o prazer, mais do que a obrigação de escrever, seja o dínamo do profissional dessa atividade.

EDITORIAL É TEXTO DE PALETO E GRAVATA

Só para quem é de outro ramo, que não jornalismo: o editorial é o espaço mais nobre do veículo. É texto analítico, opinativo, afirmativo, que representa o ponto de vista da empresa, em geral sobre notícia do momento. Faz-se editorial, por exemplo, a respeito do Porto Sul ou da ponte Ilhéus-Pontal, nunca sobre as capitanias hereditárias ou as pirâmides do Egito. Diz-se nas redações que o editorial (também chamado “artigo de fundo” e – quando muito pequeno – “suelto”) é o texto de paletó e gravata, grave, circunspecto e, obviamente, lavrado em linguagem formal. Não é à toa que os veículos escolhem para fazê-lo, via de regra, um jornalista de cabelos brancos.

NÃO SOU LINGUISTA, SOU APENAS LEITOR

Daí o espanto ao ler um jornal de Ilhéus e tropeçar, no seu espaço mais nobre, com uma linguagem absolutamente fora do lugar. O título, Informações vaciladas, é algo inesperado, exigindo esforço para saber o que o autor pretende dizer. Vacilar, todos sabem, é hesitar, cambalear, tremer, estar incerto, irresoluto etc. Logo, uma informação “vacilada” é uma invenção carente de sentido. Concedamos que “vacilante” seria bem aceita no texto – mas que “vacilada” é uma ousadia gramatical que só a corrente linguista excessivamente bem humorada acataria. Não sou linguista, mas leitor de jornais, e meu bom humor, graças ao bom Deus, está esgotado para esse tipo de coisa.

LEITURA PARA SABER COMO NÃO ESCREVER

Mesmo assim, por mera curiosidade, leio, em busca da solução do mistério. A primeira frase (“Palavra dita é palavra que não volta atrás”) introduz um pleonasmo “defensável” (ah, os linguistas!) que me deixa em expectativa nada positiva. A segunda “explica” a primeira: “Pelo menos é isso o que aprendemos desde pequeno”.  Como é mesmo? Aprendemos desde pequeno”? Ih!.. Em seguida, doutoral, o artigo cita que “um homem deve ter palavra” e que “isso é o que costuma nos afirmar nossos pais…”. Chega. Curioso, sim, masoquista, não, suspendi a leitura. Mas a recomendo a todos quantos quiserem saber como não escrever. Por certo, o editorial não é mais o mesmo.

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“PAU DE ARARA”: DA TRAGÉDIA À COMÉDIA

A vida dura de um retirante nordestino visto em Copacabana inspirou Vinícius de Morais a fazer (com Carlos Lyra) Pau de arara, na linha da música engagée, em moda naqueles anos sessenta. Mas a canção, na voz de Ary Toledo, ganhou vida própria, e o que tinha ares trágicos transformou-se em comédia: era de fazer chorar, arrancou risos da plateia. Não sei se a mensagem política – com crítica às desigualdades sociais, em particular no caso do Nordeste – perdeu força. O fato é que Pau de arara foi o momento que consolidou a carreira de Ary Toledo, um artista que ainda não havia encontrado o caminho a seguir.

RISADAS “ESTRIPITOSAS” DE ELIS REGINA

Na peça Pobre menina rica (texto de Vinícius e música de Carlinhos Lyra), Ary pediu aos dois que o deixassem cantar Pau de arara “ao seu estilo”, no que foi atendido, e não deu outra: o público caiu na risada. Lançada num compacto simples, a saga do “paraíba” não alcançou grande êxito, até que Ary fez uma gravação ao vivo no Teatro Record (programa “O Fino da bossa”), arrancando gargalhadas estrepitosas do público e da apresentadora, chamada Elis Regina. Era 1965. Vinícius e Elis aconselharam o jovem Ary Toledo (nascido em Martinópolis-SP/1937) a seguir a carreira de humorista, no que foram atendidos.

NÃO HÁ LUGAR MELHOR DO QUE NOSSA CASA

A canção desfia as desventuras do pobre homem, a comer em praça pública, mediante pagamento vil, lâminas de barbear e cacos de vidro. A canção do retirante, portanto, não era engraçada, mas trágica, denunciadora do modo de vida que se impõe ao povo, o acúmulo de riquezas tantas para uns poucos e da miséria para milhões. Após desfilar seu rosário de sofrimentos e humilhações, o personagem conclui ser mais sensato retornar à terrinha: “Vou-me embora pro meu Ceará/ porque lá tenho um nome/ e aqui não sou nada, sou só Zé Com Fome/ sou só pau de arara/ Não sei nem cantá”. Não existe lugar como nossa casa.

O.C.

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